Enlaçados: Sex and Rock

Anne Krauze · Capítulo 36 de 50

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Enlaçados: Sex and Rock

Capítulo 34

Lilly estava boquiaberta. A casa dos pais dela, que era imensa, não chegava nem perto

daquilo. Nunca na vida tinha visto um lugar tão grande e ostensivo. A Mansão Lincoln ficava em uma propriedade de aproximadamente vinte mil metros quadrados à beira-mar, com onze quartos, elevador, além de uma casa para convidados, um parque aquático e uma casa na praia.

Se Ava visse aquilo, ficaria maluca!

Conduzida por Brian, ela sentou-se no sofá do que julgou ser a maior sala de estar do mundo. Uma parede de vidro dava vista para uma piscina com uma ponte suspensa, coreto e cascata.

— Grande aqui, né? — cochichou pra Brian, assim que a sorridente senhora, vestida em um uniforme tradicional negro os deixou a sós.

Ele girou os olhos como se não apreciasse muito o que via.

— Um elefante branco. Minha mãe tenta vender o lugar há anos, mas quem paga setenta e cinco milhões por uma casa?

Uau!

Certamente, Lilly não pagaria e tão pouco, conseguia se imaginar morando em um lugar tão impessoal como aquele. Para começar, precisaria de um mapa.

— Quando éramos pequenos achávamos o máximo — Brian continuou. — Mas agora, com cada um tomando seu rumo e as meninas crescidas, minha mãe acha sem sentido... A casa tem lembranças demais...

Lilly assentiu. No caminho, Brian contou que a mansão de Los Angeles era da mãe. O pai mantinha um apartamento luxuoso em Nova Iorque e apesar de Ian aparecer em Hollywood de vez em quando, os pais já não mantinham uma relação de marido e mulher há um bom tempo.

— Eis que o filho pródigo resolveu dar as caras — uma voz grossa carregada na bebida vibrou atrás deles.

No mesmo segundo, o corpo de Brian tensionou e ele agarrou com força a mão de Lilly. Os dois levantaram e viraram em direção ao homem descabelado, que vestia nada além do que uma sunga vermelha de gosto duvidoso, com estampa de araras.

Exceto pela cor dos olhos e a diferença de altura, a semelhança entre pai e filho era impressionante. Lilly olhou de um para outro... a tensão entre ambos era evidente e a versão filho era anos-luz mais alta, sexy e agradável aos olhos de Lilly. O original-pai lhe pareceu bem desgastado e nado glamoroso... no estilo bêbado arrogante.

Tão iguais e tão diferentes.

Como Brian não dizia nada, Lilly resolveu quebrar o gelo.

— Olá, senhor Pierce. Muito prazer em conhecê-lo — pronunciou quase que solenemente.

Ian, cujo bronzeado estava além da conta, mediu Lilly com os olhos cinza-gelo vorazes e, em seguida, voltou a se concentrar no filho.

— Vejo que trouxe o brinquedinho novo. — Passou o polegar sobre o lábio em um gesto faminto.

Sentindo-se incomodada, Lilly agradeceu por ter optado por uma jardineira jeans e uma camisa branca romântica com rendas e lacinhos. Examinou os All Stars verdes nos pés dela... e estava tudo, menos sexy.

— Fora dos limites, pai. — O peito de Brian reverberou e Lilly o abraçou na cintura.

Como assim? O que estava fora dos limites?

Ela?

— Lilly não é um brinquedo ou uma namoradinha qualquer, Ian. Respeite-a, é a esposa do nosso filho — uma voz melódica e extremamente doce ronronou atrás deles.

— Mãe! — Brian girou, trazendo o corpo de Lilly junto, em um gesto protetor. A mãe tinha lhe garantido que o pai não viria para Los Angeles. Ian costumava evitar a cidade na época de premiação do Grammy.

— Oh, meu Deus, filho! Você disse que não era nada sério! — Sarah apontou para a mão enfaixada e apressou-se em abraçá-lo.

Lilly ficou ali, paralisada entre pai, mãe e filho. Suas pernas começaram a tremer e o coração disparou. Estava em transe, com os olhos fixos na loira deslumbrante de imensos olhos azuis-violeta e tudo o que a mente dela conseguia gritar era...

