Impulso

Gisele Souza · Capítulo 19 de 47

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Impulso

Capítulo 18

Um a fúria subiu em m eu peito, que não pude controlar. Saí em disparada, eu iria m atar o filho

da puta.

CAPÍTULO 18

Lucas

— Caralho!

Não tive chance de fazer nada. Estava sentado ao lado de Sabrina no carro. Ficam os em silêncio

durante todo o traj eto. Quando param os percebi que ela estava tensa, parecia prestes a fugir. Mas

quando um cara saiu da casa, tudo m udou.

Sabrina disparou porta afora correndo com o um a louca. Ela não gritou antes de chegar ao lado

dele. Acho que o cara nem viu o perigo em sua direção. Pela velocidade que ela estava, derrubou-o

no chão e com eçou a socar seu rosto e arranhá-lo. Eu e Bruno saím os atrás dela e nos aproxim am os.

Seus gritos podiam ser ouvidos a quilôm etros de distância.

— Seu filho da puta, você não vai m e fazer chorar m ais. Desgraçado, noj ento, asqueroso.

Nunca. Mais. Vai. Me. Tocar. — A cada soco era um xingam ento.

Esperam os, deixando-a ter seu tem po com ele. Acho que Sabrina tinha o direito de extravasar

toda sua raiva e angústia. O cara tentava se desvencilhar, m as um a m ulher decidida não era fácil de

segurar.

Vê-la daquele j eito fez m eu coração ficar ainda m ais apertado, pois tudo que sofreu calada não

deve ter sido legal. Um a lem brança ruim tem o poder de envenenar um a pessoa pouco a pouco.

Pensam entos negativos alim entam ainda m ais esse m al, fazendo de alguém apenas um a casca vazia.

O cara tentava se desvencilhar sem sucesso, ele pedia para que a im pedíssem os de continuar e

cobria o rosto com os braços. Puxei-a pela cintura. Não foi fácil segurá-la porque ela se debatia

querendo ir pra cim a dele novam ente.

— Me larga, Lucas. Ele m erece apanhar m ais! — Sabrina estava enlouquecida, sua voz ficou

esganiçada de tanto gritar, xingando o idiota.

— Eu sei disso. Mas você j á teve sua chance. Se acalm a.

Nesse m om ento o cara se levantou enxugando o canto da boca sangrando. Observou-nos e sorriu

para Sabrina em m eus braços.

— Então, a putinha achou outro cara? O que foi, Sabrina? Não ficou satisfeita com a nossa

últim a trepada?

Eu j á ia agir quando ele foi derrubado no chão de novo por um soco de direita do Bruno. Meu

cunhado se aproxim ou do idiota caído e se abaixou ficando cara a cara com ele.

— Lava essa porra de boca pra falar da m inha irm ã, desgraçado. Você tá m ais do que ferrado e

te aconselho a calar a boca. — Puxou o cara pela cam isa e o colocou de pé. — Você m ora sozinho

aqui?

Sabrina, que respirava forte, se soltou de m im e deu dois passos à frente. Logo m e aproxim ei,

porque ela j á tinha batido o suficiente no idiota.

— Não, se ele ainda m ora aqui é porque vive com os pais. — Ela falava com o se quisesse

vom itar.

A m inha vontade era partir pra cim a dele e socar sua cara até m e cansar. Mas tinha que m anter a

calm a, não podia colocar tudo a perder.

— Bom , ainda é cedo e eles devem estar em casa. Vai m oleque, cham a seus pais, que tem os

um as coisinhas a conversar. — Bruno deu um em purrão nele e quase o derrubou novam ente. Devia

estar tonto depois de tanta porrada.

— O que vocês têm que conversar com eles? Eu não fiz nada!

Não aguentei, até aquele m om ento m e m antive calm o, apenas apoiando a m inha garota, porém o

bastardo se fazendo de desentendido despertou a m inha raiva. Aproxim ei-m e ficando frente a frente,

eu era um pouco m ais alto do que ele. Estreitei os olhos e deixei bem claro para que não houvesse

dúvidas de onde ele estava se m etendo.

— Olha só, cara, eu vou dizer isso um a vez para que entenda. Essa m ulher m aravilhosa aqui é

m inha. Eu quase a perdi por causa da m erda que você fez. Nunca se dirij a a ela sem perm issão, não

se aproxim e da Sabrina. Se encostar nela, m ais um a vez, eu acabo com você. Nós viem os tom ar providências para que nunca m ais abuse de qualquer garota.

O verm e teve o desplante de sorrir. Tudo bem que seu rosto j á estava verm elho e sangrando.

Mas era um a coisa que eu estava disposto a piorar.

— E com o você vai fazer isso? Já faz tem po que aconteceu, ninguém vai acreditar que eu a

forcei. E pra falar a verdade, Sabrina bem que gostou. Ainda escuto o gem idinho dela no m eu ouvido.

— Filho da puta... — Já ia partir pra cim a dele quando Bruno m e segurou pelo braço.

