Impulso
Capítulo 18
Um a fúria subiu em m eu peito, que não pude controlar. Saí em disparada, eu iria m atar o filho
da puta.
CAPÍTULO 18
Lucas
— Caralho!
Não tive chance de fazer nada. Estava sentado ao lado de Sabrina no carro. Ficam os em silêncio
durante todo o traj eto. Quando param os percebi que ela estava tensa, parecia prestes a fugir. Mas
quando um cara saiu da casa, tudo m udou.
Sabrina disparou porta afora correndo com o um a louca. Ela não gritou antes de chegar ao lado
dele. Acho que o cara nem viu o perigo em sua direção. Pela velocidade que ela estava, derrubou-o
no chão e com eçou a socar seu rosto e arranhá-lo. Eu e Bruno saím os atrás dela e nos aproxim am os.
Seus gritos podiam ser ouvidos a quilôm etros de distância.
— Seu filho da puta, você não vai m e fazer chorar m ais. Desgraçado, noj ento, asqueroso.
Nunca. Mais. Vai. Me. Tocar. — A cada soco era um xingam ento.
Esperam os, deixando-a ter seu tem po com ele. Acho que Sabrina tinha o direito de extravasar
toda sua raiva e angústia. O cara tentava se desvencilhar, m as um a m ulher decidida não era fácil de
segurar.
Vê-la daquele j eito fez m eu coração ficar ainda m ais apertado, pois tudo que sofreu calada não
deve ter sido legal. Um a lem brança ruim tem o poder de envenenar um a pessoa pouco a pouco.
Pensam entos negativos alim entam ainda m ais esse m al, fazendo de alguém apenas um a casca vazia.
O cara tentava se desvencilhar sem sucesso, ele pedia para que a im pedíssem os de continuar e
cobria o rosto com os braços. Puxei-a pela cintura. Não foi fácil segurá-la porque ela se debatia
querendo ir pra cim a dele novam ente.
— Me larga, Lucas. Ele m erece apanhar m ais! — Sabrina estava enlouquecida, sua voz ficou
esganiçada de tanto gritar, xingando o idiota.
— Eu sei disso. Mas você j á teve sua chance. Se acalm a.
Nesse m om ento o cara se levantou enxugando o canto da boca sangrando. Observou-nos e sorriu
para Sabrina em m eus braços.
— Então, a putinha achou outro cara? O que foi, Sabrina? Não ficou satisfeita com a nossa
últim a trepada?
Eu j á ia agir quando ele foi derrubado no chão de novo por um soco de direita do Bruno. Meu
cunhado se aproxim ou do idiota caído e se abaixou ficando cara a cara com ele.
— Lava essa porra de boca pra falar da m inha irm ã, desgraçado. Você tá m ais do que ferrado e
te aconselho a calar a boca. — Puxou o cara pela cam isa e o colocou de pé. — Você m ora sozinho
aqui?
Sabrina, que respirava forte, se soltou de m im e deu dois passos à frente. Logo m e aproxim ei,
porque ela j á tinha batido o suficiente no idiota.
— Não, se ele ainda m ora aqui é porque vive com os pais. — Ela falava com o se quisesse
vom itar.
A m inha vontade era partir pra cim a dele e socar sua cara até m e cansar. Mas tinha que m anter a
calm a, não podia colocar tudo a perder.
— Bom , ainda é cedo e eles devem estar em casa. Vai m oleque, cham a seus pais, que tem os
um as coisinhas a conversar. — Bruno deu um em purrão nele e quase o derrubou novam ente. Devia
estar tonto depois de tanta porrada.
— O que vocês têm que conversar com eles? Eu não fiz nada!
Não aguentei, até aquele m om ento m e m antive calm o, apenas apoiando a m inha garota, porém o
bastardo se fazendo de desentendido despertou a m inha raiva. Aproxim ei-m e ficando frente a frente,
eu era um pouco m ais alto do que ele. Estreitei os olhos e deixei bem claro para que não houvesse
dúvidas de onde ele estava se m etendo.
— Olha só, cara, eu vou dizer isso um a vez para que entenda. Essa m ulher m aravilhosa aqui é
m inha. Eu quase a perdi por causa da m erda que você fez. Nunca se dirij a a ela sem perm issão, não
se aproxim e da Sabrina. Se encostar nela, m ais um a vez, eu acabo com você. Nós viem os tom ar providências para que nunca m ais abuse de qualquer garota.
O verm e teve o desplante de sorrir. Tudo bem que seu rosto j á estava verm elho e sangrando.
Mas era um a coisa que eu estava disposto a piorar.
— E com o você vai fazer isso? Já faz tem po que aconteceu, ninguém vai acreditar que eu a
forcei. E pra falar a verdade, Sabrina bem que gostou. Ainda escuto o gem idinho dela no m eu ouvido.
— Filho da puta... — Já ia partir pra cim a dele quando Bruno m e segurou pelo braço.
