Impulso

Gisele Souza · Capítulo 22 de 47

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Impulso

Capítulo 21

Entrei em seu corpo e m e m ovim entei ao som da m úsica que ainda tocava. Sabrina enlaçou as

pernas em m inha cintura e m e acom panhou. Em um ritm o sincronizado nos am am os, cheguei até

cantarolar algum a parte da letra, enquanto m inha m ente estava sã, o que não durou m uito tem po.

Quando cheguei ao ápice, não pensei em m ais nada a não ser na m ulher linda que tinha em m eus

braços, que era m inha, deliciosam ente m inha.

CAPÍTULO 21

Sabrina

Acordei com o corpo pegando fogo. Estava entre o sonho e a realidade porque m inha m ente

repetia m om entos há pouco vividos. Abri m eus olhos devagar e percebi que ainda estava escuro,

apesar de um a luz suave entrar pela fresta da porta entreaberta. Olhei para o lado e observei Lucas

dorm indo serenam ente.

Então constatei o que m e acordou: desej o. Em m eu sono as lem branças m e assolaram , nunca

tinha m e sentido tão à vontade com o sexo e m eu corpo. Mas com Lucas, eu estava insaciável. Decidi

não ficar esperando ele acordar, iria eu m esm a despertá-lo.

Mordi os lábios e o observei atentam ente, ele era lindo dem ais. E m inha necessidade por tê-lo

em m im era quase dolorosa. Olhei seu quadril coberto pelo lençol branco da m inha cam a e percebi

que não estava pronto para o que tinha em m ente. Claro, o hom em estava dorm indo.

Desci a m ão por sua barriga e ele se contorceu um pouco, m as não acordou. Afastei o lençol e o

descobri. Nossa, ainda tinha que m e acostum ar em observá-lo sem deixar o queixo cair. Coisa

estranha achar um pênis bonito, m as o do Lucas era. Talvez por am á-lo eu achava que tudo nele fosse

lindo.

Arranhei sua coxa, fazendo seu m em bro dar sinal de vida. Sorri e olhei em seu rosto, ele ainda

dorm ia. Cerquei sua espessura e acariciei para cim a e para baixo. Escutei um m urm úrio e levantei o

olhar.

Um par de olhos verdes sonolentos m e observava. Sorri e continuei trabalhando, na verdade não

precisou de m uito, pois assim que tom ou consciência do que eu estava fazendo, logo ficou duro e

excitado.

— O que você está fazendo, Sabrina?

— Não é óbvio? Eu te quero, e não consegui esperar você acordar.

Lucas m ordeu o lábio com um sorriso m alicioso no rosto.

— E por que está só olhando? Já estou pronto! — disse com voz rouca.

Nem precisou dizer m ais nada. Subi em seu quadril e desci m eu corpo em seu pênis túrgido,

sentindo cada pedaço da m inha carne recebê-lo. Fechei os olhos intensificando o sentim ento porque

era m uito bom estar plena e saciada.

Subitam ente olhei em seus olhos e vi que Lucas m e observava sério e deliciosam ente sedutor.

— Vem princesa, m ova-se.

Não precisava de outro incentivo, sorri delicadam ente e com ecei a m e m ovim entar. Era um

sentim ento indescritível estar com ele assim . Sentia um frio na barriga e m eu coração palpitava

descom passadam ente. Subia e descia em seu m em bro pulsante e era o paraíso.

Lucas pegou em m eu quadril intensificando o m ovim ento. Me vi com o um a am azona. E tive que

rir desse pensam ento. Apoiei as m ãos em seu peito para dar apoio. E sentei com tudo.

Gem em os em uníssono.

— Assim você vai m e m atar. É isso que está querendo?

De olhos fechados, com apenas um a fresta de luz para que pudesse observá-lo, Lucas parecia

um deus em m inha cam a. Não queria que saísse dali de m aneira algum a.

— Não m esm o, m eu desej o por você só aum enta. Eu quero isso por m uito tem po — disse quase

sem fôlego, sem parar de m e m over.

