Impulso
Capítulo 6
adeus. Não podia m ais viver assim .
CAPÍTULO 6
Lucas
O ciúm e é um a coisa que te corrói por dentro, com o ácido. Eu saí para aplacar m inha vontade
de esganar aquele Alex, o cara que deu em cim a da Sabrina descaradam ente, e a bonita ainda teve o
desplante de m e apresentar com o am igo.
Am igo?
Nós éram os m ais do que isso há m uito tem po. Rodei a cidade e dem orei m ais do que o
necessário, nosso restaurante preferido ficava a poucos m inutos de casa. Mas eu precisava m e
acalm ar antes de fazer m erda.
Não sabia dizer quantas vezes soquei o volante. Estava frustrado com a situação. Eu a queria em
um desespero que chegava a doer, e tinha a im pressão que Sabrina havia desistido de nós, porque
estava flertando abertam ente com os caras. Eu fui m uito estúpido por dem orar tanto tem po para
perceber que o que ela sentia por m im não era coisa de am igo, m as um desej o de m ulher. Um
sentim ento que te leva às alturas, e despenca sem nenhum aviso.
Depois de gastar bastante com bustível passei no restaurante j aponês que frequentava e peguei
nosso alm oço. Sabrina j á devia estar azul de fom e. A cam inho de casa pensei em com o iria reagir,
ela j á havia notado m eu ciúm e e eu tinha confirm ado. Porém , não queria que ela percebesse o quanto
tudo m exia com igo profundam ente, no fundo ainda tinha receio de ser rej eitado de novo.
Estacionei e desci do carro, acionei o alarm e com as m ãos abarrotadas de caixinhas, respirei
fundo e entrei pela porta da cozinha. Já havia se tornado um hábito tentar surpreendê-la. Mas tinha
m e esquecido que não estávam os em um clim a para brincadeiras.
Encontrei Sabrina sentada na bancada da cozinha com o queixo apoiado na m ão e olhando para
um garfo que estava rodando entre os dedos. Parecia entediada. Levantou os olhos e m e olhou
intensam ente. Minhas pernas quase cederam com o que vi em seu rosto.
Era algo parecido com saudade. Tentei não dem onstrar que havia m e abalado, de im ediato.
Tínham os m uito que conversar. E não podia apressar as coisas, queria m ais do que um a noite de sexo
alucinante com a Sabrina.
— Trouxe com ida j aponesa. — Abri as sacolas e com ecei colocando as caixinhas em cim a da
bancada. Sabrina não se m oveu um m ilím etro, podia sentir o peso do seu olhar em m im .
Levantei os olhos e vi que ela m e observava atentam ente. Um calafrio subiu em m inha espinha,
não estava preparado para encarar os m eus sentim entos. Desde nossa briga no casam ento da Lay la,
m eu relacionam ento com Sabrina ficou m uito estranho. O que era tranquilo estava intenso.
— O que foi? Não queria com ida j aponesa?
Sabrina não disse nada. Levantou-se e deu a volta parando atrás de m im , fechei os olhos e tentei
m e distrair. Aquela proxim idade m e deixava louco, seu corpo em anava um calor que colocava m eus
sentidos em alerta total. Podia sentir sua respiração acelerada. Virei-m e e a encarei. Ela era m ais
baixa que eu, estava com a cabeça inclinada para trás com seus olhos azuis fixos em m im e a
boquinha verm elha entreaberta, im plorando para ser beij ada.
— Por que você ficou com ciúm es, Lucas, se em todos esses anos você não teve a m ínim a
consideração com os m eus sentim entos? O que está acontecendo? Por que agora?
Droga! Ela tinha razão, desfilei com m ulheres na sua frente sem nem pensar que poderia
m achucá-la. Estava anestesiado, com o orgulho ferido. Tinha levado sua decisão a sério dem ais e
acabei m achucando quem eu m enos queria.
— Porque a droga do m eu coração estava ferido, e m eu ego foi j ogado fora. O que você queria
que eu fizesse? Você m e rej eitou! Eu abri a porra do m eu coração e você pisou nele, Sabrina! — Eu
não queria m e exceder, m as aquilo tudo estava entalado na m inha garganta.
— E você pegou a prim eira sirigaita que encontrou. Sabia que fui atrás de você naquele dia? Eu
te vi saindo com aquela oxigenada e m e arrependo de ter pensado em voltar atrás na m inha decisão, eu estava com m eu coração m achucado. Só precisava de tem po para colocar tudo em ordem , m as
você esperou? Não! Essa porra de orgulho m asculino, que não pode ser rej eitado. Eu te m agoei?
Beleza, eu acredito. Mas você tam bém . Se gostava tanto de m im , com o disse na época, por que se
satisfez no corpo de outra? — Sabrina sussurrava olhando em m eus olhos, estava m atando-a dizer
tudo aquilo, tinha certeza. Mas não havia outra m aneira. Tínham os m uita carga para carregarm os,
fom os m uito idiotas, e a sinceridade era sem pre a m elhor opção. Nenhum estava certo em tudo,
porém eu acreditava que sem pre há um a segunda chance.
