Impulso
Capítulo 2
caindo em um buraco sem fim . Recostei e fechei os olhos, tentando afastar aqueles sons da m inha
m ente. Mas sabia que seria im possível, pois eu tinha um a m ania de guardar as coisas que m e
m agoavam a ferro e fogo dentro de m im . Nem após o desastre com o m eu ex, eu m e senti tão
quebrada.
Se antes eu ainda tinha dúvidas de que poderia sair da casa, agora era certo. Não conseguiria
conviver m ais com ele. Não depois de com provar o que estava acontecendo.
Lucas não m e am ava m ais, ele estava m e punindo por tê-lo rej eitado e arrum ou a m aneira m ais
dolorosa de fazer isso: segurando-m e e dem onstrando o que eu havia perdido.
Só que não seria m ais assim . Eu iria sair da sua vida para sem pre.
CAPÍTULO 2
Lucas
Depois de um a noite horrível de lam entações decidi não ir ao casam ento sozinho, liguei para
Kiara e a convidei. Ela prontam ente aceitou, m as ao chegar acom panhado por ela e ver Sabrina
sozinha m e senti um idiota total. Até que ela m e provocou com o sem pre, despertando o pior de m im .
E agi im pulsivam ente carregando m inha acom panhante para os fundos. Queria apenas distrair a
cabeça e talvez dar uns am assos, porém a m inha am iguinha, que tinha outras ideias, foi logo levantando o vestido e m e convidou para transar ao ar livre. Juro que tentei resistir, afinal era o
casam ento da m inha irm ã, m as a raiva falou m ais alto. Contudo não sentia nada enquanto estava ali.
O que Sabrina fazia com igo era pra lá de fodido. Eu tinha um a m ulher gostosa à m inha
disposição e a única coisa que conseguia sentir era repulsa de m im m esm o, de repente peguei um
vislum bre de cabelos negros correndo na direção oposta. Não deu para ver direito, pois havia um a
árvore na frente que atrapalhava a visão. Senti-m e m uito m al e não consegui prosseguir, m esm o
sendo solteiro e não dever nada a ela e a ninguém m e senti um cafaj este total.
Kiara não percebeu m eu incôm odo, ainda bem , não gostaria de ter que m e explicar. Apesar de
não term os nada sério, eu tinha certeza que não gostaria de saber em quem eu estava pensando
enquanto transava com ela. Afastei-m e e saí de dentro dela, que m e olhou com frustração. Não
conseguia term inar nada com a cabeça tão cheia.
Não tinha orgulho de ter m e tornado tão otário. Muito longe disso, m as não pude evitar, foi
infantilidade da m inha parte o que fiz. E m e sentia um com pleto idiota. Acabei decepcionando quem
eu m enos queria. Minha irm ã não aprovava o estilo de vida que estava tendo, e m esm o não falando
nada eu percebia. As m ulheres com as quais m e relacionava não eram exatam ente “garotas de
fam ília”, e Lay la não gostava. Mas quem estava reclam ando? Eram fáceis, práticas e sem am arras.
Decidi term inar logo a m erda que tive a brilhante ideia de fazer. Essa porcaria de tem peram ento
e hom em das cavernas nervosinho que adquiri, só m e colocava em fria.
Kiara logo se recuperou da decepção por não ter tido a transa que desej ava e olhou para a
m inha calça que j á estava fechada, franzindo a testa.
— O que foi, querido? Está tendo problem as de ereção? Deixa-m e cuidar de você. — Levou a
m ão para o zíper da m inha calça, m as eu logo segurei seus pulsos a im pedindo.
— Não, tá tudo bem ... — Droga! Não sabia o que dizer, ela j á estava fazendo careta da m inha
recusa. — Eu tenho que voltar para a festa, Lay la deve estar m e procurando. Nós vam os fazer um
dueto, não posso negar nada à m inha irm ã.
Kiara deu de om bros e fez biquinho. Ridículo! Será que ela achava que ficava sexy parecendo
um a criança birrenta?
— Por que você é tão ligado à sua irm ã? Parece um garotinho. E ela é bem chata pro m eu gosto,
não larga do seu pé! — Deu um sorriso debochado.
