Impulso
Capítulo 30
Ele franziu a testa, m as concordou com um aceno. Passou a m ão em m eu rosto e sorriu.
— Eu acho que o advogado te surpreendeu, não? Percebi seu olhar em basbacado — provocou,
balançando as sobrancelhas.
Corei na hora. Droga, creio que todos perceberam !
— Ficou com ciúm e?
— Não, percebi pelo olhar que o cara j á está laçado.
Fiz biquinho e dei de om bros indo até o arm ário. Soltei a toalha e peguei um a cam isola de seda
na gaveta.
— O que eu posso fazer? Aquele Alexandre Ferraz é lindo!
— Engraçadinha. Ele não é nenhum príncipe encantado, viu? Tá na cara que o cara é pegador.
Sorri com o pensam ento que tive.
— Não, nada de príncipe pra ele. Tá m ais pra lobo m au m esm o.
Mas, com o disse o Lucas, era m ais do que óbvio que o cara j á estava caidinho por alguém .
Garota sortuda!
CAPÍTULO 30
Lucas
Após a tensão no encontro com o advogado, conseguim os a confirm ação que a denúncia havia
sido feita. Cinco dias depois recebem os um a m ensagem do Ferraz dizendo que o Ricardo tinha
recebido a intim ação.
Estava apreensivo com o desenrolar dessa história. Não sabia com o seria dali para frente,
quanto tem po iria levar. Não gostaria que Sabrina tivesse que suportar m eses ou anos de processo.
Indo e voltando, tendo que encarar sem pre aquele filho da puta e ainda não ter o veredito m erecido e
esperado.
Essa sexta-feira foi extrem am ente cansativa, o hospital estava lotado e enfrentei várias cirurgias
ortopédicas. Cheguei em casa exausto, Sabrina ainda não estava, pois tinha aula de Muay Thai. Não
m e im portava m uito m ais em relação ao Alex, porque eu confiava com pletam ente nela.
Tom ei um banho relaxante e fui preparar um j antar gostoso para nós. Meu celular tocou em cim a
da bancada. Era Alberto.
— E aí, cara? Já cansou do tatuado, ou tá de casinho com ele? — atendi sorrindo.
— Rá, com o você é engraçado. Tá andando m uito com o Bruno, hein?!
— Deixa ele ouvir você falando isso. Mas diz aí, com o estão as coisas? — Cam inhei até a
geladeira tirando os m antim entos que usaria no j antar.
— Tudo tranquilo, j á passam os por quatro cidades litorâneas, bem legais. Heitor não é um a
garotinha com o você... Nada de reclam ar.
— Ah, cala a boca. Mas fala, ligou só pra papear ou algo específico?
Escutei ele suspirar e fazer um a pausa.
— Com o ficou a Ana Luiza depois que fom os em bora?
Sorri com o telefone preso entre a orelha e o om bro. Segurei o peito de frango tirando da
sacola.
— Você quer a verdade ou um a resposta enfeitada?
— O que você acha, idiota? Se eu tô perguntando...
— Sei lá... Bom , Ana ficou arrasada e puta com igo quando dei um chega pra lá nela. —
Coloquei o frango em cim a da tábua de carne.
Escutei Alberto pigarrear e percebi que um barulho de carros e o m ar ao fundo podia ser
ouvido.
— Sei... — Suspirou pesadam ente. — Você tá ocupado, cara? Queria conversar.
— Não, tô legal, preparando um j antar, m as estou te ouvindo.
— Se você não estivesse com a Sabrina e pudesse tê-la pela m etade, o que faria?
Franzi a testa e larguei o frango em cim a da tábua. Tentava entender o que ele quis dizer.
— Olha, Alberto não sei se entendi bem , m as qualquer chance de ter algum a coisa com a
Sabrina eu pegaria, cara. Ela que nunca deu espaço. Acho que sej a qual for a tentativa é válida. Eu
tendo ela em m eus braços está bom dem ais.
