Impulso

Gisele Souza · Capítulo 32 de 47

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Impulso

Capítulo 31

alegria em sua vida.

Quando a soltei, ela se curvou em um a bola m e olhando com o um a garotinha brincalhona.

— Só foi salva porque tenho que olhar o forno. Mas não m e provoque, m ulher, as consequências

são gravíssim as.

Sorri m e virando e deixando-a com resquícios da diversão nos olhos. Nosso j antar estava

pronto e coloquei em cim a da bancada arrum ando tudo: pratos, talheres... Coloquei um pano no

antebraço e fiz um a m esura de garçom quando ela se aproxim ou.

— Mademoiselle, seu j antar está servido.

Sabrina riu e segurou m eu queixo com um a m ão aproxim ando a boca da m inha.

— Vou adorar saborear o j antar, m eu garçom , e depois você.

— Caram ba, m ulher! Assim você m e tira dos trilhos. Agora, vam os com esse j antar para ter o

outro logo.

Term inam os a noite dançando no m eio da sala coladinhos. Adorava tudo que envolvia m eus

braços ao seu redor.

Era com pletam ente apaixonado pela Sabrina.

CAPÍTULO 31

Sabrina

— Com o vam os ficar daqui para frente, princesa?

Lucas estava deitado de lado com sua cabeça apoiada na m ão, enquanto traçava com o dedo contornos e desenhos em m inha barriga nua. Olhei em seus olhos verdes e percebi que estava tenso,

com m edo da m inha resposta.

— Com o assim , am or?

— Moram os na m esm a casa e não vam os nos m udar. Desde que decidim os ficar j untos m esm o,

dorm im os todos os dias no quarto um do outro. Só estou curioso, vam os continuar assim ? Ou

aprofundar a relação? Sei lá, tô confuso. — Abaixou os olhos constrangido. Ele ficava lindinho

assim .

Peguei seu queixo fazendo-o m e encarar.

— E que diferença faz, Lucas? Estam os j untos, nos am am os. Não estou entendendo.

Ele suspirou e deitou na cam a olhando para o teto. Lucas estava m esm o chateado.

— A diferença é que m esm o sabendo que é m inha, eu ainda estou inseguro. Não queria te

incom odar com isso, m as não consigo tirar da cabeça. Até então a diferença dos quatro anos que

vivem os na m esm a casa é que estam os transando, dorm indo j untos e abrim os nossos corações. Mas

não sei, preciso de m ais, tenho que ter a certeza de que é m inha. Nós vivem os com o pessoas casadas

Sabrina, m as não estam os. Ah, eu estou confuso.

Sorri e subi em seu corpo pairando sob seu rosto, m eus cabelos caíram à frente fazendo um a

cortina entre nós dois.

— Olha, eu te am o dem ais. O que quer? Que eu m e m ude pro seu quarto ou você m ude para o

m eu? É isso? — Ele ergueu um a m ão tirando o m eu cabelo de um lado e, ao m esm o tem po,

acariciava m eu rosto e pescoço.

— O que eu quero de você, não sei se está pronta para m e dar. Está?

Abaixei a cabeça roçando m eus lábios nos seus deliciosam ente m acios. Chupei sua boca

vagarosam ente, m ostrando ali o quanto eu pertencia a ele. Afastei-m e e seus olhos refletiam o am or e

a luxúria dos m eus.

— Precisa de m ais algum a resposta? Eu quero você intensam ente todos os dias e todos os

m inutos. Vam os fazer o seguinte... Com pram os um guarda-roupa m aior e você se m uda pra cá. O que

acha?

Lucas sorriu com o um m enino. Então eu percebi que, por ter passado anos sofrendo com a

rej eição da m ãe, ele tinha que ter um a certeza de que não seria abandonado, m ais com o um a garantia.

Mesm o após tantos dias j untos e tantas noites de paixão, ele ainda se sentia inseguro. E eu iria

dedicar todo o m eu tem po para fazê-lo entender o quanto o am ava.

Passam os a m anhã de sábado na cam a nos tocando e aproveitando nosso tem po j untos. Conosco,

as palavras j á não eram necessárias, pois com olhares significativos e toques carinhosos

dem onstrava o m eu am or por aquele ser incrível que tinha ao m eu lado. O quanto Lucas era frágil e

inseguro ninguém percebia, pois estava sem pre pronto a lutar por quem se im portava. Mas ele tinha

cicatrizes de rej eição entranhadas nele. Ter perdido o pai e a m ãe indiferente o feriu profundam ente,

j á que nem o am or da irm ã foi capaz de suprir essa falta.

Ele tinha um m odo todo lindo de fazer am or, inclusive, as m úsicas estavam sem pre presentes.

