Enlaçados: Sex and Rock
Capítulo 11
A campainha da suíte tocou. Era o mensageiro com o carrinho de bagagens, lotado.
Cinco malas! Brian pediu que ele as deixasse no quarto e seguiu o rapaz baixinho de óculos, que parecia empolgado em estar ali.
Ao contrário do que esperava, encontrou Lilly sentada na cama, ainda em seu vestido de noiva, de costas para eles. O barulho, das torneiras abertas da banheira, podia ser ouvido.
Ela estava entretida, olhando para o celular, os dedos deslizavam para cima e para baixo na tela e a cabeça balançava de um lado para outro.
— Senhora, as malas.
Lilly virou, saindo do transe.
— Ah! Obrigada! Pode colocá-las em cima daquele banco, por favor? — pediu para o jovem rapaz, sem perceber Brian parado no batente da porta.
Depois de enfileirar as malas, o mensageiro foi em direção à saída.
— Senhor, será que podemos tirar uma selfie? Meus amigos não vão acreditar! — disse que era fanático pelo Ultimate Bet e tinha todos os álbuns da banda.
Brian era um cara que tratava bem os fãs. Então, fez o que o rapaz pediu, apesar de estar curioso e ansioso para voltar ao quarto e ver o que de tão interessante havia naquele celular.
Ao entrar no quarto, Lilly lembrou-se de que o celular estava desligado desde que saíra às pressas do hotel. Preocupada, resolveu checá-lo e havia muitas mensagens de texto, voz e ligações perdidas. Enviou uma mensagem padrão para algumas pessoas:
“Estou Bem, depois mando notícias”.
Mas o que surpreendeu Lilly foram as mensagens de texto que recebera da irmã. Inacreditável!
... ... ... ... ♥♫♥♪♥ ... ... ... ...
Ava: “Não tem o direito de me desmoralizar. ”
Ava: “O Twitter em peso está me detonando. Como pôde tirar fotos da minha intimidade? Quero que se retrate! ”
Ava: “Não tenho culpa se o Will correu atrás de mim! Sabe como os homens reagem ao meu corpo! Não te traí como estão dizendo...”
Ava: “Que merda foi aquela que tio Ed falou? Por que o dinheiro não virá para mim? ”
Ava: “Como assim? Se casou, cadela? ”
Ava: “Espera mesmo que os advogados acreditem nisso? Que Brian Pierce tenha se casado com você? Quanto ofereceu a ele? Isso não vai ficar assim! Não vai! ”
... ... ... ... ♥♫♥♪♥ ... ... ... ...
Lilly balançou a cabeça, mais uma vez, sem acreditar e um arrepio percorreu a espinha dela.
Como podia existir uma pessoa tão sem noção quanto Ava?
É claro que não iriam acreditar na coisa de casamento por impulso. Ela nunca tinha contado para ninguém sobre o primeiro encontro deles em Paris... nem sobre as borboletas que voavam em seu estômago, toda vez que ouvia o nome Brian... tão pouco, disse como o coração dela batia forte ao vê-lo tocar... ou como desejou que o Will não estivesse com ela naquele show, para que pudesse ter aceitado sair com Brian.
É claro que pensariam que Brian só se casara por pena ou interesse. E não fora isso? Pena?
— Tudo bem?
O corpo de Lilly estremeceu ao ouvir a voz profunda. Estava envergonhada por ter sido patética na sala e fugir daquele jeito.
— Ah! Tudo. Estou só esperando a banheira encher.
Lilly virou para ele, dando um sorriso sem graça e ajeitou-se melhor em cima da cama.
— Acabei ligando o celular. Não dou notícias desde ontem e não queria preocupar as pessoas.
Vendo que não adiantaria perguntar sobre o que a deixou claramente aborrecida, Brian decidiu mudar o foco da conversa:
— Caralho! Quantas malas!
