Impulso
Capítulo 38
em um a cam a de hospital.
Ele desviou o olhar. Estava m eio perdido. Um m edo invadiu m eu coração. Será que tinha ficado
chateado?
— Lucas, nós não usam os cam isinha nenhum a vez. Mesm o depois de perceberm os isso, acho
que nunca passou por nossa cabeça. Se você não gostou, desc...
Ele m e beij ou, fazendo-m e calar. Desesperado, devorou m inha boca soltando um estalo ao se
afastar
— Eu j á disse que você fala dem ais? Eu não gostar? Estou em choque, m as feliz pra caram ba.
— Gargalhou com a cabeça j ogada para trás. — Porra, eu vou ser pai!
Sorri ao ver seu entusiasm o. Ele m e olhou com tanto am or e levantou-m e pela cintura
colocando-m e de pé à sua frente. Minha barriga ficou na altura do seu rosto.
— Oi bebê, é o papai. Eu sei que ainda é m uito pequenino, provavelm ente um feij ãozinho. Mas
quero que saiba que a gente te am a dem ais, não vej o a hora de te pegar no colo. — Abraçou m inha
cintura deitando a cabeça em m inha barriga.
Meus olhos se encheram de lágrim as e as deixei cair. Acariciei seus cabelos fazendo o carinho
que ele procurava.
Lucas era m inha felicidade plena!
CAPÍTULO 38
Lucas
Duas sem anas se passaram depois daquele dia com plicado. O ataque da Sabrina, o acidente do
Alberto e do Heitor, m as algo aconteceu para am enizar toda a m á sorte: eu vou ser pai! Caram ba, é
inexplicável o que senti e ainda sinto. Fiquei abobado quando Sabrina m e deu a notícia, m as agora
estava igual um paspalho. Conversava com o bebê todos os dias. Um am or sem igual por alguém , que
ainda era tão pequenino, m e tom ou por com pleto.
Depois de um a sem ana longa em que Sabrina teve que ir à delegacia prestar um a queixa form al,
ficam os sabendo que estava tudo cam inhando bem . Rick aguardaria seu j ulgam ento na cadeia, pois
várias denúncias de estupro foram feitas contra ele. Meu am or estava levando as coisas m uito bem ,
depois da descoberta da gravidez ela em anava felicidade, e nada a abalava. Estava fazendo terapia
com a Jeny desde que saiu do hospital, por insistência m inha, claro, j á que ela dizia não precisar.
Mas eu ficava m ais seguro com essa aj uda extra.
Alberto estava prestes a sair do hospital. Já tinha retirado os pontos e iria para casa term inar o
tratam ento. Graças a Deus não tinha dado nenhum a infecção, m as seu caso ainda exigia cuidados.
Meu plantão tinha acabado de com eçar, m as antes eu iria verificar o Heitor.
Cheguei à porta da UTI e aguardei que a enferm eira m e deixasse entrar. Lá encontrei a Liz Queiroz, um a neurocirurgiã am iga do Bruno e do Alberto, porque eles fizeram faculdade na m esm a
época. Depois de retirar o sedativo, Heitor não acordou, continuou em com a. Com o ela era a m elhor
na área, decidim os cham á-la para avaliar o caso.
Parei ao lado da cam a e fiquei observando, Liz estava sentada bem próxim a do Heitor
conversando com ele. Falava baixinho por causa dos outros pacientes, m as pude ouvir um a boa parte.
— Você tem que reagir, Heitor. Seus am igos estão preocupados. Tem que lutar, rapaz. Tanta
coisa para fazer e viver. Encontrar um am or, quem sabe? Queria tanto ver esses olhos chocolates
brilhando. Vai, quero ver seu sorriso de covinhas que a Sabrina m e falou. — Acariciou seu rosto com
a ponta do dedo.
Arqueei um a sobrancelha ao escutar aquilo. Se eu não soubesse, diria que a Dra. Liz estava
tendo um a quedinha pelo seu paciente. Pigarreei para fazer m inha presença notável, antes de escutar
m ais coisas que não devia. Ela m e olhou assustada e se afastou do m eu am igo.
— Olá, Dr. Lucas. Veio ver o seu am igo? Ah, m as é claro que veio, pergunta boba a m inha. —
Sorri ao perceber que ela estava nervosa. — Droga, j á estou falando dem ais. Desculpa, não posso
evitar.
