Enlaçados: Sex and Rock
Capítulo 31
Já era noite. As ondas do mar batiam em uma cadência calmante. Brian não tinha
voltado e Lilly resolveu esperar por ele, sentada na areia. Não sabia mais o que dizer para Marie e sua mesa de lanche intocada.
A lua deixava um rastro prateado na água e havia um som de risadas e música vindo de uma fogueira em frente à casa da banda. Coragem, vá até lá... Só o traga para casa. Penne tinha ligado, falando algo sobre um luau e tentando descobrir o porquê da cara emburrada de Brian, mas fora a vez de Lilly de ser evasiva.
— Não sei do que está falando, Penne. Deve ser coisa dele.
Ela estava ensaiando, há horas, ir atrás do músico. As palavras de Brian martelavam em sua cabeça.
— Desde o momento em que eu só quero você, porra!
— E aquilo entre nós... não foi apenas sexo!
Para mim também, não!
Era duro admitir, mas... tinha errado feio com Brian. Ficara tão concentrada em se proteger, que não enxergou as atitudes dele. Ele foi impecável, cavalheiro e gentil o tempo todo. Mal olhou para o lado. Mais do que usar o passado vadio contra ele, Lilly estava se projetando nos relacionamentos que fracassaram.
Um vulto aproximou-se e trouxe esperança. O coração angustiado de Lilly deu um salto, depois, murchou.
— Noite linda.
Reconheceu a voz e o tipo elegante de Mel. A jornalista vinha se revelando uma mulher legal. Foi ótima companhia em vários momentos. Depois de inúmeras passagens de som, as coisas perderam um pouco a graça e foi bom ter alguém para papear.
— Oi.
— O povo está animado lá na fogueira.
— É... percebi.
— O seu marido está lá... — Mel puxou o assunto com tato. Ela era suficientemente experiente para saber que os dois não estavam em seu melhor dia. Queria ajudar, gostava de verdade de Lilly. — com uma cara de cachorro que caiu da mudança.
Lilly riu sem graça e Mel sentou-se ao lado dela.
— É quase isso.
Com um graveto, Mel cutucou a areia. Desenhou uma flecha apontando a fogueira.
— Vá resgatá-lo, mulher. Traga-o de volta para casa.
— E se ele não quiser vir? Acho que pisei na bola.
Um assovio baixo saiu dos lábios vermelhos da pinup.
— Vadias, ciúmes e fama... Essa é uma combinação de merda.
— Ôôôô, se é. — Lilly fechou o casaco e virou-se para ela. — Uma merda.
A morena sorriu gentilmente, franziu a boca, pensando... e encarou-a.
— Ouça, meu Anjo... Brian é o queridinho da banda. É bonito de doer, toca guitarra, compõe músicas que ganham Oscar e se declara para a esposa, diante de trinta mil pessoas. As mulheres desmaiam quando ele passa. Se gosta dele, vai ter que aprender a lidar com isso, simples assim.
— Pensei que o Adan fosse o queridinho.
— Não, o Adan é um prostituto arrogante — Mel bufou irritada. — Bom para olhar, mas... todos sabem que é de ninguém. Brian é o sonho de consumo. Acho que ele e Gabe são os mais família.
— O Gabe?
— Sim... O garoto só é incompreendido — a jornalista opinou.
Lilly assentiu, a mulher era observadora. Tinha exatamente a mesma impressão sobre Gabe, um cara de família confuso e incompreendido.
— Impressionante, percebeu tudo isso nesses quinze dias?
Mel sorriu divertida e imitou Lilly afundando os dedos dos pés na areia.
— Não, Anjo. Tenho quase trinta anos. Estou nesta coisa da música há muito tempo. Conheço todos os tipos...
— Desde que se formou?
— Não, o jornalismo veio depois. Desde que fiz exatamente como você... Eu me apaixonei por um astro e casei em Vegas. De lá pra cá, esta é minha vida. Amo a música.
— Não sabia que era casada.
Mel ficou quieta por uns instantes, o olhar perdido no mar, contraiu a boca e depois forçou um sorriso.
— Fui casada, não sou mais. Cometi o pior dos erros. Deixei o ciúme e a insegurança corroerem tudo. Não soube separar o astro do homem. Muito menos lidar com as fãs. Quando dei por mim, tínhamos virado dois amargos. Eu, sempre desconfiando, e ele, de saco cheio, tentando mostrar que eu estava errada. Não cometa os mesmos erros que eu, Anjo.
