Enlaçados: Sex and Rock

Anne Krauze · Capítulo 22 de 50

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Enlaçados: Sex and Rock

Capítulo 20

— Mmmmm... — Um arrepio quente e molhado ia e vinha no pescoço de Lilly. Uma perna

pesada infiltrava-se entre as dela e braços possessivos ao redor da cintura a impediram de mover-se e virar. Uma sucção na parte macia da orelha fez a coluna de Lilly contorcer e os pelos arrepiarem.

Meio acordada... meio dormindo, levou uns segundos para tomar consciência do corpo enorme e quente atrás dela. Brian! Uma língua atrevida deslizou entre a orelha e pescoço, fazendo-a sentir calor... muito calor, que aumentou quando uma mão enorme acariciou a pele nua de sua barriga... descendo... Deus!... e começando a afagar a delicada faixa de pelos púbicos.

— Gosto disso... muito — disse a voz masculina rouca e preguiçosa, de quem acabou de acordar.

— Mmmmm...

Foi impossível pronunciar qualquer coisa estando semidormindo e provocada por uma mão atrevida à procura de seu clitóris.

— Gosta de acordar assim? — Dedos abriram a boceta e atingiram o núcleo, de Lilly fazendo-a despertar na hora. — Hummm, molhadinha.

— Achei que eu... eu... estava... sonhando... — Lilly não conseguiu evitar que suas palavras saíssem sem sentido e engasgadas.

Os dedos ágeis começaram a acariciar o clitóris em um movimento lento e provocante.

— Comigo?

— Não lembro… Briaaaaaannnn.

— Mentirosa.

Deus!

Como ele faz isso?

A velocidade, ritmo e pressão eram simplesmente perfeitos. Gemidos desconexos logo escaparam da boca de Lilly. Depois da boca de Brian...

Demorou quanto? Cinco segundos para deixá-la tão excitada?, ele pensou.

Dominada, Lilly deixou-se levar pelo balanço e esfregou, e rebolou a bunda contra a força da natureza atrás dela. Para frente e para trás, em círculos lentos e constantes como uma onda...

Com a mão livre, o músico torturou um dos seios. O massagear, puxar e torcer que Brian estabeleceu no mamilo dela era algo que Lilly nunca tinha experimentado na vida. Despertando sua libido e fazendo ligação direta com o centro nervoso entre as pernas, ela nunca tinha sentido dedos mágicos como aqueles. Tudo aquilo era tão novo: o som da voz, o corpo, o jeito de mexer... Senhor! Nada do que pudesse ter vivenciado, chegava aos pés de Brian.

Finalmente, ela se deu conta de que nunca experimentara tal nível de prazer. Com o Will tinha aprendido muito, claro, mas só naquele momento pôde compreender que, no fundo, ele havia sido egoísta com ela, negando-lhe a experiência plena do sexo e da troca. O ex sempre fora disposto a receber, mas nunca a dar.

Tudo era mágico... o som de sua carne excitada sendo tocada com energia... as respirações ofegantes... os corpos suados... a excitação umedecendo mais e mais as partes íntimas dela.

Deus!

O corpo de Lilly convulsionou, contorcendo-se em seu primeiro orgasmo matutino na vida.

— Oooooh, Deus... Oooooh, Deus!... Bri-aannnn.

— Feliz aniversário... Lilly Love.

Assim que ela acalmou um pouco, virou, apoiando-se sobre o peito dele... procurou pela boca macia... e encostou seus lábios...

— Adorei a batida. Melodia perfeita.

— Exclusiva pra você.

— Até parece que nunca tinha feito isso antes.

— Não! — Ele esboçou uma cara de ofensa.

Lilly fingiu acreditar e desenhou pequenos círculos, brincando com os pelos no peito musculoso.

— Deus, o que é isso? — Esfregou uma baita mordida tatuada na pele morena. — Fui eu?

— Marcas da batalha. Gosto dela.

Lilly beijou o machucado, desculpando-se contra a pele.

Ele cutucou a costela magrinha.

— Falei sério. Não sou mentiroso.

— Vai dizer que nunca tocou uns solos desses... Nem com suas namoradas?

O corpo de Brian tensionou.

— Não, nunca toquei... nem para a minha única namorada.

Pelo tom pesado da voz, Lilly sentiu que não tinha sido muito feliz na brincadeira. Não que ela estivesse louca para especular sobre a vida amorosa pregressa dele. Não, nada disso. Lembrou-se de Penne dizendo que ele nunca falava sobre coisas de amor... Que direito ela tinha para querer saber detalhes tão íntimos? Eles nem eram um casal real.

