Enlaçados: Sex and Rock
Capítulo 39
O dia começou cedo em Los Angeles, com a visita de um inspetor de polícia. Brian e Lilly
foram pegos de surpresa, ainda na mesa do café da manhã, pelo homem baixinho, barrigudo, cujo bigode abundante compensava os poucos fios na cabeça redonda e rosada.
Por educação, convidaram-no à mesa e entre uma garfada e outra, o policial os encheu de perguntas sem sentido.
— Hum... quer dizer então que estavam fora da cidade? — O homem abocanhou uma fatia de bacon.
— Leesburg, em seguida partimos para Baltimore — Brian respondeu sem muita paciência. — Estamos fora há cerca de uma semana.
— Hum... Leesburg, a cidade dos Outlets... álibi interessante. Fizeram muitas compras por lá? — A sobrancelha também abundante do policial arqueou. — Têm os recibos?
Hã?
Lilly agitou-se na cadeira.
— Recibos? O senhor não está querendo insinuar...
O homem interrompeu-a ao rir e balançar a pança.
— Hum... acordamos nervosos? Não insinuo nada, meu benzinho. Só checo os fatos em todos os detalhes. — Enfiou um bolinho de canela inteiro na boca. — Tem que convir, que trinta milhões de seguro, por uns rabiscos feitos em guache, é uma bolada e tanto... — disse de boca cheia.
O quê? Como ousa?
Idiota!
Lilly desviou o olhar para a travessa de bolinhos. Deus foi testemunha do quanto se esforçou para conter o ímpeto de espatifá-la na careca brilhosa do desaforado.
— Não são rabiscos, são aquarelas! — a voz dela soou indignada. — O que o senhor está querendo insinuar? O dinheiro não cobrirá nem um quinto do valor das obras! É óbvio que estou nervosa! O meu trabalho foi destruído! — Lilly jogou o guardanapo sobre a mesa fazendo menção de levantar-se.
Droga!
Com agilidade de um super-herói, Brian estendeu o braço e segurou a mão da esposa, na tentativa de conter os ânimos. Sua Pequenininha não tinha acordado no melhor dos seus humores.
— Amor... calma — disse com a suavidade de um domador de leoas e olhou feio para o gorducho. — O senhor está indo por um caminho perigoso. — As veias das têmporas de Brian começaram a pulsar.
— Está me ameaçando?
— Não... — negou, mas a linha fina que se formara nos lábios do músico, dizia que sim. — Entretanto, está na nossa casa e não vou admitir que desrespeite a minha mulher. A senhora Pierce não é o seu benzinho e caso não tenha percebido, ela é uma das vítimas.
O homem sorriu satisfeito, tinha aprendido aquela técnica de interrogatório em um episódio de CSI Miami: provocar até que os suspeitos perdessem a paciência e confessassem.
— O que disse que fazia mesmo, senhor Pierce? — Ele girou os olhos ao redor. — Manter isso aqui deve ser custoso. São herdeiros ricos de Hollywood?
Esse cara só pode estar de brincadeira!
Brian respirou fundo, estava na cara que o policial não era ligado em música pop e nem tinha se dado ao trabalho de checar quem era ele ou até mesmo a Lilly. Se tivesse feito, saberia que ela era uma herdeira sim, mas que se mantinha sozinha desde os dezoito anos, sem tocar em nada deixado pelos pais.
— Tudo é fruto do nosso trabalho, inspetor Marshall. Trabalho duro, aliás. Já disse, sou músico e Lilly uma artista renomada.
Lilly deixou escapar um suspiro impaciente e voltou a encarar a travessa de bolinhos. Primeiro o casamento, agora o incêndio... aquela desconfiança generalizada para cima deles era um pé no saco.
— Deveria estar atrás de quem nos ameaçou — ela disse em um tiro. Esse homem não checou os arquivos policiais? — Por acaso, o senhor já verificou onde estava a minha irmã? — perguntou em um tom mais controlado, porém ainda indignado.
Droga!
Na mesma hora, Brian mordeu os lábios.