Lilly levantou, deixando o celular na cama. Olhou para as cinco malas e duas valises de mão, empilhadas no banco comprido de veludo vermelho, que decorava o quarto.
— As vermelhas são minhas. Essas três verdes maiores são do Will. Ele as levou na noite anterior ao casamento. Queria deixar tudo no meu carro para evitar imprevistos. — A cara de descrença de Lilly fez a boca de Brian amargar. — Bela atuação, acho que fez isso para eu não desconfiar que seria abandonada no altar. Deve estar cheia de nada.
Brian ergueu a mala verde maior.
— Não. Para mim parece bem cheia de roupas. Otário! — Brian olhou para a sua singela mochila em cima de uma das poltronas vermelhas, em conjunto com o banco. — Imagino que o traje ideal para uma lua de mel seja pelado, não?
O jeito engraçado de Brian fez Lilly rir. O cara fazia as coisas ficarem leves em dois segundos.
— Verdade. Pensando desta maneira... é muita roupa.
— Que otário! Qual cara se casa com uma mulher com você e pensa em outra coisa que não seja ficar fodendo vinte e quatro horas por dia?
Lilly ruborizou ao imaginar ela e Brian fodendo vinte e quatro horas.
— Certamente, não ele. Acho que nunca foi intenção dele que houvesse uma lua de mel.
— Sinto muito... eu só estava tentando...
— Me fazer sentir melhor?
— Por aí.
— Bom trabalho. Pode colocar a mala vermelha maior sobre a cama, por favor?
Lilly mudou de assunto e pegou a valise, abrindo-a. Com cuidado, tirou os brincos da mãe e um anel antigo, colocando-os na mesinha ao lado da cama... As únicas joias que Ava não tinha conseguido vender, além do antigo relógio de bolso do pai. Eles foram com ela para Paris. Nunca se desgrudava deles.
Brian colocou a mala maior sobre a cama... a conversa que tiveram na boate ainda estava em sua cabeça...
— Impossível não ser o tipo de alguém. Acredite em mim, Lilly, você é a coisinha mais sexy em que já coloquei os olhos. O cara que é um otário míope. Não duvido que seja gay!
Foi a vez de Lilly gargalhar.
— Acho que gays não comem as irmãs das suas noivas, Sexy Boy — disse Lilly, estranhando que estava pouco se lixando por ter sido abandonada. — Mas aprecio a sua tentativa de massagear o meu ego e me agradar.
— Uauuu! Gostei desse troço de Sexy Boy! E só para o seu conhecimento... não preciso te agradar. Já me casei com você, lembra? Agora já era, Lilly!
— Belo ponto! Gosto que me ache sexy. Ser traída faz a gente se sentir como a última das mulheres.
— Não deveria. Quem não te achar divina é um cego.
Brian se jogou na imensa cama de casal e apoiou a cabeça sobre os braços.
— Melhor para mim, que tenho olhos com superpoderes! Acredite, Lilly... Brian Pierce é uma lenda... uma estrela. Sou bom pra caralho e não me casaria com alguém que, no mínimo, não fosse uns bons dois pontos melhor do que eu! Pensei que fosse impossível existir uma mulher assim, mas aí está você!
— Uau! Agora meu ego foi lá pra cima. — Lilly sorriu e quis retribuir a gentileza. — Sabia que homens com superpoderes, bons pra caralho e humildes me atraem? — Piscou. — Estou quase mandando um cartão de agradecimento ao Will pela palhaçada.
— Pois deveria fazer isso: um cartão e a minha foto pelado. Todo mundo iria entender na hora, porque não resistiu e implorou para se casar comigo. Costumo impressionar sem as minhas roupas.
Lilly perdeu-se, imaginando como ela ficaria impressionada. Deus Pai! Quase que ela ovulou naquele instante e uma vontade de pular sobre ele começou a surgir.
Odeio que me escondam as coisas...
Odeio que me escondam as coisas...
