Impulso
Capítulo 23
Ela riu e deu um tapa em m eu peito.
— Você m ereceu.
— Eu sei. Mas agora eu vou estar sem pre ao seu lado. E se te m agoar pode ter certeza que não
será por querer. Nunca m ais quero te ver chorar por m im , m inha linda.
Abracei-a e guardei no peito tudo de bom que tínham os. O que era ruim praticam ente j oguei
fora. Eu a tinha em m eus braços, e ela era m inha para guardar e proteger.
Não deixaria ninguém m agoá-la. Nem m esm o eu.
CAPÍTULO 23
Sabrina
Depois de voltarm os para o bar e nos despedirm os do Bruno e da Lay la, nós fom os para casa.
Com o cada um tinha ido em seu próprio carro seguim os separados. Cheguei prim eiro porque Lucas
iria passar em um a farm ácia. Ao pisar na cozinha, m eu celular tocou.
Vasculhei sem olhar na bolsa enquanto deixava a chave em cim a do balcão. O peguei e atendi
rapidam ente antes que parasse de tocar.
— Alô. — Silêncio, ninguém respondeu. Afastei o telefone e olhei para ver se tinham desligado,
m as continuavam na linha. Percebi que era um núm ero desconhecido. — Alô, está m e ouvindo?
Alôôô. Ai, vai arrum ar o que fazer... — Desliguei e j oguei o aparelho novam ente dentro da bolsa, e
m e esparram ei no sofá. Esse povo fica à toa e perturbando a vida dos outros, porém algum a coisa
naquele telefonem a m e incom odou. Poderia ser coisa da m inha cabeça, m as não vou negar que fiquei
assustada.
Fiquei pensando e repensando quem devia ser, se era algum a brincadeira. Ou falha na linha.
Quando Lucas chegou, eu estava na m esm a posição, j ogada no sofá e roendo as unhas,
preocupada. Ele franziu a testa, colocou a sacola na m esa de centro e sentou-se ao m eu lado.
— Que foi, Sabrina? Por que essa cara?
Olhei em seus olhos e respirei fundo, não queria preocupá-lo, m as não podia esconder dele
tam bém .
— Recebi um a ligação estranha, pode não ser nada, m as fiquei assustada.
— Com o estranha? — Arqueou um a sobrancelha.
— Ficaram quietos e eu desliguei.
Ele m ordeu os lábios e se encostou.
— Pode não ser nada. Mas se acontecer de novo, m e avisa.
Virou-se, m e encarando. Tinha tanto am or em seus olhos que apenas assenti e m e inclinei para
dar um beij o em seus lábios, era um a energia que m e puxava em sua direção. Tom ei seu rosto entre
m inhas m ãos e fechei os olhos, apenas sentindo sua respiração calm a em m eu rosto além da sua boca
quente e m acia.
Queria apreciar bem devagar seus lábios, e Lucas deixou ter m eu tem po. Não se m ovia a não ser
para retribuir a doçura que aquele beij o se tornou. Mordisquei levem ente passando a língua por cada
canto, sentindo e provando.
Abri os olhos e m e deparei com seu olhar sorridente e feliz. Ele sorriu e levou as m ãos em m eus
cabelos, prendendo-os entre os dedos. Nossa respiração com eçava a ficar entrecortada e sabia aonde
isso iria nos levar.
De vez em quando, precisam os passar um a noite inteira som ente de aconchego e carinho. Agora
eu queria am ar seus lábios e sentir esse suave e doce sentim ento que se apoderava do m eu peito.
Tínham os m uito tem po para o sexo, talvez sim plesm ente acontecesse, com o algo natural levado
por puro am or.
Aprofundei nosso beij o que ainda continuava suave e vagaroso. Arrastei pelo sofá até ficarm os
de quadris colados. Acariciei sua língua e suguei com desej o. Lucas desceu a m ão pelas m inhas
costas e fez carinhos constantes, subindo e descendo pela m inha blusa.
Com um últim o roçar de lábios nos separam os. E pude sentir que nosso am or crescia. Com um
beij o sim ples e doce ou algo quente e feroz, nós estávam os cada vez m ais ligados. Sorri e m e
levantei.
— Você quer com er algum a coisa?
Ele assentiu com os olhos brilhando. Cam inhei para a cozinha, iria preparar algum a coisa para
beliscarm os, j á que não com em os nada no Beer. Já era bem tarde e um j antar não cairia bem .
Peguei na geladeira algum as coisas para um sanduíche saudável.
Lucas tinha se levantado do sofá e levado a sacola para a cozinha. Ainda não tinha visto o
conteúdo e não m e im portei em questionar. Ele parou ao m eu lado franzindo a testa.
— Sá, quando nosso relacionam ento sexual com eçou... eu não perguntei e nem você falou. Na
verdade, nem im portou. Mas pensei em algo hoj e quando saím os do bar. Você está tom ando
anticoncepcional?
Droga! Deixei a alface que tinha nas m ãos cair no balcão.
