Impulso
Nota da Autora
BÔNUS EXTRA
AG RADECIMENTOS
A AUTORA
CONTATO
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NOTA DA AUTORA
Impulso é o segundo livro da série Inspiração, com posta de quatro obras.
Cada um a focará em um casal protagonista e contará um a história diferente.
Siga esse im pulso e em ocione-se com essa linda história de am or.
PRÓLOG O
Quando a vida te im põe certas situações, você tem que erguer a cabeça e seguir em frente. Pelo
m enos, era assim que eu pensava.
Para quem olha de fora, pode achar que tive um a vida tranquila porque m inha irm ã pagou por
m eus estudos, não tive que trabalhar para m e sustentar até ficar m ais velho. Cursei faculdade de
Medicina e m e form ei com louvor. Sou um m édico residente em Ortopedia com um futuro brilhante
pela frente.
Só que quando você tem um peso em seus om bros, com o ser responsável, o m elhor aluno, um
irm ão exem plar, você sim plesm ente não vive, não erra. Isso é inadm issível. Sem pre serei grato por
Lala ter m e criado e transform ado no hom em que sou hoj e. Ela m e deu am or, carinho e atenção. No m esm o dia que perdem os nosso pai, m inha m ãe se enterrou com ele. Desde então, tudo de bom que
ela era se foi e, por isso, nos abandonou; não fisicam ente, m as restou apenas um a casca vazia do que
j á havia sido. Sei que não devia odiá-la, pois ela sofreu m uito com a perda do seu am or. Contudo,
para um garoto era com plicado pensar assim . Eu queria som ente seu apoio e carinho, e não tive.
Fiquei m uito tem po reprim indo um a m ágoa que se construiu desde a m inha infância, e foi
libertada de um a vez só, um a fúria e irresponsabilidade tom ou conta de m im porque foi provocada
por apenas um a pessoa. Acho que não levo bem um a rej eição.
Apaixonei-m e pela prim eira vez na escola prim ária. A garota era da m inha sala e nerd com o eu.
Até que foi legal enquanto durou; j am ais esqueci o m eu prim eiro beij o. Mas só isso. Nada que
abalasse m inhas estruturas. Porém , houve alguém que conseguiu fazer do m eu coração um terrem oto
de grau cinco na escala Richter.
Quando eu conheci Sabrina Petri, senti nela um a liberdade que nunca experim entei. Tive um
vislum bre de um am or forte, sincero e livre.
Ela era linda com aqueles olhinhos claros que m e encantaram profundam ente. Além disso, era
divertida com o eu tinha dificuldade de ser, não tinha papas na língua, falava o que bem entendia e
não se arrependia. Tornam o-nos bons am igos. Adorava sair com ela. Sentia-m e protetor, não o
protegido com o estava acostum ado.
Ela era daquele tipo de garota que gosta de dar um a de durona, só que no fundo eu sentia que ela
precisava de m uito carinho e foi o que lhe ofereci. Deixei-m e levar, e fiquei totalm ente apaixonado.
Com ela, eu podia viver sem am arras. Nunca m e esqueceria do nosso prim eiro beij o.
A prim eira vez que visitei a casa da fam ília do Bruno, am igos e parentes não perderam a chance
de conhecer a responsável pelo “garanhão” da fam ília Petri se am arrar. Eram pessoas boas e
am igáveis. Porém , subitam ente, m e vi rodeado de m eninas de várias idades. Eu estava acostum ado a
esse tipo de atenção na faculdade, m as não queria dizer que ficava confortável. Além do m ais queria
passar um m aior tem po com Sabrina e não conseguia.
Eu estava um pouco louco por ela. Não sabia aonde iria nos levar a “am izade” que surgiu,
contudo podia perceber que a recíproca era verdadeira. De repente, um a loira, que era m uito bonita e
gostosa, se aproxim ou sentando-se ao m eu lado e falou no m eu ouvido que estava m orrendo de
vontade de m e m ostrar o seu quarto. Sua m ão deslizou pelo m eu braço dando um leve aperto. Eu não
tive tem po de recusar. Com os olhos azuis enraivecidos, Sabrina veio em nossa direção e em purrou a
garota na piscina, com cadeira e tudo. Gritou com ela para que m antivesse distância de m im e saiu
pisando duro.
Eu não sabia o que fazer até Lay la vir m e alertar. Saí em disparada casa adentro a procurando.
Encontrei-a na varanda da frente, sentada na cadeira de balanço com os olhos fechados. Parecia
realm ente chateada; eu não sabia com o agir. Era inexperiente em relação aos sentim entos fem ininos.
— Sabrina, o que você está fazendo?
Ela abriu os olhos e m e fitou. Percebi que havia m uita dor em seu interior.
