Impulso
Capítulo 25
coração escolhe.
— Verdade, o Lucas j á estava m e irritando. Volta e m eia ficava reclam ando: “A Sabrina saiu
com o lobo, o lobo está dando em cim a da Sabrina e blá-blá-blá”, j á estava ficando de saco cheio.
Filho da puta! Arregalei os olhos para o Alberto, que sorriu.
— Você vai ver, idiota!
A galera dispersou na conversa e falam os do m arido da Larissa que estava trabalhando e não
poderia vir. Dona Marisa tinha ficado com os m eninos para a filha se divertir, porém ainda faltava
alguém , estava sentindo falta da Ana. Mas acreditei que não viria. Afinal, não gostava do Alberto,
pois, segundo ela, queria distância.
— Vou pegar um refri. Quem quer? — falou Alberto, se levantando.
Todos se negaram e ele cam inhou sorrindo para o balcão do bar. Mas algo aconteceu, Ana tinha
acabado de chegar. O cara parou no m eio do cam inho, em basbacado.
E não era pra m enos.
Ana estava vestida pra m atar.
CAPÍTULO 25
Sabrina
— Caralho, agora ferrou geral! — Bruno expressou o que todos nós pensávam os da batalha de
titãs que se form ava à nossa frente. De um lado, Alberto estava de queixo caído e com os olhos
vidrados. Do outro, Ana, que estava linda, atravessava o bar em sua direção com um a m issão a
cum prir. O que ela iria fazer, eu não saberia dizer. Só esperava m enos confusão possível.
Minha irm ã tinha se superado na produção, vestia um a calça j usta branca e um top tom ara que
caia preto, estava linda dem ais. Seus cabelos revoltos em olduravam seu rosto, enquanto seus olhos
brilhavam . Seu andar decidido m ostrou que não teria volta. Alberto estava perdido nas m ãos dela.
Preparam o-nos para um ataque no coitado. Acho que ele tam bém , pois, instintivam ente, deu um
passo atrás. Mas ela nos surpreendeu ao se aproxim ar e puxá-lo pelo pescoço falando em seu ouvido.
De tenso, Alberto m udou para surpreso. Seus olhos estavam arregalados e sua respiração
ofegante enquanto ouvia o que m inha irm ã dizia. Ela se afastou, olhou em seus olhos e sorriu.
Direcionou-se para a nossa m esa cum prim entando a todos com um aceno e se sentou ao lado de
Lucas, que estava tão espantado quanto nós.
Ainda parado a m eio cam inho do bar, Alberto engoliu em seco e olhou para a nossa m esa,
diretam ente para m inha irm ã. Ela sorriu m aliciosam ente e ele piscou aturdido. Jesus, o negócio
estava pegando fogo entre eles. Saindo do seu estado catatônico, ele foi para o bar.
Eu, Lay la e Larissa debruçam os j untas com o se tivéssem os ensaiado e fuzilam os Ana de
perguntas.
— Que m erda é essa, Ana? O que você falou pra ele? — Sem pre fui a m ais curiosa.
— Você tá brincando com fogo. — Larissa arregalou os olhos.
— Mulher, deve ter sido um a sacanagem , né? Deu pra ver a eletricidade daqui. — Lay la era
m uito perceptiva.
Ela só sorriu e arqueou as sobrancelhas. Em seus olhos havia um brilho diferente.
— Não tenho nada a dizer. Dá para o bando se afastar?
Virei-m e para o Lucas que tinha o rosto alinhado com o m eu por conta de estar quase deitada na
m esa para alcançar m inha irm ã. Ele sorriu e levantou a m ão acariciando m eu rosto.
— Deixe-a em paz, princesa. Tá na hora deles se acertarem .
Assenti e m e sentei novam ente. Iria dizer que ela não iria se safar fácil, quando Alberto voltou à
m esa com duas latas de refrigerante e estendeu um a para Ana.
— Obrigada, Beto. — Sorriu.
Beto? Mas que porra é essa?!
Estávam os todos em basbacados. E, m ais um a vez, Bruno deu voz ao que todos nós pensávam os.
— Quem é você e o que fez com a m inha irm ã em burrada?
Ela virou pra ele e m ostrou o dedo do m eio. É, acho que ainda estava ali. Lay la deu um a
cotovelada no m arido fazendo-o ficar quieto, pois j á iria rebater o gesto da Ana. Eles eram sem pre
assim . Iguais até nas provocações.
