Enlaçados: Sex and Rock

Anne Krauze · Capítulo 24 de 50

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Enlaçados: Sex and Rock

Capítulo 22

Um sorriso múltiplo correu o rosto masculino e perfeito de Brian... alívio, excitação,

expectativa e até um pouco de presunção. Seu corpo grandão enchia boa parte da cama Queen

Size [46], que ocupariam na turnê, enquanto estava com os olhos fixos no celular.

Lilly olhava hipnotizada para ele. Foi praticamente arrastada por um homem das cavernas ansioso, assim que chegou a vez de Penne repassar as configurações. Ela deu uma última olhada no espaço interno do guarda-roupa. Era amplo e bem dividido, não precisaria deixar nada para trás no hotel.

— Brian! Não acredito que me trouxe até aqui, para ficar jogando no celular. — Ela deu uma risadinha e deslizou ao lado dele na cama.

Uma mão possessiva laçou seu quadril, trazendo-a para perto.

— Não estava jogando! Só verificando o óbvio.

— Que é imbatível no [47] Guitar Hero?

— Engraçadinha. Sou imbatível mesmo, mas não era isso... Acabo de confirmar que meus superpoderes são infalíveis.

Ela lançou um olhar de nossa-quanta-modéstia!

— E isso quer dizer o quê?

— Que não é a única 100% limpa, aqui neste time. Estou funcionando em todos os meus pistões.

Lilly abriu um sorrisão, que fez Brian derreter e pulou em cima dele. O músico estremeceu levantando o quadril para provocá-la, roçando o pênis contra a sua virilha.

— Oh! — Ela piscou algumas vezes. — Posso sentir isso.

— Sentir o quê? O quanto eu te quero? — Esfregou-se mais um pouquinho.

— Que seus pistões estão prontos para trabalhar e pagar o que me deve — desafiou, acariciando o cabelo de estrela do rock dele.

— Vou pagar, mas não agora, preciso voltar para o palco em dez minutos. — Esfregou com mais força a ereção.

— Bri-annn, isso é tortura!

Ela bufou, tentou rolar o corpo e sair de cima dele, mas foi presa em uma armadilha de braços fortes.

— Me solta!

— Não.

— Brian Theodore Lincoln Pierce!

— Shhhh.

Ele sorriu, tocou-lhe o rosto e não desviou o olhar por um longo momento. Ficou lá, fazendo-a sentir-se a mulher mais bonita do mundo. Depois, largou o aperto, colocou-a de lado e levantou da cama.

— Acho sexy o jeito que meu nome sai da sua boca toda bravinha.

Ela sentou-se na cama abraçando as pernas.

— Eu acho sexy te ver no palco. Amei o seu lado trabalhador responsável. Li a matéria da Rolling Stone. Estou impressionada.

Ele virou, olhando por cima do ombro, antes de abrir a porta do reservado.

— Andou pesquisando sobre mim no Google?

— Claro que não! A Penne me mostrou!

— O cara exagerou. Confessa que me pesquisou e que ficou toda excitadinha quando me viu lá em cima do palco.

— Não.

— Confessa.

— Não até pagar a sua dívida. Me recuso a ficar excitada com propaganda enganosa. Já estou começando a pensar que seus superpoderes são uma lenda. Pelo andar da carruagem, vou morrer virgem.

— Lilly, Lilly... tão tolinha.

Ela o viu entrar no banheiro e fechar a porta. Ficou lá, sozinha na cama... Cheia de vontade e irritada. Pensou que depois da provocação e de praticamente pedir por sexo, ele a foderia insanamente ali mesmo. Este é o plano dele? Me matar de vontade? O lado irracional dela protestou... e depois foi esbofeteado pela razão. Ela estava a passeio ali, ele não. A amostra que tivera na passagem de som, a fez ver o quanto todos davam um duro danado para fazer o show acontecer.

Um trabalho prazeroso, sem dúvida, mas que exigia muito esforço e dedicação. Cheio de obrigações e prazos a serem cumpridos.