— Merda! — praguejou entredentes, arrependido de não ter dito nada sobre a conversa que tivera com Max na madrugada.
As feições do policial esboçaram um: Dã!
— Claro que fui atrás, só que não ao vivo. Sou um homem conectado, benzinho. — Apontou um celular antigo em cima da mesa. — A dona Ava não pôde me atender, então chequei o Facebook dela e estava cheio de fotos da festa que aconteceu no Jóquei na noite do crime. — O homem sorriu satisfeito dele mesmo. — Já o de vocês, não existe. — Apontou de um para o outro, de um modo acusatório. — Parece até que andam se escondendo. Têm testemunhas que comprovem que estiveram em Leesburg?
— Nem todo mundo gosta de ter a vida pessoal exposta nas redes sociais! — Lilly explodiu. — O senhor consulta os relatórios policiais ou costuma pesquisar só no Facebook? Já tentou o Instagram? Dizem que é muito bom também!
— Insta o quê? — Os olhos negros do homem iluminaram e depois se fecharam. — Alto lá! Eu sei o que está fazendo! — Bateu palmas. — Bela técnica de distração, senhora Pierce, mas quem faz as perguntas aqui sou eu! Têm ou não têm testemunhas?
Apesar de nervoso, Brian mordeu a palma da mão para conter o riso.
Lunático!
Aquele cara era um lunático.
— Talvez o senhor possa interrogar as quarenta mil pessoas que assistiram ao show e me viram no palco. Tenho certeza de que o Face delas deve estar recheado de fotos. — O riso de Brian escapou quando o homem engasgou com outra fatia de bacon que tinha enfiado na boca. — Se mesmo assim não for suficiente, pode conversar com as centenas de jornalistas que fizeram a cobertura. Os sites e revistas nos quais trabalham divulgaram fotos nossas, antes e depois do show. — Apontou o copo d’água.
Tudo o que Brian não precisava era de um gorducho morto no meio da sala de jantar.
O inspetor tomou o líquido de uma tacada só e respirou várias vezes em busca de ar.
— Disse quarenta mil pessoas? — gaguejou, ainda meio engasgado.
Brian engoliu o riso e franziu o rosto na tentativa de parecer sério.
— Isso, quarenta e três mil, para ser mais preciso.
Lilly abriu o primeiro sorriso do dia, aquecendo o coração de Brian.
— Amor... não esqueça das centenas de jornalistas. — Piscou para o músico, e depois abriu outro sorriso ainda maior para o inspetor, só que aquele estava recheado de ironia. — Como o senhor Marshall disse, ele é um homem conectado, acho que não terá problema para checar o Face de cada um deles.
— Vou precisar de banda larga. — O gorducho contorceu-se na cadeira.
As faces rosadas do inspetor empalideceram e Brian soube que daquele mato não sairia cachorro nenhum.
— Caso não se importe, eu e minha esposa precisamos nos arrumar — informou ao baixinho. — Temos um voo marcado para daqui a poucas horas, mas, antes, pretendemos passar no hospital para conversar com o Antoine. Se precisar de mais informações, contate o Max, ele está a par de tudo — disse já se levantando.
Assim que se viram a sós, os dois se entreolharam e caíram na gargalhada.
— Aquele cara era real ou foi pegadinha? — Brian riu tanto que a barriga chegou a doer.
Lilly limpou uma lágrima que escorria no rosto.
— Sei lá, mas se formos depender dele para descobrirmos alguma coisa, nós estamos lascados.
— Muito lascados — Brian disse feliz ao ver que o humor dela tinha voltado. — Agora vem cá... deixa eu te dar um bom-dia direito. — Pegou-a nos braços e subiu para o quarto.
... ... ... ... ♥♫♥♪♥ ... ... ... ...
Algumas horas depois em Norfolk...
Lilly congelou, sem poder acreditar no que seus olhos viam. O emocional dela estava uma bagunça. As últimas horas tinham sido como uma montanha-russa cheia de pontos altos e baixos, transitando entre o péssimo, o hilário e o maravilhoso.
A emoção a impedia de falar.
