Enlaçados: Sex and Rock
Capítulo 44
Dois dias depois...
— Para onde está me levando?
— Que homem curioso! — Lilly fez uma careta, firmou o aperto na mão de Brian e continuou a arrastá-lo pelo jardim. — É só uma surpresa.
— Mais uma? — Ele sorriu grandão. Tinha adorado cada um dos presentes relacionados aos seus ídolos ingleses. — Não me diga que me comprou o submarino amarelo dos Beatles — brincou, apesar de estarem indo na direção contrária ao mar.
O terreno da casa não era gigantesco, entretanto, Brian só conhecia os fundos da propriedade onde ficava o estúdio da esposa. Aquele caminho lateral, entre folhagens e árvores, era novo para ele.
Olhou com curiosidade para Lilly e não soube dizer se a respiração ofegante dela estava por conta da ansiedade ou do passo acelerado.
— Cavalinho... vem. — Em um movimento ágil, ele abaixou e colocou-a em suas costas.
Rindo, Lilly aceitou a carona, agarrou-o no pescoço e contornou a cintura de Brian com as pernas.
— Ui, meu cavalinho branco... Gosto das suas mimações — ela divertiu-se com a palavra inventada.
— Tudo por você, Pequenininha. Estar casado é tão bom, né?
— Com você? Muito bom. — Beijou o pescoço dele.
Aquele momento de intimidade era muito bem-vindo e a deixou feliz. A casa deles estava cheia, acima do suportável, enquanto a mansão da Ultimate estava às moscas.
Em dois dias, Gabe apegou-se tanto à figura materna de Marie, que o mimava como a um bebê, que pedira para ficar com eles até irem para Atlanta.
Já Mark, ao contrário do que se esperava, não surtou. Chegou de mansinho e não demonstrou choque, apenas revolta e tristeza. Amava aqueles caras e não entendia como as pessoas podiam ser assim, tão vis. Filho da puta! Se pudesse, ele acabaria com o Ian e o denunciaria, mas não era uma decisão que lhe cabia, então não ousou dizer nada para Brian sobre a aparência pós-briga com o pai.
Entretanto, não se conteve no sermão para o Gabe:
— Ah... meu Anjo Rebelde, eu te disse que um dia, essas suas amizades virariam um problema... Conheço um dermatologista que vai dar um jeito nesses hematomas.
O empresário fez centenas de ligações e adotou uma postura de leão de chácara, não desgrudando mais de Gabe.
Big e Penne retornaram naquela manhã, surtaram com a coisa de serem tios e ficaram irados com a surra que Gabe tinha levado. Insistiram em vingança, mas o baixista continuava um túmulo e sem querer abrir o bico.
Que situação complicada!
Transar, então? Nem pensar!
— Tô pesada? — Lilly perguntou sentindo a respiração de Brian ofegar. — Me põe no chão.
— Nenhum pouco pesada. Melhor eu aproveitar enquanto posso — Brian gargalhou e Lilly adorou ouvir aquele som relaxado. Era tão gostoso vê-lo leve e despreocupado. — Quando esses dois crescerem, vai ser dureza te carregar.
— Brian! Isso é coisa que se diga para uma mulher que está prestes a virar uma melancia gigante?
— Hummm... adoro melancia. Vai ser divertido te rolar por aí.
— Brian! — Ela tascou uma mordida no ombro dele.
— Ai, ai! Estou brincando! Vai ser a bolotinha mais sexy do mundo.
— Bolotinha o teu rabo!
— Olha a boca! — fingiu-se chocado. — Vou proibir a galera da banda de falar palavrão do seu lado. Está virando uma boca suja do caralho.
Lilly gargalhou, agarrada a ele como um coala.
— Olha quem fala! Agora já era. Graças a você, meu arsenal de palavrões está de dar inveja a qualquer malandro. — Ela cutucou as costas dele e apontou um pequeno caminho de pedras. — Por ali...
— Graças a mim? Sei... sou um príncipe. O seu príncipe encantado, Bela — a entonação afetada fez Lilly gargalhar mais ainda. — Vai ou não vai me dizer que surpresa é essa?