Lilly queria perguntar mais e matar a curiosidade. Saber quem era o tal artista, mas sentiu na voz embargada de Mel que aquele não era um assunto fácil. Mas ela estava certa em cada palavra que dissera... Ciúme e insegurança eram uma merda! O pior de tudo, que eram sentimentos que ela só havia experimentado com Brian. Nenhum outro homem tinha tido esse poder sobre ela.
— Droga! É tão difícil... com todas essas histórias de bastidores... e fãs nuas... é humilhante.
— Fiquei sabendo do seu ex-noivo, deve ter sido uma barra tremenda e a Diana... é uma alpinista social do caralho! — Mel esbravejou e lançou o graveto no mar.
O sangue de Lilly congelou, olhou boquiaberta para a jornalista.
— Sobre o meu noivo, o casamento com Brian... isso é um...
— Segredo, eu sei. Pode confiar... Escutei sem querer uma conversa entre o Big e o Adan. Não pretendo abrir o que ouvi para ninguém. — Mel tocou o braço de Lilly em um gesto tranquilizador.
Sem saber o quanto Mel sabia, Lilly não quis aprofundar.
— As coisas saíram do controle, não pensamos em nada.
— Olha só... Eu, mais do que ninguém, sei que a vida não se compromete com os planos da gente. Ela simplesmente acontece. Quer saber o que eu acho, de verdade?
Lilly fez que sim em um gesto de cabeça.
Mel sorriu e continuou:
— No fundo, aquela coisa toda com a sua irmã foi um livramento do universo. Não era para ter se casado com o tal Will e o fato é que você e o Brian estão juntos. Foda-se a maneira como se casaram! Não caia nesses jogos... É isso o que elas querem... desestabilizar. Você é uma ameaça para o estilo de vida delas. Sabem que o Brian está fora de jogo e isso as deixa em desvantagem e com raiva. Reparei nele esses dias... o homem é simpático com todos, mas não dá abertura. Só que as piranhas vão pra cima, de qualquer jeito. Foda-se o casamento... Tem que aprender a se impor, Anjo. Caso contrário, será engolida pelos tubarões.
— Como? Se na primeira oportunidade de me impor... — Lilly suspirou lembrando de Diana pelada. — fiquei aturdida e sem reação... Impressionante! Diana se parece muito com a minha irmã. Foi tão chocante, pela primeira vez na vida, tive vontade real de bater em alguém. Antes que eu fizesse uma cena de ciúmes e prejudicasse o Brian, achei melhor tirar o time de campo.
Mel encarou-a com seriedade.
— Fugir é sempre um erro. Deveria ter acabado com a raça daquela vaca, mostrado pra ela quem é a dona do macho. Ele é seu marido, não delas. Se gosta dele, defenda o que é seu. Ninguém vai te criticar por bater nelas.
Lilly não tinha o que argumentar.
Sim, ela estava fugindo. E sim... o Brian era dela, não daquelas piranhas!
Lilly nunca foi do drama, mas Brian elevava os sentimentos dela à potência máxima. Decidida, ficou de pé de supetão. Bateu a areia do vestido e estendeu a mão para ajudar Mel a se levantar.
— Obrigada pelo conselho. Está na hora de tirar essas besteiras da cabeça, confiar e ir lá amansar a fera, vamos?
— Gosto assim! Mulher esperta.
Caminharam pela praia em silêncio. Lilly chutou a água, deixando a areia entrar no meio dos dedos, massageando-os. Só conseguia pensar em Brian... e no quanto tivera que rebolar para se segurar todos aqueles dias. Fingir indiferença não estava funcionando. Muito menos a coisa de “amigos e parceiros”. Lilly sabia que no momento em que se aproximaram, algo dentro dela havia mudado e o que quer que fosse, tinha feito com que explodisse uma necessidade de estar junto... de conectar-se... de misturar-se... de tê-lo por inteiro.
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Desanimado, Brian ficou o tempo todo sentado em um tronco, de cabeça baixa, em volta da fogueira. Alheio a tudo... à música alta, às conversas e risadas. Com os cotovelos apoiados no joelho, girava uma garrafa com cerveja, já quente, na mão. Daniel levantou do tronco dando um tapinha nas costas dele.