Sentiu as lágrimas ameaçando cair nos cantos dos olhos e intensificou o aperto na mão de Brian. Meus anjos... Aqueles cinco amigos doidos tinham o poder de melhorar tudo e fazer o coração dela sorrir.
Respira!
Como eles fizeram isso?
Perder as obras tinha sido ruim, claro. Mais um baque em uma sequência de perdas e dissabores, entretanto sentia-se estranhamente afortunada e segura. Havia se dado conta de que ganhara bem mais do que perdera. Agora, ela fazia parte do grupo dos “Para Sempre”. Apesar de serem “amigos” diferentes entre si, juntos se completavam formando um bando louco, confiável, engraçado e, por vezes, irritante.
Amigos de verdade.
— Não vai falar nada? — Penne desgrudou da janela lateral e foi a primeira a se manifestar. — Aquele incêndio foi covardia, tínhamos que fazer alguma coisa.
Lilly abriu a boca e tornou a fechar.
Estava sem palavras, de verdade!
A sala de jogos no piso superior do QG ficara irreconhecível. Naquelas poucas horas, haviam-na transformado em um estúdio. A mesa de bilhar fora retirada para dar lugar a uma mesa de trabalho, um cavalete e um banquinho. O sofá de couro branco, que circundava a parede traseira e parte das laterais da saleta, estava cheio de cestas e caixas repletas de materiais de pinturas. Também havia telas dos mais diversos tamanhos, encostadas em uma das paredes... Até um vaso de flores tinha sido colocado sobre o frigobar, ao lado de uma poltrona para descanso.
Sem falar em toda aquela iluminação natural entrando pelas vidraças amplas...
Simplesmente, perfeito!
— Estou sem palavras — Lilly sussurrou. — Como conseguiram?
Ela tinha trazido de casa alguns materiais de pintura, mas aquilo diante dela era mil vezes mais do que poderia precisar... era incrível.
— Eu e o Mark fomos às compras — Penne disse com orgulho.
Gabe se aproximou e passou o braço sobre o ombro dela.
— E nós, homens, fizemos um mutirão, o Dilon também ajudou. A gente não queria que você fosse embora, J.J..
Ownnn, que adorável.
Embora houvesse um único detalhe técnico incomodando Lilly, o sorriso doce de Gabe era meio que irresistível, então ela levantou a cabeça e esforçou-se para oferecer a ele o mesmo sorriso gentil.
— Adorei o que fizeram, de verdade, mas como vão fazer com as garotas? — preocupou-se, os rapazes disputavam aquele espaço a tapa para as fodas pós-show.
— Elas que se danem! — Penne olhou feio para o Adan. — Odeio que aquelas vacas entrem aqui.
— Aquela mesa era muito desconfortável. — Gabe soltou Lilly e foi até o frigobar atrás de uma cerveja. — J.J., eu posso te fazer companhia, enquanto o Brian estiver passando o som. Sou bom nos desenhos. — Sorriu de um jeito travesso, abriu o lacre da latinha e tomou um gole.
— Isso vai ser legal — ela disse ainda sem jeito.
Brian percebeu o incômodo no tom de voz de Lilly, então inclinou a cabeça sutilmente e provocou-a com um sussurro bem safado no ouvido:
— Legal vai ser quando eu te foder, enquanto pinta.
Hã?
Deus do céu!
Lilly se remexeu, tomada pelas lembranças da manhã quente que tiveram. Os pelinhos de sua nuca arrepiaram ao imaginar as possibilidades de foda que aquela nova decoração oferecia.
Esse homem lambuzado de tinta deve ficar um espetáculo.
Big esparramou-se na parte livre do sofá e perguntou-se que sacanagem o amigo havia dito para deixar Lilly tão vermelha.
— Relaxa, Bonequinha... o Mark deixou a gente usar os quartos livres do Palazzo II — gargalhou de um modo quase perverso.
Adan, que estava sentado na poltrona de descanso, levantou um pouco os cantos dos lábios, sem chegar a sorrir.
— É... vai ser divertido... o otário não tem noção do que fez.
