Enlaçados: Sex and Rock

Anne Krauze · Capítulo 27 de 50

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Enlaçados: Sex and Rock

Capítulo 25

... ... ... ... ♥♫♥♪♥ ... ... ... ...

 

— Você está bem? Está com dor?

Ao sentir uma contração no clitóris, Lilly abriu os olhos de sobressalto, nem percebera que tinha cochilado. O céu esboçava uma alvorada. Ainda estavam sobre o futton no terraço. Um dedo atrevido de Brian brincava dentro dela, acariciando as paredes internas da vagina. Por reflexo, ela girou os quadris e respirou fundo puxando o ar entredentes.

Os azuis-violeta brilhavam. Brian continuava gloriosamente descabelado e nu, deitado de lado e com um sorriso satisfeito e malicioso no rosto.

— Você está bem? Está com dor? — repetiu ele ansioso.

Sensível...

A lembrança da Fera ainda estava ali, mas a dor não... Só uma outra onda de desejo. A sensação daquele dedo mágico era maravilhosa. O homem tinha criatividade para acordá-la.

— Não... nada de dor.

— Bom.

O indicador entrou e saiu… entrou e saiu, girando e acariciando os pontos sensíveis. Um gemido abafado escapou da garganta de Lilly.

— Estava gemendo desse jeito, enquanto cochilava. Não resisti... meu pau está faminto e quer você.

Ela conferiu o belo pedaço de carne e músculos, delicioso e duro. Estendeu a mão embalando-o. Nossa, podia passar a vida segurando aquele pênis.

— Eu gosto que ele me queira.

— Gosta? — Brian perguntou em um grunhido, esfregando-se na mão pequenina. Ele era naturalmente sexual e apelativo.

— Hum-hum... gosto.

— Bom.

A voz densa e embriagadora era um convite irresistível.

Ele quer mais sexo?

Lilly podia lidar com aqueles desejos esfomeados, o tempo todo, se ele quisesse. Então, abriu mais as pernas permitindo total acesso e continuou ordenhando a Fera. Os primeiros raios do dia, que incidiam sobre a pele morena dele, faziam o músico parecer um anjo pecador. Ela fechou os olhos e deixou-se levar. Outro dedo entrou na brincadeira e vagarosamente acariciou o clitóris fazendo círculos.

— Hummm, bom.

A respiração de Brian que estava calma, acelerou.

— Quero te comer por trás.

Deus!

Ela largou a Fera.

— Por trás? — engasgou.

Lilly não estava preparada para uma experiência tão intensa. Tudo bem, que queria tudo com ele, mas mal tinha lhe entregue a virgindade. Será que ele já tinha cansado da sua bocetinha? O corpo inteiro dela tensionou só de pensar naquela coisa imensa a fodendo ali.

Brian riu divertido, beijou o pescoço tenso e com o nariz cutucou a orelha minúscula.

— Não na bundinha, Bela. Claro que está na minha lista de desejos, mas não agora. Só quero apreciar esse seu traseiro requintado rebolando, enquanto te fodo, só isso. — Riu divertido. — Vire-se.

— Oh!

A respiração de Lilly parou.

O guitarrista não fora grosseiro e a voz ainda era suave. Mas, o “vire-se” não tinha sido um pedido e algo naquele tom autoritário a excitou mais. Eu gosto disto? Que ele me dê ordens? Indecisa, Lilly piscou algumas vezes, mas por fim cedeu. O pênis de Brian contorceu e ele grunhiu baixinho, posicionando-se de joelhos atrás dela.

— Caralho, que maravilha!

Gentilmente, o guitarrista empurrou as costas delicadas até que Lilly estivesse apoiada sobre os joelhos e cotovelos. O bumbum arrebitou mais ainda.

— É foda!

Mãos calejadas e firmes afastaram as pernas dela. Deus! Agora Lilly estava toda exposta, sem ar e... cheia de vontade. Um som de desejo primordial saiu dos lábios carnudos do Brian, atiçando-a mais ainda.