— Então, nós não vam os m ais viaj ar? — Heitor, que estava em silêncio só observando,
perguntou fazendo Alberto se virar pra ele com o cenho franzido.
— Vam os sim , por quê?
— Nada, só por isso. — Apontou com o dedo de um para o outro.
Alberto respirou fundo e olhou para Ana. Parecia confuso e m agoado, enquanto ela tinha um
sorriso vencedor no rosto.
— Nada m udou, cara!
Vixi, a porcaria era m ais com plicada! Só não entendia a expressão da m inha irm ã. Ela parecia
feliz e em polgada enquanto ele estava em um a batalha interna.
— Então pessoal, eu estava pensando em fazer um dueto. Que você acha, Lala? Vam os?
Percebi que Lucas tentava desanuviar o clim a tenso. Lay la sorriu.
— Ainda pergunta? Adoro cantar contigo, Luquinha.
De repente, Ana se levantou e pediu licença para ir ao banheiro. Sem icerrei os olhos e fiquei
olhando-a se afastar, m as a cam inho do corredor ela olhou pra trás e sorriu para Alberto, que abaixou
a cabeça balançando-a devagar.
Olhei em volta e ninguém percebeu. Estavam concentrados na escolha da m úsica que Lucas e
Lay la iriam cantar. Parecendo resignado Alberto se levantou e saiu de fininho, ninguém notou que ele
tom ou o m esm o rum o que Ana.
Puta m erda!
Se os dois foram para o corredor, que levava ao banheiro fem inino e ao cam arim da Lay la, só
tinha um a coisa acontecendo.
Tapei a boca para m e im pedir de falar qualquer coisa. Ninguém tinha nada a ver com a vida
deles. Só esperava que m inha irm ã não confundisse ainda m ais a vida do cara.
— Sabrina, vou para o palco. — Lucas piscou um olho pra m im e sorriu.
Assenti e observei-o cam inhando de m ãos dadas com a irm ã. Mudei de lugar e m e sentei ao
lado de Heitor, que ficava de frente para o palco.
— E aí, ursinho? Fui só eu que percebi que o casal nitro foi para o m esm o cam inho? — falei
olhando para frente.
Ele riu baixinho.
— Ah, bonequinha, você é perspicaz. Não, eu tam bém , m as acho que só nós dois percebem os,
pois o restante do pessoal estava distraído.
Assenti e m e virei para encará-lo.
— E o que acha disso tudo? Será que vão se acertar?
Heitor respirou fundo e coçou o queixo.
— Ainda não, baby girl. Tem m uita m ágoa rolando, só que tensão sexual tam bém . Não sei que
tipo de m erda isso tudo vai resultar.
Franzi a boca, pensativa.
— Acho que o j eito é deixar o tem po correr e ver no que vai dar, né, ursinho? — Ele sorriu
m ostrando seus dentes brancos e alinhados e as covinhas na bochecha. Heitor era lindo. — E você,
não vai deixar ninguém fazer m erda com você?
Seu sorriso m orreu.
— Já fiz m uita. Acabou m inha cota de m erdas.
Fiquei olhando em seus olhos escuros e im aginando que dor era essa que ele m antinha dentro de
si. O que aconteceu com alguém tão bom para deixá-lo tão fechado para o am or?
Acariciei seu braço dando qualquer conforto que ele pudesse precisar. Heitor tinha se tornado
tão especial em nossas vidas quanto Lucas e Lay la. Estava sem pre pronto para aj udar, porque tinha
um coração enorm e, m as o ursinho tam bém sabia ser um leão quando era provocado. Desviei m eu
olhar à procura de Bruno e Larissa. Vi que estavam de pé perto do palco. Ele não ficava longe do seu
anj o enquanto ela cantava.
Olhei para o Heitor.
— Vam os lá ver os dois nos em ocionar no palco?
Ele concordou com um aceno e se levantou, m e estendendo a m ão. Cam inham os de braços dados
até onde m eus irm ãos estavam .
Lay la e Lucas conversavam com o DJ que procurava em sua playlist a m úsica que eles
solicitavam .
— Oi, pessoal. Hoj e é um dia especial, nosso chefe está partindo para um a viagem e vam os
fazer um dueto em sua hom enagem . Eu e m eu garotinho ali. — Apontou para Lucas atrás dela com o
polegar por cim a do om bro. — O que acham de um a m úsica nacional? Pra você guardei o amor, do
Nando Reis.
