Impulso
Capítulo 28
O que seria aquilo? Meu Deus, nem queria pensar!
Só esperava que não fosse nenhum fantasm a querendo m e assom brar.
CAPÍTULO 28
Lucas
— Lucas, o advogado m arcou um a reunião hoj e à noite. Ele está com algum as pendências e só
conseguiu esse horário para nos atender. Você pode pegar a Sabrina? — Bruno m e parou no m eio do
corredor do hospital enquanto ia em direção ao laboratório pegar um exam e. Olhei em seu rosto e vi
que ele parecia cansado e preocupado.
— Ok, m as por que essa cara?
Ele passou as m ãos pelos cabelos.
— Nada de m ais, é que a Lay la vem passando m al frequentem ente. E não dorm i direito esses
dias.
Franzi a testa.
— Mas enj oo não é m atinal?
— E algum a coisa na sua irm ã é com um ? Não, ela passa a noite inteira vom itando e tem
dorm ido de dia. Acho que é porque trabalha no bar e o organism o dela se acostum ou a trocar a
rotina. E eu não consigo deixá-la sofrendo sozinha.
Sorri satisfeito. Bruno era um bom m arido para a m inha irm ã.
— Pensa só, daqui a alguns m eses o bebê tá aí, e você vai dorm ir m enos ainda. Ele respirou fundo fazendo um a careta, m as sorriu. Estava m ais que radiante por ser pai. Me
despedi prom etendo levar Sabrina ao prédio que ele indicou. Não seria difícil encontrar, ficava bem
no centro com ercial. Enviei um a m ensagem dizendo que iria pegá-la no serviço e ela respondeu para
encontrá-la na academ ia, tinha aula de Muay Thai essa noite.
Nem preciso dizer que não gostei nada, pois aula queria dizer que o babaca do Wolf estaria lá.
Com o passar das horas fui ficando m ais nervoso e ansioso. Queria resolver logo essa m erda de
processo e ver o filho da puta do Rick na cadeia. Caras com o ele m ereciam passar a vida toda
trancafiados.
Depois do plantão tom ei um banho e m e troquei. A cam inho da academ ia sintonizei em um a
rádio que só tocava MPB. Não era m uito fã, pois era ligado nas internacionais. Mas m úsica nacional
m e lem brava da m inha irm ã. E lem brar da Lay la m e fazia ficar calm o porque ela tinha esse poder
sobre m im .
Estacionei e tranquei a porta acionando o alarm e, subi os degraus de dois em dois. A academ ia
estava cheia para um a segunda-feira, m e desvencilhei do pessoal que estava se exercitando. Quando
cheguei à sala de Muay Thai um ciúm e doentio m e corroeu.
Sabrina estava conversando com o Alex e ria do que ele falava. Quando o cara levou a m ão ao seu rosto, eu tive que agir. A passos largos atravessei a distância e parei ao seu lado.
— Vam os?
Ela sorriu sem graça porque sabia que eu estava com ciúm es. Inclinou-se e deu um beij o na
m inha boca.
— Vou m e trocar e j á volto.
Sabrina se afastou e eu cruzei os braços, encarando o filho da puta à m inha frente. Alex tinha um
sorrisinho debochado no rosto. Sabia que vinha m erda.
— Então, Lucas — Coçou o queixo e inclinou a cabeça de lado. —, tá cuidando direitinho da
Sabrina? Cuidado, hein? Se bobear, eu tom o de vez.
Segurei-m e para não socar sua cara. Olhei em seus olhos e deixei bem claro para não haver
m al-entendido.
— Desiste, j á te disse que ela é m inha, m elhor se conform ar.
Ele sorriu e se aproxim ou dando tapinhas nas m inhas costas.
— Você é um cara legal, Lucas. Só estava te provocando, sabe que vou fazer isso m ais vezes,
né? Não consigo resistir — Deu de om bros. —, porque é m ais forte do que eu. Mas não precisa se
preocupar, eu entendi que a gata é sua, afinal ela te escolheu. Relaxa. Eu não sou fura-olho.
Estreitei os olhos e fiquei pensando se podia confiar nele. E... não. Sua m ulher e cueca não é
coisa para confiar aos am igos, m uito m enos para um cara que a desej ava, e ainda desej a. Não é
porque ela está com igo, que ele ficou cego.
— Vam os, am or. Tchau Alex, até sexta.
Ele acenou e Sabrina foi m e puxando pela m ão. Ao passar na recepção, a m esm a m enina que
havia visto nossa briga sem anas atrás estava sentada atrás do balcão. Sabrina m e olhou com os olhos
brilhantes.
Depois m e puxou rapidam ente e assolou m eus lábios. Sabia que ela estava querendo m ostrar
para a garota que estávam os j untos. Não ficava confortável em deixar os outros sem j eito, m as pouco
m e im portei quando sua boca quente colou na m inha.
Apertei sua cintura com a m ão e invadi seus lábios abertos com a língua. Acho até que Sabrina
se esqueceu da garota, porque se entregou totalm ente. Nossos beij os sem pre eram os m elhores.
