Impulso
Capítulo 7
pelo fato do filho da puta do Alex ficar cobiçando a m inha garota.
CAPÍTULO 7
Sabrina
Dizem que depois da tem pestade vem a calm aria. Eu não concordava. Nós explodim os e então
entram os em um acordo, m as m eus sentim entos estavam um a verdadeira luta. Eu não tinha certeza se
era aquilo que queria. Por m ais que Lucas m e deixasse louca e m orrendo de vontade de beij ar a sua
boca e todo o seu corpo m aravilhoso, ainda havia m ágoa em m im . E eu não era um a pessoa que dava
o braço a torcer. Um defeito claro da m inha personalidade, que não tinha boa utilidade.
O j eito era m e distrair com o trabalho, em m inha m esa havia pilhas e pilhas de relatórios para
analisar e planilhas para fazer. Apesar de am ar o que fazia, às vezes queria algo m ais anim ado,
porque o tédio reinava naquela segunda-feira.
Tudo que aconteceu nos dias que se passaram voltaram à m inha m ente com o um film e. Revivi
nosso beij o e nossa esfregação na cozinha, a briga durante e após o casam ento. Era um a m erda de
m ontanha-russa. Não vou dizer que odiava aquilo, porque, às vezes, era bom e discutir com o Lucas
apim entava o m eu dia.
Do outro lado do escritório pela porta aberta da m inha sala percebi um dos m eus colegas m e observando, sorri e acenei. Passam os algum tem po j untos e nos envolvem os quando entrei na
em presa, o que não foi um a boa ideia, j á que ele sem pre estava cercando ao m eu redor. Apesar de
ser um a graça, o sexo não foi grande coisa. E não estava disposta a repetir a dose.
Com a m anhã se arrastando tinha que fazer o tem po passar para logo à noite, estava anim ada.
Tanto para rever o Alex, que era um a deliciosa tentação, quanto para observar o Lucas fazendo
exercícios, que para um m édico estava em ótim a form a. Na verdade, eu estava fodida!
Além de m exer com igo profundam ente e am á-lo m uito, Lucas era sexy pra caram ba. E tínham os
um a história dolorosa e tam bém de um a am izade linda. Era com plicado explicar a ligação que
tínham os, ele foi o prim eiro que m exeu com igo de um a m aneira tão intensa. Nem m esm o o idiota do
Rick m e fez sentir tanto.
Alex era lindo, safado, cachorro e certeza de sexo quente. O m elhor? Um a página em branco,
sabia que não podia levar a sério, seria algo casual e delicioso. Minha libido j á estava em alerta pra
provar todo aquele corpo m aravilhoso. Porém , ele não era alguém que eu pudesse com andar, e m eu
alerta de perigo estava ligado.
Ok, eu não era um a santa. Nada de ficar só olhando. Estava em um a seca de m eses por não
encontrar nada que m e interessasse a ponto de esquecer o Lucas, nem que fosse por algum as horas.
Era bom afogar m ágoas em vários orgasm os.
Fui arrancada dos m eus devaneios m olhados pelo barulho chato do m eu telefone celular. Estendi
a m ão e o peguei dentro da bolsa, e vi que na tela piscava a carinha da m inha irm ã Ana Luiza
m ostrando a língua. Sorri e fiz um a careta, preparando m eu ouvido para broncas de com o estava
dorm indo no ponto esperando a boa vontade do Lucas em cair na real.
— Fala, sua chata! — Eu tinha m ais liberdade em falar assim com ela do que com Larissa.
Minha irm ã m ais velha era m uito séria e ficava tensa em fazer brincadeiras.
— Não fala assim com igo, pirralha! — Deu um a risadinha baixa, devia estar no hospital. —
Com o você está?
— Bem , na m edida do possível. — Suspirei, não estava a fim de contar toda a m erda que
acontecia com igo.
— Hum ... O bonitinho conseguiu te alcançar no sábado?
— Com o assim ? Você sabia que ele ficou atrás de m im ?
— Aham , parecia que tinha roubado seu brinquedo favorito, um a graça. — Ana adorava Lucas,
m as não era feliz em m e ver sofrendo por ele. — Ficou m eio louco quando eu disse que você tinha
saído com o delícia do Heitor.
