Enlaçados: Sex and Rock
Capítulo 23
Brian saltou do banco que dividia com Big no vestiário. Largou a Gibson de aquecimento
de qualquer jeito. A guitarra só não se espatifou no ladrilho, porque Big foi mais rápido. Resgatando-a a milímetros do chão.
Que porra-é-essa?
Big estava embasbacado. O corpo de Lilly sumiu atrás de Brian. O maluco esmagou o corpinho da bonequinha DELE, contra a parede. Caralho! Ele vai sufocar a coitadinha, se enfiar mais um pouco a língua nela!
Tira essa mão da bunda dela, otário!
Lilly! Não! Aí, não!
É moda, agora? Mão na bunda e mão no pau?
O Gladiador pensou em intervir. Olhou em volta, em busca do extintor de incêndio.
De onde surgiu tanto fogo?
Você prometeu não se meter. Lembrou a si mesmo. O caralho que não vou!
Ela está gemendo em agonia!
Big começou uma sinfonia de limpadas teatrais de garganta, mas não conseguiu que aqueles dois parassem de se chupar e se apertar. Os gemidos e respirações ofegantes estavam constrangedores e Big sentiu-se patético. Não era a praia dele olhar os outros se foderem com a boca. Saiu deixando os dois a sós, antes que matasse um deles!
Brian recuou lentamente, com seu corpo ainda pressionando o de Lilly.
— Senti a sua falta, Bela! — rosnou. Precisava daquele beijo! As duas horas nas quais ela ficou longe, pareceram malditos séculos.
Os olhos avelã-esverdeados se abriram.
— Eu também — ela disse sensual, ofegante e com a boca inchada pelo ataque dele.
— Demorou uma eternidade naquele hotel.
— Precisava buscar uma coisa.
Lilly desvencilhou-se dele passando por baixo do braço tatuado, apoiado na parede. Foi praticamente tropeçando até uma pia na outra parede. O ataque de beijos, misturado ao cheiro de mate verde impregnado em sua pele, foi um tiro em seus miolos.
O cérebro dele falhou... Escandalosamente quente! A visão daquela bunda empinada enfiada dentro de calça de couro fez as bolas tremerem. Tremendamente gostosa! Está sem sutiã? Porra! Como vou tocar? A mulher não tinha um centímetro, que ele não achasse totalmente bom.
— Es-tá... hum... sem... boa… pra caralho nessa calça! — Brian mordeu o polegar. Tinha certeza de que a cara dele estava igual de um maníaco-tarado-sem-controle. Puxou os cabelos para se conter. — Coisa?
Lilly ajeitou o rabo de cavalo, todo torto, tentando se recompor.
Jesus! Vai ser assim toda vez que eu botar os olhos nele?
Com o coração batendo a mil e o sangue em ebulição?
Desse jeito, não chego aos vinte e quatro!
Ao contrário do excesso de produção de Gabe e Penne, e da falta em Adan, Brian estava divino. Calças jeans surradas e rasgadas, camiseta branca básica e um All Star preto. Uma
bandana[49] verde exército pendia de uns dos bolsos traseiros, junto com uma corrente.
Nossa, ele vai ficar um pecado, todo suado!
Lilly lembrou-se que trouxera algo que combinaria com a produção de Brian.
Palco, em cinco minutos!
Droga, por que tudo são cinco minutos, por aqui?
No dia anterior, Lilly tinha comprado uma surpresa para ele, mas quando recebeu o anel ficou constrangida, e manteve o presente, intocado na bolsinha. O mimo que havia escolhido era simplório, mas não resistiu quando o viu na loja de acessórios. Era tão a cara dele!
— Hummm... é... ontem à tarde... eu comprei uma coisinha pra você.
— Uma coisinha? Pra mim? Tipo... pensou em mim e comprou um presente?
— Tipo isso…
... ... ... ... ♥♫♥♪♥ ... ... ... ...
Os Dog´s Life tinham acabado o show há uns vinte minutos e a multidão estava ansiosa... batendo os pés e as mãos impacientes pela entrada da Ultimate Bet. Gritando Go, Go, Go, em coro.