Brian saiu do lavabo com o cabelo molhado. Na verdade, o ideal teria sido uma ducha gelada e solitária. Precisava de uma boa punheta para acalmar os ânimos, mas não achou uma boa ideia fazer aquilo diante de Lilly em um chuveiro, com o box em vidro, integrado ao quarto. Então, masturbou-se escondido no banheiro privativo. Não era fácil andar por ali e se concentrar na música, com uma Fera faminta entre as pernas. Não era fácil ter Lilly ao lado dele e esperar pelo momento certo. Precisava resistir à tentação e pensar em seus planos para depois do show.

Ao ver a sua musa toda emburradinha o encarando da cama, o músico mordeu o lábio inferior e balançou a cabeça. Jogou a toalha em cima da cômoda e depois, apoiou os dois braços esticados sobre os punhos fechados no colchão, ficando cara a cara com ela.

— Não fique emburrada.

— Não estou.

Riu ao ver o biquinho aumentar e os olhos de boneca fingirem indiferença.

— Acho que precisamos te ocupar enquanto estou trabalhando. — Beijou a ponta do nariz arrebitado dela. — Que tal começar sendo uma boa assistente e alcançar o case preto embaixo da cama, enquanto visto uma camiseta?

— Folgado.

— Sou mesmo.

Brian afundou os dedos longos na nuca de Lilly e levantou o rostinho irritado, reclamando os lábios dela... perdeu-se no beijo e Lilly esqueceu porque estava brava. A língua de Brian deslizou entre os lábios dela, provocando-a com o piercing. Sua doçura registrou o paladar e ele gemeu de prazer. A agonia no pau do músico era até prazerosa. Aprofundou o beijo, chupando, lambendo, devorando-a... Ruídos e gemidos surgiram quando mãos macias enroscaram no pescoço dele.

— Oh! Brian — ela gemia de tão bom que era, ronronando como uma gata.

O gosto da saliva de Brian na boca de Lilly era um néctar. O homem era pura provocação beijando e instigando.

— Gosto do jeito que a sua barba arranha a minha pele — confessou, chupou os lábios dele e depois acariciou a língua, querendo mais. Deslizou a mão até chegar na virilha do marido. Desenhou toda a extensão da ereção, massageando o pau enorme sobre o jeans.

— Isso que é tortura — grunhiu ele agoniando sobre a boca delicada, contorcendo-se e esfregando-se na mão pequenina. — Menina má! — Levantou ofegante, encarando-a com fúria, enquanto as mãos puxavam os cabelos escuros.

— Brian! — implorou ela.

— Em dois minutos, o Dilon vai estar esmurrando a porta atrás de nós — disse contrariado.

Por mais que ela o desejasse, sabia que estava sendo egoísta. Sentiu o conflito nos olhos de Brian, dividido entre a vontade e a responsabilidade.

— Tudo bem, sei que vai me recompensar de forma incrível. — Sorriu para ele e arrastou-se para fora do colchão, ajoelhando ao lado da cama para encontrar o tal case. Uma enorme maleta retangular preta.

Nossa, pesada!

— Pode abri-la pra mim — o tom de Brian era mandão e indiferente, enquanto vestia uma camiseta limpa.

— Brian!

— Feliz segundo presente de aniversário!

— Deus! Mas como? Nossa! Brian!

— Consegui o telefone de Antoine. Ele disse tudo o que precisaria. Não achei justo ficar afastada da sua arte enquanto me vê tendo prazer com a minha.

Lilly não podia acreditar. Pulou nos braços de Brian, prendendo as pernas em torno dele.

— Opa! Acho que alguém gostou.

Ela encheu cada centímetro daquele rosto forte e lindo de beijos.

— Amei! Amei! Amei!

Depois o devorou com fúria e entrega, até perderem novamente o fôlego. Grata por cada aquarela, pincel, carvão, tela e bloco de papel Vergé que acabara de ganhar.

