Enlaçados: Sex and Rock
Capítulo 30
Que semanas!
Phoenix Tucson Sedona Flagstaff Willians Grand Canyon Kingman Barstom Victorville Seligan Calico San Bernardinho Los Angeles.
Treze cidades em quinze dias! Agora, estavam indo para uma folga mais que merecida, antes de retornarem para a turnê. Precisavam estar em Los Angeles para o Grammy!
Os dias passaram voando e foram uma sequência do mesmo. Estrada, Palazzo, entrevistas, passagens de som, meetings e shows. Tietes... tietes...e mais tietes... Lilly cumpriu a promessa, não fugiu e Brian se comportou.
Ela acostumou-se com a presença constante das tietes rondando a banda. Adan e Big costumavam carregar algumas delas para o QG, antes de caírem na estrada. Os amigos se dividiam entre o quarto no piso superior e a pequena mesa de bilhar na salinha de jogos. Penne e Gabe tinham outros esquemas... desapareciam por horas. E por mais que Lilly tivesse insistido para saber quem era o felizardo, Penne não abriu o jogo.
— Eram ninguéns!
Engraçado... Lilly tinha a impressão de que Penne estava mais distante e escondendo algo. Quando viviam separadas por quilômetros, sentia-se muito mais próxima da amiga.
Brian cumpria todas as rotinas para depois, se trancar com Lilly no quarto. Horas intermináveis de risadas e muitas conversas, mas nenhuma delas era sobre o assunto que ele queria...
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— Ainda continua chateada por causa da Diana?
— Não.
— Então podemos conversar sobre nós?
— Nós? Não temos feito isso? Conversado... Acho que está tudo bem...
— Como estamos bem? Lilly, estamos afastados, desde aquele dia, nós nunca mais...
— Brian... — interrompeu-o. — Estou grudada em você vinte e quatro horas por dia.
— Mas não grudada como eu gostaria...
— Que besteira, acho melhor fazer alguma coisa pra você comer... Por que não aproveita e toma um banho?
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Todos pensavam que os dois transavam loucamente. Entretanto, desde a noite da Diana, Lilly tinha posto um freio total nas investidas de Brian. O medo dela chegava a ser irracional e, inconscientemente, o trauma provocado pela traição da irmã e do ex-noivo era como um veneno que estava contaminando tudo. As noites viraram uma sequência de conchinhas comportadas... e as manhãs, um emaranhado de pernas e braços, culpa dos seus corpos traidores. Porém, nada de sexo ou banhos.
No máximo, alguns beijos castos e abraços em público para cumprir o protocolo.
Diana virou um problema. A mulher tinha tentado forçar a entrada nos bastidores e chegara a fazer dois ou três escândalos, mas a decisão de bani-la não tinha mudado. Daniel passou a viver no modo olhos de águia... e pegou a loira rondando Lilly em um shopping em Seligan e em um salão de beleza em Calico.
Contudo, Brian decidira não contar sobre as ações da Diana para Lilly. Ele estava preocupado, sua Bela passava as tardes enfurnada no Palazzo. Parecia triste e desanimada, e depois de todo aquele drama em torno do passeio no Jardim Botânico, ela evitava ao máximo sair. Para Lilly era claustrofóbico, mas, pelo menos, nunca mais tinha dado preocupação para a banda.
As saídas dela ficaram reduzidas aos compromissos profissionais de Brian.
Foram às festas VIPS, boates exclusivas e bares privados. Divertiu-se com a banda. Eram capa de quase todos os tabloides e destaques nos sites e blogs. Até a parada de vinte minutos,
que fizeram para ver o [65] Grand Canyon, estava lá... registrada em vários sites. Lilly não era mais a artista plástica discreta… Era a senhora Pierce.
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Enfim, estavam em Los Angeles...
Lilly aguardava Brian no galpão da banda e aproveitou para explorar, com curiosidade, cada detalhe do antigo estúdio de cinema restaurado. Admirou-se que tudo no lugar fosse original da década de cinquenta. O prédio era usado como escritório, estúdio pra fotos e gravação de clipes. Os Palazzos e carretas ficavam ali quando não estavam em turnê.
O clima era de total euforia, como o final de ano letivo. Um corre-corre, despedidas e sorrisos alegres. A equipe estava tão acabada que aqueles dias de descanso pareciam férias de verão ilimitadas. Lilly começou a ficar impaciente por Brian e pelo carro dela, mas os músicos tinham convocado uma reunião de última hora, entre a banda e Mark.
