Enlaçados: Sex and Rock
Capítulo 43
A melodia de ondas quebrando na areia foi, aos poucos, despertando Brian. Ele
entreabriu os olhos e voltou a fechá-los. Deitado de bruços na cama, estava suado e com o coração disparado... Um despertar não tão atípico para ele. O sono dele sempre costumava ser difícil quando trabalhava ao ponto de exaustão.
Porra de pesadelo.
Novamente, entreabriu e fechou os olhos...
Melhor assim...
Agora estava sonhando com o quarto deles em Los Angeles, e parecia tão real... Então inspirou, deixando que o cheiro familiar de Lilly e a maresia o acalmassem...
Lilly...
Ele esticou o braço à procura da Pequenininha. Sentia falta dela. Tateou o colchão e nada. Virou o pescoço e quando o lado esquerdo do rosto dele deslizou contra o macio do travesseiro, a dor e a consciência o atingiram como um porrete.
Puta que pariu!
Pesadelo, o caralho!
Girou o corpo dolorido e sentou-se na cama. A luminosidade, que vinha das frestas da veneziana, agrediu os olhos dele e a cabeça... Porra! ... estava doendo como um inferno. Dobrou as pernas e com os cotovelos apoiados nos joelhos, esfregou as têmporas, na tentativa de parar as batidas de mil bumbos que as faziam latejar.
Precisava de água. De um frasco inteiro de aspirinas e do perdão de Lilly. Desconfiava de que tinha pisado feio na bola com ela, mas estar em casa, no quarto deles, tinha que ser um bom sinal.
Não tinha?
Cheio de perguntas, Brian arrastou-se para fora da cama e foi para o banheiro. Queria desesperadamente falar com Lilly, mas não podia ir atrás dela daquele jeito... Não correndo o risco de cruzar com Marie e Max, naquele estado lamentável. A cegueira provocada pela raiva não o comandava mais. Agora, tudo o que sentia eram ressaca, dor, vergonha e um medo tremendo de ter posto tudo a perder com a Pequenininha dele.
Chega de me expor.
Olhou-se no espelho e tocou o rosto machucado. Havia um corte no lábio inferior e o olho esquerdo estava um pouco inchado e arroxeado. Merda! Examinou as mãos e os nós dos seus dedos estavam escoriados. Mexeu-os e, apesar de machucados, não sentiu fratura alguma.
Arrancou as roupas, que sabia que não havia vestido, e entrou no boxe. A água fria avivou as lembranças do dia anterior...
A conclusão da trilha sonora, a celebração, o desejo pungente de encontrar-se com Lilly, a ansiedade, Ian ali, o choque de reviver a mesma cena de anos atrás, a decoração romântica... flores... taças de champanhe e Lilly seminua sob o pai, com as pernas flexionadas e as mãos atadas nos cabelos dele... a fúria... a briga... as palavras ferinas...
Agora, com a razão recobrada, ele sabia que ter fugido e se embriagado tinha sido a pior das alternativas e envergonhava-se por tal atitude, mas naquela hora, quando se viu a um passo de cometer uma loucura sem volta, só pensou que precisava correr para longe do pai.
Eu não sou como ele!
Não queria ferir ninguém, então saiu do hotel e acenou para um táxi, assim que virou a esquina e foi direto para o clube privativo que a banda costumava frequentar em Nova Iorque. Bebeu todas... bebeu mais... bebeu tudo o que pôde... desabafou... chorou... gritou com Diana, quando ela apareceu. Gritou mais, quando ela afirmou que o pai sempre conseguia as mulheres que queria, e saiu cambaleando quando a desgraçada falou que não seria diferente com Lilly.
... ... ... ... ♥♫♥♪♥ ... ... ... ...
— Ela deve estar nos braços dele agora. O Ian é um predador, aquela franguinha não tem a menor chance.
— Vai à merda, Diana...
... ... ... ... ♥♫♥♪♥ ... ... ... ...
Merda!
Não se lembrava de mais nada.
Saiu do chuveiro e foi para o closet enxugando-se pelo caminho. As malas de Nova Iorque e algumas novas estavam ali intocadas no chão, ao lado de dezenas de sacolas. Ignorou tudo e vestiu a primeira bermuda e camiseta que encontrou. Descalço, saiu do quarto e deu de cara com Max, Mel e Adan parados no corredor.
A cara deles não estava nada boa.
Caralho, o que foi que eu fiz?
— Com o tanto que bebeu, pensei que fosse acordar só amanhã. — Sem sorrir, Adan foi até ele. — Sinto muito pela merda em Nova Iorque. — Pressionou o ombro do amigo.
— O que estão fazendo aqui? — Um arrepio percorreu a coluna de Brian. — Por que estão com essa cara de velório? Deus, eu a machuquei, não foi? — Antes que Adan tivesse a chance de responder ou impedi-lo, Brian precipitou-se para a porta do quarto de hóspedes e a abriu.
Daniel saltou de uma poltrona, assim que viu o amigo entrar.