— Ah, foi você, né, cachorra? Ele parecia m esm o perturbado quando chegou em casa. — Agora entendia toda aquela cena na porta do quarto. Lucas estava com m edo de eu estar com alguém , e não
preocupado com o m eu bem -estar.
— Você sabe que não resisto em vê-lo coradinho de raiva. Fica um a gracinha, apesar de, às
vezes, ser um pateta. Mas não foi por isso que liguei. Lay la entrou em contato e estão voltando
am anhã, pediu para irm os todos ao Beer na quarta. Ela tem um a novidade pra contar. Eu não sei o
quê, m as é convocação geral.
Abri um sorriso na hora. Eu sabia qual era a novidade, m as não iria dizer que fui a prim eira a
saber o segredo. Todos da fam ília eram m eio possessivos e cium entos em relação à m inha cunhada, e
podiam ficar chateados.
— Beleza. Hum , e isso quer dizer que o Alberto vai estar lá. Você sabe disso, né?
Ouvi um barulho de algum a coisa caindo e Ana xingando baixinho. Ela perdia as estribeiras
quando o assunto era o m édico lindo e loiro que m exia profundam ente com seus sentidos. Mesm o
negando, agora eu não acreditava m ais, depois daquela cena na cozinha nem queria saber.
— Sei, vai ser um a tortura ver aquela cara sorridente dele. Mas o que a gente não faz pela
fam ília. — Suspirou dram ática. — Então tá, pirralha. Te vej o lá, vai ser por volta das oito horas,
antes dela se apresentar. Vou desligar e voltar para os m eus pacientes. Beij o.
— Beij o. Fica bem .
Desliguei e fiquei pensativa. A vida era um a porcaria de roda gigante, sem pre dando voltas e
parando no m esm o lugar. Ana estava há m ais de dez anos fugindo do Alberto e ele sem pre atrás.
Antes só queria a am izade e nem isso ela concedeu. Aí do nada, resolveu reconquistá-la com o era
antes do que aconteceu. Não que eu soubesse, m as ela se recusava a falar qualquer coisa.
Voltei m eus pensam entos ao trabalho. Tinha até o final do dia para enviar as planilhas pro m eu
chefe. Com o eu tinha m enos de um ano na em presa, não podia bobear. Gostava de fazer tudo certinho,
sem falha. Odiava pegar planilhas m al organizadas.
Separei por cores e assuntos, o que ficaria bem explicativo. Com o aum ento do salário há m eses
atrás, e não tendo o custo de pagar aluguel, tinha conseguido j untar um a graninha. Quando encontrasse
o apartam ento iria dar um a boa adiantada nos pagam entos, talvez até dar um a entrada em um carro
novo. Já estava na hora de trocar o m eu, porque eu o tinha desde os dezoito anos quando Bruno m e
deu, porque fora incum bido de m e entregar este presente que papai deixou.
Às vezes, nós desconfiávam os que ele soubesse que estava doente do coração e não nos disse
nada para poupar-nos. Por que, com o alguém que m orre, de repente, deixa tudo arranj ado? Pensões a
perder de vista e presentes para a vida toda?
Apesar de ser m uito nova e não lem brar m uito dele, sentia a falta de ter um pai presente. Bruno tentou fazer esse papel, m as era diferente. Eu sem pre soube que ele era m eu irm ão e levava m uito a
sério o que ele dizia. Fui um a adolescente rebelde e chata. Prova disso era a m erda que fiz com m eu
ex.
Mas passado tem que ser deixado lá.
A m anhã passou m ais rápido do que im aginei. Já era hora do alm oço, decidi visitar m eu
restaurante preferido perto do escritório, que tinha um a com ida italiana da m elhor qualidade. Depois
que Lay la com eçou a nam orar o Bruno passam os a apreciar m uito m assa, pois ela cozinhava m uito
bem .
Já no elevador senti um a presença atrás de m im . Im aginei quem podia ser. Arrisquei um a olhada
de rabo de olho e vi que Felipe estava prostrado, olhando direto pra m inha bunda.