— Só uma coisinha para te animar. Desde que voltou da casa da sua mãe, que está borocoxô e se recusa a me contar o motivo... — Lilly já tinha especulado mais de mil vezes, mas Brian estava fazendo jogo duro, então ela resolveu agir. — Estava guardando a surpresa para quando voltássemos de Atlanta, mas diacho... quem disse que consigo esperar?
Uma espécie de galpão não muito grande despontou diante deles.
— É aqui? O que é?
— Um depósito...
Ele atracou na frente de uma porta de madeira rústica e ela escorregou pelas costas dele, ficando de pé. Do bolso de trás da calça jeans, Lilly puxou um cartão e passou na fechadura eletrônica.
— Quando eu vi, achei que você ia amar — disse com certa ansiedade.
Lilly deu um passo para o lado e Brian entrou primeiro. Ainda era dia e os raios de sol, que incidiam nas venezianas, iluminavam tudo. O espaço, no formato de um quadrado, estava relativamente vazio. Algumas caixas aqui e ali, latas de tinta e...
Meu Deus!
Brian perdeu o fôlego ao reconhecer o objeto dos seus sonhos protegido pelo emaranhado de aço. Completamente embasbacado, ele olhou para Lilly, para a guitarra... para Lilly e novamente para a guitarra.
Estava sem palavras e com o coração disparado.
Era inacreditável, aquele exemplar em particular era a menina dos sonhos de qualquer cara que admirasse a genialidade do mestre Jimi Hendrix. Uma Fender Stratocaster branca, de 1968. Foi com ela que Jimi fez o histórico show de Woodstock, em 1969, tocando o Hino americano de um jeito que faria Abraham Lincoln ter um ataque epilético dentro do túmulo. O mesmo instrumento que usou em sua última apresentação, doze dias antes de sua morte.
Atordoado, Brian balançou a cabeça... Aquilo tinha que ser uma réplica... perfeita, mas ainda assim, uma réplica. Sabia que Paul Allen, um dos fundadores da Microsoft, havia arrematado o instrumento por US$ 1,3 milhão.
Lilly o observava com certa fascinação. Só via aquele brilho nos olhos de Brian em uma única situação: quando faziam amor.
— A peça pertencia a algum bambambã da tecnologia que a doou para uma campanha de alerta à depressão. — Ela sentiu uma estranha necessidade de explicar. — O dinheiro da venda da escultura vai ser repassado para instituições filantrópicas.
De jeito nenhum!
Os olhos do músico dobraram de tamanho.
— Está me dizendo que é ela... a dele... de verdade? — murmurou, tomado por uma emoção legítima de quase adoração.
Ele deu um passo à frente e tocou o emaranhado de aço. Em seguida, com a mão trêmula, penetrou o casulo e espalmou a guitarra. Os azuis-violeta fecharam. Brian podia sentir a energia contida no instrumento. Imagens de seu ídolo arrebentando em um solo lhe vieram à mente.
Caralho!
Jimi Hendrix era o seu mestre.
O cara! O Deus na arte de tocar guitarra.
— Hum-hum... a própria. Não acreditei quando eu a vi. Foi muita coincidência, né? Estar na
mesma galeria que eu expus em Londres. A escultura chama Maktub [85].
O coração de Brian foi à loucura, os olhos abriram e voltaram-se para ela.
— Porra, Lilly! Obrigado... é perfeito, nunca mais precisa me dar nada... Sério! Caralho! Só poderia ter esse nome... Somos nós... Estava escrito. A arte e a música... juntos.
Lágrimas começaram a rolar, molhando os azuis e os castanhos.
— Compondo juntos. — Ela pôs a mão sobre a barriga.
— Porra, sim! — Brian caiu de joelhos diante dela e abraçou-a pela cintura.
Beijou-a com suavidade no ventre. Havia tanto amor envolvendo os sentimentos de ambos. Ela estava realizada e ele pensou que fosse sucumbir.
Caramba! Como eu amo essa mulher.
Obrigado Universo... Maktub.
Mentalizou, grato por tudo.
— Eu queria montar um estúdio lá em casa, mas com os MM's, acho que complicou. Pensei que gostaria de ter um espaço só seu. — Lilly acariciou a cabeça morena. — Sei que parece meio cru, mas podemos fazer algo incrível aqui.