— Não tem mesmo — Brian divertiu-se, sem perder o foco em Lilly.
— Mesmo assim, não é justo. Primeiro a suíte lá de baixo, agora a sala de jogos. Eu mal cheguei aqui e já estraguei todos os esquemas de vocês.
Uma série de “desencanas” e “não estragou nada” pipocou no ar.
Penne deu um passo à frente, infiltrou-se entre Lilly e Brian e abraçou a amiga como se fosse um coala. O músico bem que rosnou em protesto, mas a loirinha nem ligou.
— Estragaria se tivesse decidido ficar em Los Angeles, a solução que o Brian deu foi perfeita. Aqui, vai poder criar com o mesmo conforto de lá.
Ah!
Então, foi por isso que ele estava todo misterioso durante o voo e não saía do telefone?
Uma onda de confiança correu nas veias de Lilly, e, pela primeira vez, acreditou que poderia dar conta do recado.
Três telas a partir do zero? Sim, eu consigo.
Sorriu para todos, e saber que a ideia tinha partido do marido, motivou-a ainda mais.
— Vocês são demais, nem amarrada eu conseguiria ficar longe — disse e depois lançou um olhar apaixonado para Brian por cima da cabeça de Penne, e murmurou:
— Eu te amo.
— Passagem de som em cinco minutos! — Dilon berrou do andar de baixo.
... ... ... ... ♥♫♥♪♥ ... ... ... ...
Muitos dias depois...
A caminho de Nova Iorque...
Os dias viraram semanas e depois, quase um mês.
O tempo de Lilly dividiu-se entre as tardes de trabalho, as visitinhas furtivas nos bastidores, os suspiros apaixonados durante os shows, os momentos de paixão na suíte e as madrugadas no estúdio improvisado no piso superior do Palazzo.
Ela estava um bagaço, mas um bagaço bem feliz. Arriscava-se a dizer que tudo andava perfeito. Nada de Ava, Will ou do inspetor aloprado, que deveria estar até aquele momento, ocupadíssimo, tentando verificar os quarenta mil perfis do Facebook pelo celular 3G.
Quer dizer... quase tudo perfeito.
Por que as mulheres tinham sempre que balançar os seios e sorrir com malícia quando Brian passava?
Aquela era uma coisa que a tirava um pouco do sério e por mais que soubesse que o músico não estava nem aí para as jogadas de charme, Lilly tinha a impressão de que jamais se acostumaria com o assédio para cima dele.
Droga!
Por que ele tinha que ser assim tão sensual?
Desviou o foco da tela e admirou o marido, com um olhar perdido.
— Não vai terminar nunca, se continuar a me olhar desse jeito indecente. — Brian baixou os óculos e ajeitou o corpão estirado no sofá do estúdio.
Ai, ai... como é sexy esse meu roqueiro nerd.
Pega no flagra, Lilly sorriu e depositou o pincel na mesinha ao lado do cavalete. Era madrugada, e as luzes vindas da estrada misturavam-se com a iluminação indireta do ateliê, fazendo o músico parecer uma de suas pinturas.
Tentador.
Ela remexeu-se no banquinho de trabalho, na tentativa de acalmar a animação interna que a imagem de Brian provocava. Ficava difícil se concentrar no trabalho, com ele ali: de calça jeans rasgada, camiseta branca desgastada, descabelado, descalço e escandalosamente atraente com aqueles óculos de leitura de aro grosso.
Sorte dela, que tinha acabado de assinar a última obra. Graças a Deus! Missão cumprida, e devia grande parte da façanha ao gostosão deitado à sua frente, observando-a atentamente. Brian era um homem de palavra, prometeu ser um guerreiro e foi. Mesmo cansado dos shows, tinha passado noite após noite lhe fazendo companhia no estúdio.
— Terra chamando Lilly — Brian disse com uma voz engraçada.
Lilly piscou os olhos fugindo dos milhares de pensamentos que pipocavam.
— O que está lendo? — Apontou para o livro apoiado no peito musculoso.
Aquele era novo.