Bufei internam ente, o cara parecia um garanhão, m as na verdade era daqueles tipos que gozava
em dois segundos e ainda não satisfazia a parceira de m aneira algum a. Ficam os apenas um a vez, m as
parecia que ele tinha gam ado, pois não largava do m eu pé.
Felipe era m oreno chocolate e tinha um “quê” de m enino m au. Malhado ao extrem o, devia ser
esse o problem a da sua im potência. Muito anabolizante pra ficar forte.
Virei-m e e o cum prim entei com um sorriso am arelo. Não pretendia dar falsas esperanças a ele
de m aneira algum a. Um a repetição daquela noite e eu m e j ogaria de um a ponte.
— Oi, Sabrina. Indo alm oçar?
Ai, com o não percebi que ele era um chato na época? Eu só saía esse horário para alm oçar, não
era de ficar vagando pelo prédio.
— Aham . — Me virei para esperar o elevador e suspirei entediada.
— Hum , tam bém estou. Podem os ir j unto, se você quiser. O que acha? Tô pensando em um a
saladinha.
Ele era um pouco estranho, norm alm ente hom em nem liga para o que vai com er, pelo m enos não
os que eu conhecia. As m ulheres, sim , escolhiam sem pre saladas e passavam fom e, m enos eu. Apesar
de quase não engordar, gastava tudo na academ ia. Era um a m ulher que com ia m uito.
— Então, Felipe... Eu vou com er m assa hoj e. O Mamma’s tem m uita coisa boa e engordativa.
Tô precisando m e acabar na com ida. — Sorri com a m inha trapaça. Eu sabia que iria horrorizar o
cara, ele era m eio neurótico com m ulher com endo m uito.
— Que isso, gata? Você vai engordar assim . Tá tão linda.
— Ah, nem ligo. Minha m ãe é fofinha, se ficar igual a ela tá ótim o. — Dei de om bros.
Ele arregalou os olhos e sacudiu a cabeça. Segurei um risinho que subia na m inha garganta.
Seria m al-educado rir da cara dele, na sua frente.
— Ok, então eu vou sozinho. Não sou chegado a m assa. Mas cuidado se ficar gorda, vai ficar
sozinha.
Que idiota!
— Sabe, Felipe, antes sozinha com um vibrador bem grande, do que com um cara de verdade
que não m e dá o prazer que m eu am igo de pilhas m e proporciona. — Sorri e entrei no elevador que
acabava de chegar. Olhei pra ele, que continuava parado do lado de fora, e m ostrei em um gesto com
o polegar e o indicador o m ínim o que achava.
Ele fechou a cara e grunhiu, indo em direção à escada. Quando a porta se fechou, caí na
gargalhada. Há tem pos não m e divertia assim . Estava precisando voltar à velha eu. Era m uito bom ,
não gostava m uito da m enina séria que havia m e tornado.
Costum ava ser sarcástica e falante. Estava na hora de retom ar m inha vida, com o era antes do
ocorrido com aquele babaca do Rick.
Só de m e lem brar daquele palhaço, m eu estôm ago revirava. Eu nunca contei tudo aos m eus
irm ãos. Não tinha coragem , era vergonhoso dem ais. Eles só sabiam de um a aposta que havia feito
com os am igos, m as om iti grande parte do que ocorreu.
No térreo, cam inhei entre as pessoas que seguiam com suas vidas norm ais e torcia para que a
m inha ainda fosse assim . Estava sem pre cautelosa e com m edo de esbarrar com um daqueles idiotas
dos am igos do Rick, e eles falarem qualquer coisa sobre o passado.
Não sabia se havia feito certo escondendo tudo o que passei, m as era com plicado.
Eles j á m e conheciam no restaurante, por isso fui até o balcão fazer o pedido, m as o atendente
m e deu um sorriso e gritou para a cozinha:
— Mamma, Sabrina tá aqui. Prepara a m acarronada que ela gosta. — Ela concordou, gritando
de volta:
— Já vai sair?!
— Obrigada, Rodrigo. Com o tá a sobrem esa hoj e?