— Tudo bem , Liz, m as pode m e cham ar só de Lucas. Com o ele está hoj e?
Aproxim ei-m e da cam a observando o tatuado. O inchaço na cabeça e no rosto havia dim inuído,
o braço ainda estava engessado. Os m achucados no rosto estavam quase inexistentes.
— Bom , está reagindo a estím ulos cerebrais, m as não acorda de j eito nenhum . Respiração ok,
coração e tudo.
— Entendo. E qual o prognóstico, Liz?
Ela fez um a careta olhando para ele. Liz era um a m ulher bonita com o rosto gentil e doce,
cabelos castanho-averm elhados presos em um rabo de cavalo e olhos num tom violeta, m uito raro.
— Ai Lucas, sua condição física está em perfeito estado. Mas o seu em ocional provavelm ente
está abalado. O cérebro j á se curou, agora depende dele. — Suspirou. — Infelizm ente, não posso
fazer m ais nada. Droga!
Toquei seu om bro oferecendo conforto. Sabia o quanto era ruim se sentir im potente,
principalm ente na nossa profissão. Às vezes, não há o que se fazer.
— Não fique assim . Heitor vai sair dessa, tenha fé! Ele é um cara forte. Você vai em bora, j á que
seu trabalho term inou?
Ela balançou a cabeça negando, sem tirar o olhar dele.
— Vou ficar m ais um tem po. Consegui um a transferência pra cá. Quero acom panhar seu
desenvolvim ento. Não consigo m e afastar.
Nossa, ela estava m esm o envolvida com o tatuado.
— Que bom Liz, fico feliz em saber que ele tem você. — Ela arregalou os olhos, corando.
Sim , eu disse com duplo sentido. Joguei verde para colher m aduro. E consegui o m eu intento,
ela ficou m uito sem graça denunciando seu desconforto com o que falei.
— Mas ele tam bém tem a vocês. Nunca fica sem visita. Aliás, Alberto esteve aqui hoj e, parece
que vai ter alta agora na parte da m anhã.
Assenti e deixei por isso m esm o. Heitor precisava de um a m ulher bonita e gentil. Só faltava o
m ané acordar.
— Estou indo vê-lo agora. Bom Liz, vou indo, tenho plantão de 12 horas. Qualquer coisa, j á
sabe. Pode m andar m e cham ar.
— Tudo bem , vou term inar os testes com ele.
Sorri e m e despedi, dando um a últim a olhada no m eu am igo. Esperava que ele realm ente saísse
dessa. Cam inhei devagar ao quarto de Alberto, que devia estar louco para ir pra casa. Quando
cheguei à porta, tive que parar e rir um pouco. Ele estava de pé, pulando num pé só, guardando
roupas na m ochila.
— Cara, cadê sua m uleta? Acha que só porque é m édico pode fugir das exigências?
Ele virou-se e m e olhou assustado. Sabia que estava fazendo errado, forçando a perna.
— Ah, essa porcaria é m uito chata. Sei m uito bem m e virar.
— Aham , ainda acho que devia arrum ar alguém para te aj udar. Sei lá, contratar um a enferm eira.
Ele franziu a boca em um a careta engraçada.
— Não quero! Não sou um inútil, posso cuidar de m im m esm o.
— Porra, m as você é teim oso. — Me aproxim ei da cam a e sentei, observando a sua afobação.
Estar no hospital com o paciente era diferente do que com o m édico. Não era legal, não. Sabia
com o ele se sentia. Quando term inou, sentou-se na poltrona com dificuldade por causa da tala na
perna.
— Você foi ver o Heitor? — Assenti e ele continuou. — Estou m uito chateado com isso, cham ei
a Liz para avaliar o cara porque é a m elhor. Mas não adiantou, segundo ela depende dele. E sabe
com o ele é? Não sei se tem vontade de continuar.
— Você percebeu certo interesse dela?
Alberto arregalou os olhos e sorriu.
— O que você viu? Achei que era coisa da m inha cabeça.
— Acho que ela se envolveu dem ais. Não quer ir em bora. Pegou transferência pra cá.
— Sério? Porra, se eu tivesse um a doutora daquelas cuidando de m im , e não um chato com o
você, acordava rapidinho. — Deu um sorriso sarcástico.
— Rá, rá. Muito engraçadinho você. Não se esqueceu da Ana, né? Ela veio te ver?
