Impulso
Capítulo 31
alegria em sua vida.
Quando a soltei, ela se curvou em um a bola m e olhando com o um a garotinha brincalhona.
— Só foi salva porque tenho que olhar o forno. Mas não m e provoque, m ulher, as consequências
são gravíssim as.
Sorri m e virando e deixando-a com resquícios da diversão nos olhos. Nosso j antar estava
pronto e coloquei em cim a da bancada arrum ando tudo: pratos, talheres... Coloquei um pano no
antebraço e fiz um a m esura de garçom quando ela se aproxim ou.
— Mademoiselle, seu j antar está servido.
Sabrina riu e segurou m eu queixo com um a m ão aproxim ando a boca da m inha.
— Vou adorar saborear o j antar, m eu garçom , e depois você.
— Caram ba, m ulher! Assim você m e tira dos trilhos. Agora, vam os com esse j antar para ter o
outro logo.
Term inam os a noite dançando no m eio da sala coladinhos. Adorava tudo que envolvia m eus
braços ao seu redor.
Era com pletam ente apaixonado pela Sabrina.
CAPÍTULO 31
Sabrina
— Com o vam os ficar daqui para frente, princesa?
Lucas estava deitado de lado com sua cabeça apoiada na m ão, enquanto traçava com o dedo contornos e desenhos em m inha barriga nua. Olhei em seus olhos verdes e percebi que estava tenso,
com m edo da m inha resposta.
— Com o assim , am or?
— Moram os na m esm a casa e não vam os nos m udar. Desde que decidim os ficar j untos m esm o,
dorm im os todos os dias no quarto um do outro. Só estou curioso, vam os continuar assim ? Ou
aprofundar a relação? Sei lá, tô confuso. — Abaixou os olhos constrangido. Ele ficava lindinho
assim .
Peguei seu queixo fazendo-o m e encarar.
— E que diferença faz, Lucas? Estam os j untos, nos am am os. Não estou entendendo.
Ele suspirou e deitou na cam a olhando para o teto. Lucas estava m esm o chateado.
— A diferença é que m esm o sabendo que é m inha, eu ainda estou inseguro. Não queria te
incom odar com isso, m as não consigo tirar da cabeça. Até então a diferença dos quatro anos que
vivem os na m esm a casa é que estam os transando, dorm indo j untos e abrim os nossos corações. Mas
não sei, preciso de m ais, tenho que ter a certeza de que é m inha. Nós vivem os com o pessoas casadas
Sabrina, m as não estam os. Ah, eu estou confuso.
Sorri e subi em seu corpo pairando sob seu rosto, m eus cabelos caíram à frente fazendo um a
cortina entre nós dois.
— Olha, eu te am o dem ais. O que quer? Que eu m e m ude pro seu quarto ou você m ude para o
m eu? É isso? — Ele ergueu um a m ão tirando o m eu cabelo de um lado e, ao m esm o tem po,
acariciava m eu rosto e pescoço.
— O que eu quero de você, não sei se está pronta para m e dar. Está?
Abaixei a cabeça roçando m eus lábios nos seus deliciosam ente m acios. Chupei sua boca
vagarosam ente, m ostrando ali o quanto eu pertencia a ele. Afastei-m e e seus olhos refletiam o am or e
a luxúria dos m eus.
— Precisa de m ais algum a resposta? Eu quero você intensam ente todos os dias e todos os
m inutos. Vam os fazer o seguinte... Com pram os um guarda-roupa m aior e você se m uda pra cá. O que
acha?
Lucas sorriu com o um m enino. Então eu percebi que, por ter passado anos sofrendo com a
rej eição da m ãe, ele tinha que ter um a certeza de que não seria abandonado, m ais com o um a garantia.
Mesm o após tantos dias j untos e tantas noites de paixão, ele ainda se sentia inseguro. E eu iria
dedicar todo o m eu tem po para fazê-lo entender o quanto o am ava.
Passam os a m anhã de sábado na cam a nos tocando e aproveitando nosso tem po j untos. Conosco,
as palavras j á não eram necessárias, pois com olhares significativos e toques carinhosos
dem onstrava o m eu am or por aquele ser incrível que tinha ao m eu lado. O quanto Lucas era frágil e
inseguro ninguém percebia, pois estava sem pre pronto a lutar por quem se im portava. Mas ele tinha
cicatrizes de rej eição entranhadas nele. Ter perdido o pai e a m ãe indiferente o feriu profundam ente,
j á que nem o am or da irm ã foi capaz de suprir essa falta.
Ele tinha um m odo todo lindo de fazer am or, inclusive, as m úsicas estavam sem pre presentes.
