Impulso

Gisele Souza · Capítulo 7 de 47

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Impulso

Capítulo 6

adeus. Não podia m ais viver assim .

CAPÍTULO 6

Lucas

O ciúm e é um a coisa que te corrói por dentro, com o ácido. Eu saí para aplacar m inha vontade

de esganar aquele Alex, o cara que deu em cim a da Sabrina descaradam ente, e a bonita ainda teve o

desplante de m e apresentar com o am igo.

Am igo?

Nós éram os m ais do que isso há m uito tem po. Rodei a cidade e dem orei m ais do que o

necessário, nosso restaurante preferido ficava a poucos m inutos de casa. Mas eu precisava m e

acalm ar antes de fazer m erda.

Não sabia dizer quantas vezes soquei o volante. Estava frustrado com a situação. Eu a queria em

um desespero que chegava a doer, e tinha a im pressão que Sabrina havia desistido de nós, porque

estava flertando abertam ente com os caras. Eu fui m uito estúpido por dem orar tanto tem po para

perceber que o que ela sentia por m im não era coisa de am igo, m as um desej o de m ulher. Um

sentim ento que te leva às alturas, e despenca sem nenhum aviso.

Depois de gastar bastante com bustível passei no restaurante j aponês que frequentava e peguei

nosso alm oço. Sabrina j á devia estar azul de fom e. A cam inho de casa pensei em com o iria reagir,

ela j á havia notado m eu ciúm e e eu tinha confirm ado. Porém , não queria que ela percebesse o quanto

tudo m exia com igo profundam ente, no fundo ainda tinha receio de ser rej eitado de novo.

Estacionei e desci do carro, acionei o alarm e com as m ãos abarrotadas de caixinhas, respirei

fundo e entrei pela porta da cozinha. Já havia se tornado um hábito tentar surpreendê-la. Mas tinha

m e esquecido que não estávam os em um clim a para brincadeiras.

Encontrei Sabrina sentada na bancada da cozinha com o queixo apoiado na m ão e olhando para

um garfo que estava rodando entre os dedos. Parecia entediada. Levantou os olhos e m e olhou

intensam ente. Minhas pernas quase cederam com o que vi em seu rosto.

Era algo parecido com saudade. Tentei não dem onstrar que havia m e abalado, de im ediato.

Tínham os m uito que conversar. E não podia apressar as coisas, queria m ais do que um a noite de sexo

alucinante com a Sabrina.

— Trouxe com ida j aponesa. — Abri as sacolas e com ecei colocando as caixinhas em cim a da

bancada. Sabrina não se m oveu um m ilím etro, podia sentir o peso do seu olhar em m im .

Levantei os olhos e vi que ela m e observava atentam ente. Um calafrio subiu em m inha espinha,

não estava preparado para encarar os m eus sentim entos. Desde nossa briga no casam ento da Lay la,

m eu relacionam ento com Sabrina ficou m uito estranho. O que era tranquilo estava intenso.

— O que foi? Não queria com ida j aponesa?

Sabrina não disse nada. Levantou-se e deu a volta parando atrás de m im , fechei os olhos e tentei

m e distrair. Aquela proxim idade m e deixava louco, seu corpo em anava um calor que colocava m eus

sentidos em alerta total. Podia sentir sua respiração acelerada. Virei-m e e a encarei. Ela era m ais

baixa que eu, estava com a cabeça inclinada para trás com seus olhos azuis fixos em m im e a

boquinha verm elha entreaberta, im plorando para ser beij ada.

— Por que você ficou com ciúm es, Lucas, se em todos esses anos você não teve a m ínim a

consideração com os m eus sentim entos? O que está acontecendo? Por que agora?

Droga! Ela tinha razão, desfilei com m ulheres na sua frente sem nem pensar que poderia

m achucá-la. Estava anestesiado, com o orgulho ferido. Tinha levado sua decisão a sério dem ais e

acabei m achucando quem eu m enos queria.

— Porque a droga do m eu coração estava ferido, e m eu ego foi j ogado fora. O que você queria

que eu fizesse? Você m e rej eitou! Eu abri a porra do m eu coração e você pisou nele, Sabrina! — Eu

não queria m e exceder, m as aquilo tudo estava entalado na m inha garganta.

— E você pegou a prim eira sirigaita que encontrou. Sabia que fui atrás de você naquele dia? Eu

te vi saindo com aquela oxigenada e m e arrependo de ter pensado em voltar atrás na m inha decisão, eu estava com m eu coração m achucado. Só precisava de tem po para colocar tudo em ordem , m as

você esperou? Não! Essa porra de orgulho m asculino, que não pode ser rej eitado. Eu te m agoei?

Beleza, eu acredito. Mas você tam bém . Se gostava tanto de m im , com o disse na época, por que se

satisfez no corpo de outra? — Sabrina sussurrava olhando em m eus olhos, estava m atando-a dizer

tudo aquilo, tinha certeza. Mas não havia outra m aneira. Tínham os m uita carga para carregarm os,

fom os m uito idiotas, e a sinceridade era sem pre a m elhor opção. Nenhum estava certo em tudo,

porém eu acreditava que sem pre há um a segunda chance.

