Impulso

Gisele Souza · Capítulo 9 de 47

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Impulso

Capítulo 8

linda, m as porque eu perseverei. Não m e arrependo. Agora term ina o seu sorvete e volte am anhã.

Ok?

Assenti com lágrim as nos olhos. Mamma era um doce. Saiu falando em italiano com o seu

caçula de dez anos. Segundo m e contou, seu m arido havia falecido há dois anos e estavam todos se

adaptando, m as ela não sofria porque os anos ao seu lado valeram a pena. Só ficou a saudade de um

bom m arido e pai.

Minha cabeça deu um nó, estava ficando louca. Tudo que disse fazia sentido, porém era m uito

difícil apenas esquecer.

Achava m elhor deixar levar e ver no que ia dar. Nós precisávam os de um tem po separado,

porque eu necessitava de novos ares. E ia com eçar com m inha nova aula na academ ia. Faltavam

apenas algum as horas pra ir. Aproveitaria ao m áxim o.

CAPÍTULO 8

Lucas

“Lucas, vou pra academ ia antes do que com binam os. Te encontro lá. Beij o, Sá.”

Recebi a m ensagem da Sabrina às três da tarde. Estava um a pilha de nervos desde então. A

ideia de ela chegar sozinha naquela academ ia m e incom odava. Era um prato feito para o lobo

fam into.

Não havia o que fazer a não ser esperar o tem po resolver passar m ais rápido. Um residente

trabalha m uito. Por m ais que tenham os algum as aulas práticas na faculdade, nada com o a loucura e a

correria de um hospital para te tornar um bom profissional. Com o eu estava m e especializando em

Ortopedia tinham casos que, confesso, pareciam im possíveis, e chegava até a pensar: “Cara, j á era.

Esse vai perder a perna”. Mas não, m eu supervisor, o badass fix bones, com o nós o cham ávam os,

vinha e consertava um osso quase destruído.

Adorava essa área. Com o ainda estava em início de residência tinha uns bons anos pela frente,

auxiliava e aprendia o m áxim o. Desde o j ardim eu absorvia tudo que os professores passavam , por

não term os m uito recurso acabei adquirindo essa habilidade. E era feliz com isso, sem pre dei valor

ao que conseguia.

Ainda estava olhando a tela do celular resm ungando baixinho quando senti um a presença atrás

de m im . Virei-m e e vi que Alberto estava com a m ão no queixo sorrindo e franzindo a testa em

gozação.

— Cara, você virou um gatinho. O que tá resm ungando aí? — Inclinou o queixo apontando para

m eu telefone.

— Ah, Sabrina vai à academ ia sozinha. O que é um a droga! — Estava indignado, tinha m uito planos para conversarm os antes de chegar ao local em que m eu prim eiro concorrente de peso estaria.

— E?

— O idiota do Wolf vai estar lá... — O que m ais poderia dizer? Alberto era um babaca de

natureza. Apesar de term os nos tornado bons am igos, ainda assim ele pegava m uito no m eu pé.

— Wolf?

— É... Ridículo, né? Mas o cara é isso m esm o, Alberto, um lobo, só faltou com ê-la na m inha

frente. E o pior? Sabrina deu m ole, gostou da atenção. — Ainda não havia conseguido engolir aquilo.

— Lucas, sei que sou o últim o a dar esse tipo de conselho, pois fui e sou um filho da puta. Mas

você é um idiota da pior categoria.

— Ah, o suj o falando do m al lavado.

— Eu disse que devia ser o últim o a dizer isso... Mas por isso m esm o eu digo... Perdi m uito

tem po, cara. Sabe o que é ser aficionado por alguém há m ais de dez anos? É um a porra! Eu tentei

esquecer. Juro! Transei com m etade da cidade, m as, m esm o assim , não deu certo. Agora eu concentro

toda a m inha energia em reconquistá-la, m esm o levando um fora atrás do outro. Estou persistindo,

foram quatro anos. Tô ficando cansado, não sei se vou continuar. Mas ainda não desisti, tenho

esperança que aquela cabeça-dura esqueça o passado. — Suspirou passando a m ão pelo cabelo. —

Você ainda tem chance, não fez um a m erda tão grande quanto a m inha. Pelo m enos vocês se

m antiveram no nível da am izade e pode usar isso a seu favor na hora de rastej ar.

— E o que você fez, cara? — Devia ser um a coisa enorm e para alguém ficar m agoado por tanto

tem po.

— Não vou falar sobre isso. Ela m e fez j urar que ninguém m ais saberia. Então, se ela falar um

dia eu fico bem , m as fora isso não posso... — Sacudiu a cabeça, parecendo cansado.

