Impulso

Gisele Souza · Capítulo 1 de 47

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Impulso

Nota da Autora

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NOTA DA AUTORA

Impulso é o segundo livro da série Inspiração, com posta de quatro obras.

Cada um a focará em um casal protagonista e contará um a história diferente.

Siga esse im pulso e em ocione-se com essa linda história de am or.

PRÓLOG O

Quando a vida te im põe certas situações, você tem que erguer a cabeça e seguir em frente. Pelo

m enos, era assim que eu pensava.

Para quem olha de fora, pode achar que tive um a vida tranquila porque m inha irm ã pagou por

m eus estudos, não tive que trabalhar para m e sustentar até ficar m ais velho. Cursei faculdade de

Medicina e m e form ei com louvor. Sou um m édico residente em Ortopedia com um futuro brilhante

pela frente.

Só que quando você tem um peso em seus om bros, com o ser responsável, o m elhor aluno, um

irm ão exem plar, você sim plesm ente não vive, não erra. Isso é inadm issível. Sem pre serei grato por

Lala ter m e criado e transform ado no hom em que sou hoj e. Ela m e deu am or, carinho e atenção. No m esm o dia que perdem os nosso pai, m inha m ãe se enterrou com ele. Desde então, tudo de bom que

ela era se foi e, por isso, nos abandonou; não fisicam ente, m as restou apenas um a casca vazia do que

j á havia sido. Sei que não devia odiá-la, pois ela sofreu m uito com a perda do seu am or. Contudo,

para um garoto era com plicado pensar assim . Eu queria som ente seu apoio e carinho, e não tive.

Fiquei m uito tem po reprim indo um a m ágoa que se construiu desde a m inha infância, e foi

libertada de um a vez só, um a fúria e irresponsabilidade tom ou conta de m im porque foi provocada

por apenas um a pessoa. Acho que não levo bem um a rej eição.

Apaixonei-m e pela prim eira vez na escola prim ária. A garota era da m inha sala e nerd com o eu.

Até que foi legal enquanto durou; j am ais esqueci o m eu prim eiro beij o. Mas só isso. Nada que

abalasse m inhas estruturas. Porém , houve alguém que conseguiu fazer do m eu coração um terrem oto

de grau cinco na escala Richter.

Quando eu conheci Sabrina Petri, senti nela um a liberdade que nunca experim entei. Tive um

vislum bre de um am or forte, sincero e livre.

Ela era linda com aqueles olhinhos claros que m e encantaram profundam ente. Além disso, era

divertida com o eu tinha dificuldade de ser, não tinha papas na língua, falava o que bem entendia e

não se arrependia. Tornam o-nos bons am igos. Adorava sair com ela. Sentia-m e protetor, não o

protegido com o estava acostum ado.

Ela era daquele tipo de garota que gosta de dar um a de durona, só que no fundo eu sentia que ela

precisava de m uito carinho e foi o que lhe ofereci. Deixei-m e levar, e fiquei totalm ente apaixonado.

Com ela, eu podia viver sem am arras. Nunca m e esqueceria do nosso prim eiro beij o.

A prim eira vez que visitei a casa da fam ília do Bruno, am igos e parentes não perderam a chance

de conhecer a responsável pelo “garanhão” da fam ília Petri se am arrar. Eram pessoas boas e

am igáveis. Porém , subitam ente, m e vi rodeado de m eninas de várias idades. Eu estava acostum ado a

esse tipo de atenção na faculdade, m as não queria dizer que ficava confortável. Além do m ais queria

passar um m aior tem po com Sabrina e não conseguia.

Eu estava um pouco louco por ela. Não sabia aonde iria nos levar a “am izade” que surgiu,

contudo podia perceber que a recíproca era verdadeira. De repente, um a loira, que era m uito bonita e

gostosa, se aproxim ou sentando-se ao m eu lado e falou no m eu ouvido que estava m orrendo de

vontade de m e m ostrar o seu quarto. Sua m ão deslizou pelo m eu braço dando um leve aperto. Eu não

tive tem po de recusar. Com os olhos azuis enraivecidos, Sabrina veio em nossa direção e em purrou a

garota na piscina, com cadeira e tudo. Gritou com ela para que m antivesse distância de m im e saiu

pisando duro.

Eu não sabia o que fazer até Lay la vir m e alertar. Saí em disparada casa adentro a procurando.

Encontrei-a na varanda da frente, sentada na cadeira de balanço com os olhos fechados. Parecia

realm ente chateada; eu não sabia com o agir. Era inexperiente em relação aos sentim entos fem ininos.

— Sabrina, o que você está fazendo?

Ela abriu os olhos e m e fitou. Percebi que havia m uita dor em seu interior.

— Desculpe pelo show. Descontrolei-m e, não vai acontecer m ais, prom eto.