Então, ele se moveu e sentou na cama.

— Aonde vai?

— Tomar um banho.

Lilly o abraçou por trás, antes que conseguisse levantar. Droga! Não queria que uma curiosidade idiota dela estragasse a liberdade que tinham conquistado.

— Só deite mais um pouquinho comigo.

Ele olhou para o celular em cima da mesinha.

— Falta menos de uma hora para sairmos. Temos que ir para o estádio. Pode ficar aqui no hotel, se quiser.

— Se quiser que eu fique... Não quero atrapalhar.

Ele virou o pescoço e a encarou.

— Quero que vá.

Lilly arriscou traçar a linha entre o pescoço e a nuca dele com a língua. Um som grave brotou da garganta de Brian.

— Então vou com você. Será que tem uns minutinhos para eu te mostrar uma coisinha?

Tinha recebido tanto nestas últimas horas... Queria retribuir ao Brian e um lado meio orgulhoso dela precisava mostrar-lhe que não era tão inábil assim.

O traidor a tinha ensinado muito bem, para que ela suprisse certas necessidades dele. Foi um ótimo professor em várias práticas de prazer masculino, mesmo que por motivos unicamente egoísticos. Hoje, talvez, vomitasse nele, mas não sabia que ele era um traidor na época. Então, não iria se martirizar por gostar tanto de boquetes.

— Mostrar o quê? — Brian olhou desconfiado.

— Só deite na cama. Poxa vida, é o meu aniversário. — Lilly sabia que sua cara de cachorrinho era irresistível.

Brian sorriu, claramente mostrando que sabia que estava sendo chantageado e deitou-se de costas na cama. Lilly tirou por completo a coberta que ainda os cobria.

Sentou sobre as pernas... Inclinou-se e depositou um beijinho casto na mordida.

— Só me deixe agradecer, ok?

Brian seguiu o olhar de Lilly até a sua virilha. Na hora, pescou as intenções dela. De jeito nenhum a queria agradecendo daquela maneira! Ela não precisava fazer aquilo!

— Lilly, não! Não quero me agradeça por nada. Não deste jeito!

Ela deu outro beijinho.

— Eu só quero mimar você, só isso. Parceiros, lembra? A coisa toda da troca?

— Não este tipo de troca...

Lilly tampou a boca do músico e usou a outra mão para pressionar o peito grande, quando ele quis levantar. Manteve-o apoiado nos cotovelos.

— Shhhhh... Meu aniversário, minha vontade, só relaxe.

Ele fez uma pausa, olhando hesitante para Lilly. Brian não queria nada por obrigação, mas só de imaginar o que ela pretendia fazer com ele… Porra! Quantas punhetas solitárias haviam sido feitas fantasiando sobre aquilo? Covardia! Era como esfregar a droga na cara de um viciado ou oferecer bebida para um alcoólatra. A libido dele foi às alturas e despertou a Fera irracional, que pouco estava se lixando com as questões morais do seu dono.

Pau egoísta!

Rendido, jogou a cabeça no travesseiro, afastando as pernas.

— Obrigada. — Lilly riu satisfeita, beijou-o rapidamente, decidida a começar a brincadeira.

Ela deslizou a mão pelo tórax viril. Acariciou o mamilo perfurado brincando com a joia.

Porra! As mãos macias dela eram incríveis sobre a pele de Brian. Uma puxada mais forte na argola. Caralho! Um raio percorreu todas as terminações nervosas dele.

— Doeu? Forte demais?

— Não. — Envolveu a mão dela e ensinou a pegada perfeita em seu piercing. — Assim, isso, desse jeito! — Contorceu-se, quando ela pegou a pressão exata da puxada. Aquela... que fazia o pau vibrar na hora. Uma, duas, três pegadas na batida perfeita e ritmada.

Sim, eu quero isso!

Fodam-se as questões morais.

Eu sou um prostituto do caralho!

A mão macia seguiu arrastando as unhas por todo o abdômen, ao mesmo tempo que, pequenos e molhados beijos formigaram e aqueceram a pele dele pra caramba. Ele não queria contorcer-se como um mariquinhas, mas, caralho! Enfiar a língua no umbigo era sacanagem.

Ela deu uma mordida safada na altura na cintura dele.

— Porra, Lilly! — grunhiu, as pernas musculosas abriram-se mais, e os quadris levantaram indicando o caminho.