Brian levantou o livro e virou a capa de modo que ela pudesse ver.
— Jane Austen, A Abadia de Northanger. Vão fazer uma nova versão para o cinema. — Ele abriu um sorriso quase arrogante. — Adivinha?
Os olhos de Lilly piscaram mais e ela jurou ter tido um mini-infarto. Sua reação com o hábito de leitura masculino já beirava ao sexual... e com Brian lendo daquele jeito todo compenetrado, tinha se tornado quase um fetiche. Ele não era apenas “Um homem”. Era “O Homem, o dono da porra toda”, com tudo a que tinha direito!
— Fala sério que a nova trilha sonora que te pediram, é para esse filme?
— Hum-hum... seríssimo. Estou lendo para entrar no clima.
Ai, Jesus!
A pele de Lilly esquentou.
Se ele precisava entrar no clima, ela não. Já estava dentro dele até o pescoço.
— Isso é incrível! — Bateu palmas. — Precisamos comemorar!
— Sentadinha aí! — Brian balançou a cabeça em negação. — Comemorações só depois que terminar o quadro — disse e o coração dele apertou. Na noite seguinte, ela estaria embarcando para Londres sem ele!
Merda de contrato!, Brian praguejou mentalmente. Malditos produtores de Hollywood!
O músico tinha achado uma baita sacanagem quando eles se recusaram a adiar a data de estreia mundial do filme ou remarcar as seções para a gravação da trilha sonora.
O que eram alguns milhões de multa, diante do dilema dele?
A ideia de Lilly sozinha em Londres era indigesta.
Que se foda que Daniel vai estar lá para protegê-la!
Brian era o marido, era ele quem deveria fazer aquilo.
— Ai, ai, ai... direção errada, amor. — Lilly revirou-se no banquinho. — Tire essa preocupação da cara e a camiseta.
O quê?
— Camiseta?
— Sim. — Ela sorriu como se pedir por aquilo fosse normal.
— Nem vem, Pequenininha. Conheço bem esse seu olhar de pare-o-mundo-que-eu-vou-te-devorar-todinho.
Apesar da brincadeira, Lilly não estava gostando nadinha do vinco que se formara na testa do músico. Ela também desejava a presença dele em Londres, mas foram voto vencido. Fazer o quê? Decidida a melhorar o clima, juntou as mãos em oração e fez a sua melhor cara de cachorrinho pidão.
— Tire a camiseta... por favorzinho.
Desconfiado, Brian levantou uma sobrancelha.
— Para te inspirar?
— Hum-hum... — Ela mordeu o lábio inferior.
Brian sentou-se, colocou o livro de lado e arrancou a camiseta em um único movimento.
— Satisfeita? — Fez menção de tirar os óculos.
— Os óculos ficam.
Hã?
— Você tem um fetiche com os meus óculos?
— Qual a surpresa? Direitos iguais, Lover Boy. Os meus saltos altos pelos seus óculos.
É justo!
Brian esqueceu Londres. A lembrança de Lilly naquele banheiro do Grammy vestindo nada além dos saltos altos e o colar não deixava margem para nenhum outro pensamento.
Ele grunhiu e ajustou desajeitadamente os óculos. Sim! Depois, mirou nos pés descalços dela e a Fera acordou. Que se danem os saltos! O radar de luxúria dele andava descompensado e apontando para todos os lados. Ultimamente, achava um tesão tudo que vinha da esposa.
Quase teve um orgasmo espontâneo quando descobriu que Lilly costumava pintar, vestindo só uma camisa social antiga que resgatara do guarda-roupa do pai. O tecido claro respingado de tinta, que caía solto pelas curvas generosas, era um tiro na libido dele.
Ficava gostosa demais naquele jaleco improvisado, atingindo o nível máximo de irresistibilidade quando ela combinava a camisa com um rabo de cavalo alto um pouco desgrenhado.
Sensual demais...
Ele mordeu os lábios em uma expressão faminta.
— Gosto do seu uniforme, ele me enche de ideias.
Lilly sorriu de um jeito timidamente indecente.
— Costumava brincar de médico com essa camisa quando era criança.
