Enlaçados: Sex and Rock
Capítulo 1
O mais lindo do mundo
Seis anos antes...
Aeroporto Charles de Gaulle – Paris – 30 de dezembro
— Porra, cara! Não acredito no que está acontecendo!
Bem na frente da Lilly, no balcão de check-in, um jovem parecia realmente em apuros. Falando no celular, ele ia e vinha de um lado para o outro e, por mais que ela tentasse se distrair com as revistas de arte que segurava, não conseguia desviar o olhar do cara alto, de sobretudo verde-exército e All Star vermelhos.
— Eu chequei, caralho! A passagem dizia: do Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, para o Aeroporto Internacional de Los Angeles, Voo 457, 30 de dezembro. A agência errou e colocou dia 31 e acabou com a minha vida! Enchi o saco do Gladiador para me dar uma chance. Se eu não estiver nos Estados Unidos amanhã, o outro cara entrará... Só por um milagre.
A voz dele, mesmo brava, era ritmada e fascinante. Tão bonito. Provavelmente, o mais lindo do mundo. Não que Lilly conseguisse ver muito sob a touca preta e todas aquelas roupas que o rapaz usava ou que ela, aos dezessete anos, conhecesse todos os homens da face da Terra para saber que aquele era o mais belo.
Era só um palpite da menina que o observava fascinada há cinco minutos. Porém, uma coisa era certa... Adam Levine tinha acabado de perder o posto de Top Perfeito para o moço da
fila. [9] Ahhh, agora tenho dois músicos favoritos no mundo! , pensou ela, certa de que o case que ele carregava, indicava que era um instrumentista. Adorava músicos. Seus dois melhores amigos tinham até uma banda!
A atendente uniformizada, da Air France, checou, mais uma vez, o computador e o olhou-o com tristeza.
— Sinto muito, a única chance será se alguém da fila trocar com o senhor.
— Droga, minha vida acabou! — O jovem esfregou o rosto em desespero.
Ai, ai... Suspirou Lilly, não querendo que a vida dele acabasse. Seria um desperdício. Tão novo... tão lindo! Então, fez o que qualquer garota, que se apaixona a jato pela primeira vez faz: merda.
— Eu troco! — gritou ela na empolgação.
Os olhos incrédulos da atendente mediram Lilly.
— Mas você é só uma criança! Cadê os seus pais?
Brian virou para encarar o rosto da dona da voz angelical e salvadora atrás dele.
Por um instante, pensou que a garota de olhos impressionantes, por trás de uns óculos fundos, iria abrir o berreiro. O rostinho de boneca contorceu-se e os lábios rosados e cheios tremeram... Porém, a menina esticou o corpo magro, ajeitou o chapéu vermelho engraçado, respirou e encarou a atendente.
Uau!
A garota tem personalidade e é lindinha, e um bebê!
— Tenho dezessete anos e sou emancipada. Portanto, legalmente capaz de tomar as minhas próprias decisões. Disse que troco e vou trocar.
— Tem certeza? — Brian perguntou chocado com a determinação e o altruísmo da garota-bebê. Trocar de data era o mesmo que abrir mão das comemorações da passagem de ano. — Vai passar o Ano Novo em um avião — alertou.
— Tenho — foi tudo o que ela conseguiu dizer quando viu os olhos azuis-escuros dele e congelou.
— Como queira, então. — A comissária revirou os olhos. — Trocando de Emanuelle L. P.
para Theodore B. L. P. [10]
— Obrigado! Feliz Ano Novo! — Empolgado, o jovem apertou as bochechas da mocinha juntando suas bocas em um beijo rápido e estalado.
— Melhor se apressar, rapaz, o avião sairá em dez minutos.
— Merda! Desculpe pelo beijo, me empolguei. Porra! Valeu! — desculpou-se, sem graça, a uma Lilly sem reação; depois saiu correndo e deu um soco de vitória no ar. Em seguida, virou e apontou para a bonequinha linda. — Amoooo você, garota-bebê! — E sumiu apressado na multidão.
— Eu... a... é... — Acho que também te amo, Theo!, pensou.