Impulso
Capítulo 22
de felicidade.
O am or da m inha vida tinha chegado.
CAPÍTULO 22
Lucas
Assim que cheguei ao bar, a procurei com o olhar, e encontrei-a dançando com o irm ão. Lay la
m e viu do palco e sorriu, pisquei para ela e m e dirigi ao balcão para observar Sabrina de longe. Só
não dem orou m uito até que m e notou, devia ser algum a coisa que nos ligava, pois sem pre sentíam os a
presença um do outro.
Sorri am plam ente com todo am or que havia em m eu coração, e o que recebi em troca valeu todo
o tem po que fiquei louco no hospital querendo vê-la e falar com ela. Perdi a conta de quantas vezes
peguei o celular e desisti no m eio do cam inho. Não queria parecer pegaj oso nem nada, então preferi
refrear m inha vontade de ouvir sua voz.
Deixei ter seu tem po com o irm ão e m e virei para beber algo enquanto a esperava. Dei de cara
com Heitor rindo da m inha cara com um sarcasm o evidente no olhar.
— Que foi, cara? Nem vem ...
Ele j ogou a cabeça pra trás e deu um a gargalhada. Palhaço, sabia o que viria por aí.
— Fala sério, Lucas. Você nem sabe o que eu iria dizer.
— Com essa cara de babaca aí, eu posso até im aginar. — Me sentei no banco e olhei em seus
olhos.
Apesar de nos conhecerm os e serm os am igos, sabia m uito pouco da vida do tatuado.
— Ah, tipo que você disse que não iria se envolver com ninguém e que preferia ficar sozinho?
— Exatam ente. Sabrina não é ninguém . Ela é a m ulher m ais linda, inteligente e interessante que
eu podia conhecer.
Com a m inha resposta ele ficou em silêncio e assentiu com a cabeça. Abaixou-se e pegou no
freezer um a lata de refrigerante, estendendo-a em m inha direção. Ele sabia que em período de
plantão eu não bebia, não valia a pena o gosto ruim na boca e a ressaca no dia seguinte tendo que
encarar m uitos pacientes.
— Tá certo, sem pre tem alguém especial, né?
— Você não tem ninguém assim ? Nunca disse nada, apesar dos casos que sei que tem , nunca te
vi com alguém por m ais de duas vezes.
Ele colocou os cotovelos no balcão com o queixo apoiado nos punhos fechados.
— Não quero sair com alguém m ais que esse tem po para que não criem expectativas. Apesar
de, às vezes, ficar tentado pelo sexo ser bom , m as não é para m im . E respondendo à sua pergunta,
um a vez achei que tinha. Mas m e enganei!
— Sua esposa?
Ele assentiu e desviou o olhar.
— Existem vários tipos de sentim entos Lucas, aqueles que m exem com a gente de um j eito que
você j oga tudo para o alto e corre atrás sem pensar nas consequências, com o um a m ariposa que vai
para a luz e acaba se queim ando. E tem o que você e a Sabrina vivem , que é saudável, pois cada um
sabe o que quer e confia um no outro. A m inha ex nunca tentou m e entender ou confiar. E isso, m eu
am igo, é o fim . Acabou que no final foi tudo um a porra de um desastre total!
Uau, nunca im aginei que tivesse sido tão com plicado. Claro, tinha curiosidade de saber m ais
dele. Poxa, éram os am igos, m as não iria forçar isso. Pude perceber sua dor em cada palavra.
— Mas quem sabe Deus ainda não tenha guardado alguém especial para você? Que vai te fazer
bem , ao invés de m al?
Ele se aj eitou atendendo um cliente. Depois voltou e m e encarou.
— Se isso acontecer, m eu am igo, será um a luz na m inha vida escura.
Heitor sorriu e inclinou a cabeça. Senti duas m ãozinhas m e abraçando pela cintura. Conhecia
Sabrina pelo toque e perfum e inconfundíveis, virei o rosto e m e deparei com seus olhos azuis
brilhantes e lindos.
— Oi. — Me deu um selinho na boca.
— Oi, am or. Com o foi seu dia?
Ela bufou, apoiando o queixo no m eu om bro. Estendeu a m ão e pegou a m inha lata de
refrigerante e deu um gole.
— Um tédio! Bronca, m uito trabalho e colega chato pegando no m eu pé. O que com pensou foi a
esteira depois, descarreguei toda a m inha energia.
