Enlaçados: Sex and Rock

Anne Krauze · Capítulo 35 de 50

Páginas do PDF

Enlaçados: Sex and Rock

Capítulo 33

Uma brisa fresca, vinda do mar, balançou as cortinas e varreu o corpo de Brian,

acordando-o. Ainda de olhos fechados, esticou o braço e apalpou a cama imensa.

— Lilly? — Abriu os olhos para constatar o óbvio. Estava só.

Checou o celular na cabeceira... Uau! Quase meio-dia. Espreguiçou-se e sorriu. Fazia tempo que não acordava tão tarde e tão bem-disposto.

— É isso aí... efeito Lilly — falou para si mesmo.

No meio da madrugada, ele fora surpreendido por uma Bela ansiosa por mais sexo. Ele estava impressionado como os dois se encaixavam bem. Juntos, vinham se descobrindo desinibidos e esfomeados. Era muito louco, mas Brian podia jurar que Lilly estava diferente, o despertar da sexualidade lhe trouxera um algo a mais. Transaram de forma apaixonada até os primeiros raios da manhã.

Repleto de lembranças sensuais, Brian levantou e foi para a varanda. O dia estava azul e o sol quente esquentou a pele dele, enquanto escaneava a praia à procura de Lilly. Gabe surfava ao longe, com Mel e Dani o observando da areia. Adan estava no deck da mansão praticando ioga, enquanto Mark andava de um lado para o outro com o celular grudado no ouvido.

Uma brisa suave balançou as folhas das palmeiras e um bando de pássaros partiu em revoada. Brian mudou de foco e avistou um grupo barulhento próximo das pedras. Eles riam e flertavam em uma sensualidade forçada... Observou-os por alguns instantes e reconheceu alguns deles... eram os astros de um seriado da moda. Provavelmente, estavam ali a convite de Ig

Sharon [68], um badalado diretor da FOX que morava no condomínio há dois anos.

Brian bufou, não curtia muito, alguns tipos superficiais do cinema.

Ele estremeceu e uma sensação antiga e sufocante o incomodou. Droga! Não queria ressuscitar fantasmas do passado, ele tinha superado aquela merda toda. Inspirou e expirou lentamente para afastar a ansiedade. Lamentou não estar na bolha protetora do QG móvel, onde tinha controle de tudo e os predadores ficavam de fora.

Brian coçou a barba, sabia que estava sendo irracional. Lilly não pertencia àquele mundinho de futilidades, egos e interesses. Aqueles olhos castanho-esverdeados explodiam em sinceridade, mas mesmo assim... ele era gato escaldado, não a queria tão solta por aí.

Angustiado, por pouco não saiu pelado do quarto... Mania do caralho! Era comum andarem nus pela mansão da banda, mas a simples ideia de cruzar com Marie o aterrorizou. Assustar uma senhorinha tão doce, com seu pau a meio mastro, não ia rolar. Tomou uma chuveirada rápida, vestiu uma camiseta branca, uma calça jeans desgastada e desceu descalço.

Encontrou Marie na sala afofando as almofadas.

— Bom dia, senhor Pierce.

— Bom dia... e pode me chamar de Brian — disse educadamente. — Senhor Pierce soa muito canastrão. — Como o meu pai, pensou, mas guardou a opinião só para ele.

— Ah... entendo... — Uma certa confusão surgiu no rosto da governanta, mas logo em seguida, ela sorriu compreensiva.

— Marie... — Brian se sentiu um pouco constrangido, mas precisava agradecer. — Ah... ontem à noite. Aquilo que fez no quarto... ficou do caral... hum... é... ficou muito bom, obrigado.

A governanta riu do embaraço dele.

— De nada, só quero vocês dois felizes. — Olhou-o com ternura. — Gostaria de ter seu café da manhã? Posso servir a mesa na sala de jantar ou na varanda. O dia está maravilhoso.

Apesar de estar com fome, comer não era prioridade no momento.

— Não precisa se preocupar. — Sorriu tímido. — Depois eu pego alguma coisa na cozinha.

— A dona Sarah ligou. Quer saber se irão almoçar lá.

— Não, acho que hoje não vai rolar. Viu a Lilly por aí?