— Que caralho? — O corpo de Brian congelou. — Deus! O quê? E a Lilly, cadê ela? Por que o Gabe está aqui, e desse jeito? — Apontou para a cama com as mãos trêmulas.
Deus, não permita que eu seja o culpado por isso também!
O coração de Brian deu várias guinadas.
Em meio à penumbra, Gabe estava apagado na cama, com o rosto cheio de hematomas, como tivesse se chocado de frente com um trator.
Uma mão delicada tocou o antebraço de Brian e ele girou a cabeça até encontrar Mel.
— Acalme-se... parece pior do que é. — A morena sorriu gentilmente. — O médico passou por aqui mais cedo e disse que ele ficará bem, e quanto mais descansar, melhor. Deu-lhe algo que o fará dormir até amanhã.
— O que aconteceu? — a pergunta de Brian saiu em um sussurro.
— Não sabemos... ele estava apagado quando o resgatamos — foi a vez de Max dar um passo à frente e se manifestar.
— Resgataram? Ele foi sequestrado? Onde? — Brian teve vontade de socar a parede, mas controlou-se.
Todos eles estavam relapsos demais com a segurança. Aquela coisa de saírem escondidos tinha passado dos limites.
— Não, nada de sequestro. Nós o encontramos em um beco... — Mel deu uma explicação rápida, incluindo o telefonema que recebera de Lilly, ainda em Nova Iorque, e o pedido feito por Gabe para manter Mark por fora.
Brian assentiu. O empresário que ficasse curtindo os dias de folga ao lado do Ursão dele. O próximo show seria em Atlanta dali a cinco dias, então não valia a pena tumultuar as coisas.
— Eu achei melhor avisar ao Adan. — Daniel mostrou-se constrangido, apesar de todos acreditarem que ele fizera o certo. — O Gabe não queria, mas sei que vai precisar de todo o apoio possível. A Penne e o Big estão na casa dos pais, e até voltarem, ele já terá acordado.
Brian sentou na cama e pegou na mão de Gabe.
— Sinto muito não estar aqui por você — disse baixinho e ficou quieto. Ele precisava de alguns segundos para absorver as informações. Sabia que East LA era um bairro barra pesada frequentado por viciados. Ficara surpreso quando a jornalista contou que o baixista parecia drogado, e que o médico havia colhido amostras de sangue.
Merda! Merda! Merda! De novo não!
Ele sentiu-se um bosta, estivera tão envolvido com tudo que vinha acontecendo entre Lilly e ele, que descuidara-se do amigo. Apesar da máscara de felicidade, Gabe era um cara sensível e solitário, e por um tempo as drogas foram sua única fuga.
Porra, Gabe, por quê?
Com um suspiro, Brian levantou e começou a andar de um lado para o outro.
— E a Lilly? — Olhou para os três e não gostou nada do ar de piedade que encontrou na expressão deles. — Onde ela está? Preciso vê-la.
Adan respirou fundo.
— Não nervoso desse jeito — disse com a autoridade que lhe era peculiar.
Contrariado, Brian disparou contra o vocalista alguns palavrões.
— Precisa se acalmar — Mel pediu com delicadeza.
O rosto de Brian suavizou, mas não muito.
— Só vou me acalmar quando falar com ela. Deus! — Puxou os cabelos. — Ela está machucada? — desesperou-se de vez.
— Calma! Está tudo bem com ela... Só foi caminhar até as pedras. — Daniel procurou acalmá-lo. — Vai com calma, Lilly está exausta. A noite foi uma merda, a viagem, longa, e a coitada não pregou o olho desde que Gabe ligou — fez uma pausa e cerrou os olhos ao notar que Brian já estava de costas para ele e a um passo de sair do quarto. — Espera, cara!
Brian girou o corpo ao ouvir o tom imperativo na voz do segurança.
Daniel lançou um olhar quase furioso.
— Se ontem foi dureza pra você, imagina para a Lilly... A mulher foi guerreira e lidou com tudo com uma força impressionante. Enfrentou o seu pai, foi atrás de você, brigou com a Diana como uma leoa e aturou a sua bebedeira... Se liga, cara... ela não te largou nem por um segundo... então pega leve, ok? Sabe que o Ian...
— Tudo o que eu sei é que, chega! — apesar de envergonhado com o que acabara de ouvir, Brian interrompeu Daniel. — Aquele merda do meu pai foi longe demais... longe demais... — Virou-se e saiu.
E eu fui um fraco!
Desceu as escadas e atravessou a sala em direção à varanda. Aliviado por não encontrar Marie, passou pelos decks, com os olhos fixos na praia, e assim que seus pés tocaram a areia, correu em direção à encosta que ficava no canto direito da praia.
Avistou a silhueta de Lilly em cima da pedra mais alta e acelerou a corrida. Os raios de sol que insidiam atrás dela e o vento que brincava com os cabelos fininhos a faziam parecer como uma miragem divina.