Diva! Diva! Diva!

Sarah Diva Lincoln!

Ao vivo e a cores!

Nossa, parece um sonho.

Perdida em seu momento "fã conhece ídolo e surta", Lilly nem se deu conta quando mãe e filho se separaram e Sarah a agarrou em um abraço de mãe urso, depois a segurou nos ombros dando-lhe uma boa olhada.

— Mocinha, você é adorável! Linda, uma boneca! Agora entendo a fascinação de Brian.

Lilly abriu um sorriso tímido e trêmulo.

— Eu... eu não estou acreditando!

— Acreditando em quê, minha querida? — Sarah ficou confusa.

Brian riu com doçura.

— A Lilly é sua fã, mãe.

Ian deu uma bufada monótona.

— Ah... pelo amor de Deus! Uma fã? — disse com desprezo, mas foi ignorado.

— Fã tipo, fã mesmo, a número um. — Lilly a agarrou afundando o rosto em seu abraço.

Será que era demais pedir um autógrafo?

— Fico feliz que goste da minha música. — Sarah riu da carinha encantada de Lilly. — Mas acho que estamos mais para mãe e filha agora.

Mãe e filha?

Lilly caiu no choro. Era bom demais para ser verdade. Que pacotão maravilhoso era o de Brian.

... ... ... ... ♥♫♥♪♥ ... ... ... ...

 

Passada a crise patética de choro e meia hora de convivência, Lilly tinha revisto sua classificação no quesito bagagem familiar do marido. Nem tudo era maravilhoso. Sarah, sim, era o que tinha imaginado ser e mais um pouco. Já Ian, Brian tinha sido generoso ao compará-lo com a Rainha má de Branca de Neve.

Que homem insuportável! A personificação do ego, não era à toa que o Brian parecia tão incomodado com a presença do pai. Ela estava irritada com os olhares e sorrisos indiscretos que ele lhe lançava, toda vez que o filho não estava olhando. Com Bret, irmão mais velho de Brian, ocupado com a boate, a esperança de Lilly eram as trigêmeas. Não via a hora das irmãs de Brian chegarem da aula de dança, e Sarah não sabia mais o que fazer para amenizar o clima na área de churrasco da casa.

Brian remexeu-se no sofá, e não desgrudou de Lilly por nada.

— Ian, deixe os meninos em paz. Por que não vem me ajudar com as carnes? — Sarah tentou arrastá-lo sem sucesso. — As garotas vão chegar famintas — insistiu.

— Gasto uma fortuna com empregados, para quê? — Olhou ao redor como se procurasse alguém. — Onde estão todos? Eles que façam jus aos salários e cozinhem para nós.

Lilly olhou para a mesa repleta de saladas e guarnições. Na certa, foram os empregados que tinham preparado aquele banquete.

— Eu os dispensei... quero um almoço tranquilo e em família. — Sarah alcançou uma bandeja repleta de peças de carne. — Comporte-se, Ian.

Brian riu com sarcasmo. Todas as despesas da mansão Lincoln eram por conta de Sarah. O pai não contribuía com nada. Nunca contribuiu.

— Deixa que a gente te ajuda, mãe — ofereceu-se e levantou, trazendo Lilly com ele. No fundo queria uma desculpa para afastar a mulher de Ian.

— Não, filho, precisa poupar a sua mão. Tenho certeza de que serão os grandes premiados de amanhã. Se abusar, não vai conseguir fazer o show de enceramento.

Ian levantou parecendo irritado e ajeitou a sunga que tinha entrado nos fundilhos. Lilly não pôde deixar de reparar que a bunda deliciosa de Brian não tinha sido herdada do pai. Quis rir, mas conteve-se. O homem era forte e em forma, mas aquela sunga folgada denunciava que lhe faltavam atributos que no filho existiam de sobra.

— Estou bem para tocar, mãe. — Brian ergueu a mão enfaixada e mexeu os dedos. — Além do mais, não é certo que iremos vencer.