Maria gostou que ele estivesse ansioso em vê-la.

— A menina está no ateliê. — Ela afofou uma última almofada e foi na direção da varanda.

— Ela está trabalhando?

— Pois é, falei pra ela aproveitar o sol, mas acordou e foi direto pra lá. O Antoine apareceu há cerca de uma hora. — Marie o chamou para perto e notou a expressão de Brian ficar desanimada. — Por que não vai encontrá-la? Acho que ela vai adorar a surpresa.

— Será? Não quero bancar o intrometido.

— Imagina, Lilly está ansiosa para te mostrar o ateliê. Minha menina gastou um bocado de energia decorando o lugar...

Brian gostou do “minha menina” e gostou bem mais que Lilly o quisesse lá. Apesar dele não ter manias e de conseguir compor em qualquer lugar, não entendia nada sobre o processo criativo na pintura. Adan, ao contrário dele, preferia o silêncio e a solidão para escrever as letras, sua mãe isolava-se no estúdio.

Seguiu o caminho apontado por Marie e andou pelo jardim florido, cheio de árvores e folhagens. O pequeno chalé adaptado em ateliê ficava nos fundos do terreno ao pé do morro. O cheiro das árvores frutíferas lhe conferia um ar bucólico. A reserva de Dreams Beach era especial por causa disto: a mistura perfeita entre a praia e a mata.

Antes de bater na porta, Brian hesitou um momento. Eles não tinham conversado sobre limites, nem sobre a necessidade de individualidade de cada um... Foda-se... Ia ter que descobrir na prática. Bateu com firmeza.

Uma montanha de músculos abriu a porta.

— A porta estava aberta, entre. — O homem examinou Brian da cabeça aos pés descalços. Depois, deu um passo para o lado e ficou esperando que o músico entrasse ou dissesse alguma coisa.

O guitarrista não se mexeu. Ele precisava de alguns segundos para absorver a informação. Camisa pólo, mocassins e gel no cabelo.

Puta que pariu!

Eu mereço!

Brian sabia que o agente de Lilly era inglês. Tinha imaginado alguém baixinho e parecido

com o [69] Mister Bean, não um sósia do 007, Daniel Craig. Ele sorriu de sua má sorte e entrou.

— Oi... Antoine, né?

— O próprio. — O agente abriu um meio sorriso. — E você, claro, é o famoso Brian Pierce.

Sem saber se o famoso era elogio ou não, Brian devolveu o mesmo sorriso.

— Em pessoa.

A situação era um tanto quanto constrangedora para Antoine. Lilly pareceu bastante radiante com a troca de maridos, mas estava preocupado. A coisa toda era muito maluca. Brian até podia ser um homem legal, mas músicos eram músicos e as coisas que tinha lido a respeito dele não eram lá muito animadoras; um mulherengo de marca maior.

— Parabéns pelo casamento.

Brian sentiu uma certa ironia, mas não teve certeza. Os ingleses eram famosos por terem um humor negro, não eram?

— Obrigado — respondeu com simpatia. — Ah, e obrigado pelas dicas, a Lilly curtiu as tintas.

— Imagino que tenha curtido. — Apontou o mezanino. — Ela está lá em cima separando umas telas.

— Beleza. — Brian virou-se na intenção de ir atrás dela.

— Espera... — Antoine disse em um tom sério fazendo Brian voltar-se para ele.

O músico encarou o agente com firmeza.

— Algum problema?

— Só se pisar na bola... Lilly sofreu o pão que o diabo amassou com aquela irmã. Pensei que, dessa vez, ela fosse quebrar. — Antoine respirou profundamente. — Ela parece feliz, acho bom...

— Opa! Pera lá... — Não gostando nada do rumo da conversa, Brian o interrompeu. — Acha bom o quê? Eu conheço a história toda. Sei muito bem dos golpes que sofreu. Aonde quer chegar com esse papo? Seja direto, Antoine.

— Andei lendo umas coisas ao seu respeito. — O empresário colocou as mãos nos bolsos em um gesto arrogante. — Minha pequena não é uma dessas fãs malucas e deslumbradas que você costuma comer e jogar fora. Acho bom não brincar com ela. Se eu souber...