Porra, Lilly.
Brincar de médico é sacanagem.
— Quer brincar comigo quando acabar de pintar?
— Não... — Ela franziu o nariz, fazendo pouco caso. — Isso era coisa pra criança. Agora, só gosto de brincar de pinte e apalpe.
Ai, caralho!
Acho que eu também gosto de pinte e apalpe!
Como prova apreciativa, o pau dele deu uma levantada tão forte que se o jeans não fosse resistente, teria rasgado.
Lilly divertiu-se, adorava quando a expressão ranzinza de Brian perdia a guerra para uma outra bem mais voraz.
— Quer que eu te mostre como é? — Ela levantou, tirou a tela do cavalete e encostou-a em um canto da parede. Caprichou na empinada de bunda ao se inclinar para ajeitar o quadro.
Brian tossiu vigorosamente.
— E o seu trabalho?
— Esquece as aquarelas, estão todas prontas. — Sorriu sobre o ombro.
Brian absorveu a informação por um segundo e seus olhos violetas cresceram de tamanho.
— Todas? — Uma onda de adrenalina correu pelas veias dele.
Ela conseguiu?
Porra!
— Londres está garantida, graças a você. — Lilly abriu um sorriso radiante.
— Caralho, estou muito orgulhoso por você! — Quando ele foi levantar para abraçá-la, o mastro imprensado na virilha resvalou no zíper. Ai, merda! Quase decapitei meu pau! Com uma careta de dor, caiu de novo no sofá, afastando as coxas. — O mérito todo é seu — disfarçou a voz de agonia. — Tudo que eu fiz foi ficar do seu lado e, convenhamos, não deve ter sido nada inspirador me ver cair no sono e roncar.
Lilly riu e negou.
Mesmo apagado e roncando, ele continuava seu músico inspirador.
— Não esqueça daquela manhã em que eu tive que limpar a sua baba grudada no sofá. Aquilo foi meio nojento. — Ela fez uma careta e ele quase corou. — Tem certeza de que a festa vai longe? — Apontou para o vidro traseiro do Palazzo.
— Muita certeza. — disse animado.
As festas de estrada no home da técnica nunca tinham hora para acabar, e se por azar aquela acabasse, todos estariam tão bêbados, que não teriam condições de pedir para parar, descer do home e voltar para o QG. Provavelmente, dormiriam espalhados pelos sofás e chão, até chegarem em Nova Iorque.
— Tirando o Dilon, lá embaixo no comando, estamos sozinhos — completou.
— Sozinhos é bom. — Lilly piscou.
Em seguida, pegou um potinho de tinta vermelha e caminhou até ele. Abriu as pernas e sentou nas coxas do músico ficando de frente para o peito magnífico.
— O que vai fazer? — Brian perguntou, dividido entre olhar o dedo que afundava no pote de tinta e as coxas que ficaram deliciosamente expostas, quando ela sentou e a camisa subiu.
— Assinar a minha melhor obra de arte. Não quero ninguém cobiçando o que é meu, enquanto eu estiver em Londres.
Ela deixou o potinho de lado e inclinou-se empurrando o corpo dele, até que as costas largas estivessem apoiadas no encosto. Contente com o ângulo perfeito de visão, Lilly sorriu, e com a pontinha do dedo desenhou um coração ao redor do mamilo esquerdo dele. Em seguida, deslizou o dedo deixando uma trilha vermelha no abdômen sarado e escreveu a palavra MEU em letras garrafais, bem abaixo de umbigo do Brian.
O sangue começou a bombear forte nas veias dele.
Aquela brincadeira era sexy pra caralho.
— Uau! Possessiva você! — Ele sorriu, mas depois franziu a testa preocupado. — Essa tinta sai, né?
O riso doce de Lilly preencheu a sala.
— Depois de umas quinze lavagens, sai.
Ela fez menção de pintar a pontinha do nariz dele, mas a sua mão foi capturada no ar por outra bem mais forte.
— Minha vez.