Brian contornou o rochedo, e com as panturrilhas imersas na água, parou diante da esposa. O barulho das ondas camuflara a sua aproximação. Ele queria subir até ela, mas não sabia se seria bem-vindo. Não lembrar de boa parte do que fizera na noite anterior era desesperador.
— Pequenininha — chamou-a com cuidado.
Pega de surpresa, Lilly olhou para ele e depois para os chinelos e o casaquinho jogados na areia. Fechou os olhos e mordeu o lábio. Ai, que vacilo! A caminhada lhe dera um calor danado e nem passara pela cabeça dela que Brian pudesse acordar antes do anoitecer.
Ele fez menção de subir...
— Fique aí. — Lilly abraçou o corpo a fim de esconder as marcas nos braços.
— A gente precisa conversar.
Sim precisavam, mas ela estava magoada.
— Depende... — Deu uma boa olhada no rosto machucado de Brian e o coração apertou. Um lado bem grande dela queria descer dali, pular nos braços dele para abraçá-lo e confortá-lo, mas outra parte, mesmo que minúscula, sabia que não devia. Por mais que o amasse, Brian tinha pisado feio na bola. Não dava para simplesmente passar uma borracha em tudo e fingir que nada tinha acontecido. Ela entendia o choque e até mesmo a reação violenta, mas de jeito nenhum, entenderia ele ter duvidado dela, saído e voltado com outra. Respirou fundo.
Seja forte!
— Se for para repetir os absurdos que disse ontem, pode dar meia-volta. Eu não sou a Kate, jamais te trocaria pelo Ian.
O quê?
Brian ficou aturdido como poucas vezes na vida.
— Eu... não... eu... — ensaiou dizer algo mas calou-se. Sem palavras, mordeu o lábio inferior e estreitou os olhos por causa da claridade. Estava nervoso. Que o pai tinha fodido com o emocional dele, não era segredo, mas tanto assim? Ao ponto de seu subconsciente acreditar numa besteira daquelas? — Esquece qualquer coisa que eu tenha dito, estava fora de órbita... — assumiu com um certo constrangimento, para em seguida, apoiar um pé na pedra e manter o outro na água. — A noite toda é um borrão pra mim. Não lembro de quase nada.
— Nem mesmo de ter levado Diana para o hotel? — Lilly não se conteve e disparou logo o que mais a estava incomodando.
O quê?
Uma linha fina se formou nos lábios dele, mostrando irritação. Ele a olhou... e olhou, e olhou, enquanto vasculhava em sua mente por algo que justificasse uma pergunta como aquela.
— Não, a Diana, não... — Brian balançou a cabeça visivelmente confuso. — Voltei para o hotel sozinho e de táxi. Nem sei como cheguei até o quarto.
— Ah, não sabe? — As feições de Lilly endureceram. — Cômodo, né?
— Escuta... Não estou negando que a vi — disse muito sério, ganhando a atenção dela. — Aquela louca apareceu do nada no clube. Eu já estava bem alto, nós discutimos, ela falou um monte de merda e eu a deixei lá... só isso, juro.
Lilly sabia que Diana tinha se aproveitado da situação, mas mesmo assim... riu do absurdo de tudo aquilo.
— Jura... e ela foi parar no nosso quarto, como? De paraquedas, pela varanda? Escondida no seu bolso? Você queria o quê? Se vingar e me magoar? Pois se era isso: conseguiu. Foi uma facada ver aquela oxigenada debruçada sobre você na cama.
— O quê? Não! Tem que acreditar em mim...
— Acreditar do mesmo jeito que fez comigo?
— Em nenhum momento eu duvidei...
— Ah... faça-me um favor... — Lilly o interrompeu e disparou rochedo abaixo. — Não duvidou? Não mesmo? Caramba, você fugiu! — gritou pelo caminho com o coração quase saindo pela boca.
— Dei o fora, porque eu não sabia o que fazer! Nunca me senti tão vulnerável! Eu queria matá-lo, porra! — Brian segurou-a pelo braço assim que os pés dela bateram na água e Lilly paralisou com a confissão. Os azuis-violeta recaíram sobre as marcas arroxeadas. — O que foi isso?
Ela começou a tremer.
Eles se olharam e se estudaram. A culpa estava estampada nos olhos dele. Lilly estava com raiva, mas jamais iria feri-lo.
— Não foi você — disse por compaixão.
— Filho da puta!
— Também não foi o Ian — afirmou com firmeza, não queria Brian virando um assassino. As marcas que aquele ordinário havia provocado nela não eram físicas.
— Se não foi o maldito do meu pai, quem foi? — Brian enfureceu. Aquilo ali não poderia ter sido obra de Diana. — Lilly, não minta pra mim!
Ela não queria mentir, só não sabia por onde começar. Tinha imaginado aquela conversa de tantas formas mais amenas e mais românticas.
— Lilly... — rosnou.
— Foi o Will — soltou a verdade sem querer.
O ódio percorreu o rosto de Brian.
— Puta que pariu, eu vou matar aquele bosta! O que mais ele fez?
— Mais nada... — murmurou.