Aqueles dias na cidade seriam um teste. Lilly estava nervosa e com o coração mais descompassado do que o normal. Brian não tinha um lugar só dele. Dividia-se entre a casa dos pais e a mansão da banda. Ele acreditava que manter um apartamento de solteiro seria uma tolice, já que passava a maior parte do tempo na estrada. E como era de se esperar, o músico ficaria com ela na casa nova.
Brian estava esperançoso que a privacidade trouxesse de volta a intimidade, e por mais que tentasse se controlar e disfarçar, o sexo com Lilly não saía da cabeça dele. Queria a Bela de volta... inteira. O tempo de conversas os uniu e fortaleceu a amizade, porém ele precisava de mais... e a resistência da esposa o estava matando.
As punhetas solitárias e às escondidas só faziam aumentar o desejo, e dormir juntos tinha se transformado numa tortura.
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Próximo dali... quem estava eufórica era Marie. Queria tudo perfeito para a chegada dos recém-casados. Teria um patrãozinho novo! E não era aquele mau-caráter do Will! Era um homem cuja intuição dela dizia que ser o certo para Lilly. Chegou até a procurar a mãe do Brian, sem saber que se tratava de uma cantora famosa. Para a governanta, era só a dona Sarah, sua cúmplice. A mãe dedicada que lhe passara todos os gostos do filho. Tinham ficado horas ao telefone, dividindo histórias de infância dos seus protegidos.
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— Vai adorar o Brian, Marie. Não é porque é meu filho, mas ele é um doce, superfácil de lidar.
— Tenho certeza disso, dona Sarah. Já providenciei para que o mordomo da banda trouxesse todas as coisas dele pra cá.
— Perfeito! Vou passar por aí esta semana. Quero te ajudar a organizar tudo do jeito que o meu filho gosta. Aproveito e levo aquelas receitas que prometi.
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Cinco rostos satisfeitos saíram do escritório no mezanino do galpão, seguidos por um carrancudo Mark. Dilon tinha acabado de se despedir e avisar que a Maserati estava estacionada na entrada, ao lado do jardim central de palmeiras.
— Nos vemos em Malibu! — Penne gritou sem despedidas. A mansão da Ultimate Bet ficava a três casas pela praia de onde Lilly e Brian iriam morar.
Minha casa... finalmente!
— Vamos? — Brian chegou todo sorridente, carregando a guitarra e a mochila.
Os dois saíram na direção do estacionamento. O dia estava lindo, ensolarado e com uma brisa agradável. Lilly jogou as chaves para o músico, que as pegou no ar. Vê-lo dirigir era um espetáculo à parte. Muita testosterona, músculos e tendões envolvidos.
— Pelo seu sorriso, presumo que a reunião foi boa.
— Foi ótima. Colocamos alguns limites. Ter mais tempo livre é prioridade a partir de agora.
— Que bom, Brian. Não sei como aguentam ficar trancados no Palazzo, indo de um compromisso para outro.
Brian sorriu, colocou a mochila e a guitarra no banco de trás da Maserati. Abriu a porta do passageiro para Lilly, correu contornando a frente do carro e entrou assumindo o volante.
— Pois é, já são quase sete anos nessa loucura. Está na hora das coisas mudarem... Tenho outras prioridades, além do trabalho.
O coração de Lilly apertou. “Outras prioridades” significava passar menos tempo juntos?
— Quais? Tem novos projetos?
Ao som de Red, de Taylor Swift, e com a capota abaixada, percorreram a curta alameda de palmeiras, típica nos estúdios da época.
— Os mesmos projetos de sempre. Não que tudo vá ficar calmo, mas minha prioridade agora é você, senhora Pierce.
Eu?
— Brian, não precisa fazer isso.
— Não preciso... eu quero. — Os olhos de Brian estavam brilhando de animação.
— É muito bom ouvir isso... — Lilly se emocionou, ser prioridade para alguém era algo que ela desconhecia.
Um grupo de paparazzi estava de plantão, atrás dos portões de ferro clássico com o brasão da UB. Logo foram atingidos por uma onda de flashes e perguntas animadas.
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— Vai levar a senhora Pierce ao Grammy?