Virei a cabeça e, então, percebi que não estávam os m ais sozinhos. Um casal, por volta de
cinquenta anos, estava parado na porta assistindo toda a cena. Eram os pais do ex da Sabrina.
Eles estavam com os rostos torcidos em um a careta angustiada, pareciam assustados. Im agino
que não sej a legal ouvir do próprio filho que ele fez m al a alguém . A senhora tinha lágrim as nos
olhos e se aproxim ou do filho.
— Filho, diz que é m entira. Fala pra sua m ãe que você não fez isso com essa pobre m enina. Por
favor, não m e dá esse desgosto.
Ele abaixou a cabeça e sorriu. Acho que era m eio louco, porque estava fodido e ainda ria.
Desesperada, sua m ãe pareceu assustada ao ver a expressão em seu rosto.
— Só com ela não, mamãe. Mas com todas que m e recusaram . Porra, eu sou tudo que elas
poderiam querer!
— Oh, Deus! Eu não te dei educação? Com o você foi fazer um a coisa dessas?
A pobre m ulher estava horrorizada e parecia prestes a desm aiar. O m arido se aproxim ou de nós
sem olhar para o filho e observou Sabrina.
— Quanto tem po tem isso, m enina? — a voz do senhor estava em bargada de em oção.
— Faz quatro anos que esse noj ento encostou em m im .
O pai do cara abaixou a cabeça com as m ãos na cintura, respirou fundo e olhou Sabrina nos
olhos.
— E, pelo que entendi, você não deu queixa. O que quer, na verdade?
Adiantei-m e um passo. Eu entendia que estavam abalados, m as quem sofreu nessa história toda
por anos foi a Sabrina.
— Senhor, sou o nam orado da Sabrina e ela m e contou na noite passada o que seu filho fez. A
situação é a seguinte: ele não apenas abusou dela com o tam bém film ou e a am eaçou em espalhar o
vídeo na internet se ela o denunciasse. Por isso o silêncio de anos.
O pai fechou a cara ainda m ais e se virou para o filho. Eu só não tem i por ele porque m erecia
todo o castigo im posto.
— Onde está esse vídeo, Rick? É m elhor você dizer que o tem e que não o espalhou... — Com a
am eaça, o rapaz deu dois passos pra trás e o sorriso debochado m orreu em seu rosto.
— Eu não tenho, apaguei logo que saí de lá.
Bruno se aproxim ou. Meu cunhado era alto e intim idante. Nós lutam os j untos por anos. Depois
que Sabrina quis trocar de academ ia, eu m e separei da turm a. Então, o carinha estava m ais do que
ferrado se decidíssem os fazer j ustiça com as próprias m ãos.
— Duvido, caras com o você gostam de guardar troféus para relem brar das suas conquistas. Eu
não vou sair daqui até ter esse vídeo.
— Eu acho bom você encontrar esse vídeo agora! — vociferou o pai dele.
Ele concordou com a cabeça e j á ia se afastando. Soltei a m ão da Sabrina e m e adiantei. Não ia
perder a oportunidade de lhe dar a prensa m erecida.
— Eu vou j unto, quero ver se não vai fazer cópias. — Olhei para o dono da casa pedindo
perm issão. Afinal, eu tinha educação e não iria entrar na residência dos outros sem m ais nem m enos.
Ele assentiu e se aproxim ou da esposa, que não parava de chorar. Sinalizei para que Bruno
cuidasse da Sabrina e segui o bastardo dentro da casa. A m oradia era grande, bonita e bem
organizada. Subim os um lance de escadas e param os em frente a um a porta. Ele olhou pra m im e
sorriu de lado.
— Então, você tá pegando m eus restos?
Nem pestanej ei, o cara estava de costas pra m im e assim o im prensei na porta. Peguei seu braço
direito torcendo pra trás e com a outra m ão segurei seu pescoço. Sei que devia estar doendo, pois
não era confortável aquela posição.
— Eu j á disse para não m encionar o nom e dela, filho da puta. Acho bom ficar pianinho até eu
ter tudo em m ãos. Entendeu? — Assentiu e o soquei na porta antes de soltá-lo. Caras com o ele tem
esse negócio: são valentões com as m ulheres, faz-se de fodão para os am igos e contam vantagens em
suas aventuras. Mas na hora que aperta, eles enfiam o rabinho entre as pernas e saem de cabeça
baixa. Covardes!
Ele entrou no quarto e se sentou em frente ao notebook aberto em um a m esa ao lado da cam a.
— Eu quero todas as cópias de todos os vídeos.
— Não tem nenhum a. Apenas essa...
Prostrei-m e às suas costas e observei o que fazia. Ele abriu um a pasta codificada com o nom e:
gatinhas on-line. Dei apenas um peteleco em sua cabeça, queria fazer m uito m ais. Ele se encolheu e
logo salvou os vídeos em um pen drive.