Odeio que me escondam as coisas...
Não, Lilly, antes tem que conversar...
— Sonhando comigo, baby? — Um riso safado a acordou.
O quê?
Hã?
Lilly chacoalhou a cabeça tentando lembrar sobre o que conversavam.
— Hey! Eu não implorei. — O nariz de Lilly contraiu em dúvida. — Implorei?
Brian gargalhou.
— Tecnicamente não, mas torceu como uma louca por mim na queda de braço. Vi a cara de desespero que fez quando fingi que estava perdendo.
— Fingiu? Tenho as minhas dúvidas, o Gabe é quase tão forte quanto você.
— Disse bem, quase. Além do mais, sou um competidor inteligente. Só sugeri coisas nas quais eu sabia que iria ganhar. O Gabe estava tão bêbado que nem se deu conta.
— Não sabia que era tão competitivo, senhor Pierce.
— Só quando o prêmio é você.
Ela corou.
— Costuma fazer isso sempre?
— O quê? — Ele franziu as sobrancelhas. — Trapacear no jogo por uma linda e sexy mulher?
— Não... dizer sempre as coisas certas.
Era gostoso flertar com Brian. Lilly pensou que tinha perdido a prática depois de estar em um relacionamento morno, quase frio. Onde diacho estava com a cabeça ao se envolver com Will?
Ah, sim!
Sendo uma otária e se deixando enganar.
Devia ter escutado a Marie quando disse que ninguém era tão perfeito daquele jeito. Dane-se, Ava que ficasse com o seu ex. Tudo o que Lilly conseguia pensar era no homem delicioso e atrevido esparramado na cama.
Só de olhar para ele sentia o corpo todo esquentar de novo. Um pedaço da camiseta do músico subiu e ela queria lamber centímetro por centímetro daquele V marcado no baixo ventre dele e esfregar o nariz naquela linha de pelos escuros que conduziam aos tesouros masculinos.
Brian percebeu o jeito com que os olhos dela o devoravam. Porra, aquele joguinho de sedução era excitante pra caralho! Estava tão acostumado a partir logo para o ataque, que tinha esquecido como era bom flertar.
— Meus superpoderes, por lei, são seus. É só vir pegar.
— Isso é uma cantada?
— Não... de jeito nenhum. Isso é um fato. — Brian riu. — Eu querer descobrir cada ponto fraco seu e depois foder cada um deles, até te dar mais prazer que jamais imaginou sentir... isto é uma cantada!
— Poxa! Que calor! — Lilly abanou as mãos brincando. — Homem, você é bom mesmo com as palavras. E eu achando que fosse tímido ou não ia com a minha cara.
— Eu sempre fui com a sua cara... muito.
— Não parecia. Teríamos sido bons amigos. É um cara divertido, Brian, gosto disso.
Lilly separou um dos seus vestidos mais casuais e uns dos inúmeros conjuntos de lingerie. Sua mala estava repleta deles. Era a sua lua de mel, afinal. Achou que seria mais adequado deixar os conjuntinhos confortáveis de algodão em casa.
Ela tinha cuidadosamente comprado cada item para a viagem, queria que o Will a achasse atraente.
Esquece o Will, Lilly, acabou.
Foque no Brian, ele é o cara na cama!
Precisando de espaço, ela correu até o banheiro para desligar as torneiras, a banheira estava quase transbordando.
— Então, me diga — disse Lilly, ao voltar para o quarto para pegar alguns produtos de higiene pessoal dentro da valise. Brian continuava deitado, com o olhar perdido no teto. — Por que nunca puxou papo comigo?
Porque... eu era um cara comprometido e você me fazia ter pensamentos impróprios. Depois, ficou noiva, porra! E tenho por regra, não destruir relacionamentos.
— Lógico que puxei. Te chamei pra sair, lembra?
— Só daquela vez. Depois, praticamente, nunca mais me olhou.