— Entendo, m as eu não sei m ais o que fazer Alberto. Adm ito que fiz m erda, foram quatro anos

fazendo a m esm a porcaria. Mas agora caí na real e não sei com o agir. Tem esse cara, que tenho

certeza que vai dar em cim a dela. E Sabrina deu indício de poder cair na dele. Não sei o que fazer

pra recuperar a m inha boneca.

Alberto franziu os lábios, pensativo.

— Olha, Lucas, Sabrina não é fácil, m as é um pouco m ais m aleável que a Ana. E tem o

adicional de vocês serem am igos, nem isso eu tenho. Ataca por aí, não dá brecha para outro cara. É

fria... Se ele conseguir entrar em cam po, vai ser difícil tirar.

— Não pretendo. Eu vou cair em cim a com tudo. — Estava disposto a atacar com todas as

m inhas arm as, m esm o não sendo j usto. Quem estava ligando?

— Isso aí, irm ão. Você vai ao Beer na quarta? Fom os convocados. — Pelo j eito ele tam bém

tinha recebido o m em orando.

— É, vou sim . O casal tá de volta. — Sorri com a perspectiva de rever m inha irm ã. Estava com

saudades.

— Ok. Bom , vou indo. Tenho que ver as crianças na UTI. Boa sorte com o furacão Sabrina. —

Sorriu, divertido.

— Rá... Muito engraçado.

Observei Alberto sair e fiquei im aginando se teria que esperar tanto tem po para ser perdoado.

Devia ser desgastante e frustrante. Não m e im aginava naquela situação. Fiquei desej ando um a m ulher

que não teria, porém não tinha nenhum a perspectiva de tê-la em m eus braços.

***

Depois de um banho rápido no vestiário do hospital, m e arrum ei casualm ente com calça j eans e

um a cam isa verde. Minha roupa de academ ia j á estava na m ochila. Não queria m e atrasar. Saí a

passos rápidos para o estacionam ento e destravei o alarm e do carro.

Seria um a viagem curta, j á que a academ ia era no centro da cidade. Olhei a hora e j á havia

passado das sete da noite. Droga, fiquei preso em um a cirurgia e m e atrasei. Só esperava que Sabrina

ainda estivesse lá. Do j eito que era apressadinha podia m uito bem ter ido em bora só de birra.

Passei pela cidade tentando furar o trânsito o m ais depressa possível. E era um a m erda, horário

de rush ficava um a loucura. Mas, enfim , cheguei ao m eu destino e estacionei na vaga de alunos.

Desci com a m ochila nas costas e fui ao encontro da m inha garota.

Parei na recepção e m e registrei. O procedim ento era sim ples, pagava a m atrícula e ia atrás de

um personal. Mas com o eu j á tinha um program a da outra academ ia nem precisaria. A m enina m e

olhava de cim a a baixo, visivelm ente interessada. Não dei bola, porque m eus pensam entos estavam

em um a garota de olhos azuis, que m e tirava do sério. Às vezes, queria bater na sua bunda de tão

teim osa que era.

Antes de m e trocar, resolvi procurar onde eram realizadas as aulas de Muay Thai. A m enina da

recepção m e indicou o cam inho e fui andando devagar, observando todo o am biente. A academ ia era

bem arej ada e possuía aparelhos de últim a geração. Gostei m uito, afinal não seria um a perda de

dinheiro m udar de academ ia só por causa da Sabrina.

Avistei o octógono da porta, e para m inha surpresa Sabrina estava lá no m eio com o professor.

Com o sem pre, estava linda. Vestia um top preto e um a berm uda verm elha solta. Em suas m ãos havia

faixas da m esm a cor que o calção. Estava concentrada e olhava o Alex com atenção, não havia m e

notado.

Ele lhe m ostrava um golpe e encostei-m e à porta para observar. Alex posicionou os braços da

Sabrina em defesa, na frente do corpo e m ostrou o que faria. Girou o corpo e levantou a perna,

batendo exatam ente onde tinha m ostrado.

Sabrina sorriu e falou algum a coisa com o professor. De repente, ele a abraçou e falou qualquer

coisa em seu ouvido que a fez corar. Alex girou o olhar e m e viu parado. Sorriu, e bateu continência

com dois dedos.

Filho da puta! Ele sabia que eu estava ali desde o início. Estreitei os m eus olhos e observei-o

cercar a m inha garota de todos os lados. Sabrina virou o rosto e seu sorriso m orreu. Fechei a cara e

esperei ela sair do octógono.

Quando se aproxim ou, pude perceber que estava ofegante e suada. Seus olhos azuis brilhavam

lindos. Eu ficava hipnotizado por eles, pois desde o início havia sido dessa m aneira. A garota m e

tinha em suas m ãos e não sabia.

— Oi, você dem orou. Achei que não vinha. — Pude perceber o quão sem graça estava.

