Impulso
Capítulo 15
Em um trecho perfeito da m úsica, m e aproxim ei do seu ouvido e cantei:
“Tenho que lhe achar, dizer que preciso de você
E te dizer que eu escolhi você
Conte-me seus segredos, faça-me suas perguntas
Oh, vamos voltar pro começo”
Em todo m om ento podia sentir a um idade de suas lágrim as. Distribuí beij os por seu pescoço e
rosto. Lam bi a água salgada em sua bochecha. Beij ei seus lábios com am or e devoção.
Meu coração estava repleto. Minha alm a cantava e dançava. Olhei em seus olhos e sorri.
— Am o você, Sabrina.
Ela levantou a m ão e deslizou por m eu rosto, fechei os olhos e apenas senti seu toque.
— Tam bém te am o, m eu am or.
E aquilo foi suficiente para eu entrar no m eu próprio nirvana. Joguei a cabeça para trás e m e
entreguei ao sentim ento m ais intenso que alguém poderia sentir. Tive o orgasm o m ais forte e ardente
da m inha vida. Estava onde devia.
Eu a tinha. De corpo, alm a e coração.
CAPÍTULO 15
Sabrina
Eu m e perguntei por quatro anos se algum dia poderia ser colada de volta depois de ser quebrada em m il pedacinhos. Será que algum dia poderia ser inteira? Render-m e? O am or é capaz de
curar um a ferida que sangrava o tem po todo?
Confesso que estava em dúvida. Ainda tinha m edo do que poderia acontecer, m as m inha irm ã
sussurrou no m eu ouvido: “Não perca essa chance, Sabrina. Não vire um a pessoa am arga. Vai!”.
Então, tom ei a decisão de m e abrir. Contar tudo. Mas ainda queria viver nosso am or com pleto
sem fantasm as à espreita. E eu m e entreguei, estava rendida.
Lucas cantou e m e am ou com tanta intensidade que não pude segurar a em oção travada em m eu
peito. Deixei tudo fluir, m eu am or por ele não tinha fronteiras. Senti m inha alm a fundindo ao seu
corpo. Não seria m ais inteira sem a sua presença. Então, percebi que poderia ter m e curado há m uito
tem po se tivesse m e entregado. Quando deixei sair o que sentia, observei o m eu hom em em
felicidade plena. Com a cabeça j ogada para trás e um sorriso nos lábios, Lucas chegou ao clím ax. E
em m eio à lágrim as de em oção m e j untei a ele.
Um a gargalhada explodiu do seu peito, e a alegria era tão grande que m e contagiou. Estávam os
deitados no tapete da sala, encaixados, saciados e apaixonados. Lucas baixou a cabeça e seus olhos
verdes brilhantes e lacrim osos estavam felizes. Estendi a m ão e acariciei o seu rosto. Ele se inclinou
para o m eu toque. Puxei seu pescoço e beij ei sua boca com vontade. Senti um a aflição no peito, um desespero. Parecia que o perderia a qualquer m inuto.
Meu m edo não era infundado, o que eu tinha que lhe dizer poderia acabar com tudo. Não sabia
se teria forças para aguentar um a rej eição, m as eu prom eti e iria cum prir. Term inei nosso beij o, seu
corpo forte e suado estava encostado em m im . Lucas levou a m ão aos m eus cabelos e acariciou.
Abaixou a cabeça e sussurrou:
— Você m e levou às nuvens quando confessou seu am or. Nunca fui tão feliz na m inha vida.
Obrigado por m e deixar te am ar. Prom eto nunca m ais te m agoar.
Meu coração despedaçou, apesar de estar feliz com sua declaração não queria que acabasse.
Desviei o olhar, pois não aguentava ver tanta felicidade ser extinta dos seus olhos. Lucas estava
apoiado nos cotovelos, portanto com as m ãos livres. Então, puxou m eu queixo e franziu a testa.
— Que foi? Disse algo errado? Vai m e dizer que se arrependeu? Porque se for isso, eu não
aceito m ais suas negativas.
Neguei com a cabeça.
— Me arrependi sim , por ter esperado tanto tem po.
— E por que fez então?
— Bom , se você quer m esm o saber tem os que nos vestir. Não quero te contar desse j eito. —
Olhei para nossos corpos ainda colados.
Seria um a pena sair do seu abraço, m as para reviver aquele inferno eu teria que ter um m ínim o
de conforto.
— Ok.
Levantou-se e estendeu a m ão pra m im . Mais um a vez, eu aceitei. Ficam os frente a frente.