Lilly sorriu por ter descoberto outros pontos fracos de Brian. Acariciou os pelos abaixo do umbigo e traçou os músculos marcados de seu baixo ventre. Em seguida, manobrou o corpo, ficando entre as pernas dele.

Como um perito, Brian projetou a pélvis e uma onda de preocupação cutucou Lilly. Certamente, ele entendia das coisas bem mais do que ela, e as outras mulheres antes dela deveriam ser umas profissionais da chupada.

Droga!

Precisaria dar o seu melhor. Usar tudo que o babaca do Will havia lhe ensinado e torcer para que fosse o suficiente.

— Vai ficar só olhando? — Ele ajeitou o quadril.

— Não.

Lilly correu as mãos arranhando o interior das coxas fortes. Estava fascinada com a beleza do corpo de músico e com a virilidade de suas partes íntimas.

Salivou, tocou com curiosidade, as joias abaixo da coroa e ele gemeu.

— São muito sensíveis? É diferente com isso?

Brian quase engasgou tentando falar. Já estava excitado pra caralho... Queria a boca da esposa.

Chega de falatório...

— Intensifica o prazer — grunhiu. — O piercing transpassa várias terminações nervosas. Surpreenda-me, seja audaciosa e faça tudo comigo... se for demais, eu aviso.

Tudo?

Lilly assentiu e ignorou o pau ereto, todo exibido à sua frente. Sim, talvez pudesse surpreendê-lo. Confiante, pegou as bolas com as duas mãos e acariciou-as. Em seguida, brincou com elas sentindo o peso e a textura suave e enrugada da pele. Tão cheias e quentes... Pulsaram em sua mão. Massageou-as... e um som gutural indicou que estava no caminho certo. Puxou-as de leve e sentiu uma contração.

Ele gemeu.

Animada, Lilly inclinou e começou a lamber as bolas.

— Porra! Isso!

Ela apreciou o fato do Brian ser falante no sexo, além excitá-la mais, facilitava. Era como um mapa do prazer. Lambeu as bolas, chupou, enfiou-as na boca, brincando com a língua em torno delas. Puxou a pele solta com os dentes e com um dedo pressionou o ponto sensível que aprendera com o ex. Aquele, entre a base do pau e o escroto. Brian se contorceu e se contorceu, cerrando os olhos.

— Cacete!

Feliz com os progressos, Lilly desviou o foco das bolas, chupou o ponto de prazer e segurou o pau excitado passando a mão nas bolinhas de prata. Queria senti-las. Apesar dos protestos dele, que queria mais chupadas ali, Lilly ajustou o corpo e foi em direção à glande. Passou a língua contornando-a.

— Isso, chupe!

O contraste do gelado da prata e da pele quente era diferente, bom. Lambeu todo o contorno da borda, deixando-a molhada. Dava para sentir o gosto de pré-sêmen e o cheiro de sexo dele. Ela não tinha muitos parâmetros, mas adorou o sabor e o aroma. E saber que tudo aquilo vinha de Brian, só tornava a experiência mais incrível. Delicioso. Virou seu top delícia.

— Lilly... — ele gemeu, flexionando as pernas e levantando os quadris.

Parecia em agonia para ser chupado.

— Lilly...

Com um ângulo de acesso total, ela brincou com a língua, indo das pregas das bolas até a cabeça do pau, delineando as veias inchadas e dando o seu máximo. Desceu engolindo o que pôde daquele mastro imponente.

— Caralho, isso, me chupa!

Brian era um cara bem grande... Ela precisaria de prática para levá-lo todo. Desceu e subiu a boca, acostumando-se ao invasor. Fechou os lábios aumentando a pressão e sugando forte. Aproveitou que as pernas musculosas haviam flexionado e aumentou o ritmo do vai e vem. Quando o músico projetou o quadril oferecendo-se por completo, ela passou a ponta do dedo pela linha do

períneo [36]. Sentiu o corpo grande tensionar. Lilly, não avance o sinal! Tirou o dedo dali, mas manteve a chupada. Os rosnados de protesto a levaram a crer que ele havia gostado do toque ousado. Arriscou-se novamente.

— ISSO!

O maxilar dela já estava doendo e pequenas lágrimas escorriam pelo rosto, mas era guerreira, queria dar o máximo e tomar tudo dele. Então, chupou profundo e usou a língua para provocar a pele. Fazendo ziguezagues sobre ela.

— Porra! Mais... mais... me fode todo!

Foder todo?

Lembrou-se da conversa que tivera com Brian.

... — Esse tipo de coisa é natural... Apreciar um toque mais ousado não faz de ninguém menos homem! ...

