Escolha a Catástrofe

Isaac Asimov · Capítulo 27 de 68

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Escolha a Catástrofe

Asteróides

A Terra pode também atravessar o material poeirento deixado por cometas mortos. E, na verdade, o faz. Essa poeira está constantemente atingindo a atmosfera terrestre; lentamente, ela se deposita aí, servindo como núcleos para gotas de chuva. A maioria é microscópica. As de tamanho visível se aquecem à medida em que comprimem o ar ante elas e desprendem luz, brilhando como uma “estrela cadente” ou “meteoro”, até vaporizar-se.

Nenhum desses objetos pode causar qualquer dano; eles simplesmente acabam por pousar no chão. Embora tão pequenos, muitos deles alcançam a atmosfera terrestre a tal ponto que, estima-se, a Terra ganha anualmente cerca de 100 000 toneladas de massa desses “micrometeoróides”. Pode parecer muito, mas nos últimos 4 bilhões de anos tal acréscimo de massa, se tivesse mantido essa taxa de aumento, somaria menos de 1/10 000 000 do total da massa da Terra.

 

ASTERÓIDES

 

Os cometas não são os únicos corpos pequenos do sistema solar. Em 1° de janeiro de 1801, o astrônomo italiano Giuseppe Piazzi (1746-1826) descobriu um novo planeta, o qual denominou Ceres. Este se movia ao redor do Sol numa típica órbita planetária, praticamente circular. Sua órbita se posicionava entre as de Marte e Júpiter.

A razão de sua descoberta tão tardia se baseava no fato de ele ser um planeta muito pequeno e, portanto, captar e refletir tão pouca luz solar, que era opaco demais para ser visto a olho nu. Seu diâmetro, de fato, era de apenas 1.000 quilômetros, consideravelmente menor que Mercúrio, o menor dos planetas conhecidos até essa época. Nesse sentido, ele é menor que dez dos satélites dos vários planetas.

Se fosse só isso, ele simplesmente teria sido aceito como um planeta pigmeu, porém havia mais. Seis anos após a descoberta de Ceres, três outros planetas foram encontrados, todos menores que Ceres e com órbitas entre as de Marte e Júpiter.

Por serem tão pequenos, esses planetas apareciam no telescópio meramente como pontos esteliformes de luz e não eram expandidos até a forma de discos, como os planetas.

William Herschel, portanto, sugeriu que os novos corpos fossem chamados de “asteróides” (“em forma de estrela”), sugestão essa que foi adotada.

Com o passar do tempo, muitos outros asteróides foram descobertos, todos eles ou menores ou mais afastados da Terra (ou as duas coisas) do que os quatro primeiros e, portanto, ainda mais opacos e difíceis de serem vistos.

Até agora, bem mais de 1 700 asteróides foram localizados e tiveram suas órbitas calculadas. Estima-se que existam de 40 000 a 100 000 deles, com diâmetros de mais de 1 quilômetro. (Uma vez mais, são tão pequenos e estão espalhados por uma área tão imensa que não impedem os astrônomos de observarem o céu.)

Os asteróides diferem dos cometas por serem rochosos ou metálicos, em vez de feitos de gelo. Podem também ser consideravelmente maiores que os cometas. E assim, na pior das hipóteses, podem ser projéteis mais terríveis que os cometas.

Todavia, os asteróides encontram-se, em sua maioria, em órbitas mais seguras. Quase todas as órbitas asteroidais situam-se na porção de espaço planetário compreendida entre as órbitas de Marte e Júpiter. Se todos ficassem permanentemente nessa região, não representariam um perigo para a Terra.

No entanto, os asteróides, especialmente os menores, estão sujeitos a perturbações e mudanças orbitárias. Com o tempo, algumas órbitas mudam tanto um percurso que tendem a trazer os asteróides para muito perto dos limites do “cinturão de asteróides”. Pelo menos oito deles aproximaram-se de Júpiter a ponto de serem capturados e são, agora, satélites desse planeta, circundando-o em órbitas distantes. Podem existir outros desses satélites de Júpiter que ainda não foram detectados, em virtude do seu reduzido tamanho.

E há, também, várias dúzias de satélites, os quais, embora ainda não capturados pelo próprio Júpiter, circundam em sua órbita 60 graus adiante ou atrás, mais ou menos presos em suas posições pela influência gravitacional de Júpiter.

Existem até asteróides cujas órbitas foram perturbadas a ponto de formarem elipses alongadas de modo que, quando estão o mais perto possível do Sol, encontram-se no cinturão de asteróides, porém no outro extremo de suas órbitas movem-se bem além de Júpiter. Um desses asteróides, Hidalgo, descoberto em 1920 pelo astrônomo alemão Walter Baade (1893-1960), afasta-se quase até a órbita de Saturno.

Entretanto, se os asteróides que ficam dentro do cinturão de asteróides não oferecem perigo para a Terra, certamente aqueles que vagueiam além dos limites externos do cinturão e afastam-se para além de Júpiter também não são perigosos. Mas haverá asteróides que vagueiem na outra direção e se movam dentro da órbita de Marte e possivelmente se aproximem da Terra?

A primeira indicação de tal possibilidade surgiu em 1877, quando o astrônomo americano Asaph Hall (1829-1907) descobriu os dois satélites de Marte. Eles eram minúsculos objetos de tamanho asteroidal que, hoje, são considerados asteróides capturados por se terem aventurado perto demais de Marte. Em 13 de agosto de 1898, o astrônomo alemão Gustav Witt descobriu um asteróide ao qual deu o nome de Eros. Sua órbita era marcadamente elíptica numa forma tal que, quando mais distanciado do Sol, estava bem dentro do cinturão, porém quando mais perto dele, distava apenas 170 milhões de quilômetros. Isso o aproxima do Sol quase tanto quanto a Terra.

De fato, se Eros e a Terra estivessem nos pontos certos em suas órbitas, seu distanciamento seria de apenas 22,5 milhões de quilômetros. É claro que não é freqüente ambos estarem nos pontos apropriados em suas órbitas; geralmente, estão consideravelmente mais afastados. Contudo, Eros pode se aproximar da Terra mais que qualquer planeta. Ele foi, pelo que se sabe, o primeiro objeto relativamente grande do sistema solar (exceção feita à Lua) a se aproximar da Terra mais que Vênus, e, assim, é considerado o primeiro dos “arranha-Terra” já assinalados.