Impulso
Capítulo 13
Quase m orri. Decidi ali que ia tê-la de qualquer m aneira.
CAPÍTULO 13
Sabrina
Eu não queria que acontecesse nada daquilo. Depois do nosso encontro de m anhã, no qual Lucas
foi rude e insensível, m eu m undo desabou. Senti toda a sua rej eição e foi com o um a facada bem
funda. Ele estava lindo, nu, m olhado e irritado no m eio do corredor. Não se deu ao trabalho de pelo
m enos se virar. Sua voz estava grossa e profunda. Saiu sem se despedir, notei na lavanderia sua
roupa de cam a. Então entendi, ele queria tirar qualquer vestígio da nossa noite.
Não tinha o direito de ficar chateada, pois quem o deixou fui eu. Porém , im aginei que teria um a
reação distinta, m as não a indiferença. Senti-m e com o tantas outras que ele transou e descartou.
Pensei, então, que talvez pudesse deixar todo o m eu receio de lado e lhe contar tudo... Eu sabia que
Lucas nunca m e faria m al. Mas você ter lem branças dolorosas, que te fazem querer m orrer ou
vom itar cada vez que elas te assolam , é horrível!
Tinha pavor de ele ficar sabendo e se enoj ar de m im . Sei que não fui culpada de nada. Mas
havia certos sentim entos em m im que dizia que poderia ter evitado, que se fosse m ais forte poderia
ter lutado. E eu m e apavorava ao im aginar Lucas tendo estes m esm os pensam entos.
Então, por que resolvi m exer no que sentia por ele se não tinha intenção de seguir em frente?
Sim ples, estava cansada de ver o am or da m inha vida nos braços de outras. Então, por que m eu
orgulho e teim osia não m e deixavam livre para am á-lo? Deus, eu era com plicada dem ais. Minha vida
tinha sido tão fácil, então em um único dia ela virou de cabeça para baixo. Perdi toda m inha
autoestim a e confiança.
Deixei toda lem brança dolorosa para trás e fui para um dia de trabalho cansativo. Felipe
continuava com suas investidas chatas e eu estava sem paciência. Dei um fora que ele não gostou
m uito, e saiu xingando baixinho. O m elhor foi a academ ia, onde extravasei toda m inha energia na aula
de Muay Thai. Eu não queria m ais levar o Alex, achei que m achucaria o Lucas.
Só que não tive escolha, porque ele m e seguiu com a m oto até o Beer. Estava tensa por
antecipação ao que Lucas poderia fazer. Não era segredo seu desagrado para com o Alex. Quando
entram os não consegui avistá-lo em lugar algum . Talvez viesse m ais tarde. Contudo, quando Ana m e
cutucou e disse para olhar para trás, m eu coração caiu e senti com o se fosse desm aiar. Seus olhos
transpareciam toda a dor e a m ágoa. Neles vi refletido tudo o que não queria: decepção e asco.
Fiquei com m edo de um confronto, m as Lucas, com o sem pre, recuou e se sentou ao lado da
Lay la. Engoli em seco e m e acom odei ao lado da m inha m ãe com Alex a tiracolo. Com ecei a ter
raiva por ele estar ali, porém não o trataria m al. Já provoquei m uita dor em pouco espaço de tem po.
Levantei os olhos e Lucas estava m e encarando daquele j eito que só ele tinha. O am or refletido
em suas esm eraldas acalm aram um pouco m eu coração.
— Então, j á que estam os todos aqui, quero contar a novidade — Lay la desviou m inha atenção.
Já sabia qual era a novidade, porém m e faria de desentendida. Do j eito que m inhas irm ãs eram
cium entas, não iriam gostar de eu ser a única a saber.
— Fala logo, anj o. Quero receber os parabéns. — Bruno sem pre estava sendo o engraçadinho.
— Então... descobri um pouco antes do casam ento, m as quis esperar a lua de m el para contar ao
m eu m arido, que por sinal quase m e m atou por ter escondido por tanto tem po. — Ela fez um a pausa
dram ática. — Eu estou grávida!