— Vão morar juntos em Malibu?
— As famílias vão se conhecer?
— Sim para tudo, porra! — Brian brincou.
— Qual a cor do seu esmalte, Lilly?
— Cotton Candy da Chanel! — gritou para a repórter do site Girls.com
— E o vestido para a premiação?
— Acho que qualquer um do meu armário. Nem pensei nisso! — brincou, não entendendo o porquê de tanta especulação em torno do assunto.
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Responderam a mais perguntas, acenaram sorridentes e logo ganharam a via expressa em direção a Malibu. Seguidos por uma variedade de SUV's.
A imprensa os adorava. Os queridinhos da mídia! Eram considerados o casal mais quente do momento e lindos... BriaLy como foram apelidados nas redes sociais, eram simpáticos, carismáticos e acessíveis. Uma tática de Brian para acalmar os ânimos. Ganharam até o tratamento cortesia dos paparazzi. Eles os seguiam, fotografavam, mas não havia uma abordagem agressiva. Os jornalistas eram gentis e até divertidos.
Lilly ganhou a atenção dos blogs de moda e de alguns grupos de fãs que viviam postando coisas sobre o estilo dela. Era irônico, mas até as vendas de suas obras cresceram naqueles vinte dias de Brian.
Foram o caminho todo falando sobre o Grammy, o almoço na casa dos pais de Brian, a segunda parte da turnê e ouvindo música.
A chegada ao condomínio foi tranquila. O acesso à rua única era restrito, o que mantinha a imprensa, os curiosos e os fãs bem afastados. Na verdade, era uma charmosa e paradisíaca praia particular entre dois morros. Uma faixa larga de areia fofa e branquinha. Cheia de palmeiras em frente a um mar de águas calmas verde-azuladas. Apenas sete casas sem portões, com grandes gramados e jardins recheados de folhagens exuberantes.
Brian nunca alimentou interesse pela casa de Lilly e no fundo, sempre torceu para que a compra não fosse fechada. Sabia que ficava a uns duzentos metros de distância da mansão UB, pela praia. Na época, Lilly ainda não vivia ali... e quando fizesse, estaria com o WillBosta.
Se pudesse, teria construído uma trincheira... chegou até pensar em se mudar. Correr na praia e dar de cara com o casalzinho feliz não estava em sua lista de prazeres relaxantes.
Toma, WillOtário!
Quem vai correr e curtir a praia agora?
Um segurança que Lilly nem sabia que tinha contratado os recebeu, assim que Brian estacionou o carro.
— Senhores, sejam bem-vindos. Vou me encarregar do carro e das bagagens
— Ah! Ok! Eu sou a Lilly e este é meu marido, Brian. — Lilly achou melhor manter a farsa.
Marie e o tio aparentemente esqueceram de comentar sobre o detalhe de um metro e oitenta e cabelos grisalhos... Max, policial aposentado, e viúvo de cinquenta e nove anos. Novo morador da ala dos empregados. Uma espécie de segurança e caseiro.
O coração de Lilly estava ansioso. Tinha passado tanto tempo se dedicando à casa dos seus sonhos, atenta a todos os detalhes... do piso ao teto, cada móvel, cada enfeite e folhagem. Pisou com o pé direito no chão de mármore branco. A partir daquele momento, aquele seria o seu endereço oficial. Dela e do marido.
— Meu Deus! Lilly, que saudades! Como foram de viagem? — Uma ansiosa Marie veio recebê-los. Abraçou a ambos calorosamente, para surpresa de Brian e Lilly.
— Bem... a viagem foi... legal — Lilly desconversou, descendo rapidamente os três degraus que separavam o hall de entrada das salas. Jogou a bolsa no sofá e deu uma olhada em volta, com as mãos na cintura.
Brian a seguiu... e depois Marie. Caramba! Lilly tinha feito um bom trabalho. A casa era deslumbrante, iluminada e arejada.
— Estou te sentindo um pouco desanimada. Fez os seus passeios? Deve ter ficado louca com tantos lugares novos. — Marie a observou com cautela.
Lilly ajeitou um arranjo de gardênias em um aparador próximo de uma janela de venezianas brancas.
— Alguns. Conheci mais os estádios mesmo. Posso me candidatar a guia.
— Mas... e os museus, os parques? Gosta tanto dos seus passeios ao ar livre.