Alberto fechou a cara e respirou fundo, olhando para o teto.
— Nem um a vez, não sei o que aquela louca quer. Acho que eu vou desistir, velho. Não aguento
m ais ficar esperando, apesar de ter tido vários encontros ao longo dos anos, m inha vida está
estagnada.
— Vai desistir m esm o?
Ele fechou os olhos e, quando os abriu, pude ver a dor e a saudade estam padas em seu rosto.
— Acho que sim , m esm o não parando de pensar nela por nem um segundo. Não aguento essa
vida, estou envelhecendo e quero algo m ais certo para o futuro. Mesm o m eu coração pertencendo à
outra... — Suspirou e deu um tapa na perna. — Mas, e aí? Com o estão as gravidinhas lindas?
Sorri ao lem brar-m e da Lay la e da Sabrina, elas estavam m uito felizes que as crianças
cresceriam j untas. A fam ília ficou em êxtase com a notícia. Lay la estava de quase quatro m eses e
Sabrina com pletando um .
— Estão bem , Lay la cism ou que j á tem barriga aparecendo, m as não tem nada lá. Sabrina exala
felicidade, cara. Me sinto o filho da puta m ais sortudo do m undo.
— Bom , porque realm ente é. Dê sem pre valor a isso, ter um filho é o m elhor sentim ento que
existe.
— Verdade. Vam os indo? Tem alguém pra te buscar?
Ele se levantou todo torto e fez um a careta de dor.
— Nossa, isso dói. Tenho, sim . O Bruno ficou de m e buscar porque está de folga. Deve estar lá
fora m e esperando.
Peguei sua m ochila e coloquei no om bro. Entreguei a m uleta que estava encostada na parede.
Alberto não parecia nada confortável andando com aquela coisa debaixo dos braços.
— Tem certeza que não vai cham ar ninguém pra te aj udar?
— Tenho, não quero m ulher perto de m im , enquanto estou tão confuso. Sabe com o é? Quatro
anos na seca.
Arregalei os olhos, achei que fosse sacanagem que ele estava esse tem po todo sem ninguém ,
m as pelo j eito não era.
— Achou que eu estava brincando, Lucas? Não, eu realm ente tentei esse tem po todo. Mas
parece que não adiantou. Bom , paciência. Depois do que passei, com ecei a enxergar a vida diferente.
Não vou m e m artirizar por algo que foi há m uito tem po. Agora, chega desse papo de sentim ento, cara.
Você tá ficando todo bobo só porque está apaixonado e vai ser pai.
— Foda-se, estou m esm o!
Rindo, fom os para o corredor. Por onde passava, Alberto era cum prim entado. As enferm eiras se
ofereciam para cuidar dele, m as o cara recusava.
Ele parou para conversar com o diretor do hospital e m eu celular tocou. Era Sabrina.
— Fala, m inha linda!
— Lucas, você está com o Alberto? — falou exasperada.
— Estou sim , levando ele lá pra fora. Bruno está esperando.
— Não tá, não.
— Ué, então vou cham ar um táxi.
Ela riu do outro lado da linha.
— Não precisa, tem outra pessoa esperando por ele. Só liguei para você ficar preparado. A
cobra vai fum ar!
— Que porra é essa, Sabrina? De onde saiu essa expressão?
— Ah, aprendi por aí. Mas fica preparado. É briga de cachorro grande.
Soltei um a gargalhada.
— Caram ba, hoj e você está inspirada. Mas tudo bem , estou preparado. Nenhum a pista do que
possa ser?
— Nãooo. Você vai ver. Estou com saudade de você, ainda sinto seu corpo em m im .
Bati na testa com um a m ão, a m ulher acabava com igo.
— Ok, nem vou responder ou sou capaz de largar tudo aqui pra ir te ver. Já está no serviço?
— Tô sim , na m inha sala, com m uita vontade de você.
— Ai porra, vou desligar ou acabo m e envergonhando. Tchau, depois te falo com o foi.
— Boa sorte. — Desligou
Que m erda era essa agora? Esperei Alberto term inar sua conversa com o diretor do hospital.
Devia estar querendo voltar a trabalhar, m as não voltaria tão cedo.
Ele saiu carrancudo e Ricardo só ria se afastando, m as cum prim entou-m e com um aceno e foi