Silêncio! Para um a fam ília louca e barulhenta, eu esperava um a explosão. Não tantas caras
paradas e em basbacadas.
— Sério? Vocês estão chocados?! Eles são com o coelhos, não se largam um m inuto. — Era
verdade, eu achei que dem orou a acontecer.
Minha declaração pareceu acordá-los porque piscaram j untos e assolaram o casal de
felicitações. Lucas sorria e abraçava a irm ã. Eu fiquei m eio aérea. Estava m uito desconfortável, não sabia com o agir com a intim idade que havíam os tido. Ainda podia visualizar seu corpo delicioso se
m ovendo contra o m eu.
Ele disse algo no ouvido da Lay la, que assentiu e adiantou um passo.
— Então gente, pra com em orar o Lucas vai cantar tocando o piano. Vocês sabem que ele é
ótim o!
Meu coração desatou a bater forte. Andei com o sonâm bula enquanto os irm ãos se dirigiam ao
palco e Lay la recebia as boas-vindas e os parabéns de quem estava próxim o e ouviu o seu anúncio.
Parei a dois m etros de distância do palco.
Lucas se acom odou ao piano e aguardou, enquanto m inha cunhada cum prim entava os clientes do
bar.
— Oi, gente. Que saudade eu fiquei de vocês, m as estava precisando de um a folga. Para
com em orar a m inha volta, o m eu irm ão vai cantar. Ele escolheu a m úsica, e vai fazer o
acom panham ento no piano.
Ela olhou para ele e sorriu afastando-se, e voltou à m esa ao lado do m arido. Lucas com eçou a
tocar as prim eiras notas de Stay, da Rihanna, e senti com o se perdesse o chão. Ele corria os dedos
pelo piano de olhos fechados, sentindo o som . Mesm o não havendo se profissionalizado, não queria
dizer que não tinha o talento de Lay la e colocava tanto sentim ento em um a única m úsica quanto a
irm ã.
Com eçou a introdução e, então, abriu os olhos grudados diretam ente nos m eus.
Foi uma febre o tempo todo
Um suor frio, uma pessoa impulsiva que acredita
Joguei minhas mãos para o alto, e disse: 'Mostre-me algo’.
Ele disse: 'Se você se atreve, chegue mais perto'
Eu nem prestei atenção ao m eu redor. Tudo se apagou. Só existia aquele hom em no palco que m e
sugava totalm ente. Seus olhos estavam brilhantes de lágrim as não derram adas. Sorte a dele, as
m inhas escorriam livrem ente.
Ele respirava pausadam ente enquanto entoava aquelas letras tão fortes, e eu m e afundava com os
sentim entos que havia no m eu peito. Sabia que parecia um a louca no m eio do bar chorando e
observando o pianista. Quando cantava, sem pre m e elevava a um nível totalm ente surreal.
Lucas cantou e m e despedaçou. Sua voz estava m ais rouca do que o norm al, resultado da
em oção que sentia. Com os olhos grudados em m im disse cada palavra, e eu entendi tudo. Ele queria
que eu ficasse.
Não tenho muita certeza de como me sentir sobre isso
Algo no seu jeito de se mexer
Faz com que eu acredite não ser possível viver sem você
Isso me leva do começo ao fim
Quero que você fique Fechou os olhos com o se não aguentasse m ais. Eu pude perceber um a lágrim a escorrendo dos
seus olhos. Foi a coisa m ais linda que j á ouvi.
Oh, o motivo pelo qual aguento firme.
Oh, porque preciso fazer este buraco desaparecer.
É engraçado, você é quem está em ruínas, mas eu era a única que precisava ser salva.
Porque quando você nunca vê as luzes é difícil saber quem de nós está desabando
Às vezes eu sentia com o se as m úsicas fossem feitas para nós. Com o poderia haver algo que se
encaixasse tanto? Me senti em suspenso com o se observasse toda a cena de cim a. Lucas continuou a
m úsica, e eu não sabia o que fazer ou com o agir.
Meu coração e m inha alm a gritavam para que eu o am asse sem reservas. Mas m inha m ente
persistia em reviver toda desgraça.