— Lilly — rosnou mais. — Ele esteve aqui?
Com as respirações ofegantes, os dois ficaram observaram-se em um silêncio doloroso. Lilly podia sentir o tremor na mão que a segurava. Droga! Diga de uma vez! As veias das têmporas de Brian começaram a pulsar e o maxilar travou. Evite uma tragédia! Diga logo! O coração dela disparou de vez.
Diga!
— O Will apareceu do nada lá na exposição. Queria que eu reconsiderasse a administração dos meus bens e a gente discutiu. — Lilly tomou fôlego e coragem. — Ele me segurou, eu chutei as bolas dele, perdi o equilíbrio, bati as costas e desmaiei.
Brian a soltou e começou a examiná-la. Quando levantou a camiseta e encontrou os roxos na coluna, um urro estrangulado brotou da garganta dele.
— Filho da puta! Eu vou matá-lo! Você tinha que ter me contado na mesma hora, caralho! O Daniel vai se ver comigo.
— O Dani não tem culpa! — Lilly deu um passo atrás chegando até a beirada. — Ele queria te ligar, juro! Não brigue com ele, é meu amigo. Eu que implorei para que não o fizesse... Droga! — Lilly chutou a água. — Tudo que o coitado tem feito é me seguir por aí.
O olhar de Brian estava irredutível.
— Ele não poderia ter te deixado sozinha — rosnou.
— A culpa foi minha, eu furei a segurança quando aproveitei uma ida ao banheiro para respirar um pouco.
— Não interessa, porra! Consegue entender a seriedade do que aconteceu? Do que vem acontecendo? Parece que todo mundo está à espreita, só esperando um vacilo nosso para nos atacar!
Lilly mordeu o lábio, sabia que ele tinha razão. Mesmo assim, tentou se justificar e defender o Daniel.
— O Daniel não foi relapso, tinha ido ver a liberação de uma obra... Tudo o que ele tem feito é me proteger. Ontem ele foi campeão me apoiando quando você me deixou sozinha e depois um santo ao me ajudar com a Diana e aturar a sua bebedeira insuportável. O que o Will fez não passou de um ato desesperado. Eu estava bem.
Bebedeira insuportável?
Foda-se!
Brian ignorou aquela parte, pediria desculpas pelo comportamento insano depois.
— Como bem? Você desmaiou, porra!
Lilly respirou fundo. Visto sob a ótica dele, a coisa parecia séria. Ela buscou o olhar do Brian e ele estava estático e respirando com dificuldade.
Meu Deus! Que situação!
— Eu estou bem, juro, o Antoine até me levou na amiga dele... uma médica. Pensei em te ligar do consultório, só que quando eu soube do MB, a minha cabeça deu um nó. — Lilly engoliu a vontade de chorar. — Depois, eu voltei para Nova Iorque decidida a te contar no estúdio, mas... aí... veio aquela coisa toda de maestro, da trilha... Tive medo da sua reação... Você disse que não aguentaria outra bomba! Eu só quis proteger o MB... Ele não tem culpa! Não é uma bomba!
— Quem é essa porra de MB? Ele foi com o Will?
— Não! Ele estava todo o tempo comigo e eu não sabia... Desde o começo, desde Vegas!
— Como assim desde Vegas? Alguém anda te perseguindo e não me contou? Fez ameaças? Pelo amor de Deus! Ele pode ser um psicopata!
— Não! Ele jamais me machucaria.
Mas que porra?
As ondas começaram a bater com mais força, indicando que a maré estava subindo. Brian esfregou o rosto na tentativa de se acalmar. Aquilo parecia conversa de louco e não fazia o menor sentido.
— Lilly, eu não estou entendendo uma merda! Quem é esse MB, caralho? — explodiu.
— Meu filho! — revelou em um rompante e cobriu o rosto com as mãos. — Nosso filho... estou grávida — murmurou em um fiapo de voz.
O quê?
Os joelhos de Brian falharam e a Terra girou mais rápido. O incidente com Gabe, a vontade de matar o Will, a briga com o pai e a Diana evaporaram de sua mente... Grávida? O tempo todo? Meu? Nosso? Completamente chocado e surpreso, ele caiu de bunda na água. Pai? As lágrimas começaram a escorrer, misturando-se à água salgada, que respingava em seu rosto.
— Brian... — Lilly correu e ajoelhou ao lado dele, encharcando os shorts floridos e a regata branca que vestia. — Eu juro que não sabia... aconteceu. — Tocou o rosto pálido e indecifrável. — Foi de primeira, na noite em que eu perdi a... Juro que eu não premeditei... a coisa da prevenção simplesmente falhou.
Hã?
Brian estava longe... planando em um universo paralelo de rostos rechonchudos, de corpos roliços, de mãozinhas minúsculas, de primeiros olhares, primeiros sorrisos, primeiras palavras e primeiros passos.
Caralho!
De queixo caído, fitou-a por um tempo e Lilly ainda não conseguia definir a expressão no rosto dele.
— Um bebê? — por fim, ele murmurou.