— Eu tenho a m elhor m ulher do m undo. Vai, m eu am or, m ova-se com m ais força.

Eu nunca fui de falar durante o sexo, na verdade eu apenas tinha relações para provar a m im

m esm a que não tinha m orrido e não estava traum atizada. Não sentia prazer, era algo frio e sem graça.

Com ele era diferente. E eu queria m ais. Cavalguei em seu pau duro e a cada estocada m e partia em m il para não gozar e acabar com tudo m uito rápido. Eu não pensava em nada e tenho certeza que

Lucas tam bém não. Apenas aproveitava a delícia que era estar fazendo am or com o cara que tinha

m eu coração.

Prendi m eus olhos nos seus enquanto m e deliciava do seu corpo, o orgasm o com eçou a surgir e

estava sendo insuportável segurar. Im aginei estar fazendo caretas, pois Lucas levou um a m ão ao m eu

rosto e sorriu.

— Não se segure, princesa. Eu quero tam bém . — Sorriu lindam ente.

Só precisou sua m ão descer acariciando m eus seios para m e deixar levar. Senti os espasm os

iniciar em m eu sexo e subir pela m inha barriga, se espalhando pelo m eu corpo, m e fazendo j ogar a

cabeça para trás e gritar o nom e do hom em que m udou m inha vida com pletam ente.

Voltei à terra lentam ente e percebi que Lucas tinha os olhos fechados e um sorriso pleno no

rosto. Desabei em seu peito com nossos sexos ainda ligados. Estava exausta, com ele sem pre seria

assim . Intenso.

Ficam os em silêncio e eu m e distraí com os carinhos que Lucas fazia em m eus cabelos e a

m elodia suave do seu coração acelerado. Não cansava de m e inebriar com o perfum e que ele

em anava. Na verdade, nunca m e cansaria de nada relacionado a ele.

Essa constatação m e fez sorrir e virei a cabeça olhando em seu rosto. Ele parou com a m ão em

m inhas costas e arqueou as sobrancelhas.

— Por que esse sorriso, princesa?

— Porque eu te am o, só por isso.

Senti seu coração bater m ais rápido. Levantei a m ão e acariciei seu rosto, que estava com a

barba por fazer.

— Você sabe que dizendo isso eu levo a sério, né?

— E é pra levar m esm o, eu j á te disse que sou sua e não estava brincando. Não im agino m inha

vida sem você.

Ele m ordeu os lábios e sabia que queria falar algum a coisa.

— Você não vai m ais em bora?

Nossa, com tudo que aconteceu tinha até m e esquecido que iria em bora. Mas agora não concebia

a ideia de m e afastar do m eu am or. Olhei em seus olhos e percebi que ele estava realm ente

apreensivo quanto a isso.

— Não vou, pode ficar tranquilo. Acho que se eu tivesse ido não aguentaria por m uito tem po.

Ele j ogou a cabeça pra trás e respirou fundo.

— Graças a Deus. — Sua voz rouca m e preocupou.

Puxei seu rosto e vi que tinha lágrim as nos olhos.

— O que foi, Lucas? Por que está chorando agora?

— Sá, o quanto você sabe da m inha história de fam ília? Eu não falei m uito sobre isso.

— Só que Lay la te criou quando seus pais faleceram .

— Sabia que m inha irm ã não iria falar sobre esse assunto porque ela tam bém se m achuca. —

Suspirou e encostou a cabeça no travesseiro. Olhando para o teto, ele voltou a m exer nos m eus

cabelos, com o se pudesse se distrair. — Nós dois fom os abandonados. Quando m eu pai m orreu, eu

era m uito novo, m as m e lem bro dele perfeitam ente. Era um hom em bom e um pai carinhoso, e eu o

am ava dem ais. Eu sofri, claro, m as o am or da Lay la m e consolou. Só que eu fui abandonado, Sabrina.

