Enlaçados: Sex and Rock
Capítulo 10
Brian era um cara generoso e atencioso. Lilly sabia que ele estava esforçando-se para
deixá-la à vontade e, passada a primeira hora... ela teve que reconhecer, ele estava fazendo um ótimo trabalho. É claro que ela também queria que a convivência entre os dois se transformasse em algo incrível.
Tudo ao redor do músico parecia certo, mas... as palavras de Ava, fazendo pouco caso de Lilly, realmente a atingiram.
— Qual é o problema agora? — Brian sabia que tinha mais coisa tumultuando aquela cabecinha linda.
Uma possibilidade desagradável passou pela mente de Lilly.
— Estou me sentindo um pouco desconfortável. — Ela achou que sinceridade seria o melhor caminho entre eles.
— Por quê? Já disse que não deveria.
Ela estudou o belo rosto dele, com as feições relaxadas.
— Tenho medo de acabar virando um fardo pra você.
— Que bobagem. — Brian fez pouco caso.
Lilly suspirou, esticando as pernas na poltrona para o sangue circular.
— Olha... sei que bebemos e fizemos uma doidera e tanto. Só que, nessa coisa toda, só eu fui beneficiada. Vou ser eternamente grata pelo que fez. Principalmente depois da minha irmã, mas... imagino que a sua vida deva ser animada, cheia de festas, aventuras, mulheres... e, de certa forma, vou acabar limitando você. Não quero que deixe de curtir, só porque uma louca caiu de paraquedas na sua vida e tem que fingir para os outros que está apaixonado.
Fodam-se os outros!
Brian aproximou-se, ficando de cócoras na frente de Lilly. Porra, se ela soubesse o quanto a vida dele estava monótona. Encontrava-se em um momento, no qual todas aquelas festas ou fodas alucinadas já não faziam mais sentido... e tudo o que ele tinha era o vazio da estrada.
Lógico que ele foi um impulsivo. Sóbrios, certamente, nenhum dos dois toparia o casamento. Porém, desconfiava que talvez, inconscientemente, o fizera por acreditar que Lilly fosse agitar a vida dele e porque, inegavelmente, sentia uma atração insana por ela.
— Lilly. — Pegou nas mãos dela. Tão macias e delicadas, um contraste em relação às dele, calejadas pelo contato diário com as cordas da guitarra. — Eu duvido que possa me sufocar. Nessas poucas horas, já fiquei totalmente cativado por você. As festas e as aventuras vão continuar e iremos juntos... Mas quero te contar um segredo: eu estava um pouco cansado desta loucura toda.
Lilly inclinou a cabeça, avaliando-o como se ele fosse um quadro expressionista de Picasso. Ela se perguntou por que a obra de arte à sua frente estava sendo tão gentil? Tão perfeito?
Lógico!
— Ah! Sei o que está tentando fazer!
— O quê? — Os olhos azuis-violeta pareciam se divertir.
— Está sendo legal para me fazer sentir bem, de novo.
Ele a olhou como se tivesse sido insultado.
— Eu não sou legal.
— Até agora, nada me mostrou o contrário.
— Eu não sou legal, ok? — Brian voltou a sentar na mesinha. Homens não queriam ser legais. Os avós deles eram legais. Ele queria ser foda. — Um cara que até outro dia usava aparelho nos dentes para dormir, não pode ser considerado legal. Isso deixa qualquer um amargurado, vingativo e babão.
Lilly riu com a imagem dele de aparelho, dormindo todo babado. Pelo menos, esse era o efeito que os aparelhos provocaram nela.
— Isso só explica os seus dentes perfeitos, mas... não muda o legal para me agradar.
— Está bem, então... estou te agradando por interesse — disse com a maior cara lavada.
Droga!
Lilly ficou desconcertada.
— Poxa vida... isso não foi legal.
Brian jogou a cabeça para trás, rindo com gosto. Demorou alguns segundos, até se acalmar.
— Precisava ver a sua cara! — continuou a rir.
Um chute certeiro de Lilly o atingiu na canela.
— Rir de mim também não foi legal.
— Ai, desculpa. — Ele esfregou a perna atingida e tentou parecer sério.
— Aprenda, Lilly... eu tenho a tendência de fazer só o que eu quero, quando eu quero e fodam-se as consequências. Não nego que sou um cara sexual, tenho quase trinta anos. Que cara na minha idade não gosta de diversão e de uma boa foda? Mas também sou um ser cerebral... Já estava ficando sufocado com tanta futilidade. Acho que vai ser bom ter alguém que possa me mostrar um outro lado da vida. E você, Lilly, tem uma conversa fácil e ótima. Estou me sentindo realmente à vontade do seu lado.
