Impulso
Capítulo 24
Por m ais que aquilo fosse sinistro, eu entendia o que ela queria dizer. Quando se am a de
verdade, por m ais que você não queira, outra pessoa não cabe m ais naquele lugarzinho que foi
conquistado antes. Esperava que eles conseguissem resolver tudo porque o tem po não espera por
ninguém .
CAPÍTULO 24
Lucas
— Não vej o a hora de pôr os pés na estrada.
Estávam os na sala dos m édicos fazendo um a pausa.
Depois de um a cirurgia com plicada, eu só queria fechar os olhos e descansar um pouco. Mas
quando cheguei, Alberto estava lá todo anim ado falando sobre sua viagem . Com entava entusiasm ado
dos lugares que iriam visitar. Pareceu-m e que ele e Heitor tinham com binado tudo durante a sem ana.
— Percebi, não para de falar isso há dez dos m eus vinte m inutos de descanso.
Ele franziu o nariz e sorriu se recostando no sofá enquanto um dos nossos am igos se levantava
dizendo ter term inado sua pausa. Não devia estar m uito feliz em perder todo o descanso ouvindo
Alberto falar.
— Ops, foi m au. Mas é que estou em polgado, cara. Faz tem po que algo não m e anim a assim .
Assenti e resolvi perguntar. Afinal, ele não tinha tocado no assunto ainda. Alberto colocou na
cabeça que iria reconquistar a Ana a qualquer preço. E m e parecia m uito feliz em se distanciar, não
que eu o estivesse j ulgando. Ana era realm ente m uito com plicada de lidar, m as quando os
sentim entos falam m ais alto não há escapatória.
— E você, não vai sentir falta da Ana?
Seu sorriso m orreu e ele abaixou a cabeça, pensativo. Cada vez que tocava no nom e dela essa
era a sua reação, parecia que carregava um m undo nas costas.
— Dem ais para o m eu gosto, m as é preciso. Não aguento m ais essa vida de m erda com ela.
Desde que ele havia m e dito sobre o bota-fora no bar à noite, eu fiquei pensando se Ana não iria
aparecer. E se fosse, será que iria dar certo? O cara precisava de tranquilidade para viaj ar.
— Entendi, você vai tentar esquecê-la?
Ele levantou a cabeça subitam ente, e vi que em seus olhos tinha um brilho diferente. Parecia
determ inado, sei lá, não consegui identificar. Suspirou profundam ente e coçou o queixo com o
polegar e o indicador.
— Lucas, não esqueci essa m ulher em nenhum m inuto da porra de vida que levei por doze anos.
E não será em um a viagem que farei isso. Eu vou pra descansar e espairecer, m as quando voltar ela
vai ser m inha a qualquer custo. Nem que eu tenha que am arrá-la! — Sorriu m alicioso. — E estou
achando isso um a boa ideia de qualquer j eito.
Tive que rir. Eu tinha a im pressão que Ana não teria escapatória m esm o. O cara estava
determ inado.
— Entendo. E você j á aj eitou tudo aqui no hospital?
— Sim , aqui e fora dele. Já está tudo arrum ado e com todas as m inhas obrigações em ordem .
Franzi a testa com o que ele disse. Que eu soubesse Alberto não tinha m ais ninguém para dar
satisfações desde que seus pais foram m orar no exterior, m as deixei passar, porque j á tinha dado a
m inha hora.
— Então vou indo nessa, cara. Muito trabalho pela frente. A gente se vê à noite.
Ele assentiu e se levantou tam bém , cam inhando para a m áquina de café.
— Beleza, eu tenho m ais uns dez m inutos. Vou sair m ais cedo hoj e, era só o tem po de term inar
as horas que ainda tinha a cum prir. Depois das três da tarde estou oficialm ente de férias.
Despedi-m e e saí para o corredor. Esbarrei logo com Kiara, que m e fulm inou com o olhar.
Estava evitando-a a todo custo. Aquela m ulher era estranha. Não gostava nada daquele j eito, m as
apenas poderia ser um a reação de alguém que foi rej eitada e m agoada.
Por m ais que tivesse feito aquela am eaça, sabia que era infundada. Resolvi, então, m e
desculpar, afinal eu fui um babaca total.
— Kiara, só um m inuto. — Ela j á virava a esquina e parou ao ouvir-m e cham ar.
Cheguei ao seu lado e m e preparei para os xingam entos que viriam depois de eu falar tudo que
queria.
— Queria m e desculpar por ter te tratado daquele j eito, tanto por quando estávam os j untos
quanto por depois. Fui um idiota e peço perdão.
Ela arregalou os olhos e franziu a testa.
— Sério? Você está se desculpando, por quê?
Nunca tinha ficado tão sem j eito na vida. Levei um a m ão na cabeça penteando os cabelos pra
trás. Era um a m ania que tinha quando ficava envergonhado.
— Eu estava agindo com o um babaca porque fui rej eitado pela m ulher que am o. E,
inconscientem ente, estava descontando nas m ulheres com quem saía. Agora percebo que não foi
legal.
Kiara estreitou os olhos e sorriu. Colocou as m ãos na cintura.