— Vai se acostumando, Lilly. — Sarah sorriu para ela com certo orgulho. — A humildade do meu filho é umas das qualidades que eu mais aprecio nele. Nem um pouco deslumbrado com o sucesso. — Olhou para o filho. — Querido, todas as bancas de apostas dão como certa a banda ser premiada como a grande vencedora da noite. A cidade está tomada pela imprensa e por fãs fanáticos da Ultimate.

Brian franziu o cenho. Não curtia todo aquele fanatismo e ainda estava preocupado com o que acontecera naquela manhã. Mark estava que nem louco tentando descobrir a origem daqueles drones.

— A cidade está uma merda, isso sim. — Ian soltou um grunhido aborrecido. — Não sei pra quê tanto estardalhaço! Ainda se fosse o Oscar, mas é só o Grammy. Enaltecem demais a música, quando na verdade ela não passa de uma categoria secundária, um complemento dentro da arte das artes que é o cinema. — Ian foi até o bar ao lado da churrasqueira e serviu-se de outra dose de whisky.

— A sétima arte. — Escapou da boca de Lilly.

No mesmo instante, Ian girou os quadris em sua direção.

— O que disse?

— Que o cinema é a sétima arte, não a primeira. — Lilly o encarou com firmeza. Brian segurou o ímpeto de se meter, sua Bela não iria gostar, além do mais, ela era uma baixinha muito tempestuosa, ia colocar o pai dele no lugar.

Ian colocou a mão na cintura.

— E por acaso, os rabiscos que faz é que são os primeiros?

Lilly riu, mas era de nervoso.

— Ah, não... — Ela olhou para Brian, que a incentivou ir em frente. — Os rabiscos que faço estão em segundo lugar. — Sorriu para a Sarah. — A primeira arte ou arte das artes, é justamente a música. Uma boa trilha sonora muda um filme, o senhor não acha?

Ian engoliu em seco.

— Sério? — Os olhos de Brian arregalaram.

Lilly abriu um sorriso travesso.

— Seríssimo.

— Sei, hum-hum... De onde tirou isso? Wikipédia? — Ian virou bebida e colocou o copo grosseiramente sobre a mesa.

Que imbecil!, pensou Lilly, mas conteve-se.

Sarah revirou os olhos, às vezes, Ian era mais infantil que as filhas.

— Lilly é formada em História da Arte pelo Instituto Beaux - Artes em Paris.

Os olhos do homem ganharam um novo brilho... Hum... o brinquedinho, além de gostosa, tem um cérebro.

Uma algazarra de vozes adolescentes chamou a atenção de todos. O jovem casal levantou assim que, três loirinhas exatamente iguais surgiram correndo pelo jardim. As meninas chegaram eufóricas e lançaram-se sobre o irmão, que sorriu como um bobo.

— Briaaaaannn!

— L's! — Brian dividiu-se em abraços e beijos. — Vocês estão altas! Cresceram o quê? Meio centímetro?

— Fala sério! — Uma delas deu um soco no ombro de Brian, que fingiu sentir dor. — É sério que casou? Tipo de verdade?

As trigêmeas começaram um interrogatório histérico:

— Por que não contou que namorava?

— Cadê ela? É verdade que ela pinta?

— Falou da gente pra ela?

— Ela sabe que somos três?

— Ela gosta da Ariana Grande?

— É verdade que vamos ser titias?

— No colégio, as meninas estão... tipo, querem se matar... sabia?

Sorrindo, Brian deu um passo para o lado revelando uma Lilly sorridente atrás dele.

— Acho melhor perguntarem tudo direto para ela.

As meninas trocaram olhares e gritaram... sons tão agudos capazes de furar tímpanos. Lilly foi cercada pelas garotas que pularam, bateram palmas, tocaram na roupa, no cabelo, quiseram ver o anel, beijaram, abraçaram, tiraram selfie e fizeram mais mil perguntas. Lilly ampliou o sorriso e respondeu como pôde.

— Filhas, desse jeito vão sufocá-la — Sarah falou com autoridade, tentando botar ordem.

Elas olharam para a mãe e juntas respiraram em sinal de rendição. Só então repararam em Ian.

