Enlaçados: Sex and Rock

Anne Krauze · Capítulo 31 de 50

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Enlaçados: Sex and Rock

Capítulo 29

Brian a beijou com energia, explorando a boca de Lilly com a língua. Ela gemeu,

agarrando-se mais a ele. Muitos minutos se passaram até que o músico parou o beijo encarando-a novamente.

— Estou louco por você! — Depois a atacou com mais profundidade.

Ficaram ali, ao lado do palco... beijando-se e enroscando-se, alheios aos ruídos da guitarra nas costas de Brian, a presença de Daniel e ao corre-corre da equipe de desmontagem.

... ... ... ... ♥♫♥♪♥ ... ... ... ...

 

Os protestos de Mark sobre um grupo VIP que esperava pela banda em uma boate não surtiram efeito. Brian arrastou Lilly pelos corredores. Os seguranças tiveram que trabalhar dobrado para afastar os fãs e os jornalistas e, em dez minutos, o casal subia as escadas do Palazzo.

— Que porra é essa?

O corpo de Brian retesou e parou, fazendo uma muralha de músculos à frente de Lilly. No embalo, ela chocou-se contra ele, quase caindo de bunda.

— Oi, garanhão... pronto pra mim?

Garanhão?

Lilly inclinou o corpo, desviando da muralha Brian para localizar a dona da voz vulgar.

Caramba! O que é isso?

Analisou a figura da mulher, sentada sobre a bancada da cozinha, completamente nua... Pernas magras e quilométricas cruzadas, seios extra GGG, uma garrafa de champanhe em uma mão e duas taças cheias na outra.

Rindo alto, a loira, muito platinada, colocou a garrafa sobre o balcão e deu um gole no champanhe. Depois, olhou com indiferença para a cabeça de Lilly atrás de Brian e voltou a sorrir para o músico.

— Dispense a fedelha, quero repetir a foda quente que tivemos em Vegas. — A vadia molhou um dedo no líquido borbulhante, circulou um dos mamilos enormes, mordendo o lábio inferior.

Vegas?

— Como entrou aqui? — a voz de Brian era puro desprezo.

— Você me deu passe livre, esqueceu? Vamos... eu sei o que quer. Dispensa logo essa franguinha e vem meter essa tora gostosa em mim.

Lilly sentiu o corpo de Brian tensionar mais ainda, e um rosnado baixo escapou do maxilar cerrado. As veias do pescoço dele estavam saltadas e uma adrenalina ruim fez o coração dela disparar e a boca secar.

Dedos com longas unhas vermelhas desceram para o centro das pernas escancaradas.

— Quero que me castigue... e me foda com raiva, Brian... Igualzinho ao que fez no outro dia...

Os olhos de Lilly triplicaram de tamanho e um gemido sofrido lhe escapou da garganta. Aquilo não era sexy, era vulgar.

Quem se excita com isso?

Brian fechou os olhos... Sim, ele a tinha fodido com raiva… E nunca se arrependera tanto de um porre na vida...

Merda! Merda! Merda!

Bem que o Gabe falou que dar passe livre para um tipo como o da Diana era um tiro no pé, mas estava tão bêbado...

Por instinto ou vergonha, o guitarrista tapou os olhos de Lilly. Mãozinhas pequenas agarraram-se às dele. Ela queria testemunhar aquela pouca vergonha e gritar, mas suas cordas vocais congelaram. Estava chocada... Não deveria, mas estava...

Loira idiota, oferecida!

Tão parecida com Ava.

— Vá embora, Diana, e devolve essa merda de passe!

Ele deu um passe para ela?

Um gosto amargo brotou na boca de Lilly...

Será que a história de Ava sobre Brian ter uma amante era verdadeira?

— Credo... quanta grosseria... — A loira apontou para Lilly, que se debatia para livrar-se das mãos do marido. — Se a baixinha for o problema, não me importo que assista, tô sabendo que ela é do tipo que compartilha... e estou com tanto tesão... garanhão.

O quê... dividir? Como ela sabe disso?

Acostumada uma pinoia!

