Impulso

Gisele Souza · Capítulo 44 de 47

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Impulso

Bônus Extra

Estaremos olhando por vocês, para sempre.

Sua mãe que os ama muito, Laiana.

***

Ao fim daquela carta, m eu coração se livrou de qualquer m ágoa que poderia restar da m inha

m ãe. Ela am ou tão intensam ente que não restou m uito depois que papai se foi. Olhei para Lay la e

sorri, ela chorava silenciosam ente e acariciou m eu rosto, entrelacei m eus dedos nos dela e dei graças

a Deus por ter m e dado um a irm ã tão especial.

De m ãos dadas olham os para o horizonte e soubem os com certeza que eles estavam , sim ,

olhando por nós.

BÔNUS EXTRA

Casamento de Layla & Bruno

Layla

Eu estava m uito nervosa. A sem ana foi um a loucura, casar dá m uito trabalho. Mas estava

ansiosa para que chegasse logo o m om ento de contar ao Bruno o segredo que eu guardava. Ele iria

surtar!

O vestido que escolhi era diferente, apesar de ser um branco tradicional, tom ara que caia com

pedras bordadas no busto, eu insisti num a faixa verm elha que descia j unto com a cauda. Por m ais que

eu parecesse doce e gentil, ainda assim era um a m ulher fogosa e cheia de vontades, e m eu futuro m arido sabia m uito bem disso. Minha personalidade nunca foi fácil de decifrar, e o verm elho m e

traduzia com pletam ente.

Meu coração batia descom passado no peito. Olhei para o lado e vi que Lucas sorria

am plam ente para m im . Meu irm ão estava lindo de terno preto, cam isa branca e gravata verm elha.

Contudo, em seus lindos olhos verdes havia um a tristeza que tentava esconder a todo custo, Queria

tanto que ele fosse feliz, e só havia um a pessoa capaz disso. Esperava que eles se dessem conta disso

antes que fosse tarde dem ais.

— Pronta, Lala?

Assenti e sorri, lem brei-m e de um a coisa que o Bruno m e disse no dia anterior antes de

dorm irm os nos braços um do outro, nus e saciados.

— Não se esqueça, eu vou ser o cara de pé no altar com o sorriso mais idiota do mundo.

Com o confundi-lo? Não existia hom em igual na face da Terra. Bruno era tudo na m inha vida. Ele

foi a pessoa que m e ensinou a viver plenam ente, am ar e m e entregar. Sem pre seria a m inha

inspiração!

Peguei no braço do m eu irm ão e fom os cam inhando para o quintal atrás da casa da m inha sogra.

Dona Marisa insistiu que nosso casam ento fosse lá, e eu não podia estar m ais feliz. Assim que

chegam os à esquina da casa, a m úsica com eçou. Meu coração virou um a bagunça e fiquei com m edo

de ter um treco antes do “sim ”.

Lucas deu um aperto na m inha m ão e sorriu am avelm ente. Assenti de leve e com eçam os a

cam inhar para o tapete verm elho que m e levaria até o m eu garanhão.

A decoração tinha ficado perfeita, orquídeas de todas as m inhas cores preferidas adornavam a

passagem . Um arco decorava o início da passarela. Os convidados estavam bem acom odados e

sorriam m e observando. Quando levantei o olhar, tive vontade de chorar de em oção.

Bruno tinha o seu olhar fixo em m im , nem piscava. Seus olhos azuis, que tanto am ei desde o

início, brilhavam em ocionados, seu sorriso safado estava ali. Só pra m im . Nossa, com o eu am ava

cada pedacinho daquele cara sarcástico e sedutor! Prendi m eus olhos nos dele e cam inhei em sua

direção. Nada m ais existia, só nós dois.

Ele sorria lindam ente e disse sem que saísse som : Eu te amo. Senti m inhas pernas bam bas. Era

sem pre assim ao ouvir aquelas palavras. Perguntava-m e o que tinha feito de bom para m erecer um

cara com o ele.

Quando dei por m im estava parada à sua frente e Bruno apertava a m ão do Lucas com um m eio

abraço, fraternal.

— Você está levando a única fam ília que tenho, Bruno. Sei que estão j untos há m uito tem po, m as

agora é pra valer. Faça o que estiver ao seu alcance para fazer m inha irm ã feliz. Você é o m elhor que

poderia ter acontecido a ela, sej a sua fonte de inspiração todos os dias.

Lucas m e em ocionou com suas palavras, Bruno sorriu e assentiu entendendo o que ele quis

dizer. Então, m eu irm ão se encam inhou para o lado de Alberto e de Maurício, nossos padrinhos.

