Enlaçados: Sex and Rock
Capítulo 17
Lilly mal conseguiu prestar atenção quando Brian voltou a falar do conservatório. O
coração dela estava batendo forte, como naquele dia em Paris.
O músico contou que Ethan tocava percussão, além de bateria. Coisa que Lilly já sabia. Mas não tinha ideia que Brian era um instrumentista! Jesus, o homem tocava saxofone, violino, piano, além de guitarra. Ele tinha formação de regência e composição clássica, e foi o responsável pela trilha do filme Os Amantes, com a qual ganhou um Oscar de melhor compositor e poderia levar outro!
Deus!
Lilly sabia tudo a respeito da carreira da banda através dos amigos, mas os fatos eram sempre gerais. Detalhes só conhecia os de Big e Penne. Sempre evitou se aprofundar muito em Brian. No máximo, pequenas especulações sobre a vida amorosa dele, que Lilly tentava, sem sucesso, com Penne.
Sabia que ele era filho de Ian Pierce. Os dois eram bem parecidos, mas ser filho da cantora Sarah Lincoln. Nossa Senhora! Quantas vezes ela não tinha se trancado no quarto para sofrer por algum garoto, ouvindo as músicas românticas da cantora. A mulher era um mito. Além de linda!
— Te acho mais bonito que seu pai — confessou tímida.
Brian tampou a boca de Lilly, como se ela acabasse de falar uma heresia.
— Nunca... nunca diga isso para o meu pai! Ele vai te odiar eternamente.
Já embalada por algumas taças de champanhe, Lilly puxou a mão dele e mordeu.
— Ai, sua canibal — ele grunhiu e as pessoas da mesa ao lado olharam assustadas. — Desculpa, minha esposa não consegue tirar os dentes de mim.
— Brian!
— Que foi?
— Vão pensar que sou a tarada dos dentes — Lilly sussurrou, encarando a mesa ao lado e sorriu meiga para eles.
— E daí? Nunca mais vamos vê-los na vida.
— E daí... que... ah! — Ela parou por segundos, tentando achar uma resposta que não veio. — Não muda de assunto, Brian Pierce. Por que não posso falar que te acho muito mais bonito do que seu pai mesmo? E por que nunca me contou que é filho da Sarah DIVA Lincoln? — Arregalou os olhos o acusando de alta traição.
Ele franziu as duas sobrancelhas grossas e escuras, quase em choque.
— Porque meu pai deveria se chamar EGO Pierce. — Lilly riu com a cara de desgosto que ele fez. — Sério, se ele pudesse fazer o papel daquela fada que fala... "Espelho, espelho meu... existe alguém mais bonito do que eu", ele faria.
— Não era fada, era bruxa, seu burro.
— Ah! Dá da mesma, espertinha. Você entendeu a analogia. — Apertou a ponta do nariz arrebitado dela. — E outra coisa... como iria te contar sobre a minha mãe, se nunca olhava na minha cara?
— Olhava sim, você que me ignorava.
— Eu te ignorava, porque não me olhava.
A cada nova taça de champanhe e novo assunto, descobriam mais afinidades.
Músicas, filmes, livros, comidas e lugares favoritos no mundo.
Lilly achou incrível como os dois tinham ideias parecidas sobre muitas coisas. Brian estava fascinado pelo jeito simples e leve dela... brincalhona, meiga, espontânea... A mulher tinha tudo para ser uma chata mimada, mas era genial.
Ela adorou que ele gostasse de pedalar e correr. Ele pensou que ela ficaria deliciosa de shortinhos sobre patins. Ela disse que gostaria de desenhá-lo... Ele achou que estavam em sintonia.
— Quase meia-noite. — Passou a ponta do dedo no canto da boca rosadinha e suja pela calda de chocolate e depois o lambeu. O chef havia mandado uma sobremesa especial para os recém-casados apreciarem juntos.
Lilly já estava em um estágio no qual, qualquer gesto feito por ele, era tentador e erótico. Lamber os dedos, comer, beber, respirar... piscar.
Deus, nunca mais ela poderia beber champanhe perto dele.
— O que tem? — Lilly quase engasgou quando viu a língua dele saboreando o dedo. Ela queria ser o dedo ou a língua.
— Vai começar o último show das águas. — Brian não estava mais aguentando ter que se comportar e manter as mãos longe dela.
Lilly deu a última colherada no cheesecake de chocolate e morangos, encharcado em calda, tentando se recompor.
— Podemos ficar e assistir daqui, se quiser.
— Ou podemos ir até aquela varanda ali... — Brian apontou a grande veneziana aberta para um terraço — e ver de mais perto. — Inclinou-se e deu um beijo no canto da boca macia, adocicada pelo chocolate.
Os olhos de Lilly arregalaram de desejo e Brian interpretou aquilo como um sim. Arrastou-a porta afora. Deu uma rápida olhada para os lados e a levou para um canto menos iluminado, camuflados por três vasos com folhagens. Ainda podiam ser vistos, mas tinham uma falsa ilusão de privacidade.
Apoiaram-se no balcão circular de pedra com vista para o lago. Algumas pessoas também estavam na varanda, aguardando o espetáculo de sons, luzes, cores e água.
Brian puxou Lilly contra o peito, abraçando-a. Sem hesitar, ela o envolveu também.
— Obrigada por hoje — Lilly sussurrou, esfregando o nariz contra o peito dele.
Ele tirou uma mecha de cabelo do rosto lindo, que o vento cismava em trazer.
— Pelo quê? Não tem nada que agradecer.
— Tenho sim. Por ter ficado do meu lado. Por fazer do pior dia, o melhor de todos...
— Ah! Lilly... Lilly. Foi o meu melhor dia também.
— Sério?
As luzes da fonte acenderam, indicando a meia-noite.