— Está me mimando demais.

— Te mimar virou meu hobby favorito. Desde que me agradeça assim, claro.

— Que tal te agradecer igual fiz hoje de manhã?

— Porra, Lilly!

Foram interrompidos por batidas fortes na porta.

— Briannnnn!

... ... ... ... ♥♫♥♪♥ ... ... ... ...

 

Eram quase seis da tarde e ainda não tinham repassado todas as músicas. Os portões seriam abertos em meia hora. Com o show previsto para começar às dez, Mark os proibiu de voltarem ao hotel quando o ensaio acabou. Um grupo de fãs sortudos tinha ganhado uma promoção da rádio local: um encontro de cinco minutos com a banda, antes do show.

Sentada ao lado de Brian, em um dos amplificadores no palco escuro, Lilly estava esperando por Daniel. Os dois acompanhavam a multidão tomando conta da pista e arquibancadas. Correndo e se esbarrando por um lugar próximo das grades de proteção.

— Tem certeza? — era a milésima vez que Brian tentava persuadi-la a não ir ao hotel. Ela não tinha previsto que ficariam direto e de jeito nenhum iria assistir ao show de jeans e camiseta básica. — Acho que está perfeita assim.

Um queixinho decidido virou-se para ele.

— Obrigada, mas quero dar uma passadinha no hotel. Além do mais, não sabia que sairíamos tão cedo amanhã.

Dando a batalha como perdida, ele sorriu contrariado.

— Tudo bem.

Como os próximos shows seriam em Phoenix e Tucson, mal teriam tempo de passar a noite no hotel e voltar às oito da manhã para pegar estrada. Brian queria prendê-la sob a sua asa, mas sabia que tinha que dar espaço. Se controla, cara! Ela não é sua! Mas era tão difícil... ainda mais depois da sintonia visceral dos seus corpos naquela manhã... Os sentimentos dele estavam confusos.

Brian ainda não tinha certeza de como se sentia sobre a atração por Lilly. A coisa toda do desejo sexual, estava ali, claro. Sempre esteve. Desde a primeira vez que a viu, ficou mexido com a aparência física da Lilly. Ela preenchia todos os atributos da mulher ideal. Claro que existiram outras mulheres que também o atraíram, mas sempre lhes faltava algum detalhe. Lilly era perfeita e ficava cada vez mais.

Quando acrescentou na equação aparência física a essência da pessoa que ela era... Fodeu! Estava fascinado pelo jeito e pensamentos dela. E cativado pelo modo como levantava aquele queixinho petulante e enfrentava as coisas...

Porra!

Lilly vinha se revelando não só a casca perfeita, mas o recheio também. Ela não lhe despertava apenas a luxúria... o toque tinha sido mais profundo, indo além das necessidades primitivas dele. Atingiu-o em cheio em sua essência, onde a arte residia: na alma.

... ... ... ... ♥♫♥♪♥ ... ... ... ...

 

A decisão de Lilly em dar uma passada no hotel, já não tinha sido uma tarefa fácil. Ir para lá então... outra batalha. Depois de um minichilique de Big, Brian e Mark, ela achou melhor ceder, deixar o carro no estádio e seguir na SUV blindada.

Tão exagerados!

Tão protetores!

— Calma, pessoal, eu me viro sozinha desde os dezessete, lembram?

— Não está mais sozinha, Bela.

— Vou passar a agenda do Brian, para que se organize. Assim, evitaremos esse tipo de coisa.

Opa!

Será que o Brian esperava aquilo? Que ela ficasse ali passiva? Vivendo conforme a agenda dele?

Não!

Lilly precisava de espaço para alimentar a criatividade dela. Irritada, ignorou Mark e sua pauta sobre a agenda. Em seguida, soltou a mão firme e ansiosa, que a impedia de entrar no carro.

— Já volto. Quer que lhe traga algo?

— Você.

Uauuu! Brian é intenso!