Ele piscou e começou a desabotoar os botões da camisa dela, que no fim do processo deslizou caindo em um montinho no chão. A respiração de Lilly ofegou quando o músico pegou o dedo dela, afundou novamente no potinho de tinta e guiou o indicador trêmulo, até fazer o mesmo desenho no seio esquerdo. Em outro movimento similar, desceu pela barriga lisinha e escreveu um MINHA na linha da calcinha.
— Agora estamos quites. — Inclinou a cabeça e circundou a aréola do peito marcado, com a ponta da língua e depois soprou a área, até fazer a tinta secar.
— O pinte já foi, agora falta o apalpe. — Pequenas mãos ansiosas abriram o zíper para libertar a Fera.
Castanhos e violetas prenderam-se em um diálogo profundo. Lilly embalou o pênis nas mãos e lentamente começou a ordenhá-lo... para cima e para baixo... para cima e para baixo, sentindo a pele aveludada e rija contrair-se sob seus dedos. Nada foi dito, nem precisava, o entendimento entre eles acontecia assim, só com o olhar. O melhor do sexo, não era o sexo, mas a cumplicidade que transpunha dele.
Brian adorava ser tocado por ela.
Lilly amava o jeito como ele reagia aos estímulos dela.
Chegava a ser avassaladora a ligação que crescia entre eles. As respirações entrecortavam-se criando uma melodia só deles, as batidas dos corações pulsavam na mesma levada, misturando-se aos sons que vinham da estrada. Lado a lado... juntos e misturados... Não havia mais Lilly sem Brian e vice-versa.
Lilly fechou os olhos e curtiu o momento. Com as pontas dos dedos memorizou todos os detalhes daquele pau vigoroso. Adorava a textura, as veias que pulsavam, o calor em suas mãos, a forma como o pré-sêmen despontava, denunciando o descontrole dele.
— Preciso me livrar das calças... as minhas bolas... — Brian disse em um grunhido abafado.
Com agilidade, o músico levantou-se trazendo Lilly com ele, para depois, deitá-la de costas sobre o sofá. Livrou-se do jeans, enquanto admirava o corpo delicado remexer de desejo. Pronto para ela, ajoelhou-se no chão. Moveu o corpo delicado deixando-a sentada. Livrou-se da calcinha e com delicadeza afastou-lhe os joelhos escancarando sua intimidade.
Salivou.
— Vou sentir falta... — Brian tocou as letras escritas no baixo ventre dela e não era só do sexo que sentiria falta... era dela. Da sua presença. Acostumara-se à tranquilidade de tê-la por perto.
Lilly ofegou quando os dedos dele deslizaram, tocando a penugem em seu púbis.
— Vão ser só três dias, passarão rápido — ela murmurou mais para se convencer.
Ele abaixou a cabeça e começou a depositar uma sequência de beijos entre as coxas de Lilly. O coração apaixonado bateu mais rápido, ao sentir os aromas vindos do sexo rosado e inchado. Amava como aquela bocetinha se exibia para ele e inundava-se de excitação. Sentiu uma puxada nos cabelos, e excitou-se com os grunhidos doces que saíam da boca de Lilly, que se contorcia ansiosa por mais.
Com o indicador e o polegar expôs a carne macia, revelando um clitóris ansioso para ser chupado. Não queria torturá-la, ele também precisava daquilo, então foi com tudo. Lambeu-a de cima a baixo.
— Abra mais as pernas.
Muito excitada, Lilly obedeceu. Deslizou um pouco o bumbum, com as pontinhas dos pés fixou-se no chão, enquanto as panturrilhas contraíram para impulsionar o quadril de encontro com a boca carnuda de Brian.
— Gosta de se oferecer a mim? — a voz quente do marido em sua vagina aqueceu-a em uns mil graus.
— Sim... sim... — disse enlouquecida.
Ele moveu a língua em um vai e vem torturante, brincando de penetrá-la.
— Gosta quando eu te fodo com a minha boca? — Tirou e afundou a língua, sentindo a entrada macia do canal vaginal.
— Oh... Deus... Sim... — Lilly quase não conseguiu responder, devastada com a estimulação sacana dele.
