Enlaçados: Sex and Rock

Anne Krauze · Capítulo 7 de 50

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Enlaçados: Sex and Rock

Capítulo 5

Que comece a aventura...

 

Depois de mais um show fantástico da banda, Penne estava na área VIP reservada no

bar do hotel Bellagio.

Mal tiveram tempo de tomar um banho rápido e foram cercados por fãs, celebridades e alguns chatos. Para variar, Adan já estava pendurado nas groupies, provavelmente fazendo uma seleção de conquistas da noite. Com três shows em Las Vegas, eles finalmente teriam quatro dias de folga das estradas e uma noite inteira antes do último show.

Não que as viagens no ônibus da turnê fossem uma tortura. Pelo contrário, depois dos shows, eram a melhor parte. Principalmente quando trocaram a velha condução, por uma nova com comodidade e luxo para os cinco. Agora, eles não brigavam mais pelo único quarto privado do antigo ônibus.

A nova casa sobre rodas do UB[15] tinha uma suíte extra, além dos tradicionais beliches. Então, as chances de se conseguir alguma privacidade dobraram. Coisa que Adan e Ethan estavam adorando, já que eram os mais prostitutos do grupo. Penne tinha convicção de que um dia, o pau deles iria cair de tanto uso.

Gabe e Brian eram mais discretos. Preferiam as escapadas nos quartos dos hotéis da redondeza ou os clubes de sexo. Não que o número de fãs fosse menor, ao contrário.

As mulheres eram simplesmente fanáticas pelo estilo descolado e sedutor de Brian. O homem era bonito, não... ele era lindo, bem-humorado, do tipo que não dá para parar de olhar e Gabe, nossa... Gabe era o Gabe com aquele jeito divertido e safado. Entretanto, nem todo mundo acompanhava o ritmo dele, não era toda mulher que aceitava ser compartilhada com os amigos ocasionais do astro do rock.

No começo da banda, Penne e Adan tiveram um namorico. O sexo era quente, porém os dois eram incompatíveis em todo o resto. Brigavam muito e, pelo bem de todos, perceberam que deveriam ser só amigos mesmo. Principalmente depois que a Penne o encontrou embaixo do palco com duas japonesinhas muito empolgadas.

Águas passadas... Naquela noite, tudo o que Penne queria saber era sobre o casamento da melhor amiga. Ela e Big trocaram algumas mensagens com Lilly à tarde, mas depois delas, não conseguiram mais contato.

— Ainda na paranoia com a Lilly? A essa hora, ela deve estar fodendo o coxinha do marido dela — Adan disse no ouvido de Penne, assim que chegou ao bar arrastando duas ruivas a tiracolo.

Graças a Deus, que a cobertura que o Mark reservara no Bellagio, tinha oito quartos. Não que Penne ainda nutrisse uma paixão secreta por Adan.

Não!

Claro que não!

Longe disso!

A loira só não estava disposta a ouvir as duas ruivas gemendo a noite toda. Ela conhecia muito bem o fôlego do loiro de olhos cinza, à sua frente. O homem possuía mais energia que o número de tatuagens espalhadas pelo corpo.

— Não estou paranoica! Vá se foder, babaca! — Penne empurrou o peito largo de Adan. O cara era grande e os esforços dela nem fizeram cócegas. — Só estou preocupada, Lilly disse que mandaria os vídeos da recepção.

— Se não soubesse como ama um pau, eu juro... poderia acreditar que a sua fixação pela Boneca é mais do que amizade.

Adan não resistia, adorava uma provocação. A loirinha gata da banda era a coisinha mais arisca que conhecia. Divertia-se em azucriná-la por qualquer coisa e as bochechas dela, vermelhas de raiva, ficavam irresistíveis.

Penne reprimiu o impulso de estrangulá-lo. Mediu o vocalista de cima a baixo. Uma cara de certo desgosto foi inevitável, assim como um risinho de desdém. Ajeitou uma mecha dos cabelos loiros com as pontas tingidas de rosa velho.

— Para o seu governo, bocó, só amo paus de qualidade, o que não é o seu caso. Cuidado, meninas, vão se decepcionar quando virem o gravetinho que esse aí tem entre as pernas.

Rapidinho, Penne pegou o copo com tequila das mãos de Adan e saiu à procura de Ethan, antes que o vocalista pudesse reagir. Se existia uma coisa da qual o vocalista tinha total orgulho era do tamanho dos seus dotes masculinos. Penne sabia muito bem como deixá-lo louco de raiva.

— Penne! Volta aqui, sua imbecil! Meninas, o meu pau é enorme. A ordinária está com...

Satisfeita com a indignação de Adan, Penne caprichou no rebolado enquanto se afastava. Ela tinha adorado o efeito que aquelas calças de couro proporcionaram à sua bunda. Sendo a única mulher da banda, a figurinista sempre arrasava no visual da baixista.

Foi fácil de encontrar os outros caras, guiada pelo som das risadas altas do grupo. Os três músicos estavam dividindo uma cabine semicircular com bancos forrados de veludo dourado. Mark estava com eles.

Penne sorriu ao ver três garrafas de tequila e uma de vodca, abertas em cima da mesa, contudo, uma barca de sushi quase vazia fez o estômago dela revirar. Os quatro homens pareciam bem determinados em descobrir qual deles seria o primeiro a se embebedar mais naquela noite.