— Respira e não faz merda.
Hã?
Brian ficou em alerta... Viu dois vultos se aproximando pela beirinha... O coração dele parou e uma onda de adrenalina o atingiu. Depois, a semente de um sorriso brotou em seu rosto.
Ela veio...
Secretamente, estava alimentando a esperança de Lilly cair na real e vir atrás dele. Mas agora, que ela estava ali... Puta que pariu! Que ansiedade do caralho! Um diabinho no ombro o estava infernizando. Talvez ela tivesse vindo só para avisá-lo que não o queria mais em sua casa.
Merda! Não!
Ficou quieto a observando, como um predador perseguindo a caça. Ela parecia sem graça ao dar um olá para as pessoas, meio tímida até. Uma brisa vinda do mar jogou os cabelos dela sobre o rosto e quando Lilly girou a cabeça para afastar os fios, os olhares deles se cruzaram... e as bochechas dela ficaram vermelhas.
Ela baixou a cabeça e cutucou a areia com o pé, abraçando o corpo. Porra! Qualquer pensamento em manter-se afastado foi para o espaço no segundo em que o roqueiro a viu chegar. Como na música internacional que ele gostava... Era impossível ver e não querer... Era insuportável, uma dor incrível... Era como ver um banquete e não salivar.
Brian estava tão distraído vendo Lilly lutar contra os cabelos esvoaçantes e falar com Penne e Mel, às voltas com os seguranças, que nem percebeu quando Adan aproximou-se e sentou ao lado dele.
— Ela é linda, né?
Brian não entendeu se o Viking falava sobre Penne ou Lilly. Bom... ele só tinha olhos para uma delas. Para variar, Lilly estava linda, gostava daquela simplicidade não afetada e os vestidinhos larguinhos o enlouqueciam. A mulher era a feminilidade em todas as suas células.
— Penne? Você e ela? — Brian ficou confuso e levantou uma sobrancelha questionadora.
Adan riu na direção das meninas, focou em uma certa jornalista e fechou a cara de imediato.
— O que importa? Nunca vai acontecer — divagou.
— O quê? Ainda pensa nela? Quer que aconteça?
— Com quem?
— Com quem? Bebeu? Você e a Penne, claro.
Adan levantou as mãos, mostrando que não segurava nenhuma garrafa e franziu a testa negando.
— Por que não?
— Entramos na zona de amizade, cara. Já era. E você e a Lilly?
Brian soltou um suspiro desanimado e voltou a observar Lilly. Gabe devia estar falando alguma coisa engraçada para ela...
— Essa coisa de apenas amigos, não funciona pra mim. Merda! Depois da Diana, ela pisou no freio. Estou ficando maluco.
— Aquilo foi foda até para os padrões da Diana. Com tanta banda para a vadia azucrinar, cismou justo com a nossa. Foram loucos de comer a mulher. Conheço o tipo, não vai largar o osso tão cedo.
— Foda... sei que errei feio, por isso ia aos clubes. Era só entrar e foder... sem correr o
risco de uma louca de [66] Atração Fatal começar a te perseguir... Ainda mais agora, com a Lilly.
— Está mesmo disposto?
Brian encarou o amigo sem entender.
Adan segurou o ombro do guitarrista.
— Está disposto a largar essa porra toda por ela? Vejo como fica vulnerável... Nunca te vi assim, nem com a Kate...
— Kate não valia um dólar falso. Já a Lilly... não é mais uma questão de estar disposto ou não. Até pensei em levar... a coisa de casamento de outra forma. Pretendia me manter afastado, mas não consigo, cara. Só de imaginar ficar longe dela, me dá um troço ruim. Já aconteceu... Larguei tudo por ela. Antes era apenas uma fantasia. A amiga perfeita e inatingível da Penne. Agora ela está aqui... é real... e minha.
Sim, dele.
Brian nunca foi um cara possessivo ou ciumento, mas Lilly despertava tais sentimentos nele. Uma coisa louca de possuir, cuidar e proteger. Se eles fossem cangurus enfiaria a mulher na bolsa, costuraria para ela não fugir e andaria com ela sob a pele.
— Hey, Lilly! — Adan gritou chamando a atenção dela e fazendo um gesto para que se aproximasse.
— O que está fazendo? — Brian sussurrou agitado.
— Só dando uma mãozinha…
Valeu, Adan!