Ok, pausa aí. Essa garota iria rodar, ninguém falava da Lay la assim . E eu não ia deixar que
ficasse no casam ento dela dizendo isso.
— Passou dos lim ites, querida. Vam os, vou te levar até o portão e cham ar um táxi. Você j á devia
saber pelas outras enferm eiras que não se deve falar da Lay la assim , e se o Bruno sabe ele dá um
j eito de te botar no olho da rua. — Realm ente, m eu cunhado ficava possesso com as insinuações das
enferm eiras no início do nam oro, ainda m ais agora que estavam casados.
Já fui andando e nem escutei os protestos dela vindo atrás de m im . Se tinha um a coisa que não
adm itia era falar da m inha irm ã. Que vaca, quem ela pensava que era? No cam inho, eu m andei um a
m ensagem para a central de táxi e solicitei no endereço. Em cinco m inutos, teria um carro a postos.
Esperei im paciente para m e livrar daquele peso. Tinha que rever m inhas com panhias, não daria
para ficar m ais com esses tipos de m ulheres. Cansava-m e de suas conversas sem nexo. Graças a
Deus, o táxi não dem orou a chegar e coloquei a chata pra dentro do carro, j á pagando o m otorista, e
ainda dei um bônus por ter que aguentar aquela gralha.
Esperei até o autom óvel sum ir e voltei para a festa. Respirei fundo para encarar o rosto
m agoado da m ulher que tanto am ava, m as que se m antinha à distância. Eu sei, sou um idiota! Nem eu
m e entendia. Era um a porra de um a incógnita que não conseguia decifrar.
Varri m eus olhos pelos convidados e não a encontrei. Ué, onde ela tinha se enfiado? Nem pude
tentar achá-la. Lay la vinha em m inha direção furiosa. Droga!
— Onde você estava, Lucas?
Cara, quando m inha irm ã ficava brava eu trem ia na base. Juro por Deus, ela parecia um anj o
com o o Bruno dizia, m as a garota era um vulcão em erupção. Logo dei um passo atrás e levantei as
m ãos em rendição.
— Calm a irm ãzinha, não estou fazendo nada.
— Agora! Onde está aquela garota que você trouxe? — Apesar de linda de noiva, ela parecia
um a onça pronta para atacar.
— Ela foi em bora. Não estava a fim que ela ficasse para o resto da festa. Por quê?
Lay la colocou as m ãos nos quadris e m e olhou carrancuda. Conhecia bem aquela expressão. Eu
estava em apuros, ela sem pre m ordia o lábio quando estava brava. Devia ser para se segurar e não
fazer algo que iria se arrepender. Eu tinha que com eçar a pegar um as m anias assim , talvez não fizesse
tanta burrada.
— Você realm ente não vê o estrago que faz, Lucas? Sabrina ficou arrasada por você ter vindo
acom panhado de um dos seus rebotes.
Fiquei aliviado por m inha irm ã não saber de toda a m erda que aconteceu. Se Sabrina realm ente
presenciou m inha idiotice era bom ninguém m ais saber, j á bastava ser um a decepção para a m ulher
da m inha vida. Não precisava adicionar m inha irm ã nisso.
— Por que ela iria ficar arrasada, Lay la? Foi a própria Sabrina que m e rej eitou. Eu a queria
m uito... — A única pessoa que eu conseguia ser transparente era com a m inha irm ã, que m e entendia
de todas as m aneiras.
— Vocês dois devem ser burros, não é possível! Mas tudo bem eu não vou m e m eter, porque
um a coisa que aprendi é que em briga de m arido e m ulher não se m ete a colher. Vam os cantar aquela
m úsica que m e prom eteu e não cum priu. Tá na hora, seu chato!
Sorri am plam ente e abracei os om bros da m inha irm ã. Ela ficou m uito m ais tranquila depois que
se envolveu com o Bruno. Sua personalidade havia m udado totalm ente. Era um a nova m ulher.
Cam inham os em m eio às m esas e as pessoas acenavam cum prim entando-a. Eu não gostava tanto
do palco quanto ela, m as, às vezes, satisfazia suas vontades. Com o ainda cantava no Beer, ela m e
pedia para fazer duetos e até m esm o executar um solo. E eu sem pre atendia.