— É toda linda, Lilly. Acho que posso te comer eternamente, sem me cansar.

Lilly adorou ouvir aquilo!

Brian espalmou as bochechas da bunda de Lilly, apertando-as. Ela congelou quando sentiu um polegar esfregar em seu ânus. Pensou em protestar, mas depois do que fizera ao marido na manhã anterior... seria muita hipocrisia.

— Gosta disso?

Acariciou-a com suavidade. Ela olhou sobre os ombros e notou que o músico parecia perdido... Os olhos azuis estavam vidrados nela, as mãos e os dedos exploravam cada centímetro da sua intimidade mais secreta.

— Diferente, mas bom, eu acho — respondeu suavemente.

— Ficou uma marquinha da mordida que eu te dei.

Os olhos dos dois encontraram-se.

Deus, como ele é lindo!

— Estamos empatados. A marca no seu peito ainda vai ficar alguns dias.

Brian baixou o olhar examinando o tórax.

— Gosto dela.

Sorriu quase tímido e então penetrou-a.

— Oh, Deus! — Tão bom, tão bom... Lilly contorceu-se quando a Fera saiu lentamente e depois voltou... — Oh, Deus! — duro e profundo, girando o quadril.... — Oh, Deus! Brian, sim, mais!

Atencioso, ele mudou o ritmo para duro, profundo e lento... Girando... girando... e caprichando nas estocadas precisas e sem pressa. Lilly deliciou-se com cada centímetro que se espremia, pedindo passagem, preenchendo-a e depois... esvaziando-a. Não sabia se gostava mais do ritmo lento... ou furioso...

Ah! Estava gostando de tudo! Gostava era do Brian!

Lilly seguiu os instintos e rebolou. Deu o seu melhor... e também o instigou de forma lenta e sensual... Indo de encontro com a Fera.

— Isso! Rebola pra mim, Bela. Vem, me engole.

Ele sentiu o cheiro da excitação almiscarada da boceta de Lilly. Aquela coisinha apertada e quente era gulosa. Vê-la engolindo o seu pau centímetro por centímetro era... era...

PORRA!

... não conseguia tirar os olhos do ponto onde seus corpos se fundiam. Queria filmar aquela bunda gloriosa rebolando...

Uau!

— Você está pegando fogo, Bela. Molhada e apertada, meu te pau ama. Gosta dele?

— Mmmmmm.

O vai e vem lento e profundo era enlouquecedor. Uma mão forte agarrou os cabelos delicados e bagunçados, e Lilly olhou pelos ombros novamente. O prazer lento era intenso demais e ao ser surpreendida com uma estocada mais forte e profunda, ela choramingou cravando as unhas no futton.

Brian ansiava descobrir se Lilly apreciava o sexo tanto quanto ele. Os gemidos suaves diziam que sim, mas queria ouvir dela.

— Olhe para mim. Gosta do meu pau dentro de você?

Lilly contorceu-se deliciosamente ao redor dele.

— Si-sim.

— Gosta assim... lento?

Ele saiu e entrou devagar, de novo e de novo.

— Hum-hum...

— Ou duro?

Meteu com força e Lilly engasgou.

Nossa!

— Ou rápido e forte?

Uma sequência de estocadas urgentes a atingiu e depois cessou.

— Oh, Deus, Bri-annn. Rápido duro, lento, forte... tudo... tudo. — Atordoada, balançou a cabeça. — Apenas continue!

Brian sorriu satisfeito. Sim, a Pequenininha amava o sexo! Podia dar tudo a ela... sem restrições. Lilly era tão aberta e receptiva. O músico inclinou o corpo encostando a barriga nas costas da esposa. Provocou a pele macia do ombro delicado com a língua, mantendo as estocadas constantes e vigorosas. Passou o braço pela cintura, prendendo-a. Com a mão livre encontrou o clitóris inchado e escorregadio. Dedilhou uma sequência de Sexy Night.