— Enquanto eu fodia cada garota com a qual estive nesses quatro anos, a única que m e vinha à
cabeça, a m ulher que m e deixava e ainda deixa duro é você, Sabrina. Não m e orgulho dessa m erda.
Mas antes eu estar fodendo por aí, do que chorando pelos cantos. E sabe do que m ais? Eu cansei
dessa porra, você vai ser m inha! Não quero m ais ninguém , nunca quis. Fui idiota o suficiente em ser
educado, devia ter te beij ado e m ostrado o quanto pertencem os um ao outro.
Sabrina estava ofegante. Seu peito subia e descia. Meu coração estava acelerado com toda a
em oção que sentia. Era um a m istura de raiva e am or. Conosco era assim , m uita loucura.
— E o que você pretende fazer com isso? Já parou pra pensar que eu não quero m ais? Que
posso ter enj oado? Que posso estar enoj ada?
Um a vez um am igo da faculdade m e disse que m ulheres m agoadas eram ferinas, que usavam até
seu últim o resquício de respiração para m achucar quem as ofendeu. Eu dava razão pra ele agora.
— Eu tenho certeza que não. Você m e quer com a m esm a intensidade que eu a quero. Não
adianta negar. Essa porcaria de experiência que adquiri m e ensinou algum a coisa de bom , sei ler
m uito bem quando um a m ulher m e quer. — Quando eu era pequeno, m inha irm ã dizia pra m im que, às
vezes, é m elhor m anter a boca fechada.
Sabrina desferiu um tapa na m inha cara, tinha certeza que ficaria verm elho. Parece que se
acostum ou a fazer isso, torcia para que não virasse um hábito. Mas aquilo aguçou m eu lado
neandertal, estreitei os olhos e avancei. Ela se afastou de costas até bater na parede da cozinha. Eu
coloquei os dois braços ao lado da sua cabeça e aproxim ei m eu rosto ao dela.
— Você pode m e bater até cansar essa m ãozinha. Isso só m e excita m ais. E sabe o quê? Chega
dessa m erda, não vou m ais perder tem po. Você não vai escapar dessa vez.
Não a deixei pensar m ais. Aproxim ei m eus lábios e beij ei sua boca ferozm ente, não era doce
nem sentim ental, m as para firm ar o m eu ponto de vista. Sabrina resistiu e tentou em purrar m eu peito,
m as acabou se rendendo. Fechou os olhos, só assim m e perm iti relaxar e aproveitar.
Levei um a m ão à sua cintura e colei nossos corpos. Agarrei seus cabelos e assaltei sua boca.
Era o paraíso, sua língua quente fazia um a dança enlouquecedora. Nossa respiração se m isturava, eu
com ecei a m e esfregar nela, prendendo-a na parede. O corpo de Sabrina era delicioso. Ela era
m agra, m as tinha curvas em cada parte. Há m uito tem po não m e sentia tão bem em estar nos braços de
um a m ulher. Para m im não havia outra.
Porém , subitam ente, ela retesou o corpo e m ordeu m inha boca. Dei um grunhido assustado e abri
os olhos separando nossas bocas. O brilho em seu olhar era excitado e m agoado.
— Você pensa que sou um a dessas m alucas sem cérebro que você fica, Lucas? Acha que pode
m e beij ar e se esfregar, que fica assim m esm o? E os anos que fom os m agoados, não conta? Acha que
eu tenho um botão de liga/desliga? — estava histérica gritando e esbravej ando.
— Você sim plesm ente vai continuar com isso? Deixar tudo que há entre nós ir em bora por causa
de orgulho e teim osia? Já não basta todo esse tem po que sofrem os? Porque eu tam bém sofri. Você
acha que não sei dos caras que você saiu? Sei m uito bem com o dói.
Ela arregalou os olhos surpresa. Não pretendia falar isso, pois não achava relevante. Mas ela
pediu. Um a vez fui buscá-la no trabalho e Sabrina estava saindo com um m auricinho m etido a besta,
não sabia se rolou algum a coisa. Mas doeu.
— Que foi? Eu sei que você tam bém não ficou m e esperando, então não m e venha com
hipocrisia dizendo que sente noj o de m im por ter ficado com outras m ulheres. A única que eu quero é
você, porra! Isso não conta? — estava m e excedendo de novo, m as Sabrina tinha o poder de m e
deixar enlouquecido.
— Eu não sei, ok? Tenho que pensar, essa proxim idade m e deixa perturbada. Fizem os m uita
m erda. Não sei se daríam os certo com tanta m ágoa guardada. — Ela olhava em m eus olhos com tanto
rancor que m e encolhi interiorm ente.
— Sabrina, você que fica guardando essa m erda toda. Eu só sinto m uito pelo tem po que
perdem os, o resto não im porta.
Ela abaixou a cabeça e encostou a testa no m eu peito. Apesar de tudo, ainda éram os am igos e
um apoiava o outro incondicionalm ente.
