Enlaçados: Sex and Rock

Anne Krauze · Capítulo 9 de 50

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Enlaçados: Sex and Rock

Capítulo 7

— Jesus! Eu morri?

Foi só o que Lilly conseguiu murmurar antes de vomitar. A claridade que entrava pelas janelas de vidro, do imenso banheiro de mármore branco, agrediam os olhos dela que só conseguia pensar em como era bom aquele assento acolchoado da privada.

Hum, tão gostoso... vomitar e dormir em um só lugar.

Relutante, Lilly abriu um pouco os olhos. Demorou alguns minutos para lembrar onde estava. Ah! Vegas! As imagens da noite anterior ficaram nebulosas depois da terceira rodada na mesa de pôquer. Por que diabos estava com o vestido de noiva? Ela tinha pego uma roupa emprestada com a Penne para ir ao Cassino... não tinha?

— Aiiiiii.

Um gemido agudo ecoou no banheiro. Com todo o cuidado, Lilly desapoiou a cabeça latejante do vaso sanitário e tentou focar na mão que apertava o tornozelo dela.

Era a Penne dando os primeiros sinais de vida.... com o corpo esparramado sobre o vestido de noiva e o chão do banheiro.

Caramba!

Ressaca bandida!

Não devia ter bebido vodca!

Lilly amaldiçoou ao tentar endireitar o corpo e uma garrafa vazia de champanhe rolar pelo chão.

Ai, caramba!

Não devia ter bebido champanhe!

— Caralho! Que nojo! Porra, Gabe!

Lilly virou a cabeça na direção da voz grave de ressaca que resmungava e xingava ao mesmo tempo. Lentamente, um mar de cabelos escuros desgrenhados entrou em foco. BRIAN! Dentro da jacuzzi, abraçado a um muito vomitado Gabe.

Jesus, eles estão um bagaço!

Porém, mesmo assim, cobiçou o guitarrista por segundos, antes de ele lançar um sorriso furtivo e ela corar, desviando o olhar.

Na outra ponta da banheira, viu Ethan. Ele parecia morto. Lilly focalizou o peito do amigo e o alívio tomou conta dela quando percebeu o sobe e desce suave, conforme ele respirava.

— Brian, por que todo mundo está no banheiro? — Sem voz, Lilly arriscou perguntar, tentando alcançar a cabeça de Penne, que resmungava e ria de coisas sem sentido.

A boca gloriosa e inchada do músico formou outro sorriso.

Por que ele fica sorrindo desse jeito para mim?

Sou alguma piada agora?

A cena patética dela esperando na sacristia veio à tona...

— A gente resolveu fazer a festa do... merda!

Merda?

Um muito bravo Mark entrou esbravejando no banheiro.

— Puta que pariu! Que merda é essa? Quantos anos vocês têm? Levantando todo mundo! — Ligou a água gelada da jacuzzi, que começou a espirrar para todos os lados despertando todos de um pulo só.

Caramba!

Merda mesmo!

O álcool, ainda circulando nas veias de Lilly, impediu qualquer reação. Dada à situação precária, ela limitou-se a encarar o empresário irritado.

— Cacete, tá frio! — Gabe saltou da banheira quase pisando em Penne, ainda estirada no chão. Depois, foi a vez de Brian sair encharcado.

Só Ethan continuou dentro da banheira... como se a água gelada não o incomodasse. Ao contrário, aproveitou os jatos frios e começou a massagear o rosto.

— Quem vomitou em mim?

— Foi você mesmo, seu otário — irritado, Brian disse ao Gabe.

A voz ressaquenta chamou novamente a atenção de Lilly. Depois... um peito forte e marcado por músculos definidos chamou mais atenção ainda. Brian tirou a camiseta molhada também respingada de vômito.

Um pequeno suspiro escapou dos lábios de Lilly... Brian estava em ótima forma. Muito melhor do que havia imaginado tantas e tantas vezes. Ela sentiu o cérebro formigar com a descoberta.

O que era aquilo no mamilo dele? Um piercing? Lilly não soube por que, mas aquela pequena argola, naquele peito musculoso, fez sua boca salivar. Queria pôr os dedos nela.

Para piorar o caos mental de Lilly... Um escandalosamente Adan nu, apareceu na porta do banheiro.

Jesus!

O homem era um cavalo!

Lilly nunca tinha visto um pênis como aquele. Não foi só o tamanho que a impressionou e sim a espessura. Um pouco demais para o gosto dela. A jovem quase engasgou e sem saber o que fazer, preferiu voltar a encarar as paredes de mármore.