— Sei lá, por quê? Falta de oportunidade acho... além do mais, Big é grande, ciumento e odiaria que um cara fodido e curioso como eu, cercasse a amiga noiva e gostosa dele. Acho o meu nariz muito perfeito para ser quebrado.
Lilly riu de novo e estava em uma pequena batalha com o zíper emperrado do vestido.
— Curioso como? — A unha dela quase quebrou. — Merda!
— Vem aqui... me deixe ajudá-la com isso.
Lilly considerou por um segundo, mas se aproximou. Ficou de pé, de costas para ele na cama. Ela realmente estava em dificuldades, mas a vontade louca de ser tocada por ele, não tinha nada a ver com aquilo.
Brian ficou de pé, atrás dela e puxou lentamente o zíper do vestido de noiva. O calor dele, atrás dela, a deixou inquieta.
Ele reparou nas pequenas sardas nos ombros e na linha deliciosa das costas a cada centímetro que o vestido abria.
Porra! Que caralho de mulher mais gostosa.
Aposto que não tem um grama de silicone neste corpo.
Beijou molhado a curva do pescoço, assim que terminou.
— Desculpe, não resisti — falou ao pé do ouvido dela.
Lilly corou e um arrepio percorreu cada uma de suas vértebras. Os pelinhos dos seus braços eriçaram. Segurando a parte da frente do vestido tomara que caia, ela virou-se para Brian. Droga! Queria beijá-lo novamente.
Brian podia sentir o desejo explodindo dos enormes olhos avelã-esverdeados. Entretanto, conseguia ver um traço de receio também. Cacete! Aquela combinação de desejo e medo mexia com algo maior dentro dele. Tentou se aproximar mais... e... uma pequena mão espalmou no seu peito.
— Brian.
— Não diz nada. Só me deixa entrar naquela banheira com você.
— Eu gostaria disso.
— Eu também.
— Só que antes... têm umas coisas...
— Fodam-se as coisas.
Brian beijou novamente o pescoço de Lilly. O toque suave daquela boca fez o corpo dela estremecer mais uma vez. A respiração de ambos começou a ofegar e uma atração louca estava nascendo.
Odeio que me escondam as coisas...
Odeio que me escondam as coisas...
Odeio que me escondam as coisas...
— São justamente as coisas do fodam-se... ou melhor, do foda-me, que me preocupam — ela confessou.
Opa!
Brian levantou a cabeça olhando diretamente para ela.
Como assim?
— Quer dar um tempo, por causa do que aconteceu?
Lilly sentou-se na cama e segurou as mãos, mexendo com elas.
— Não é isso, não preciso dar um tempo.
Que ótimo então!
Brian não queria saber mais nada, agora era a hora de partir para o sentir, não de se preocupar. O pau dele estremeceu quando o vestido cedeu um pouco e ele teve um vislumbre do sutiã sem alças, meia-taça, branco, rendado e transparente.
A sugestão de seios naturais, generosos e empinadinhos fez um inferno na libido dele. Daria qualquer coisa para estar com a boca atracada em um daqueles mamilos rosados, naquele exato momento.
Ela percebeu onde os olhos dele estavam e puxou o vestido.
— Brian, foco!
— O quê? — disse, quase inconformado por ela ter cortado a onda dele.
Porra, eles ficariam perfeitos sob a mão, a boca ou em torno do pau dele. Caralho! Brian agarrou os cabelos e puxou-os na tentativa de conter os impulsos canibais. Queria tomar Lilly ali mesmo e fodê-la de um jeito, que talvez nenhum dos dois saísse vivo.
— Tem algo importante sobre mim que não te contei. Preciso saber se terá problemas quanto a isto. Eu devia ter lhe avisado ontem.
— Avisado o quê? — Brian finalmente a encarou. Ela estava séria, como se estivesse pronta para avisar que o mundo seria dizimado por aliens ou... merda! — Tem alguma doença, é isso? Um problema congênito? Vai morrer?