— Desculpe pelo show. Descontrolei-m e, não vai acontecer m ais, prom eto.
Aproxim ei-m e devagar para não alarm á-la. Não podia adivinhar do que ela era capaz.
— Por que fez aquilo?
— Não sei. — Suspirou, fechando os olhos.
Fiquei incom odado com aquela situação constrangedora e, de repente, queria sair dali.
— Vam os dar um a volta? Sei lá, passear, espairecer.
Ela se virou e sorriu levem ente.
— Vam os, sim .
Acom panhei-a até o carro e sentei no banco do carona. Percorrem os a cidade sem ter onde
parar. Depois de um tem po, Sabrina se aproxim ou de um a praça afastada da avenida principal. Tinha
um rio ali onde os casais costum avam andar abraçados, observando a noite e ficar nam orando.
Descem os e sentam os em um dos bancos. Havia um a fonte com um a estátua de m ulher nua. Um a
dessas obras que eu não entendo bem . Mas aquela coisa de pedra m e lem brou da m ulher sentada ao
m eu lado. Sabrina parecia m aleável, brincalhona e extrovertida. Mas, quando você a conhece m elhor,
percebe que é quase feita de pedra. Algum a coisa havia acontecido para que endurecesse seu
coração. Ela achava que eu não percebia, porém , a cada investida m inha, ela dava um passo atrás e
isso estava se tornando extrem am ente frustrante.
Seus olhos estavam perdidos, vagando para qualquer lugar que não fosse o m eu rosto. Peguei
seu queixo entre os m eus dedos e a fiz m e encarar.
— O que você está pensando? — Ela engoliu em seco e balançou a cabeça.
— Nada com que tenha que se preocupar, no m om ento eu só quero esquecer. — Abriu os olhos
m e encarando; era tão intenso tudo que se passava dentro dela. Dizem que os olhos são o espelho da
alm a e, naquele m om ento, Sabrina estava exposta para m im , totalm ente vulnerável. — Me faz
esquecer tudo, Lucas.
Movi-m e no autom ático e aproxim ei a boca do seu rosto. Minha intenção era apenas dar um
beij o leve na bochecha, m as Sabrina se virou e enlaçou m eu pescoço em um beij o arrebatador que
sugou todas as m inhas boas intenções, literalm ente. Deslizei a língua por sua boca quente e gem i de
prazer. Ela se acom odou com as pernas em cada lado das m inhas, segurando m eu rosto com as duas
m ãos e assaltando m inha boca freneticam ente.
Segurei sua cintura e não m e fiz de rogado. Ela estava tão entregue que podia tom á-la ali m esm o
que não haveria resistência, porém não era com ela m achucada e confusa que a teria. Som ente com
sua entrega total.
Daí por diante eu fiquei totalm ente e irrem ediavelm ente perdido. Tornam o-nos am igos e ela se
afastou ainda m ais de toques íntim os.
Resolvi dar um a decisão em nosso relacionam ento. Mas ela quebrou m eu coração dizendo que o
que tínham os era som ente am izade e nada m ais. Eu tinha quase certeza de que o que eu sentia era
recíproco no m esm o grau e intensidade. Talvez tenha interpretado errado o que ela disse aquele dia
sobre fazê-la esquecer. Fui um tolo apaixonado e m e enganei. Em consequência dessa rej eição, tudo
o que reprim i por anos se libertou de um a vez só. Não sei bem por que m e transform ei em um cara
m eio odioso, que usava as m ulheres apenas com o obj eto. Eu não era assim , não foi desse j eito que
m inha irm ã m e criou. Mas não consegui desviar dessa m inha nova conduta e tentei esquecer o am or
que tinha por aquela garota que queria ser apenas m inha am iga.
Só que, após quatro anos, eu ainda tinha Sabrina gravada a ferro e fogo em m eu peito. Não havia
com o escapar de algo que havia se enraizado dentro de m im , e desconfiava que nunca existisse
alguém que se assem elhasse ao que eu sentia por ela.
***
Estávam os em um a noite dos caras no Beer, enquanto as m eninas estavam na casa da m inha
irm ã.
Fazíam os isso, às vezes, e era bem legal, porém estava com m uita vontade de ir para casa.
Não havia nada de m uito interessante no bar. As m ulheres passavam e se insinuavam , m as com a
lem brança do beij o que invadiu m inha m ente e toda a m erda que veio depois não estava de bom
hum or.
Alberto conversava com Bruno e Heitor em um a m esa de frente para o balcão. Ele levantou a
cabeça e m e encarou franzindo a testa, fez um a careta e se levantou aproxim ando-se.
— Qual é, Lucas? Que cara m ais feia é essa para um dia que era pra ser divertido. Afinal,
não é todo dia que a gente vê o garanhão do pedaço se enforcar. — Balançou as sobrancelhas,
sorrindo.