Mais uma vez, ele conseguira. Brian parecia não ter nenhum problema em dizer claramente o que pensava. E aquela franqueza era um ponto de ouro, que na atual situação
traitícia[20] da Lilly era uma coisa que a atraía muito, além de todo o resto dele, é claro.
— Desculpa, se duvidei de você, só estou sem jeito e ainda um pouco abalada com os últimos acontecimentos.
Ela balançou as pernas esticadas e alisou as camadas de tecido.
— Que coisa? Quero que confie em mim e seja sempre franca. Fiz algo que te deixou mal?
— Além de rir de mim, não. Pelo contrário, estou te achando melhor do que a encomenda. Um tesão de cara!
Os olhos dele arregalaram e um sorrisinho presunçoso começou a nascer.
Não tenha ideias, rapazinho!
Lilly semicerrou os olhos.
— Tesão no sentido de pessoa cerebral, quero dizer.
Um bico fingindo mágoa brotou nos lábios deliciosos dele.
Lilly revirou os olhos e riu.
— No físico também, satisfeito?
— Lógico! Que homem quer ser tachado de feio ao ponto de incomodar? — Brian fez cara de alívio. — Sua aparência é um tesão também.
O jeito como ele disse a palavra tesão, fez a libido de Lilly subir cem pontos. Sério que ELE a achava um tesão? Isso ia contra a lei da física de astros de rock e suas mulheres turbinadas.
— Nunca disse que era feio. Você não me incomoda, a situação sim.
— O quê, especificamente? Sou um cara de muitos talentos, Pequenininha, mas, infelizmente... ler mentes não é um deles. Se não me disser o que está te deixando tão agoniada, não tenho como descobrir, nem te ajudar. Honestidade, combinado? Odeio que me escondam as coisas. Estamos juntos nessa.
— Ok, honestidade. Gosto disso... sem esconder nada. — Lilly respirou buscando coragem.
Brian permaneceu focado e esperando que ela continuasse.
— Essa droga de amnésia! — A confissão dela saiu como um desabafo entalado e ele gargalhou. — Falo sério, droga! Estou tentando brincar e relaxar, mas... estou com um certo pânico. Sei que ontem nos beijamos e que o Gabe disse que eu te agarrei. É verdade, que eu me sinto atraída por você. Que casamos! Só achei estranho... não saio atacando os homens por aí. Talvez, tenha sido todo o estresse que passei. Queria ver as fotos...
Brian agitou-se, sentado na mesa de centro.
— Não acha que inventamos tudo. Acha?
— Ai, Jesus... claro que não! É só olhar para a chupada máster no meu pescoço. Caramba! Percebeu que também tem uma grandona, bem aí, no seu pescoço? — Lilly inclinou-se e tocou a marca arroxeada em Brian e ele sorriu, parecendo não estar nem um pouco incomodado.
— Acho que nos empolgamos, baby.
— É, acho que sim. Sinto muito por não lembrar. — Ela esfregou as palmas úmidas no vestido. — Eu juro que não foi falta de consideração. Estou tentando lembrar! Não que eu duvide de que gostei. Quem não gostaria de te beijar? Você é o Brian Pierce! Caramba! Olho pra você e me dá vontade de beijar... quer dizer, não... não me entenda mal. Não que eu vá fazer isso ou esteja me oferecendo, não precisa se preocupar. Merda! Nossa, é tão constrangedor... e você aí, todo lindo. Droga! O que estou dizendo?
Cristo!
Ela disparou! Que tagarela!
Alguém precisava acabar com a agonia dela.
E esse alguém era ele, certo?
— Então, Brian...
— Quieta!
— Hã?
Sem conseguir resistir mais, Brian partiu para o ataque. Levantou-se, apoiando as mãos, uma em cada braço da larga poltrona macia... Lilly ficou encurralada. Os pés dele fixaram-se no chão quando inclinou o corpo sobre o dela e ficaram nariz com nariz.
O coração dela disparou e sentiu os pelos da nuca arrepiarem. Esticou-se toda, afundando mais ainda no couro macio, seus pés mal tocavam o chão. Não podia escapar... Não com umas das pernas dele, entre as dela. Espalmou as mãos no peito dele, que subia e descia em uma respiração pesada. Percebeu que o coração dele batia no mesmo ritmo que o dela.