— Não! Deus me livre! Não estou morrendo.
— Graças a Deus! Caralho! Claro! É lésbica e está a fim da Penne?
— Penne é uma mulher incrível, mas não. — A imagem dos amigos na banheira e depois nus, voltou como um flash. — Por quê? Entre vocês...
— O quê?
— Costuma rolar? — ela arriscou a pergunta, mesmo tendo medo da resposta.
— Não! — espantou-se. — Na banda é cada um na sua, somos amigos! — Olhou sério. — Nada contra, mas não curto barba e muito menos coisas entrando na minha bunda... Quer dizer,
uma vez num lance tântrico[21] rolaram uns dedos e não posso dizer que foi ruim...
— Ah!
— O quê? O tântrico?
— Não, os dedos. — Lilly corou. — Você gosta?
O Will era um grande apreciador de dedos. Sempre pedia para ser estimulado no Ponto G
masculino[22] e dizia que os homens sentiam muito tesão com carícias daquele tipo.
— Jesus, Lilly. Esse tipo de coisa é natural. Não to falando de ser fodido, mas apreciar um toque mais ousado não faz de ninguém menos homem! Tem problema com isso? Não gosta? Acha bizarro?
— Não! Que exagero! Claro que não! Fui noiva por quase dois anos. Só acho estranho discutir essas intimidades com você, somos praticamente desconhecidos.
— Não somos tão desconhecidos... Nós somos... somos... — Brian parou, nem ele sabia a definição correta para o que eram. — Parceiros! Isso! Parceiros que precisam ser honestos. Sexo é simples... maravilhoso, natural e com milhares de possibilidades. É tudo sobre sensações e prazer... não sei por que as pessoas se preocupam tanto.
— Não é o sexo em si que está me preocupando. Estou bem familiarizada com a maioria dos detalhes que envolvem o ato.
E não era mesmo... Lilly nunca tivera grandes inibições, mas a coisa da sua virgindade tinha virado um tabu. Como se fosse a marca estampada do seu fracasso. Brian sentou-se ao lado dela e tentou evitar olhar para os peitos redondinhos. Soltou o ar entredentes buscando forças.
— Lilly, baby... o que é então? É adulta, eu também. Estamos ambos tarados um no outro. Rompa as barreiras, não pense em nada.
Ela encolheu-se, olhando para as mãos. Se um buraco abrisse no chão, naquele exato momento, Lilly pularia feliz.
Droga! Maldito fosse o Will.
— Se não fosse músico, poderia ter sido terapeuta... Parece que sempre diz a coisa certa.
Ele bateu ombro contra ombro, na tentativa de aliviar um pouco a tensão de Lilly.
— Mesmo quando falo de um jeito descarado sobre sexo?
Ela devolveu o gesto, sorrindo para ele.
— Principalmente quando fala assim. Me dá vontade de ser um pouco má...
— Acho que vou gostar de você sendo má comigo.
— Mesmo uma mulher má meio pura?
— Se é pelo fato da sua bundinha ser virgem, saiba que eu acho isso sexy. Um território intocado... Adoraria te mostrar como pode ser gostoso.
— Talvez, eu adoraria que me mostrasse, mas... não é só lá que sou meio... — ela apontou para a virilha — ... intocada.
Uauuu! Opa! Pera, lá!
Brian soltou um assovio, ao mesmo tempo que saltou da cama, e voltou a puxar os cabelos. Virgem? Ele nunca estivera com uma virgem. Nem mesmo quando ele era virgem.
— Jesus, Lilly, o que o Will fazia quando estavam juntos? Jogava baralho?
Os olhos de Lilly procuraram os de Brian, com espanto.