Ela respirou fundo. De jeito nenhum enfiaria o dedo lá, mas conhecia alguns truques. E quando o sentiu endurecer em sua boca, lembrou-se do que fazia Will ir à loucura... com delicadeza, explorou a área externa entre a raiz do pênis e do ânus. Quando achou a pequena depressão, pressionou a pele. Dito e feito! Assim como fazia o seu ex... o quadril do músico retesou, seguido de um grito grave e gutural.

— Nooooosssssaaa!

Mãos enormes agarraram os cabelos de Lilly, enterrando ainda mais o pau em sua boca quando o gozo explodiu. Inundando-a com espasmos de liberação. Entre palavrões, rugidos e vários “Lilly, porra! ”... Brian perdeu o controle, tremendo e contorcendo-se embaixo dela.

Mas Lilly queria que ele amasse a experiência, então pressionou novamente o ponto G dele, enquanto continuava a chupá-lo.

— DEUS! PORRA, LILLY! PORRAAAA!

Uma nova onda de tremores e gozo explodiu na hora. Brian gritou e Lilly teve medo de ter o quarto invadido pelos seguranças.

Jesus, esse homem goza como um tigre!

Quando sentiu o corpo dele relaxar... desconectou-se e caiu de lado formando um L com as pernas entrelaçadas a Brian... Estava ofegante e suada, pois nunca tinha se esforçado tanto na vida. Sua boca doeria por uns dias e fechou os olhos, tentando recuperar o ar, estava tonta e com o coração disparado.

Arriscou um olhar em direção do guitarrista, que ainda ofegava e respirava com dificuldade, com o corpo enorme afundado na cama e os olhos cerrados.

Um braço forte alcançou a mão dela puxando-a para cima. Brian sobrepôs o corpo sobre o dela, transpassando uma perna e esmagando-a. Depois a cabeça morena, descabelada e suada, afundou no pescoço de Lilly. Ficaram em um abraço silencioso e ofegante.

Brian acreditou que fosse morrer de tesão. O coração dele estava a milhão. Não sabia de onde tinha tirado forças para puxar Lilly junto dele. Só sabia que precisava dela ali... grudada.

Que porra tinha sido aquela?

Ele a subestimara. A danadinha era uma especialista em chupadas!

Ensinavam sexo tântrico nos cursos para noivas?

Iludiu-se, não querendo pensar nas experiências pregressas de Lilly com o otário.

O importante era que ele tinha gostado da boca no saco, da chupada no pau e do dedo safado.

Que porra mais louca!

Se algum dia, alguém abrisse o bico sobre o casamento arranjado, ele iria preso feliz e agradecido. Aquela tinha sido a bendita da porra da chupada mais rock-and-roll da vida dele. Nada... nada se comparava ao Nirvana absoluto para onde Lilly o levara. Nada.

— Lilly.

— Oi.

— Isso foi épico. Obrigado!

— Exagerado.

— Juro. Tipo histórico... Inaugurou uma nova era na minha vida. Saca, A.C. e D.C.... Antes da chupada e depois da chupada!

—Bri-annn, é pecado falar assim.

— Pecado foi o jeito que a minha Fera se rendeu... Covardia! Bela Lilly!

Lilly riu com o trocadilho. Ele deveria ter assistido a muitos desenhos animados com as irmãs. Ontem, Branca de Neve, hoje, Bela e a Fera, mas ela adorava Mogli, o menino lobo!

Brian estava se coçando para perguntar onde ela aprendera a chupar daquele jeito, mas... tinha medo de descobrir. O Will Bosta não merecia ter lábios mágicos assim. Cacete! Não queria imaginá-la fazendo aquilo com mais ninguém, além dele. Só sabia de uma coisa... Iria esforçar-se muito para retribuir a gozada monstro. Só precisava que seu corpo voltasse para a Terra.

... ... ... ... ♥♫♥♪♥ ... ... ... ...

 

Uma cutucada no ombro acordou Brian. Droga! Os dois tinham caído no sono. Num impulso, o músico olhou ao redor, ficou tenso... e seu sangue voltou a fervilhar quando viu Lilly coberta e Daniel olhando para o chão.

Certeza de que a vira nua e a cobriu, mas era Daniel... Se fosse outro segurança estaria agora, estirado na calçada esperando o caminhão da CSI chegar, para investigar o crime. A nudez da banda era uma coisa normal para eles, mas Lilly não era da banda! Não era certo ninguém a olhar. Teria que dar um jeito de colocar alguns limites.