— Bri-annnn Sim, Deus! Sim!

Ele estava em êxtase. Juntos eram audaciosos, carnais e íntimos ao extremo! Dois sem limites, descobrindo um ao outro... com os corpos enroscando-se e fodendo-se como dois selvagens pingando de suor.

Porra! Porra! Porra!

Tanta afinidade só o fazia querê-la mais. Agarrou um peito de Lilly, rolando o bico entre o dedo médio e o polegar. Aplicou pressão e puxadas precisas.

— Oh, oh, oh, oh, oooohhhhh!

O músico ganhou uma sequência de gemidos sufocados, combinados com o movimento dos quadris mais ensandecidos que ele já vira! Impressionado, ofegou no pescoço de Lilly que se contorceu, indo ao encontro dele feito uma louca. Num ritmo maravilhoso. Brian já não sabia quem estava comendo quem.

— Porra, Bela! A gente se encaixa. Mexe mais... goza pra mim.

Também no limite, ele bateu forte e rápido. Perseguia outro orgasmo e queria gozar tão forte quanto das outras vezes... E sabia que iria, era impressionante. O sangue pulsou firme nas veias e toda a parte inferior do corpo dele tensionou. A cada contração de boceta, as bolas comprimiam.

— Isso! Lilly!

— Deus... Sim, sim... — os gemidos delicados eram urgentes. — Bri-annnn...

O gozo intenso de Lilly foi um gatilho para dele... Brian urrou quando as pulsações do prazer feminino dominaram a Fera, que entrou em erupção descarregando forte dentro dela...

— SIM! PORRA, SIM! — gritou para o céu azul de Vegas!

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Um ronco forte de motor e uma curva acentuada acordaram Lilly, que esfregou os olhos preguiçosamente. Sonolenta, levou uns bons segundos para situar-se. Lembrou-se dos gritos histéricos na saída do hotel, dos gritos na chegada ao estádio e dos gritos na saída de Vegas. Recordou-se também de um repórter idiota perguntado se os dois eram amantes e o ex-noivo havia descoberto e de outro insinuando uma gravidez...

Deus, não era sonho... e tão pouco, imaginação.

Ela estava vivenciando uma nova e louca realidade. Deitada na cama de casal, no quarto do QG, com Brian ao seu lado. Só de jeans, em um sono tranquilo e pesado

Caramba!

Entreguei-me para esse homem!

O corpo de Lilly vibrou e os músculos do ventre contraíram. Ela suspirou ao lembrar-se que, depois da maratona no futton do hotel, Brian arrastou-a para o chuveiro. O Palazzo sairia em uma hora e dormir não seria uma opção. Além do mais, o homem era uma contradição ambulante, cheio de surpresas. O amante devasso virou um monge no banho.

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— Sem discussão, mocinha. Dá essa bucha!

— Eu sei me lavar, Brian. Não sou criança.

— Mas é toda miudinha.

— Hey! Não sou miudinha! Você que é enorme!

— Por isso mesmo. Deve estar dolorida. Sou grande e deveria ter pegado leve. Não estava acostumada ao sexo. Tenho medo de ter te machucado.

— Deus, Brian! Não sou de vidro!

— Mas é delicada.

— Posso ter ficado um pouco impressionada, mas o corpo das mulheres foi projetado para receber o dos homens! Nunca me senti tão bem.

— E daí que foram projetadas! Lilly, você não é como as outras mulheres. É a Bela! Portanto, não é exagero e vou cuidar de você! Dá-essa-bucha!

— Toma.

Batalha perdida para o macho superprotetor.

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Tudo bem, Lilly estava um pouco... sensível, as partes íntimas dela nunca tinham feito aquele tipo de exercício. Sentou-se na cama. Ui! Beeem sensível! Sorriu para o moço lindo, adormecido e teimoso.