Minha m ãe esqueceu que a gente existia, eu quase não tive contato com ela devido aos seis anos em

que vegetou, porque sim plesm ente não quis m ais viver. Ela não queria aproxim ação e se fechou

totalm ente. Eu tive a sorte de ter m inha irm ã que, m esm o sendo ainda um a m enina, se preocupou em

m e dar carinho e atenção. E por isso sou tão grato a Lay la, sem pre tão doce e am orosa. Nunca quis

dar-lhe preocupação e m e contive, porém am adureci na m arra. Mas sem pre tive dentro de m im o

m edo do abandono. Por isso fiquei tão louco quando você disse que iria em bora.

No final, sua voz era apenas um sussurro. Então, eu entendi sua atitude im pulsiva há quatro anos,

foi um a m aneira de se defender por ser rej eitado e abandonado novam ente. Nós dois enfrentam os

problem as sozinhos e quietos m esm o estando um na com panhia do outro. Na verdade, acho que

estarm os j untos agora era um a m aneira de o universo nos com pensar por toda dor que passam os.

— Eu estou aqui agora, am or. Não vou te abandonar, prom eto.

***

Após dorm irm os e literalm ente grudados, nos levantam os, tom am os banho j untos. Depois nos

despedim os e com binam os de nos encontrar m ais tarde, j á que Lucas tinha m uito trabalho por não ter

ido no outro dia.

Eu tam bém , m as nem m e preocupei de avisar ao chefe que faltaria. Assim que cheguei tom ei

um a bronca e havia m il coisas na m esa m e esperando. Fora o fato do Felipe que, pelo j eito, não

havia desistido de m e perturbar.

Mas, enfim , o dia term inou e recebi um a ligação do m eu irm ão assim que coloquei o pé para

fora do escritório a cam inho da academ ia. Peguei o telefone na bolsa e atendi anim ada. Adorava

falar com ele.

— Fala, Bruno.

— Caram ba, m as você só atende ao telefone assim .

Sorri sabendo que ele j á iria reclam ar.

— É m eu charm e, m as diz o que você quer. Estou indo pra academ ia.

— Queria que encontrasse com igo no Beer hoj e à noite, vam os conversar sobre seu processo.

Tenho notícias m eio chatas.

Suspirei e fiquei em silêncio por um m om ento, não queria levar isso até esse ponto. Mas era

necessário.

— Ok. Estarei lá. Já avisou o Lucas? Ele sai às oito horas hoj e.

— Já sim , o encontrei no corredor do hospital e ele ficou de ir direto do plantão.

— Beleza, te vej o lá. Agora vou descarregar um as energias.

— Ok Sá, cuidado com o lobo, tá? O bicho pega se ele entrar em terreno alheio.

— Ai, que horror, nem vou responder. Beij os irm ão, te am o.

Desliguei antes que ele dissesse qualquer coisa inconveniente. Mas por um instante eu havia

esquecido o Alex. De certa form a eu dei corda pra ele, estava frágil ainda. Claro, ele era lindo e

sexy. Quem não ficaria tentada?

Teria que m e desculpar. Não dem orou m uito e cheguei à academ ia, era perto do escritório e fui

a pé m esm o. Enfrentar trânsito por vinte m inutos de cam inhada não estava nos m eus planos.

Cheguei ao prédio e cam inhei direto para o vestiário. Troquei-m e rapidam ente e fui em direção

à esteira. Não iria lutar hoj e. Queria apenas m e exercitar e gastar energia. Fora que não sabia se

seria um a boa ideia ficar corpo a corpo com o Alex. Acho que depois de m e explicar seria m ais

fácil.

Coloquei os fones e com ecei a correr. Esqueci-m e de tudo ao redor apenas escutava as m úsicas

que tocavam . De repente, senti um a presença ao m eu lado.

Quase tropecei e caí quando vi o Alex encostado na bicicleta de braços cruzados, m e observando e sorrindo. Nossa, nunca m e acostum aria com o efeito que tinha ao vê-lo desde a

prim eira vez! O cara tinha sedução em anando de cada poro.