— O Mark está tendo um filho. Falou que vai sair sem vocês. Te deu quinze minutos.

— Que horas são?

— Meio-dia.

— Caralho, Dani!

Lilly foi acordada às pressas por Brian. Ele fez questão de que Daniel saísse do quarto antes. Não a queria envergonhada por ter sido pega nua. Praticamente o ameaçou de morte se contasse o que vira a alguém.

Os dois não tiveram tempo nem de tomar banho. Depois de uma higiene matinal às pressas, vestiram camisetas, jeans e recolheram algumas peças de roupa. Lilly agradeceu que as suas coisas pessoais ainda estivessem na valise de mão. Brian falou que o tal Palazzo QG da banda era equipado, mas não confiou muito, afinal, era um ônibus, não?

A banda precisava marcar as posições no palco e passar o som. Lilly poderia ficar no hotel e ir mais tarde com Daniel. Porém, a excitação e a curiosidade para conhecer qual seria o seu mundo no próximo mês, venceram a preguiça.

— Podemos ir com o seu carro?

— Tudo bem. Falando nele, preciso ver onde vou deixá-lo. Talvez o tio Ed possa mandar alguém até aqui.

— Relaxa com isso.

— Impossível. É a minha menina.

— Vamos dar um jeito, Bela. Melhor colocar estes óculos e o boné. O hotel está vazio a esta hora, porém é melhor não arriscar.

Ela tinha reparado na mania de Brian de inventar várias formas carinhosas para chamá-la, mas... o Bela fez seu coração dar dois saltos descompassados e derreter-se um pouco mais por ele.

Brian enfiou o boné na cabeça de Lilly e entregou um par de óculos. Ela preferiu usar os dela mesmo. Um modelo aviador, clássico e discreto.

Mark não era um cara de ameaças vazias. Como eles ultrapassaram os quinze minutos, foram deixados para trás. Contudo, também não arriscava na sorte, além de Daniel que foi de

carro com o casal, um SUV [37] com seguranças do hotel os escoltou por caminho o todo.

A chegada ao estádio foi tranquila. A aglomeração de fãs nos portões de carga era grande, mas controlável. A banda sempre alugava os mesmos SUV's para toda a equipe. Geralmente, andavam em comboio e os fãs já conheciam o esquema, iam direto para eles. Praticamente ignoraram a Maserati que Lilly fez questão de dirigir e manter a capota fechada.

Lilly manobrou o carro em uma área aberta, reservada para a banda e a equipe técnica. Ao descerem, entregou as chaves para Brian. O sol estava forte. O asfalto do imenso terreno, ainda deserto, do estacionamento para dez mil carros, estava uma caldeira. Grades altas separavam a área pública, do espaço da banda. Assim que viu Brian descer do carro, a pequena multidão de fãs gritou, tentando escalar as divisórias.

... ... ... ... ♥♫♥♪♥ ... ... ... ...

 

— Ai, meu Deussss! É o Brian.

— Lindooo, eu te amooooo.

— Autógrafo.

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Brian beijou Lilly e correu até as fãs. Começou a distribuir alguns autógrafos e posar para fotos. A mesma atenção que ela assistira na noite anterior. Uma pontinha de orgulho encheu o peito dela, por ele ser um cara simples e acessível. Muitas dessas estrelas do show bis eram cheias de si e tratavam os seus admiradores como lixo.

Lilly deixou Brian entretido e virou o corpo dando uma checada no lugar. Nada de mais... área normal de um estacionamento com alguns canteiros de árvores. Mais próximo à grande estrutura do estádio, que parecia um ninho gigante e ultramoderno de ferros contorcidos, ela viu três carretas. Duas com a logo preta, prata e vermelha do Ultimate Bet. Atrás delas... o susto... um ônibus preto e prateado, cheio de estrelas nas laterais. Não que ela fosse fresca, mas chamar aquilo de Palazzo era um pouco de exagero.

Deus!

Os meninos eram grandes, mais os seguranças, mais ela, Penne e Mark... como eles enfiavam todo mundo lá dentro? A lataria estava um pouco amassada, mas desde que o motor fosse bom e revisado, né? Se tinha uma coisa que Lilly tentava ser era maleável. Ela iria dar um jeito de se adaptar a tudo.

Em meio às dezenas de pessoas que iam e vinham apressadas, localizou Dilon coordenando a retirada de umas caixas na carreta menor. Checou Brian, ao lado de Daniel, e parecia que o músico iria demorar mais um tempo atendendo as meninas que agora estavam histéricas.

Então resolveu se arriscar e conhecer o tal [38] Backstage.