Ela assentiu vigorosamente.
— Eu juro que foi...
— Pare de jurar — ele grunhiu e a surpreendeu puxando-a para um abraço molhado. — Dane-se como foi, o importante é que foi! De primeira? Sério isso? Um bebê só nosso? Tem certeza?
Dezesseis vezes, de certeza, dezessete, se ela contasse com o médico que a havia examinado naquela manhã.
— Te-tenho — gaguejou ainda insegura. Esse tanto de perguntas é um sim? Lilly lutou para esconder um sorriso de contentamento. — De quase três meses.
— Três meses! — Brian assoviou e depois olhou-a com curiosidade. — MB?
— Mini Brian. — Ela encolheu os ombros. — Mas isso não é uma certeza.
Ele sorriu lentamente, enquanto deixava seu olhar recair sobre o rosto dela.
— Se não é certo, ainda tenho chance de que seja uma Mini Lilly com um queixinho teimoso igual ao da mãe. — Tocou-a com a ponta do dedo.
Deus!
Mãe?
Ele está gostando e prefere uma menina?
Lilly ficou tão fascinada com a reação positiva dele, que mal se deu conta quando Brian deslizou as duas mãos pelo pescoço dela entrelaçando-as em sua nuca.
— De primeira... — ele murmurou com um brilho vencedor nos olhos. — Eu te disse que somos predestinados. — Riu com doçura e grudou suas testas. — Agora, aconteça o que acontecer, somos para sempre, Pequenininha — murmurou a centímetros da boca rosada e a beijou.
Lilly gemeu baixinho, envolvida por um mundo de carinho e novas possibilidades. Uma estranha sensação de que eram mesmo destinados um ao outro afastou dela os sentimentos ruins que cultivara até minutos atrás.
Nada mais importava, apenas os três.
Ele a soltou... e a olhou fixamente.
— Porra... um filho. — Sorriu ainda surpreso e a beijou novamente.
Lilly estava nas nuvens, entregou-se e suas línguas se encontraram com uma paixão redobrada. Não tinha mais volta, era irrefutável. Juntos compuseram a melhor obra de suas vidas. Um milagre inesperado da criação, um filho! Brian os pressionou, quase com desespero, e rolaram sobre a água rasa, levados pela correnteza invisível.
— Vamos fazer dar certo, prometo. — A respiração dele acelerou, enquanto uma mão desceu para acariciar o ventre ainda liso. — Isso é maravilhoso, obrigado.
— É inacreditável — ela sussurrou. — Estou muito assustada. Não sei se vou ser uma boa mãe.
Brian riu e apertou-a mais.
— Claro que vai.
Lilly se aninhou junto ao corpão dele e não disse nada. Queria muito que Brian estivesse certo, mas a ideia da maternidade era surreal e aterrorizante. A água morna os lambeu, trazendo uma sensação de bem-estar.
— Estou perdoado das merdas de ontem? Ou vai me fazer sofrer?
— Você me deu um trabalhão danado... acho justo que sofra um pouquinho. — Lilly franziu o nariz.
Brian assentiu, abriu um sorriso apaixonado e a beijou novamente.
... ... ... ... ♥♫♥♪♥ ... ... ... ...
Saíram da água quando o frio bateu e a noite caiu. Voltaram abraçados e em paz. Entre um beijo e outro, Lilly contara tudo o que tinha acontecido e Brian admirou-se do quanto ela tinha sido determinada e forte. Ele adorara a parte do arrastar Diana pelos cabelos, envergonhou-se do banho de vômito, riu, mas ficou preocupado, quando soube que queria cortar a Fera fora e orgulhou-se de cada palavra que a esposa dissera ao pai dele.
— Vai mesmo me castigar e não me entregar os presentes que comprou?
— Vou, sim — Lilly mentiu com satisfação.
— Droga! Agora que eu preciso de um drone, nada...
Lilly riu e olhou para o céu estrelado.
— Posso saber pra que precisa de um?
— Como pra quê? Para anunciar para o mundo que estamos grávidos!
Se Brian pudesse, convocaria uma coletiva de imprensa. Passada a surpresa e a raiva pelos acontecimentos de Londres e Nova Iorque, tudo o que mais desejava era curtir o momento e cuidar de Lilly. Quis porque quis, ligar para o ginecologista da praia mesmo e depois ir direto para o quarto, mas Lilly pediu calma e o fez prometer guardar segredo.
— O que está fazendo?
— Te carregando, esforço agora só no quarto.
— Já disse que não! Não com aquele exército em casa.
Para Lilly, o ginecologista e o sexo podiam esperar, os amigos não. Com Gabe naquele estado e todos tão aflitos, o momento pedia compaixão, não uma comemoração egoísta e acalorada.
— Depois a gente comemora como se deve.
— Tudo bem, Pequenininha, se você quer assim.
— Amor, não se trata do que eu quero, mas sobre o que é certo.
O certo para Brian era jogar tudo para o alto, sequestrar Lilly e escondê-la em uma torre até que o pequenininho deles chegasse em segurança.
