Escolha a Catástrofe

Isaac Asimov · Capítulo 68 de 68

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Escolha a Catástrofe

O Autor e Sua Obra

 

Isaac Asimov talvez seja hoje o mais fecundo escritor americano. Até 1979, havia escrito cento e noventa e nove livros sobre os mais diferentes assuntos, da astronomia à ficção científica, do romance policial ao ensaio de natureza política.

Naquele ano, Asimov viveu um problema inédito em sua carreira: a qual dos seus dois editores, ambos igualmente amigos, conceder a honra de publicar o seu ducentésimo trabalho?

Prolífico como sempre, Asimov resolveu o dilema escrevendo dois livros simultaneamente, e entregando os originais no mesmo dia: Houghton Mifflin recebeu “Opus 200”, uma coleção de ensaios, e a Doubleday, o primeiro volume de sua autobiografia, “In memory yet green”.

A notícia levou repórteres à casa do autor, para descobrir como ele conseguira produzir tanto nos últimos tempos. Surpresos, descobriram que Asimov não tem uma equipe de pesquisas, datilografa ele mesmo seus originais, cuida da própria correspondência e não tem sequer um agente literário. Trabalha várias horas por dia, inclusive aos domingos, e lê uma razoável quantidade de livros, revistas e jornais para manter-se informado.

Nascido numa aldeia da União Soviética, em 1920, vivendo nos Estados Unidos, para onde a família emigrou, desde os três anos de idade, Isaac Asimov formou-se em química pela Universidade de Colúmbia, Nova York.

Em seu primeiro conto, publicado em 1939, previu com detalhes a conquista da Lua pelo homem. Depois de escrever ficção e trabalhar como bioquímico, ganhou respeito como divulgador de assuntos cientíicos.

Sua segunda paixão — a história — foi confirmada pela publicação de quatro livros: “Os gregos”, “A República Romana”, “O Império Romano” e “Os egípcios”.

Outras obras publicadas: “Eu, robô”, “Mistérios”, “Poeira de estrelas”, “Os nove amanhãs”, “Os novos robôs”, “O início e o fim”, a série de biografias “Grandes cientistas”, “Civilizações extraterrenas” e “O livro dos fatos”, reunindo três mil pequenas informações em quase cem diferentes campos do conhecimento humano.

{1} Nas citações bíblicas descritas nesta obra foi adotado o texto da tradução da Vulgata pelo Padre Matos Soares — 7ª edição das Edições Paulinas.

{2} “Apocalíptico” vem do grego e significa “revelação”. Assim, qualquer coisa que seja apocalíptica revela um futuro normalmente oculto aos olhos dos homens.

{3} De fato, é devido à prisão milenar de Satã que o termo “milênio” chegou a ser aplicado a um período de justiça ideal e felicidade futuras, com freqüência usado ironicamente como algo que nunca acontecerá.

{4} É claro que não podemos contestar isso, já que é a constante transferência de um lado para outro das propriedades conservadas que produz toda a atividade, animada e inanimada, no universo; que faz a vida possível; que produz o incansável fluxo a que chamamos inteligência e assim por diante.

{5} Temos que questionar; antes de mais nada, por que a energia se distribui desigualmente. Ocupar-nos-emos dessa questão mais adiante.

{6} A propósito, a separação das águas do mar Vermelho, como vista no filme Os Dez Mandamentos, é precisamente um milagre desse tipo. É claro, isso envolveu truques fotográficos.

{7} Na verdade, como veremos, isto não é realmente verdadeiro.

{8} Uma molécula é um grupo de átomos mais ou menos fortemente ligados entre si, que se movem como uma unidade.

{9} Na verdade, como veremos adiante, questiona-se se a grande explosão poderia acontecer até mesmo com a intensidade de nossos atuais campos gravitacionais.

{10} Caso caiba aqui uma opinião pessoal, eu diria que um universo aberto não é possível, por razões que explicarei no próximo capítulo. Acho que, se formos pacientes, os astrônomos localizarão a massa perdida, ou quaisquer outras propriedades necessárias, e aceitarão a idéia de um universo fechado.

{11} Apesar disso, para não concluir com uma observação tão lúgubre, vale mencionar que o escritor de ficção científica Poul Anderson, em seu livro Tau Zero, descreve uma nave espacial com sua tripulação testemunhando e sobrevivendo à formação e explosão de um ovo cósmico — e o faz com detalhes perfeitamente plausíveis.

{12} Isso não é bem verdade, segundo o que se descobriu recentemente. Explicarei mais adiante.

{13} Curiosamente, pelos idos de 1798, o astrônomo francês Pierre Simon de Laplace (1749-1827) especulou a possibilidade da existência de objetos tão maciços, que não permitiriam o escape de coisa alguma, nem mesmo da luz.