— Enquanto eu fodia cada garota com a qual estive nesses quatro anos, a única que m e vinha à

cabeça, a m ulher que m e deixava e ainda deixa duro é você, Sabrina. Não m e orgulho dessa m erda.

Mas antes eu estar fodendo por aí, do que chorando pelos cantos. E sabe do que m ais? Eu cansei

dessa porra, você vai ser m inha! Não quero m ais ninguém , nunca quis. Fui idiota o suficiente em ser

educado, devia ter te beij ado e m ostrado o quanto pertencem os um ao outro.

Sabrina estava ofegante. Seu peito subia e descia. Meu coração estava acelerado com toda a

em oção que sentia. Era um a m istura de raiva e am or. Conosco era assim , m uita loucura.

— E o que você pretende fazer com isso? Já parou pra pensar que eu não quero m ais? Que

posso ter enj oado? Que posso estar enoj ada?

Um a vez um am igo da faculdade m e disse que m ulheres m agoadas eram ferinas, que usavam até

seu últim o resquício de respiração para m achucar quem as ofendeu. Eu dava razão pra ele agora.

— Eu tenho certeza que não. Você m e quer com a m esm a intensidade que eu a quero. Não

adianta negar. Essa porcaria de experiência que adquiri m e ensinou algum a coisa de bom , sei ler

m uito bem quando um a m ulher m e quer. — Quando eu era pequeno, m inha irm ã dizia pra m im que, às

vezes, é m elhor m anter a boca fechada.

Sabrina desferiu um tapa na m inha cara, tinha certeza que ficaria verm elho. Parece que se

acostum ou a fazer isso, torcia para que não virasse um hábito. Mas aquilo aguçou m eu lado

neandertal, estreitei os olhos e avancei. Ela se afastou de costas até bater na parede da cozinha. Eu

coloquei os dois braços ao lado da sua cabeça e aproxim ei m eu rosto ao dela.

— Você pode m e bater até cansar essa m ãozinha. Isso só m e excita m ais. E sabe o quê? Chega

dessa m erda, não vou m ais perder tem po. Você não vai escapar dessa vez.

Não a deixei pensar m ais. Aproxim ei m eus lábios e beij ei sua boca ferozm ente, não era doce

nem sentim ental, m as para firm ar o m eu ponto de vista. Sabrina resistiu e tentou em purrar m eu peito,

m as acabou se rendendo. Fechou os olhos, só assim m e perm iti relaxar e aproveitar.

Levei um a m ão à sua cintura e colei nossos corpos. Agarrei seus cabelos e assaltei sua boca.

Era o paraíso, sua língua quente fazia um a dança enlouquecedora. Nossa respiração se m isturava, eu

com ecei a m e esfregar nela, prendendo-a na parede. O corpo de Sabrina era delicioso. Ela era

m agra, m as tinha curvas em cada parte. Há m uito tem po não m e sentia tão bem em estar nos braços de

um a m ulher. Para m im não havia outra.

Porém , subitam ente, ela retesou o corpo e m ordeu m inha boca. Dei um grunhido assustado e abri

os olhos separando nossas bocas. O brilho em seu olhar era excitado e m agoado.

— Você pensa que sou um a dessas m alucas sem cérebro que você fica, Lucas? Acha que pode

m e beij ar e se esfregar, que fica assim m esm o? E os anos que fom os m agoados, não conta? Acha que

eu tenho um botão de liga/desliga? — estava histérica gritando e esbravej ando.

— Você sim plesm ente vai continuar com isso? Deixar tudo que há entre nós ir em bora por causa

de orgulho e teim osia? Já não basta todo esse tem po que sofrem os? Porque eu tam bém sofri. Você

acha que não sei dos caras que você saiu? Sei m uito bem com o dói.

Ela arregalou os olhos surpresa. Não pretendia falar isso, pois não achava relevante. Mas ela

pediu. Um a vez fui buscá-la no trabalho e Sabrina estava saindo com um m auricinho m etido a besta,

não sabia se rolou algum a coisa. Mas doeu.

— Que foi? Eu sei que você tam bém não ficou m e esperando, então não m e venha com

hipocrisia dizendo que sente noj o de m im por ter ficado com outras m ulheres. A única que eu quero é

você, porra! Isso não conta? — estava m e excedendo de novo, m as Sabrina tinha o poder de m e

deixar enlouquecido.

— Eu não sei, ok? Tenho que pensar, essa proxim idade m e deixa perturbada. Fizem os m uita

m erda. Não sei se daríam os certo com tanta m ágoa guardada. — Ela olhava em m eus olhos com tanto

rancor que m e encolhi interiorm ente.

— Sabrina, você que fica guardando essa m erda toda. Eu só sinto m uito pelo tem po que

perdem os, o resto não im porta.

Ela abaixou a cabeça e encostou a testa no m eu peito. Apesar de tudo, ainda éram os am igos e

um apoiava o outro incondicionalm ente.