Aproxim ei-m e devagar para não alarm á-la. Não podia adivinhar do que ela era capaz.

— Por que fez aquilo?

— Não sei. — Suspirou, fechando os olhos.

Fiquei incom odado com aquela situação constrangedora e, de repente, queria sair dali.

— Vam os dar um a volta? Sei lá, passear, espairecer.

Ela se virou e sorriu levem ente.

— Vam os, sim .

Acom panhei-a até o carro e sentei no banco do carona. Percorrem os a cidade sem ter onde

parar. Depois de um tem po, Sabrina se aproxim ou de um a praça afastada da avenida principal. Tinha

um rio ali onde os casais costum avam andar abraçados, observando a noite e ficar nam orando.

Descem os e sentam os em um dos bancos. Havia um a fonte com um a estátua de m ulher nua. Um a

dessas obras que eu não entendo bem . Mas aquela coisa de pedra m e lem brou da m ulher sentada ao

m eu lado. Sabrina parecia m aleável, brincalhona e extrovertida. Mas, quando você a conhece m elhor,

percebe que é quase feita de pedra. Algum a coisa havia acontecido para que endurecesse seu

coração. Ela achava que eu não percebia, porém , a cada investida m inha, ela dava um passo atrás e

isso estava se tornando extrem am ente frustrante.

Seus olhos estavam perdidos, vagando para qualquer lugar que não fosse o m eu rosto. Peguei

seu queixo entre os m eus dedos e a fiz m e encarar.

— O que você está pensando? — Ela engoliu em seco e balançou a cabeça.

— Nada com que tenha que se preocupar, no m om ento eu só quero esquecer. — Abriu os olhos

m e encarando; era tão intenso tudo que se passava dentro dela. Dizem que os olhos são o espelho da

alm a e, naquele m om ento, Sabrina estava exposta para m im , totalm ente vulnerável. — Me faz

esquecer tudo, Lucas.

Movi-m e no autom ático e aproxim ei a boca do seu rosto. Minha intenção era apenas dar um

beij o leve na bochecha, m as Sabrina se virou e enlaçou m eu pescoço em um beij o arrebatador que

sugou todas as m inhas boas intenções, literalm ente. Deslizei a língua por sua boca quente e gem i de

prazer. Ela se acom odou com as pernas em cada lado das m inhas, segurando m eu rosto com as duas

m ãos e assaltando m inha boca freneticam ente.

Segurei sua cintura e não m e fiz de rogado. Ela estava tão entregue que podia tom á-la ali m esm o

que não haveria resistência, porém não era com ela m achucada e confusa que a teria. Som ente com

sua entrega total.

Daí por diante eu fiquei totalm ente e irrem ediavelm ente perdido. Tornam o-nos am igos e ela se

afastou ainda m ais de toques íntim os.

Resolvi dar um a decisão em nosso relacionam ento. Mas ela quebrou m eu coração dizendo que o

que tínham os era som ente am izade e nada m ais. Eu tinha quase certeza de que o que eu sentia era

recíproco no m esm o grau e intensidade. Talvez tenha interpretado errado o que ela disse aquele dia

sobre fazê-la esquecer. Fui um tolo apaixonado e m e enganei. Em consequência dessa rej eição, tudo

o que reprim i por anos se libertou de um a vez só. Não sei bem por que m e transform ei em um cara

m eio odioso, que usava as m ulheres apenas com o obj eto. Eu não era assim , não foi desse j eito que

m inha irm ã m e criou. Mas não consegui desviar dessa m inha nova conduta e tentei esquecer o am or

que tinha por aquela garota que queria ser apenas m inha am iga.

Só que, após quatro anos, eu ainda tinha Sabrina gravada a ferro e fogo em m eu peito. Não havia

com o escapar de algo que havia se enraizado dentro de m im , e desconfiava que nunca existisse

alguém que se assem elhasse ao que eu sentia por ela.

***

Estávam os em um a noite dos caras no Beer, enquanto as m eninas estavam na casa da m inha

irm ã.

Fazíam os isso, às vezes, e era bem legal, porém estava com m uita vontade de ir para casa.

Não havia nada de m uito interessante no bar. As m ulheres passavam e se insinuavam , m as com a

lem brança do beij o que invadiu m inha m ente e toda a m erda que veio depois não estava de bom

hum or.

Alberto conversava com Bruno e Heitor em um a m esa de frente para o balcão. Ele levantou a

cabeça e m e encarou franzindo a testa, fez um a careta e se levantou aproxim ando-se.

— Qual é, Lucas? Que cara m ais feia é essa para um dia que era pra ser divertido. Afinal,

não é todo dia que a gente vê o garanhão do pedaço se enforcar. — Balançou as sobrancelhas,

sorrindo.