— Não im porta o passado, Sá. Eu sem pre te am ei e vai ser assim até o fim . Ok?
Assenti, porque não podia falar nada. Minha garganta estava fechada de em oção. Só esperava
que depois de tudo, ele cum prisse essa prom essa.
Lucas vestiu a boxer descartada perto da parede e eu fui para o quarto porque queria algo
confortável. Peguei um cam isão velho e decidi tom ar um banho para relaxar. Meu corpo estava tenso
dem ais. Não quis dem orar, prendi os cabelos em um coque para não m olhá-los. Abri o registro e
entrei, m e lavei rapidam ente de olhos fechados preparando o m eu espírito para toda a carga im inente.
Quando os abri de novo, vi que Lucas estava parado na porta com os braços cruzados, e m e distraí
um pouco observando seu peito m usculoso e seus braços fortes. Ele sorriu am plam ente.
— Quer com panhia?
— Hoj e, não. Precisam os conversar antes que eu perca a coragem .
Ele balançou a cabeça, concordando.
— Ok, então eu vou tom ar um banho. Espere-m e na sala. — Entrou no boxe, roçou o peito em
m im e abriu o registro.
Saí do chuveiro e peguei a toalha. Seus olhos verdes não desgrudavam dos m eus. E eu não
conseguia m e desvencilhar do seu m agnetism o. Enxuguei-m e e vesti o cam isão.
Fui para o corredor e podia sentir seu olhar sobre m im . Soltei os cabelos e olhei sobre o om bro.
Ele estava estático no m esm o lugar, m e observando. Sorri de lado e continuei m eu cam inho.
Era bom m e sentir desej ada, ainda m ais antes do desastre que viria a seguir. Sentei-m e no sofá e
encostei a cabeça, fechei os olhos tentando organizar o pensam ento para tudo que diria. Não era
fácil, apesar de ter acontecido há m uito tem po, m as todo aquele sofrim ento ainda estava gravado em
m im .
Senti um a m ão quente em m eu rosto e m e assustei. Por um m inuto m inha respiração acelerou e
m eu coração parou. Então, m inha visão desem baçou e vi Lucas aj oelhado na m inha frente com um a
expressão preocupada no rosto.
— Conta pra m im o que te assusta tanto. Eu quero te aj udar.
Assenti e m e endireitei.
— Senta aqui. — Bati com a m ão no lugar vago ao m eu lado.
Lucas se levantou e notei que estava com outra cueca, agora vestia um a boxer azul-m arinho.
Acho que nunca m e acostum aria com o quanto ele era lindo e doce, algo que pra m im foi um a
surpresa desde o início.
— Eu vou te contar tudo, peço para que não m e interrom pa. Ou, então, não vou conseguir
continuar. Não vai ser fácil pra m im porque vou reviver tudo de novo. E quero que você m antenha
distância. Não m e toque. É o único j eito. Ok?
Ele assentiu e eu engoli em seco. Fechei os olhos e com ecei a contar ao am or da m inha vida o
dia que entrei em um inferno. Sem que pudesse controlar as im agens, os sons, os cheiros e os toques
que não gostaria de recordar invadiram m inha m ente e voltei àquele dia, revivendo tudo outra vez.
Eu estava com Rick há três meses, nos conhecemos numa balada. Fomos apresentados por um
amigo em comum. Ele era lindo e sedutor. Com cabelos loiros bagunçados, olhos cor de mel e um
sorriso de matar, ele possuía duas covinhas que emolduravam seu rosto quase angelical. Tive a
impressão de que havia conhecido o cara certo. E depois de uns amassos no banheiro do clube, ele
pediu meu telefone.
Começamos um namoro calmo sem muitos problemas. Ele não era possessivo ou ciumento,
nada que indicasse perigo. Todos da minha família aprovaram minha escolha, porque foi meu
primeiro namorado sério. Na verdade, a única que duvidava do seu caráter era minha irmã
Larissa. Ela dizia que os quietinhos eram os piores. Bom, eu não dei ideia. Adolescente só quer
fazer o contrário do que te aconselham, parecia até pirraça, pois eu não sentia nada mais que
atração por ele.
Seguimos nosso relacionamento sem percalços. Eu era virgem e não tinha a intenção de
transar tão cedo, mas ele começou a pressionar. Com dois meses de namoro, ele disse que já
estava na hora e me amava. Eu fiquei tão encantada que acreditei e acabei me convencendo de
que o amava de volta. Mas, ainda assim, persisti na decisão que devíamos esperar, e a contragosto
ele aceitou.