De mansinho, Lilly se aproximou... Todos os instintos puxando-a na direção de Brian. Era contraditório estar sem graça, afinal, eles não eram mais dois desconhecidos. Na verdade, ela nunca tinha se desnudado tanto para alguém e não só fisicamente... Porém, eles tinham dado cem passos para trás. A reação de Brian de sair andando a pegou de surpresa.
— E aí, Boneca? Brian estava me contando como a casa de vocês é incrível. Fala sério que
é a sua primeira noite aqui em [67] Dreams Beach?
Adan ignorou a cara de espanto do amigo. Foda-se que ele não tinha dito nada para ele. Coisa nenhuma o impediria de usar a conversa que tivera à tarde com Big em favor de Brian. Mulheres apreciavam o interesse dos homens pelas suas conquistas. Ele levantou-se, dando espaço para Lilly sentar.
Os olhos de Lilly iluminaram na direção do Brian. Ela sorriu para ele.
— Estava falando da casa para o Gabe. — Lilly sentou-se ao lado de Brian. Gostou quando ele discretamente, arrastou o corpo juntando os dois. Recostou-se languidamente nele em resposta. — Mais de um mês decorando o lugar e nunca passei uma noite aqui.
— Mas já curtiu esse marzão?
Lilly levantou os ombros.
— Não.
— Que sacrilégio! — Adan gargalhou — Precisamos remediar a situação.
Brian preocupou-se.
— Remediar como?
Adan sorriu para o casal.
— BATISMO DE CASAMENTO! — gritou chamando a atenção de todos.
Lilly olhou confusa para Brian, que nem teve tempo de falar nada. Em segundos, o grupo todo os cercou. Big e Dani agarraram Brian pelos braços e pernas.
— Me larga, porra! Eu já entrei no mar!
— Nem fodendo! — Big rosnou.
— Batismo! Batismo! Batismo! — todos gritavam em coro, entre palmas e risos eufóricos.
Jesus!
Lilly foi jogada nos ombros de Adan. Debateu-se e gritou, mas nada adiantou. Gabe e Penne pareciam duas crianças correndo e pulando, enquanto iam em direção ao mar.
Primeiro, ela viu Brian ser balançado e depois, lançado no ar, caindo vários metros dentro da água, sumindo entre as ondas. Em seguida, ela mal teve tempo de arrancar o casaquinho e foi a vez de Adan transferi-la para os braços, girar em busca de impulso e... Lilly seguiu a mesma rota de Brian, afundando entre as ondas.
Debateu-se embaixo da água. Uma mão forte a agarrou pela cintura... Submergiu agarrada ao Brian e suspirou ao sentir a pegada forte. A água gelada e o corpo quente dele provocaram arrepios.
— Peguei você.
— Tá frio.
— Eu te esquento.
Ela estava com a água quase batendo no peito. Abraçou-o com mais força, afundando o rosto no pescoço do guitarrista, quando uma onda mais forte os fez cambalear. Tanta proximidade molhada a excitou a jato. Desejou que todas aquelas roupas encharcadas entre eles desaparecessem. Estava com tantas saudades daquele corpo nu, pesando sobre o dela.
— Agora sim... os pombinhos estão abençoados! — Adan puxou um viva.
Uma algazarra dentro do mar começou... até os seguranças e Mel não resistiram e entraram na água.
— Bem-vinda a Dreams Beach! — Gabe gritou.
Penne lançou-se sobre os dois abraçando-os.
— Meu casal preferido no mundo! — disse com a voz enrolada, já bem alta de cerveja.
Brian sorriu com gratidão para Adan, que retribuiu piscando de um jeito cúmplice e chamando Penne. O vocalista tinha um dom impressionante para quebrar o gelo. Fez o mal-estar entre eles dissolver-se no mar. Torcia para que Adan encontrasse alguém. Por trás daquela casca de durão havia um homem generoso.
Lilly depositou um beijo inesperado nos lábios de Brian. O moreno olhou-a confuso e feliz ao mesmo tempo.
— Vim te buscar — ela sussurrou contra a sua boca. — Tenho umas coisas bem importantes pra dizer... — Sorriu de um jeito quase tímido que fez a Fera acordar.
— Tem, é? O quê?
Com o coração batendo a mil, Brian esfregou toda a sua alegria safada em Lilly. Em resposta, ela segurou os ombros dele, enlaçou-lhe a cintura, enroscando as pernas e pressionando uma Fera prestes a rugir.