Desliguei a esteira, tirei os fones e aproxim ei-m e.

— Oi, Alex. Queria falar com você.

Ele arqueou as sobrancelhas com desdém no olhar.

— Sério? Não m e pareceu, você faltou à aula hoj e.

— Me desculpe, m as eu queria conversar com você prim eiro.

Descruzou os braços e apoiou-os no guidão da bicicleta. Fiquei m eio boba por causa dos seus

braços fortes, m as logo desviei a atenção.

— Sou todo ouvidos.

— Eu queria m e desculpar por aquele dia no bar. Não foi legal ter te levado e acontecido aquilo

tudo. Sinto m uito.

Ele com eçou a rir e olhei em seu rosto. Não entendia o porquê de achar graça.

— Sabrina, não tem que se desculpar. Você o am a e eu sabia desde o início, m as não podia

deixar de tentar. Afinal, não é todo dia que se encontra um a m ulher linda com o você. Espero um dia

encontrar um a m ulher tão especial e que m e am e tanto quanto você o am a.

Sorri e o abracei. Apesar de tudo, Alex era um cara legal e poderia ser um bom am igo.

— Obrigada, Alex. Fico feliz que possam os ficar num a boa. Odiaria ter que m e m udar de

academ ia.

Ele sorriu e se inclinou para falar ao m eu ouvido:

— Nem pense nisso, então com o poderia tirar um as casquinhas sem levar um soco na cara.

Afastou-se e apertou m eu queixo. Eu fiquei ali com o um a besta observando o cara se distanciar,

fazendo a m aioria das m ulheres se virarem para olhar. Um a até caiu da esteira.

Depois dessa, era hora de encontrar o m eu Lucas.

Tom ei um banho e m e vesti, ainda era cedo e ele não devia ter chegado ao bar. Mas seria bom

conversar com Heitor e Lay la. Adorava aqueles dois.

No Beer j á estava tudo m ovim entado, m inha cunhada havia feito o bar ferver com o tam bém a

adm inistração do Heitor, pois o cara era m estre em entretenim ento e organização.

Avistei o ursinho atrás do balcão do bar e o cum prim entei com um aceno. Ele sorriu e m e

indicou com a cabeça onde o Bruno estava. Meu irm ão parecia hipnotizado vendo a sua esposa se

apresentar. Tam bém pudera, Lay la era linda dem ais. E sua voz m aravilhosa de se ouvir.

Ela dedilhava o violão lindam ente e cantava com a alm a. Minha cunhada escolhia um repertório

bem nacional e eu gostava. Tinha um a paixão pelas m úsicas da Ana Carolina, e naquele m om ento ela

tocava Quem de nós dois.

Lay la fechava os olhos quando se em ocionava e quando os abria sorria e observava o m arido.

Ao m e avistar inclinou a cabeça em m inha direção e piscou para ele. Bruno se virou e m e viu,

sorrindo ele se aproxim ou.

— Dança com igo, irm ãzinha.

Peguei sua m ão e com eçam os a dançar, apesar de estar com m eu irm ão fechei os olhos e senti a

m úsica com a alm a. Pensei em Lucas e sorri ao perceber que a canção era nossa, sem dúvida.

“No vão das coisas que a gente disse

Não cabe mais sermos somente amigos

E quando eu falo que eu já nem quero

A frase fica pelo avesso

Meio na contramão

E quando finjo que esqueço

Eu não esqueci nada

E cada vez que eu fujo, eu me aproximo mais

E te perder de vista assim é ruim demais

E é por isso que atravesso o teu futuro

E faço das lembranças um lugar seguro

Não é que eu queira reviver nenhum passado

Nem revirar um sentimento revirado

Mas toda vez que eu procuro uma saída

Acabo entrando sem querer na tua vida...”

Não existiam m ais m eias palavras com ele. Sabia o que sentíam os um pelo outro.

Um arrepio percorreu m inha espinha e olhei em direção a um sorriso que encheu m eu coração