A escolha que fizem os há algum as sem anas era m uito legal. Com o sem pre, o repertório da m inha
irm ã eram m úsicas com letras significativas. Ela nunca cantava por cantar, sem pre tinha um
sentim ento em m eio a tudo.
Nos acom odam os no palco que foi m ontado no m eio do j ardim com os m icrofones e dem os o
sinal. Ela não iria usar o violão, só seriam nossas vozes e a banda contratada.
— Oi, pessoal. Obrigada por estarem aqui, esta data é m uito especial. Meu m arido que o diga.
— Ela sorriu em direção ao Bruno, que a cum prim entou com um a piscadela. Cara, esses dois era
dose de se ver, m elados ao extrem o! — E com o m uitos pediram , eu e m eu irm ão vam os fazer um dueto com Cruisin’ Together, de Huey Lewis & Gwy neth Paltrow.
Ela se virou para m im com um sorriso lindo no rosto e os olhos brilhantes. Lay la sem pre ficava
linda cantando. Tinha m uito orgulho da m ulher que havia se tornado. O prim eiro verso era m eu.
Esperei a introdução da m úsica e com ecei a cantar.
“Baby vamos viajar
Pra longe daqui
Não se confunda
O caminho está livre
E se você quiser, terá para sempre
Não é para ser só uma noite baby
Então deixa a música controlar sua mente
Apenas relaxe e você descobrirá
Que vai voar para longe
Fico feliz que você esteja no meu caminho
Adoro enquanto estamos viajando juntos
A música é tocada para o amor...”
A nossa separação foi tão im portante para m im quanto pra ela. Ficam os unidos por m uito tem po
e cada um seguiu sua vida. Mas, m esm o assim , o elo que nos uniu por todos os anos em que Lay la foi
m inha m ãe era inquebrável. Minha irm ã não sabia, m as tinha salvado m inha vida.
Visualizei Sabrina no m eio de todas as pessoas. Ela tinha os olhos inchados e verm elhos.
Algum a coisa em m im despedaçou. Saber que poderia ser a causa daquele sofrim ento acabou
com igo. Não gostava de vê-la daquela m aneira.
E de algum a form a eu tinha certeza que era m inha culpa que seus olhinhos claros estavam tão
tristes. Aquilo m e fez quase perder a voz. Dei um a gaguej ada e Lay la franziu a testa, seguiu m eu olhar
preocupado. Vendo o m esm o que eu, fechou o sem blante e balançou a cabeça em descrença.
Nem quis term inar a m úsica, dei um olhar cheio de significado para a m inha irm ã e larguei o
m icrofone na caixa de som partindo em direção à Sabrina. Podíam os não ter nada, m as ainda assim
ela era m inha am iga.
Corri com o um louco para alcançá-la. Ela nem m esm o ouviu m inha aproxim ação, estava parada
na porta da cozinha com um braço encostado na parede e a cabeça baixa. Merda, por que eu tinha
que ser um idiota? Mas o que eu iria fazer? Tornar-me um ermitão, sozinho esperando sua boa
vontade em me querer?
Aproxim ei-m e devagar e colei m eu nariz em seu pescoço. Nunca m ais avancei o sinal com ela.
Não, desde que m e recusou. Mas era im possível resistir ao seu perfum e m aravilhoso, quando sentia
tanto. Sem pre que estava relaxado em casa e num a boa, eu aproveitava um pouco. A proxim idade que
conseguia furtar, era com o um bálsam o para o m eu coração que tanto ansiava por essa m ulher.
Notei seu corpo ficar tenso e vi quando levantou a cabeça sem olhar para trás. Enlacei sua
cintura, a prendendo ao m eu corpo e sussurrei em seu ouvido:
— Onde você estava indo com tanta pressa?
Sabrina ficou em silêncio. Droga, a situação não era das boas. Aquela m ulher falava pelos
cotovelos, tê-la sem palavras não era um bom sinal.
— Sá, m e diz o que tá acontecendo. Eu não gosto de te ver sofrer.