Ele ficou em silêncio por um tem po, e eu aguardei.
— Hum , é com plicado essa m erda de coração, né?
— Alberto o que está acontecendo? Cadê o Heitor?
— Está no hotel, eu vim para a praia pensar. Precisava esvaziar a cabeça. Eu saí pra m e afastar e relaxar, m as não adianta porque aonde eu vou, a Ana tá com igo. Cara, isso é tortura dem ais!
Fiquei com pena dele. Am ar desse j eito por tanto tem po sem ser correspondido ou com
esperança de ser, devia ser doloroso. Na verdade, eu sabia que era. Eu não sofri a m etade que ele e
foi horrível.
— Se eu posso te dar um conselho é que relaxe aí. Quando voltar, dê um a decisão nela. Já
passou da hora de acertarem os pontos. Se não for para ficarem j untos, que se separem de vez. Sendo
am igos, isso só vai piorar.
— Você tem razão! — falou com a voz em bargada. — Farei isso, se ela não quiser nada eu vou
em bora, cara. Acho que não quero a m etade de um am or. Valeu pela conversa, avisa o pessoal que
voltam os na quarta, beleza?
— Ok, fica bem . Relaxa a cabeça e pensa m uito antes de tom ar qualquer decisão.
— Pode deixar. Dá um beij o na bonequinha. Tchau. — Ele desligou e eu fiquei ali olhando para
o frango em m inhas m ãos. Alberto acabaria se tornando um cara am argurado com essa briga de gato e
rato entre ele e Ana.
— Nossa, que concentração no frango. — Olhei pra cim a ao escutar a voz da m inha princesa.
Sorri e lavei as m ãos na pia indo ao seu encontro. Beij ei seus lábios doces, saboreando cada pedacinho com a língua. Sentia no peito um a angústia, devia ser pela conversa com o Alberto e por
sentir em sua voz a dor que havia nele. Afastei-m e e olhei em seu céu azul.
— Com o foi seu dia, am or? — Ela sorriu acariciando m eu rosto com as costas da m ão.
— Foi bom , cansativo, m as m e revigorei na academ ia. Por que essa carinha?
Abracei seu corpo e afundei o nariz em seus cabelos negros, gravando seu perfum e na m em ória.
— Eu estava falando com o Alberto ao telefone. Eles voltam na quarta.
— E você ficou triste por isso?
Balancei a cabeça negando.
— Não. Ele m e fez um a pergunta sobre ter um am or pela m etade e fiquei chateado por ele e Ana
não se entenderem .
Sabrina se afastou com os olhos tristes.
— Eu tam bém fico. Apesar de não saber o que rolou, acho que eles deviam se dar um a chance.
Afinal, se passou tanto tem po e, m esm o assim , é óbvio o que sentem um pelo outro.
Assenti beij ando sua testa. Soltei seu corpo e sorri, pois tinha que dar a outra notícia para ela.
— Recebi um recado do advogado, o Rick j á recebeu a intim ação.
— Eu sei. Eu tam bém recebi. — Andou até o sofá e se sentou ali. — A prim eira audiência foi
m arcada para daqui a dois m eses.
Levantou-se, pegando o m eu rosto entre as m ãos, e disse:
— Não fica assim , am or. Vai dar tudo certo. Eu não estou nervosa, tá? Agora, o que você está
fazendo de gostoso para o nosso j antar?
— Surpresa. Vai tom ar um banho e vem para conversarm os.
Ela sorriu dando um selinho em m eus lábios e saiu em direção aos quartos.
Voltei à cozinha para term inar de preparar o fricassê de frango que ela adorava. Eu aprendi a
cozinhar desde pequeno, tinha que aj udar Lay la em algum a coisa e, às vezes, gostava disso.
