Impulso
Capítulo 9
que era um a bagunça, às vezes, parecia um adolescente cium ento e raivoso.
Olhos verdes com o os da m inha irm ã devolveram m eu olhar, e m e senti envergonhado por tudo
que aprontei. Se fosse sincero, tratei as m ulheres com o qualquer obj eto. Foi um m eio para afogar
m inhas m ágoas e saudades de um a garota que m e enlouquecia. Mesm o que elas fossem fáceis, eu não
tinha o direito de usá-las com o se fossem nada.
Minha irm ã m e ensinou m elhor que isso. Teria que m e segurar para não m anter-m e nesse círculo
vicioso no qual m e m eti. E ainda conseguir m inha garota de volta.
CAPÍTULO 9
Sabrina
Eu não podia negar que Alex era um gato, e m e deixava tentada a m ilhares de coisas que
surgiam em m inha m ente. Acabei convidando-o para ir ao bar na quarta-feira, foi m eio que repentino.
Quando vi, j á tinha falado e não podia voltar atrás. Sabia m uito bem que Lucas não ia gostar, era
evidente seu desgosto pela m inha nova am izade.
Porém , o cara havia m e feito um favor, encontrando um apartam ento para m e m udar. Apesar de
estar anim ada, eu sentia um aperto no peito. Você se acostum ar a alguém e com certa situação, é um a
droga. Não conseguia tirar da cabeça que estava traindo Lucas, o que era um a idiotice! Ele havia
feito sua escolha, tinha tido m uitas m ulheres e esfregado na m inha cara. Contudo, depois da
“pegação” que tivem os na cozinha, percebi que eu o queria tanto quanto ele m e desej ava, às vezes
achava que até m ais. Não sei dizer.
Sentia-m e um pouco m al por tratá-lo daquela m aneira perto do Alex. Mas era puro instinto m e
defender, tipo um a arm adura. Pude ver em seus olhos verdes a decepção por eu estar saindo de casa,
porque a intim idade que havia criado com Alex o incom odou profundam ente.
O vi saindo em direção ao vestiário e tive vontade de cham á-lo de volta, pendurar-m e em seu
pescoço e esquecer-m e de tudo. Só que m eu orgulho era grande e estúpido dem ais.
Adorei a aula de Muay Thai, além do fato do professor ser tudo de bom , o exercício era ótim o.
Muita técnica e aprendizado, m as tinha que ter disposição, porque era bem cansativo. Teve um golpe
em particular que peguei bem rápido, se cham a spin back kick, no qual o lutador dá um giro e acerta
o adversário com o calcanhar. Fiz direitinho, Alex ficou satisfeito e disse que tinha um a ótim a
lutadora em m ãos.
E por falar nele... Eu estava tendo um a visão privilegiada. O cara era deliciosam ente gostoso.
Só de calção preto e faixas enroladas nas m ãos, seu peito m usculoso e suado m e dava vontade de
lam ber cada gom inho do abdôm en definido. E fora que era m uito paciente e sedutor. Suas alunas se
resum iam a j ovens e lindas. Mas, segundo ele, as turm as eram separadas por faixa etária, j á que com
as senhoras idosas tinha que pegar m ais leve.
Aquele olhar sedutor e o sorriso com covinhas deixava as m ulheres babando, literalm ente. Teve
até um a aluna fingindo tropeçar para cair em cim a dele. Infantil? Verdade, m as ela tirou um a
casquinha.
A aula tinha term inado e Alex se aproxim ou, sorrindo sedutoram ente, com suas covinhas
aparecendo com o nunca. Oh, Deus! Tinha que m e segurar.
— E aí, gatinha. Tá indo em bora? — sua voz era, com o sem pre, preguiçosa. Com o se houvesse
acabado de acordar e ainda estivesse sonolento.
— Não, vou procurar o Lucas. Ele tá m eio de m au hum or, m as j á deve ter descontado nos
halteres. — Sorri, apesar de estar nervosa com sua aproxim ação repentina.
— Hum ... Você tem algum a coisa com ele? Lucas m e pareceu um pouco possessivo...
Arregalei os olhos e corei. Alex havia percebido nossa pequena briga quando chegou.
— Não, som os só am igos que dividem um a casa. A irm ã dele é casada com o m eu irm ão.
Então... som os fam ília. — Dei de om bros.
— Entendi, m as tem algum a coisa entre vocês. Pude perceber a tensão, acho que todos ao redor
perceberam . — Arqueou um a sobrancelha.
Decidi disfarçar, não gostava de falar com ninguém da m inha relação com o Lucas. Era
com plicado até pra m im . Im agina para um estranho?
— Im pressão sua. Mas por que pergunta?
— Porque quero saber se tenho um rival para conquistar você.
Fiquei sem fala, olhei em seus olhos e m e derreti um pouco. Ele estava dando em cim a de m im ,
era óbvio. E ainda por cim a seríam os vizinhos. Seria um passo para sexo casual. Não que não tivesse
feito antes, claro que sim . Porém , depois de toda a confusão no casam ento, achei m elhor m e isolar e
balançar m eus sentim entos.