Ela ainda estava um pouco abalada com toda a intensidade da manhã de amor com Brian. Quis morrer de vergonha quando ele a elogiou pela tentativa, na produção de camisinhas reforçadas.

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— Me dá essa droga aqui!

— Não, vou guardar de lembrança.

— Dá isso, Abusado.

— Vem pegar, Bela!

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Depois que a excitação insana passou, Lilly ficou ainda mais envergonhada. Uma contradição já que na noite anterior, os dois tinham praticamente se devorado na jacuzzi e que, hoje, ele a acordara de um jeito extraordinário, que a deixou ensandecida. Sem falar que ela tinha devorado aquele pau imenso e diferenciado dele, como se não houvesse amanhã.

Jesus!

Ele tem um gosto tão bom!

Entretanto, tudo era novo, intenso e avassalador demais. Agradeceu que a pressa para sair do hotel e a presença de Daniel não permitiram momentos a sós.

Tinha dirigido nervosa, com os olhos de Brian pregados nela e as mãos atrevidas dele tentando atingir pontos entre suas coxas.

— Hey, você! — Dilon abriu um sorriso radiante ao ver Lilly. — O Brian chegou? O Josh tá possesso com ele.

Ela apontou para a área de onde se ouviam uns gritos.

— Ele está ali atrás com umas fãs. Quem é o Josh? Esse eu ainda não conheci.

— É o cara que faz a mágica acontecer com as guitarras. O engenheiro de som da banda.

— Ah! Claro, o cara do som. — Lilly tentou disfarçar que não tinha a mínima ideia do que se tratava um engenheiro de som. — Viu a Penne por aí?

— Deve estar no QG. Está estacionado nos fundos. — Ele olhou para um grupo que parecia confuso sobre quais caixas descarregar primeiro. — Quer que te leve lá?

— Não, eu vi onde está. — Lilly deu um tapinha no ar de não precisa. — Eu me viro sozinha. Se cruzar com Brian, só avise que estarei por lá, ok?

— Valeu, gata, as coisas aqui estão fodas. Tudo atrasado.

Lilly deixou um Dilon aliviado por não ter que parar o trabalho e servir de babá e seguiu rumo ao QG.

Subiu os degraus do ônibus antigo. Um cheiro de cerveja velha e cigarro invadiu o seu nariz. Um homem vestindo um kilt e coturnos estava sentado em um sofá, fumando e dedilhando uma guitarra. O cara magro de cabelos pretos espetados, com tatuagens cobrindo todo o corpo franzino, nem notou a presença dela.

Será que esse é o Josh?

Pelo menos era magro, não ocupava tanto espaço.

Embaixo dos escombros de latinhas de cerveja, lixo e roupas que pareciam sujas, ela conseguiu achar algumas áreas. Atrás do motorista, um balcão e uma mesa que deveria ser a cozinha pelas dezenas de caixas de pizza e embalagens de fast-food. No centro, uma salinha com o magrelo sentado e, no fundo, o que pareciam ser os beliches. Viu duas portas, presumiu serem o banheiro e o quarto privativo. O sofá devia ser o quarto extra que Mark falara.

Céus!

Se a madrasta do Big visse como eles viviam teria um ataque.

Lilly limpou a garganta, tentando chamar a atenção do músico. Dois olhos vermelhos se viraram em câmera lenta para ela.

— Oi.

— Oi. — ela acenou no melhor estilo, sou da paz.

— Oi.

Merda! As drogas não eram proibidas?

— Oi... sou a Lilly. Deve ser o Josh, certo?

— Peter.

— Ah.

— Você é a mina que os caras falaram?

— Acho que sim. A Lilly.

— Oi.

Tudo de novo não!

Lilly achou melhor sair e encontrar alguém lá fora, aquela conversa de OIS não levaria a lugar nenhum.

— Acho que vou esperar lá fora, Peter. Valeu te conhecer. Mais tarde eu volto.

— O quarto de casal fica ali. — Apontou, deixando um rastro de cigarro. — Se quiser ir tirando a roupa, os caras já chegam para começar. Tô fora de jogo hoje. O meu pinto está parecendo uma abóbora. — Ele fez uma cara de dor e Lilly continuou boquiaberta. — Acho que o material do estúdio de piercing não era descartável. Sabe alguma coisa para tirar pus?

Que nojo!

O estômago vazio de Lilly revirou.

Meu Deus!

— Lilly! — A voz preocupada de Brian atrás dela trouxe um alívio imediato.