Cortei o frango e preparei todo o restante. Essa receita era fácil e rápida. Distraído, pensei em
m inha vida com e sem a Sabrina. Um a nostalgia m e abateu, fazendo-m e ficar tonto. Sentia falta de
quando eu, ainda garoto, e Lay la ficávam os horas na cozinha preparando alm oços e j antares, em
festas com em orativas apenas para nós dois. Nunca fui de fazer am igos, acho que tivem os m uitas
perdas em pouco tem po e isso nos deixou cautelosos em relação a laços afetivos.
Quando Lay la conheceu o Bruno acabou a solidão. Fom os literalm ente adotados por aquela
fam ília louca, barulhenta e linda. Apesar de am ar a Sabrina com o hom em , tenho m uito carinho por
ela tam bém porque sou grato por sua am izade esses anos todos. Tê-la ao m eu lado fez-m e
am adurecer e m e tornar o ser hum ano que sou hoj e.
Não fui nenhum santo. Errei m uito. Mas no final as coisas se encam inharam para a felicidade
plena que havia em m eu coração. Tudo tem um propósito e m otivo. Aprendi a duras penas a não
questionar dem ais. Deus sabe o que faz.
Quando Sabrina retornou, eu j á estava colocando o fricassê no forno. Ela se sentou na bancada
sorrindo e pegou um pouco de batata palha dentro do saquinho.
— O Alex perguntou de você...
Levantei um a sobrancelha e apoiei as m ãos afastadas na bancada, m e inclinando para frente.
Sabia o que Sabrina iria ver, e não m e decepcionei. Estava sem cam isa e ela devorava m eu tórax
com os olhos.
— Ah, é? E o que ele queria? Por acaso se apaixonou por m im ?
Ela sorriu sem desviar os olhos.
— Pode ser. Não é m uito difícil. Você sabe?
— Não sei, não. O quê?
Sabrina riu e estreitou os olhos.
— Você sabe que m e deixa sem chão quando fica exibindo esses m úsculos definidos?
— Não sabia.
— Aham , engraçadinho. Ele só perguntou onde estava o m eu defensor cium ento. Eu disse a ele
que devia estar m e esperando em casa, nu e com um lacinho pra presente.
Arregalei os olhos e não pude evitar do m eu queixo cair.
— Sério que você disse isso?!
Ela gargalhou j ogando a cabeça para trás e se engasgou logo em seguida. Entre tosse e risada
saíam lágrim as dos seus olhos.
— Claro que não. Mas você devia ver a sua cara agora, Lucas. Hilário!
— Você é m uito engraçadinha. Sabe que m erece um castigo por ser tão im pertinente? — Dei a
volta indo devagar, estava em m odo predador. E m inha presa tinha os olhos azuis arregalados e ria
descontroladam ente. — Acho m elhor correr, princesa. Quando eu te pegar vai ser castigada.
Sabrina levou um dedo à boca sorrindo.
— Eu vou gostar desse castigo?
Sem icerrei os olhos, captando exatam ente o que estava insinuando.
— Não sei. Será? Corre pra ver.
Ela deu um grito e correu pela sala. Com o nossa casa era pequena não tinha m uito lugar para ir.
Acabei pegando-a rápido dem ais. Joguei-a deitada no tapete, pairando em cim a do seu corpo e m e
esfregando devagar. Apenas provocando. Inclinei-m e, abaixando o rosto e m ordendo seu queixo e
pescoço. Sabrina gem ia e se agarrava a m im .
Mas se ela pensava que seu castigo era sexual estava m uito enganada. Por m ais que eu estivesse
tentado a transar com ela até o m undo acabar, a gatinha m erecia um pouco de tortura. Afastei-m e e
sorri. Ela arregalou os olhos com a expressão em m eu rosto.
— Que cabecinha suj a. Eu vou m e acabar de rir vendo você sofrer.
Nem a deixei falar nada, ataquei sua barriga de cócegas fazendo-a gritar e tentar se
desvencilhar. Não dei trégua, dava gargalhadas vendo-a tão alegre. Minha m enina precisava disso,