Brian ergueu a cabeça e a encarou.
— É perfeito. — Puxou-a, fazendo os dois ficarem ajoelhados um de frente para o outro. — Eu amo você — pronunciou lentamente e a beijou.
O lugar estava um pouco empoeirado, mas não ligaram, precisavam daquele contato.
Então, com as bocas atreladas, rolaram do chão. Brian fez um colchão de músculos com o corpo e Lilly deliciou-se. Adorava deitar sobre ele e sentir a pulsação forte daquele coração sensível e musical.
— Preciso de você.
— Aqui?
— Meu castelo, meus desejos, Bela.
Sim, aquele seria o reino dele. Lilly levantou a cabeça e olhou ao redor.
— Tem uma [86] chaise longue ali no cantinho. — Apontou.
Brian levantou trazendo Lilly com ele, e com um sorriso no rosto levou a mão até a parte de trás do pescoço, arrancando a camiseta dos Beatles que usava. Ela sorriu e começou a desabotoar a camisa de tecido branco com margaridinhas e babados. Em silêncio, despiram-se sem pressa... e sem pudores... apenas deslumbrando-se com a visão do corpo do outro sendo revelado.
Ela o achava um gostoso.
Ele a achava uma delícia.
Como podia?
Dois corpos tão diferentes...
A força e rigidez contra a delicadeza e maciez, mas com encaixe perfeito.
Lilly livrou o cabelo do rabo de cavalo e Brian segurou na mão dela. Sentou-se e fez com que ela o montasse. Os músculos das coxas dela flexionaram, quando ela dobrou as pernas apoiando-as no veludo vermelho e macio da chaise longue. Seus sexos encostaram e todos os pelinhos do corpo de Lilly arrepiaram. Amava aquele contato e o prenúncio do sexo.
A Fera estava pronta e a Bela sedenta.
As mãos firmes de Brian tatearam as coxas, tocaram a penugem delicada entre as pernas e subiram acariciando o ventre. Não estava com medo de machucar os bebês... prevenido, tinha pesquisado na internet. Sexo na gravidez era mais do que recomendado além do quê, com tudo o que os dois já haviam praticado, não seria agora que teriam problema.
— Eu te amo — Lilly murmurou. — Amo tudo em você, mas amo mais quem é, quando estamos assim sozinhos.
Brian desviou o olhar dos mamilos intumescidos e franziu a sobrancelha.
— Shhh, não estamos mais sozinhos. — Apontou para a barriga dela. — Somos quatro, lembra? Vamos mostrar para esses dois como os pais deles são bons juntos. — Abaixou a cabeça e abocanhou um dos mamilos.
As costas de Lilly curvaram, projetando ainda mais os seios. Ela gemeu ao sentir a língua e os dentes de Brian instigarem o bico sensível. Agarrou a juba morena e se entregou. Ele segurou ambos os seios e os venerou, beijou, apertou, lambeu, sugou e mordeu. Logo, logo teria que dividir aquelas belezinhas. Afundou a cabeça entre os peitos, sentindo os pelinhos arrepiados de Lilly instigarem sua pele... inspirou...
Lima!
Tão bom...
O pulsar da ereção aumentou. Lilly estava tão sedenta por ele que levantou o quadril e com a mão guiou aquele pau quente e duro até a sua abertura. Desceu, deixando-se empalar.
— Ahhhhhh...
Fechou os olhos quando as intimidades dela se alargaram para acomodá-lo. Por instinto, procurou a boca de Brian e o beijou com profundidade. Mãos firmes seguraram a bunda macia e logo entraram em um ritmo delicioso de sobe e desce, lento e vigoroso. Lilly não queria parar, precisava de tudo. Com todos os hormônios femininos aflorados, precisava devorar e ser devorada com paixão, não adoração.
— Mais... — pediu, já completamente descabelada.
Brian deu um giro seco no quadril, afastou-se e entrou com tudo. As penetrações foram ficando mais exigentes...
Uma série de — Oh, oh, oh, oh, oh... — saíram em uma ladainha suave e rouca, quando Brian começou um mete, sai, gira e mete de novo delicioso...