Virei a cabeça e, então, percebi que não estávam os m ais sozinhos. Um casal, por volta de

cinquenta anos, estava parado na porta assistindo toda a cena. Eram os pais do ex da Sabrina.

Eles estavam com os rostos torcidos em um a careta angustiada, pareciam assustados. Im agino

que não sej a legal ouvir do próprio filho que ele fez m al a alguém . A senhora tinha lágrim as nos

olhos e se aproxim ou do filho.

— Filho, diz que é m entira. Fala pra sua m ãe que você não fez isso com essa pobre m enina. Por

favor, não m e dá esse desgosto.

Ele abaixou a cabeça e sorriu. Acho que era m eio louco, porque estava fodido e ainda ria.

Desesperada, sua m ãe pareceu assustada ao ver a expressão em seu rosto.

— Só com ela não, mamãe. Mas com todas que m e recusaram . Porra, eu sou tudo que elas

poderiam querer!

— Oh, Deus! Eu não te dei educação? Com o você foi fazer um a coisa dessas?

A pobre m ulher estava horrorizada e parecia prestes a desm aiar. O m arido se aproxim ou de nós

sem olhar para o filho e observou Sabrina.

— Quanto tem po tem isso, m enina? — a voz do senhor estava em bargada de em oção.

— Faz quatro anos que esse noj ento encostou em m im .

O pai do cara abaixou a cabeça com as m ãos na cintura, respirou fundo e olhou Sabrina nos

olhos.

— E, pelo que entendi, você não deu queixa. O que quer, na verdade?

Adiantei-m e um passo. Eu entendia que estavam abalados, m as quem sofreu nessa história toda

por anos foi a Sabrina.

— Senhor, sou o nam orado da Sabrina e ela m e contou na noite passada o que seu filho fez. A

situação é a seguinte: ele não apenas abusou dela com o tam bém film ou e a am eaçou em espalhar o

vídeo na internet se ela o denunciasse. Por isso o silêncio de anos.

O pai fechou a cara ainda m ais e se virou para o filho. Eu só não tem i por ele porque m erecia

todo o castigo im posto.

— Onde está esse vídeo, Rick? É m elhor você dizer que o tem e que não o espalhou... — Com a

am eaça, o rapaz deu dois passos pra trás e o sorriso debochado m orreu em seu rosto.

— Eu não tenho, apaguei logo que saí de lá.

Bruno se aproxim ou. Meu cunhado era alto e intim idante. Nós lutam os j untos por anos. Depois

que Sabrina quis trocar de academ ia, eu m e separei da turm a. Então, o carinha estava m ais do que

ferrado se decidíssem os fazer j ustiça com as próprias m ãos.

— Duvido, caras com o você gostam de guardar troféus para relem brar das suas conquistas. Eu

não vou sair daqui até ter esse vídeo.

— Eu acho bom você encontrar esse vídeo agora! — vociferou o pai dele.

Ele concordou com a cabeça e j á ia se afastando. Soltei a m ão da Sabrina e m e adiantei. Não ia

perder a oportunidade de lhe dar a prensa m erecida.

— Eu vou j unto, quero ver se não vai fazer cópias. — Olhei para o dono da casa pedindo

perm issão. Afinal, eu tinha educação e não iria entrar na residência dos outros sem m ais nem m enos.

Ele assentiu e se aproxim ou da esposa, que não parava de chorar. Sinalizei para que Bruno

cuidasse da Sabrina e segui o bastardo dentro da casa. A m oradia era grande, bonita e bem

organizada. Subim os um lance de escadas e param os em frente a um a porta. Ele olhou pra m im e

sorriu de lado.

— Então, você tá pegando m eus restos?

Nem pestanej ei, o cara estava de costas pra m im e assim o im prensei na porta. Peguei seu braço

direito torcendo pra trás e com a outra m ão segurei seu pescoço. Sei que devia estar doendo, pois

não era confortável aquela posição.

— Eu j á disse para não m encionar o nom e dela, filho da puta. Acho bom ficar pianinho até eu

ter tudo em m ãos. Entendeu? — Assentiu e o soquei na porta antes de soltá-lo. Caras com o ele tem

esse negócio: são valentões com as m ulheres, faz-se de fodão para os am igos e contam vantagens em

suas aventuras. Mas na hora que aperta, eles enfiam o rabinho entre as pernas e saem de cabeça

baixa. Covardes!

Ele entrou no quarto e se sentou em frente ao notebook aberto em um a m esa ao lado da cam a.

— Eu quero todas as cópias de todos os vídeos.

— Não tem nenhum a. Apenas essa...

Prostrei-m e às suas costas e observei o que fazia. Ele abriu um a pasta codificada com o nom e:

gatinhas on-line. Dei apenas um peteleco em sua cabeça, queria fazer m uito m ais. Ele se encolheu e

logo salvou os vídeos em um pen drive.