Não consegui segurar m inha risada, o hum or do Alberto era sem pre m uito contagiante. E no
fim das contas, era pura verdade. Mas não que Bruno não estivesse feliz em se enforcar, o cara era
apaixonado por m inha irm ã.
— Não se preocupe com igo, estou bem .
— Aham , sei! Bom , só digo o seguinte... Não se im porte tanto com alguém que não liga para
você. É perda de tem po, eu sei! — Sua voz soou tão am arga que o encarei.
— Está falando da Ana?
Suas narinas inflaram e ele desviou o olhar. Quando voltou a m e olhar, percebi que em seus
olhos havia apenas saudade e m ágoa.
— Não im porta! Apenas ouça o que eu disse. — Sorriu am argam ente. — Bem , m as com o
disse... hoj e é o dia de com em orar que o m ané vai se enforcar. Vam os lá beber até cair.
Levantou-se e voltou para a m esa dos caras, sorrindo e m exendo com Bruno, que nem se
im portava com as provocações do am igo. Respirei profundam ente e o segui. Conversam os m ais um
tem po e, de repente, a porta foi aberta por um furacão de cabelos castanhos. Seus olhos vagaram
pelas m esas até encontrar seu alvo. Ao m eu lado, vi que Bruno ofegou baixinho, m as eu ouvi sua
respiração falhar. Lay la não tinha um a cara m uito boa.
— Acho que tem gente em apuros! — Heitor deu voz ao que eu pensava.
Bruno virou-se para Alberto e o fuzilou.
— O que você disse para ela?
— Que teríam os um a despedida de solteiro com m uitas strippers. — Sorriu dando de
om bros.
Bruno levantou-se de um im pulso e saiu em disparada, não antes de soltar um babaca para o
am igo. Ele se aproxim ou da Lay la e falou com ela, que discutiu um pouco até que foi calada por um
beij o. Desviei o olhar e encarei Alberto.
— Por que fez isso, cara? Não sabe o quanto a Lay la é esquentadinha?
— Lucas, m eu am igo, vej a bem : eu falei um a m entirinha, sabia que ela viria atrás. Foi só para
apim entar a relação, eles não podem cair na rotina. E depois de um a explosão dessas, vão passar a
lua de m el felizes.
Fiz um a careta. Na cabeça do m eu am igo louco isso poderia aj udar, m as, m esm o assim eu
tinha receio, m inha irm ã não era fácil. Porém pareceu que seu plano deu certo, Bruno e Lay la saíram
abraçados e nem se despediram .
— Bom , j á que o “enforcado” se foi... tam bém vou nessa, pelo visto a reunião das m eninas j á
acabou. Vej o vocês am anhã, vistam -se direito, hein, seus m alucos. Nada de roupa de m otoqueiros.
Eles sorriram e assentiram . Achei m elhor ir em bora de um a vez. Não estava m e sentindo à
vontade e o dia seguinte seria um acontecim ento im portante para a Lay la e queria dorm ir bem .
Cheguei em casa rapidam ente, pois j á era tarde e o trânsito estava tranquilo. O carro da
Sabrina j á estava na garagem e m e preparei para ignorá-la. Não estava a fim de j ogar conversa fora.
Nossa vida m orando j untos não foi fácil. Estávam os sem pre no lim ite e prontos para explodir. E se
ela puxasse conversa, ou viesse com as provocações sobre as m ulheres com quem eu saía, com
certeza teria briga das feias.
Mas ao entrar em casa vi que tudo estava escuro e em silêncio. Fui até seu quarto e não havia
qualquer m ovim ento, acendi a luz do corredor que ilum inou o côm odo e a vi deitada na cam a.
Sabrina estava deitada de bruços, dorm indo tranquilam ente. Vestia apenas um a blusa velha e
um a calcinha; e o engraçado que era um a das m inhas cam isetas antigas que achei ter perdido. Podia
parecer loucura, m as um orgulho se apoderou do m eu peito por ela usar algo que m e pertencia.
Nesse tem po que vivem os j untos, Sabrina nunca m e tratou diferente de um am igo. Às vezes,
eu notava certa atração física, m as parava por aí. Nunca expressou sentim entos com o os que havia
em m eu coração. Suspirei e foquei m eu pensam ento no fato que ainda a tinha ao m eu lado. Isso devia
bastar, né?
Só que não bastava, pois eu sem pre quis e vou querer m ais do que o cargo de am igo dela. Eu
a queria por inteiro. De corpo e alm a. Nunca m e contentaria com m etade do que ela poderia m e dar.
Eu necessitava de tudo. Meu coração só seria acalentado se ela retribuísse ao m eu am or.
Esperava que não dem orasse dem ais, porque um sentim ento pode se desgastar por falta de
reciprocidade.