Foram segundos, onde os azuis-violeta estudaram os avelã-esverdeados. Tinha tudo ali... vontade, dúvida e curiosidade. Anos de um desejo contido, alimentado pela imaginação fértil de ambos. Já tinham vivido aquele momento secretamente em suas fantasias, milhares de vezes.
— O que es-está fa-fazendo? — Lilly perguntou, em um sussurro gaguejante.
O primeiro pensamento que veio à mente dela foi esbofeteá-lo. Só que em vez disso... baixou o olhar para a boca de Brian e assistiu a ponta da língua dele passear sobre o lábio molhado, sensual e carnudo. Um espasmo traidor na vagina a deixou atordoada.
— Vou te beijar e acabar logo com essa amnésia.
— Vai?
— Hum-hum... vou.
— Oh, meu Deus!
O tapa que ele esperava não veio, e com uma das mãos segurou firme um bom punhado dos cabelos na nuca de Lilly, que ofegou. Ele sentiu um aroma fresco de hortelã, quando ela entreabriu a boca em expectativa.
Brian abaixou a cabeça e começou a provocá-la com vários beijos no rosto... bochechas, nariz, olhos... cada centímetro, menos a boca.
— Deus...
Encantado, reparou nas microsardas no nariz arrebitado e achou aquilo sexy... Como pequenas tatuagens selvagens que davam a ela um ar de menina travessa e sacana.
Ah!
Brian adorava uma travessura e era o rei da sacanagem.
Amou que a mulher, agora ainda mais perfeita, carregasse traços da coisinha sexy que ele botou os olhos há quatro anos naquele hospital... Estremeceu quando dedos pequenos e ansiosos tatearam a pele áspera das laterais do seu rosto e enfiaram-se em seu couro cabeludo.
Porra, que delícia!
Lilly adorou a aspereza da pele dele e a maciez daqueles cabelos desgrenhados como os de um surfista. Jesus! Por quantos anos ela havia sonhado com aquilo! O homem a mataria se não a beijasse logo.
E... Brian queria pegar leve, pelo menos aquele era o plano... Dar tempo, mas algo nela o deixou louco. Então, escalou ainda mais a poltrona e ao mesmo tempo que atacou o pescoço dela, brincou com a orelha, mordiscando, chupando...
— Ah! Isso, Brian... bom.
Animado com a declaração, esfregou o corpo ao dela como uma onda, queria misturar os seus cheiros e as suas vontades.
Como se fosse um lobo alfa, esfregou-se em Lilly de forma possessiva. Queria que os caras do bando soubessem que ela era dele e carregava a sua marca.
E, de repente, estava tudo ali de novo... e não era a imaginação provocada pelo álcool. O cheiro doce, o corpo delicado, quente e macio contra o dele. Aquela pequena mulher o ligava em segundos.
Brian abaixou a cabeça e pressionou suas bocas. Lilly fechou os olhos e cedeu o controle: queria o famoso beijo.
Ela sentiu uma sucção suave nos lábios, seguida por toques maliciosos de uma língua, indo e vindo, umedecendo-os. Era desconcertante, um gemido de desejo brotou dentro dela. Lilly chupou o lábio inferior de Brian, porque era isso que queria fazer, desde aquele dia no hospital. Jesus, indescritível. Anos-luz melhor do que ela tinha imaginado e um universo paralelo de luxúria se abriu para ela.
A provocação sensual de lábios... e pontas de línguas a estavam deixando maluca. As respirações se aceleraram... e mãos, e línguas se exploravam mutuamente investigando o terreno.
Para que porra de tanto pano?, pensou ele. Havia tecido demais entre eles.
Ele adorou quando ela o puxou para perto, pressionando ainda mais os seus corpos. Onde ele tocava, a pele de Lilly entrava em combustão e um arrepio de puro deleite percorreu a espinha de Brian quando sentiu o corpo de Lilly estremecendo sobre o dele.
Isso, Bonequinha sexy! Venha me pegar!
Nossa, Mãe!
Era tão bom ser soterrada por Brian. Aquele corpo pesado e quente era demais! Pena que as várias camadas do vestido a impediam de sentir a parte dele que mais desejava. Tudo bem. Mesmo assim, obrigada, Deus! Os lábios dele eram macios e firmes, fazendo uma pressão magnífica sobre os dela.
Caramba, o homem era um tormento!
Quando finalmente uma língua invadiu a boca da Lilly e a instigou, ela gemeu com a surpresa e abriu os olhos.
— Oh, Brian!