— Nenhum museu ou galeria. Visitei um jardim botânico de cactos e tiramos uma foto no Grand Canyon. Esse negócio de turnê é uma correria.
Merda.
Essa doeu!
Não era à toa que Lilly tinha andado quieta. A casa era toda tão clara e alegre, os estádios eram tão cinzas. Brian foi egoísta, deveria tê-la incentivado a passear e se divertir. Sentindo-se um lixo, ele ficou ali, parado do meio da sala. Não sabia se sentava ou seguia Lilly, que parecia querer checar todos os detalhes da decoração.
— Que chato... e você rapaz? Deve estar cansado. — Marie era afetuosa como uma avó e indicou que se sentasse.
Brian sorriu e finalmente sentou-se em uma poltrona de lona branca macia.
— Nem um pouco. Dormi bastante esta noite. Uau! A casa é incrível.
Lilly parou de mexer freneticamente em outro vaso e virou-se para ele. O elogio trouxe um alívio imediato. Então, deu-se conta de que estava ansiosa por ele. Queria que Brian gostasse dali, tanto quanto ela.
— Gostou mesmo? Queria um lugar aconchegante e simples.
— Achei perfeita, iluminada e alegre. — Olhou ao redor. — E florida. A mansão da ULTIMATE é impessoal. Mais como uma república e muita gente misturada. Aqui parece um lar.
— Mas é um lar. — Lilly pareceu chocada e Brian queria apenas ter feito um elogio. — A intenção é criar a minha família e envelhecer aqui.
A nossa família. Brian quis corrigi-la, mas calou-se.
Marie percebeu um certo constrangimento no ar e apressou-se. Por que Lilly estava tão na defensiva?
— Gosto do sol entrando por todas essas portas duplas e janelas amplas... É tão alegre. E esse barulhinho das ondas? Um paraíso.
— Estou realmente impressionado com o que Lilly fez aqui. É mesmo um lugar perfeito para uma família. Tem cachorro?
O sorriso radiante e orgulhoso que brotou no rosto da esposa indicou que seu elogio, finalmente, surtira efeito.
— Ainda não, quem sabe quando as coisas se acalmarem. O que acha de um tour?
O clima entre eles melhorou um pouco...
— Vou preparar um lanche, enquanto mostra a casa. As roupas do Brian já estão no closet de vocês.
— No meu quarto? — Lilly engasgou.
— Na suíte principal. Onde mais? — Marie olhou confusa. — Não são algum tipo de casal moderno, são?
Brian voltou a atenção para Marie e abriu um sorriso travesso.
— Fique tranquila, Marie, sou um homem tradicional. Nada de quartos separados para nós.
Marie piscou de um jeito cúmplice para Brian... e ele gostou daquilo. Depois, a governanta saiu na direção de um corredor, murmurando algo sobre bolos e tortas.
Lilly mostrou a casa DELES! Foi gentil, empolgada, mas esquivou-se de todas as tentativas de aproximação de Brian.
Não era suntuosamente grande como a mansão da banda. Era só perfeita. Móveis todos brancos, coloridos pelas almofadas, objetos, plantas e dezenas de obras de Lilly nas paredes.
Um andar térreo dividido em patamares. Cozinha, sala de refeições, escritório, e uma sala ampla com três portas duplas. Um deck voltado para o mar em vários desníveis. No primeiro, uma varanda com um futton, almofadas, poltronas e vasos de plantas. No segundo, uma área para churrasco. No terceiro, no nível da praia, uma piscina, guarda-sóis e espreguiçadeiras.
A casa era toda ladeada por um gramado enorme. Lilly informou que próximo a encosta havia dois chalés. O estúdio e a área dos empregados. As suítes ficavam no andar de cima. Duas de cada lado, estrategicamente separadas por degraus e um jardim vertical. No primeiro nível, Marie ocupava um dos quartos de fundo. Alguns degraus acima, mais duas suítes. A principal, bastante confortável, clara e arejada, com cortinas esvoaçantes levando para uma varanda e uma imensa cama king size com dossel. A outra, o quarto que seria de Will... a pedido dele, que pregava que para um bom casamento, era preciso que se tivesse privacidade.
— Eu pensei que quisesse ter o seu próprio quarto. — Lilly mostrou a segunda suíte bem masculina. — Podemos mudar as suas coisas pra cá, ninguém precisa saber.