Ela virou-se e o marido estava parado na escada. Ele tirou o boné e começou a bagunçar o cabelo. Nossa, que lindo! O coração dela deu um salto.

Lilly, você o viu há cinco minutos! Se controla, mulher!

— O que está fazendo aqui? — O guitarrista olhou para o magrelo do pus esfregando o pau dolorido e franziu a testa irritado. — Oi, Peter!

— Hey! Brian! A mina é de vocês? Pensei que fosse dos caras.

Mina deles?

Eles faziam isso também?

Dividir a mesma mina?

Brian entrou agarrando a mão de Lilly e puxando-a para a saída.

— Ela é minha MULHER! Deve ter entrado aqui por engano.

Engano?

— Esse não é o QG de vocês? — O alívio na voz dela era nítido e Brian gargalhou.

— Porra, parabéns! Logo vi que não podia ser nossa. A mulher é gostosa pra cacete.

— E MINHA.

— Ok. Está fora dos limites, entendi. — O magrelo levantou as mãos, desculpando-se.

— Não, Bela, esse aqui é do [39] Dog´s Life, eles abrem os shows para a gente. O nosso está lá nos fundos.

Brian estava tentando não rir da cara de alívio estampada no rosto da esposa. Os meninos da banda de abertura eram gente boa, mas não eram famosos pela limpeza. Aproveitou o caminho até o QG e mostrou as coisas pra Lilly. Ele agarrou a mão dela e não soltou. Ele estava com uma vontade irresistível de se exibir com ela por lá.

A manhã mais incrível da vida dele não saía da cabeça. Tinha que se controlar para não ficar olhando para ela como um idiota, e várias vezes precisou respirar mais fundo para acalmar as batidas mais fortes do seu coração. Fora seu amigo... que resolvera ficar em estado de alerta, animado com o melhor boquete que recebera na vida.

Eles pararam em uma das aberturas, que davam acesso para o gramado. Brian indicou a uma imensa estrutura montada. Em seguida, explicou que a base do palco era do contratante e os shows nem sempre eram em estádios, mas a maioria era. Os cenários, jogos de luzes, painéis de LED e toda a parafernália de som e efeitos especiais eram deles. Por isso, precisavam de duas carretas. A equipe era ninja, montava tudo em cinco horas e desmontava em três.

— Nossa, Brian, quando a gente vem assistir e vai direto para a área VIP, não percebe a imensidão que é isso aqui.

— Pois é... tem gente pra caralho envolvida.

Na equipe deles, além da galera que Lilly tinha conhecido, tinha o Josh do som, a Anne dos cenários e luz e mais três assistentes de base. Eles coordenavam os times locais cedidos pelas sedes dos shows.

Geralmente, as carretas e a base da técnica viajavam antes. Show acabado, desmontavam tudo e partiam. Tudo para deixar as coisas prontas para quando eles chegassem.

— Eu pensei que era todo mundo no mesmo ônibus.

— Não, Bela, ia sair morte em três segundos. Temos três bases para turnê na estrada.

Lilly estava chocada. É claro que sabia que a Ultimate Bet era grande. Os shows eram fantásticos e cheios de efeitos. Porém, não imaginava toda aquela estrutura e pessoal por trás. Agora entendia por que o Mark era tão pilhado.

O ambiente todo em torno do estádio parecia uma loucura. Um formigueiro muito animado. Brian contou que já tinha uma fila imensa nos portões da frente. Por isso, a passagem de som era à tarde, antes das porteiras abrirem e a multidão começar a invadir.

— Mas os fãs no portão dos fundos? E aquelas meninas no estacionamento?

Brian coçou o cabelo com a mão livre.

— Aquelas são as que não têm ingressos. Vêm para ver os artistas e tentar dar um jeito de entrar nos bastidores.

— As groupies?

— Sim.

— Conhece todas elas?

— Não, lógico que não. Geralmente são fãs locais, esporádicos. Mas têm uns que acompanham a banda por toda a turnê. Esses eu conheço muitos.

— São essas que vocês levam para o ônibus e para o hotel? Igual as loiras de ontem?

Brian percebeu para onde a conversa estava indo e não estava nem um pouco a fim de ir por aquele caminho. Ele parou um pouco a caminhada para terem mais privacidade. Puxou Lilly até uma parede oculta entre pilastras.

— Lilly, provavelmente vai cruzar com muitas dessas mulheres por aí. Apenas ignore-as, ok? Elas podem passar dos limites. As coisas ficam quentes nos bastidores. Os caras gostam de se divertir e estão no direito deles. Levam as mulheres para o QG, mas elas nunca viajam com a gente. Entram, fazem o que têm que fazer e caem fora.