Não consegui segurar m inha risada, o hum or do Alberto era sem pre m uito contagiante. E no

fim das contas, era pura verdade. Mas não que Bruno não estivesse feliz em se enforcar, o cara era

apaixonado por m inha irm ã.

— Não se preocupe com igo, estou bem .

— Aham , sei! Bom , só digo o seguinte... Não se im porte tanto com alguém que não liga para

você. É perda de tem po, eu sei! — Sua voz soou tão am arga que o encarei.

— Está falando da Ana?

Suas narinas inflaram e ele desviou o olhar. Quando voltou a m e olhar, percebi que em seus

olhos havia apenas saudade e m ágoa.

— Não im porta! Apenas ouça o que eu disse. — Sorriu am argam ente. — Bem , m as com o

disse... hoj e é o dia de com em orar que o m ané vai se enforcar. Vam os lá beber até cair.

Levantou-se e voltou para a m esa dos caras, sorrindo e m exendo com Bruno, que nem se

im portava com as provocações do am igo. Respirei profundam ente e o segui. Conversam os m ais um

tem po e, de repente, a porta foi aberta por um furacão de cabelos castanhos. Seus olhos vagaram

pelas m esas até encontrar seu alvo. Ao m eu lado, vi que Bruno ofegou baixinho, m as eu ouvi sua

respiração falhar. Lay la não tinha um a cara m uito boa.

— Acho que tem gente em apuros! — Heitor deu voz ao que eu pensava.

Bruno virou-se para Alberto e o fuzilou.

— O que você disse para ela?

— Que teríam os um a despedida de solteiro com m uitas strippers. — Sorriu dando de

om bros.

Bruno levantou-se de um im pulso e saiu em disparada, não antes de soltar um babaca para o

am igo. Ele se aproxim ou da Lay la e falou com ela, que discutiu um pouco até que foi calada por um

beij o. Desviei o olhar e encarei Alberto.

— Por que fez isso, cara? Não sabe o quanto a Lay la é esquentadinha?

— Lucas, m eu am igo, vej a bem : eu falei um a m entirinha, sabia que ela viria atrás. Foi só para

apim entar a relação, eles não podem cair na rotina. E depois de um a explosão dessas, vão passar a

lua de m el felizes.

Fiz um a careta. Na cabeça do m eu am igo louco isso poderia aj udar, m as, m esm o assim eu

tinha receio, m inha irm ã não era fácil. Porém pareceu que seu plano deu certo, Bruno e Lay la saíram

abraçados e nem se despediram .

— Bom , j á que o “enforcado” se foi... tam bém vou nessa, pelo visto a reunião das m eninas j á

acabou. Vej o vocês am anhã, vistam -se direito, hein, seus m alucos. Nada de roupa de m otoqueiros.

Eles sorriram e assentiram . Achei m elhor ir em bora de um a vez. Não estava m e sentindo à

vontade e o dia seguinte seria um acontecim ento im portante para a Lay la e queria dorm ir bem .

Cheguei em casa rapidam ente, pois j á era tarde e o trânsito estava tranquilo. O carro da

Sabrina j á estava na garagem e m e preparei para ignorá-la. Não estava a fim de j ogar conversa fora.

Nossa vida m orando j untos não foi fácil. Estávam os sem pre no lim ite e prontos para explodir. E se

ela puxasse conversa, ou viesse com as provocações sobre as m ulheres com quem eu saía, com

certeza teria briga das feias.

Mas ao entrar em casa vi que tudo estava escuro e em silêncio. Fui até seu quarto e não havia

qualquer m ovim ento, acendi a luz do corredor que ilum inou o côm odo e a vi deitada na cam a.

Sabrina estava deitada de bruços, dorm indo tranquilam ente. Vestia apenas um a blusa velha e

um a calcinha; e o engraçado que era um a das m inhas cam isetas antigas que achei ter perdido. Podia

parecer loucura, m as um orgulho se apoderou do m eu peito por ela usar algo que m e pertencia.

Nesse tem po que vivem os j untos, Sabrina nunca m e tratou diferente de um am igo. Às vezes,

eu notava certa atração física, m as parava por aí. Nunca expressou sentim entos com o os que havia

em m eu coração. Suspirei e foquei m eu pensam ento no fato que ainda a tinha ao m eu lado. Isso devia

bastar, né?

Só que não bastava, pois eu sem pre quis e vou querer m ais do que o cargo de am igo dela. Eu

a queria por inteiro. De corpo e alm a. Nunca m e contentaria com m etade do que ela poderia m e dar.

Eu necessitava de tudo. Meu coração só seria acalentado se ela retribuísse ao m eu am or.

Esperava que não dem orasse dem ais, porque um sentim ento pode se desgastar por falta de

reciprocidade.