— Não — disse de olhos arregalados e engoli em seco.
Lucas suspirou.
— Im aginei. Bom , passei na farm ácia e com prei cam isinhas, as que eu tinha j oguei fora. Mas m e
diz, tem algum a possibilidade de você ter engravidado? Nós tivem os várias relações sexuais sem nos
prevenir.
Olhei para os lados e com ecei a fazer as contas. E o que constatei quase m e fez cair de costas.
— Bem , sim . Ai, m eu Deus. E agora?
Ele m e abraçou por trás e m e apoiei em seu peito, sentindo a dureza dos seus m úsculos.
— Calm a, princesa. Ainda nem sabem os se aconteceu, não fica com isso na cabeça. E se caso
tiver acontecido vai ser m uito bem -vindo. Serem os um a fam ília feliz.
Virei o rosto e vi sinceridade em seu rosto. Não que eu não quisesse um bebê do Lucas, m as
ainda não era a hora. Estava tudo m uito recente, tínham os que nos curtir m ais.
— Tudo bem , m inha m enstruação está para vir em dez dias, vam os ver se ela vai atrasar.
Ele pegou em m eus braços e m e virou.
— O que acontecer, estarei com você. Ok?
Assenti e resolvi não ficar pensando m uito nisso, afinal não iria adiantar nada.
Fizem os nosso lanche conversando am enidades do dia a dia. Adorava essa parte do nosso
relacionam ento. Em quatro anos essa conexão e am izade tinha se tornado essencial em nossas vidas.
Decidim os tom ar um banho. E que banho!
Lucas ensaboou cada pedaço do m eu corpo beij ando toda a pele que lim pava e enxaguava. Nos
tocam os e am am os vagarosam ente debaixo do chuveiro.
Tê-lo dentro de m im era o céu. Encaixam o-nos perfeitam ente e, quando o olhei através das gotas
d’água que caíam , foi a coisa m ais linda que pude presenciar na vida. Sua boca entreaberta ofegava a
cada vez que m e estocava. Nós nos am am os pelo que pareceu um a eternidade. Queríam os protelar o
m aior tem po, m as quando não deu m ais cam inham os j untos para o êxtase.
Gozei deliciosam ente e m e senti esplêndida por estar em seus braços. Ele sorriu e acariciou
m eu rosto com a bochecha, não precisava dizer nada. Cheguei à conclusão que as palavras j á não
eram necessárias, sabíam os o que sentíam os. E nada abalaria esse am or.
Saím os do chuveiro e fom os para o quarto dele. Outra coisa que precisávam os definir, apesar
do quarto dele ser confortável o m eu era m aior. E eu não sabia se ficaríam os j untos assim , agora era
natural segui-lo. Mas teríam os que decidir se seria constante dividirm os a m esm a cam a. Porém ,
deixaria para outra hora. Agora só queria dorm ir abraçada a ele e entrar no m undo dos sonhos.
Com um sorriso no rosto, m e acom odei em seu braço estendido e encaixei em sua pélvis, nos
colando com pletam ente. Ele aproxim ou sua boca pecam inosa do m eu ouvido e sussurrou:
— Boa noite, m inha princesa.
Fechei os olhos e relaxei m eu corpo. Lindos sonhos invadiram m inha m ente o restante da noite.
Em um m om ento, m e vi entrando por um cam inho de flores ao encontro do m eu am or, que com um
sorriso arrebatador m e esperava. Em outro, m e via com um bebê doce de olhos verdes em m eus
braços. Mesm o naquele m undo paralelo, senti um am or incondicional por aquela pessoinha que fazia
parte de nós dois. Acordei com lágrim as de felicidade em m eu rosto.
Talvez a ideia de ter um filho do Lucas naquele m om ento não era tão precipitada assim . Mas iria
deixar o tem po correr e dizer o que seria das nossas vidas. Afinal, sem pre acreditei que tudo tem sua
hora de acontecer.
Lucas j á estava se arrum ando para trabalhar. Mesm o que o seu plantão tenha term inado na sexta,
ele teria que trabalhar neste dia por ter faltado na quinta. Aproveitei e m e levantei. Iria dar um j eito
na casa e fazer as unhas, talvez um a hidratação nos cabelos. Isso, coisas de m ulheres. Só faltava
m inhas irm ãs e a Lay la.
Decidi convidá-las para um a festinha. Mandei m ensagem de SMS para cada um a enquanto
preparava o café. Sabia que não responderiam prontam ente por ser m uito cedo. Depois de tom ar seu
café, Lucas partiu afobado porta afora.
Às nove da m anhã, recebi as respostas. Só Ana poderia vir, porque Larissa estava às turras com
os m eninos e Lay la não se sentia bem por causa dos enj oos da gravidez, que a deixaram indisposta.
Ana chegou por volta do m eio-dia, trazendo o alm oço: pizza. Adoro!
Conversam os e fizem os hidratação nos cabelos um a da outra. Sem pre tinha sido assim , apesar
de nossa diferença de nove anos na idade sem pre nos dem os bem .