— Tem cinco segundos para colocar essa merda de roupa e sair, se não quiser ser chutada daqui pelada! Cai fora, PORRA! — a voz de Brian agora, beirava o ódio.

— De jeito nenhum vou sair antes de ter o que quero! — A loira gargalhou, completamente bêbada.

Lilly cravou as unhas nas mãos de Brian, que a soltou.

— Droga, Lilly!

Ela ignorou o grito dele e deu um pulo para trás se afastando. Quando Brian tentou pegá-la, levantou a mão indicando que nem chegasse perto. Estava vermelha, descabelada e ofegante. A cara de pavor do roqueiro e os cabelos sendo arrancados não a sensibilizaram.

— Vocês são amantes? — Lilly encarou a mulher com fúria.

Ela estava em uma situação humilhante, pra caralho!

— Somos — a loira devolveu com petulância.

— Não somos! Cale essa boca, Diana!

— Ah, garanhão... não negue as fodas que tivemos... [64] Desfoder não rola, sabia?

Brian voltou-se para Lilly.

— Não somos amantes, tem que acreditar em mim. Foram só uma... merda!

Lilly limpou com raiva uma lágrima que caiu, olhou para Brian e depois para a loira que parecia achar tudo divertido. Em seguida, ajeitou a postura e empinou o queixo.

— Boa foda pra vocês!

— Não, Lilly!

Ela deu um drible em Brian, correu, entrou no quarto e bateu a porta.

— Lilly... Pelo amor de Deus... abre isso aí. — Murros tentaram pôr a porta abaixo.

Magoada e humilhada, Lilly apertou o botão do interfone e pôde ouvir várias novas vozes surgindo e se misturando à de Brian e a da loira, que gritava algo incompreensível.

Lilly ouviu mais gritos e uma confusão começou. Espiou pela janela e viu quando a mulher saiu escoltada pelos seguranças, envolta em um casaco. Um FLASH de memória! O ar fugiu dos pulmões dela.

Filho da mãe!

— Lilly, não tenho nada com a Diana! Abre, por favor!

Sim. Diana!

Da-i-a-na!

Lembrou-se da loira grossa no camarim em Vegas, no mesmo dia em que Brian praticamente a enxotou e chegou várias horas depois no hotel! E depois... e depois... Deus! Lilly escondeu o rosto com as mãos, as pernas bambearam e ela caiu no chão.

— Lilly!

Ela entregou-se a ele.

Jesus! Droga!

Vai saber quanto tempo depois de ele ter fodido a tal Diana com raiva... Não que ele lhe devesse fidelidade ou que tenha sido seduzida, forçada, mas, caramba! Dividir a sua noite especial com a vadia GGG era um pouco demais...

Merda!

Não usamos camisinha!

O estômago de Lilly revirou. Imaginar que aquele pau dele, que ela CHUPOU, estivesse horas antes enfiado na ordinária.

Merda!

— Lilly, por favor... abre isso aí. Vamos conversar. O lance com a Diana...

— Chega, Brian! — interrompeu-o. — Não quero conversar, só me deixe em paz!

— Vai deixar que aquela louca estrague tudo?

Que cara de pau!

— Não me interessa se é louca, não tenho nada com isso. Só me deixe em paz, ok! — Lilly apertou o botão e interrompeu a comunicação, deixando o silêncio reinar.

... ... ... ... ♥♫♥♪♥ ... ... ... ...

 

Daniel voltou ao Palazzo, assim que despachou Diana. A mulher era uma vadia da pior espécie. Soltou um suspiro de desgosto. Sabia que a bebedeira de Brian na outra noite, terminaria em merda. Disse a ele que trepar só para esquecer que Lilly se casaria no dia seguinte, era a pior das fugas. Tentou aconselhá-lo, mas o cara estava completamente fora do eixo e a fim de afogar as mágoas na primeira boceta que aparecesse. A piranha foi esperta, agarrou a chance.

Deu no que deu.

O idiota estava a ponto de estragar tudo com uma garota nota dez, por uma foda errada. Daniel olhou com pena para Brian, parado como um cachorro sem dono, mãos sobre o batente e testa colada na porta, suplicando para que Lilly abrisse o quarto.