Com exatamente três meses, ele me deu um ultimato. Disse que estava em abstinência sexual
e se não déssemos esse passo ele iria procurar outra. Senti um frio na barriga com a perspectiva
de ser traída, podia não gostar dele tanto assim, mas aquilo não foi confortável. Então concordei,
procurei saber o dia que minha casa estaria vazia e o convidei. Já que seria minha primeira vez
queria que fosse em um lugar que me sentisse segura. Não podia estar mais errada quanto a isso.
Foi em um final de semana, que era feriado. Os vizinhos estavam quietos dentro de casa, pois
estava chovendo. Arrumei meu quarto e esperei Rick chegar. Ele nunca havia sido tão pontual. Às
20h, ele tocou a campainha e desci as escadas correndo, pois estava nervosa e quase perdendo a
coragem. Abri a porta e notei que veio no carro do pai. Um 4x4 com vidros escuros.
— E aí, gata? Tá linda, hein! — Olhou em volta e sorriu. — Estamos sozinhos?
— Sim, minha mãe saiu. Só volta amanhã.
Observei seu semblante, ele estava eufórico e bonito como sempre. Vestia uma calça jeans
desbotada e uma camisa preta.
— Ótimo! Vamos subir?
Assenti e andei na frente. Notei que ele estava muito quieto e olhei pra trás. Rick estava
digitando no celular. Achei estranho, mas não me intrometi. Talvez fosse algo importante.
O frio na barriga não diminuiu. Estava com o coração acelerado, não de um modo bom. Mas
ainda bem que chegamos ao meu quarto logo. Rick entrou e encostou a porta.
— Vem cá.
Engoli em seco e dei um passo à frente. Ele colocou as mãos frias em meu rosto e esfregou a
bochecha em meu pescoço.
— Vai ser legal, não precisa ter medo. Sou eu, ok?
Assenti e ele foi tirando minha blusa. Corei envergonhada, já que nunca tinha me despido
para ninguém. Fiquei apenas de sutiã e a saia de viscose. Rick sorriu e passou as mãos pelos meus
seios. Fechei os olhos, não estava confortável. Alguma coisa me dizia que não seria tudo aquilo
que as meninas falavam na escola. Talvez fosse o meu parceiro. Não consegui responder na hora,
pois estava nervosa demais.
Ele tirou meu sutiã e deixou-me nua da cintura pra cima.
— Senta ali. — Apontou para a cama. Não sabia que o cara seria tão frio assim. Talvez eu
tivesse problemas e não sabia, porque não estava nem um pouco excitada.
Virei-me e caminhei ao lado da minha cama. Sentei-me e aguardei. Ele retirou a camisa e
desabotoou a calça, mas não veio pra mim, abriu a porta e saiu no corredor. Franzi a testa. O que
ele ia fazer?
Estava incomodada com tudo aquilo. Tapei meus seios com as mãos até ele voltar. Escutei um
barulho na porta e ele apareceu nu com a roupa na mão. Seu pênis já estava ereto e com
preservativo. Só que logo atrás tinha um cara, que nunca tinha visto na vida, com uma câmera na
mão.
Arregalei os olhos e me desesperei.
— O que é isso, Rick? O que ele está fazendo aqui?
O cara sorriu e se encostou à porta. Olhou-me de cima a baixo. Fiquei com nojo dele, minha
mente voou para o que o idiota do Rick iria fazer.
— Calma gata, ele só veio filmar nossa primeira vez. Quero guardar de recordação. —
Depois se aproximou, acariciando o próprio membro.
— Quê?! Não, você enlouqueceu? Vá embora, eu não quero mais. Leva seu amigo e procura
outra que aceite esse tipo de coisa.
Rick fechou a cara e se aproximou com o dedo em riste.
— Você acha que vai dar o fora agora? — Olhou pra trás. — Liga essa porra, cara!
Ele pegou em meus ombros e me jogou na cama, subiu em mim afastando minhas pernas. Eu
lutei e tentei me desvencilhar, mas ele era mais forte. E com a facilidade da saia, não adiantou
espernear.
Eu perdi minha virgindade de uma maneira horrível e dolorosa. Ele me machucou e eu sangrei muito, mas o que mais lamentei foi minha inércia no ato. Achei que devia ter resistido
mais, gritado. Rick ria da minha cara e seu amigo filmava todo o ato. Ainda tentei me soltar, mas
ele imobilizou minhas mãos e terminou sua crueldade.