— Puta que pariu! O que fizeram com a Penne? — Adan foi logo esbravejando com o resto do pessoal e alcançando a loirinha, que começou a rir sem parar.

— Oi, Adan! Ops, gravetãoooooo! — A loirinha continuou a rir e foi facilmente enlaçada nos braços do vocalista.

O viking estava uma fera, principalmente, depois de perceber que a camiseta da Penne também estava cheia de vômito e uma outra mancha que parecia vinho tinto.

— Porra, Penne, que bafo! — bradou o vocalista. — O que vocês deram para ela comer? Um gambá? — Sem esperar resposta, Adan abriu o chuveiro e entrou com a guitarrista embaixo do jato ainda frio.

Na mesma hora, Penne começou a xingá-lo e a esbravejar. Tentou escapar, mas ele apertou o abraço, não dando chance de escape.

— Não sabe beber, agora aguenta!

— Alguém pode me dizer, que porra aconteceu aqui? Por que está todo mundo fantasiado de a garota do Exorcista? De onde saiu esse tanto de vômito? — Mark encarou cada um dos envolvidos.

— Não foi de mim. Eu não vomitei — defendeu-se Brian.

— Nem de mim — Big disse, levantando da banheira com uma cara ótima, como se tivesse dormido doze horas seguidas... E depois, saiu do banheiro sem dar moral para o empresário.

— Eu vomitei na privada — Lilly se defendeu, depois de se autoavaliar.

— Eu tive que vomitar em mim, porque a Lilly monopolizou a privada! — Penne respondeu rindo do boxe, já de pé e nua. Adan esfregava o corpo dela, freneticamente com uma bucha.

— Eu sei lá por que eu vomitei! — defendeu-se Gabe, sem roupa.

Que diabo é isso?

Pensou Lilly, ao encarar o piercing que Gabe ostentava no pênis, menor que o do Adan, mas também acima da média. Ui, isso deve ter doído! Como será a sensação de ser perfurado? Será que o Ethan e o Brian também têm? Todos eles eram tão desinibidos. Não tinham o menor pudor em ficar pelados uns na frente dos outros.

Curiosa, Lilly focou em Brian, que estava se livrando das calças. A possibilidade de vê-lo pelado acendeu o corpo dela. Droga! Só conseguiu ter um vislumbre da bunda sob a boxer branca molhada.

Nossa!

O cara tinha uma comissão traseira digna de Oscar!

Ficou fascinada e depois sem fôlego ao ver a tatuagem de um dragão que cobria todas as costas dele e se mexia junto com os músculos. Parecia estar vivo! Muito realista. Quem desenhou aquilo era um artista!

Sem saber bem por que, Lilly percebeu o corpo começar a formigar. Ver a beleza mais madura do Brian a desconcertou. Ela sempre o achou bonito, eles já tinham se encontrado antes, mas em todas as ocasiões, o guitarrista sempre estivera vestido. Porém, agora havia algo a mais. Era o mesmo Brian, só que mais homem, mais viril... Talvez fosse o rosto sem as feições juvenis ou a barba amanhecida, ela não sabia dizer...

— Quem é o próximo na ducha? — Adan mal terminou de perguntar, arrastando Penne para fora com ele, e Gabe já tinha invadido o boxe, que agora estava fosco por causa do vapor d’água.

— E aí? Estou esperando! Alguém vai responder? Eu tenho que me... — Nesta hora o celular de Mark tocou e ele atendeu saindo do banheiro.

Lilly resolveu, finalmente, levantar-se. Apesar de querer muito descer descarga abaixo e sumir dali, sabia que era impossível. Não com todo aquele tecido do vestido. Com cuidado, levantou-se e...

Uauu!

Quem é essa louca refletida no espelho?

O cabelo dela, que até ontem era sedoso e brilhante, estava um emaranhado só. A tiara do casamento, pendurada de lado, um verdadeiro ninho de rato, como Marie costumava dizer quando era criança. Olhou sobre a bancada da pia e achou uma bolsinha do hotel... Escovou os cabelos, os dentes duas vezes, lavou o rosto... e o sangue dela congelou.

— Jesus! O que aconteceu? De onde vieram essas marcas? — exclamou Lilly, ao perceber algumas manchas arroxeadas na base do pescoço.

— O Brian te chupou — Gabe disse feliz, todo ensaboado no boxe. Ele tinha feito um moicano no cabelo com o xampu.

— Me chupou? — a voz de Lilly saiu mais fina que um miado de gato. Ela virou-se para encarar o responsável. — Você me chupou... aqui? — perguntou apontando uma marca que mais parecia uma mordida em sua clavícula.