— Ah... oi, pai, cê tá aí... — disseram, receberam de Ian um aceno sem interesse e sentaram-se à mesa com os celulares ainda em punho.

Com a presença das garotas, o almoço seguiu bem mais leve.

Conversaram sobre tudo um pouco...

Sarah falou sobre o sucesso de Bret nos negócios e do seu namoro com uma apresentadora de tevê esportiva.

— Não sei se o namoro do seu irmão com a Lucille vai longe. A diferença de estilos de vida já está começando a atrapalhar. Uma pena, é a primeira vez que vejo Bret interessado em alguém — a mãe lamentou.

— Isso é fogo de palha. Conheço a Lucille, fraquinha demais. Não tem cacife para segurar um Pierce. — Ian abriu um sorriso malicioso.

Todos ignoraram o comentário e Lilly pensou como uma pessoa tão incrível como Sarah poderia ser casada com um homem tão raso.

— Depois de amanhã, voltamos para a estrada — Brian avisou.

— Assim tão cedo? A cerimônia do Grammy termina tarde, mal terão tempo de descansar.

— Os QG's são muito confortáveis. — Lilly sorriu. — Além do mais, estou ansiosa. É divertido conviver com todo mundo.

— Ora, vejam só... — Ian levantou uma sobrancelha sugestiva. — Mal casou e já está entediada? — Olhou para o filho com desdém. — Era de se esperar. Não sei a quem esse moleque puxou.

— Ian! — Sarah levantou-se. — Se vai começar, é melhor ir embora!

O homem ergueu os ombros, como se não estivesse fazendo nada.

— Deixa, mãe. — Brian respirou e sorriu, apesar de estar com a mão coçando de vontade de socar aquele babaca. — Nós já estávamos de saída mesmo.

Lilly suspirou aliviada, estava louca para sair dali.

— Verdade. — Apertou a mão de Brian com força. — Combinei de encontrar a Penne. Ainda tenho que escolher um vestido para a premiação de amanhã. — mentiu adiantando o passeio com a amiga em um dia.

As irmãs riram com os olhos vidrados no celular... estavam vermelhas, quase suando.

— O pai é que ele não puxou. — A que se chamava Liah gargalhou.

— Mãe, por que não disse que tínhamos um Harry Potter na família? — Leah também gargalhou.

— Se eu fosse homem também teria inveja — Liah voltou a falar, olhando para Ian. — Pai, essa birra toda com o Brian é porque ele é bem maior do que você?

Hã?

Os alarmes de Brian soaram.

— O que tem aí nessa merda? — Apontou para o celular. — Me dá isso aqui! — Brian levantou e esticou o braço sobre a mesa na direção da terceira gêmea Lisa, que continuava muda e não tirava os olhos do aparelho.

Ele agarrou o celular e, assim que viu a tela, soltou um grito sonoro:

— Eu mato aqueles filhos da puta!

— O que foi? — Lilly e Sarah perguntaram ao mesmo tempo.

— Merda! Merda! Merda! Os caras vão me zoar para o resto da vida por causa disso! — Brian seguiu esbravejando.

— Filho, olha a boca!

Lilly aproveitou que Brian se distraiu e começou a puxar os cabelos para capturar o celular da mão dele.

— Ai, minha nossa, poxa vida! — Ela virou um pimentão na hora.

Sarah aproveitou que a nora ficou desconcertada e fez o mesmo. Roubou o celular e começou a rir.

— É, definitivamente isso aqui não veio do Ian. — Soltou uma risada deliciosa e passou o aparelho para o marido.

— Ah... fala sério! Tá na cara que isso aqui é Photoshop! — Ian fez uma cara de assombro. — Ninguém brilha desse jeito.

— Pelo jeito, o do Brian brilha, né, Lilly? — Lisa deu um sorrisinho para ela e virou o outro celular, que pegou da irmã, para o pai. — Essas modernidades não são da sua época, pai! Isso aqui, na vara mágica, é um piercing.

— Pare de me chamar de velho, Lisa! Sei muito bem o que é um piercing! — o pai saiu esbravejando da mesa em direção à praia. — Pois fiquem sabendo que eu também sou incrivelmente bem-dotado. Está encolhido, porque estou com frio, porra!