O quê? Qual é a dessa cara? Minha pequena, o caralho!

Inglês filho da puta!

— Se não quiser ter um olho roxo, é bom parar... — Brian levantou o punho indicando a ele que tinha ultrapassado todos os limites. O preconceito e a possessividade impressos na voz de Antoine, fizeram o tigre no interior de Brian urrar. Teve vontade de meter um soco na cara do sujeito, mas fechou os olhos, apertou o topo do nariz, enquanto contava até dez.

Calma!

Não caia na dele.

Com o sangue entrando em ebulição, Brian respirou fundo. Olhou ao redor e o ateliê era de um tom amarelo-claro e repleto de objetos delicados: cortinas esvoaçantes, abajures, mesinhas, banquinhos, cavaletes, vasos com flores. Brigar e quebrar tudo aquilo estava fora de cogitação. Pensou rápido e decidiu por uma abordagem menos física, mas não menos eficaz. Precisava deixar bem claro para o otário quem era o dono do lugar.

— Vou te dar um conselho, Antoine... — a cordialidade sumiu da voz de Brian e o tom agora, era baixo e quase ameaçador: — Não se meta comigo, sou capaz de ir até o inferno para defender a Lilly. Então, foda-se o que leu ao meu respeito, não vou perder tempo explicando como funciona a imprensa marrom ou dizendo quem eu sou. De agora em diante, concentre-se no que é da sua conta... e só. Deixe que eu assumo daqui... e da felicidade da minha mulher, cuido eu. — Brian o encarou com fúria. — O marido sou eu, não você. Não vou admitir que ninguém se intrometa entre nós. Portanto, enfie os seus “achômetros” no cu. Estamos entendidos?

Músico, filho da mãe!

Pego de surpresa, Antoine engoliu em seco e assentiu.

— Ok, entendidos — disse controlando a ira e tendo que admitir: o músico era corajoso. Por causa do tamanho, poucos se atreviam a desafiá-lo.

O ar ficou pesado e um silêncio incômodo estabeleceu-se.

— Que falação é essa aí embaixo? Quem está aí com você, Antoine? — Lilly gritou de algum ponto cego no mezanino.

— Eu, Bela! — Brian também gritou. — O homem da sua vida! — emendou por pura provocação, apesar de, no fundinho, desejar isso mesmo... Ser o homem da vida dela.

Lilly surgiu no topo da escada.

— Brian, que bom que está aqui! — Ela sentiu o coração disparar, assim que o viu. Depois, os olhos brilharam e a pele ganhou um tom rosado.

A visão de Lilly na escada roubou os sentidos de Brian... Deslumbrante! De repente, toda a raiva evaporou. Ele esqueceu a disputa territorial e correu subindo os degraus de três em três para ajudá-la com as telas que carregava.

— Deixa isso comigo.

Lilly sorriu com cautela, entregou as pinturas e desceu atrás dele. Mas foi pôr os pés no piso térreo, para sentir a tensão que tinha notado na expressão de ambos. Desconfiada, olhou de um para outro.

— Tudo bem por aqui?

Estaria melhor se esse babaca sumisse do planeta e você não estivesse tão gostosa nessa roupa.

Merda!

Brian cogitou soltar os quadros, pegar o xale no sofá para cobri-la, mas respirou... Que é isso, cara?! Pensa! Bancar o ciumento troglodita seria patético.

Com um olho no xale e outro no babaca, Brian adiantou-se.

— Mais que bem. — Ficou na frente dela tampando a visão do empresário. — Não está com frio? Quer o xale? — cochichou.

Lilly seguiu o dedo dele e riu.

— Aquilo ali é para o sofá, estou bem, obrigada. — Depois arqueou a sobrancelha. — Foi impressão minha ou está rolando uma certa tensão por aqui?

Droga.

— Nenhuma tensão. — Brian sorriu para o empresário, que estava sem reação e boquiaberto. — Pelo contrário, o Antoine me dizia como está feliz e torce por nós. Não é mesmo, amigão?

O empresário o olhou incrédulo e disse:

— É... isso mesmo.

Porém, na verdade, ele estava reconsiderando a possibilidade de retribuir o enfie os seus “achômetros” no cu com um cruzado de direita.