O segurança colocou a mão sobre o ombro do músico. Às vezes, as funções dele iam além... babá, conselheiro, psicólogo... o que Brian precisasse. Agora seria apenas o amigo.

— Cara... dê um tempo pra ela. Só vai piorar as coisas, insistindo.

— Mas...

— Mulheres são diferentes, precisam de um tempo para digerir as merdas. Ela vai abrir... no tempo dela.

Ainda sem desgrudar as mãos e a testa da porta, Brian suspirou. Sabia que Daniel tinha razão. O homem sempre tinha razão, mas a ideia de derrubar a porta e entrar à força ainda era tentadora.

— Vem, vamos tomar uma cerveja — Daniel insistiu, segurando forte a nuca do guitarrista.

— Não vou sair daqui.

Daniel se muniu de paciência. Um pouco de psicologia não faria mal!

— Quem disse que vamos sair? Vamos ficar de guarda, na cozinha, tomar umas e conversar.

Conseguiu arrastar Brian.

Aleluia!

Acomodou-o na mesa de refeições da copa. Pegou duas cervejas e sentou-se com ele. Achou providencial Mark ter levado os outros caras para uma presença VIP na boate. Big não era um homem calmo e a situação estaria bem pior. Com certeza, o Gladiador já teria derrubado a porta e Penne estaria fazendo um daqueles discursos intermináveis sobre tietes vadias e roqueiros prostitutos.

— E se ela não abrir?

— Vai abrir.

— E se ela não quiser me ouvir?

— Vai ouvir.

— E se for embora?

— Vai ficar.

Brian o observou, sem colocar muita fé em toda aquela certeza.

— Se coloca no lugar da garota. Ela não está acostumada ao estilo lascivo de vocês e acabou de passar por um rompimento traumático com o noivo. Além de ter sido traída pela própria irmã. Daí, chega e encontra a pior das vadias, completamente nua, te chamando para um repeteco! Porra, Brian, pensa! Não importa em que circunstâncias, mas estão casados — Daniel jogou a real.

Depois, tomou um gole da cerveja e esticou as longas pernas. Esperou por uma reação de Brian, mas o roqueiro permaneceu quieto, só ouvindo, e com os olhos fixos na porta fechada.

— Pelo jeito... vocês dois... hum… chegaram aos finalmente? — Daniel sondou com certo constrangimento.

Brian desviou o olhar da porta, encarou o segurança e confirmou sem jeito.

— Imaginei — o guarda-costas disse amigável. — Então... a Lilly não parece ser do tipo que sai por aí transando com qualquer um, ainda mais depois de ter sido traída como foi. Garotas como ela costumam criar expectativa, caralho! — Ele não queria, mas exaltou-se. — Você tem três irmãs, deveria saber disso!

— Eu sei... Eu mesmo criei expectativa. Sei lá, Dani, eu já achava a Lilly especial, mas agora...

Brian parou e virou a cerveja de uma levada só. Ele não queria ter aquele tipo de conversa, mas Dani tinha uma coisa que lhe inspirava confiança desde que eram pequenos. Sabia que jamais usaria suas palavras contra ele.

— Agora? — o segurança o incentivou.

— Agora, por mais que eu queira, não posso apagar o meu passado de merda. Sei lá, é confuso... — Cansado, Brian esfregou os olhos. — Agora parece que tudo o que eu fiz, até hoje, foi sem sentido ou errado. Tem alguma coisa na Lilly que me diz que ela é “A Garota”. Tudo que sinto ao lado dela é novo… é intenso... é mais... muito mais.

Daniel era um homem com certa sensibilidade e tinha percebido aquele algo a mais na primeira vez em que os vira juntos. A sintonia entre os dois era impressionante... Juntos ou separados, era nítida a ansiedade de ambos querendo agradar... ou preocupando-se. Mas aquilo era uma coisa que teriam que reconhecer sozinhos. Queria ele ter a sorte de ser visto... ser amado.