Nesse m eio tem po percebi Ana saindo do corredor com as bochechas verm elhas e os lábios
inchados. Estreitei os olhos e ela m e encarou, abaixou a cabeça e andou em direção à m esa. Ia evitar
o confronto a qualquer custo. Safada! Nem um segundo depois Alberto tam bém se aproxim ava, m as
não parecia feliz.
Em vez de segui-la, se aproxim ou de nós. Observei seu sem blante e constatei que estava
nervoso. Ele m e olhou e sorriu, triste.
— Não pergunta nada, Sabrina. Deixa com o está. — E se virou para frente olhando o palco.
O que Ana fez m exeu dem ais com o cara. Então, Lay la com eçou a dedilhar o violão de pé
enquanto olhava para Lucas. Ele sorriu e se preparou para a m úsica que era linda.
Com eçaram em uníssono e eu m e arrepiei, esqueci-m e de todos ao redor, m inha atenção estava
voltada aos irm ãos cantando no palco.
Pra você guardei o amor
Que nunca soube dar
O amor que tive e vi sem me deixar
Sentir sem conseguir provar
Sem entregar
E repartir
Pra você guardei o amor
Que sempre quis mostrar
O amor que vive em mim vem visitar
Sorrir, vem colorir solar
Vem esquentar
E permitir
De olhos fechados, Lucas cantava com todo o coração, ele tinha m ais da sua irm ã do que
im aginava. Eles cantavam com o coração e a alm a, percebi que todos no bar pareciam em ocionados
porque a canção falava de am or puro e sim ples. Em sua form a m ais lím pida.
Eles se viraram j untos e encararam a plateia, autom aticam ente encontrei os olhos verdes que
tanto am ava.
Achei
Vendo em você
E explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar
Pra você guardei o amor
Que aprendi vendo os meus pais
O amor que tive e recebi
E hoje posso dar livre e feliz
Céu cheiro e ar na cor que o arco-íris
Risca ao levitar
Sorriam ao encontrar as pessoas que deram o am or lindo que tinham um pelo outro. As lágrim as
desciam pelo m eu rosto, dessa m aneira transbordando o que m eu coração estava cheio. Eu am ava
tanto o hom em quanto a m ulher que o criou e fez dele o ser hum ano m aravilhoso que havia se
tornado.
Term inaram a m úsica olhando um para o outro. Foram ovacionados de pé. Nunca vi na vida
tanto sentim ento j unto sendo doado em form a de um a canção que por si só j á é linda.
Ao m eu lado, Alberto tinha se virado e observava a m orena que tinha perdido o sorriso nos
lábios e olhava as m ãos abertas em cim a da m esa. Ele fechou os olhos e respirou fundo. Depois se
voltou pra m im e sorriu.
— Garotinha, am e com todo seu ser aquele cara. Ele arrancaria seu coração por você. Esse tipo
de am or não acontece duas vezes. — Sua voz estava em bargada, e sorrindo tristem ente se virou. —
Está na hora, tatuado.
Heitor assentiu e foi até o balcão, pegou um a m ochila e se aproxim ou do palco. Subiu e se
postou ao m icrofone, antes ocupado por Lay la.
— Galera, estou indo para um a viagem com m eu am igo Alberto agora. Cuidem bem do m eu bar,
volto em breve.
Sorriu e desceu do palco. Lucas se aproxim ou e enlaçou m eus om bros, nós os seguim os para o
lado de fora e param os no estacionam ento onde estavam as m otos. Senti um arrepio na espinha, com o
se tivesse um m au pressentim ento. Mas devia ser preocupação excessiva.
Todos estavam receosos por causa da hora em que eles pegariam a estrada. Alberto m al olhava
Ana, que estava ao m eu lado com os braços cruzados.
Lucas m e abraçou por trás apoiando o queixo no m eu om bro.
— Que foi, princesa? Está toda arrepiada. Sente frio?
— Não, Lucas. Estou com m edo por eles.
Ele suspirou e beij ou o m eu pescoço, logo abaixo da m inha orelha.
— Não fica assim , eles vão voltar sãos e salvos. Ou senão eu m eto porrada nos dois.
Sorri com a brincadeira. Lay la e Bruno se aproxim aram dos caras e se despediram com um
abraço. Eu e Lucas fizem os o m esm o.
Abracei os dois ao m esm o tem po, m eu coração estava apertado, sentia lágrim as em m eus olhos.
— Se cuidem , por favor, m uita atenção na estrada.
— Pode deixar, bonequinha, vam os ficar bem . — Heitor se afastou dando um beij o na m inha
testa.