Lilly deu um suspiro de alívio. Sua conversa inicial com Antoine não tinha sido exatamente agradável. Apesar da procura por suas obras terem aumentado depois de Vegas, o Marchand era contra o casamento e mais contra ainda, que ela continuasse em turnê. Chegou ao ponto de ter que interrompê-lo e ser firme. Quanto preconceito! Brian não era nada daquilo que ele dissera e ninguém iria ditar regras sobre o relacionamento dela.

— O Antoine apareceu aqui de surpresa. — Ela sentiu necessidade de explicar que a visita não foi um convite. — Precisávamos acertar alguns detalhes. A exposição em Londres ainda vai demorar, mas, como vou voltar para a estrada, não quero deixar nenhuma pendência.

Ela quer voltar para a estrada?

Brian colocou os quadros junto de um sofá de couro amarelo-claro.

— Tem certeza sobre continuar na turnê? Não quero que o meu trabalho prejudique o seu. — Foi sincero e desejou que estivessem sozinhos. A imagem dela naquela saia jeans e camiseta banca justinha, estavam fazendo com que partes do corpo dele acordassem.

— Tenho, e não prejudica. Tirando um compromisso ou outro, posso trabalhar de onde eu bem entender. — Deu ênfase no eu, olhando para Antoine e depois aproximou-se de Brian, abraçando-o pela cintura.

Um calor bom atingiu em cheio os sentidos dele, que passou o braço ao redor do ombro da esposa.

— Mas, dessa vez, nada de ficar presa no QG. O Mark está fazendo um levantamento de todos os parques e museus das cidades agendadas na turnê.

Que novidade era aquela?

Lilly surpreendeu-se. Ia ser perfeito ocupar o tempo com atividades culturais, poder explorar os lugares e fugir de todo aquele cinza dos estádios.

— Está falando sério?

— Seríssimo. — Brian piscou e a beijou delicadamente. — Eu quero você feliz.

Primeiro, ela abriu um sorriso radiante.

— Eu já estou feliz! — Depois, virou para Antoine com cara de meu-marido-não-é-o-máximo? — Viu, não te falei?!

As esperanças de Antoine foram por água abaixo.

Mas que merda!

O homem foi tomado por um incômodo imediato. Aquele casamento não parecia uma farsa. E, definitivamente, havia algo novo em Lilly. Uma fortaleza e uma sensualidade que não existiam com o Will. Sentiu inveja do rock star de merda. Derrotado, ele deu um sorriso rendido.

— É, falou — admitiu e voltou-se para Brian. — Vão passar por Nova Iorque, certo?

Brian tinha nocauteado o babaca, então não custava nada bancar o gentil.

— É, nós vamos, mas ainda não tenho a data. Provavelmente, passaremos alguns dias por lá. Costumamos fazer mais de um show na cidade.

Alheia aos olhos inconformados do empresário, Lilly acariciou a barriga de Brian.

— Eu pedi para o Antoine marcar as minhas reuniões no Ballet de Nova Iorque para a mesma data. — Ela levantou o rosto querendo ver a expressão do marido. — O que acha? Vou poder trabalhar, enquanto ensaiam e cumprem os compromissos.

Brian pegou a mão delicada que lhe acariciava o estômago, beijou-a com carinho e sorriu satisfeito. Ele andava preocupado com a mecânica das suas carreiras. Sabia que não podiam ficar grudados o tempo todo e que não seria justo pedir que Lilly deixasse de lado os compromissos para segui-lo por aí. Então ela querer combinar as agendas era o melhor dos mundos.

— Eu acho perfeito, não poderia ser melhor.

A expressão de Lilly iluminou-se.

— Ótimo! Podemos continuar, então? — ela disse.

— Continuar? — os dois homens perguntaram ao mesmo tempo.

Para agonia de Brian, Lilly quis repassar a agenda e as planilhas de contabilidade. O músico surpreendeu-se. As cifras individuais das obras dela ultrapassavam os milhões. Sabia que ela era uma artista badalada, mas não que era o principal nome de sua geração, acumulando um patrimônio impressionante.

Mas é claro!

Finalmente, entendeu o porquê do tio dela insistir tanto no lance do contrato de casamento. A artista Lilly Peterson estava podre de rica. Não dependia em nada da herança dos pais, era financeiramente independente e segura para o resto da vida.