Sonho dele...
Chegaram em casa e ele ainda insistiu por uma noite de descanso, mas foi voto vencido quando todos se reuniram e decidiram passar a noite e a madrugada no quarto de hóspedes, revezando-se na vigília ao baixista.
O coração de Brian ficou o tempo todo angustiado. Manter segredo dos amigos foi uma tortura e as ondas de euforia, logo eram substituídas por uma tempestade de preocupações. Lilly só se rendera ao sono, quando ele a aninhou nos braços e deitaram ao lado de Gabe. Apesar dela parecer bem, o instinto protetor dele aumentava a cada segundo. O músico sabia que os primeiros meses de gravidez eram os mais delicados e temia por ela e pelo bebê.
— Ahhh, minha Pequenininha, amanhã eu te arrasto para um médico — murmurou ao beijar o topo da cabeça moreninha e também ceder ao sono.
Pela manhã, o médico retornou e aplicou uma nova leva de sedativos em Gabe. Com as compressas que Daniel aplicava de hora em hora, o inchaço no rosto começara a diminuir e o doutor achou que seria menos traumático, se ele dormisse por mais algumas horas e acordasse somente quando o estrago estivesse menor.
Depois de um café caprichado, onde Brian forçou Lilly a comer de tudo e mais um pouco, os dois saíram com a desculpa de que iriam visitar Sarah.
... ... ... ... ♥♫♥♪♥ ... ... ... ...
— Quer que eu pare em algum lugar antes de chegarmos ao consultório?
Brian desviou a atenção do trânsito e olhou de soslaio para o banco do passageiro. A Pequenininha dele mantinha um olhar perdido na cidade que passava rápido do lado de fora do Jeep.
— Amor — insistiu. — Tudo bem? — Ele esticou o braço e tocou o joelho dela.
— Quero fazer logo o ultrassom para ter certeza de que o MB está bem.
Brian compartilhava do mesmo desejo que a esposa, então apenas assentiu e olhou pelo retrovisor. A SUV de Max os acompanhava de perto. O cara era competente, uma nova funcionária estava com ele. Na noite anterior, preocupado com a segurança de Lilly e com suas novas necessidades de grávida, Brian aproveitou que a esposa tinha entrado no banho e chamou Max para uma conversa e contou-lhe sobre o filho.
Lilly chiou quando acordou e soube da novidade, mas de agora em diante, ela teria uma nova sombra: a guarda-costas Samantha, uma ex-policial com cerca de cinquenta anos e pinta de durona.
Estacionaram em frente ao consultório e entraram. A ginecologista era esposa do doutor que estava atendendo ao Gabe, e foi muita sorte que ela os recebesse assim tão cedo.
O consultório da doutora Alice era amplo, bem decorado com sofás e uma maca em tom claro e repleto de equipamentos, e fotos de bebês.
Depois dos agradecimentos e cumprimentos, Brian manteve-se calado, deixou que Lilly assumisse e relatasse a consulta que tivera em Londres. Ela e a médica falaram de coisas incompreensíveis para ele como pré-natal, um tal de ácido-fólico, cuidados na gestação e da sorte de Lilly em não ter sofrido com os males dos enjoos.
— Agora é relaxar e curtir essa viagem maravilhosa que é a maternidade. Papai, eu conto com você, a Lilly não pode mais passar por situações de estresse. Entendeu?
Depois, enquanto esperava Lilly se trocar, o músico aproveitou que a doutora saíra da sala para espiar alguns retratos pendurados na parede. Riu com uma sequência de rostinhos rechonchudos, alguns felizes e outros nem tanto e se perguntou qual seria a aparência da mistura deles dois.
Brian estava meio abestalhado com aquilo tudo... percebia os sentidos aguçados e todos eles estavam voltados para Lilly. Era doido, mas em poucas horas, tinha virado um pai coruja e não queria perder a chance de estar presente em tudo. Cara, eu vou precisar me controlar, pensou... e depois riu.
Vou ficar louco com essa gravidez.
No meio da madrugada, quando Daniel, Mel e Adan desceram para comer alguma coisa, ele aproveitou que estavam sozinhos e bateu um papo com o umbigo da esposa, enquanto ela dormia.
Queria dar as boas-vindas para o pequeno invasor e dizer a ele que ficasse firme e tranquilo, pois os pais dele nunca o deixariam na mão.
Lilly e a médica voltaram e nada no mundo tinha preparado Brian para o que viria a seguir. Parado ao lado da maca, assistiu a médica besuntar a esposa com uma meleca, ligar uma parafernália de equipamentos e passar aquele aparelho de ultrassom de um lado para outro na barriga lisinha dela. Foi muito emocionante e o coração dele parou quando a tela mostrou uma imagem escura e disforme. Simplesmente, ele não conseguia desgrudar os olhos do monitor.
Ouviu Lilly começar a chorar ao mesmo tempo que, inconscientemente, ele levou a mão à boca para abafar os próprios soluços. Oi, Filho. Apesar de minúsculo, MB já parecia humano e estava pulsando!