Percebi um a presença atrás de m im , seu cheiro inconfundível invadiu m eus sentidos. Alex era
um a pedida fácil. Sexo alucinado sem com prom isso, sem ter que abrir m eu coração e sem ter que
contar m inha m aior vergonha. Ele perm aneceu atrás de m im , em silêncio.
Lucas term inou a m úsica e m e encarou, parecia não se im portar com os aplausos que ecoaram
pelo bar. Seus olhos verdes m olhados m e encararam com o se pedisse algo. O que poderia fazer?
Meu Deus, eu iria enlouquecer! Apenas balancei a cabeça em negativa. Mesm o a certa distância
percebi sua decepção. Trancou o m axilar e observou o cara atrás de m im , com o se o culpasse.
Mas o culpado de tudo de ruim que aconteceu na m inha vida nunca tinha sido apresentado.
Um a m ão forte segurou a m inha, que estava fechada em punho ao lado do m eu corpo. Desviei o
olhar do palco e observei os olhos chocolates, que estavam atentos e brilhantes.
— Você o am a! Por que fica negando tanto?
Arregalei os olhos, assustada. Será que era tão óbvia assim ? Meus sentim entos pelo Lucas eram
tão intensos que pareciam palpáveis para m im , porém não im aginava ser para os outros.
— Não sei do que você está falando, Alex. — Tentei soltar m inha m ão, m as ele segurou firm e.
— Não m inta pra m im , gatinha. Sou um cara observador, sei quando um a m ulher está a fim de
um cara. E isso que você tem com o “esquentadinho” ali não é apenas físico, a situação é m ais séria.
Só não sei o porquê de tanta negação.
— Não quero falar sobre isso. — Desviei o olhar.
Alex era lindo, m as tam bém m uito perspicaz. Eu consegui esconder m eus sentim entos por tanto
tem po que posso ter-m e descuidado. E alguém tão esperto podia ver m ais do que eu estava disposta a
m ostrar. Não achei m ais um a boa ideia m e envolver com um cara com o ele.
— Ele te enganou, é? Porque se for o caso, estou disposto a te aj udar a dar o troco. — Sua voz
engrossou e olhei para o seu rosto boquiaberta. Alex sorria safado. Ele realmente estava insinuando o que eu achei que estava? — Sei que você ficou interessada em m im , Sabrina. Não sou idiota, eu
tam bém te queria. Esses lábios rosados e os olhos azuis m e cativaram , adoraria tê-la debaixo de m im
e ver seu rosto corar de tanto esforço que faríam os. E depois eu ia ouvi-la gritar várias vezes
seguidas.
Achei que m eu queixo estava no chão.
— É... Eu não sei se é um a boa ideia... — Antes de eu poder dizer qualquer coisa, vi m inha
irm ã se aproxim ando de nós. Então, percebi que o Lucas j á tinha voltado para a m esa e nos
observava com o rosto contorcido em um a careta de raiva.
Ana balançou a cabeça indicando para que eu voltasse à m esa. Ao chegar ao nosso lado, Alex
se virou e sorriu. Esse cara era terrível, até a m ulher m ais controlada cairia em seus encantos. E se
alguém m e contasse que m inha irm ã briguenta havia corado com apenas um sorriso, eu negaria e
cham aria a pessoa de louca. Mas eu vi com m eus próprios olhos!
— Sá, nós vam os fazer os pedidos. Vam os sentar?
— Claro. Vam os lá.
Adiantei-m e à frente, sabia que eles viriam atrás de m im . Lay la estava sentada ao lado do irm ão
e falava com ele em voz baixa. Lucas tinha os cotovelos apoiados na m esa e com um a m ão segurava
um copo de whisky, depois sacudiu a cabeça para algo que a irm ã disse e levantou os olhos.
A culpa é um a coisa que te corrói por dentro. Eu vi decepção e raiva nos olhos verdes que tanto
am ava. Algum a coisa dentro de m im se quebrou naquele m om ento. Não consegui encará-lo por m uito
tem po. Abaixei os olhos e segui adiante m e sentando ao lado de Alberto, que estava estranham ente
silencioso. Alex se acom odou ao m eu lado e ficou exatam ente de frente para o Lucas.
