Impulso
Capítulo 33
— Eu que agradeço por ter nos recebido em sua fam ília. Eu e m inha irm ã sem pre fom os
sozinhos, conhecíam os o am or porque nosso sentim ento sem pre foi grande, m as vocês nos acolheram
com tanto carinho que é im possível não se em ocionar. Você é um irm ão para m im , Bruno.
Ele sorriu e m e abraçou.
— Vam os vê-la agora?
Assenti e antes de entrar questionei sobre o que aconteceria ao Rick.
— Liguei para o advogado, e ele disse que j á entraria com um pedido de prisão form alm ente.
Pelo que m e falou, o cara tá ferrado sem possibilidade de defesa satisfatória. — Seu m axilar estava
trancado de raiva.
— Queria ter batido m ais. O filho da puta m erece tudo que certam ente irá passar.
Bruno concordou com igo e entram os no quarto. Sabrina estava deitada com a roupa trocada e de
olhos fechados, m as quando nos ouviu, abriu seu m ar azul e sorriu devagar.
Foi quando m eu coração, m ais um a vez, se entregou a ela.
CAPÍTULO 33
Sabrina
Reviver aquele pesadelo foi um inferno. As m ãos daquele noj ento em m im , m e m achucando, foi
terrivelm ente assustador. Já tinha por certo um novo ataque. Se Lucas não tivesse chegado a tem po eu
teria sido abusada novam ente. Hom ens com o o Rick não têm pena de ninguém , são egoístas e m onstruosos, só pensam em si e gostam de fazer dano, m achucar. Acho que seu m aior prazer é ver o
sofrim ento da sua vítim a.
O estupro é um crim e que se repete, o estuprador se torna um viciado e seu prazer é o
sofrim ento e a dor. Norm alm ente, eles são pessoas de aparência tranquila que não deixam
transparecer perigo, m as são extrem am ente violentos. Se encontram m uita resistência para a
consum ação da sua atrocidade, eles costum am ser drasticam ente agressivos, chegando a m atar suas
vítim as. A pressão psicológica que eles im põem é m uito forte. Por ficarem tão abaladas, o m edo se
apodera delas e m uitas vezes um estuprador fica livre por anos pela falta de denúncias. Há quem
pense que o abuso sexual é apenas de hom ens contra m ulheres, m as há m uitos casos fora do
conhecim ento público de m ulheres atacando outras do m esm o sexo e até hom ens. Um crim inoso não
tem sexo definido, m as sua m ente é perversa e inescrupulosa.
Eu era agradecida por ter escapado dessa. Minha cabeça estava a m il. Quando Lucas chegou
experim entei um a m istura de alívio e vergonha. Saber que ele m e viu naquela posição e naquele
estado, sim plesm ente m e deixou arrasada. Mas seu carinho e seu conforto aliviaram um pouco a
angústia em m eu peito.
Meu coração se partiu em pedaços ao ver Bruno tão descontrolado. Não precisava ser
confortada por ele. Eu tinha que dar colo ao m eu irm ão.
Quando chegam os ao hospital m e levaram à em ergência e exam inaram -m e m inuciosam ente.
Usaram um kit pós-estupro para com provar que não havia tido nenhum tipo de penetração. Não, essa
parte não tinha ocorrido novam ente, graças a Deus.
Um a enferm eira j ovem e bonita se aproxim ou com um sorriso solidário.
— Querida, precisam os cuidar da sua cabeça e das suas costas. Ok?
Assenti e m e virei de lado. Ela lim pou e desinfetou, fez curativos em m eus m achucados nas
costas por conta de ter sido arrastada no chão. Em m inha cabeça havia um corte superficial e ela
lim pou cortando o cabelo em volta para que não atrapalhasse a cicatrização, cobrindo com gaze.
Meus braços estavam arranhados e percebi que estavam ficando roxos dos dedos daquele m onstro.
— Agora, m eu anj o, vou lim par o seu rosto. Depois vou coletar sangue para exam es.
Procedim ento padrão, tudo bem ?
Balancei a cabeça, concordando. Não queria falar m uito. Apenas o necessário. Senti m eu rosto
dolorido e o olho inchando, não conseguia ver direito por ele.
— Meu am or, você está bem ? A doutora está te achando m uito quietinha. Não quer conversar?
Olhei para a enferm eira sim pática à m inha frente, e prestei m ais atenção. Então, a reconheci...