Caralho!
A cada medida que a médica tirava ou comentário que ela fazia, informando que estava tudo bem, era um alívio e um agradecimento.
Obrigado, obrigado, obrigado, Deus, por tamanha bondade.
Após mais algumas passadas de aparelho para obter ângulos novos, os olhos da doutora Alice brilharam.
— Que surpresa maravilhosa. — Ela apertou umas paradas estranhas e um som apressado de batimentos cardíacos arrebatou a todos.
Brian cambaleou e agarrou a mão de Lilly. Era o som mais lindo que já tinha escutado... Nossa... e como era acelerado! Deixava as batidas de Big no chinelo.
— Se preparem para trabalhar dobrado... a duplinha aí dentro parece bem animada.
O quê?
— Briaannn! — Lilly berrou quando o corpo dele se estatelou no chão.
... ... ... ... ♥♫♥♪♥ ... ... ... ...
Mel e Marie caíram na gargalhada.
— Caramba! — Mel mergulhou na cama ficando de barriga pra baixo. — Eu fico imaginando o susto dele quando descobriu que eram dois! — Com o cotovelo dobrado, apoiou a cabeça na mão e olhou para Lilly. — Cadeira de rodas? Sério isso? — Limpou uma lágrima.
— Sério. — Lilly deslizou o corpo para trás e acomodou-se nos travesseiros. — O Max empurrou-o até o carro. Brian xingou além da terceira geração dele.
— Que horror! — Mel riu mais ainda.
Marie, que estava sentava à beira da cama, sentia-se a própria avó e ostentava um sorriso sonhador no rosto. E não é que a menininha dela ia ser mãe?
— Que pai babão você arranjou.
— Muito, Marie. Não sei quem vai me dar mais trabalho, se os MM's ou o meu marido. — Lilly estava elétrica com a novidade. — Gêmeos! Conseguem acreditar nisso! — Ela inclinou o corpo e alcançou a imagem do ultrassom largada em cima do colchão. Olhou como se fosse impossível. — Dois! Caramba!
Ao chegar em casa, ela não se aguentou e chamou Marie e Mel para irem até o quarto dela. Contou a novidade com um sorriso de orelha a orelha e mostrou algumas roupinhas que havia comprado em Nova Iorque.
— Imagino como a mãe dele deva estar reagindo.
— Pois é... eu queria ter ido junto, mas o Brian precisava ter uma conversa de filho para mãe.
— Jesus! Aposto que a pauta incluía o Ian.
— Meu medo é bem esse... — Olhou cúmplice para a morena que a cada dia se tornava mais amiga dela.
— O que o pai dele andou aprontando? — As antenas de Marie levantaram, ela adorava uma fofoquinha.
— Nada sério... — Lilly gesticulou com indiferença e voltou a olhar a imagem dos bebês. Contar para Marie o lado sórdido dos acontecimentos de Nova Iorque, nem pensar. — Ele só pisou um pouco na bola com o Brian, né, Mel?
— É, bem pouco... quase nada — a morena ironizou.
— Ah... se é assim... — Marie perdeu o interesse. — Deus! Temos tantas coisas que organizar até a chegada dos anjinhos! — A governanta começou a fazer uma lista mental com a quantidade de casaquinhos e sapatinhos de lã que precisaria fazer. — Quando saberemos o sexo? — Uma série de cores neutras vieram à mente dela.
— Calma, eles só devem nascer no início de março. Os sexos acho que em dois ou três dias, no máximo. O Brian estava muito ansioso e pagou taxa de urgência no exame. — Ergueu os cantinhos da boca em um sorriso idiota. — Desculpem por só contar agora, mas eu queria ter certeza de que tudo estava bem.
— Fez bem, nunca é bom alardear antes do tempo.
A sobrancelha de Lilly enrugou ao pescar um certo tom de melancolia na voz da jornalista, mas ela não disse nada.
— A Penne e o Big vão enlouquecer quando souberem. — Marie pegou um Body[84] onde estava escrito “Papai é Super” e sorriu. Quem diria? Aqueles dois, que começaram de maneira tão incerta, estavam se revelando um grande casal.
— Vão mesmo... — Lilly assentiu, focou na roupinha que a governanta dobrava com cuidado e uma onda de carinho a contagiou. Caramba! Dois! Acho que vamos precisar reformar o quarto de hóspedes! Ela estava tão bobona com tudo aquilo.
Ouviram três batidas firmes na porta, antes da cabeça loira de Adan despontar. Perspicaz como nenhum outro, seus olhos cinzas recaíram nas formas curvilíneas e exuberantes do traseiro de Mel e uma carranca se formou. Depois miraram num montinho de roupas de bebê dobradas ao lado de Marie e a carranca foi substituída por um sorriso discreto. É isso aí, irmão! Gol do artilheiro, Briaaannnnn! Vibrou internamente, mas treinado como era em conter suas emoções, não demonstrou nada.
— A Bela Adormecida acordou e está com fome. — Piscou para Marie e saiu.