Lilly foi o caminho inteiro para o hotel, pensativa. Os momentos com Brian foram perfeitos, adoráveis e excitantes. Ele não era só sexy e irresistível, mas um pacote completo, cheio de qualidades. Seria tão mais fácil se ele fosse um babaca egocêntrico. Era impossível não amar tudo o que ele fizera até então. O que era assustador. Pessoas intensas costumavam apegar-se e desapegar-se na mesma velocidade, sempre movidas a desafios e novidades. Envolver-se demais seria suicídio.

Aquele casamento não era um: "juntos para sempre", ao contrário, seria um lembrete diário e uma bomba-relógio, com um enorme cronômetro em contagem regressiva.

Tique-taque… Tique-taque... Três, dois, um...

BOOMMM!

O coração de Lilly foi implodido com sucesso!

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— São essas aqui?

Lilly olhou as malas média e pequena, agora abarrotadas com as comprinhas em Vegas.

— Eu sento em cima e você tenta fechar, Daniel.

— E a valise?

— Vou deixar aqui no hotel com a muda de roupa para amanhã.

Foi uma luta... riram... xingaram... riram mais um pouco... quase desistiram... socaram tudo e mais um pouco nas malas, mas, enfim, a bagagem estava pronta. Do jeito que ela e Brian se perdiam nas horas, Lilly achou melhor não arriscar e levar a bagagem para o QG antes do show. Mark era meio ditador com a coisa de horário e não duvidava de que ele partiria às oito da manhã conforme o cronograma, e os deixasse para trás.

— Você é um cara legal, Dani, obrigada por me ajudar com a bagunça.

— Foi divertido.

Daniel era atraente e tímido, mas uma companhia agradável. A voz grave, compatível com o jeitão de índio rústico, permeava uma certa ternura. Os olhos de um preto intenso, enigmáticos como se carregassem um segredo só dele.

Lilly já estava pronta e esperava que Brian curtisse o visual rock-and-roll dela.

As calças de couro que Penne a ajudara escolher, fizeram realmente um milagre em seu

traseiro. E as [48] uncle boots confortáveis, porém muito altas, foram generosas ao alongar as pernas dela. Completou o look com uma regata branca e uma camisa de flanela vermelha. Um rabão de cavalo bem alto, muito rímel e maquiagem básica. Por fim, colocou sua mais nova pulseira preferida, combinada com um outro jogo de tiras trançadas de couro. Tudo em destaque pelas mangas dobradas.

— Se me permite dizer... está muito bonita, Lilly. Vou rir da cara de bobo do Brian.

O sorriso debochado no rosto de Daniel a fez rir. Aceitou a água que ele lhe ofereceu e continuou a sua tarefa, recolhendo os vários cartões de felicitações que recebera pelo aniversário e casamento. A mesa redonda na sala da suíte estava repleta de arranjos de flores.

“Minha menina, parabéns. Com carinho, Marie. ”

— Quer um muffin caseiro, Dani? São de chocolate, chantilly e morango. — Abriu a caixa repleta de versões em miniatura do seu bolo preferido. Marie deve ter infernizado o tio Ed para fazer chegá-los até ela intactos. — Faz tempo que está com a banda? Conhece bem o Brian?

“Feliz aniversário, minha pequena Picasso! Muita luz e inspiração, Antoine. ”

O bolinho ficou minúsculo nas mãos imensas do segurança.

— Estou com eles há uns três anos, mas conheço o Brian desde pequeno. Meu pai trabalha como caseiro para dona Sarah.

— Ah! São amigos, então?

“Parabéns, Lilly. Que seus 23 tragam muito sucesso. Tio Ed.”

— Digamos que sim. Brian é um homem bom, me deu uma chance quando precisei. Devo muito a ele. Estar na ULTIMATE é uma honra. — O corpão alto acomodou-se no sofá. Os dedos sujos de chantilly.

“Parabéns. Ainda precisamos conversar, Will. ”

Lilly amassou e jogou o cartão dentro do vaso de rosas colombianas.