Com a m enção da academ ia, eu fechei a cara porque o ciúm e m e corroeu.
— Você viu aquele lobo?
— Ah, que fofo! Tá com ciúm es? — Ela viu m inha cara fechada e revirou os olhos. — Vi sim ,
m as só m e desculpei com ele. Não precisa ficar encium ado, Lucas. Eu não sou assim , você sabe.
— É, m as não deixa de incom odar.
Um pigarro nos cham ou a atenção e olham os j untos para Heitor, que tinha um sorriso preso no
rosto.
— Eu estou aqui, vocês sabem , não precisam com eçar um a briguinha na m inha frente —
desdenhou.
Mostrei o dedo do m eio pra ele, que o fez rir totalm ente. Sabrina se sentou no banco ao m eu
lado e se dirigiu a Heitor.
— Então, ursinho, quando vocês vão viaj ar?
Só era perm itido que ela o cham asse assim . O cara se derretia com Sabrina, adm ito que fiquei
incom odado por um tem po. Mas ele sem pre a tratou com o um a irm ã.
— Am anhã, Alberto adiantou nossos planos. Disse que precisava espairecer. Conversei com a
Lay la e a Elisa, que ficaram de tom ar conta do Beer pra m im . Desde que assum i o bar por com pleto
tem m e dado m uito trabalho. Preciso descansar.
Sabrina sorriu e colocou a m ão sobre a dele que estava apoiada no balcão.
— Tom a cuidado, tá? Vou ficar preocupada com vocês percorrendo essas estradas de m oto.
Ele apertou a bochecha dela carinhosam ente.
— Não se preocupe, baby girl. Vam os ficar bem .
Eu tam bém m e preocupava com os dois. Mas percebi que eles precisavam desse tem po. Às
vezes, algo te incom oda tanto que é preciso se afastar.
Ficam os conversando até que vi Bruno e Lay la se aproxim ando.
— Vam os conversar? — disse Bruno sério.
Não vinha coisa boa disso tudo, porque o notei tenso no hospital, m as ele não quis falar. Só ia
contar tudo quando estivéssem os j untos. Despedim o-nos de Heitor e procuram os um a m esa m ais
afastada.
Lay la sentou ao lado do m arido e entrelaçou seus dedos nos dele. Dali eu j á percebi que viria
m erda, pois ela o estava confortando. Talvez acalm ando. Se j á estava nervoso antes, depois disso
então parecia que ia explodir.
— Bom , a situação é m ais com plicada do que im aginam os. O advogado m e ligou explicando
depois de estudar o caso. Pela lei o crim e de estupro não pode ser m ais indiciado porque o prazo
seria de seis m eses a partir do ato, o que não ocorreu. Agora a única coisa a ser feita é um processo por danos m orais tendo o vídeo com o prova. Então, o cara provavelm ente vai se safar com um a
m ulta a pagar.
Um a fúria que até então não tinha sentido subiu em m eu corpo. Arregalei os olhos, m inha cabeça
estava a m il. Arrependi-m e de não ter socado o cara para não perder a razão, porém m inha vontade
era ir lá agora e fazer exatam ente isso.
Trinquei os dentes para poder conter um pouco a m inha raiva.
— Mais nada, Bruno? Só isso?
Ele respirou profundam ente e balançou a cabeça concordando. Parecia estar m uito chateado
com tudo tam bém , estava calm o agora por ter tido tem po de extravasar. Sabrina estava em silêncio ao
m eu lado. Eu não aguentei.
— Porra, que filho da puta desgraçado!
Levantei-m e subitam ente ignorando as vozes de Lay la e Sabrina m e cham ando. Tinha que sair
dali antes que delatasse todos os nossos problem as. Provavelm ente Bruno escolheu o bar para eu ter
que m e conter, m as isso estava se tornando quase im possível.
Toda a angústia que senti pelo que m inha princesa passou e o cara ainda se safar com algo leve,
m e deixou em fúria total. Encostei-m e em um carro e respirei profundam ente tentando m e acalm ar.
O sistem a era um a m erda! Com o alguém se safa dessa porra?! Mesm o que se passe vinte anos,
quem sofre esse tipo de violência nunca vai esquecer. Por que o causador se livra tão fácil?
Escutei um barulho na porta do bar e vi que Sabrina vinha em m inha direção com o rosto
preocupado.
Merda, não queria incom odá-la tanto! Teria que m e controlar m ais.