Era a loira que estava com o Lucas no casam ento do Bruno. Engoli em seco. Com o esse m undo é
pequeno! Quem diria que alguém que tanto odiei iria m e tratar tão bem ?
— Você não está m e reconhecendo? Claro, estou horrível assim .
Ela franziu a testa e tom bou a cabeça para o lado. Quando pareceu m e reconhecer vi seu queixo
caindo.
— Meu Deus, você é a garota do Lucas. Desculpa, não te reconheci. Mas o que aconteceu? Eu
não fui m uito bem inform ada, não foi ele que te fez isso, foi?
— Não, nunca. Foi um ex m eu. Lucas m e salvou!
Ela sorriu e seus olhos brilharam , não gostei. Morri de ciúm es, porque a m enina era linda e pelo
que pude ver sim pática tam bém . Percebendo o m eu desconforto, balançou a cabeça.
— Não fique pensando dem ais — falava enquanto lim pava m eu rosto. —, eu desisti dele assim
que percebi que te am ava. Tam bém não tivem os nada m uito sério. Eu fui m eio louca nesses tem pos,
tive um a desilusão am orosa de um cara que am ei por m uito tem po. E quando conheci o Lucas vi nele
a oportunidade de m e recuperar, talvez de ser am ada. Fui m eio vadia, na verdade, não m e orgulho de
ter desviado da m inha personalidade. Mas todo m undo erra, né?
— Verdade. Mas você não m e fez nada.
Ela abaixou os olhos e sorriu triste.
— Eu m eio que o am eacei no corredor um dia, estava pra baixo e queria descontar em alguém .
Mas j á m e desculpei e ele tam bém . Então, sem m ágoas.
— Lucas se desculpou com você?
— Sim , ele disse que foi m uito cafaj este por um tem po, m as que quando teve você em seus
braços finalm ente percebeu o m al que fez e quis se redim ir.
Meu coração se encheu de alegria, o ciúm e continuava ali porque aquela linda m ulher j á tinha
transado com m eu nam orado, m as saber pela boca de outra m ulher o quanto eu era im portante, foi
libertador.
— Agora, querida, quanto ao que lhe aconteceu, creio que vão indicar um psicólogo pra você e
sugiro que não recuse. É bom conversar com quem pode te entender, sabe? Já vi m uitos casos de
m eninas que não quiseram aj uda profissional e acabaram surtando. Algum as tiram até a própria vida
por não aguentarem quando as lem branças as sufocam
Bom , a enferm eira não sabia que isso j á tinha acontecido e eu tinha seguido em frente. Mas ela
tinha razão, eu j á havia decidido que procuraria aj uda. Agora m ais do que nunca seria preciso.
— Não recusarei. Agradeço sua atenção.
Ela sorriu com os olhos tristes.
— Im agina, é m eu trabalho. Mas sou solidária a casos com o o seu. Já passei por algo assim com
alguém próxim o e sei com o é difícil. Mas vam os lá, agora seu rosto está lim pinho e vai dem orar
alguns dias para os hem atom as sum irem . Vou tirar seu sangue. Am anhã deve receber o resultado.
Assenti e ela pegou a seringa, virei o rosto porque não gostava de agulhas. Tirou duas am polas
de sangue e acom odou em um a base de isopor. Depois se virou pra m im , sorrindo.
— Vou indo, Sabrina. Acho que vão te acom odar em um quarto particular em breve. Espero que
fique bem . Posso passar pra te ver am anhã antes de ir em bora?
— Claro, pode sim .
— Ok, até m ais. — Saiu m e deixando ali de queixo caído.
Às vezes, j ulgam os as pessoas por m om entos tensos e difíceis. Nunca sabem os o que estão
passando ou sentindo. Não que eu fosse virar am iga íntim a dela, m as nada m e im pedia de ser
sim pática com alguém que m e tratou tão bem . Independente de ela ter dorm ido com o m eu nam orado
ou não.
Depois de uns vinte m inutos m e transferiram para um quarto particular. Quando estava sendo
acom odada, eu escutei um a batida na porta. Abri os olhos e sorri levem ente, Bruno e Lucas entraram
com os rostos tristes e abatidos. Eu observei os dois e m e ressenti por causar essa dor novam ente.
Mesm o sem ter culpa de tudo, m e sentia m al.
Mas não iria dem onstrar m ais essa fraqueza, tinha que ser forte para eles e para m im tam bém .
Lucas se aproxim ou da cam a com os olhos m arej ados, m as segurou a em oção. Ele beij ou cada
ferim ento do m eu rosto antes de chegar aos m eus lábios. Sua presença era com o um calm ante, ele era
um a luz em m inha vida.
