Escolha a Catástrofe
Posfácio
Revisemos a longa viagem pela atordoante quantidade de possíveis catástrofes que se nos deparam.
Poderíamos separar todas as catástrofes que descrevi em dois grupos: (1) as prováveis ou até inevitáveis, como a transformação do Sol em gigante vermelha, e (2) as extremamente improváveis, como a invasão de uma enorme massa uniforme de antimatéria chocando-se contra a Terra.
Não vale muito a pena preocuparmo-nos com as catástrofes do segundo grupo. Possivelmente não estaremos muito errados em simplesmente admitir que elas nunca acontecerão e em concentrarmo-nos nas do primeiro grupo. Estas podem ser subdivididas em dois: (a) as que assomam no futuro imediato, como a guerra e a inanição, e (b) as que só são capazes de nos confrontar dentro de dezenas de milhares ou até bilhões de anos, como o aquecimento do Sol ou o início de uma era glacial.
Novamente, não vale muito a pena preocuparmo-nos com as catástrofes do segundo subgrupo agora, pois, se não lidarmos com as do primeiro subgrupo, o resto será acadêmico.
Considerando o primeiro subgrupo, as catástrofes que são altamente prováveis e assomam como próximas no tempo, podemos mais uma vez dividi-las em dois subsubgrupos: (i) as que podem ser evitadas, e (ii) as que não podem ser evitadas.
Penso que não há catástrofes no segundo subsubgrupo: não há catástrofes que se nos apresentem e que não possam ser evitadas; não há nada que nos ameace com a destruição iminente de modo tal que fiquemos de mãos atadas. Se nos comportarmos racional e humanitariamente; se nos concentrarmos objetivamente nos problemas que afligem toda a humanidade, em vez de emocionalmente em assuntos do século XIX, como segurança nacional e orgulho regional; se reconhecermos que não é nosso vizinho o nosso inimigo, mas sim a penúria, a ignorância e a fria indiferença da lei da selva — então poderemos solucionar todos os problemas que se nos defrontam. Podemos deliberadamente escolher não assistir a qualquer catástrofe.
E, se fizermos isso durante o próximo século, poderemos nos espalhar pelo espaço e perder nossa vulnerabilidade. Não seremos mais dependentes de um planeta ou de uma estrela. E aí a humanidade, ou seus descendentes e aliados inteligentes, poderão sobreviver ao fim da Terra, ao fim do Sol e (quem sabe?) até ao fim do universo.
Esse é que é, e deve ser, nosso objetivo.
Tomara que consigamos atingi-lo!