Do palco escuro e já posicionado, Brian acariciou emocionado seus cordões de couro trançado no pulso esquerdo. Sorriu só de pensar que Lilly estaria logo ali, usando um jogo de pulseiras iguais. Ela as comprou pensando em nós! Caralho! Fodam-se os diamantes. Aquela era uma
aliança Roots[50] como ele, melhor impossível!
Porra, Bela!
O guitarrista queria a esposa nos bastidores do palco... protegida e segura. Mas, quem disse que o queixinho teimoso não entrou em ação? Lilly bateu o pé para curtir o show da pista junto com a galera que estava no camarim. Brian só cedeu depois que os cinco seguranças, mais Mark e Richard prometeram não desgrudar os olhos dela. Tudo bem, que era a área VIP. Mas foda-se!
— Olha lá, hein, Daniel? Ela é toda miudinha. Pra sumir ou levarem, são dois palitos!
— Relaxa, Brian. Vou ficar com ela bem na sua frente.
Todas as luzes do estádio se apagaram e a multidão foi ao delírio. Houve histeria de pulos e gritos ensurdecedores, e contagiantes. Um mar de isqueiros começou a piscar em expectativa. O corpo e o coração de Lilly pularam com uma explosão dos canhões de luz sobre a plateia. Depois, o breu. Outra explosão. Mais breu...
O estádio ficou mudo.
Uma batida do surdo de Big e um feixe azul de luz acendeu, revelando Adan. Só de jeans e descalço, cabelos presos em uma espécie de coque louco.
O cara era um gostoso também. Brian que a perdoasse. As meninas ao lado dela, na área VIP quase gozaram com a nova mania de ficar seminu dele.
— Prontos para ferver, Las Vegas?
Aos gritos e delírios, os fãs responderam ao comando da voz rouca.
Um soco no ar do braço Viking... e outra batida seca do surdo foram o comando para que quatro novos feixes de luz azul se juntaram ao de Adan. Pah! Fixos em pontos do palco. Brian! Big, Penne e Gabe acenderam. Três gigantescos painéis de LED explodiram atrás deles, com imagens psicodélicas... e raios estroboscópios começaram a sobrevoar a multidão.
— São os meus amigos! São os meus amigos! — Lilly gritou para ninguém e todo mundo, pulando e batendo palmas, empolgada.
As batidas suaves dos pratos e do surdo de Big começaram a introdução de Choices. O Gladiador parecia um rei do alto de seu kit de bateria. O baixo suave e sensual de Gabe surgiu e as meninas da plateia surtaram. Em seguida, ecoaram a levada classuda da guitarra base de Penne e gritos de gostosa. Outra explosão da bateria de Big e a guitarra sexy de Brian lambeu a plateia, junto com as primeiras estrofes cantadas por Adan.
O estádio veio abaixo.
Um arrepio percorreu a coluna de Lilly. Jesus! Como ele é bom! Ela nunca tinha se permitido reparar mais que dois minutos em Brian sobre o palco. No show de L.A., tinha ficado do outro lado, na frente da Penne e com Will em seu cangote.
De pertinho, Lilly assistiu a uma metamorfose: do homem para a estrela de rock. Os movimentos sexy do corpo e os dedos maliciosos acariciando as cordas da guitarra a levaram para outro mundo. O solo de Brian acariciou o corpo de Lilly e então, não havia mais multidão ou banda... Só ele e as notas da guitarra.
Viu-o interagir com Adan em uma disputa de guitarra e voz, em [51] Forever. Brincar com
Penne em um duelo incrível, em [52] [53] Haven . Provocar Gabe no solo de baixo de Heart Fire,
fazendo caretas e depois o aplaudindo. Escalar a estrutura da batera em um dueto divertido com
Big, em [54] Those Womens.
Mamma mia!
Tinha uma sobrecarga de energia nele, correndo pelo palco, sensualizando com a guitarra e instigando a plateia. Foi como se um raio o tivesse atingido antes do show, transformando-o em um ser mágico, altamente etéreo e erótico.