Brian, Brian o que faço com você? O que faço com isso?

Até que Lilly poderia dormir mais, já que, fisicamente estava um bagaço. Porém, seria impossível com a cabeça a mil, os pensamentos voando e os flashes da noite intensa inundando a sua mente.

Jesus! Eu transei com o Brian! Duas vezes!

Ela jogou a coberta para o lado, saiu da cama. Foi direto para o banheiro. Os dois estavam tão exaustos que capotaram de roupa e tudo. O vestido larguinho e florido de verão, que usava, estava um pouco amarrotado, mas dane-se. Estava em casa, mesmo que a cem quilômetros por hora, certo?

Sorriu ao olhar no espelho. Os mesmos olhos, cabelos e boca. Apesar de não ser totalmente inexperiente no sexo, a penetração sempre fora um tabu. Fantasiou por tanto tempo sobre a perda da virgindade que achou que seria outra mulher quando acontecesse. Pelo menos uma pele azul, antenas ou um néon EU DEI, piscando na testa. Que nada! Tirando o sorrisinho besta no rosto, era ela ali... a mesma Lilly. Então, por que ela se sentia diferente e fora do seu padrão?

Deus! Estou diferente e a quem eu quero enganar? Jamais voltarei a ser a mesma depois de hoje. Depois de Brian.

Estremeceu... e ficou confusa. Brian era intenso, exagerado e um espetáculo de amante. Havia tanta coisa para assimilar. Perigo! Perigo! Estava se deixando envolver mais do que deveria.

Caras intensos, Lilly. Não esqueça disso! Uma hora a novidade passa!

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Saiu do quarto descalça para encontrar tudo às moscas. Os raios de sol, que transpassavam as persianas, deixavam o interior do QG ainda mais claro. Acostumou-se com o balanço da estrada e espiou por uma das janelas amplas e modernas. O céu azul estendia-se, sem nenhuma nuvem, até o horizonte. Só um monte de nada passando rápido, em algum ponto do Arizona. Atravessou a sala em direção à cozinha. Estava faminta e reconheceu Dilon na cabine do motorista.

Quantas funções esse cara tem?

O estômago dela roncou. Amaldiçoou-se por ter esquecido os bolinhos de Marie, quando saíram atrasados do hotel.

Abriu a geladeira de aço cromado e freezer anexo. Uau!!! Cerveja, cerveja, cerveja… Vodca e mais vodca. Ah! Donuts! Ecaaa!

Alguém aqui é agricultor e está cultivando fungos nessas embalagens de fast-food vencidas!

Deus, como eles sobrevivem?

Transformando esse leite duro e vencido em queijo ou iogurte?

Milagre, uma garrafa de água!

Nos armários, mais um monte de nada. Só uma caixa de cereal da idade de Cristo e várias embalagens de camisinhas. Esses caras só fodem? Não comem? Contentou-se com a água. Abriu a garrafinha e deu alguns bons goles. Hesitou uns instantes, mas acabou indo atrás do único ser acordado. Não queria atrapalhá-lo, nem sabia se conversas eram permitidas, enquanto dirigia. Só que o achara tão gentil ontem, preocupando-se em levar-lhe o guarda-sol... arriscou.

— Oi.

— Lilly.

— Atrapalho? Posso ficar um pouco com você?

— Atrapalha nada. — Dilon apontou a poltrona vazia na cabine do motorista. — É bom ter um pouco de conversa por aqui.

Lilly sentou no banco de couro macio atrelando o cinto de segurança. Uau! A cabine parecia tão moderna quanto a de um avião. A visão da estrada era ampla. Eles pareciam os únicos seres vivos a quilômetros. Nenhum outro carro, indo ou vindo. Ela cruzou as pernas em lótus e encolheu-se, com medo de esbarrar em algo e acabar ejetando alguém.

— Caramba! Quantos comandos! Como não se perde?