— Acho que encerramos por aqui — Antoine disse, louco para ir embora.

— Belo trabalho — Brian foi sincero.

O empresário estava claramente muito a fim da Lilly, mas Brian não se sentia ameaçado. A esposa parecia não o notar, e Antoine não era assim um predador inescrupuloso. Ao contrário, estava mais para um idiota arrogante, incrivelmente competente e honesto. Qualidades raras que amenizavam a vontade de Brian chutá-lo para longe.

— Bom, é melhor eu ir. — Antoine fechou o computador e recolheu os quadros, pronto para partir.

— É, melhor. A gente te leva até a porta. — Lilly pareceu tão ansiosa para o empresário ir embora quanto Brian, que suspirou aliviado, ansioso para testar o sofá do ateliê.

Assim que a porta se fechou, Brian disse, esmagando-a contra a madeira:

— Não aguento esperar até chegarmos no quarto.

Uau!

A pulsação dela foi às alturas.

Sem perder tempo, as bocas se juntaram em um beijo safado, enquanto as mãos dele alcançaram a barra da saia subindo lentamente.

— Você ficou muito abusada nessa coisinha — murmurou e infiltrou um dedo no meio das pernas dela. Com delicadeza, afastou a calcinha para o lado e tocou a boceta macia.

Ai, caramba!

Os joelhos de Lilly fraquejaram. Era tão bom ser tocada por ele. Cheia de desejo, ergueu a perna pressionando a panturrilha atrás do joelho de Brian para lhe dar um acesso melhor.

— Hummm, gosto tanto dos seus dedos — gemeu baixinho.

— São todos seus. — Brian moveu o dedo e provocou a abertura sedosa, adorando a umidade que encontrou. Seguiu explorando até tocar o alvo. — Quero você gozando que nem louca — sussurrou e mordeu o macio da orelha pequenina.

Tudo era tão avassalador... Lilly segurou nos ombros dele, gemeu e começou a rebolar lentamente.

— Mulher deliciosa — ele grunhiu, antes de provocar o clitóris com movimentos circulares

— Brian... — Ela tentou abrir-lhe a braguilha. Precisava daquele pau. Deus! O que estava lhe acontecendo? Certamente, as delícias da penetração mexeram com a cabeça dela. Lilly passou a manhã inteira obsessiva, desejando aquele corpo e as sensações que ele provocava. — Me come... — implorou.

— Só se for agora.

Em um segundo, Brian se livrou das calças. Lilly envolveu as pernas em torno do quadril dele, que meteu nela com força e vontade. Ela arquejou e a cada investida, suas costas subiam e desciam pela porta.

Brian não queria ser gentil. Precisava marcá-la como um selvagem. Aquele puto do Antoine despertou nele sentimentos de posse sobre Lilly.

— Isso... isso... com força — ela exigiu com a respiração entrecortada. — Caramba! Isso... com força...

Brian animou-se. Afundou o rosto no pescoço de Lilly e mandou ver, perdendo-se nas sensações do sexo selvagem.

Um som oco vibrou atrás dela.

— A cabeça, cuidado! — ele grunhiu, mas não diminuiu o ritmo.

— Não é a cabeça... — ela murmurou entre o êxtase e pavor. — A porta... estão...

— Lilly, querida!

Hã?

O corpo de Brian retesou e ele parou as investidas. Azuis-violeta e castanho-esverdeados se encontraram arregalados.

— Diz pra mim que não é a Marie atrás dessa porta.

O som oco se transformou em batidas urgentes.

— Lilly, o tio Ed está lá na sala. Ele veio conhecer o Brian.

Puta merda!

Brian broxou.

... ... ... ... ♥♫♥♪♥ ... ... ... ...

 

Poucos dias depois...

 

— E a Bonequinha? — Adan acelerou a passada na areia macia.

As panturrilhas de Brian estavam ardendo, a corrida já durava uma hora.

— No ateliê, adiantando umas coisas para Londres.

Adan encarou Brian com cautela, alguma coisa o estava angustiando.

— Como estão? Faz uma semana que não dão as caras.

— Nós? — Brian olhou confuso.