As filhas gargalharam histericamente e Sarah correu para abraçar o filho.

— Está tudo bem, filho. Nem dá pra ver muito — mentiu. — Sabe como são essas coisas de internet. Amanhã ninguém mais vai lembrar.

Tomada por sentimentos que oscilavam entre o choque, o orgulho desmedido e um ciúme extremo, Lilly duvidou das palavras da diva. A imagem daquele pau incrível e brilhante jamais sairia da sua mente.

Brian queria sumir...

Tudo que ele não precisava era ter os seus dotes masculinos expostos no pior site de fofocas de Los Angeles. Uma sequência completa do seu corpo nu capturada pelo maldito drone... em todos os ângulos: lado, frente e costas. O peito rijo, o abdômen tensionado, o dragão nas costas, a bunda, o pau a meio-mastro. Sentiu-se estuprado ao ler o título da matéria:

Descobrimos o segredo por trás do sorriso de Lilly Peterson! A vara mágica de Brian Pierce!

Droga!, pensou Brian.

Bem abaixo da manchete, havia uma foto em destaque, onde um raio de sol incidia justamente no aço de seu piercing. A cabeça do seu pênis brilhava, em um jogo de ótica, como se emitisse a porra de um raio.

... ... ... ... ♥♫♥♪♥ ... ... ... ...

 

Lilly sentiu o colchão levantar. Abriu os olhos e observou Brian ir checar as janelas e venezianas da varanda. Conteve o impulso de dizer que ele já tinha feito aquilo cinco vezes e que Mark garantira que os drones não voltariam.

Calou-se, não queria piorar a situação.

Brian saiu bravo da casa dos pais, ficou ainda mais furioso quando chegaram a Dreams Beach. A entrada do condomínio tinha sido invadida por repórteres e fãs disputando um segundo de atenção. E, pela primeira vez, Brian não fez a tradicional paradinha para responder aos jornalistas ou dar autógrafos, pediu para Lilly não parar a Maserati.

Ela queria confortá-lo... e não seria com sexo. Não era o belo corpo de Brian que precisava de atenção, e sim, a alma. Lilly precisava descobrir o que o incomodava e dar um jeito de ajudá-lo. O que tinha sido pior? O encontro com aquele pai intragável ou ter a intimidade exposta de uma maneira tão atroz? Ou ambos? Nem ela sabia definir os próprios sentimentos. Ficou claro que entre pai e filho havia algo muito mais sério rolando do que a falta de afinidade. Viu o rancor impresso nos olhos de um e a mágoa transbordando em outro.

Lembrou-se de Ava.

Ah... família!

Suspirou.

Por outro lado, é claro que odiou ver o corpo que estava aprendendo a amar sendo violado daquela maneira. Que merda! Aquilo foi desagradável e teve vontade de sair do carro para bater nas mulheres que ostentavam cartazes com a nudez do marido. Não foi só um sentimento de ciúmes ou posse que explodiu no peito de Lilly. Foi mais, muito mais... foi respeito.

O colchão voltou a afundar e Brian deitou de costas para ela. Estava envergonhado, não queria que Lilly visse a decepção em seus olhos. Deveria ter seguido a intuição e cancelado a ida à mansão Lincoln.

Com jeitinho, Lilly aproximou-se e o abraçou. Envolveu a cintura de Brian e beijou as costas nuas. O perfume dele era como um feitiço, despertando-lhe os sentidos. Acariciou os músculos tensos, os traços da tatuagem pareciam mais duros e agressivos.

Coitadinho.

— Brian, quer conversar? Às vezes, se abrir faz bem — sugeriu com doçura.

Sentiu o peito grande esvaziar em um suspiro.

— Ah, minha Bela, desculpa por hoje.

Lilly puxou o corpo dele de forma que deitasse de costas. Aconchegou-se, abraçou-o novamente e apoiou o queixo sobre o peito dele. Em seguida, olhou-o com uma ternura legítima.