— Você tá com ela, né? — Concordei com um aceno. — Tudo bem , Lucas. Eu entendo. Está
perdoado, afinal tam bém ganhei no tem po em que ficam os j untos. Mas vê se não faz m erda, hein? Se
for rej eitado, corre atrás da sua m ulher.
Fiquei surpreso com sua resposta porque estava preparado para um a gritaria. Assenti e sorri pra
ela. Senti com o se tivesse tirado um peso das costas.
Voltei ao trabalho, pois m uitos pacientes m e aguardavam . E eu ainda deveria fazer um a cirurgia
de introdução de parafuso no tornozelo de um rapaz que havia caído de skate. Estava louco para chegar em casa e dar um beij o na m inha princesa.
***
Quando cheguei, Sabrina j á estava arrum ada e linda. Nunca m e cansaria de apreciar a m inha
m ulher, por isso aproxim ei-m e e dei um beij o em seus lábios doces.
— Vou tom ar um banho e j á fico pronto, ok?
— Sem pressa. Estam os bem , eles vão viaj ar depois das onze.
Sorri e fui tom ar um banho. Troquei-m e rapidam ente. Não queria perder essa noite, estava com
vontade até de cantar. Quem sabe não sairia um dueto com a Lay la?
Saím os e o trânsito estava bom , chegam os de m ãos dadas ao bar, que j á estava lotado. O
pessoal tinha j untado um a m esa e estavam todos conversando anim adam ente. Até o Heitor estava no
m eio da bagunça. Percebi que j á tinha um substituto no balcão. Senti falta do Maurício e da dona
Marisa, fora a Ana que não estava à vista.
Aproxim am o-nos e Sabrina foi cum prim entar Lay la e Larissa. Cheguei por trás do Heitor dando
tapas nas suas costas.
— E aí, preparados para aguentarem a com panhia um do outro por quinze dias? Vai perder o
posto de barm an, tatuado. Quem é o cara?
Heitor fez um a careta franzindo o nariz, olhou para trás observando o bar.
— Muito engraçado, aquele rapaz é o nam orado da Elisa. Ela perguntou se podia em pregá-lo, e
até que é gente boa. Então, ele tem o posto em m inha ausência.
Arqueei as sobrancelhas e olhei para Alberto e Bruno, que deram de om bros.
— Mas você não tinha um caso com a m orena?
Com o se tivesse cham ado o seu nom e, ela parou atrás de m im enfiando a cabeça entre nós e
colocando refrigerantes e cervej as na m esa.
— Não Luquinha, nós só transam os algum as vezes. O tatuado aí tem m edo de relacionam entos,
então parti pra outra, m uito obrigada. — Elisa virou-se para m im e piscou um olho, se afastando.
Fiquei de boca aberta, envergonhado, enquanto Alberto ria da m inha cara.
— Você ainda não aprendeu que a Elisa é com o um cara? Ela fala pelos cotovelos e escuta pra
caralho. Não pronuncie seu nom e em vão.
Heitor continuou em burrado e encostou-se ao banco. Ele e Alberto estavam som ente no
refrigerante. Claro, eles iam pegar estrada, então nada de álcool.
— Dá para as moças pararem de falar? Que saco, nós não tem os nada há anos. Vocês que ficam
im aginando coisas. Bando de mocinhas fofoqueiras — disse sorrindo e apontando o dedo para
Alberto e Bruno.
Realm ente os dois eram os que m ais se envolviam na vida do cara, m as parecia que nem
ligavam pra isso.
A m esa estava dividida: os hom ens de um lado e as m ulheres do outro. Eu continuei de pé sem
saber onde ficar. Havia espaço ao lado da Sabrina e do Heitor. Mas eu não deixaria m inha princesa
sozinha. Da m esm a form a que fazia Bruno, que estava na curva do banco ao lado da Lay la. Os dois
não se largavam ; m esm o entretidos em conversas diferentes, ficavam se tocando ou acariciando.
Não havia opção para m im . Sentei-m e ao lado de Sabrina, que se virou e sorriu lindam ente.
— Preferiu ficar com igo, a m atar saudades dos am igos? Vai ficar sem vê-los por duas sem anas.
Aproxim ei-m e do seu ouvido, e m ordisquei sussurrando:
— Acha que iria deixar outro se acom odar no m eu lugar? Não m ais. Fora que vou ter m uito
tem po quando eles retornarem , vão voltar cheios de novidades. Eles falam pra caram ba! Quero
apenas curtir sua com panhia, princesa.
Pude senti-la sorrindo.
— Quanto a alguém tom ar o seu lugar, não precisa se preocupar. Ninguém m e fez queim ar com o
você.
Arregalei os olhos e m e afastei, encarando-a. Ouvim os um pigarro e olham os para frente. Bruno
fingia cara de bravo, m as podia perceber o sorriso preso em seu rosto.
— Você sabe que ela é m inha caçulinha, né? Nada de ficar se agarrando na m inha frente —
disse rindo, por fim .
Lay la deu um a cotovelada no m arido e sorriu virando-se para nós.
— Não liguem para ele, estam os todos m uito felizes que estão j untos. Os dois m erecem a felicidade plena. E é m ais do que óbvio que só terão se estiverem j untos. É inevitável quando o