Dilon riu, sem tirar os olhos da estrada ensolarada e árida.

— A gente acaba se acostumando. Eu controlo o Palazzo inteiro por aqui. Essa belezinha só não dirige sozinha. E o Brian? — Ele apertou um botão e uma tela acendeu dando uma panorâmica do piso inferior do QG.

— Dormindo. Tem uma dessas nos quartos?

— Não! — O faz-tudo olhou-a quase ofendido. — Nos quartos e banheiros, só com permissão digital para ativar. Às vezes, os caras usam por cautela para evitar que as mulheres os acusem ou processem por alguma bizarrice. Aí acham mais seguro filmar se precisarem comprovar que tudo foi consensual. Tem também um sensor de calor que aponta quantas pessoas estão embarcadas. Sempre checo antes de partirmos. Já encontrei fã até no compartimento de carga e na geladeira.

Lilly riu ao imaginar a fã junto aos fungos. Se morresse lá dentro, nem iriam se dar conta.

— Não fica cansado? Eu te vi dando duro na montagem de palco. Agora, dirigindo?

— Não. Sempre durmo entre os intervalos ou à noite. Abaixe um pouco a cabeça. — Lilly obedeceu. Ele apertou um comando e um compartimento no teto da cabine moveu-se revelando uma cama confortável. Em seguida, recolheu-a. — Quando estou cansado ou a viagem é muito longa, acabo revezando com um dos outros caras da equipe de apoio ou da segurança. Todos querem dirigir essa beleza aqui.

Dilon era um cara de papo fácil. Lilly descobriu que ele tinha trinta e um anos e estava com a banda desde sempre. Ele era como uma peça chave, fazia de tudo um pouco e não costumava sair muito, só nas noites de folga. Aí... frequentava bares com os outros caras. Jamais os clubes de sexo. Era noivo há seis anos. Às vezes, ela o visitava ou ele conseguia folgas.

Era uma vida dura, mas não a trocaria por nada. A maior parte do ano na estrada. Indo de cidade em cidade para as turnês. Com o cronograma apertado, cheio de compromissos e os ataques dos fãs, mal podiam aproveitar os lugares. Por isso, a banda costumava trocar o dia pela noite. Aproveitavam a estrada para dormir.

— Mas vocês passam por tantos lugares. Deve existir um monte deles em que possam só relaxar sem serem reconhecidos. — Ela olhou para o deserto lá fora.

— Tem muitos. Acho que só acostumamos a não fazer nada.

A ideia de ficar parada, sem fazer nada, foi meio perturbadora para ela. Pediu permissão e alcançou um tablet no console.

— Onde estamos?

— A duas horas e meia de Phoenix. Em algum lugar do Arizona, chegando em Tempe.

Lilly navegou por um tempo na internet.

— É... aqui só tem deserto. — Olhou pelas janelas imensas e riu. — Mas chegando em Phoenix, diz que tem um parque. O Jardim Botânico de cactos e flores exóticas. — Virou o tablet para que Dilon visse a imagem de uma flor selvagem. — Deve ser incrível! Duvido que os fãs fanáticos estejam por lá. — Fuçou mais um pouco e se animou. — Fica só a vinte minutos do estádio.

— Acho que hoje não vai dar. — Levantou os ombros, desculpando-se. — Vamos chegar às duas horas. O Mark falou que os caras têm agenda cheia até a hora do show. Essas merdas de entrevistas e depois, a passagem de som e mais um meeting da rádio local.

Deus, e eu? Vou ficar trancada no QG, em um estacionamento escaldante, esperando?

Ouviu um som no meio do corredor. A escada embutida no teto da sala desceu. Logo as pernas de Gabe e Adan apareceram. Depois seus corpos bonitos, só de bermuda e com cara de ressaca. Resmungavam algo sobre o tédio e os roncos incessantes de Big. Abriram a geladeira e depois de uma careta, Adan pegou duas latinhas de cerveja, lançando uma para Gabe, que se esparramou no sofá.