Às vezes colocava um a no iPod e se m ovia de acordo com a batida. Outras vezes cantarolava em
m eu ouvido. Antes de tom arm os banho, transam os tão devagar que m e deu vontade de chorar. E a
canção que ele dedicou àquele m om ento não m e deixou segurar. Cantou baixinho no m eu ouvido com
a voz em bargada Just The Way You Are, do Bruno Mars.
Lucas acariciava m eu rosto enquanto entrava em m im e derram ava sua alm a. Afastou-se,
olhando em m eus olhos:
"Quando eu vej o o seu rosto
Não há nada que eu m udaria
Pois você é incrível
Exatam ente com o você é
E quando você sorri
O m undo inteiro para e fica olhando por um tem po
Pois, garota, você é incrível
Exatam ente com o você é
Os lábios dela, os lábios dela
Eu poderia beij á-los o dia todo se ela m e perm itisse
A risada dela, a risada dela
Ela odeia, m as eu acho tão sexy
Ela é tão linda
E eu digo isso pra ela todo dia"
Eu m e derreti toda e senti m eu corpo todo se elevando a um nível totalm ente diferente de am or
por m im e por ele, que m e fazia com pleta e realizada.
***
À tarde resolvem os passear, e aproveitam os para visitar Bruno e Lay la com o intuito de ver se
m eu irm ão tinha recuperado seu sono, coitado! Quando chegam os lá, ele estava na garagem lutando
para m ontar um arm ário pequeno. Descem os do carro e ele nem nos percebeu, pois parecia de m au
hum or.
— Droga de parafuso que não entra, m as que porra! — bradou, j ogando a chave de fenda longe.
Arqueei as sobrancelhas e olhei para o Lucas que tentava segurar a risada.
— Cara, o que é isso? Acordou do lado errado da cam a, é?
Ele nos olhou surpreso por ter notado nossa presença só naquele m om ento. Suspirou e sentou no
chão apoiando os braços nos j oelhos.
— É que eu posso ficar horas com o bisturi na m ão sem m e cansar, m as não consigo m ontar a porra de um a sapateira para m inha m ulher. Sou um im prestável!
Eu tive que rir, e Lucas m e acom panhou. Ver o Garanhão, tão seguro de si, chateado por não
conseguir m ontar um m óvel era pra lá de hilário. Ele estreitou os olhos e m e fez um a careta.
— Irm ão, você j á olhou o m anual? Lá tem explicação para essas coisas. — Apontei o arm ário
com as portas frouxas.
— Manual?
Jesus, hom ens não sabem de nada!
— É, querido — Resolvi falar com ele com o se fosse criança. —, dentro da caixa sem pre vem
um m anual de instruções.
Ele franziu a testa e se levantou, pegou a caixa j ogada no canto ao lado do carro e procurou.
Ergueu um papel que havia lá dentro e observou atentam ente, abrindo um sorriso envergonhado. Que
fofo! Não resisti e aproxim ei-m e, apertando sua bochecha.
— Que bonitinho que você fica encabuladinho.
— Você é m uito engraçadinha... — Levantou os olhos m irando no Lucas. — Com o você aguenta
essa espertinha?
Lucas se aproxim ou, enlaçando m inha cintura e beij ando o topo da m inha cabeça.
— Porque eu a am o. Exatam ente com o você aguenta a Lala.
E nisso m inha cunhada apareceu na porta com um a colher na boca e um pote de sorvete de
chocolate na m ão.
— O que tem eu?
Bruno a observou e seu sorriso aum entou m ais, se é que isso era possível. Largou tudo e
abraçou a esposa cochichando em seu ouvido, ela corou e deu um tapa no seu braço. Eu conhecia
aqueles dois, tinham um fogo que não acabava. Desviei o olhar da cena íntim a e puxei Lucas pela
m ão.
Ele m e acom panhou sem hesitar, pois sabia com o era o casal apaixonado. Sentam o-nos na
varanda e ficam os observando a rua enquanto o casal se agarrava na garagem . Era lindo de ver que,
após quatro anos j untos, eles tinham a m esm a paixão e o m esm o am or do início do relacionam ento.
Alguns bons m inutos depois, Lay la apareceu toda envergonhada nos convidando a entrar.
Alm oçam os e conversam os sobre a volta repentina dos m eninos, eles ficariam duas sem anas fora,
m as resolveram voltar antes.
O palpite do Bruno era que Alberto estava m uito m exido com o lance da Ana e não conseguia se
divertir. Heitor, prestativo com o sem pre, deve ter tom ado a decisão por ele de voltar pra casa.