— Agora deleta. E, se você tiver m ais algum a cópia disso e está m e escondendo, vai se ver

com igo. — Ele fez o que m andei e m e estendeu o dispositivo sem olhar pra trás. Peguei-o e segurei

seu pescoço novam ente. — Agora aguarda a polícia, seu filho da puta. Sabe o que acontece com

caras bonitinhos com o você na prisão? Viram m ulherzinha... Acho que vai gostar, seu lance não é

forçar? Pois é isso que terá de volta. Já ouviu falar na lei de ação e reação? Ela é certa e não falha.

Espere e verá.

Dei-lhe um em purrão e saí. Estava louco para m e livrar dessa situação toda. Queria ficar com

m inha m ulher e abraçá-la o dia todo, m as sabia que ainda teríam os m uita em oção neste dia.

Desci as escadas sem ser seguido pelo bastardo. Seus pais estavam em um canto da varanda do

lado de fora, e Bruno e Sabrina bem afastados. Estendi o pen drive ao m eu cunhado e m e aproxim ei

do casal.

— Eu queria avisá-los que vam os dar queixa. Isso não ficará im pune.

A senhora soluçou e escondeu o rosto no om bro do m arido, que assentiu e respirou fundo.

— Tudo bem , m eu filho m erece depois de tudo. Acho até que depois dessa denúncia

encontrarem os outras. Vou forçá-lo a m e entregar todos os vídeos e eu m esm o vou à delegacia.

A esposa se afastou com os olhos arregalados.

— Mas, querido, assim ele vai ficar m ais encrencado ainda.

— Eu sei, Fátim a. Mas é preciso, que tipo de pais som os nós que não ensina seu filho quando

erra? Tem os que tom ar providências, acho que nós o m im am os dem ais. — Depois se virou para

Sabrina. — Sinto m uito, m enina.

Sabrina se afastou do irm ão e ficou ao m eu lado, segurou m inha m ão e m e olhou nos olhos,

sorrindo.

— Não é culpa de vocês. Há um a coisa cham ada livre-arbítrio, pode ser até que o deixaram

solto dem ais. Mas foi ele que fez suas escolhas, e estão agindo certo lhe educando, nem que as

m edidas sej am extrem as. Apesar de tudo, não tenho raiva de vocês.

A m ãe do idiota se j ogou nos braços da Sabrina e chorou. Meu peito se encheu de orgulho pela

m ulher que m inha am ada era.

Despedim o-nos e rum am os para casa. Estava louco para tom ar um banho e relaxar. Só que

Bruno parecia ter outras ideias, fez o traj eto contrário e percebi que estava indo para a casa da m ãe.

Notando a m udança, Sabrina ficou tensa em m eus braços. Senti m inha cam isa m olhando. Minha

m enina estava chorando. Droga, esse encontro iria ser difícil!

Provavelm ente Lay la ligou para as m ulheres, que estavam esperando. Sei que não iam j ulgar ou

criticar, apenas aj udar, m as não gostava de ver Sabrina sofrendo ainda m ais. Podia adiar esse

confronto por m ais um dia.

Passei a m ão pelo seu rosto capturando um a lágrim a. Ela levantou a cabeça e m e observou com

seus olhos azul-clarinhos que tanto am ava. Sua boca carnuda estava averm elhada e não resisti.

Abaixei a cabeça dando um beij o carinhoso e reconfortante.

— Vai ficar tudo bem . Eu não vou sair do seu lado — falei em seus lábios.

Senti-a sorrindo e levantei a cabeça.

— Eu sei, você é m eu príncipe salvador.

— Não, sou apenas um hom em apaixonado. Quero te ver feliz o m ais rápido possível, vam os

acabar com isso e ficar em casa o dia todo. Ok?

Sabrina assentiu e levou a m ão em m eu rosto. Me esfreguei em sua palm a, sentindo a m aciez da

sua pele.

— Sabe, Lucas. Arrependo-m e de não ter dito nada. Sofrem os por quatro anos à toa. A culpa foi

toda m inha.

Segurei seu queixo e a encarei.

— Não diga isso. Você fez tudo no seu devido tem po, precisava de espaço. Não digo que foi

certo se afastar e esconder tudo, m as não vou te criticar. E eu não fui santo nisso tudo, tenho m inha

parcela de culpa. Devia ter prestado atenção e notado o que você sentia por m im . Agora estam os

j untos e não vou te deixar ir, princesa. Você é m inha!

Ela assentiu e se recostou em m eu peito novam ente. Senti um alívio poder dizer isso tudo. Eu

não era feliz pelo que fiz. Senti-m e um filho da puta total enquanto ela m e contava seu sofrim ento.

Se eu soubesse de tudo, ou desconfiasse, não teria sido tão galinha. Durante o tem po que sofria,

eu saí transando para afogar a dor de am ar e não ser correspondido. Não sei dizer se m e perdoaria

por isso, m as eu tentaria.

Se dependesse do m eu am or e em penho, Sabrina seria a m ulher m ais feliz do m undo!