— Lucas, não fica assim — falou num fio de voz, m as percebi que estava segurando o choro.
A puxei para o m eu peito, abraçando seu corpo, oferecendo carinho e proteção.
— Não se preocupa com igo, linda. É só que não foi legal saber que o desgraçado vai se safar
num a boa, m esm o tendo um arsenal daqueles.
Ela assentiu e eu beij ei o topo da sua cabeça.
— Bruno disse que, se alguns daqueles vídeos forem recentes e acharm os a vítim a, podem os
persuadi-la a prestar queixa. Mas eu não acredito que ela irá se m anifestar. Ou teria feito desde o
ocorrido.
Assim com o ela não fez.
— Eu sei que você está incom odada com isso tudo, Sá. Não negue.
Ela se afastou, m e olhando nos olhos. Seu rosto estava tenso, contendo reações que sabia que
estavam presas dentro de si.
— Claro que estou, m e culpo por não ter prestado queixa quando aconteceu. Ele não teria feito
com todas as outras. Não estaria livre para fazer de novo.
Levantei a m ão e acariciei seu rosto. Ela se inclinou para o m eu toque e passei o polegar
enxugando um a lágrim a que descia por sua bochecha.
— Eu sei que se sente m al. E concordo que devia, sim , ter denunciado, m as entendo o que você
passou, Sabrina. Ninguém vai te j ulgar por isso, j á te falei. Vai dar tudo certo, não se preocupe.
Puxei-a novam ente e ela se virou ficando de costas para o m eu peito. A abracei, enquanto
ficam os observando as estrelas, estava um a noite fresca e o céu estrelado.
— Sabe, quando eu era m enino Lay la tinha costum e de contar histórias na rede da nossa casa
quando a noite estava assim . Eu gostava m uito, acho que continuou até m eus quinze anos, m ais ou
m enos. Depois m eio que foi estranho ficar ouvindo contos de fadas. — Sorri ao lem brar que j á
estava m aior que ela e ainda m e sentia um garoto quando estávam os j untos. — Me lem bro de que na
últim a vez ela tinha por volta de vinte e um anos e acabava de chegar do trabalho. Eu estava sentado
na escada da frente e Lay la estava exausta. Ela m e cum prim entou e foi guardar suas coisas em casa.
Depois voltou com o livro do Rei Leão, eu sorri e ela com eçou a lê-lo. Quando acabou, m e abraçou
pelos om bros e disse: “Você sem pre será m eu garotinho, Luquinha. Sei que não quer m ais ouvir
histórias, m as quando precisar da sua irm ã sabe que pode contar com igo”.
— O com panheirism o de vocês é lindo.
Sorri e dei um beij o no om bro da Sabrina.
— E ela sem pre esteve ali, sabe? Em todos os m om entos que precisei, tanto para um colo com o
para dividir alegrias ou tristezas. E é isso que eu quero que tenha em m ente sobre nós. Eu posso não
te contar histórias de contos de fadas, m as sem pre estarei aqui pra você, sej a para o bem ou para o
m al.
Ela se virou e cobriu o m eu rosto com as suas m ãos pequenas e m acias.
— Eu sei, m eu am or. Você m e salvou. Foi o m eu príncipe no cavalo branco. Apesar de tudo que
passam os, por todo sofrim ento que causam os um ao outro, eu sem pre o tive com o m eu porto seguro.
Sabia que podia contar com você, para o que desse e viesse. — Sorriu docem ente. — Só quando
estava envolvido nas garras daquelas vadias que eu te odiava.
— Nem lem bre isso. Não gosto de saber que te m agoei tanto.
— Ah, isso fez parte da nossa história. Se eu fosse pensar friam ente, não tinha m otivo para ficar
chateada, afinal não tínham os nenhum envolvim ento am oroso. Éram os apenas am igos. Mas com o não
pensei, eu quase m orria com cada m ulher que passava por sua cam a.
Fechei os olhos ao ouvir a dor em sua voz. Fui um filho da puta que a fez sofrer.
— Não farei m ais isso, princesa. Pode confiar.
— Eu confio, m eu am or. E tam bém se m e sacanear, eu te m ato. Você sabe, as baixinhas são as
m ais bravas!
Sorri e beij ei seus olhos.
— Eu sei, sim . Quantas vezes não brigam os pelos foras que m e deu. Já perdi a conta.