Uma semana?

Depois de Antoine e do tio Ed, eles andaram evitando as visitas, mas...

Uma semana?

Será?

— Não, otário! O Big e aquela madrasta maluca que o raptou! — Adan socou o braço do amigo. — Claro que você e a Lilly!

Com o braço formigando, Brian parou e inclinou o corpo apoiando as mãos nos joelhos. Queria rir, mas estava sem fôlego. Respirou fundo. Se a mãe verdadeira de Big não valia nada, a madrasta era uma verdadeira mãe ursa. Ficou uma fera porque ele não avisou que estaria na cidade, invadiu a mansão e o arrastou pela orelha. A mulher era uma guerreira na coisa de manter pai e filho unidos.

— Apesar do mundo à nossa volta parecer ter enlouquecido, nós estamos bem. — Brian levantou a cabeça e cobriu os olhos para proteger do sol. — Muito bem, na verdade. Temos nos dedicado a explorar todos os cômodos da casa. Estou ficando craque em rapidinhas furtivas e silenciosas. A Marie tem um ouvido biônico.

Gargalhando, o vocalista tirou a camiseta e limpou o suor do rosto. Apesar da brisa fresca vinda do mar, era mais um daqueles dias ensolarados em Los Angeles.

— E o tio Ed? Aprontou mais alguma?

— Não, acho que acalmou depois de vasculhar a minha vida, ameaçar cortar o meu pau e me fazer prometer que não irei magoar a Lilly. — Brian sentou na areia e observou o mar por alguns instantes. — Tenho que agradecer a minha mãe... Sarah fez um trabalho incrível quando o velho foi procurá-la. Acredita que até o meu boletim escolar ela mostrou para ele?

Os amigos riram.

— Acredito. Sua sorte foi ele ir atrás da Sarah. Seu pai teria acabado com a tua raça — Adan arrependeu-se do comentário assim que terminou de falar. — Foi mal, cara, não deveria ter dito isso.

— Relaxa, o Ian é mesmo incapaz de elogiar qualquer um que não seja ele próprio. — Brian levantou-se. Tirou os tênis e a camiseta. — Mergulho?

Adan fez uma cara desacreditada.

— Não, isso é coisa para o Gabe ou para as mocinhas... — Riu. — Eu topo uma disputa até as pedras.

Brian saiu correndo para o mar, sabendo que seria derrotado. Ele estava destruído da corrida. Já o Adan era um monstro nos esportes, capaz de virar a noite na farra e correr uma maratona no dia seguinte.

... ... ... ... ♥♫♥♪♥ ... ... ... ...

 

Meia hora depois, Brian estava no chuveiro. A água gelada aliviou as dores musculares, mas foi incapaz de afastar a angústia. Ele vinha fugindo do almoço em família, mas não tinha mais escapatória, nem desculpas. Em poucas horas estaria de volta na mansão Lincoln.

Será que é tão difícil ter paz?

— Ai, socorro! Estamos sendo invadidos!

Brian ouviu Lilly berrar a plenos pulmões do quarto.

Invadidos? Sim, nada de paz!

Todos os alarmes internos do músico dispararam... Perigo! Ele saiu como um foguete do chuveiro e correu para socorrê-la. Avistou-a na varanda, paralisada diante de um drone. Mas, o quê? À beira de um ataque cardíaco, ele percorreu a distância entre eles.

— Calma, estou aqui! — Colocou o corpo à frente para protegê-la. — De onde veio essa merda? — Lilly continuou imóvel com os olhos em pânico. O drone subiu e desceu escaneando o corpo dele e voltou a pairar fazendo um som irritante. — Filho da puta! — Com um golpe rápido e certeiro, Brian socou a pequena aeronave que rodopiou, rodopiou, rodopiou e se estatelou lá embaixo na areia.

Brian virou-se para a esposa, segurando-a pelos ombros. Graças a Deus está vestida! Um certo alívio desenhou sua expressão.

— Tudo bem com você? Está machucada?

— Não... que troço era aquele? — Lilly estava tremendo. Aquela coisa simplesmente surgiu na sua frente. — Cuidado! Está vindo outro!

Brian ficou cego de raiva.