— Primeiro... — Lilly aproveitou o balanço do mar para sentir o pênis delicioso de Brian sob a bermuda. Nossa, ela estava com muita saudade dele. — Eu queria te pedir desculpas... fui uma idiota em relação à Diana, deveria ter te escutado e depois, arrancado aquele aplique de quinta. É o meu marido, não o dela...
Brian sorriu, gostou de Lilly desculpando-se e possessiva.
— Não precisa se desculpar, entendi o seu lado.
— Preciso sim. Agi totalmente errado com você, nunca mais vou deixar que lancem dúvidas entre nós. Mesmo que para isso eu precise brigar — afirmou categórica, e Brian gargalhou da carinha brava da esposa. — Segundo... — Ela rodeou o pescoço dele com os braços e beijou o pomo de Adão que subia e descia ansioso. — Hoje, quando saiu andando, percebi que quero que fique...
— Ah, Bela... Tudo o que mais quero é ficar. — Brian partiu para um beijo apaixonado, mas Lilly precisava dizer tudo, então ela o brecou com a mão.
— Espera, ainda não terminei...
Louco para beijá-la, mas precisando ouvir mais, Brian fez um gesto de cabeça para que ela continuasse.
— Terceiro... — Lilly ficou bem séria. — Tenho me comportado como uma tola imatura e não sou assim. Deixei que o medo e a insegurança tomassem conta. Isso acaba aqui. Quero viver o agora com você e não só pelo sexo incrível. — Lilly parou quando uma onda arrebentou, fazendo os dois quase perderem o equilíbrio.
O ego de Brian inflou.
— Confessa vai... o sexo incrível pesou bastante...
— Para, tô falando sério... Eu quero o pacote completo... do homem ao guitarrista.
— Pensei que eu fosse um homem fácil de ler. — Brian riu e beijou a têmpora de Lilly. — Achei que estava escancarado na minha testa que o pacote Brian já era seu, antes mesmo de Vegas. Não consegue enxergar que eu sou seu?
Uma onda de adrenalina percorreu a espinha de Lilly?
Antes de Vegas?
— Meu?
Brian ficou em silêncio por um segundo e depois disse:
— Seu. Só você tem poder sobre mim e só você pode me pedir o que quiser.
— Tudo o que eu quiser?
— Tudo.
O rosto delicado e molhado de Lilly iluminou-se.
— Eu quero fazer amor, estou com uma baita saudade.
Fazer amor?
Os azuis-violeta faiscaram e a respiração que estava presa saiu em um assovio... havia algo diferente na entonação de Lilly. Além do desejo, ele percebeu algo mais precioso: sinceridade.
Saber que Lilly ansiava por algo mais profundo era bom, muito bom, mas não era o suficiente. Brian não cederia em certas questões.
— E o quarto de hóspedes?
— Esquece aquela besteira. De agora em diante, somos eu e você, juntos.
— Juntos em tudo.
Lilly olhou para o rosto determinado de Brian e sorriu com cumplicidade. Era impossível resistir a tanta determinação e contradizê-lo. Ambos sabiam que estavam em um momento decisivo.
— Sim, em tudo — ela disse com absoluta certeza, ciente do peso daquelas palavras e da ligação entre eles, como se fossem um só. O que acabara de dizer, era muito mais que uma promessa romântica, feita sob o luar e no ardor do momento.
Era um compromisso.
— Ah, Lilly, Lilly... o que eu faço com você?
— Amor?
O coração de Brian martelou no peito. Se não a possuísse com urgência, ele morreria. Embalado pela luxúria e pelo mar, segurou Lilly pela nuca e abocanhou-a com fúria em um beijo exigente. Ahhh, ela andava tão carente daquele beijo... daquela língua sedosa, instigando a dela. O homem ficou selvagem, um grunhido de satisfação arrebentou junto com uma onda, e Lilly entregou-se a ele com vontade e sem pudores.
Em segundos, a pulsação deles se tornou irregular. Cada beijo, cada toque, fazia a virilha de ambos latejar em um desejo desenfreado. Montada em Brian, Lilly esqueceu do mundo e entrou em um balé de movimentos sensuais... Ela queria sexo... Urgente... esfregou-se nele com vontade... a sensação da Fera instigando a Bela era devastadora.