Meu coração estava apertado com essa viagem . A todo o m om ento que m e lem brava dos dois
sentia calafrios. Mas não m e m anifestei, não queria assustar ninguém com m inha neurose.
Tivem os um a tarde ótim a regada a risadas e brincadeiras. E, claro, m úsica. Lay la e Lucas j untos
com um violão era sucesso na certa. Voltam os pra casa e dorm im os nos braços um do outro.
O dom ingo tam bém foi divertido. Eu e Lucas nos enfurnam os em casa, vim os film es e seriados
na televisão, sem pre com um balde de pipoca entre nós. À noite, ele teve plantão de 24h e sairia só
na segunda às sete da noite. Com binam os de ele m e buscar na academ ia, porque precisava deixar
m eu carro na oficina para revisão e seria o m om ento perfeito.
Passar a noite sem o calor do seu corpo foi m ais difícil do que im aginei, rolava na cam a à
procura do seu abraço e não encontrava. Cheguei a cogitar de ligar para ele de m adrugada, apenas
para ouvir sua voz, m as não quis atrapalhar. Acabei pegando no sono às quatro da m adrugada para
levantar às sete da m anhã.
Nem preciso dizer que passei o dia de segunda com o um zum bi, o pior foi aguentar m eu chefe
buzinando na m inha cabeça. Pelo m enos o Felipe m e deu trégua, parou de m e procurar. Deve ter
caído na real.
O dia todo sem receber notícia do Lucas estava m e deixando louca, até que chegou um a
m ensagem . Felicidade era ver o seu nom e piscando no celular.
Oi, princesa. Estou morrendo de saudades, não vejo a hora de te ver, pego você no estacionamento
às sete em ponto. Não se atrase. Beijos.
E esse tem po que se arrastava era enlouquecedor! Então, enfim , deu cinco da tarde e fui para a
academ ia. Alex estava pegando pesado, não sei se foi a falta de sono, m as senti m eu corpo todo
doendo. No final não tive coragem nem de trocar de roupa, fui de top e berm uda esperar o Lucas no
estacionam ento.
Faltavam cinco m inutos e queria que quando chegasse eu estivesse à sua espera. Parei no
estacionam ento e percebi que estava deserto. Não gostava de ficar em lugares assim , m as ali era bem
tranquilo. Então nem dei m uita atenção.
Já tinha se passado dez m inutos e nada do Lucas. Peguei o celular e resolvi ligar. Quando
term inei de discar percebi um vulto parado à m inha frente. Levantei os olhos e, se eu tivesse coração
fraco, teria m orrido de susto ali m esm o.
Rick estava com o rosto contorcido em um a m áscara de fúria. Os punhos fechados ao lado do
corpo traduziam toda sua tensão. Instintivam ente dei um passo atrás, m as não conseguia desviar o
olhar.
— Achou que ia fugir de m im , vadia? Não, Sabrina. Acho que você tá querendo m ais do que eu
te dei tem pos atrás, né? — Sorriu com o um louco.
Engoli em seco e fui m e afastando.
— O que você quer? Se encostar em m im vai ser preso!
— Por isso estou aqui, sua filha da puta. Quem m andou m e denunciar? Eu te disse que você iria
pagar caro por isso.
Nem pude dizer m ais nada porque ele avançou em m inha direção fazendo-m e derrubar a bolsa e
o celular no chão. Tentei gritar, m as m inha boca estava coberta por sua m ão, ele apertava m inha
bochecha com força, dolorosam ente eu tentava m e desvencilhar. Mas o pânico m e dom inou,
deixando-m e indefesa e sem saída.
Levou-m e para um canto m ais afastado da rua e m e j ogou no chão. Bati a cabeça com força,
contudo, m esm o assim , tentei gritar. Ele tirou um pano, não sei de onde, e am arrou em volta da m inha
boca. Com o coração acelerado percebi sua intenção, ele queria m e estuprar de novo. As lágrim as
caíam furiosam ente no m eu rosto.
Rick tirou outra tira de pano do bolso e am arrou m eus pulsos atrás do corpo. O cascalho
m achucava os m eus braços e as m inhas costas. Eu só pedia a Deus por algo que m e salvasse daquele
pesadelo.
— Agora, eu vou te pegar de novo. E você vai gritar com o um a louca. — Se levantou puxando o
m eu short e a m inha calcinha.
Gritei sem sair nenhum som . Chutei seus braços e, então, ele m e deu um soco deixando-m e tonta
por um m inuto, e senti algum a coisa quente escorrendo por m eus cabelos. Pisquei tentando voltar à