{14} Não podemos ter muita certeza disso. É difícil detectar um buraco negro; provavelmente, há muitos que nem sequer notamos. Pode até ser que a massa desses buracos negros desconhecidos seja exatamente a “massa perdida” necessária para jazer nosso universo fechado — caso em que os buracos negros poderiam constituir de 50 a 90 por cento da massa do universo.

{15} Como disse no capítulo anterior, é por isso que estou convencido de que o universo é fechado, apesar da atual gama de evidências a favor da possibilidade inversa.

{16} Não é fácil determinar a massa de uma estrela. Contudo, se duas estrelas estão circulando uma a volta da outra, suas massas podem ser calculadas pela distância entre elas e pelo tempo levado para completarem o circulo, bem como pela localização do centro de gravidade entre elas.

{17} Atualmente, é uma estrela binaria, duas estrelas que circulam uma à outra, com uma terceira estrela anã situada a uma certa distância das outras duas. Dentre as estrelas em nossa vizinhança, podemos chegar a encontrar seis estrelas, três pares binários, ligadas uma a outra gravitacionalmente. Aqui, usarei a palavra “estrela” para incluir sistemas estelares de duas a seis estrelas gravitacionalmente ligadas.

{18} Os buracos negros maciços como as estrelas chegam a ter temperaturas de até um milionésimo de grau (em relação ao zero absoluto) e evaporam tão devagar que essa evaporação só se completaria em um tempo equivalente a trilhões de trilhões de trilhões de vezes o tempo que vai levar até que se forme o próximo ovo cósmico. Enquanto isso, eles teriam captado prodigiosas quantidades de massa. Os buracos negros do tamanho de uma estrela são, portanto, objetos permanentes, e tornam-se constantemente maiores, nunca menores. A teoria de Hawking se aplica apenas a miniburacos negros e, em particular, a pequenos miniburacos negros.

{19} Essas estrelas pequenas são pouco brilhantes e não podem ser vistas a grandes distâncias. Conseguiremos somente ter uma idéia real de sua freqüência, portanto, ao estudarmos nossas vizinhanças, onde elas podem ser vistas de perto. À distância, só podemos ver as grandes e brilhantes, as quais nos dão uma falsa idéia da composição do universo.

{20} De fato, se a lei da conservação tem fundamento, qualquer fonte de suprimento energético do Sol, seja ela gravitacional ou não, deve ser finita.

{21} Referência à data da independência dos Estados Unidos da América, ocorrida em 4 de julho de 1776.

{22} A astronomia na Europa estava em grande decadência naquele tem po, e os que observavam os céus talvez estivessem por demais convencidos da validade da antiga doutrina grega da imutabilidade dos céus para aceitar o que era evidente à vista.

{23} Imaginemos, então, a violência de uma explosão que pode criar uma luz mais brilhante que a de Vênus, assim tão distante.

{24} É um tanto frustrante para os astrônomos que, enquanto surgiram duas supernovas visíveis a olho nu num espaço de 32 anos antes da invenção do telescópio, desde então jamais tenha surgido outra. Nenhuma outra! A supernova mais brilhante vista desde 1604 foi localizada em 1885, e situa-se na galáxia de Andrômeda. Ela quase conseguiu tornar-se brilhante o suficiente para ser vista a olho nu, apesar da enorme distância daquela galáxia — mas não totalmente.

{25} A supernova seria invisível nos Estados Unidos e na Europa, pois a Alfa de Centauro é uma estrela do extremo sul, nao-visível nas latitudes do norte, mas os ventos quentes sulinos fariam com que os habitantes do hemisfério norte percebessem que alguma coisa tinha acontecido.

{26} Há uma combinação de circunstâncias, que analisaremos mais tarde, que pode jazer a situação piorar para nós.

{27} O calor das chamas pode bem compensar o resfriamento das manchas, de modo que um Sol com manchas pode ser mais quente que um Sol sem manchas.

{28} Eles se assemelham aos neutrinos, mas são opostos a estes, em certas propriedades. Na verdade, o que se desprende com um elétron, quando certos núcleos se rompem, é um antineutrino, e não um neutrino.

{29} Essa possibilidade foi originalmente apontada, no fim da década de 40, pelo físico ítalo-canadense Bruno M. Pontecorvo (1913-).

{30} Isto se aplica aos invasores relativamente grandes. Estou deliberadamente omitindo a possibilidade de colisão com a Terra de partículas de poeira do espaço interestelar ou de átomos ou partículas subatômicas individuais. Considerá-los-ei mais adiante.