— Se pensa assim, meu amigo... não perca a garota. Lute... vá atrás...

— Rastejar?

— Não! — Daniel deu um soco no ombro de Brian. — Não acho que a Lilly gostaria que se humilhasse por ela. Agora, ser tratada com respeito, tenho certeza que sim.

Minutos se seguiram, depois horas...

Uma cantoria e os risos do lado de fora anunciaram a chegada do resto do bando. Lion entrou carregando Penne, totalmente bêbada, tentando mantê-la acordada. Ele deu um leve aceno, puxou a escada embutida no teto e subiu com a guitarrista.

Adan, Gabe e Big não estavam muito melhores que a amiga, mas, pelo menos, ainda conseguiam andar e falar.

— O que fez com a Diana? — Gabe perguntou, tentando se equilibrar apoiado do balcão.

Big sentou com tudo no banco ao lado de Brian, fazendo o corpo do guitarrista pular com o impacto.

— Ela chegou na boate soltando fogo. — esclareceu Adan.

— Eu e a Lilly a encontramos nua e bêbada. Foi patético. Eu a expulsei — Brian disse irritado.

— E a Lilly? — Big rosnou.

— Está no quarto, dormindo. Odiou a situação. — Brian não quis entrar em detalhes. Nem sabia ao certo, se Lilly havia dormido, mas não iria confessar aos amigos que ele estava trancado para fora do quarto.

Adan abriu a geladeira, pegou mais uma cerveja e sentou-se ao lado de Daniel. O cabelo comprido estava um caos... meio preso e meio solto em um coque.

— Acho que devíamos bani-la. Aquela mulher é problema... tem a boceta mais rodada que pneu de Fórmula 1.

— Recolhi a credencial dela, mas não posso proibi-la de ir aos shows. Nem temos como controlar isso — Dani explicou sem graça. Levemente corado.

Gabe escorregou, sentando esparramado no chão.

— Por mim tudo bem — o baixista disse com desdém. — Nem é uma foda que valha a pena. Parece uma gazela esganiçada quando goza.

— Não sei como Brian foi cair na dela. A mulher nem é o tipo dele. Artificial, pra cacete — Dani disse sério.

Gabe fez uma careta.

— Culpa minha... Eu botei fogo pra que o Brian a pegasse. Ele estava muito tenso e precisava relaxar. Nem sabia quem era. Deve só ter mirado no buraco e metido com tudo! — Gabe riu, imaginando a cena.

— Usou camisinha pelo menos? — Big rosnou.

— Usou. — Gabe gargalhou. — Assim que chegamos naquela boate de Vegas, fiz ele ir ao banheiro e colocar duas. Brian estava tão bêbado, que mal conseguiu colocar o preservativo sozinho. — Gargalhou novamente. — Até ofereci ajuda, mas esse aí não deixa macho tocar no pau dele, nem por decreto.

Brian suspirou aliviado.

Não lembrava de ter usado preservativo. Naquele dia, tudo o que queria era beber pra cacete e esquecer... Meter e meter, e esquecer, mas nada adiantou.

— Valeu cara, te devo essa — Brian agradeceu, envergonhado, ao baixista.

— Deve mesmo. — Adan gargalhou. — Do jeito que a mulher é esteticamente alterada... ia aparecer com um filho ruivo dizendo que era seu. Repararam que os olhos dela são artificiais?

— Porra, não brinca! São de vidro?

— Não, imbecil! Ela é cega por acaso? — Adan deu um tapa na testa de Gabe. — Lente de contato. Aquele azul é mais preto que os olhos do Dani.

— Acho os olhos do Dani muito lindos. — Gabe sorriu torto e o segurança engasgou com a cerveja.

— Porra! Quase quatro da matina! — Big levantou cambaleante. — Que horas o Dilon vai levantar acampamento?

— Às seis. Tucson fica perto, a duas horas daqui — Brian disse, esfregando o rosto e bocejando.

— Acho melhor aproveitarmos para dormir sem o ronco do motor — Adan sugeriu, levantou e puxou Gabe o colocando de pé.

... ... ... ... ♥♫♥♪♥ ... ... ... ...