— Tudo bem, que não foi o dia mais perfeito do mundo. — Não iria mentir. — Mas, pelo amor de Deus... as coisas boas superaram as ruins em muitos graus. — Sorriu abertamente. — Primeiro, adorei conhecer a sua mãe. Segundo, tem noção de que ganhei todos os discos dela? Au-to-gra-fa-dos... — disse com os olhos arregalados. — Posso ficar aborrecida de boa, pelo resto da vida, só admirando os autógrafos da Sarah Diva Lincoln. — Ela riu. — E as suas irmãs... são umas figuras.

Brian gostou de ouvir aquilo, mas muitas coisas ainda o preocupava.

— As fotos... — ele sussurrou.

— Aquilo? — Lilly fez cara de pouco caso. — Vamos aprender a lidar com elas, simples assim. — Acariciou o peitoral que começava a relaxar. — Tudo bem, que terei que rebolar para controlar o meu ciúme. O senhor tinha que ser assim, tão tremendamente gostoso e útil?

Confuso, Brian ergueu o rosto e a encarou.

— Útil?

Lilly ficou muito séria como se fosse dizer algo realmente importante.

— E, não é? Em uma terra onde as tempestades sempre fazem a luzes apagarem, ter um pau que brilha me parece bastante útil. — Brian caiu na gargalhada e o coração de Lilly sorriu. — Por outro lado, também é um problema. Mais do que nunca, as pilantras vão querer tirar uma casquinha, mas o Harry Potter aí é só meu, estamos combinados?

— Combinadíssimos. — Brian levantou uma sobrancelha e arriscou outro sorriso. Lilly sabia suavizar as coisas. — Pera aí... está com ciúmes do meu pau brilhante?

— Tenho ciúmes de tudo, principalmente disto. — Ergueu a cabeça e beijou-o na altura do coração. — Quanto mais eu te conheço, mais eu me apaixono. Você é uma pessoa muito linda, Brian Pierce.

O rostinho dela corou e o coração dele esquentou de um jeito bom. Linda é você.

— Sério que está mesmo apaixonada por mim? Aquele eu te amo, Brian, do outro dia, não foi só da boca para fora, no ardor do orgasmo?

Droga!

Bem possível que tenha sido.

Lilly não se lembrava de ter dito aquilo, mas quando estava com Brian, ela perdia os sentidos e dizia coisas e mais coisas. Se tivesse dito, não teria mentido. O amava desde sempre, antes mesmo de se dar conta de que o amava de verdade.

— Hum-hum... Eu espero que tão verdadeiro quanto o seu meu amor, de hoje de manhã — Lilly disse tentando controlar o nó na garganta.

Ele abriu um sorriso.

— Ah, meu amor, o meu amor de hoje cedo foi verdadeiro, pra caramba — ele brincou com a convicção de quem diz uma verdade e abriu um sorriso enorme. — Só um aviso... Vai ter que ser muito guerreira. Não vai ser fácil andar por aí, com um cara que virou piada na internet e que tem um pai que é um pé no saco! — Apesar da brincadeira, ele continuava a falar sério.

Lilly suspirou feito boba. Sou o amor do Brian!

— Assim como não vai ser fácil andar por aí, com alguém que tem uma irmã malévola como a Ava — retrucou.

Belo ponto!

Brian riu de verdade, não sabia qual dos dois estava mais lascado no quesito parentes problemáticos. Abraçou-a, juntando bem os corpos.

— Pois é, acho que somos almas gêmeas.

— Isso não vale. Todo mundo tem uma maçã podre na família. — Ela riu, mas depois se tocou da besteira que tinha dito. — Desculpa, não quis dizer que o seu pai...

— É um idiota arrogante que ama ser adulado? — completou a frase por ela e sentiu necessidade de botar pra fora o que pensava sobre o pai. — Sabe, o Ian já foi um cara legal, mas depois de ganhar o Oscar, se achou acima dos outros. Deixou que a vaidade e o ego tomassem conta. Acreditou que o nome Ian Pierce, por si só, manteria uma legião de fãs dispostos a endeusá-lo para sempre e que todos os seus filmes, dali por diante, seriam um sucesso garantido. Agia com arrogância, para depois dar entrevistas dizendo que era o mesmo cara simples e espiritualizado do início. Acho que ele não sacou que estar na lista do New York Times não te faz melhor do que ninguém, que o sucesso é um estado volátil, não uma condição eterna... e que o mundo evolui e novos talentos podem surgir.