Todavia tinha que adm itir que um deus com o o Alex, tentando m e seduzir seria difícil, quase
im possível, resistir. Não era tão forte assim . Por isso resolvi procurar o Lucas logo.
— É... Vou procurar o Lucas, nos vem os na quarta? Já que am anhã não tem aula...
— Com certeza, pena que vai dem orar tanto. Vai querer carona para ir ao bar? — Alex gritava
sexo até falando de casualidades.
— Não, obrigada. Virei de carro, não quero incom odar.
Ele se aproxim ou colocando a m ão em m eu rosto e acariciou com o dorso dos dedos.
— Incôm odo nenhum . Adoraria tê-la na garupa da m inha m oto... — Sorriu m alicioso m eio de
lado.
Puta m erda, o cara ia m e m atar! Será que alguém j á m orreu de excitação excessiva?
— É... Quem sabe outro dia? — Sorri, sem graça.
Alex se aproxim ou, colando a boca em m eu ouvido, ainda com a m ão em m eu rosto e sussurrou:
— Eu vou cobrar!
Minha respiração parou. Seu hálito quente provocava arrepios em m inha pele, quase soltei um
gem ido frustrado. Estava há m eses sem sexo, e do nada, surge dois gatos m e provocando. Eu j á disse
que não era forte o suficiente para aguentar?
Ouvi um a risada rouca em m eu ouvido e ele se afastou, m e olhando nos olhos.
— Pode ir. Até quarta... — Se afastou com aquele andar descontraído. Tinha sedução em anando
de cada poro daquele hom em .
Virei-m e e fui no piloto autom ático ao encontro do Lucas. Outro que m e deixava m aluca!
O avistei no aparelho de crossover, ele fazia um exercício com dois elásticos nas barras que
levantava o peso dos dois lados, levando o braço em arco na frente do corpo. Fiquei paralisada, ele
havia trocado o j eans por um a berm uda preta folgada e um a cam iseta branca que estava colada em
seu peitoral. Por m ais que visse Lucas sem cam isa, fazendo exercício era outro patam ar de
m aravilha.
Seus m úsculos definidos saltavam à visão de quem estivesse interessado em observar. E estava
lotado, garotas de idades aleatórias estavam paradas observando. Claro, Lucas era lindo e sexy. E
parecia alheio a tudo à sua volta. Estava concentrado em sua série enquanto olhava no espelho à sua
frente.
Sabe, esses caras de academ ia que fazem careta quando levantam peso? É estranho, né? Pois
nele não era. Ficava m ais sensual fazendo um a caretinha de força. Nesse m om ento, m eu pensam ento
voou e tive m ilhares de im agens invadindo m inha m ente.
De repente, nossos olhares se cruzaram pelo espelho e ele parou o exercício. Não estava com
um a expressão am igável em seu rosto. Ele desviou o olhar e cam inhou até o canto onde tinha um a
garrafa de água e um a toalha de m ão. Enxugou o rosto que estava suado e virou a garrafinha na boca.
Aproxim ou-se, quase colando seu peito no m eu. Percebi que estava ofegante do esforço físico,
m as m antinha seus olhos verde-escuros fixos em m im .
— Já acabou a aula? — Balancei a cabeça concordando, parecia ter engolido a língua de tão
lindo que ele estava. — Ok, eu j á estou term inando, só falta a esteira. Me espera na recepção, vou
fazer uns dez m inutos e tô indo.
Afastou-se sem nem m e deixar falar. Será que estava tão bravo assim com igo?
Peguei m inha bolsa e cam inhei para a área de entrada, que tinha um a m enina observando
atentam ente o m ovim ento da academ ia, enquanto lixava suas unhas. Sentei-m e e retirei o iPod da
bolsa, se era pra esperar que fosse ouvindo m úsica. Passei pela lista enorm e e parei em um a
especial: Primeiros erros, do Capital Inicial.
Enquanto a m elodia tocava em m eus ouvidos, m e transportei para quando não tinha nenhum a
preocupação e nem qual passo dar, se iria m agoar alguém , e caso eu seguisse m eus instintos se iria
m e m achucar. Não conseguia m ais m e visualizar assim .
O quanto o ex m e m udou era conhecim ento só m eu. Ninguém sabia o que eu senti, o que
aconteceu. E provavelm ente ficaria assim .
Senti um a m ão em m eu braço e levantei os olhos das m inhas m ãos entrelaçadas. A garota da
recepção estava parada ao m eu lado, querendo falar algum a coisa. Parei a m úsica e tirei os fones do
ouvido.
— Oi, posso aj udar?
Ela m ordia os lábios, visivelm ente nervosa, era até bonitinha. Por volta dos dezenove anos,
cabelos longos, tingidos de verm elho e olhos castanho-escuros.
— Queria te fazer um a pergunta. Posso sentar?
— Claro! — Me afastei para dar espaço.
— Meu nom e é Adriana, m as pode m e cham ar de Dri.
— Ok, Dri. O que você precisa?