Bruno sorriu e beij ou m inha testa, olhou em m eus olhos e acariciou m eu rosto com o dorso da m ão.

— Pronta para ser m inha pro resto da vida?

Assenti, pois era incapaz de falar tam anha a em oção que existia dentro de m im . Param os em

frente ao cerim onialista que logo deu início à cerim ônia. Ele falou sobre am or e casam ento, confesso

que fiz um esforço para escutar e entender, m as com o? O calor do corpo do Bruno m e distraía e m eu

peito estava repleto de tantos sentim entos que achei ser m eio im possível, então apenas curti o

m om ento.

Quando chegou a nossa vez de fazer os votos, nos viram os um de frente para o outro sorrindo,

m as ele falaria em prim eiro lugar:

— Um a coisa que poucas pessoas sabem é que eu conheci a Lay la m uito antes do bar, eu salvei

a vida de quem ela m ais am ava e tive o m eu anj o enviado por Deus. E no dia que ouvi sua voz rouca

cantando com tanto sentim ento naquele palco... ah, eu tinha que tê-la. E desde aquele m om ento em

que coloquei m eus lábios sobre os seus nunca m ais fui o m esm o. Enfim , tinha encontrado o que m e

faltava e eu nem sabia que era apenas m etade até você aparecer. Você m e com pleta e transborda, sem

seu sorriso sou só m ais alguém na m ultidão. Nosso am or aconteceu tão rápido que nem vim os o que

nos acertou, m as eu não m udaria nada da nossa história. Fom os felizes dem ais esses quatro anos, e

serem os m uito m ais o resto da vida. Eu te am o com tudo que eu tenho, sou capaz de qualquer coisa

para ver sem pre esse olhar lindo de felicidade. E prom eto, m eu anj o, te am ar e respeitar, na alegria e

na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias e além das nossas vidas aqui na terra.

As lágrim as desceram por m eu rosto e nem m e preocupei de enxugar, com o eu sabia que iria

chorar m inha m aquiagem era à prova d’água. Bruno se superou em sua declaração, sentia com o se

m eu peito fosse explodir. E eu pudesse voar de tanta felicidade. E, então, era m inha vez:

— Quando eu te vi a prim eira vez no m eio daquelas pessoas que estavam no bar se divertindo

com os am igos, eu pensei: “Olha, aquele cara tem os olhos m ais lindos que j á vi”. Então, im aginei

com o seria ser am ada por um cara tão intenso, m as tinha m uito m edo de perder m ais alguém que

im portava. Contudo, m eu coração traiçoeiro não m e ouviu, ele se apaixonou perdidam ente. Eu te

achei totalm ente atrevido no início do nosso relacionam ento, m as sabe, não m udaria nada. Porque talvez se você fosse diferente eu não teria perm itido m e entregar. E eu estava certa, Bruno. Você foi o

que eu m ais pedi a Deus, que m e fez plena e inteira. Com o você, eu tam bém era apenas m etade. Sim ,

eu te am o com todos os defeitos e virtudes, m eu garanhão sem -vergonha que m e conquistou e

arrebatou o m eu coração, o cara de olhos azuis que m e seduziu e enlouqueceu. Então, sim , eu

prom eto te am ar todos os dias de nossas vidas e além , em todos os m om entos felizes e tristes, ser fiel

e te apoiar em tudo que fizer. E com o j á dissem os um a vez, o para sem pre é pouco, te am arei ao

infinito.

Aplausos e gritos eram ouvidos. Bruno m e puxou pela cintura e beij ou m eus lábios com calm a e

vontade. Saboreando cada pedacinho da m inha boca, nossas línguas se encontraram e com o sem pre

acontecia um choque percorreu por todo o m eu corpo. Uníam o-nos intensa e calorosam ente, em um

sim ples beij o. Ele sorriu na m inha boca e falou:

— Você é a coisa m ais linda da m inha vida. Te am o dem ais, anj o.

Nos viram os para nossa fam ília e am igos e recebem os as felicitações. Meus olhos encontraram

com os do Lucas e pude ver a felicidade dele por eu estar realizando m ais um sonho. Sem pre m e

preocupei com a felicidade dos outros e nunca tive nada, m as há quatro anos tom ei m eu garanhão e

decidi fazer da m inha vida a sua.

Fom os abraçados e congratulados por m uita gente. Quando, enfim , conseguim os sentar m eus pés

estavam m e m atando, porém ao olhar o sorriso feliz do am or da m inha vida não m e im portava com

m ais nada. Ver Bruno feliz m e fazia feliz.