A respiração dele acelerou, sabia que Lilly gostava daquilo de forma intensa e a tendência era que, a partir dali, fosse gostar mais ainda. Bendita gravidez! Também tinha lido na internet que mulheres grávidas viravam umas loucas no sexo. Animou-se e metralhou-a com uma sequência de investidas vigorosas dos quadris. Suaram, tremeram, ofegaram e esfregaram-se... sobe e desce... mete e sai... fundo... bem fundo, até o clímax chegar forte depois daqueles dias de seca.
Gozaram juntos, permaneceram conectados e abraçaram-se em uma respiração acelerada.
— Não me deixe nunca, tá bom? — Brian juntou as testas suadas e olhou-a com determinação. — Não respiro sem você — disse.
— E eu não existo sem você — ela sussurrou e beijou-o suavemente em um enlace perfeito de línguas.
Beijaram... beijaram... beijaram...
— Bem que a gente podia brincar mais. Li que grávidas adoram uma foda no estilo cachorrinho.
Leu?
Lilly olhou abruptamente para o descarado, que levantou um canto da boca em um legítimo sorriso safado.
— Ah é? Andou pesquisando? — Mostrou-se surpresa. — Posso saber o que mais andou lendo?
— Uma série de coisas bem animadoras, mas é mais gostoso mostrar do que contar.
Ele gargalhou, levantou com Lilly no colo e colocou-a de quatro.
Uau!
Mas já?
Ajoelhou-se, admirando aquela bunda empinadinha diante dele.
— Não acho uma boa ideia — Lilly disse. — Estou cheia de... coisas saindo. Esqueci que o galpão não tem banheiro.
Ele viu o sêmen escorrer fazendo-a brilhar.
— Não tem porquê se envergonhar, isso aqui somos nós. — Esticou o corpo, alcançou a camiseta dos Beatles e com delicadeza, limpou-a.
Depois riu.
— Poxa vida, não tem graça — protestou ela, ainda se sentindo envergonhada.
— Não é de você que estou rindo. Estava pensando que: até que se construa um banheiro, acho que terei que comprar uma máquina de lavar e deixar por aqui. Sem chances de eu deixar a Marie lavar essa camiseta.
Lilly concordou, mesmo sabendo que esse não era um serviço da governanta.
— Nem pense em colocar a boca em mim. — Olhou-o sobre os ombros.
Por que não?
Brian arqueou uma sobrancelha. De jeito nenhum a queria constrangida com aquilo. Ele não sentia nojo, pelo contrário. Se mulheres podiam engolir sêmen, certamente ele também poderia. Não era sujeira, era a mistura deles dois.
— Não estava pensando nisso — mentiu e enfiou um dedo, fazendo-a ofegar. — Ainda estou cheio de gás... meu pau não cansou de brincar.
Ela apoiou a testa no pequeno encosto da chaise longue e rebolou um pouquinho, sentindo o dedo talentoso estimular as paredes internas da vagina sensível.
— Não?
— Não. — Tirou o dedo e substituiu-o sem aviso prévio pela Fera.
Lilly gritou e ele a comeu bem devagarinho, enquanto deu ao clitóris um solo que a levou a um paraíso de prazeres e a fez gozar múltiplas vezes.
Uma hora depois, deitada sobre o corpo de Brian, Lilly estava quase pegando no sono quando ele disse:
— Quando eles nascerem, o que acha de fazermos uma tatuagem?
Hã?
— O quê?
Lilly arregalou os olhos.
— Alguma coisa pequena... só nossa. — Ele acariciou o rosto avermelhado da esposa. — Sei que temos as alianças, mas...
— Eu topo — interrompeu-o.
— Sério? Não concordou na empolgação?
Lilly olhou-o com cuidado, ele tinha razão, concordara na empolgação. Nunca tinha cogitado fazer algo naquele sentido: marcar-se tão... tão para sempre.
Mas...
O que seria uma marquinha diante de sua alma que já era totalmente tomada por ele?
Ah! Dane-se.
— Seríssimo — afirmou e beijou-o.
... ... ... ... ♥♫♥♪♥ ... ... ... ...