— Fico m eio sem graça... Mas eu vi você conversando com aquele cara de cam iseta branca.
Merda! E o ciúm e com eçou a se form ar em m eu peito. Adivinhava onde isso nos levaria. Já
havia passado por situação sim ilar.
— Sim , o Lucas?
Ela sorriu m ostrando um piercing nos dentes brancos.
— Isso, ele é um gato. Uau! Então... queria saber se é seu nam orado? Me perdoe se for, m as
decidi perguntar antes de fazer qualquer besteira. Já m e envolvi com caras com prom etidos e não é
legal.
Tive que reprim ir um grunhido. Minha vontade era de gritar e dizer que sim , ele era m eu. Mas a
realidade era bem diferente.
— Não, Dri. Lucas é m eu am igo, na verdade, som os fam ília.
Ela arregalou os olhos escuros e bateu palm inhas. A garota era um a criança, e queria se m eter
com o Lucas? Ele tinha aquela cara de m enino sedutor, m as era um cafaj este.
Ok, sei que estava sendo irracional. Mas faria qualquer coisa para m elhorar a situação sem
parecer possessiva.
— Bem que você podia falar com ele, né? Eu iria, na verdade, até pensei em fazer um
m ovim ento, m as ele chegou e entrou tão depressa que nem tive chance. Parecia querer encontrar
alguém , agora sei que era você.
Oh, então ela j á havia dado m ole pra ele, que a tinha rej eitado. E m elhor, à m inha procura?
Interessante...
— Olha, Dri . Vou te dizer a verdade. Lucas não é um cara que você queira se envolver. É um
ótim o am igo, m uito gentil e educado. Contudo, ele não para com ninguém , está sem pre galinhando,
não sei por quê. Com certeza ele vai destruir seu coração.
Ela levantou um a sobrancelha, divertida.
— E quem tá falando de coração? Só queria um a noite pra transar com aquele cara m aravilhoso,
eu estou longe de relacionam ento.
Nossa, não se fazem m eninas com o antigam ente. A Dri era bem sincera no que queria.
— Hum , entendi. Mas, m esm o assim , não acho um a boa ideia...
— O que não é um a boa ideia? — Levei um susto com a voz rouca do Lucas nos interrom pendo.
Ele estava parado na porta da recepção, com as m ãos na cintura e as pernas separadas. Quanto
da conversa será que ele ouviu?
— Hum , você j á term inou? Nem vi que se passaram dez m inutos.
— Não passou. Eu que saí antes. O que não é um a boa ideia, Sabrina?
Pude notar em seu rosto fechado e olhos sem icerrados que ele estava bravo. Mas antes que
pudesse dizer qualquer coisa a garota se levantou e parou ao m eu lado.
— Oi, m eu nom e é Adriana, m as pode m e cham ar de Dri.
Revirei os olhos, ela devia falar isso pra todo m undo que conhecia pela prim eira vez.
— Oi Dri, j á tínham os nos falado quando eu cheguei, não? Precisa de m ais algum a coisa para a
m atrícula? — A voz do Lucas suavizou um pouco falando com ela, m as ainda se m antinha sério.
— Não, tá tudo certo, só queria m e apresentar — ela quase ronronou.
— Apresentada. Agora se nos der licença, nós precisam os ir pra casa. Tchau, até m ais.
Lucas saiu puxando m eu braço, deixando um a Adriana bem chateada. Não pude conter m eu
sorriso ao olhar por cim a do om bro, ela fez um a careta e m archou para atrás da m esa novam ente.
Bem feito, vadia!
Contudo, estranhei a atitude dele. Se fosse há algum tem po, ele teria flertado de volta. Se fosse
m aior de idade, para o Lucas j á estava bom , porém aquela coisa toda m e deixou confusa.
Ele praticam ente m e arrastava pra fora do prédio da academ ia até o estacionam ento. Param os
ao lado do carro e Lucas estacou.
Seu corpo todo estava tenso e pude ver que perm anecia chateado. Ele se virou com um a
expressão no rosto que nunca tinha visto.
— Nunca, Sabrina. Nunca diga que não é um a boa ideia alguém m e conhecer. Não sej a hipócrita
em falar que sou um galinha. Nós não tivem os porra nenhum a nesses quatro anos pra você ficar toda
sentida por eu ter transado com um m onte de m ulheres! — Sua voz saía entrecortada, e percebi que
estava tentando se controlar. — Você nunca teve a decência de m e dizer que sentia algo por m im .
Com o eu ia adivinhar? E a m erda de não ter dado tem po pra você se arrepender? Besteira! Minha
irm ã m e ensinou a respeitar a vontade dos outros, não ser inconveniente. E foi o que fiz. Você podia
m uito bem ter ido atrás de m im e m e parado se m e viu saindo. Mas não... Você prefere ter seu orgulho
estúpido intacto do que ser feliz. E agora fica m e cham ando dessas coisas? Vai se ferrar! — gritou
descontrolado. — Pelo m enos eu não estou flertando abertam ente com ninguém agora que sei o que
você sente por m im .
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