{31} O psiquiatra russo Immanuel Velikovsky (1895-), no livro Words collision (“Mundos em colisão”), publicado em 1952, postulou uma situação na qual o planeta Vênus tinha sido lançado de Júpiter, por volta de 1500 a.C. e, desde então tivera vários contatos com a Terra, antes de estabelecer sua órbita atual. Velikovsky descreve numerosos eventos desastrosos, como conseqüência desses contatos. Tais eventos, contudo, parecem não ter deixado marcas na Terra, se se desconsideram os vagos mitos e lendas folclóricas seletivamente citados por Velikovsky. Suas idéias podem seguramente ser descartadas como fantasias nascidas de uma imaginação fértil, que agrada a pessoas cujo conhecimento de astronomia não ê maior que o de Velikovsky.

{32} Fotografias recentes de Io, o mais interno dos grandes satélites de Júpiter, mostram que ele não tem crateras. A razão para isso, especificamente, é que ele é ativamente vulcânico e as crateras são obscurecidas por lava e cinzas.

{33} Pelo fato de a aparição dos cometas não seguir uma regra definida, diversamente dos movimentos constantes e previsíveis dos planetas, eles pareciam à maioria das pessoas de eras pré-científicas ser presságios de desastre, criados especialmente e enviados como aviso à humanidade por deuses zangados. Aos poucos, a investigação científica aplacou esses temores supersticiosos. Na verdade, mesmo hoje esses temores não se esgotaram por completo.

{34} Os cometas são pequenos e, conseqüentemente, têm muito menos massa e momento angular que os planetas. As minúsculas transferências de momento angular por meio da interação gravitacional, que produzem pequeníssimos efeitos orbitais no caso de planetas e satélites, são suficientes para alterar órbitas de cometas — drasticamente, em alguns casos.

{35} Na realidade, eles são ligas de aço, porque são misturados com níquel e cobalto

{36} “Meteoro” vem da palavra grega para “alta atmosfera”, porque, para os gregos antigos, os meteoros, assim como os cometas, pareciam ser fenômenos puramente atmosféricos. É por isso que “meteorologia” é o estudo do tempo, não de meteoros. O estudo de meteoros, no sentido atual, é chamado de “meteoroscopia”.

{37} É possível, claro, que a lenda da destruição de Sodoma e Gomorra, tal como é descrita na Bíblia, seja a lembrança obscura e distorcida da colisão de um meteorito.

{38} Aqueles que negam a evolução, freqüentemente afirmam ser ela “apenas uma teoria”, mas a evidência é forte demais. Seria o mesmo que afirmar que a lei da .gravitação de Newton é “apenas uma teoria”.

{39} A palavra “geyser” é uma contribuição islandesa à língua inglesa.

{40} Essa estimativa pode ser exagerada. É possível que nem todo o quilômetro superior tenha sido arrasado, porém é certo que grande parte dele desmoronou para dentro do buraco central formado pela lava expelida.

{41} Embora já sabendo que a civilização minóica se extinguira naquela época, os historiadores só vieram a saber o porquê após e com as escavações de Thira.

{42} As lendas de Velikovsky relativas aos desastres desse período — em que ele inclui o Êxodo, se têm qualquer embasamento concreto, poderiam muito mais facilmente ser atribuídas ao caos e à devastação provocados pela explosão de Thira que a uma impossível invasão da Terra pelo planeta Vênus.

{43} Isso não é verdadeiro para a porção da vida que inclui a atividade humana. Voltarei a esse ponto mais adiante.

{44} Um dispositivo parecido poderia servir para tornar a Terra habitável por algumas dezenas de milhares de anos, talvez, depois que o gradual aquecimento do Sol a tornasse inabitável — se as pessoas achassem que valeria a pena.

{45} Essa situação poderia ser ilustrada da seguinte forma: espera-se que, por acaso, uma linha passe pelo buraco de uma agulha, depois de ambas terem sido jogadas ao ar separadamente; ou: enfia-se a linha no buraco da agulha deliberadamente, segurando-se cada um desses materiais com cada uma das mios. O primeiro exemplo se assemelha a uma reação celular sem enzimas; e o segundo, com a participação de enzimas.

{46} O termo “pesticida” tornou-se mais comum nos últimos anos, porque outros organismos indesejáveis que não os insetos vêm sendo atacados com produtos químicos.

{47} Como logo se vera, essas doenças são associadas a organismos vivos ainda menores, mais fecundos e mais perigosos que os insetos.

{48} Talvez o detalhe tnais perturbador da peste negra seja a horrível visão da natureza humana depredada. A Inglaterra e a França, na época, estavam nas primeiras décadas da Guerra dos Cem Anos. Embora a peste negra afligisse ambas as nações e tivesse quase destruído as duas, a guerra prosseguiu. Não havia lugar para pensamentos de paz na maior crise enfrentada pela espécie humana.

{49} Recentemente, Francis Crick apontou a possibilidade de conceber a vida da Terra como tendo sido deliberadamente semeada por inteligências extraterrenas — um tipo de “panspermia dirigida”.