A transa no depósito renovara todas as energias de Brian, e a calmaria que se seguiu nos três dias seguintes, reavivara a esperança dele de que as coisas entrariam nos eixos.
O lance em Atlanta seria jogo rápido...
Bate e volta.
Não querendo expor os meninos, Mark cancelou os meetings com os fãs e a coletiva de imprensa. O inchaço nos seus rostos já havia sumido, mas os hematomas continuavam...
Claro que havia maquiagem para disfarçar todos aqueles roxos, porém não era com a aparência de Brian ou Gabe que o empresário estava preocupado. Tinha que admitir que aqueles dias na casa de Lilly fizeram um certo milagre, mas a afirmação deles de que estavam bem, e prontos para outra, não o convencera. Sabia que o estado emocional de ambos ainda requeria cuidados. Finalmente, tinha entendido que os seus meninos de ouro precisavam de uma trégua... de paz.
Eles já estão no topo, porra! Merecem curtir os louros um pouco!
Seguiram todos para Atlanta no jato da Ultimate. Brian passou o tempo todo grudado na esposa e Daniel contando piadas para Gabe. Chegaram, foram direto para o local do show e permaneceram protegidos no camarim.
Mark também tinha bloqueado a presença de VIP's e jornalistas. Somente Mel, Max e Samantha tiveram permissão para acompanhá-los.
Da lateral escurecida do palco, Brian esperava a deixa para se posicionar. Os gritos de: “Go, Go, Go” vindos da plateia eram ensurdecedores e contagiantes. Ele estava animado, ia ser um show inesquecível. Apertou a mão da Pequenininha dele, que mantinha os olhos arregalados e vidrados nas milhares de pessoas que lotavam a maior arena musical de Atlanta, onde também
acontecia o Tomorrowland[87].
Só bandas grandes e consagradas tinham o privilégio de tocar ali.
Brian inclinou a cabeça, grudando a boca no ouvido de Lilly.
— Vai ficar bem, aqui?
Ela girou para encarar o rosto lindo iluminado por centenas de feixes de luz coloridos. Que loucura! Não sabia dizer se o que sentia era adrenalina, por conta daquela parafernália estroboscópica e gritos alucinados, ou ansiedade. Passara o dia todo na expectativa da chegada dos resultados do exame sobre o sexo dos MM's e nada.
Ai... ai... ai, que angústia!
— Vai ficar bem? — Brian gritou bem alto achando que ela não tinha entendido da primeira vez.
— Ah... vou, claro. — Apontou para a dupla de seguranças atrás dela. Em seguida acariciou a barba do marido. — Desculpa te forçar a usar isso, mas vai por mim, ficou bem melhor.
Brian gargalhou.
Só mesmo a Pequenininha para o convencer de passar aquele troço bege na cara. Ao contrário de Gabe, que adorou o mimo e ficou como estátua, enquanto Lilly o maquiava. Brian a princípio protestara, mas depois, claro que cedeu aos apelos do queixinho teimoso que conseguia tirar tudo dele.
— Te amo, sabia? — Beijou-a, porque não conseguia se conter.
Dilon passou e gritou:
— Em dois minutos! — Antes das luzes se apagarem por completo.
As bocas desgrudaram.
— Te amo igual — Lilly sussurrou no escuro e deixou que Brian fosse tomar posição.
Os canhões de luz explodiram varrendo o palco e as notas sexy da guitarra do Brian começaram a introdução de Choices...
A plateia foi ao delírio, a mágica aconteceu e fez-se o show.
... ... ... ... ♥♫♥♪♥ ... ... ... ...
"Bis... Bis... Bis... Bis..."
Adan correu a plataforma de cem metros que adentrava na plateia.
— Uau! Essa foi uma noite quente, Atlanta! — gritou, todo suado e sem camisa. — Como sempre, vocês foram fodas!
A multidão explodiu, reagindo ao apelo sexy da imagem do vocalista. Adan era um encantador de plateias e de mulheres. Ele riu quando uma sequência de camisetas e sutiãs caíram aos pés dele. Aquela era uma das formas das fãs oferecerem companhia. Muitas das peças continham números de telefone anotados nelas.