— Eu não sei se sou capaz de esquecer cada garota que você andou. E o que aconteceu no

casam ento está gravado na m inha cabeça. Não sei se consigo ficar com você assim .

Sabia que tinha feito m erda no m om ento em que puxei aquela garota para o j ardim . Mas estava

tão louco das suas rej eições constantes que nem pensei direito.

— Aquilo foi a burrada m or. Sinto m uito.

— Não foi, a pior foi quando você puxou aquela vaca loira no seu aniversário. Ali sim m eu

coração despedaçou. Não sei bem se ele tem conserto, Lucas. Preciso de um tem po.

— Tudo bem , m as você não vai em bora, né?

Não conseguia conceber a ideia de tê-la longe de m im .

— Vou sim , apesar de tudo ainda continuo com a ideia fixa de m e m udar. Não dá pra ficar m ais

assim . É m uito sofrim ento.

Eu acariciava seus cabelos m acios e aproveitei a oportunidade de estar tão perto para inalar seu

perfum e doce.

— Por favor, não m e abandone. — Sentia as lágrim as se form ando em m eus olhos. Meu coração

estava com prim ido e não tinha pra onde correr.

— Não fale assim . Deixa-m e livre por um tem po. Vam os ficar separados pra ver no que dá? É

m elhor do que a gente tentar e acabar perdendo até m esm o a nossa am izade. Você é m uito im portante

pra m im .

Levei a m ão até o seu queixo e elevei seu rosto para poder olhar em seus olhos azuis.

— Ok, m as não foge de m im , tudo bem ? E não vá m orar em qualquer lugar para se afastar. Só se

achar um apartam ento legal é que deixo você ir.

— Ok. Vam os alm oçar que está esfriando. Você sabe que odeio com ida requentada. — Me deu

um sorriso am arelo.

Concordei com a cabeça, m as antes dei um selinho leve em seus lábios. Tentei transm itir tudo o

que sentia ali. Mesm o não tendo dito com palavras, eu queria que ela soubesse o quanto a am ava.

Fechei os olhos e gravei na m em ória o sabor daqueles lábios. Não sabia com certeza quando os

provaria novam ente, m as prom eti a m im m esm o não esperar tanto.

Afastei-m e e virei de costas, não conseguiria enfrentar seus olhos e m e distanciar. Sentei na

bancada e abri as caixinhas de com ida, ela se acom odou devagar no banco à m inha esquerda.

Depois da pegada que tivem os, tê-la tão perto iria m e incom odar m uito, m as não iria m e afastar.

Meu plano m eio que foi por água abaixo depois disso, porém não im portava, porque a sinceridade

sem pre é o m elhor cam inho.

Alm oçam os tranquilam ente sem dizer um a palavra, quando acabam os j oguei as em balagens

vazias na lixeira. Sabrina pegou da geladeira m inha sobrem esa favorita: Nutella com m orango. Acho

que ela queria adoçar m eu hum or.

— Hum , por que o doce?

— Queria que fosse algo especial. Sem pre tivem os bons m om entos na cozinha, não é verdade?

Assenti e m e sentei novam ente, ela colocou a travessa à m inha frente e pegou duas colheres.

Sem pre fazíam os assim , com íam os direto da vasilha.

Dei um a colherada e levei à boca. Cara, não existia doce m ais gostoso. Um a im agem surgiu em

m inha m ente. Só havia um a m aneira de ficar ainda m elhor: espalhado no corpo da m ulher deliciosa à

m inha frente.

Abri um sorriso com a im agem e olhei em seus olhos. Sabia que estava com cara de safado,

com o ela costum ava dizer, m as não m e im portei, eu iria atacar com todas as m inhas arm as.

— Com certeza, e podem ficar ainda m elhores.

Ela corou em um rosa lindo e m inha m ente fértil voou ainda m ais, porém recebi um banho de

água fria.

— Eu vou procurar a academ ia am anhã. Quer ir com igo? — Ela não m e encarou com essa

declaração. Seus olhos estavam fixos na travessa à nossa frente.

— Que academ ia?

— A que o Alex trabalha, vou fazer as aulas.

Virei m inha cabeça de im ediato, não podia acreditar naquilo.

— Você vai continuar com essa ideia?

— Com o assim ? Eu disse que ia fazer e vou. Estou te convidando, se vai ou não é problem a seu.

E, aliás, se ele falar do apartam ento no prédio eu vou lá conferir.

Puta m erda! Era só o que m e faltava. Sabrina m orando e tendo aulas com aquele lobo.

— Eu vou. Preciso voltar a m alhar. Mas você vai m e esperar? Essa sem ana estarei no plantão

diurno, saio às 19h.

— Ok, am anhã vou dar um a organizada na m inha agenda. Então, vam os essa sem ana à noite e

sem ana que vem de m anhã. Beleza, vai ser legal.

Só se fosse pra ela. Apesar de gostar de m alhar e fazer exercícios, não estava nada anim ado