Fui dorm ir, porque o dia seguinte seria im portante e eu teria que fingir, m ais um a vez, ser

quem eu não gostava. Estava cansado dessa vida de hom em galinha e sem coração. Já percebia que

estava chegando a hora que m inha m áscara de rebeldia cairia.

Meu últim o pensam ento antes de fechar os olhos foi para a m ulher que dorm ia no quarto ao

lado. Fiz um a oração pra que não dem orasse para ela estar em m eus braços. Já não aguentava m ais.

***

Quando Ana Luíza m e ligou dizendo que nos reuniríam os na casa do Bruno, não achei que seria

isso que estava acontecendo. Tinha um cara vestido de bom beiro dançando no m eio da sala. E, m eu

Deus, ele arrancou a calça num puxão ficando apenas de tanguinha.

Lay la alternava entre encarar o cara e a Ana, que pulava e gritava. Achei que m inha cunhada iria

desm aiar. Tive que agir antes que fosse tarde e ela tivesse um troço. Aproxim ei-m e e a puxei pela

m ão, levando-a para a cozinha.

— Lay la, respira! Você vai ter um ataque.

Seus olhos verdes arregalados se viraram pra m im e ela abriu e fechou a boca.

— Sabrina, Ana é m aluca! Onde ela estava com a cabeça quando pensou em trazer um stripper

pra casa? Ai, m eu Deus! Se Bruno fica sabendo, a casa vai cair na m inha cabeça.

— Calm a, ele não vai. Saiu com o Alberto e os m eninos.

Ela assentiu, m as subitam ente m e encarou.

— Filho da m ãe, ele disse que levaria o Bruno para um a despedida de solteiro. Eu m ato o

Alberto!

Ela saiu pela porta dos fundos com a chave nas m ãos e furiosa. Bem , se realm ente tinha um caso

parecido com o que tínham os na sala, Alberto estava ferrado.

Voltei para a sala e o bom beiro de tanguinha rebolava na frente da Larissa, que tentava não

olhar, m as, sem poder evitar, dava um a conferida no m aterial do cara. E a Ana? Quase m orria de rir.

Cham ei sua atenção, e ela se levantou segurando a barriga, que devia estar doendo de tanto rir.

— Que foi, Sá? Onde está nossa cunhadinha querida? O bom beiro ali quer apagar o fogo dela.

— Riu m ais um pouco.

— Ela foi atrás do Bruno. Parece que Alberto ia levá-lo para um a despedida de solteiro. O

am eaçou de m orte se tivesse stripper.

O sorriso de Ana esm oreceu, seus olhos adquiriram um tom escuro e ela torceu a boca num a

careta.

— Bem , ele tem experiência nessas coisas.

— É, né? E pelo j eito você tam bém ! O que m e diz do bundinha redonda ali?

Ela virou-se e encarou para onde m eu dedo indicador apontava. O bom beiro dançava, passando

a m ão pelo corpo. Na verdade aquilo estava m ais engraçado que sexy.

— Até que ele é gatinho. Mas m e diz, Sá. O que você quer?

— Tem os que esvaziar a casa e, pelo que conheço da nossa cunhada, logo ela estará aqui com o nosso irm ão. E você quer que o Bruno saiba que trouxe um cara pra dançar pelado para a sua futura

esposa? — Arqueei um a sobrancelha esperando a reação que sabia que viria.

Ana fez um a careta, m as logo com eçou a despachar o pessoal. Levou um a bronca da Larissa e

ainda passou a m ão no bom beiro antes de sair. Peguei m eu carro e parti antes que Lay la voltasse com

o Bruno. Em casa, estava tudo escuro e presum i que Lucas ainda não havia retornado. A decisão de

continuar m orando ali foi m inha, por contenção de despesa e pelo fato de não conseguir m e afastar.

Mas ver o vai e vem dele nas baladas m e incom odava dem ais. Sei que não tinha o direito, porém não

queria dizer que doía m enos.

Tom ei um banho rapidam ente e voltei para o m eu quarto, procurei no guarda-roupa algum a coisa

confortável para vestir. Encontrei um a cam iseta velha que roubei do Lucas uns m eses atrás. Levei-a

até o rosto e aspirei o perfum e que havia sido m antido no tecido. Fechei os olhos e deixei a saudade

m e consum ir, m eu coração pedia sem pre por ele e não podia.

Vesti a cam iseta e deitei de bruços, sem conseguir pegar no sono. Era sem pre assim , enquanto

ele não chegava em casa ficava preocupada. Após m eia hora ouvi o barulho da porta se abrindo e

fechando, fingi que estava dorm indo e senti-o m e observando. Era um ritual quando m e encontrava

“dorm indo”. Não dem orou m uito, e saiu entrando em seu próprio quarto.