— Dilon, precisamos parar em algum lugar! Estou faminto! — Adan gritou da sala, com uma voz mal-humorada e dura.

— Vamos passar por Tempe daqui a pouco, vou ver se acho alguma coisa por lá.

Lilly agradeceu a conversa, saiu da cabine e foi se juntar aos músicos no sofá. Gabe tinha ligado a imensa tela plana embutida e estava rindo com Pokémon na Cartoon.

— Coloca na CNN, caralho! — Adan tentava agarrar o braço dele, para pegar o controle.

— Sai! — Gabe escapou com um tapa. Abafou o riso e foi sentar-se longe, em uma poltrona. — Eu liguei primeiro! Vai assistir lá em cima, no beliche. Sabia que no Japão, umas crianças entraram em transe com o Pokémon! Irado!

— Cara, em uma escala de um a dez em idiotice, certamente você é trinta — Adan resmungou e revirou os olhos, considerando Gabe como um caso perdido. Deu um longo gole na cerveja e virou-se para Lilly, que se divertia vendo os dois brigarem. Ele a examinou com curiosidade. Arqueou uma sobrancelha e riu de um jeito cúmplice.

Deus!

Será que está escrito na minha testa: EU DEI?

— E aí, boneca, e o babaca lá dentro? — Inclinou a cabeça, apontando o quarto. — Tem se comportado? Posso aplicar um corretivo nele, se quiser.

Lilly corou e tentou esconder o sorrisinho idiota. A simples lembrança de Brian a fazia uma ameba.

— Até agora, sem reclamações.

Corretivo mereço eu! E meu jovem coraçãozinho prestes a ser implodido.

— Pelo sorriso idiota dele hoje, as coisas devem estar melhores que bem! — Gabe gritou da poltrona.

— Se fecha, Gabe! Assiste o seu desenho e deixe os adultos conversarem.

— Imbecil!

— Intrometido!

O amor entre eles era lindo. Lilly não conseguiu decidir quem era o mais implicante porque a barriga dela roncou alto, fazendo Adan gargalhar.

— Nossa! Uma anaconda! O Brian não te alimenta, não?

— Saímos apressados. — Corou, fazendo uma careta de sinto muito. — Que bom que vamos parar. Pensei que tínhamos que esperar até Phoenix.

Adan soprou uma mecha de cabelo loiro em seu olho.

— Não, e se quiser alguma coisa, é só pedir para parar ou desviar um pouco o caminho... O Dilon controla os horários. Se não for nos atrasar, pode ir à China se quiser.

Lilly gostou da informação.

— Nunca tem comida aqui?

Adan fez uma cara desanimada.

— Não. É mais fácil parar. Aqui, só Big e Dilon cozinham e muito mal. Já tentamos uma governanta, mas... a mulher surtou quando pegou o Gabe fodendo na mesa de bilhar. No QG do Mark até cozinham, mas é tóxico e explosivo. AFASTE-SE! — O músico fez uma expressão de horror que depois mudou para nojo. — Ah! Fuja do home da técnica! A Anne tem complexo de grilo, lagartixa ou uma merda dessas. Só come coisas verdes e um queijo esquisito de soja.

Lilly pensou em brincar que eles não ficavam muito atrás da Anne. A geladeira ali, também só tinha fungo verde, cevada e um queijo esquisito à base de leite podre.

— Não gosto muito de fast-food e até que me viro bem com as panelas. Em casa sou só eu e Marie, sempre a ajudo na cozinha.

— Isso é incrível! Sabe fazer panquecas, Lilly? — Gabe gritou, esfregando as mãos na barriga.

Uma lembrança boa fez o coração de Lilly aquecer de saudades.

... ... ... ... ♥♫♥♪♥ ... ... ... ...

 

— Mamãe!

— Andreas! Não implique com a sua irmã. Devolva esses ovos!