Brian a ignorou e voltou para a suíte principal. Foi até a varanda e apoiou as mãos no beiral de madeira, observando o mar. Respirou fundo. A praia estava vazia e ele de saco cheio, verdade fosse dita. A porra toda era muito confusa. Tudo bem que Diana pesou a mão, mas até quando aquela história renderia?
Caralho!
— Brian?
— Até quando vai me punir pelo que aconteceu com a Diana? — Virou-se, apoiando-se nas grades de madeira. Lilly estava de pé, bem à sua frente, a luz do sol iluminando os cabelos e a brisa os tornando uma bagunça.
Lilly sentiu-se ofendida e cruzou os braços em uma atitude defensiva.
— Não estou te punindo.
— Ah, não? Essa greve de sexo é o quê? Eu vejo nos seus olhos que me deseja, mas está fugindo. Sabe o quanto isso me faz mal?
A mágoa na voz de Brian a fez recuar. Não era a intenção dela feri-lo ou puni-lo. Só não conseguia dizer a ele o que sentia.
— Brian... eu sinto muito.
O músico jogou as mãos para o alto e deixou-as cair ao lado do corpo, em seguida olhou para o céu, irritado.
— Isso é uma brincadeira pra você? — Riu balançando a cabeça, depois virou-se e voltou a olhar o mar. — É o quê, Lilly? Uma espécie de teste? Um jogo? Ah! Vou lá, experimento o cara e se não gostar é só colocá-lo no quarto de hóspedes... e chega de sexo entre nós!
— Não é nada disso!
— É o quê, então, caralho? — Virou-se novamente para ela. — Porque, para mim, o que aconteceu com a Diana não passou de uma desculpa esfarrapada. Em algum momento eu lhe faltei com o respeito? Olhei para alguma daquelas vadias? Dei algum motivo para duvidar de mim? Ou só não sou bom o bastante? Me fala, porra!
Revoltado, Brian balançou a cabeça.
Lilly engoliu em seco, tentando conter as lágrimas. Tinha sido injusta, sabia disso. Aquela coisa toda de honestidade que combinaram, só valeu para ele. Ela simplesmente decidiu as coisas e nem conversou, apenas se fechou esperando que ele entendesse. Pensou que Brian tivesse entendido, já que, nunca mais ele tinha tentado nada.
Droga! Droga! Droga!
— Pensei que estivéssemos nos entendendo... Fôssemos amigos. Desde quando a falta de sexo foi um problema? Não achei que fosse caso de vida ou morte, com milhares de mulheres no camarim em cima de você!
O rosto dele contorceu, ele inspirou forte, dilatando as narinas. Mãos agarradas nos cabelos.
— Pra mim é, caralho! Vida ou morte! Desde o momento em que eu só quero você, porra! E aquilo entre nós... não foi apenas sexo!
— Não foi? Mas, mas... as mulheres?
— Claro que não, foi mais, muito mais... Me viu com alguém depois de você? Não use o meu passado como desculpa. Já disse que o rolo com Diana foi antes de nos encontramos em Vegas!
— Não é desculpa.
— É o quê, então?
A boca de Lilly abriu e fechou em uma resposta silenciosa. O corpo dela tremia todo e o coração, que batia forte, fazia com que sentisse mais medo. Medo de se jogar de cabeça... Aqueles dias com a banda foram um choque de realidade. O comportamento devasso era uma constante. E se um dia Brian sentisse falta e não resistisse a uma daquelas Dianas da vida? O Will não resistiu, nem o Adan! Ela viu como Penne sofreu por confiar no namorado, como ela mesma tinha sofrido por confiar no ex-noivo.
— E-eu... não sei.
Não sabe? Mas eu sei.
Suportar mais um dia naquela tortura, não era uma opção para Brian. Ele tentou seguir o conselho de Daniel... deu um tempo, foi paciente e respeitoso. Ela o tinha inteiro, mas não conseguia enxergar! Ser o cara do quarto ao lado, sonhando com a vizinha perfeita, não iria rolar! Brian gostava das coisas claras e simples, e aquilo estava complicado demais. Passou como um raio por Lilly, saindo do quarto. Precisava respirar!
Lilly ficou lá, sem reação. Viu quando o músico passou pisando fundo na areia fofa. Ele olhou de relance para trás e seguiu em direção à mansão do grupo.
Droga!
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