— Imagino que deva ser uma loucura. Não sente falta da família, da namorada?

“Sra. Pierce, sucesso no casamento e na vida. Parabéns, equipe TMZ. ”

— Gosto da bagunça e da agitação. Fora os lugares... conheci o país inteiro e muitas cidades pelo mundo. — Daniel sorriu tímido. — Nada de namorada para mim.

“Brian é tudo! Por favor, não o afaste de nós Ultimate Forever! Seattle. ”

“Sua ladra! Brian não poderia nos trair desse jeito. Fã Clube UB, NY. ”

“Sua vaca! Brian é meu! ”

Lilly notou o olhar perdido de Daniel. Conhecia muito bem aquela expressão de não-sou-correspondido. Achou melhor não apertar demais a corda e segurar a curiosidade. Continuou a jogar os cartões de felicitações dentro da valise. Riu com muitos deles e assustou-se com outros. As fãs eram doidas.

... ... ... ... ♥♫♥♪♥ ... ... ... ...

Lilly respirou fundo para controlar o nervosismo. Ela não daria o braço a torcer, mas todos tinham razão em insistir na SUV blindada. Se a saída do estádio já tinha sido uma loucura, voltar foi uma operação de guerra. A multidão nos portões de carga quintuplicou. Gritaram e bateram contra os vidros escuros do carro, fazendo-o balançar.

Podia ouvir um outro exército de vozes ansiosas e animadas vindo do gramado. O estacionamento deserto, agora estava lotado em um vai e vem de fãs empolgados.

Caramba!

Deixaram as coisas no QG abandonado às moscas e foram caminhando para o acesso de “Somente credenciados”. Um grandalhão irritado na porta tentava não enforcar um grupo de fãs, que estavam insistindo para que ele desse um jeitinho de colocá-las para dentro.

O homem com cara de mau e uma prancheta na mão, saudou Daniel e mediu Lilly, que se esticou toda levantando o queixo.

— E essa aí? Sabe as regras, sem credencial nada feito.

— Não precisa de credencial, é a Lilly, esposa do Brian.

Um burburinho se formou ao redor. O porteiro riu.

— Ele deve ter um harém. Há uma dúzia de garotas dizendo a mesma coisa.

Daniel rosnou e pegou o celular.

— Libera essa merda logo, Jonny. Não me faça tirar o Brian da concentração.

Gritos de protesto de “E eu? ”... “Vai deixar essa vaca entrar? ”... “Não é justo! ”... ressoaram. Jonny ignorou as mulheres inconformadas e deu um passo para o lado deixando os dois passarem.

No corredor comprido de acesso aos camarins... Euforia era o clima... pessoas estavam de pé, outras apoiadas na parede ou sentadas sobre caixas metálicas de armazenamento. Um grupo rodeava um bando de caras esquisitos.

Lilly reconheceu o magrelo de cabelos superespetados. Ele acenou, ainda com cara de dor e o mesmo kilt sujo. Havia mais delineador naqueles olhos vermelhos do que tatuagens no corpo.

Saias supercurtas, tops minúsculos e sutiãs aparentes eram moda nos bastidores. À medida que passavam, as pessoas paravam de falar. Uns olhando com curiosidade, outros com desprezo.

— Os boatos voam por aqui. Bem-vinda à fama, senhora Pierce. — Daniel sorriu e a puxou apressado.

A adrenalina de Lilly subiu junto com a excitação quando focalizou as portas duplas com um enorme Ultimate Bet em letras douradas e estrelas. Riu.

Tão clichê!

Entraram...

Nossa, Mãe!

A primeira reação dela foi dar meia-volta. A sala estava abarrotada. Era assim que eles se concentravam? Escaneou o lugar à procura dos amigos. Viu Mark em um canto, conversando animado com o Ursão e uma mulher alta de longos cabelos negros.

— Lilly! — Penne saltou do meio de alguns fãs. — Que bom! O Brian estava me deixando louca. Perdeu o celular?