— Eu não sei se sou capaz de esquecer cada garota que você andou. E o que aconteceu no
casam ento está gravado na m inha cabeça. Não sei se consigo ficar com você assim .
Sabia que tinha feito m erda no m om ento em que puxei aquela garota para o j ardim . Mas estava
tão louco das suas rej eições constantes que nem pensei direito.
— Aquilo foi a burrada m or. Sinto m uito.
— Não foi, a pior foi quando você puxou aquela vaca loira no seu aniversário. Ali sim m eu
coração despedaçou. Não sei bem se ele tem conserto, Lucas. Preciso de um tem po.
— Tudo bem , m as você não vai em bora, né?
Não conseguia conceber a ideia de tê-la longe de m im .
— Vou sim , apesar de tudo ainda continuo com a ideia fixa de m e m udar. Não dá pra ficar m ais
assim . É m uito sofrim ento.
Eu acariciava seus cabelos m acios e aproveitei a oportunidade de estar tão perto para inalar seu
perfum e doce.
— Por favor, não m e abandone. — Sentia as lágrim as se form ando em m eus olhos. Meu coração
estava com prim ido e não tinha pra onde correr.
— Não fale assim . Deixa-m e livre por um tem po. Vam os ficar separados pra ver no que dá? É
m elhor do que a gente tentar e acabar perdendo até m esm o a nossa am izade. Você é m uito im portante
pra m im .
Levei a m ão até o seu queixo e elevei seu rosto para poder olhar em seus olhos azuis.
— Ok, m as não foge de m im , tudo bem ? E não vá m orar em qualquer lugar para se afastar. Só se
achar um apartam ento legal é que deixo você ir.
— Ok. Vam os alm oçar que está esfriando. Você sabe que odeio com ida requentada. — Me deu
um sorriso am arelo.
Concordei com a cabeça, m as antes dei um selinho leve em seus lábios. Tentei transm itir tudo o
que sentia ali. Mesm o não tendo dito com palavras, eu queria que ela soubesse o quanto a am ava.
Fechei os olhos e gravei na m em ória o sabor daqueles lábios. Não sabia com certeza quando os
provaria novam ente, m as prom eti a m im m esm o não esperar tanto.
Afastei-m e e virei de costas, não conseguiria enfrentar seus olhos e m e distanciar. Sentei na
bancada e abri as caixinhas de com ida, ela se acom odou devagar no banco à m inha esquerda.
Depois da pegada que tivem os, tê-la tão perto iria m e incom odar m uito, m as não iria m e afastar.
Meu plano m eio que foi por água abaixo depois disso, porém não im portava, porque a sinceridade
sem pre é o m elhor cam inho.
Alm oçam os tranquilam ente sem dizer um a palavra, quando acabam os j oguei as em balagens
vazias na lixeira. Sabrina pegou da geladeira m inha sobrem esa favorita: Nutella com m orango. Acho
que ela queria adoçar m eu hum or.
— Hum , por que o doce?
— Queria que fosse algo especial. Sem pre tivem os bons m om entos na cozinha, não é verdade?
Assenti e m e sentei novam ente, ela colocou a travessa à m inha frente e pegou duas colheres.
Sem pre fazíam os assim , com íam os direto da vasilha.
Dei um a colherada e levei à boca. Cara, não existia doce m ais gostoso. Um a im agem surgiu em
m inha m ente. Só havia um a m aneira de ficar ainda m elhor: espalhado no corpo da m ulher deliciosa à
m inha frente.
Abri um sorriso com a im agem e olhei em seus olhos. Sabia que estava com cara de safado,
com o ela costum ava dizer, m as não m e im portei, eu iria atacar com todas as m inhas arm as.
— Com certeza, e podem ficar ainda m elhores.
Ela corou em um rosa lindo e m inha m ente fértil voou ainda m ais, porém recebi um banho de
água fria.
— Eu vou procurar a academ ia am anhã. Quer ir com igo? — Ela não m e encarou com essa
declaração. Seus olhos estavam fixos na travessa à nossa frente.
— Que academ ia?
— A que o Alex trabalha, vou fazer as aulas.
Virei m inha cabeça de im ediato, não podia acreditar naquilo.
— Você vai continuar com essa ideia?
— Com o assim ? Eu disse que ia fazer e vou. Estou te convidando, se vai ou não é problem a seu.
E, aliás, se ele falar do apartam ento no prédio eu vou lá conferir.
Puta m erda! Era só o que m e faltava. Sabrina m orando e tendo aulas com aquele lobo.
— Eu vou. Preciso voltar a m alhar. Mas você vai m e esperar? Essa sem ana estarei no plantão
diurno, saio às 19h.
— Ok, am anhã vou dar um a organizada na m inha agenda. Então, vam os essa sem ana à noite e
sem ana que vem de m anhã. Beleza, vai ser legal.
Só se fosse pra ela. Apesar de gostar de m alhar e fazer exercícios, não estava nada anim ado