Enquanto fazíam os as unhas, recebi um a m ensagem de texto do Lucas.
“Sá, vai ter bota-fora do Alberto e do Heitor hoje à noite.
De lá, eles vão direto pra estrada.”
Respondi com um “ok” e levantei os olhos observando m inha irm ã.
— Ana, você j á está sabendo?
Ela m e olhou franzindo a testa.
— Do quê, sua louca? Do nada, j á com eça falando assim .
— Ah, deixa de ser chata. Vi seu celular vibrando e você fechou a cara, de repente, há uns vinte
m inutos.
— Não é nada. Coisa do trabalho.
— Uhum sei, não tem nada a ver com o bota-fora de hoj e à noite?
Ela tom ou um susto e quase arrancou um dedo do pé fora.
— Droga, não tem não. Por quê? Eu nem quero ir, caralho arranquei um bife. Essa bosta vai
sangrar até am anhã!
— Deixa de ser exagerada, Ana. Cara, o que aconteceu com você? Por que essa raiva toda? Pra
m im parece frustração sexual.
Ana levantou a cabeça, m e fuzilando com os olhos estreitos e a boca franzida.
— Para que você saiba, sua fedelha, ninguém está frustrado aqui, tenho tantos hom ens quanto eu
quero e m uito orgasm o com cada um .
— Eca, não foi isso que eu falei. E além do m ais nenhum deles é exatam ente o que seu corpo e
seu coração pedem .
— Foda-se esses traidores! Eu sigo e sem pre segui m inha m ente. Essa sim não m e trai ou deixa
a ver navios.
Nossa, que m au hum or. Mas achei que se eu desse m ais corda ela falaria m ais. Estava m uito
curiosa para saber o que rolou com eles e, claro, tentar aj udar.
— Isso quer dizer que você quer o Alberto?
— Porra, quero! — Ela arregalou os olhos e j ogou algodão em m im .
Eu ria e tentava m e desvencilhar por seu ataque de fúria.
— Calm a Ana, não foi difícil assim deduzir isso. Mas por que não fica com ele, então? Ele te
quer, tá m ais do que na cara, m inha irm ã.
Ela suspirou e abaixou a perna do sofá se encostando, depois deitou a cabeça fitando o teto.
— Não é tão sim ples assim , Sabrina. Ele m e m achucou dem ais, eu não consigo só esquecer,
sabe? Por m ais que ainda sinta algo por ele, não dá. Sou orgulhosa além da conta.
Olhei m inha irm ã, ela sofria, m as não dava o braço a torcer.
— Mas foi tão grave assim ? Tem m ais de dez anos.
Ela suspirou, profundam ente.
— Doze, na verdade. Conto todos os anos e por quanto tem po eu am ei com todo o m eu coração
e ele foi despedaçado. Foi grave, sim . Eu não gosto de falar sobre isso, m as farei para tirar um pouco
dessa sua cara de curiosidade. — Indicou com o dedo para m eu rosto, então percebi que estava todo
franzido, porque tentava entender o que se passava com m inha irm ã. — Quando se está em um
relacionam ento, acim a de qualquer coisa, precisa de confiança. Quando ela é quebrada, fode com
tudo. Não tem volta, pelo m enos pra m im . Não foi algo legal e indolor. Eu sofri por anos até
conseguir ir para a cam a com alguém , e tudo nas m inhas condições. Por exem plo, eu não consigo que
um cara m e dom ine. Não dá, eles não m andam na cam a. Entende o que eu quero dizer?
Olhou-m e por um m om ento e assenti.
— Não que eu faça esse lance de BDSM, m as no sexo sem pre tem alguém que conduz. E sem pre
serei eu. Assim é m enos com plicado, eu não m e envolvo, m as nunca m ais m e deixei levar totalm ente.
E isso é um a m erda, porque todos os caras que eu saio são um Zé Mané que não sabem foder. E m e
contento com essa porra!
Nossa, m inha irm ã estava m ais quebrada do que eu im aginava! Mesm o tendo acontecido tudo
aquilo com igo, consegui dar a volta por cim a e tive alguns encontros bons. Apesar de sem pre ficar
com um pé atrás, alguns foram legais. Não tanto com o m e sinto agora. Mas nada do que ela estava m e
contando. Ana não se entregava m ais com pletam ente.
— E você está feliz com ele indo em bora por um tem po?
Ela fechou os olhos e negou com a cabeça.
— Por m ais destrutivo que possa ser, eu gosto das nossas brigas. Ficar sem vê-lo vai ser o
inferno. Pior do que j á é.
— Talvez sej a bom . Quem sabe um não se esquece do outro?
Ana abriu os olhos e m e observou. O m el dos seus olhos estava escuro de tristeza.
— Sabrina, em doze anos eu não esqueci a boca e o cheiro daquele hom em . Você acha que duas
sem anas vão fazer diferença? Só se um de nós m orrerm os, e acho que ainda assim não teria j eito.