Quando a soltei, Sabrina cam baleou para trás e levou um a m ão aos lábios inchados. Olhei em volta e
vi que a recepcionista tinha sum ido.
— Porra, am or, se isso é m arcação de território eu adorei.
Ela sorriu e m e puxou pelo cós da calça fazendo-nos colar novam ente.
— Deixa de ser convencido. Isso é pra evitar problem as, agora ela sabe que você é m eu.
Sem icerrei os olhos.
— Aquele lobo tam bém sabe.
Ela j ogou a cabeça para trás e gargalhou.
— Vam os, senhor esquentadinho. — Saiu andando à m inha frente. — Você tinha que ver sua cara
quando chegou. Estava horrenda, se o Alex fosse um pouco frouxo teria corrido.
— Mas ele ficou bem esperto com o que lhe disse. Não vai bobear, não.
Ela sorriu e descem os as escadas. No carro entram os e seguim os em um silêncio confortável.
Em um m om ento Sabrina se virou para m im franzindo a boca.
— Lucas, será que vai dar certo esse lance do processo?
Desviei o olhar do trânsito e a observei. Sabia que estava preocupada de ter que encarar o filho
da puta novam ente.
— Sabrina, depois de conversar com o advogado, nós vam os ficar m ais tranquilos e saberem os
qual cam inho seguir. Relaxa, de qualquer m aneira eu vou estar do seu lado para qualquer coisa. Ok?
Ela assentiu e respirou fundo.
— Eu só não queria ter que contar tudo de novo. Sabe, depois que a gente conversou foi com o
se j ogasse tudo fora, quase não m e lem bro m ais disso. E se eu tiver que falar e todos os fantasm as
voltarem ? E se eu ficar no inferno de novo?
Parei ao lado do prédio e soltei o cinto de segurança. Peguei seu rosto entre m inhas m ãos e
olhei em seu oceano azul, m e perdendo por um m om ento.
— Não vão. Sabe por que eu sei? Eu não vou deixar. Quando eles voltarem , eu exorcizo todo
m undo. E se for para o inferno, eu vou atrás e te levo para o céu.
Ela riu docem ente e cobriu m inhas m ãos em seu rosto com as dela.
— Eu sei, vou ficar bem então. Desde que você estej a com igo.
Assenti e m e afastei, olhei para o prédio e vi que Bruno estava parado em frente à porta,
encostado na parede com os braços cruzados. E dorm indo.
— Sabrina, olha seu irm ão. Dorm indo em pé, e a Lay la nem ganhou bebê. Im agine quando
nascer?
Ela se virou e cobriu a boca segurando um sorriso. Arregalou os olhos e saiu devagar. Ela ia
aprontar. Com o eu sabia? Caçulas sem pre aprontam . Desci do carro e m e aproxim ei. Sabrina parou
do lado do irm ão e enfiou o dedo no nariz dele, que levou um susto e ficou encarando a gente de
olhos arregalados.
— Mas que porra garota, você não cresce, não?! Lucas por que você deixou?
Levantei as m ãos para o alto em sinal de rendição.
— Eu não posso fazer nada, cara. Você estava dorm indo em pé Bruno, pelo am or de Deus!
Ele passou a m ão pelo rosto, parecendo realm ente cansado.
— Eu preciso de um a noite longa de sono tranquilo. Está acabando com igo.
— Por que você não tá dorm indo? — perguntou Sabrina colocando as m ãos na cintura.
— Meu Anj o trocou o horário dos enj oos. Ela os tem de noite e eu não a deixo sozinha.
Ela assentiu e ficou pensativa
— Isso é bom , ela não fez sozinha. Tem que passar perrengue j unto.
— É, m as ela dorm e a m anhã inteira. Bom , m as chega desse papo que a gente tem hora m arcada.
O advogado j á está esperando.
Entram os no prédio e subim os de elevador, quando ele parou no andar saím os com Bruno à
frente, m e deparei com um andar bem arrum ado e de bom gosto. Pelo j eito era um a firm a que
ocupava o local inteiro. Deviam ser figurões da advocacia. Param os na recepção e nos sentam os
enquanto Bruno falava com a recepcionista, que o olhava com m alícia no olhar.
Mas, com o sem pre, alheio aos olhares de outras m ulheres, nem percebeu o interesse da garota.
Voltou e se sentou ao nosso lado deitando a cabeça no encosto do sofá. Sabrina olhava tudo com
interesse evidente.
— Nossa, que lugar bonito. Se m eu escritório fosse assim estava bom dem ais. Com o você
conheceu esse advogado, Bruno?
Ele levantou a cabeça esfregando os olhos.
— O irm ão dele estava internado no hospital quando o conheci. E foi assim , acabam os
m antendo contato ocasionalm ente e quando precisam os de um advogado só pensei nele. É o m elhor
do ram o.
Ela assentiu e continuou observando ao redor, percebi que estava nervosa. Puxei a m ão da
Sabrina entrelaçando nossos dedos. Queria dar conforto a ela de algum a m aneira.