Dois dedos a penetraram, ela jogou a cabeça para trás e gemeu alto.
— Ou prefere os meus dedos? — Girou-os no interior dela. — Isso te excita?
— Hummm...
— Responde... te excita?
— Sim... — Puxou o ar em busca de lucidez. — Mas me excita mais as coisas que você diz.
Brian sorriu, satisfeito com a resposta. Retirou os dedos e espalhou os fluídos dela por ambas as aberturas de Lilly.
— Aposto que isso vai te excitar mais do que as palavras. — Riu, e sem aviso abocanhou o clitóris e enfiou o indicador na vagina e o dedo do meio no traseiro dela.
As costas de Lilly arquearam com a invasão inesperada.
Ai, Jesus! Santos dedos!
Ela incendiou e ardeu de tesão. Derreteu-se toda, sentindo-se impotente diante da voracidade daquele ataque. Foi comida e fodida em todas as frentes de batalha, sem poder fazer nada e... nem queria. Entregou-se de corpo e alma... gemeu, contorceu-se e até achou que gritara vários:
— Isso! Brian! Deus! Nossa! Mais!
Abriu os braços, cravando as unhas no couro macio do encosto do sofá.
Ficou tão louca de tesão que nem protestou quando os dedos e a boca cessaram o ataque. Tão maluca de desejo que deixou seu corpo ser manipulado como o de uma boneca, deitado de costas no sofá e penetrado com força e fúria.
Ahhh, que delícia!
— Briannnnnnnnn! — gritou e cravou os calcanhares na bunda indecente que ia e vinha entre as pernas dela.
Selvagem... gostava dele selvagem, grunhindo e fodendo como um alucinado.
— Olhe para mim! — ele exigiu, apoiado sobre os cotovelos para não a esmagar. Como não obedeceu, penetrou-a bem fundo arrancando dela outro suspiro de prazer. — Olhe-pra-mim...
Ela abriu os olhos e a luzes da estrada, que iam e vinham, refletiam no rosto másculo e suado. Deus! Ele parece um deus grego! Cravou os olhos nele, hipnotizada com a beleza assustadora.
Ela nunca iria se acostumar com o quanto ele era bonito.
— Isso, Pequenininha... quero que me veja gozar... quero que grave bem o momento — disse e foi implacável. Meteu... fodeu... comeu... meteu mais... e meteu duro. Os quadris dele impulsionavam, ora saindo quase que por completo, e ora empalando-a como um guerreiro medieval. Podia sentir cada centímetro daquele pau instigando-a e alargando-a, e reagia com gemidos, quando a glande tocava em pontos internos que a faziam ver estrelas de prazer.
Querendo mais, Lilly esticou os braços e apertou a bunda de Brian, sentindo os músculos endurecerem a cada investida. Àquela altura, os dois eram só suor, gemidos e desejo. Macho e fêmea devorando-se.
Brian era gentil, mas na cama era possessivo e viril... poderoso. Ela era nada diante daqueles olhos violetas escurecidos e ardentes. As estocadas perderam o ritmo e o belo rosto se contorceu em um misto de agonia e prazer. Uma mão infiltrou-se entre eles e começou a dedilhar o clitóris. Não era uma balada... era um rock frenético.
— Vem comigo.
Ela já estava lá... as batidas dos dedos só apressaram o inevitável. Os músculos internos de Lilly contraíram e uma descarga elétrica explodiu, deflagrando a onda de energia sexual
concentrada em seu Kundalini [73]... então, orgasmo e sêmen a possuíram, roubando-lhe a lucidez.
Um grunhido sexy ecoou e Brian caiu exausto sobre ela, certo de que, pela primeira vez
na vida, tinha atingido o Nirvana[74]. Ele girou trazendo-a com ele em um abraço apertado.
— Quando eu acho que é impossível te amar mais, eis que a coisa só aumenta. — Beijou-a no topo da cabeça moreninha e embalou-a até que caísse em um sono profundo e calmo. — Te amo mais que a vida, Lilly — murmurou e também adormeceu.