— Acho que é meio redundante, não? — Lilly se indignou, ela poderia não ter experiência em penetração, mas não era santa e muito menos incapaz. Depois de dois anos com o Will, ela era praticamente PhD em preliminares e nas partes masculinas. Não ia admitir aquilo para o Brian, mas seu ex-noivo lhe ensinara certas coisas ousadas que o faziam gozar como um leão. — Coisas mais
para o prazer dele. Ele queria guardar o [23] gran finale para o casamento. Dizia que tinha fetiche em casar-se com uma virgem. Como eu iria saber que era porque estava fodendo a minha irmã?
— Filho da puta egoísta! Bastardo! — Aquele cara era um doente psicopata.
A ideia fez o coração de Brian contorcer. A vontade era de ir até o otário e quebrar cada um daqueles ossos traidores e depois arrancar o pau dele.
— Fetiche? Que tipo de coisas, Lilly?
Coisas envolvendo as bolas e a bunda dele!
Ela ruborizou, pois no fundo, gostava daqueles fetiches e da sensação de poder que lhe davam...
— Ele maltratou você? — ele insistiu diante do silêncio dela.
— Uma vez discutimos quando ele bebeu demais...
— Desgraçado! Ele encostou em você? Te machucou? Onde o animal está? Vou chamar o Gladiador!
De repente, a cabeça de Brian ficou a mil. O coração dele disparou de um jeito ruim e os punhos fecharam. Precisava fazer o bastardo pagar por tudo o que tinha feito a Lilly. O cara destruiu a autoestima da garota. Ela estava com uma autoimagem totalmente distorcida.
Ao ver a expressão endurecida dele, Lilly se arrependeu na hora de ter tocado no assunto. A noite da briga não era algo do qual gostasse de relembrar ou dividir. Deveria ter visto os sinais e posto um fim no relacionamento com Will ali mesmo.
Ela segurou as lágrimas que queriam aparecer. Chega! Isso não importava mais. Não queria Brian preocupando-se com ela. Pelo jeito, ele era tão protetor quanto o Big.
— Calma, Brian! Ele não encostou em mim — mentiu. — Saiu e foi descarregar a raiva dele em outro lugar. Depois disso, nunca mais... até evitava me tocar — disse a verdade. — Eu que tentei, por diversas vezes, atiçá-lo. Tinha vinte e um quando começamos a namorar, era natural que eu quisesse, mas...
— Mas o quê?
— Mas acho que acabei desistindo, sei lá, me sentia patética por insistir e ter tanta vontade de transar. Então suprimi as minhas necessidades e foquei na pintura. O que foi bom... nunca produzi tanto. Mudei o esquema de trabalho, troquei de Marchand e as portas realmente se abriram, sabe? Ganhei mais confiança e experiência... Nas viagens que eu faço... sabe como é esse meio artístico. Sempre têm muitos homens...
— Ficou com eles, Lilly? — Um gosto amargo brotou na boca de Brian. Mas, e a porra da fidelidade?
— Alguns eram interessantes e bem insistentes e... eu não aguentava mais me sentir frustrada sexualmente. A Penne sabe disso, coitada, foram horas e horas ouvindo as minhas reclamações ao telefone. Então segui o conselho dela. Arrumei algo que acalmasse os meus desejos e fosse discreto o suficiente para não trazer complicações com o Will.
— Porra! Arranjou um amante?
Lilly riu da cara de susto dele. Estava aliviada por poder se abrir... Brian tinha um dom para fazê-la falar. Se iriam ser parceiros, era bom que ele soubesse de tudo... quer dizer, quase tudo.
— O melhor de todos... do tipo que não fala — Lilly divertiu-se em provocá-lo.
— O quê? — A mente de Brian entrou em parafuso. — Teu amante era mudo?
Lilly gargalhou.
— Não! Até que rolavam uns sons... vibradores fazem barulho, sabia? Talvez tecnicamente, nem seja mais virgem, não é?
Brian podia sentir o alívio no olhar dela. A raiva dele até diminuiu um pouco. Claro, como ela teria um amante e seria virgem?