Ao olhar ao redor percebi que tudo valeu a pena, todos os problem as que tivem os nos

prepararam para esse dia perfeito. Apenas m eu irm ão m e preocupava, ele e Sabrina não se entendiam

e m eu m edo era que a m ágoa se tornasse m aior que o am or. Seria um a pena, pois eles se encaixavam

com o poucas vezes vi.

Ana e Alberto continuavam no m esm o arranca rabo de sem pre, e alguém teve a feliz ideia de

colocá-los sentados j untos. O que não foi m uito legal, pois no m om ento eles estavam em um a

discussão acalorada sobre qualquer bobagem .

Heitor se m antinha distante de todos, sério, e com o sem blante entristecido de sem pre. Tinha

pena do m eu am igo, o que quer que tenha acontecido em sua vida deveria ter sido sério. Esperava

que tudo se resolvesse, ele m erecia ser feliz.

Um a m ão forte e quente envolveu a m inha por debaixo da m esa e entrelaçou nossos dedos. Olhei

para o lado e aqueles pontos azuis que tanto am ava, m e encaravam com am or e cum plicidade.

— Está feliz, m eu am or?

— Dem ais! — Bruno sorriu roubando todo ar dos m eus pulm ões, nunca m e acostum aria com o

efeito que ele exercia sobre m im .

Ele se aproxim ou e seus lábios roçaram o lóbulo da m inha orelha causando arrepios em m eu

corpo e m e acendi com pletam ente.

— Não vej o a hora de levar a m inha m ulher pra cam a. — Riu roucam ente. — Mas m e parece

que vam os ter que esperar, tem os m uita festa ainda pela frente. E se prepare, é hora dos brindes.

Ele afastou-se com os olhos brilhantes e olhou para frente, virei-m e e percebi Alberto com um a

taça na m ão, que com eçou a tilintar porque ele estava batendo um garfo para cham ar atenção.

— Por favor, pessoal, preciso que vocês ouçam o que tenho para falar. Sei que estão esperando

discursos e conselhos para o casal, m as esse é um casam ento distinto de m uitos. Lay la e Bruno não

precisam de conselhos, pra quem não sabe esse dois foram feitos um para o outro, sem som bra de

dúvidas — Sorriu levantando a taça nos brindando. —, e por isso não vou dar nenhum conselho

am oroso, m esm o porque eu não sou a pessoa m ais indicada para isso. — Os convidados riram da sua

gracinha e Alberto piscou para m im , que logo acenei em resposta. — Porém , eu gostaria de falar

algum as coisas... Quando conheci o Bruno encontrei m eu m elhor am igo, o irm ão que não tive.

Vivem os m uitas aventuras e farras, m as nunca durante o nosso convívio, o vi tão feliz do que quando encontrou seu anj o. Lay la transform ou m eu irm ão no cara que ele devia ser, o am or tem dessas

coisas. Faz-nos m elhor do que som os, faz com que queiram os ver o sorriso da pessoa am ada e ter a

certeza que foi você que colocou lá. E vej o o orgulho no Bruno cada vez que sua am ada esposa sorri.

Obrigado, Lay la. Por fazer do m eu irm ão de coração um hom em realizado!

Nesse ponto m eus olhos estavam m arej ados e apenas sorri para ele, Alberto tinha se tornado tão

essencial na m inha vida com o todos da fam ília. Ele realm ente fazia parte de nós e o agradeci pela

am izade com m eu am or.

Bruno m e abraçou e cheirou m eu cabelo. Outra voz se fez m ais alta que toda a balbúrdia da

festa. Meu irm ão havia se levantado e repetia o gesto de Alberto com a taça de cham panhe. Meu

coração se apertou, toda vez que Lucas falava m e preparava para grandes em oções.