Ainda de cueca, mas agora de frente, Brian olhou para Lilly, que tentou ignorar o volume entre as pernas grossas e a reação das próprias partes íntimas com a imagem...

Senhor do Céu!

Será que ter pau grande era pré-requisito para fazer parte da banda?

Brian parecia se divertir... feliz até e ele estava feliz mesmo, e não completamente em pânico ou arrancando os cabelos, ou procurando a saída mais próxima. O que era de se esperar numa situação como a dele.

Ver a forma como Lilly reagia a ele, era do caralho! Ainda mais depois de ter experimentado o que aquela boquinha, nada tímida, podia fazer à boca e à pele dele. Impossível evitar que o seu corpo ignorasse as lembranças do que acontecera na noite anterior.

Porra, a noite anterior!

Flashes de risadas, palavras, lábios, peles, sons e gemidos...

... ... ... ... ♥♫♥♪♥ ... ... ... ...

 

— Isso não é certo...

— É certo, sim...

— Vai se arrepender...

— Sei o que estou fazendo, Lilly...

— Não vou fazer isso, Brian...

— Ah! Vai sim, senhora!

— Vai continuar a me beijar desse jeito se eu fizer?

— Entre outras coisas, baby...

— Então, eu acho uma boa ideia!

... ... ... ... ♥♫♥♪♥ ... ... ... ...

 

A esta altura a ereção dele já não era mais segredo e ele não estava preocupado em escondê-la.

Fato que deixou Lilly desconcertada. Ela esperava que ele sentisse, no mínimo, um pouco de remorso, mas não aquilo... o descarado estava excitado!

Tentando desviar o olhar, até porque ela não conseguiu ver se ele tinha um piercing lá... Lilly respirou fundo uma, duas vezes. Precisava saber que diabos ela aprontara na noite anterior. Encarou Brian da melhor forma que conseguiu, tentando mostrar uma autoconfiança e dignidade que não tinha no momento.

— Só fiz isso porque implorou. Achei que seria educado retribuir as chupadas que me deu. Desculpa se te marquei. Acho que me empolguei.

— Eu te chupei? Jesus? Onde? Quando?

— Você não lembra?

A cabeça de Lilly balançou lentamente.

— Lembra de alguma coisa?

— Da mesa de pôquer.

— Depois?

— Branco total.

Um calafrio percorreu a espinha de Brian. Toda a empolgação que ele estava sentindo se esvaiu.

Não é possível, é?

Brian examinou as feições da bela e desgrenhada mulher à sua frente. Parecia genuinamente confusa.

Qual é, Brian!

Homens é quem são os canalhas e usam essas desculpas.

Respirou 985 vezes tentando manter a calma e a coerência, mas foi impossível...

Todo mundo estava bêbado, mas não a ponto de não saber o que estavam fazendo. Pelo contrário, Lilly parecia decidida uma vez que, foi ela quem tomou a atitude de beijá-lo na limusine a caminho do bar das strippers. Foi ela quem sugeriu um duelo depois que Penne a induziu a se casar com ele ou com Gabe.

Puta que pariu!

Ela adorou a sugestão dele para uma queda de braço! Como ela não lembrava?

Ela foi a juíza!

Porra!

Brian respirou fundo, mais uma vez.

— Lilly, a gente precisa conversar — falou, tentando reunir todas as forças. — Tem problemas com álcool? Já foi para a reabilitação? Sofre de amnésia etílica? Conheço um cara que trabalha com hipnose que pode ajudar.

Brian assistiu os olhos dela irem dobrando de tamanho... a boquinha indecente, de tão apetitosa e carnudinha, abrindo e fechando...

— Deus do céu! O que foi que eu fiz? Não... nunca fui para a reabilitação! — Àquela altura ela já desconfiava, mas discretamente, deu uma olhada na mão esquerda e nada. — Só que... eu... eu nunca bebi tanta vodca assim e, pelo jeito, bebi champanhe também e talvez um pouco de vinho tinto, e whisky. Droga! E nunca me abandonaram no altar! Caramba!

A expressão de Brian endureceu.

Ai, meu Pai!

Isso não é bom sinal, né!, pensou Lilly.

Um segundo depois, um grito de Mark ecoou da sala, seguido de uma enorme discussão entre ele, Penne e Big... confirmando que a coisa devia estar preta. Gritaria, que se estendeu até a porta do banheiro e continuou bem diante de um Brian e uma Lilly catatônicos e um Gabe claramente ainda bêbado.

— Vocês dois para a sala, já! Onde estavam com a cabeça? — Mark parecia estar a ponto de explodir.

Ferrou!, pensou Brian.

Deus, me ajude!, pediu Lilly.