— Entra! — Empurrou Lilly, que cambaleou e caiu de bunda no chão do quarto. — Desculpa, amor! — gritou desesperado, mas sem tempo para socorrê-la, pegou uma cadeira na varanda e a lançou na direção do segundo drone. — Tomem isso, seus paparazzi, filhos da puta! — rugiu e quando viu que tinha acertado o alvo, correu para dentro e ajoelhou-se ao lado de Lilly.

— Desculpa, desculpa, desculpa... — Cheio de remorso, encheu o rosto dela de beijos. — Desculpa, machuquei você? — Abraçou-a.

Perplexa, ela o olhou.

— Você me chamou de amor.

Confuso e ainda com raiva, Brian balançou a cabeça.

— O quê?

— Você me chamou de amor — ela repetiu.

— Chamei?

Quando?

— Chamou. — Ela parecia chocada.

Brian levantou uma sobrancelha.

— E foi ruim?

— Acho que até gostei. — Lilly quase sorriu antes de reparar que a mão direita dele estava machucada. — Meu Deus, você está sangrando!

Brian espalmou a mão e percebeu o corte. Com a adrenalina correndo solta nas suas veias, ele não sentia dor.

— Não é grave.

A porta do quarto abriu com tudo, surpreendendo-os. Primeiro entraram o Adan e o Gabe.

— Cara, que irado! — Gabe disse animado. — Parecia guerra nas estrelas!

— Isso é sério, porra! — Adan deu um tapa na orelha dele. — A gente estava na praia e viu tudo — explicou para o casal.

Gabe estava eufórico demais para se importar com o tapa. Quando se deu conta de que Brian estava pelado, abriu um sorriso travesso.

— Não brinca que filmaram vocês fodendo! A internet vai bombar!

— Ninguém aqui estava transando — Brian respondeu seco sem tirar os olhos de Lilly. — Eu estava no banho quando ela gritou.

— Gabe, se não calar a boca agora, eu vou te amordaçar! — Adan o ameaçou e entrou no banheiro.

Penne chegou ofegante e gritando.

— Coisa linda, eles atiraram em você? — A loirinha correu para abraçar Lilly, pouco se importando com a nudez de Brian. Os dois amigos começaram um empurra-empurra disputando o abraço. O guitarrista venceu a briga e não desgrudou de Lilly.

— Não, mas o Brian socou os troços e... — Ela agarrou-se a ele e começou a chorar.

Com todo cuidado, ele a pegou no colo e depositou na cama.

— Tá tudo bem agora, passou. — Beijou-a na cabeça.

— Que vergonha! — Ela cobriu os olhos. — Eu fui muito babaca, né? — Olhou-o por entre os dedos. — Juro mesmo, que eu pensei que estivéssemos sendo invadidos.

Brian tocou com o dedo a ponta do nariz arrebitado.

— E fomos. — Riu de nervoso. — Nunca tive a minha privacidade invadida desse jeito! — esbravejou. — Mexeriqueiros do caralho!

Lilly franziu o rosto.

— É! Grandessíssimos filhos da mãe. Ferraram com a sua mão.

Ele riu com vontade do jeitinho furioso dela.

— Não foi nada, posso até tocar. — Mexeu os dedos para comprovar.

Penne, que observava os dois, segurou a mão de Brian.

— Como não foi nada? Cacete Isso deve estar doendo! — berrou.

— O que deve estar doendo? — Adan saiu do banheiro e aproximou-se. Quando viu a mão ensanguentada sentiu um calafrio. — Cara, isso está feio. — Jogou uma toalha no colo do guitarrista e começou a examiná-lo.

— Ele é teimoso, está dizendo que não foi nada, mas precisa de um médico. — Lilly segurou a mão boa de Brian para reconfortá-lo.

Começaram uma discussão acalorada, queriam, a todo custo, levá-lo para o hospital. Irritado, Brian deu as costas, vestiu uma bermuda e desceu em disparada. O corte na mão era superficial, depois procuraria um médico. Foi direto para a praia onde Mark estava às voltas com os seguranças. Sua prioridade era descobrir quem tinha enviado os drones e por quê? Ele mantinha uma boa relação com a imprensa, mas maçãs podres existiam em qualquer lugar.