— Você está bem , princesa? Precisa de algum a coisa?
— Estou bem , obrigada. Fui m uito bem cuidada. — Om iti por quem , não queria perturbá-lo.
Poderia achar que a garota se aproveitou para tripudiar, e do j eito que Lucas era im pulsivo iria atrás
dela antes de m e deixar explicar.
Meu irm ão continuava parado na porta, cabisbaixo. Estendi a m ão e cham ei seu nom e. Ele veio
e m e abraçou, acariciou m eus cabelos e beij ou m inha testa.
— Sei que você não vai querer ouvir isso, m as ele foi preso Sabrina, e vai continuar assim . Não
vou deixar aquele desgraçado solto.
Meu coração apertou só com a m enção daquele cara. Mas fiquei aliviada por continuar
encarcerado.
— Que bom , fico m ais aliviada. Você j á falou com a m am ãe e as m eninas?
— Elas estão lá fora. Vou m andar entrar.
Assenti e observei-o saindo. Lucas perm aneceu ao m eu lado com o cenho franzido.
— Sabrina, eu queria pedir perdão por ter m e atrasado. Se não tivesse ficado preso em um a
cirurgia, você não teria passado por aquilo.
Arregalei os olhos e olhei para o Lucas, ele falava sério.
— Meu am or, pelo am or de Deus, não se culpe! Ninguém é culpado por isso, aquele desgraçado estava m e seguindo. Tenho certeza que as ligações e as m ensagens eram dele.
— Que ligações?
Droga! Deixei escapar sem querer. Não queria dizer ao Lucas, m as j á era tarde dem ais.
— Há um a sem ana, eu estava recebendo um as ligações estranhas, às vezes, ficavam em silêncio;
e nas outras, eu ouvia m ensagens sinistras de gem idos e sussurros. Fiquei assustada, m as achei ser
engano.
Lucas passou as m ãos entre os cabelos m ostrando claram ente seu nervosism o, ficou sério e m e
encarou.
— Por que não m e contou, Sabrina? Isso é m uito sério e podia ter sido pior. Não quero nem
pensar o que teria te acontecido se eu não chegasse a tem po.
— Eu sei, m e desculpa. Só não queria te deixar preocupado.
Ele pegou m eu rosto entre as m ãos e olhou dentro da m inha alm a.
— Nunca m e esconda nada, m eu am or. Se m e preocupo é porque te am o, aliás, tem m uita gente
aqui que te am a. Então não fique escondendo nada, nem o que está sentindo. Sabe que pode se abrir
com igo.
Assenti e esperei um beij o nos lábios, que veio com m uito carinho e cuidado, pois m inha boca
estava ferida. Escutei um barulho na porta e Lucas se afastou. Minha m ãe, m inhas irm ãs e a Lay la
estavam ali querendo m e ver.
Mam ãe se aproxim ou preocupada e quando viu m eu rosto não pôde conter um soluço. Cobriu a
boca com a m ão e se aproxim ou deitando a cabeça em m inha barriga. Acariciei seus cabelos claros,
tão parecidos com os da Larissa e a acalm ei. E assim foi com as outras. Acho que o sofrim ento era
tanto que elas precisavam ser consoladas tam bém .
— Sabrina, você está bem ?
Por m ais que não gostasse de ouvir isso repetidam ente, entendia a preocupação delas.
— Estou sim . Agora está tudo bem . Cadê o Bruno?
Lay la se sentou ao m eu lado e sorriu.
— Tá lá fora tom ando um ar. Ele ficou m uito abalado com tudo.
Olhei m inha cunhada tão linda, a gravidez tinha feito m uito bem a ela. E seu carinho com a
m inha fam ília e m eu irm ão era incansável. Era m uito grata a ela por m uita coisa, principalm ente por
ter criado um ser tão lindo com o o Lucas.
— Cuida dele, Lala? Não o deixe sofrer dem ais.
Ela assentiu e ficam os conversando por m ais um tem po sobre am enidades. Acho que ninguém
queria estender aquele assunto por m uito tem po. Lucas se afastou um pouco sentando na poltrona
próxim a ao banheiro. Deixou as m eninas terem seu tem po ao m eu lado.
Estávam os distraídas quando Bruno entrou todo esbaforido procurando Lucas com o olhar. Seus
olhos azuis arregalados estavam em pânico. Meu corpo todo se arrepiou, não era um a boa notícia.