Mel bufou e sentiu o sangue ferver. Aquele ordinário sempre que podia dava uma conferida na retaguarda dela.
Lilly riu e se levantou.
— E vocês? Ainda querendo se matar?
— Como sempre, mas estamos em trégua. — A morena revirou os olhos, claramente aborrecida com a situação.
Um sorrisinho irreverente surgiu no rosto, agora aliviado de Lilly, e Mel grunhiu de desgosto.
— Nem vem com essa cara safada pra cima de mim... a trégua é pelo Gabe.
— Não sei de onde tirou isso de cara de safada... até porque, eu não percebi nada. — Lilly riu, se fazendo de desentendida, abraçou Marie que observava as duas com curiosidade e arrastou a governanta para fora do quarto. — Vamos descobrir em qual enrascada nosso Belo Adormecido se meteu.
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Apressado, Brian subiu as escadas de três em três degraus, assim que Marie, surpresa com a cara enfurecida do patrão, informou sobre o despertar de Gabe.
Max seguiu atrás dele com a mesma expressão pesada. A governanta balançou a cabeça em desaprovação.
— É, pelo jeito, a tal pauta com a dona Sarah foi bem desagradável — murmurou para si mesma, antes de se virar e voltar para a cozinha.
No quarto, o músico se deparou com um clima tranquilo, que em nada combinava com seu estado de espírito negro. Droga! Respirou fundo e esforçou-se em um sorriso.
— E aí? — grunhiu. — Cadê o Gabe? — perguntou ao ver a cama vazia.
Mel abriu um sorriso e o fechou na hora.
— No banho. O Daniel e o Adan estão com ele. — Apontou para a porta do banheiro.
— E a Lilly?
— Foi pegar umas toalhas extras.
Brian apenas assentiu.
— Ah! Olha ela aí. Vou aproveitar e ver se Marie precisa de ajuda com a sopa que está fazendo. — A morena apressou-se em sair.
As duas se cruzaram no batente. Lilly entrou e Mel saiu. Uma onda de euforia a arrebatou, assim que visualizou as costas do músico.
— Amor! — Ela jogou as toalhas em uma cadeira e correu para abraçá-lo.
Ele virou e dessa vez sorriu com uma doçura legítima, torcendo que a esposa não notasse uns novos hematomas no rosto. Inferno! Óbvio que ela notou e o examinou com preocupação.
— Foi tudo bem na casa da sua mãe?
Antes de responder, Brian olhou para Max e Lilly percebeu um discreto gesto de cabeça entre eles, mas não o entendeu. Desde quando os dois ficaram assim: tão íntimos? Ela pensou, mas não disse nada.
— E aí? — insistiu. — A Sarah gostou de saber que vai ser vovó em dose dupla? O Ian estava lá? — soltou a isca.
— Papai, eu conto com você... a Lilly não pode mais passar por situações de estresse. Entendeu?
Sim, ele tinha entendido as palavras da doutora Alice, e ao sair do consultório, tinha prometido a si próprio, que depois da conversa difícil, porém necessária, com Sarah, também fugiria de situações de estresse.
Maldito Will que cruzou o caminho dele!
Bendito Max que o impediu de fazer uma loucura maior.
— Minha mãe adorou e quer te ver. — Brian fingiu uma felicidade que não sentia no momento. — As minhas irmãs, nem se fala.
De jeito nenhum contaria que o Will saltou na frente do Jeep dele na estradinha de acesso a Dreams Beach. Aquilo foi inesperado, apesar de bem-vindo. O otário estava completamente bêbado e, aos berros, culpou o músico pela situação de merda em que se encontrava. Brian fez a única coisa sensata que lhe veio à mente: sair do carro e acertar as contas de uma vez por todas. Aproveitou a falta de paparazzi, para vingar a traição e as marcas no corpo de Lilly. Encheu o babaca de porrada.
— E o Ian? — Lilly levantou a sobrancelha.
— Tire qualquer preocupação da cabeça, ok? O Ian continua em Nova Iorque.
Lilly assentiu, pouco convencida.
— Agora só falta avisar o Mark. Pode usar o meu celular se quiser, Dani — a voz fraca de Gabe mudou o foco de atenção de Lilly e Brian suspirou aliviado. — Pelo jeito, o pedido que te fiz, e nada, foi a mesma coisa. — O loiro olhou feio para Daniel, que o ancorava nos braços e o depositou na cama.
Brian apressou-se na direção do baixista.
— Cale a boca, Gabe! — disse em um tom descontraído, só para não perderem o costume. — Família é isso aí mesmo. Todo mundo metendo o bedelho. Vai me dizer no que diabos se meteu?
— Não. — Gabe fechou o rosto. — Quero esquecer os meus monstros, não os trazer à tona.
Adan, que estava parado na porta do banheiro, gesticulou pedindo para Brian deixar quieto.
Ele assentiu e voltou-se para Gabe.
— Tudo bem, cara, no seu tempo. — Todos nós temos fantasmas...