A conversa fluiu, o tem po passou e relaxei um pouco. Lay la e Bruno contaram sobre sua lua de
m el e nos divertim os com a loucura que foi quando m inha cunhada contou ao m arido que estava
grávida. Ela achou que ele iria desm aiar. Segundo m eu irm ão, ele ficou tão assustado e feliz que não
sabia o que fazer.
Ana, que estava sentada ao lado do Bruno, observava Alberto, m as logo desviava o olhar. Ele,
por sua vez, estava tenso e chateado, percebia pela sua voz ao zom bar do Bruno por qualquer coisa,
realm ente ele não estava tão relaxado com o era norm alm ente. Alex se entrosou bem com m inha
fam ília, exceto com um . Justam ente a pessoa que eu evitava olhar a todo custo.
Pelo canto do olho, percebi Heitor se aproxim ando. O m oreno continuava lindo, ele era o m eu
ursinho fofo.
— E aí pessoal, precisam de m ais algum a coisa? Estrela? — Sorriu para Lay la, que devolveu
com o m esm o entusiasm o.
— Não querido, está tudo bem .
— Ok, então. Alberto não vá sem que possam os com binar sobre a viagem .
— Beleza, antes de ir pra casa vou ao bar para conversarm os. Será que no próxim o fim de
sem ana dá pra você? Eu tenho uns dias de férias para tirar, posso ver se pode ser agora.
— O quê? Viagem ? — m inha irm ã, que estava aparentem ente alheia à conversa, se pronunciou.
Heitor olhou para ela e explicou:
— Nós vam os fazer um passeio de m oto, preciso espairecer e com binam os de ir j untos.
— O quê? Que m erda de ideia idiota é essa agora? — Ana soou um pouco desesperada dem ais
para o m eu gosto. Alberto olhou para ela carrancudo e pude ver o m úsculo do seu m axilar pulsando.
— E o que você tem a ver com isso, Ana Luiza? — seu tom de voz estava grosseiro e ele
praticam ente cuspiu seu nom e.
— Eu... Er... Nada...
Arregalei os olhos, Ana estava gaguej ando e balbuciando. Puta m erda, era o dia de ver coisas
inéditas!
— Bom , porque você deixou de ter algum a coisa a ver com igo há m uito tem po. — Alberto se
levantou quase m e derrubando no cam inho, logo Alex se afastou e m e puxou para que ele passasse
furioso.
Alberto foi em direção ao bar deixando um clim a tenso na m esa. Minha irm ã engoliu em seco e
com eçou a m exer no porta-guardanapos de cabeça baixa. Tentam os desanuviar o clim a, m as a noite j á
tinha virado de pernas pro ar.
Alex se aproxim ou do m eu ouvido e perguntou se eu queria ir em bora. Devia ter sentido o clim a
tenso e pensou em ser gentil, m as eu ainda queria ficar. Já ia responder quando ouvi um grunhido do
outro lado da m esa. Levantei os olhos e Lucas nos observava, furioso.
— Por que você não se m anca, cara? Aqui não é seu lugar! — Lucas nunca havia sido tão
grosseiro na vida. Nem m esm o com as descerebradas que ele andava.
— Não sej a ridículo, Lucas. Sabrina m e convidou. E acho que eu m e dei bem com todo m undo.
Alex levantou o queixo em sinal de desafio. Não via algo bom vindo daquilo tudo.
— Acho que j á deu de você por aqui — Lucas disse entre dentes.
— Eu j á acho que não. Por que você não se conform a? Eu fui convidado e não vou sair até que
Sabrina diga.
Alex estava quase debruçando sobre a m esa e atacando Lucas, eu com ecei a m e desesperar com
tudo que acontecia.
— Conform ar com o quê? Ela é m inha!
— Então, por que ela está ao m eu lado e não ao seu?
Todos da m esa observavam a troca de insultos entre os dois, parecia um a partida de pingue-
pongue. Lucas respirava pesadam ente e tinha a cara fechada com os olhos sem icerrados.