— Gostou? — ele perguntou, com certo receio.
— Diferente.
—Diferente bom ou diferente ruim?
— Diferente, muito bom.
Ele sorriu e invadiu a boca delicada com empolgação.
A língua dela vibrou ao explorar as bordas arredondadas de um piercing recém-descoberto. Diferente, mas tão bom. Ela nunca tinha beijado alguém que tivesse um antes. Era erótico. Era único. O esfrega-esfrega daquilo, na língua, acendeu todas as terminações da garota. As papilas gustativas dela absorveram cada nota de sabor daquele gosto incrível do homem que se esfregava como um louco sobre ela.
— Hummm, bom — gemeu, sentindo-se manhosa.
— Boa é você, Lilly... — O vai e vem, e a dança lenta e escorregadia de suas línguas tornou-se urgente, quase desesperada. O beijo era safado e intenso.
A excitação dela aumentou só de imaginar aquilo ali se esfregando daquele jeito, em seus pontos mais sensíveis. Os mamilos de Lilly endureceram de desejo. Queria a pequena bola em todos os lugares.
Brian riu com a reação dela.
— Imagina a sensação disso lá embaixo — sussurrou em sua boca.
— Nossa, Brian! — um gemido de prazer escapou daquela boquinha gostosa. Impressionante como um troço tão pequeno podia causar sensações tão extremas.
Ele mal podia esperar para enlouquecer a mulher em seus braços, só com as habilidades que ele desenvolvera com a língua.
Quando ele chupou forte a língua dela, fazendo a pequena bola de metal massageá-la como se a estivesse fodendo, um calor invadiu o baixo ventre e se espalhou pela virilha de Lilly. Outro choque na boceta e mais outro, e outro.
Caramba!
— Jesus, Brian! Isso é bom! — a voz sussurrada e rouca de Lilly, recheada de desejo, fez as bolas de Brian pulsarem incessantemente. Impossível não se contorcer.
— Mais que bom, é foda, baby!
Foda é o calor na área abaixo da minha cintura!, pensou, Lilly. Foda é esse seu cheiro de mate-verde, seus dentes perfeitos, sua língua atrevida e este gosto de homem, cheio de testosterona. Aquilo era foda para uma mulher como ela. Brian era delicioso... complexo... único.
Língua contra língua... bocas se conhecendo e se devorando. Mordidas, chupadas e lambidas. Respirações ofegantes e uma leve camada de suor misturando tudo.
Para quê limites, se aquilo era tão bom? Brian era um cara que adorava sexo. Um lobo safado em pele de cordeiro. Fazer o quê? Os dois eram jovens e atraentes, era natural que algo a mais fosse acontecer... então, ficou mais do que satisfeito ao perceber que a sua mulher parecia bem empolgada. Tão satisfeito que seu pau contorceu em expectativa.
Então... esfregou-se como deu, tentando acalmar a fome. Mas...
Que cacete de vestido! As mulheres deveriam se casar nuas.
— Você é deliciosa, senhora Pierce — disse sem fôlego. Depois, enterrou novamente uma de suas mãos enormes no cabelo fininho, inclinando a cabeça dela para trás, para que ele pudesse tecer beijos molhados e pequenas mordidas no pescoço alongado. — Todinha deliciosa.
— E... você é... tentador! — ofegou Lilly, não resistindo à vontade de abraçá-lo mais.
Não podia acreditar que aquilo estivesse finalmente acontecendo!
Lilly desceu as mãos pelas costas dele, arranhando-as com as unhas. Sentiu os músculos marcados, mexendo e contraindo, e imaginou o dragão negro em movimento. Voando sobre ela... O homem era totalmente abraçável e totalmente beijável também.
— Que apetitoso... — murmurou, não percebendo que tinha expressado alto demais os seus sentimentos.
Ele sorriu torto e inclinou a cabeça em direção a ela.
— Isso é só o aperitivo, baby. — Lilly derreteu-se mais um pouquinho.
Estremeceu com a possibilidade de descobrir se ele era totalmente comível e fodível...
O coração dela bateu mais rápido ainda. Se eles continuassem naquele ritmo, certamente, chegariam à terceira base. Brian parecia ser um expert na arte do sexo. Impossível alguém tão quente não mandar totalmente bem no quesito penetração profunda.
Odeio que me escondam as coisas...
Odeio que me escondam as coisas...
Odeio que me escondam as coisas...
Droga!