O cabelo ficou úmido e a camiseta molhada.
Misericórdia!
Agora, Lilly entendia as fãs, queria até abraçá-las. Também se mataria caso ele se casasse com uma qualquer. Também queria aquele homem só para ela. O corpo já quente, pegou fogo e lá estava a dor suplicante entre as coxas dela.
Adan correu até o fim da plataforma da pista e a multidão gritou excitada.
— Hey! Las Vegas! — provocou e apontou o microfone para o público que rugiu em resposta. — Excitados? Eu estou!
Rugidos e gritos mais excitados eclodiram por todo estádio. Camisetas foram jogadas sobre a plataforma.
— O que acham dessa [55] Sexy Night?
A multidão foi ao êxtase. Quando os canhões transformaram o palco em um profundo vermelho, a introdução lenta e chorada de Sexy Night, na guitarra de Brian, fluiu nos alto-falantes. Penne e Gabe se juntaram a ele no meio do palco. Os três juntos eram quentes. Penne no centro e os dois a instigando e se esfregando em movimentos indecentes.
Lilly queria ser Penne.
Trinta mil vozes cantaram em coro junto com Adan e quase gozaram com o trio sensualizando no palco.
A respiração de Lilly ficou presa quando Brian a encontrou em seu canto escuro... os olhos dele se prenderam aos dela. Tocou o resto da música, sem desviar a atenção. Parecia que aqueles movimentos indecentes eram só pra ela. Jesus. Porcaria de homem mais maleável e safado. Quis matar o Adan quando ele retornou, obstruindo o contato deles. Brian gargalhou e voltou à sua posição. Agora, bem em frente dela, beijou o pulso esquerdo com as pulseiras e depois apontou na direção da esposa.
Lilly tinha certeza de que perderia o controle se ele não parasse com aquele olhar absolutamente irresistível. Brotou uma vontade louca de escalar o palco na unha e agarrá-lo.
— Conhece ele? — a mulher de cabelos negros ao lado de Mark perguntou.
— Hã?
— O jeito como ele te olha? Conhece ele?
— Ah! Sim, ele é meu! — respondeu excitada, sem tirar os olhos do moreno praticamente transando com a guitarra à sua frente.
— Uau! Então é sério? Ele e você? Casados pra valer? Pensei que depois que o porre passasse...
— Sim! — Lilly interrompeu animada. — Meu Brian. Meu marido.
A morena riu da empolgação possessiva de Lilly e assustou-se quando Adan pulou do palco bem na frente delas.
— Caramba, Adan! Quer me matar! — a mulher esbravejou e ele riu satisfeito.
A multidão separada pelas grades, estava quase invadindo a área VIP, em puro delírio. Lilly podia jurar ter ouvido na voz de Brian um breve: Cuidado, porra! A segurança teve trabalho quando Adan correu batendo a mão em centenas de braços esticados ao longo da grade de proteção.
— Vegas! Temos um solo especial esta noite! — Adan gritou. A imagem dele estava refletida nos telões. Quando Lilly se viu de relance ao seu lado, tentou se esquivar, mas o braço suado do vocalista envolveu-a no ombro. Beijou Lilly e olhou, provocando Brian. A multidão explodiu. Comendo cada segundo. Depois, beijou a morena alta, que limpou o rosto com nojo.
A multidão surtou quando Brian introduziu os primeiros acordes dando a deixa e tocou no microfone preso ao rosto.
— Hora de voltar para o palco, Adan, o recreio acabou — Brian brincou e a voz profunda saiu ainda mais sexy, ecoando pelo estádio lotado. — Las Vegas! Preciso de vocês com esse solo!
Alguém gritou alguma coisa que Lilly não conseguiu ouvir. Brian gargalhou.
— Isso não está em discussão, querida. Apenas aceite! — Brian sorriu para as fãs.
Aos gritos excitados da plateia, o barulho ficou ensurdecedor quando começaram a bater fortemente os pés, na madeira de proteção da grama.