Era normal passarem dos limites nas noites de folga. Eles teriam o dia e a noite seguintes inteiros para curar as ressacas. Uma das vantagens de se ter brechas entre os shows. Apesar das bebedeiras constantes, as drogas não faziam parte da rotina do grupo. Tirando uma má fase ou outra, é claro. A dela fora há quatro anos, e saíra graças à ajuda de Lilly. Já Gabe tinha passado alguns dias na reabilitação, há um ano.

Desde então, nada de drogas ilícitas ou remédios para emagrecer. Era um limite rígido imposto por Mark.

Uma atitude sábia para evitar problemas com os guardas rodoviários e os homens das alfândegas nos aeroportos.

— Outra rodada — Gabe propôs e Brian foi logo enchendo os copos com as doses. O guitarrista tinha um motivo a mais para beber “todas” naquela noite. Um certo casamento precisava ser varrido de sua memória.

— Podem colocar uma para mim. Vou entrar na disputa! — Penne gritou e sentou-se ao lado de Ethan.

— Cadê o Adan? — perguntou Mark, meio bêbado.

— Está no bar com as vadias de hoje.

— Quantas são? — Gabe esticou-se todo, olhando em direção ao bar para ver se encontrava o Adan.

— Por enquanto, duas ruivas, mas em se tratando de Adan, pode ser que acabe a noite com cinco loiras, uma asiática e um camelo — Penne desdenhou e Brian quase engasgou com uma dose extra de tequila. — Você me colocou bem longe dele, né, Mark?

— Um em cada ponta do andar! — Mark lançou um sorrisinho malicioso para Penne.

— Melhor assim. — Penne revirou os olhos. — E você, Ethan? Estou estranhando que até agora não tenha arrastado umas quatro para o seu quarto.

— A noite está só começando. — Big piscou, apontando para um grupo de garotas seminuas, próximo à mesa. Os vestidos colados ao corpo eram tão curtos que Penne imaginou como as mulheres faziam para se mexer ou respirar. Quaisquer movimentos mais bruscos e, certamente, as “bochechas” das bundas apareceriam.

— Sinceramente, não sei o que vocês veem nessas meninas. Aposto que noventa por cento ali é falso.

Ethan deu uma boa olhada nas garotas que riam histericamente para ele e levantou uma das sobrancelhas por pura satisfação. O homem amava uma boa mulher voluptuosa.

— Eu deixo as naturais para o Brian, ele é o ecológico do grupo.

— Não sou ecológico. Só não vejo graça em me esfregar num monte de plástico! — defendeu-se Brian, antes de ter a atenção roubada por um burburinho vindo da entrada da boate e o coração dele congelar.

De repente, toda a atenção das pessoas que era exclusiva deles, voltou-se para a pequena e desgrenhada mulher de branco abraçada ao Adan no bar.

Não é possível, pensou Big, lançando um olhar incrédulo para Penne. Ela estava paralisada, com a cara branca e o queixo caído. Não é possível!, pensou o baterista novamente, sem saber o que fazer... então, do nada, ele empurrou o corpo de Penne para fora da cabine, junto com o dele.

Como se saísse de um transe, a guitarrista gritou:

— Mas..., mas..., mas é a Lilly!

Em um único impulso, Big alcançou Adan, que trazia Lilly agarrada a ele, com o rosto enterrado no peito imenso. As duas ruivas os seguiam, com uma cara de espanto e um pouco de ódio. Já não havia um único barulho no bar. Todo mundo ficou quieto acompanhando a cena.

— Tirem a imprensa daqui! — gritou Mark, assim que alguns flashes começaram a pipocar.

Jesus!, pensou o empresário, a última coisa da qual precisava era ter que administrar uma fã louca, vestida de noiva. Se um dos caras a tivesse engravidado, esse seria um escândalo difícil de abafar.

O semi-ataque cardíaco de Mark só parou quando reconheceu a mulher. Big, Penne e Adan a embalavam em um abraço coletivo. Deus, obrigado, Deus! O empresário tinha esquecido completamente do casamento da melhor amiga de Ethan e Penne. A Bonequinha que ele não via há um ano.

Mas que porra?

— Ela... ela... não deveria estar casada? Não é possível. É? — balbuciou Brian para si mesmo, depois de sair do choque. Em seguida, deixou Mark quase sem as bolas, ao pisar sobre ele para ir em direção à Lilly.

O pobre do empresário mal teve tempo de respirar quando... os pés de Gabe seguiram o mesmo caminho dos de Brian.

— Caralho! Que o babado deve ser nervoso! — o baixista gritou animado.

— Aiiii, meu saco... — miou Mark, contorcendo-se de dor ao ser abandonado na cabine dourada.

Em momento de dor intensa, tudo o que Mark conseguia enxergar entre as lágrimas, eram os seus meninos de ouro em torno de uma noiva fujona e os seguranças contratados para a noite tentando manter o grupo isolado no meio do salão VIP do bar.

— Jesus, Lilly? O que aconteceu? Como chegou aqui, baby? — sussurrava Penne, ao limpar as lágrimas da melhor amiga.

— Eu mato aquele bastardo do Will! — a voz grave de Big ecoou em todo o salão. Ele agarrava os cabelos, como se aquilo solucionasse alguma coisa.

— É melhor tirá-la daqui! Estão sufocando a coitadinha — Brian sugeriu, sem querer dar bandeira para os amigos. Mais um pouco, ele teria um colapso. Mesmo melecada e com o nariz vermelho, Lilly continuava perfeita.

O coração do baixista estava entre a agonia e o êxtase. Ele podia sentir o desespero em cada suspiro que Lilly dava, mas estava aliviado que, certamente, ela não tivesse se casado com o otário.