— Acha que ele se ressente pelo fato de você ser mais famoso?

— Devo tudo o que sou a minha mãe, não ao meu pai — Brian disse sem pensar. Depois, ficou calado. Não queria reviver situações que ainda o machucavam. Olhou para Lilly, que parecia ansiosa por qualquer pedacinho de informação que ele estivesse disposto a compartilhar.

Droga!

— Se for difícil para você, eu vou entender.

— Não, tudo bem. — Acariciou o cabelo dela e resolveu lhe dar o que podia. — Não acho que o lance do meu pai seja só comigo. No fundo, ele se ressente do sucesso do mundo. Minha mãe mesmo ganha muito mais do que ele e você viu o que ele pensa da música. Para o meu pai, só o que ele faz tem valor. — Esfregou o rosto em um gesto cansado. — Ian não consegue ver ninguém feliz, que vai lá e destrói. Acho que é por isso que sou assim... desconfiado e desapegado. Amo a música, não a glória. Eu me esforço e me dedico, porque respeito o que eu faço e sei que tudo pode acabar, se eu não der valor. Claro que o dinheiro é bom, preciso dele e o vejo como reconhecimento do meu trabalho, mas o dia que eu compuser por fama... estarei morto. O Brian não existirá mais.

Ai, senhor... que homem é esse?

A cada segundo, gosto mais dele.

E, de repente, ela pensou que seria uma boa ideia se relaxassem com um pouco de sexo.

— Gosto desse Brian... não mude nunca, nem se obrigue a fazer o que não quer. — Lilly delineou os contornos do torso masculino até os limites do elástico da calça de moletom que ele usava. — Se gosta de dormir pelado, não precisa usar isso. Garanto que estamos seguros aqui — disse com suavidade.

O contato com os dedos delicados fez a pele de Brian arrepiar.

— Ah, é? E o que mais a senhorita pode me garantir?

— Senhora — corrigiu ela.

— Minha senhora. — Tocou a ponta do nariz dela. — O que mais pode me garantir, minha senhora?

— Que não importa como o dia começa e sim como termina. E se estiver disposto, vou garantir que a sua última experiência de hoje, seja incrível.

Os azuis-violeta acenderam.

— Meu amooor... — falou de um jeito engraçado. — Eu estou sempre disposto! Aliás, posso estar morrendo que, mesmo assim, estarei disposto!

Sem pensar duas vezes Lilly debruçou-se sobre ele e tacou-lhe um beijo. Brian apertou-a contra ele e deixou-se levar. Segurou-a pela nuca e beijou com posse. Do jeito que ela mais gostava.

Lilly estremeceu, Brian sabia mesmo como aquecer as coisas e elevar o beijo à potência máxima. Perderam-se um no outro deixando tudo ir embora. Mate verde e lima se misturaram, pernas se enroscaram, mãos se exploraram e bocas se reivindicaram.

Sabe-se lá como, eles se despiram... foi calça de moletom de Brian para um lado e camiseta de Lilly para outro.

— Caralho, está sem calcinha — Brian grunhiu ao apertar a pele macia da bunda de Lilly.

— Uma garota pode ter esperanças, não pode?

Ele lhe deu um tapa apreciativo bem na dobra da bunda.

— Ah... pode sim, minha safada, claro que pode! Era disso que eu precisava... de nós.

Quando Brian a girou e quis apoiar as mãos no colchão para montá-la, Lilly gritou:

— Não... a sua mão, não deve forçá-la! — Rolou o corpo para sair do domínio dele e sentou, apoiando-se nos calcanhares.

— Corpo do caralho, isso é sacanagem comigo. — A visão daquela cinturinha fina e dos seios empinados só pioraram a situação de urgência em Brian. Sua Fera vibrou, endurecendo com vontade. — Vai me maltratar? Eu pensei que você estivesse a fim. — Deslizou a mão sobre a coxa de Lilly até chegar na faixa delicada de pelos em seu púbis. Acariciou-a bem ali.