Adan voltou para o palco com a ajuda dos seguranças, correu pela plataforma da pista batendo palmas e instigando o público. Big, Penne e Gabe fizeram o mesmo das suas posições.
— Acho que já souberam da novidade, né! Mostre a eles, Brian! — Big falou pela primeira vez na noite.
Brian sorriu torto. Levantou a palma da mão virada para a plateia. A aliança grossa em sua mão esquerda, reluziu nos três telões. A multidão eclodiu novamente, vários aplausos, gritos e algumas vaias femininas também. Ele olhou para um grupo de mulheres inconformadas.
— Obrigado por estarem felizes por mim! — disse, depois virou-se para Lilly, beijou a aliança e abriu um sorriso de Oscar.
Lilly congelou e os joelhos fraquejaram.
Não faça isso.
Não faça isso.
Não faça isso.
— Essa é para alguém muito especial. Feliz aniversário, Lilly.
A guitarra de Brian ecoou em um parabéns para você estilizado em blues, acompanhado por trinta mil vozes. Só Brian iluminado no palco e milhares de isqueiros piscando e celulares acesos. Se não fosse pelo abraço providencial do Ursão, que sussurrou um: “Tão romântico...” e começou a chorar compulsivamente, Lilly teria desmaiado ali mesmo, com a sua imagem dividindo os telões com Brian. Não conseguiu conter umas lágrimas atrevidas entre os mil sorrisos bobos que lançou para ele.
— Isso foi lindo! Obrigado, Vegas! — Brian agradeceu. Piscou para Lilly e correu pelo palco em outra direção, assim que, a batera de Big explodiu na introdução de Paradise.
O que foi isso?
Lilly estava perdida.
Gabe entrou com seu solo melódico de baixo, Penne o acompanhou… o show ainda seguiu em mais uma sequência de oito músicas, com um solo eletrizante de batera e três riff's acústicos de Brian. No final do bis... tudo que se via era uma multidão encharcada de suor, pedindo por mais.
Adan pegou e cheirou um sutiã jogado no palco e discursava sobre a plateia ter sido foda naquela noite. Brian, Gabe e Penne lançaram paletas e Big, um par de baquetas da noite. Músicos esgotados, mas satisfeitos por mais uma apresentação estupidamente perfeita.
Minutos se passaram até que Lilly recuperasse o fôlego. Ela ficou de pé na área VIP, com os olhos vidrados no palco vazio e escuro... tentando entender. Brian estava bombardeando o coração dela de todas as maneiras e a libido também. Sempre o achou sexy, mas vê-lo daquele jeito no palco, molhara a calcinha dela como nunca.
Ela não era de ferro.
Caramba!
As luzes do estádio acenderam, tirando-a do transe.
Daniel quase a perdeu, quando Lilly saiu correndo que nem louca. Atônito, assistiu o corpo delicado da sua protegida, desviar da multidão. Depois, espremer-se entre as pessoas, até conseguir subir as escadas laterais do palco em direção ao backstage.
Tudo que Lilly precisava era encontrar Brian. Beijá-lo, depois bater nele e depois beijá-lo novamente e perguntar, por quê? Os anéis, a fonte, as tintas e agora os parabéns. Tudo aquilo extrapolava e muito os limites da aparência que ambos precisavam encenar.
Não fazia sentido. Não era como se Brian precisasse conquistá-la. Já eram casados e deram-se bem desde o primeiro minuto. Ele já a tinha em sua cama e Lilly não escondia a atração avassaladora que sentia ou vontade óbvia de desfrutar de prazer. Ao contrário, ela estava aberta e tinha demonstrado os seus sentimentos pelo guitarrista, correspondendo a todos os ataques esfomeados do músico, na mesma medida.
— Lilly!
Um grito freou a corrida dela em direção ao camarim, que derrapou no chão liso quase perdendo o equilíbrio. Daniel que vinha na mesma levada frenética atrás dela, desviou por um triz evitando o choque.
— Ai, caramba, senhora Pierce!