— E você nem ia notar m inha falta, né? — Eu sei, o m onstro dos ciúm es se m ostrou. Dane-se,

estava m orrendo de vontade de esm urrar o cara, colocar Sabrina sobre o om bro e m ostrar a ela quem

m andava.

— O que você quer dizer, Lucas? Nós com binam os, certo? Estava te esperando, m as com o

dem orou, eu vim pra aula.

Ela estava brava e ficava linda assim . Assenti e m ordi o lábio desviando o olhar, não conseguia

m e conter. Devia beij á-la ali m esm o, talvez assim ela calasse a boca.

— Ah, tenho um a novidade — sua voz soou anim ada.

Voltei m inha atenção ao seu rosto e percebi que estava corada e alegre. Só torcia para que o

Alex não fosse a causa disso.

— O quê?

— Alex encontrou um apartam ento no andar abaixo do dele. Ligou pra im obiliária, que disse

que vai estar disponível na próxim a sem ana. Não é o m áxim o?

Porra! Isso doía. Ver a felicidade da m inha garota por estar indo para longe de m im era dem ais.

Tive um a vontade m eio louca de j ogar a cabeça para trás e uivar de raiva.

Meu peito pegava fogo, era com o se estivesse arrancando m eu coração e levando em bora.

— Hum , e você confia nele pra m orar tão perto? — tentava a todo custo arrum ar um a desculpa

para Sabrina recusar.

— Eu m al te conhecia e fui m orar com você.

Ouch! A m ulher queria m e m atar.

— Ok. Você é que sabe da sua vida. — Dei de om bros tentando não transparecer tudo o que

sentia. — Gostou da aula com o lobo?

— Para Lucas, não fica zoando com o nom e do cara. Acho até charm oso... — Ela sorria olhando

para o chão, corada.

— O quê?! Tá, eu nunca vou te entender m esm o — aum entei o tom da m inha voz, estava nervoso

e com ciúm es. Péssim a com binação.

— Eu sei que não vai. Já provou isso há quatro anos.

Olhei pra ela, nós tínham os com binado em esquecer o passado, m as pelo visto não seria

possível.

— E você é teim osa dem ais pra adm itir qualquer coisa, né? Só eu que tô errado? Você não fez

nada?

— Porra, será que você pode ser m enos idiota? — A essa altura Sabrina j á estava gritando feito

louca.

— O que tá acontecendo aqui? Vocês estão gritando e assustando o pessoal.

Alex se aproxim ou e o cara só vestia um calção preto. Olhava pra m im com cara de reprovação

e tive um a vontade infantil de m ostrar o dedo do m eio pra ele.

Acho que quando Sabrina estava envolvida, eu não ficava m uito racional.

— Não foi nada, Alex. Só o Lucas, com o sem pre, sendo um idiota.

Sabrina estava em penhada em m e m agoar. E estava conseguindo m uito bem até agora.

— É, Wolf. Tá tudo bem , na verdade, j á estou indo. Vou m e trocar, tenho um a série longa pra

fazer. Se você quiser carona Sabrina, vai ter que m e esperar. — Eu estava sendo idiota, m as não

podia evitar.

— Eu te levo se quiser, gatinha. Vim de m oto hoj e.

Merda, fiquei com vontade de gritar em negativa. Mas m e m antive quieto e sereno, não

m ostraria fraqueza na frente dele.

— Não, agradeço, m as eu vou pro m esm o lado que ele. Vim direto do trabalho e não passei em

casa, acabei deixando m eu carro. Não vou com eter esse erro novam ente.

Mas que porra é essa? Agora pegar carona com igo era um erro? Sabrina tinha essa m ania de m e

atacar quando estava chateada. Já estava acostum ado, porém tinha um adicional na história, o cara

estava louco para eu sair de cena.

— Bom , eu tô indo. Até m ais tarde Sabrina, tchau lobo.

Virei-m e e saí dali antes de dizer algo que m e arrependeria. Sem pre que ela m e provocava, eu

acabava falando ou fazendo m erda. Pude sentir seu olhar em m inhas costas e m e forcei a não virar.

Meu ego estava m achucado.

Cam inhei a passos lentos até o vestiário. Quando cheguei lá deixei m eus sentim entos virem à

tona. Queria socar algum a coisa, bater naquela cara do idiota do Alex.

Por que era tão difícil ficar com a m ulher que am o? Por que ela tinha que ser tão teim osa e

linda?

Porra, eu ia acabar ficando m aluco!

Andei até a pia e olhei para o m eu reflexo no espelho. Meu rosto não era m ais o m esm o de

quando a conheci. Afinal, havia envelhecido, estava m ais m aduro fisicam ente. Meus sentim entos é