Tive a im pressão que falei algum a besteira, porque a m ulher se tornou um a pilha, e
desvencilhou-se do m eu abraço — que pena, estava m uito confortável seu corpo m acio no m eu —, e
virou para m im com os olhos azuis furiosos. Suas pupilas estavam dilatadas e m ordia o lábio com
raiva. Mesm o assim , continuava linda.
Mas o que m ais m e incom odou foram as m arcas de lágrim as, ainda frescas em seu rosto bonito.
A m inha vontade era m e aproxim ar, enxugar seu rosto e acalentá-la por toda a noite, porém eu sabia
que se avançasse seria rechaçado. Estava cansado de ser recusado por ela. Tinha um orgulho dentro
de m im que não conseguia deixar pra lá.
— Você é um idiota sem noção, Lucas! — ela praticam ente gritou o que todo m undo parecia
saber, m enos eu.
— Não estou entendendo, Sabrina. O que aconteceu pra ficar toda nervosinha?
Cara, eu era um babaca total. Eu sabia que não tinha sido confortável para ela m e ver com a
Kiara. Mesm o Sabrina não querendo nada com igo, além de am izade, eu sentia certa atração física
vindo dela. E tinha certeza que m e ver com outra m ulher feria seu ego.
— Inacreditável! Você fica fodendo essas vadias por aí, em público, e ainda não sabe o que
aconteceu? Você é um babaca!
Sabrina estava furiosa. Gesticulava m uito e parecia prestes a explodir. E com o eu sou um filho
da puta, decidi colocar m ais lenha na fogueira.
— Mas o que você tem a ver com isso? Não m e quis e agora fica toda bravinha por eu estar
transando? O que você queria, Sabrina? Não ia ficar te esperando a vida inteira. Você não é a única
m ulher no m undo, m esm o elas não sendo tão gostosas quanto você! — Eu não sabia o que ela tinha,
que m e fazia ser um idiota, m as não conseguia evitar. Quando percebia, j á tinha soltado a m erda.
E a consequência disso? Um tapa, bem dado no m eio da cara. A garota tinha a m ão pesada.
— Você é um idiota, Lucas. Eu vou em bora, estarei procurando um apê pra m im am anhã. Não
aguento m ais essa m erda! — ela soluçava e gritava.
Senti um frio na barriga e um a dor que não tinha nada a ver com o tabefe que levei.
Não ter Sabrina com igo todos os dias ia ser o m eu fim . Mesm o estando separados, por um a
porcaria de fenda enorm e, ainda era com o um a calm aria em m eu coração revolto poder vê-la todos os dias, m esm o que fosse com aquele pij am a ridículo do Mickey.
— Você não pode ir em bora, Sabrina! — Sei que soei desesperado, m as estava pouco m e
lixando para a m inha dignidade naquele m om ento.
Sabrina abaixou a cabeça, parecia esgotada. Seu peito subia e descia com a respiração rápida,
por estar ofegante de raiva, enquanto as lágrim as caíam sem parar em seu rosto.
— Não aguento m ais, Lucas. Foram quatro anos de agonia. Não foi fácil ver aquele m onte de
m ulher entrando e saindo do seu quarto.
Nunca entenderia as m ulheres. Se ela não m e queria, por que isso a incom odava ou m achucava?
— Sabrina, m e aj uda aqui. Nosso arranj o é bom para os dois. Você não paga aluguel e
econom iza. Eu tenho relacionam entos sim , m as nunca a deixei ver ou ouvir nada. — Respirei fundo,
m e preparando para o que diria a seguir. — O que aconteceu hoj e não foi prem editado, agi sem
pensar. Nunca faria nada para m achucá-la. Quando fico com raiva das nossas brigas, viro um idiota
sem noção.
— Que briga, Lucas? Eu só perguntei por que você não estava com a vadia sem cérebro da vez.
— Tá aí. Esse é o m otivo. Você não m e quis e fica j ulgando as m eninas com quem eu saio.
Ok, Kiara não tinha nada na cabeça m esm o. Mas não iria dar esse gostinho pra ela saber que
tinha razão. Sabrina j á era egocêntrica o bastante, obrigado.