— Ecaaa, isso é panqueca ou gosma de sapo?

— Querida, não ligue para seu irmão... não chore! Ficará melhor e melhor. O segredo... é nunca desistir...

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Lilly e o irmão viviam às voltas da mãe na cozinha e a deixavam quase louca, sempre implicando um com o outro, sujando tudo, mas era o momento especial dos três.

— Minha panqueca é ótima — disse com a voz embargada. — Minha mãe me ensinou.

Animado, Gabe se revirou na poltrona.

— Faria algumas pra mim?! Eu a ajudo, juro! E ainda toco um solo só para você.

— Claro, por que não? Dez panquecas por um solo, que tal? — Sorriu com carinho.

— Perfeito! — ele vibrou, depois ficou pensativo, zapeando entre os canais de desenho. — Sabe... você é legal, Lilly. Merda! Deveria ter ganho do Brian e me casado.

Lilly riu.

— Deixe-a em paz, Gabe! A garota não tem que cozinhar pra você! — Adan tacou uma almofada, acertando em cheio a testa do amigo.

— Ai, doeu! Que mal tem de pedir para casar e cozinhar?

— Ela já é casada, otário! Nos Estados Unidos, bigamia é crime! Se o Brian ouvir isso, arranca o seu pau!

Lilly ofereceu ao vocalista um sorriso amigável.

— Tudo bem, Adan, deixa ele, coitadinho. — Lilly estava começando a achar Gabe fofo. Quando ele fazia aquela cara de pidão era meio impossível negar-lhe qualquer coisa. — Só quer umas panquecas... e eu... qualquer coisa para não ficar sem fazer nada.

Adan fez uma pausa, colocou a latinha vazia no chão e apoiou as pernas compridas na mesinha fixa de centro. Observou Lilly ajeitando-se de bruços no sofá, relaxada, enquanto ria do entusiasmo de Gabe com os desenhos.

Milhares de garotas dariam tudo para seguir viagem com eles. Nem por isso, iriam cozinhar ou se preocupar com o bem-estar da banda. Mas Lilly era diferente. Era natural tê-la perto. O jeito simples e sem afetações começou a cativá-lo. Uma moça de família que só caiu de paraquedas no meio deles. Não era como as fãs desmioladas e desocupadas, que viviam em função de seus paus e dos cinco minutos de fama.

— Sua vida em Los Angeles é agitada?

Lilly abraçou uma almofada e virou-se para Adan. Gostou do interesse dele. Parecia genuíno. O vocalista tinha um jeito fechado e mandão e ela chegou a ter raiva dele por causa da Penne. Mas estava notando algo em sua atitude, no modo como interagia com todos, que a fez reconsiderar se a antipatia inicial não era só implicância.

— Meu estúdio fica em casa, mas meu trabalho vai onde eu vou. — Agitou os dedos, lembrou das tintas que Brian lhe dera e sorriu. — Talvez pinte enquanto estiver aqui. Estou sempre produzindo. Fora minhas telas e desenhos, faço alguns trabalhos por encomenda... painéis e retratos para algumas celebridades e atletas. Há dois anos, desenho para o Ballet de Nova Iorque. Eles gostam dos traços em carvão que faço para o programa. Viajo algumas vezes

também... [57] Vernissages ou compromissos com as galerias. De resto, ando por aí olhando as coisas e buscando inspiração. É bom, mas não agitado como a vida de vocês.

Uma avalanche de um metro e noventa e dois centímetros de músculos e cabelos castanhos, soterrou Lilly de surpresa. Ela soltou um gritinho de susto e excitação. A ereção amimada em sua bunda a fez corar.

— Ahhhh... Tô esmagada!

Brian não resistiu, ao sair do quarto e vê-la de bruços no sofá. A bundinha empinada dela era como um ímã. Precisava esfregar-se.

— Senti a sua falta na cama — a voz preguiçosa e sussurrada, esquentou o ouvido dela.