A guitarrista a abraçou do jeito pêndulo, fazendo Lilly quase perder o equilíbrio. Penne estava sexy, olhos marcados e um macacão frente única preto. Cabelos selvagens.

— Desligado. As mensagens da Ava têm me torrado a paciência. Cadê o Brian?

— No vestiário com o Big. Eles sempre se isolam minutos antes do show.

Um flash pipocou.

— Jornalistas! — Penne bufou, deu de ombros e puxou-a pela mão indo em direção ao Mark. Não quero o Mark! Quero o Brian! — Precisava ter visto isso aqui há cinco minutos. Cheio de fãs de uma rádio. Acredita que uma louca atacou o Big e arranhou o rosto dele?

A expressão alegre de Penne transformou-se em puro desgosto, ao passar perto de Adan e uma morena a tiracolo. Ele estava com uma garrafa de conhaque na mão. Descalço e sem camisa, com seu peito viking ainda mais impressionante. Ele sorriu e levantou a garrafa, quando viu Lilly.

— Ele anda em uma fase Kurt Cobain — desdenhou Penne.

— Garota, você está quente! Que bunda é essa? — Gabe!

Lilly virou e quase caiu para trás. Gabe estava muito gato! Jeans preto justo e uma camiseta preta colada demarcando o tórax de surfista. Ele está maquiado? Não era imenso como Adan ou forte e definido como Brian, mas era definitivamente um cara sexy. Os cabelos de anjo, molhados pelo gel e a tatuagem multicolorida cobrindo um braço.

— Oi, Gabe. Nossa, uau! Está um gato! — E maquiado... Lilly sorriu sincera.

O baixista pôs um braço ao redor do ombro dela.

— Sabia que preferia a mim, Bonequinha!

— O tapa que tomou há cinco minutos não foi suficiente, Gabe? — Penne a puxou, trazendo a amiga para si. — Fica brincando com fogo, fica. Vai acordar todo mijado.

Lilly riu. Tudo na vida de Penne sempre acontecia há cinco minutos.

Uma garota junto de Gabe fez cara de nojo.

— Essa aí... é ela, não é?

— Não te interessa, Diana. Dá um tempo! Circulando — Gabe dispensou a sirigaita.

A mulher bufou, mediu Lilly e saiu andando em direção a um engradado de cerveja.

Uau! Que simpática! Prazer em te conhecer, Diana!

— Onde fica o vestiário? — O coração de Lilly batia de ansiedade. Não quero o Gabe, quero o Brian, poxa vida. Ela não devia querê-lo tanto, mas queria. A simples perspectiva de tê-lo tão perto, matava qualquer razão.

Dane-se!

... ... ... ... ♥♫♥♪♥ ... ... ... ...

 

Agonia. Era o sentimento de Big ao ver Brian não parar de se mexer. O cara parecia ter um bando de marimbondos sob as calças. Agradeceu a Deus por não ser um sentimental. Ele não tinha nenhum interesse em relacionamentos românticos. Só davam problema. Viu o desastre que Brian e Penne ficaram ao terminarem seus namoros e também jamais iria esquecer a desilusão do seu pai, quando a mãe, que parecia uma santa, o traiu.

Não!

Nada de relacionamentos.

Nada de cair de quatro por meninas doces. Amava Lilly, era a sua bonequinha, porra! Entretanto, estava com dó do amigo. Achou que ele seria um perigo para ela e, pelo jeito, errou feio.

Deus me livre!

Big franziu a testa só de imaginar-se no lugar do amigo... rendido. Deus me livre! Ficar caído por uma mulher não era para ele. O Gladiador tinha sofrido tanta rejeição na adolescência, por causa do seu tamanho, que hoje amava a atenção que recebia de várias mulheres ao mesmo tempo. Super-recomendava, ser músico, rico e prostituto sem amarras.

— Foi aqui que os meus dois músicos preferidos se esconderam?

— Lilly, porra!