— Hum-hum... e vai ficar melhor ainda... Feliz aniversário.
Uma balada de guitarra romântica começou a tocar. Os jatos e arcos de água explodiram monumentais atrás deles, dançando de um lado para o outro no mesmo ritmo.
Lilly olhou para a imagem ao seu lado, boquiaberta. Já tinha ouvido aquela balada, mais de mil vezes. Turistas que estavam na rua acompanhando o espetáculo, começaram a bater palmas com a mudança no já batido repertório musical do show.
— Deus! Como conseguiu isso? É você tocando, não é? Brian isso é... é... a coisa mais sensacional que alguém já fez por mim! — Abraçou-o, quase o sufocando, depois beijou a bochecha dele em todos os ângulos.
Foda-se que ele não se lembra de mim!
Ele fez as águas dançarem pelo meu aniversário!
Caramba!
Ele sorriu torto, com cara de que isso não era nada, mas, no fundo, queria que fosse tudo. Passou a tarde maquinando o que poderia fazer para tornar o aniversário dela uma lembrança positiva. Pensar que Lilly iria associar a data com as merdas que aconteceram ontem o estava corroendo.
— Agradeça ao Mark. Posso ter tido a ideia, mas o mérito da execução é dele. O cara tem conexões até em Marte.
Ainda sem conseguir tirar o olho, do que via no lago, Lilly controlou-se para não chorar.
— Vocês acabaram de entrar para a minha lista de pessoas favoritas no mundo!
— Isso pode ser bom ou ruim — brincou ele. — Dependendo de quantos têm nessa lista e em qual posição eu esteja.
— Dá para contar nos dedos. — Levantou empolgada as mãos espalmadas. — Eu juro! — Sorriu feliz e o brilhante cintilou. Brian sentiu-se animado. Ele poderia não ser o primeiro da lista, mas era o único em sua mão.
Lilly sentiu-se grata. Parecia um sonho estar cercada de tantas pessoas maravilhosas. Um sonho estar casada com ele. Brian estava se revelando espetacular.
Uma cara nota dez, não, mil!
Ele tirou do bolso um saquinho verde-água aveludado da Tiffany&Co[33]. A vendedora das alianças e do anel de noivado havia dito que era tradição dar uma joia no dia do casamento, não resistiu e acabou levando. É claro que não fez isso pelo casamento, mas nada o impedia de dar um presente de aniversário.
Sim, ele tinha problemas com impulsividade e sentimentalismos, mas riscou a palavra romantismo do seu dicionário... A música, os presentes não tinham nada a ver com isso. Lilly era sua amiga e parceira, agora. Queria agradá-la, os dois eram um time. Todo errado, tudo bem, mas... um time.
As mãos de Lilly tremeram ao pegar o saquinho. Não recebia tantos presentes assim, em muito tempo. Achou que tipo nunca, nem quando seus pais eram vivos.
— Brian, mais um?
— Aniversários pedem presentes, mocinha. — O coração dele estava batendo descompassado, em expectativa.
As mãos de Lilly tremiam. Com cuidado para não derrubar, abriu o saquinho e retirou uma pulseira. Um delicado cordão de platina com três pingentes. Ela olhou confusa para o músico.
— Para você ir completando com as coisas boas que irá viver daqui para a frente. — Brian tocou no primeiro pingente. — A boneca é você... meio óbvio, né? A aquarela... a arte que alimenta a sua alma e a guitarra... porque a sua nova fase começa na estrada, com a música do ULTIMATE... e como o presente é meu, nem a pau iria escolher uma bateria ou um microfone. — Levantou os ombros, desculpando-se.
— Poxa, Brian... Você é incrível. Não sei nem como começar a te agradecer por tudo isso.
Ele ajudou-a com a pulseira e ela balançou o pulso no ar, fazendo os três pingentes tilintarem.
— Beijando-me, talvez?
Um polegar roçou os lábios gordinhos dela, virando o interruptor do desejo.
— É... acho que um beijo pode ser um bom começo...
Os olhos de Lilly fecharam e os lábios se entreabriram. Ele abaixou a cabeça e traçou o contorno da boca feminina com a língua.
— Oh! — Um suspiro escapou daquela boca ansiosa e trêmula.
A língua de Brian aventurou-se mais fundo... e roçou em tudo que encontrava pela frente... dentes, céu da boca... acariciando com o piercing a superfície da língua de Lilly. Mais gemidos de ambos murmuraram, quando a ereção dele roçou na coxa feminina. Lento, suave e provocante.
Ela ficou nas pontas dos pés, agarrou-se à nuca dele, seu corpo estremeceu... e esfregou sutilmente a própria virilha.
— Porra, Lilly! — Era o gatilho que ele precisava, devorou-a com vontade. De novo... e de novo... Beijou-a intensamente... línguas... salivas... gostos... Uma onda de prazer correu pela espinha do guitarrista e Lilly sentiu todos os pelinhos se eriçarem.
Ele sugou e sugou, e sugou, até que todo o chocolate fosse embora e ambos só sentissem o sabor novo. Brian e Lilly misturados.
— Hum-hum, Senhores...
— Senhores...
Lilly foi a primeira a romper o beijo e afastar-se, ainda atordoada.
— Desculpe-nos, mas estamos fechando.
— Ah! — Lilly corou.
Brian riu, afundando o rosto vermelho no pescoço da esposa.
— Estamos indo. Desculpa, cara.
O garçom ofereceu um sorrisinho sem graça e foi logo avisar aos outros clientes na varanda sobre o fim dos serviços da noite.
Brian pegou o celular. Avisou aos seguranças que eles já estavam prontos para ir. Só que, desta vez, faria do seu jeito, não queria Lilly sendo atacada pelas fãs.