Ela inclinou a cabeça como uma gata apreciando o toque do seu dono.

— Nada de maus-tratos, hoje quero só o seu prazer — disse em um sussurro. — Pare de me tocar, vou montar em você.

O quê?

Brian agitou-se e olhou-a como um tarado libertino. Lilly estendeu a mão e tocou o pênis. Começou a ordenhá-lo lentamente, queria que ele se perdesse, que não pensasse em mais nada a não ser na mão dela e nas sensações maravilhosas que estavam por vir. Brian ergueu o quadril, sem pudor de se esfregar na palma da mão de Lilly e ela não se fez de rogada, intensificou o aperto em um vai e vem exigente.

Quando ficou satisfeita, girou o corpo colocando um joelho de cada lado do quadril ansioso de Brian. O pênis apontava para cima, quase roçando o umbigo dele. Resistiu à tentação de chupá-lo, ela também necessitava ser fodida. Levantou o quadril, pegou a ereção a ponto de explodir e passou por sua abertura... lubrificando-o.

Um ronco quase selvagem reverberou no quarto.

— Isso, me fode, Lilly. Acaba com a minha raça.

Ela sorriu satisfeita, o cabelo de Brian era uma bagunça sexy. Não podia mais esperar, precisava dele... nela. Abaixou lentamente o corpo, sentindo a vagina alargar a cada centímetro que avançava. Respirou fundo e fechou os olhos.

— E, mais uma vez, meu pau está em casa.

— Você é a minha casa, Brian. — Ela inclinou, apoiou as mãos no peitoral dele e começou a cavalgá-lo.

Mãos firmes seguraram os quadris de Lilly ditando o ritmo... forte e profundo. Ela não se importou de ceder o controle. Gostava dele dominador na cama.

— Oh, meu Deus! — Se o infeliz a penetrasse mais fundo, invadiria seu útero.

— Isso, senta em mim com vontade — grunhiu e começou a se movimentar mais rápido, entrando e saindo. Metendo e tirando.

Nossa, como isso é bom!

Ficaram nesse ritmo até ele sentir as pernas de Lilly fraquejarem. Sentou trazendo o corpo suado dela sem se desgrudarem. A posição permitiu que Brian tivesse acesso direto aos seios, abocanhou um, chupando com gosto. Para ela, era delicioso sentir aquela boca e língua estimulando o bico até quase doer. Gostava dele selvagem e sem limites, sabia que ele precisava daquilo... foder até perder os sentidos e esquecer o dia de merda que tiveram.

Cavalgaram e comeram um ao outro, sem se importar com mais nada. Lilly gozou primeiro, quando seu ventre estremeceu, fechou os olhos e entregou-se ao orgasmo. Depois foi a vez de Brian, que tensionou as coxas, diminuiu o ritmo...

— Olha para mim — pediu e ela obedeceu para encontrar o rosto lindo transbordando em tesão, antes de Brian explodir em ondas firmes, inundando-a...

Sem tirar o pau, abraçou-a.

— Te amo pra cacete, Lilly Pierce! — Sorriu e deixou um rastro de beijos molhados pelo ombro, pescoço até chegar na boca.

— Te amo desde sempre, Brian Pierce — murmurou e desenhou aqueles lábios com a pontinha da língua para depois beijá-lo com doçura.

Depois de passarem um bom tempo emaranhados como dois coalas, Brian sugeriu um banho, mas Lilly estava sonolenta demais. Ele a deixou na cama, correu para o banheiro e voltou trazendo uma toalha úmida e cheirosa. Limpou e acariciou cada parte daquele corpo delicioso, jogou a toalha em um canto e deitou cobrindo a ambos.

Lilly bem que tentou dizer algo, mas tudo o que conseguiu foram uns grunhidos sem nexo.

— Dorme, meu amor. Amanhã, temos um dia cheio. — Brian abraçou-a por trás e também fechou os olhos. Sorriu... ela tinha conseguido, transformara seu fim de dia em algo memorável.