— Depois desse m onte de baboseira, preciso salvar o brinde dos padrinhos. — Lucas riu para

Alberto, que fez um gesto feio para ele, arrancando risadas de todos na festa. — Bom , o que eu tenho

para dizer não é um discurso ou conselho que, com o m eu am igo ressaltou, eles não precisam . O que

eu vou falar é um agradecim ento. Eu fui criado pela m inha irm ã desde os cinco anos, Lay la foi m inha

am iga, irm ã, com panheira e m ãe. Meu porto seguro, sem pre esteve ali para o que eu precisasse. Com

o passar dos anos, vi m inha irm ã trabalhando m uito para m e dar um futuro decente e fiz o m eu m elhor

para ser m erecedor de tudo isso. Só que m e lam entava todos os dias por ela não ter tido a

oportunidade de viver sua própria vida. Poder errar com o qualquer j ovem , sair e nam orar, fazer

am izades... Nossa vida com eçou com m uitas perdas e sei que foi o que pesou para se tornar tão

receosa quanto a envolvim entos. Eu e Lay la sem pre tivem os um ao outro, m as m esm o assim era um

pouco solitário. Nem sem pre conseguia suprir toda a carência que m inha irm ã precisava. E quando

ela encontrou o Bruno foi com o ver um a flor desabrochar, tudo que eu sabia que ela era capaz foi

realizado ao lado da sua alm a gêm ea. Lay la e Bruno provaram para m im que am ar não precisa ser

triste, não precisa ter m edo, que é apenas se entregar e aproveitar cada dia o m áxim o que puder.

Porque, na verdade, não sabem os quando chegará o nosso fim . Independente da vida ou da m orte, sei

que o am or de vocês prevalecerá. Então, m inha irm ã, eu sou grato por cada m ilésim o de segundo que

passei ao seu lado, por tudo que m e ensinou e continua m e ensinando. Obrigado, m ãe! Aos noivos.

Lucas levantou a taça e brindou a nós com seu sorriso lindo de m enino; e eu, que j á chorava

desde que ele com eçou a falar, devolvi seu sorriso. Ouvir aquilo tudo do m eu irm ão foi com o

finalizar um ciclo, aquele que eu tinha m edo. Mesm o que tenha passado tantos anos ao lado do Bruno, o m edo de perdê-lo ainda estava presente. Com as palavras do Lucas percebi que independente do

que acontecesse nosso am or estaria ali, dentro de m im .

Senti Bruno se aproxim ando e sua respiração fez cócegas em m eu pescoço.

— Te am arei ao infinito, anj o. Eternidade é pouco para nós.

E eu apenas poderia concordar e m eu coração foi acalentado com a prom essa que nem m esm o a

m orte nos separaria. Nosso am or era m uito m aior do que im aginávam os, nossa alm a era um a só.

***

Lua de mel

Bruno

Nós pegam os um final de sem ana de folga, Lay la não queria se distanciar m uito do bar e eu tinha

que trabalhar no hospital. Mas tudo bem , porque estava m e deliciando na praia. Minha m ulher, linda

com o sem pre, ostentava um biquíni verm elho que contrastava com sua pele branca e m acia. Assim

com o seu vestido de noiva, ela era um a contradição sem tam anho, e eu a am ava. Eu a observava da

areia, brincando na água. Decidi, então, m e j untar a ela.

Devagar e silenciosam ente m e aproxim ei por trás. Lay la estava de costas olhando para o m ar

sem fim à sua frente. Enlacei-a pela cintura e prontam ente ela se recostou em m eu peito sorrindo.

— Com o você sabia que era eu? E se fosse um tarado?

— Porque eu sinto o calor do seu corpo de longe, garanhão.

Sorri e beij ei seu pescoço salgado e quente.

— O que você está pensando, m eu am or? Tá olhando tanto pra água.

Lay la suspirou profundam ente.

— É que estou feliz dem ais. Minha vida tem sido linda e perfeita, não quero que term ine nunca.

Sinto-m e cada vez m ais com pleta. Ainda m ais com o am or m aior que carrego dentro de m im .

— Uau, eu sei que m e am a, anj o. Mas caram ba, que palavras lindas!

Ela se virou com um brilho diferente em seus olhos verdes. Sorriu lindam ente com o nunca tinha

visto, estava diferente e parecia serena.

— Você m e deu tudo o que eu queria e ainda não sabe, e agora m ais do que nunca sou um a

m ulher realizada. Daqui a sete m eses vam os ter m ais alguém em nossa fam ília.

Fiquei olhando pra ela sorrindo e absorvendo o que m e disse, fiz algum as contas e arregalei os

olhos. Olhei seu corpo lindo e gostoso e m e distraí um pouco, m as logo sacudi a cabeça e observei a

barriga plana da m inha m ulher. Engoli em seco.

— Você... está grávida?

— Estou sim , de dois m eses. Fiquei sabendo sem ana passada e queria te contar nesse m om ento

especial.

Eu não podia acreditar na felicidade que estava vivendo. Era bom dem ais, tinha m edo que fosse

um sonho. Não disse nada. Peguei-a nos braços e gritei tão alto em agradecim ento por ter a fam ília