Primeiro, Lilly tinha que avisá-lo. Não queria que pensasse que tinha escondido algo dele. Porém, não era o tipo de coisa que ela costumava contar por aí. Droga! Quando a mão dele deslizou apertando um seio... o corpo inteiro dela tensionou.
Brian sentiu na hora a mudança de atitude.
Porra!
Merda! Merda! Merda!
Estava indo rápido demais? É claro que ela não iria gostar de ser fodida daquele jeito, espremida em uma poltrona na sala. Pelo menos, não na primeira vez deles.
— Baby, o que acha de continuarmos na cama?
Odeio que me escondam as coisas...
Odeio que me escondam as coisas...
Odeio que me escondam as coisas...
— Na cama?
— Hum-hum... — Brian esfregou a virilha contra a dela, como um convite. — Preciso descobrir como é a sensação de me enterrar em você. Descobrir se a sua boceta é tão deliciosa quanto a boca.
— Ai, caramba, mas já? — Lilly não estava preparada para aquilo. Sim! Deveria ser incrível tê-lo enterrado nela. Queria muito. — Poxa vida! Eu quero... muito, mas... preciso de um banho... Só consegui escovar os dentes. Não podemos deixar a parte do enterrar e descobrir para mais tarde?
Porra!
Aquela era nova. Que banho de água fria.
— Tudo bem, mais tarde então — disse Brian ofegante, ainda confuso com a mudança de temperatura dela.
Ele a beijou na testa e levantou-se, deixando Lilly livre.
Em menos de um segundo, ela já estava de pé, indo em direção ao quarto. Sem saber como agir, Brian ficou ali parado no meio da sala. Coçou a cabeça e ajeitou o pau que pressionava o jeans. Em seguida, tentou acalmar a respiração.
Cacete!
Será que fui apressado demais?
Talvez ela ainda esteja pensando no otário... Não, não... ela disse ontem...
... ... ... ... ♥♫♥♪♥ ... ... ... ...
A voz bêbada de Lilly vibrou no ouvido de Brian. A noivinha estava sentada em colo dele na boate Luxury.
Um soluço feminino reverberou baixinho.
— Shhh... que soluço chato! Quero contar um segredo... Não vai contar para o Will, vai?
— ... Ôôôô, Brian...
— Não vou contar. Prometo.
— Bom menino — outro soluço —, acho que eu… meio que nunca gostei pra valer do Will enganador...
— Ah! Não? Por que ia casar então?
— Sei lá... parecia o certo a fazer. Ele era chato, mas era legal. Me enganou, sabia? Disse que queria me proteger da Ava... que eu precisava dele. Eu acreditei.
Uma sequência de soluços.
— Aí, me traiu... com a minha irmã, acredita? Eu vi, juro... ninguém me contou... vi o pau dele lá no traseiro dela. Sou muito otária.
— Ele é o otário. Você é linda. Perfeita.
— Sou não... Ava é perfeita... ele queria ela... Oooo temmmmpo tooodo. Você também vai querer a minha irmã... eu sei... uma pena, sabia?
— Não vou querer, não.
— Vai sim. Todo mundo a quer. Acredite em mim!
— Esquece isso, Pequenininha.
— Já esqueci... juro... sabe... nem liguei... quer dizer, liguei... traição de irmã machuca... Senti por ela, não por ele. Estranho, né? Eu deveria estar sofrendo por ele, mas só sinto, nada... nojo. Ah, sei lá... que merda! Estou confusa… com raiva... com medo...
— É normal, não tenha medo. Estou aqui agora.
— Esse é o problema. — Lilly sorriu tímida para ele. — Antes você ficava só aqui. — Bateu na testa. — Não ligo que ela pegue o Will, mas acho que ligaria se pegasse você.
— Ninguém vai me pegar, baby.
— Promete?
— Prometo.
— Ai, meu Deus!
— O quê?
— Aquele é o Ethan no pole dance? Quero ir lá também! Mas antes... acho que vou vomitar.
... ... ... ... ♥♫♥♪♥ ... ... ... ...
Brian decidiu que, talvez, fosse melhor ir com calma. Traição era um sentimento corrosivo. Ele também não tinha tomado banho, então levantou o braço, procurando algum indício de mau cheiro. Nada. Tinha se levado na pia e trocado a camiseta respingada de vômito por outra limpa do Adan.
Inacreditável! Frustrante! Fascinante! Instigante! Irritante!
As mulheres, geralmente, enlouqueciam quando ele falava sujo e dizia que queria fodê-las. Com Lilly, foi a primeira vez que recebera um... não.