Lilly sabia que não tinha qualquer direito, mas odiou a informação. Sabia que tudo o que Brian falou fazia parte da realidade dele também. Esse era o conflito dela. Queria ele livre para viver a vida como estava acostumado e parecia gostar. Contudo, a ideia dele com aquelas fãs diferenciadas era sufocante.

Lilly se negou a ir por aquele lado... Pegou a mão de Brian e beijou as pontas dos dedos mágicos.

— Gosto de você. É um cara incrível, adorei tudo sobre nós dois até agora.

— Eu também, Bela. — Brian abriu o sorriso de covinhas, mas antes que pudesse beijá-la, as mãos de Lilly estavam em seu peito, bloqueando o avanço.

Ela precisava terminar a conversa e com ele tão perto... seu o cérebro vinha mostrando a tendência de parar de funcionar, para outras partes assumirem o comando. Lilly respirou fundo tentando controlar as emoções confusas e arqueou as sobrancelhas para dar ênfase nas próximas palavras.

— Não quero que se prenda por mim. Se precisar de privacidade, vou entender. Vou ficar triste se achar que está perdendo um bom tempo com seus os amigos ou com as fãs, por minha causa. Não me deve nada, Brian. É só me pedir para dar uma volta, ok?

Será que a mulher dele podia parar de falar aquilo?

Brian a encarou com certa fúria.

— Um: eu só faço o que quero; dois: passe um dia presa com os caras e vai querer ter momentos de folga; três: também não me deve nada; quatro: não vai dar uma volta, porra nenhuma; cinco: quero privacidade com você; seis: sua chupada épica não sai da minha cabeça; sete: quieta!

Brian tomou fôlego e a envolveu em um abraço sem fuga, prendendo o corpo pequeno entre a parede e ele.

A respiração de Lilly travou e uma língua morna acariciou a orelha dela.

— Oito: vou te beijar, porra!

Ela abafou um gemido, entreabrindo a boca. Seu corpo inteiro acendeu. Por que tudo nele mexia tanto com ela? Por que aquele desejo entre as pernas não queria ir embora? Seus olhares se encontraram... e. o cérebro dela pifou.

Lado racional?

O que era aquilo?

Queria beijá-lo... tocá-lo.

Brian perdeu o controle quando Lilly o abraçou de volta, ficou na ponta dos pés e chupou o ponto de pulsação em seu pescoço. Abaixou a cabeça e a engoliu.

Foda-se onde estavam.

Eram casados, porra!

Suas bocas se comeram, lábios se chuparam, línguas se provaram... Mordidas, lambidas e mais chupadas... até ofegarem. O som das salivas misturadas era música para ele. Suas bolas apertaram com excitação. Ele esfregou o pau duro na barriga chapada dela.

— Deus! Brian! Ainda quero você.

Ele a encarou com força e ela viu as pupilas dele dilatarem.

— Lilly, você-é-foda — sussurrou e lambeu novamente os lábios rosados. Em seguida, arrastou a boca, depositando beijos molhados e vorazes ao longo de toda a mandíbula e pescoço de Lilly.

A frequência cardíaca dela foi lá para cima, quando outro beijo faminto a atacou. Lilly deixou-se levar pelas emoções, sem se conter. Havia mais naquele beijo que uma simples partilha de prazer... Ele era uma promessa, além da luxúria.

Brian poderia ficar dias ali, encostado naquela parede, consumindo-se nos beijos de Lilly. Poderia, mas não ficou. Uma puxada forte de Gabe em seu braço fez os dois terem que se largar a contragosto.

— Caralho! Está todo mundo atrás de vocês!

— Acabamos de chegar! — rosnou sem ar e vermelho.

— Daniel disse isso há uns cinquenta minutos. — Gabe revirou os olhos, depois riu e piscou. — Os caras estão esperando para almoçar. A passagem de som será às duas e meia. Josh está histérico porque não acha os pedais da Fender, e a Gibson precisa de afinação.

— Porra, qualquer assistente pode resolver isso. — Brian começou a andar com Lilly bem atada à sua mão.

Gabe lançou um olhar... Está-de-brincadeira?

— Sabe que Josh só confia em você!

Mais alguns metros, contornaram a curva do camarim principal e Lilly caiu para trás. Entendeu, finalmente, porque o ônibus era chamado de Palazzo. O negócio era enorme e não era um ônibus. Ela não saberia explicar o que era aquilo.