— Bela coleção. — Abaixou e pegou um sutiã rendado vermelho. — Tentador, mas acho que hoje não vai rolar — disse com uma cara de falsa dor. — Sabem... ando me sentindo meio tiozão. Por que será? — Virou-se para o palco.
Brian sorriu e Lilly congelou na coxia.
Notas de uma cantiga de ninar estilizada começaram a soar da guitarra de Brian.
— Será por isso? — a voz profunda do músico causou comoção na plateia, que se calou.
— Ou por isso? — Penne começou a acompanhar o amigo, dobrando a potência das notas.
Depois vieram Gabe no baixo e as batidas de Big. O que começou com uma cantiga de ninar, foi se transformando em algo maior e extremamente sexy...
O público continuava quieto, sem entender nada...
— Amor... desculpe, preciso escancarar para o mundo o que eu sinto por você. Galera, peguem leve comigo, ok? O craque aqui é o Adan.
Brian sorriu torto, de um jeito que fez as mulheres suspirarem, deslizou a guitarra pelas costas e algo inacreditável estava prestes a acontecer...
Ele quebraria o tabu de uma vida...
Faria algo que jurou ser impossível...
Sim...
Cantaria!
Porra... por ela!
A mulher que a cada dia o surpreendia com sua nobreza e fazia o sentido da palavra amor alçar voos inimagináveis.
Queria algo épico e desafiador...
Precisava dar a Lilly uma prova concreta do que sentia.
Amor, pleno, absoluto e maluco...
Se dependesse dele, aquele momento os marcaria para o resto da vida. Então lançou-se em um voo solo nos vocais, arriscando-se em trechos da canção Like a Star, de Corinne Bailey Rae, uma amiga extremamente querida, que traduzia tão bem, parte dos sentimentos dele:
“Como uma estrela pelo meu céu,
Como um anjo fora da página,
Você apareceu na minha vida...”
...
Enquanto se esforçava para não derrapar nas notas, Brian caminhou em direção à
esposa.
Lilly estava tão sem reação quanto as milhares de pessoas boquiabertas no estádio. Ele não era péssimo cantando? Ele tinha dito isso a ela! Bandido, mentiroso! Está lindo, perfeito! Completamente encantada, Lilly não ofereceu resistência quando ele a pegou pela mão para conduzi-la até o centro do palco.
...
“Parece que eu nunca vou ser o mesmo,
Como uma canção em meu coração...”
...
As pernas dela tremiam, o coração batia e parava, e um tremendo nó na garganta fez com que os castanhos começassem a lacrimejar. Desnorteada, deixou ser conduzida, até pararem bem no centro do palco, diante de milhares de isqueiros que acendiam e apagavam...
Deus!
Lilly estava em choque.
A voz profunda do marido, em uma canção tão delicada, era de um contraste quase sobrenatural, mas apesar de emocionante, toda aquela exibição pública era também aterrorizante... Agarrou-se a ele e escondeu o rosto na lateral do corpo musculoso e suado.
“Você tem esse jeito que eu não consigo descrever,
Você me faz sentir vivo,
Quando tudo só dá errado,
Sem dúvidas, você está do meu lado...
...
Mas agora eu entendo...
É uma honra amar você!”
A música parou.
— Galera... essa Pequenininha me deu o maior dos presentes do mundo. Meus pirralhos estão chegando! Não um, mas dois! Eu vou ser pai, porra! Dá para acreditar nisso? Nós estamos grávidos!
Lilly saiu do esconderijo ao ouvir os gritos alucinados da plateia. Com a visão nublada, por causa das lágrimas, viu a imagem do ultrassom nos telões gigantes e assim que os canhões de luz explodiram em rosa e azul ela desabou em um choro descontrolado.
Brian a envolveu em um abraço protetor e beijou o topo da cabeça moreninha e soluçante.
Bandido!
Lilly levantou o rosto vermelho e o encarou.
— Você disse que o exame estava atrasado! — soluçou. — Um casal? — soluçou mais.
Ele sorriu e levantou o ombro em uma desculpa esfarrapada.
— Pois é, nossas cópias... Eu te amo além da vida, Pequenininha. — Brian a beijou e as luzes do palco apagaram.