— Hum , do que você tá precisando? — Arqueou as sobrancelhas grossas.
— Um bom balde de sorvete com chocolate derretido estaria ótim o.
— Seu desej o é um a ordem , querida. Vai, pode se sentar que o garçom j á leva seu alm oço.
Vam os caprichar no queij o.
— Obrigada.
Eu adorava ir naquele restaurante, não era chique nem nada. Mas tinha um am biente fam iliar e
acolhedor. Estava cheio por causa do horário, m as m inha m esa de sem pre estava reservada. Mamma
adorava m e receber, um a vez até tentou em purrar um dos seus oito filhos pra m im . Não que não
fossem bonitos, m as os m eninos eram m uito j ovens. O m ais velho tinha acabado de com pletar vinte
anos. No m ínim o, eu gostava de caras da m inha idade.
No entanto, eram m eninos legais, gostava de bater papo com eles. Até aj udei o m ais velho a
escolher a faculdade que iria cursar. Era coisa da cabeça dela m esm o.
Fiquei observando o m ovim ento das pessoas. Quem frequentava o local eram norm alm ente gente
boa e feliz, que iam em pares ou grupos. Mas sem pre havia algum solitário com o eu. Um hom em por
volta dos seus quarenta anos estava sentado na m esa ao lado da m inha com um a expressão triste e
fiquei curiosa pra saber o que o deixava assim , porém não seria introm etida. Desviei m eu olhar e
aguardei. Não dem orou m uito para que um dos m eninos trouxesse a m inha m acarronada. E era um
baita prato.
Agradeci e com ecei a com er. Aquela m assa estava um a delícia, tudo era feito à m ão, desde o
m acarrão até o m olho com os tom ates que colhidos no j ardim . Term inei tudo em tem po recorde.
Achei que não era tanto assim com o im aginava porque não havia m ais nada no prato.
Uau, estava m uito cheia. Porém , quando olhei para o lado, tinha a sobrem esa vindo ao m eu
encontro.
— Aqui, m inha flor. Seu sorvete com chocolate derretido.
Oh, m eu Deus! Eu am ava aquele lugar.
— Obrigada, Mamma. Vai ser um sopro no m eu dia tedioso.
Ela se acom odou na cadeira à m inha frente e ficou m e observando. Além de ser um a m ulher
linda, Carolina, com o se cham ava, tinha não m ais do que cinquenta e cinco anos. Era gordinha e
possuía seios fartos, um coração de ouro e acolhia quem fosse com o um filho.
— Oh, coitadinha. Com a tudo. Então, m inha linda, com o foi o casam ento do seu irm ão?
— Ah, Mamma... foi lindo. Lay la e Bruno estavam felicíssim os.
— Que bom . Eles são um casal m uito bonito.
Assenti e voltei para o m eu sorvete.
— E aquele bonitinho do irm ão dela, que veio com você algum as vezes?
Engoli o sorvete de um a vez fazendo gelar tudo na m inha cabeça. Por aquela eu não esperava,
ela sem pre prestava atenção, m as, às vezes, que trouxe o Lucas estava atrapalhada na cozinha.
— Com o você sabe dele?
Ela abriu um sorriso m aternal, lindo.
— Oh, querida, eu vej o tudo da m inha cozinha. Só não vim cum prim entá-los pra não te
envergonhar. Mas seus olhinhos brilham quando fala dele.
Suspirei pesadam ente. Cara, eu era tão óbvia assim ?
— Ah, é com plicado. Eu e Lucas tem os um a história de m uita m ágoa. Pretendo m e afastar.
— Mas você gosta dele? — Franziu a testa, sorrindo.
— Sim . Muito.
— Então não há m ágoas, querida. Som os hum anos, propensos ao erro. Agora m e diz: “É m elhor
perdoar e am ar intensam ente? Ou ter m etade da felicidade com outra pessoa por um orgulho bobo?”.
Ela sorriu e se levantou.
— Não é pra m e responder. Apenas pense nisso. Deus sabe que m eu falecido m arido não foi santo. Mas acabou que m eu am or era m uito grande, éram os j ovens e idiotas. Criam os um a fam ília