 

O dia já estava amanhecendo... Lilly foi puxada de seu sono difícil por uma manobra do Palazzo. Ficou revirando na cama por horas... Por mais que a razão dissesse para ter cuidado e se afastar, o coração pedia para que ela não fosse tão dura.

Droga!

Queria o Brian!

Arrastou-se da cama e espiou através da persiana fechada. Dilon estava manobrando para sair do estádio, ainda estavam em Phoenix.

Com cuidado, abriu a porta do quarto. Coitadinho! Encontrou o marido espremido no sofá da sala, deitado de lado com os braços cruzados sobre o peito. O sofá embutido de couro branco era comprido, porém estreito, o corpão de Brian nunca ficaria confortável ali. Poxa vida! Ela sentiu-se mal por ele. Deveria ter ido para um dos beliches.

Sabia que não poderia ficar com raiva do músico para sempre. O que não mudava muito a realidade dela. Brian tinha um estilo de vida pregresso, muito diferente do dela. Pensou por horas, e não tinha certeza se conseguiria se adaptar àquilo. Sexo sem compromisso era uma coisa. Agora, mulheres vulgares... poligamia... compartilhá-lo... Droga! Pensou que poderia, mas não podia. A simples ideia a deixava doente.

Com cuidado, foi até ele, abaixou-se e passou a mão no rosto suado. A barba estava piniquenta.

Se ao menos ele não fosse assim tão lindo!

Droga de vida!

— Brian... — chamou-o baixinho. — Brian...

— Brian.

A voz doce e sussurrada, e o toque macio no rosto, tiraram Brian de um pesadelo.

— Lilly? — Abriu os olhos para encontrá-la ajoelhada diante dele, descabelada. — Oi.

— Oi.

O sorriso tímido aqueceu o coração dele.

— Você chorou? Lilly, desculpa.

Ela balançou a cabeça negando enfaticamente. Claro que chorou! O rostinho inchado não deixava dúvidas, mas Brian não quis insistir. Sentou-se no sofá, esfregando o rosto. Lilly ficou de pé diante dele. Uau! Foi impossível não a desejar e evitar as reações impulsivas da Fera que rugiu para a vida. Porra! O momento não era para aquilo. Mas vê-la de camisolinha de renda azul-marinho, com rosinhas amarelas enfeitando as alcinhas delicadas, era um pecado. Ele conseguia ver a calcinha minúscula, através do tecido larguinho e semitransparente.

Caralho!

Engoliu em seco e tentou mudar o ângulo de visão. Merda! Aquele lacinho entre os seios... Bosta! Parecia um anjo pecador.

— Melhor ir para o quarto... o sofá é muito estreito. Vai estar moído para o show de amanhã.

Brian não esperava por aquilo.

— O quarto? Aquele quarto? — Girou a cabeça mirando na porta que tinha ficado por horas trancada. — Com você? Lá dentro?

Lilly cruzou os braços em dúvida, olhou em direção ao quarto, depois voltou a encará-lo.

O peito de Brian apertou.

Ela suspirou. Não queria causar um constrangimento maior. Ser pega dormindo no sofá levantaria muitas perguntas.

— É o que temos... Acho que posso lidar com isso. Somos parceiros, não?

— Si-sim...

Parceiros? Não! Somos mais, muito mais...

Brian levantou-se de um pulo só e a seguiu. Foi arrancando a camiseta e desabotoando a calça jeans. Lilly olhou com espanto.

— Preciso de um banho... o show...

— Oh! Então tome um.

Malditas modernidades! Odeio arquitetos. Pra que um boxe de vidro no quarto? Não podiam ter planejado um chuveiro mais reservado?

Lilly afundou nas cobertas, tentando não olhar. A cada segundo que passava, achava Brian mais deslumbrante... e forte... e gostoso... e grande. Droga! Ele está duro? O cheiro de mate verde inundando o quarto... a fumaça saindo do chuveiro...

Seja forte, Lilly! Só parceiros! Será melhor assim... Hoje foi a Diana, amanhã, sabe-se lá quem será!