Fui dorm ir, porque o dia seguinte seria im portante e eu teria que fingir, m ais um a vez, ser
quem eu não gostava. Estava cansado dessa vida de hom em galinha e sem coração. Já percebia que
estava chegando a hora que m inha m áscara de rebeldia cairia.
Meu últim o pensam ento antes de fechar os olhos foi para a m ulher que dorm ia no quarto ao
lado. Fiz um a oração pra que não dem orasse para ela estar em m eus braços. Já não aguentava m ais.
***
Quando Ana Luíza m e ligou dizendo que nos reuniríam os na casa do Bruno, não achei que seria
isso que estava acontecendo. Tinha um cara vestido de bom beiro dançando no m eio da sala. E, m eu
Deus, ele arrancou a calça num puxão ficando apenas de tanguinha.
Lay la alternava entre encarar o cara e a Ana, que pulava e gritava. Achei que m inha cunhada iria
desm aiar. Tive que agir antes que fosse tarde e ela tivesse um troço. Aproxim ei-m e e a puxei pela
m ão, levando-a para a cozinha.
— Lay la, respira! Você vai ter um ataque.
Seus olhos verdes arregalados se viraram pra m im e ela abriu e fechou a boca.
— Sabrina, Ana é m aluca! Onde ela estava com a cabeça quando pensou em trazer um stripper
pra casa? Ai, m eu Deus! Se Bruno fica sabendo, a casa vai cair na m inha cabeça.
— Calm a, ele não vai. Saiu com o Alberto e os m eninos.
Ela assentiu, m as subitam ente m e encarou.
— Filho da m ãe, ele disse que levaria o Bruno para um a despedida de solteiro. Eu m ato o
Alberto!
Ela saiu pela porta dos fundos com a chave nas m ãos e furiosa. Bem , se realm ente tinha um caso
parecido com o que tínham os na sala, Alberto estava ferrado.
Voltei para a sala e o bom beiro de tanguinha rebolava na frente da Larissa, que tentava não
olhar, m as, sem poder evitar, dava um a conferida no m aterial do cara. E a Ana? Quase m orria de rir.
Cham ei sua atenção, e ela se levantou segurando a barriga, que devia estar doendo de tanto rir.
— Que foi, Sá? Onde está nossa cunhadinha querida? O bom beiro ali quer apagar o fogo dela.
— Riu m ais um pouco.
— Ela foi atrás do Bruno. Parece que Alberto ia levá-lo para um a despedida de solteiro. O
am eaçou de m orte se tivesse stripper.
O sorriso de Ana esm oreceu, seus olhos adquiriram um tom escuro e ela torceu a boca num a
careta.
— Bem , ele tem experiência nessas coisas.
— É, né? E pelo j eito você tam bém ! O que m e diz do bundinha redonda ali?
Ela virou-se e encarou para onde m eu dedo indicador apontava. O bom beiro dançava, passando
a m ão pelo corpo. Na verdade aquilo estava m ais engraçado que sexy.
— Até que ele é gatinho. Mas m e diz, Sá. O que você quer?
— Tem os que esvaziar a casa e, pelo que conheço da nossa cunhada, logo ela estará aqui com o nosso irm ão. E você quer que o Bruno saiba que trouxe um cara pra dançar pelado para a sua futura
esposa? — Arqueei um a sobrancelha esperando a reação que sabia que viria.
Ana fez um a careta, m as logo com eçou a despachar o pessoal. Levou um a bronca da Larissa e
ainda passou a m ão no bom beiro antes de sair. Peguei m eu carro e parti antes que Lay la voltasse com
o Bruno. Em casa, estava tudo escuro e presum i que Lucas ainda não havia retornado. A decisão de
continuar m orando ali foi m inha, por contenção de despesa e pelo fato de não conseguir m e afastar.
Mas ver o vai e vem dele nas baladas m e incom odava dem ais. Sei que não tinha o direito, porém não
queria dizer que doía m enos.
Tom ei um banho rapidam ente e voltei para o m eu quarto, procurei no guarda-roupa algum a coisa
confortável para vestir. Encontrei um a cam iseta velha que roubei do Lucas uns m eses atrás. Levei-a
até o rosto e aspirei o perfum e que havia sido m antido no tecido. Fechei os olhos e deixei a saudade
m e consum ir, m eu coração pedia sem pre por ele e não podia.
Vesti a cam iseta e deitei de bruços, sem conseguir pegar no sono. Era sem pre assim , enquanto
ele não chegava em casa ficava preocupada. Após m eia hora ouvi o barulho da porta se abrindo e
fechando, fingi que estava dorm indo e senti-o m e observando. Era um ritual quando m e encontrava
“dorm indo”. Não dem orou m uito, e saiu entrando em seu próprio quarto.