Quando acabou, se aproximou do meu rosto e falou:
— Se você contar para alguém, eu vou espalhar esse vídeo pela internet. Todo mundo vai ver
sua boceta sendo fodida por mim. Entendeu, Sabrina? Eu vou embora e você vai ficar quietinha.
Tchau, delícia.
Minha cabeça entrou em parafuso. Fiquei em choque. Estava machucada e dilacerada.
Estilhacei-me ali e tive a certeza que nunca mais teria todos os meus pedaços de volta.
Rick juntou suas roupas e saiu do quarto. Observei-o se afastando com o amigo a tiracolo, só
quando ouvi o carro dando partida me permiti agir. Gritei como uma louca e lamentei tudo que
aconteceu. Sabia que aquilo estaria guardado na minha memória para sempre. De alguma
maneira permiti-me extravasar toda a dor em meu peito.
Os vizinhos ouviram toda a confusão que fiz e foram me procurar, bateram na porta e
perguntaram se tinha algum problema. Resolvi encontrar uma desculpa e logo os despachei.
Passei a noite debaixo do chuveiro tentando tirar toda a nojeira dele do meu corpo. Chorei
muito e minha alma sangrava. Pedi a Deus que tirasse toda aquela dor. Só que ela não passou.
Quando minha mãe chegou no outro dia, os vizinhos contaram tudo e ela veio me questionar.
Estava preocupada, mas eu disse a ela a mesma mentira, inventei desculpas e ela acreditou.
Contei que me arrependi de ter transado com ele, que fiz algo impulsivo e que Rick havia feito
uma aposta entre os amigos. Na verdade, não era uma mentira total. Ele realmente fez uma aposta
e a filmagem era pra comprovar. Ele apenas adicionou o estupro como bônus.
— Então, Lucas. Esse foi o m otivo de ter te rej eitado, não conseguia tirar tudo aquilo da cabeça,
eu estava m achucada, ainda estou. Quando te conheci tinha se passado um a sem ana, e não havia com o
m e entregar para alguém . — Suspirei, contar tudo m e esgotou profundam ente. — Fui idiota? Sim ,
você não é com o ele. Mas qualquer m ovim ento brusco m e assustava. Não podia dizer nada a
ninguém , não queria arriscar ter m eu vídeo espalhado e fora que m orri de m edo de você sentir noj o
de m im . Ainda estou. Fiquei por um ano inteiro sem ninguém , você foi o m ais perto de um
relacionam ento físico que tive naquela noite no parque. E depois eu estava no controle de tudo. Os
hom ens que m e envolvi eram todos subm issos e você tem força só no olhar.
Eu estava com o rosto banhado em lágrim as, m eu peito doía. Tinha um nó na garganta que não
descia. Minha cam isa estava m olhada e toda torcida pelas m inhas m ãos.
— Acho que sou culpada por tudo. Com o fui confiar? Por que escondi? Eu m ereço todo o
sofrim ento desses anos...
Fui arrebatada do sofá. Lucas m e levantou de um im pulso só e m e encaixou em seu quadril. Eu
estava sentada em seu colo com um a perna de cada lado. Olhei em seus olhos e ele chorava com o
um a criança. Fiquei com m edo de ver repulsa, m as só tinha sofrim ento.
— Você guardou isso todo esse tem po? — Sua voz estava rouca de tanto chorar.
— Sim , não contei prim eiro por m edo de ele cum prir a am eaça, depois por vergonha. —
Abaixei a cabeça, não conseguia encará-lo por m uito tem po.
— E onde está esse filho da puta? Onde ele m ora?
Arregalei os olhos, alarm ada.
— Por quê? O que você vai fazer? — m inha voz vacilou, estava a ponto de quebrar em soluços.
— Sabrina, entenda um a coisa. Você é m inha e eu vou te proteger! Vou acabar com a raça desse
cara, que nunca m ais ele vai se encostar em ninguém .
— Lucas, não. Eu im ploro.
— Você nem precisa saber o que vai acontecer, m as não tente m e im pedir. Eu vou pegar esse
vídeo de volta, ele não vai ficar com essa im agem sua. Se eu soubesse disso antes, teria tido fim há
m uito tem po. Você se m anteve sozinha se envenenando. E sua fam ília sabe? Bruno?
Neguei com a cabeça.
— Não Lucas, eu não contei a ninguém .
— Sabrina, eu vou falar com o Bruno.
Tentei sair do seu colo, o desespero m e consum ia. Meu irm ão saberia da m aior vergonha da