— Posso me deitar aí com você? — a voz ao lado da cama, a obrigou sair do esconderijo das cobertas. Droga! Cabelos úmidos, boxer branca, cheiroso...

Força, Lilly!

— É a nossa cama, não?

— Parece que sim. — Brian não pensou duas vezes, se enfiou embaixo das cobertas. —

Posso te abraçar?

Abraçar? Oh, oooh! Péssima ideia.

— Pode, só porque estou com muito frio. Não consigo dormir... Isso aqui está um gelo — Lilly disse envergonhada.

Frio?

Brian saltou da cama animado.

— Onde vai?

— A luz... — Apagou a luz e aproveitou para, discretamente, diminuir em mais alguns graus a temperatura.

Aconchegou-se, ficando de conchinha. Lilly sentiu na hora o cutucão da Fera e dedos afastando os cabelos dela para liberar-lhe o pescoço. Todos os pelinhos dela arrepiaram e o coração palpitou. O corpo forte e quente de Brian grudou-se ao dela.

Droga!

Seja forte!

— Tão cheirosa... — Um beijo molhado na nuca. Inferno! Ela se agitou. Se ao menos não estivesse com TANTO frio.

Brian sentiu o corpo de Lilly estremecer, mas a bundinha gloriosa não se esfregou nele como estava esperando... nada disso, ela afastou-se, quebrando o contato com o pau pra lá de dolorido.

— Não quer o meu abraço?

— O abraço tudo bem, mas... nada dos beijos molhados... nada da Fera ou dos solos em minha Bela. — Ela suprimiu um gemido. Droga! O peito dele subia e descia em uma respiração irregular. Lilly se amaldiçoou. Seria tão mais prudente se conseguisse ficar longe, mas encostar nele trazia paz, segurança... e desejo.

Inferno!

O QUÊ?!

— Não quer?

— Não... nada. Eu te desculpei... a Bela não.

Não? Como vou viver? Amo a Bela.

— Lilly... sobre a Diana... precisamos conversar.

Lilly inspirou vacilante. Virou-se para ficar cara a cara com ele. Tentou manter a expressão impassível, apesar de um pouco corada. Foi difícil resistir, com o olhar dele vagando para os seus lábios.

— Agora não, Brian... vamos apenas dormir, tá?

Ele soltou um longo e triste suspiro.

— Não podemos deixar pra lá. Temos que conversar.

Lilly o observou por um momento. Sabia que precisava ser firme. Ceder seria um erro. Era o mesmo que falar: Hey, olhe para mim, sou igual a elas! E não era. Simplesmente não poderia ser. Queria dizer que não o compartilharia. Mas tinha dito para ele curtir do jeito que estava acostumado. Não era justo que, do nada, resolvesse mudar as regras, só porque ela tinha percebido que não suportava a ideia de vê-lo com outras. Voltou a ficar de costas, os olhos desesperados dele a torturavam.

Eu não vou mais transar com você! Por mais que eu te deseje... eu não posso...

— Estou cansada, você também. Não quero brigar.

Brian percebeu que algo havia rachado e seu coração doeu. Daniel tinha razão, Lilly era diferente daquele mundo depravado. Teria que mostrar para ela que estava no meio apenas pela música. O restante do pacote... fama... farra... e mulheres... não o interessavam mais.

—Tudo bem, sem Bela e a Fera hoje.

— Obrigada.

Beijou os cabelos cheirosos e a puxou com força junto a si. Ele era incapaz de ficar longe. Enterrou o rosto no pescoço de Lilly e respirou fundo o cheiro de flores e lima. Poxa, bonequinha... se você soubesse... Sentiu Lilly querer se afastar.

— Não se afaste, por favor.

A pegada dele em sua cintura era tão firme, que impedia qualquer possibilidade de fuga. Lilly respirou fundo.

— Não vou me afastar, mas apenas me abrace... e se comporte.

— Posso me comportar, se prometer não fugir.

— Prometo. — Ela finalmente relaxou e descansou a cabeça no braço forte de Brian. Os olhos dela voltaram a ficar pesados e pegou no sono.

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