{50} Existe um caso especial do rápido acesso potencial de inteligência em termos não-bumanos que não envolve a evolução no sentido habituai do termo. Retomaremos isso mais adiante

{51} Historiadores civilizados às vezes se embaraçam e tentam explicar isso falando de “hordas” bárbaras. A palavra “horda” vem de uma palavra turca que significa “exército” e se refere a qualquer bando tribal guerreiro.

{52} Em alguns aspectos, eles eram o equivalente aos cowboys do oeste americano legendário; os cowboys, porém, tiveram sua época durante somente 25 anos, enquanto os nômades da Ásia central vinham patrulhando seus rebanhos a cavalo por praticamente toda a história até então registrada.

{53} A área está em posição vantajosa desde as últimas poucas décadas por causa da presença de petróleo em seu solo — mas esse é um recurso temporário.

{54} Cinco séculos antes, o Império Bizantino havia se utilizado de uma arma química chamada logo grego, mistura de substâncias desconhecese a fórmula exata) que podiam queimar na água. Ela foi usada para repelir grupos de atacantes russos e árabes, e diversas vezes salvou Constantinopla da captura. Ela não era, porém, um explosivo, mas sim um incendiário.

{55} E também de outras importantes invenções tecnológicas, notadamente o papel e a bússola.

{56} Obviamente, uso aqui a palavra “civilizado” apenas no sentido de possuir cidades e um grau razoavelmente avançado de tecnologia. Uma nação ou um povo pode ser civilizado nesse sentido e bárbaro em sua cruel falta de humanidade. Não precisamos reportar-nos aos turcos para exemplificar: o melhor caso na história é o da Alemanha entre 1933 e 1945.

{57} Porém, nem mesmo sua genialidade poderia tê-Io jeito vencer; precisou do dinheiro britânico e da sorte (que ele teve) de sua inimiga inveterada, a Imperatriz Isabel Petrovna da Rússia, ter morrido a 5 de janeiro de 1762, após o quê, a Rússia fez as pazes com ele.

{58} Um forte componente da motivação humana para a exploração está na busca de recursos não disponíveis no local. As grandes viagens dos séculos XV e XVI não tinham a intenção de ampliar o conhecimento geográfico nem estender o domínio europeu. Determinava-as, sim, a busca de produtos que faltavam, mas que os europeus queriam, como o ouro, a seda e as especiarias.

{59} Nenhum se apresenta em sua forma elementar, ê claro, mas na forma de compostos dissolvidos.

{60} Há também incessantes campanhas contra o fumo, pois a fumaça do cigarro contém agentes cancerígenos que afetam tanto os fumantes quanto os não-fumantes. Os fumantes, infelizmente, inveterados em seu vicio, geralmente ignoram ou negam tal fato, enquanto a indústria de cigarros prefere o câncer à perda dos lucros.

{61} Mesmo a produção de dióxido de carbono tem seus perigos, como veremos.

{62} Aqui só foi discutida a poluição material. Há outras formas de poluição que serão levantadas posteriormente.

{63} As gorduras, os óleos e as ceras, obtidos a partir de plantas e animais, eram usados em velas e luminárias, mas tratava-se de contribuições minoritárias.

{64} Aliás, o efeito de estufa é contrariado pelo fato de que a atividade industrial também empoeira o ar. Isso faz com que a atmosfera reflita uma maior quantidade de luz solar do que faria normalmente, o que resfria a Terra. Na verdade, os invernos dos anos 70 têm sido mais rigorosos. No fim, porém, o efeito de aquecimento do dióxido de carbono acabará vencendo a parada — principalmente se tomarmos as medidas necessárias para limpar a atmosfera quando a poluição atingir níveis perigosos

{65} Experimentos com ratos demonstraram que uma extrema superlotação induz a uma sociedade tão psicótica que os rebentos não são produzidos ou, se o são, não são cuidados. Isso, entretanto, não ê controle voluntário; e, se os seres humanos forem esperar a superlotação ficar extremada a ponto de enlouquecer a sociedade, estarão esperando por uma catástrofe

{66} É provável combinar-se as duas, simultaneamente aumentando o coeficiente de mortalidade e diminuindo o de natalidade.

{67} Muitas pessoas hoje sonham com um passado onde as pessoas “viviam em contato direto com a natureza” e eram mais saudáveis e bem-dispostas que os habitantes das poluídas e densamente povoadas cidades de hoje. Esses sonhadores teriam uma desagradável surpresa se vissem o passado real: enfermos, famintos e sujos, mesmo aqueles dos níveis mais altos.

{68} Um gene defeituoso pode surgir por mutação numa criança de pais normais, de maneira que a cruel eliminação de indivíduos não necessariamente eliminará o gene defeituoso, de qualquer modo.

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