— Um vibrador? — Ele sorriu aliviado e depois pensou… tecnicamente ela podia não ser mais virgem mesmo. Certo? Alguns vibradores eram maiores que o pau dele e deveriam ser
destruidores de himens[24].
— Sim. — Lilly sorriu aliviada. — Ele é uma graça, rosinha e brilhante. Está em uma caixinha na minha valise, quer ver? Isso é um problema pra você?
Fodeu!, pensou Brian.
Vibradores rosinhas e brilhantes, em um caixinha, não pareciam ser destruidores de himens.
De repente, a ideia do bastardo do ex dela nunca ter estado lá trouxe um ânimo novo. O idiota não merecia ser presenteado com algo tão incrível. Coisa que tinha certeza de que deveria ser sensacional. Ainda mais, toda intocada.
— Não é problema nenhum, Lilly. Não sei se fico surpreso ou grato. Só é meio surreal para mim a ideia de alguém ter você por perto e resistir.
— Simplesmente não aconteceu com ele e com os outros caras antes dele. Como disse, parece que o Will preferia foder a minha irmã. Eu era muito nova e sonhadora, nós nunca...
— Esquece isso, esquece os outros caras. Sinceramente, prefiro não saber... Ótimo que não aconteceu com esse Wiltário ou com qualquer outro. Ele não merecia você. O cara é uma porra de um pau mole do caralho.
Lilly gargalhou com as palavras dele.
— Então, não é problema pra você?
— Não! Você acha que a gente... quer dizer, eu... que talvez nós... eu gostaria muito...
O telefone de Brian resolveu tocar bem naquela hora. Que merda! Ele nunca tivera que conversar sobre virgindade antes. Era só chegar, foder e curtir.
— É melhor atender. Vou pegar o resto das coisas e tomar logo o meu banho.
Brian concordou a contragosto. A mulher realmente era uma raridade, desenhada do jeito que ele gostava. Nunca tinha cruzado com alguém assim. Foda-se o lance da virgindade... O pouco que tivera dela já tinha achado ótimo. Só precisaria pegar mais leve no começo e respeitar o ritmo dela.
A porra do telefone não parava de tocar.
Merda! Merda! Merda!
Ele estava em meio a uma situação de vida ou morte. Será que as pessoas não poderiam ter piedade? Droga! Era o toque de Mark. Precisava atender. Cacete! Brian ergueu o dedo, indicando que iria atender na sala.
Assim que Brian saiu do quarto, Lilly achou melhor mesmo dar um tempo para ele digerir tudo o que ela tinha falado. Ele parecia ser um cara descomplicado, mas ela realmente não sabia se a virgindade seria um problema. Muitos homens fugiam daquilo... Achavam responsabilidade demais.
Brian devia estar acostumado a ter mulheres sexualmente poderosas na cama. Aquela Kate parecia uma especialista e existia toda uma coisa, meio mítica, de caras da música serem como deuses insaciáveis do sexo. Total direito dele se não quisesse se meter com ela.
É claro que Lilly estava na torcida. Fantasiou sobre o músico por anos e preferia perder a virgindade com um cara real e cheio de fogo, do que com um príncipe encantado. De certa forma, os príncipes a faziam lembrar do Will. Bando de falsos! Fingindo ser perfeitinhos demais, para trair sem dó depois.
Lilly respirou fundo.
Ela não pôde controlar as coisas que aconteceram, mas podia controlar a forma como a qual reagiria a elas. Tinha a sensação de que uma nova chance estava sendo dada a ela.
Bem que eu podia aproveitar, né?
Embora, não tivesse a menor ilusão de que a boa ação de Brian pudesse se transformar em algo permanente, os dois estavam ali. Não estavam? Dispostos e atados durante o próximo ano. Bem que poderiam desfrutar um do outro, sem regras ou amarras... ou sem a obrigação de fingir algo que não sentiam.