— Agora deleta. E, se você tiver m ais algum a cópia disso e está m e escondendo, vai se ver
com igo. — Ele fez o que m andei e m e estendeu o dispositivo sem olhar pra trás. Peguei-o e segurei
seu pescoço novam ente. — Agora aguarda a polícia, seu filho da puta. Sabe o que acontece com
caras bonitinhos com o você na prisão? Viram m ulherzinha... Acho que vai gostar, seu lance não é
forçar? Pois é isso que terá de volta. Já ouviu falar na lei de ação e reação? Ela é certa e não falha.
Espere e verá.
Dei-lhe um em purrão e saí. Estava louco para m e livrar dessa situação toda. Queria ficar com
m inha m ulher e abraçá-la o dia todo, m as sabia que ainda teríam os m uita em oção neste dia.
Desci as escadas sem ser seguido pelo bastardo. Seus pais estavam em um canto da varanda do
lado de fora, e Bruno e Sabrina bem afastados. Estendi o pen drive ao m eu cunhado e m e aproxim ei
do casal.
— Eu queria avisá-los que vam os dar queixa. Isso não ficará im pune.
A senhora soluçou e escondeu o rosto no om bro do m arido, que assentiu e respirou fundo.
— Tudo bem , m eu filho m erece depois de tudo. Acho até que depois dessa denúncia
encontrarem os outras. Vou forçá-lo a m e entregar todos os vídeos e eu m esm o vou à delegacia.
A esposa se afastou com os olhos arregalados.
— Mas, querido, assim ele vai ficar m ais encrencado ainda.
— Eu sei, Fátim a. Mas é preciso, que tipo de pais som os nós que não ensina seu filho quando
erra? Tem os que tom ar providências, acho que nós o m im am os dem ais. — Depois se virou para
Sabrina. — Sinto m uito, m enina.
Sabrina se afastou do irm ão e ficou ao m eu lado, segurou m inha m ão e m e olhou nos olhos,
sorrindo.
— Não é culpa de vocês. Há um a coisa cham ada livre-arbítrio, pode ser até que o deixaram
solto dem ais. Mas foi ele que fez suas escolhas, e estão agindo certo lhe educando, nem que as
m edidas sej am extrem as. Apesar de tudo, não tenho raiva de vocês.
A m ãe do idiota se j ogou nos braços da Sabrina e chorou. Meu peito se encheu de orgulho pela
m ulher que m inha am ada era.
Despedim o-nos e rum am os para casa. Estava louco para tom ar um banho e relaxar. Só que
Bruno parecia ter outras ideias, fez o traj eto contrário e percebi que estava indo para a casa da m ãe.
Notando a m udança, Sabrina ficou tensa em m eus braços. Senti m inha cam isa m olhando. Minha
m enina estava chorando. Droga, esse encontro iria ser difícil!
Provavelm ente Lay la ligou para as m ulheres, que estavam esperando. Sei que não iam j ulgar ou
criticar, apenas aj udar, m as não gostava de ver Sabrina sofrendo ainda m ais. Podia adiar esse
confronto por m ais um dia.
Passei a m ão pelo seu rosto capturando um a lágrim a. Ela levantou a cabeça e m e observou com
seus olhos azul-clarinhos que tanto am ava. Sua boca carnuda estava averm elhada e não resisti.
Abaixei a cabeça dando um beij o carinhoso e reconfortante.
— Vai ficar tudo bem . Eu não vou sair do seu lado — falei em seus lábios.
Senti-a sorrindo e levantei a cabeça.
— Eu sei, você é m eu príncipe salvador.
— Não, sou apenas um hom em apaixonado. Quero te ver feliz o m ais rápido possível, vam os
acabar com isso e ficar em casa o dia todo. Ok?
Sabrina assentiu e levou a m ão em m eu rosto. Me esfreguei em sua palm a, sentindo a m aciez da
sua pele.
— Sabe, Lucas. Arrependo-m e de não ter dito nada. Sofrem os por quatro anos à toa. A culpa foi
toda m inha.
Segurei seu queixo e a encarei.
— Não diga isso. Você fez tudo no seu devido tem po, precisava de espaço. Não digo que foi
certo se afastar e esconder tudo, m as não vou te criticar. E eu não fui santo nisso tudo, tenho m inha
parcela de culpa. Devia ter prestado atenção e notado o que você sentia por m im . Agora estam os
j untos e não vou te deixar ir, princesa. Você é m inha!
Ela assentiu e se recostou em m eu peito novam ente. Senti um alívio poder dizer isso tudo. Eu
não era feliz pelo que fiz. Senti-m e um filho da puta total enquanto ela m e contava seu sofrim ento.
Se eu soubesse de tudo, ou desconfiasse, não teria sido tão galinha. Durante o tem po que sofria,
eu saí transando para afogar a dor de am ar e não ser correspondido. Não sei dizer se m e perdoaria
por isso, m as eu tentaria.
Se dependesse do m eu am or e em penho, Sabrina seria a m ulher m ais feliz do m undo!