— Impossível dormir com o seu ronco — provocou-o.

Uma sequência de cócegas nas costelas fez Lilly gargalhar.

— Hey! Eu não ronco, mocinha.

— Para! — implorou, ofegante entre risos.

— Não! — Outro ataque implacável. — Até retirar o que disse!

— Nunca!

Adan e Gabe trocaram olhares. Ontem na boate, depois do show, comentaram entre eles sobre a mudança de humor de Brian. Em vinte e quatro horas, o cara foi da água para o vinho. Ele vinha se recuperando, aos poucos, da sua fase chato-depressiva, pós-Kate.

Voltou a se divertir com eles e ir aos clubes para pegar mulheres, mas nunca parecia inteiramente feliz. Porém, ontem, no ensaio da tarde, estava animado. E no show, foi fenomenal e eletrizante, fora aquela coisa romântica dos parabéns. Veio com a ideia minutos antes de irem para o camarim, estava tão empolgado que concordaram.

É claro, que estavam felizes por Brian. Ele ranzinza era um saco, além do quê, o consideravam como família. Só que ver os dois rindo, provocando-se, era meio contagiante e inspirador. Gabe queria ter alguém que o acompanhasse nas turnês e Adan sentiu a solidão apertar.

Lilly, de alguma forma, tinha conseguido escapar do soterramento de Brian. Agora ela estava presa ao colo dele, debatendo-se por liberdade. Tentou morder o braço tatuado, mas ele a apertou ainda mais.

— Vou fazer xixi na calça! Para! — Lágrimas escorreram dos olhos dela de tanto rir.

Gabe sacudiu a cabeça e lançou um olhar de piedade.

— Tem que pedir água para ele parar — deu a dica com propriedade.

— Águaaaaaaa!

— Não ouvi.

— Águaaaaa! — Lilly berrou outra vez.

A escada desceu novamente e os quatro na sala ficaram quietos. Dois pares de pés surgiram, um feminino e outro imenso. Penne só murmurou um bom-dia e foi direto abrir a geladeira. Teve a mesma reação de decepção que os amigos. Fechou, sem pegar nada. Sentou sonolenta em uma poltrona ao lado de Gabe, encolheu as pernas e puxou a camiseta verde gigante que vestia, fazendo um casulo.

Depois Big, com um baita arranhão no rosto, seguiu o mesmo processo.

Por que eles insistem em abrir, se não tem nada além de cerveja?

— Caralho! Quem consegue dormir com essa zona aqui embaixo! — a voz irritada de Big era quase um trovão. — Não deviam estar deprimidos, com tédio ou dormindo?

Adan balançou a mão indicando para Big abaixar o tom.

— Nem todo mundo teve uma noite de merda como você! Falei que aquela mulher da boate era roubada.

— Como eu iria saber que era casada e o marido um louco? — rosnou e sentou-se ao lado de Brian e Lilly, ainda ofegantes pela briga de cócegas.

Penne lançou um olhar de elementar-meu-caro-Big.

— Pela aliança enorme talvezzzzz? — E continuou a enrolar uma mecha de cabelo rosa entre os dedos.

— Parada em cinco minutos! — a voz de Dilon ecoou no sistema de som.

O Gladiador rosnou, com cara de que não estava para brincadeiras e afundou-se mais no sofá.

— O arranhão? Limpou isso aí? — Lilly arriscou um contato, acariciando o machucado na bochecha do amigo emburrado.

Big revirou os olhos sobre Lilly, que continuava no colo de Brian, mas agora com a cabeça recostada no ombro dele. Ele arriscou um semi sorriso.

— Lavei no banho. Fã maluca. — Suspirou e fechou os olhos, ignorando a todos.

Dilon reduziu a velocidade, fez uma conversão na rotatória, parando totalmente o Palazzo. O tranco fez com que todos levantassem e começassem uma correria barulhenta em busca por camisetas e sapatos.