Às vezes colocava um a no iPod e se m ovia de acordo com a batida. Outras vezes cantarolava em

m eu ouvido. Antes de tom arm os banho, transam os tão devagar que m e deu vontade de chorar. E a

canção que ele dedicou àquele m om ento não m e deixou segurar. Cantou baixinho no m eu ouvido com

a voz em bargada Just The Way You Are, do Bruno Mars.

Lucas acariciava m eu rosto enquanto entrava em m im e derram ava sua alm a. Afastou-se,

olhando em m eus olhos:

"Quando eu vej o o seu rosto

Não há nada que eu m udaria

Pois você é incrível

Exatam ente com o você é

E quando você sorri

O m undo inteiro para e fica olhando por um tem po

Pois, garota, você é incrível

Exatam ente com o você é

Os lábios dela, os lábios dela

Eu poderia beij á-los o dia todo se ela m e perm itisse

A risada dela, a risada dela

Ela odeia, m as eu acho tão sexy

Ela é tão linda

E eu digo isso pra ela todo dia"

Eu m e derreti toda e senti m eu corpo todo se elevando a um nível totalm ente diferente de am or

por m im e por ele, que m e fazia com pleta e realizada.

***

À tarde resolvem os passear, e aproveitam os para visitar Bruno e Lay la com o intuito de ver se

m eu irm ão tinha recuperado seu sono, coitado! Quando chegam os lá, ele estava na garagem lutando

para m ontar um arm ário pequeno. Descem os do carro e ele nem nos percebeu, pois parecia de m au

hum or.

— Droga de parafuso que não entra, m as que porra! — bradou, j ogando a chave de fenda longe.

Arqueei as sobrancelhas e olhei para o Lucas que tentava segurar a risada.

— Cara, o que é isso? Acordou do lado errado da cam a, é?

Ele nos olhou surpreso por ter notado nossa presença só naquele m om ento. Suspirou e sentou no

chão apoiando os braços nos j oelhos.

— É que eu posso ficar horas com o bisturi na m ão sem m e cansar, m as não consigo m ontar a porra de um a sapateira para m inha m ulher. Sou um im prestável!

Eu tive que rir, e Lucas m e acom panhou. Ver o Garanhão, tão seguro de si, chateado por não

conseguir m ontar um m óvel era pra lá de hilário. Ele estreitou os olhos e m e fez um a careta.

— Irm ão, você j á olhou o m anual? Lá tem explicação para essas coisas. — Apontei o arm ário

com as portas frouxas.

— Manual?

Jesus, hom ens não sabem de nada!

— É, querido — Resolvi falar com ele com o se fosse criança. —, dentro da caixa sem pre vem

um m anual de instruções.

Ele franziu a testa e se levantou, pegou a caixa j ogada no canto ao lado do carro e procurou.

Ergueu um papel que havia lá dentro e observou atentam ente, abrindo um sorriso envergonhado. Que

fofo! Não resisti e aproxim ei-m e, apertando sua bochecha.

— Que bonitinho que você fica encabuladinho.

— Você é m uito engraçadinha... — Levantou os olhos m irando no Lucas. — Com o você aguenta

essa espertinha?

Lucas se aproxim ou, enlaçando m inha cintura e beij ando o topo da m inha cabeça.

— Porque eu a am o. Exatam ente com o você aguenta a Lala.

E nisso m inha cunhada apareceu na porta com um a colher na boca e um pote de sorvete de

chocolate na m ão.

— O que tem eu?

Bruno a observou e seu sorriso aum entou m ais, se é que isso era possível. Largou tudo e

abraçou a esposa cochichando em seu ouvido, ela corou e deu um tapa no seu braço. Eu conhecia

aqueles dois, tinham um fogo que não acabava. Desviei o olhar da cena íntim a e puxei Lucas pela

m ão.

Ele m e acom panhou sem hesitar, pois sabia com o era o casal apaixonado. Sentam o-nos na

varanda e ficam os observando a rua enquanto o casal se agarrava na garagem . Era lindo de ver que,

após quatro anos j untos, eles tinham a m esm a paixão e o m esm o am or do início do relacionam ento.

Alguns bons m inutos depois, Lay la apareceu toda envergonhada nos convidando a entrar.

Alm oçam os e conversam os sobre a volta repentina dos m eninos, eles ficariam duas sem anas fora,

m as resolveram voltar antes.

O palpite do Bruno era que Alberto estava m uito m exido com o lance da Ana e não conseguia se

divertir. Heitor, prestativo com o sem pre, deve ter tom ado a decisão por ele de voltar pra casa.

Meu coração estava apertado com essa viagem . A todo o m om ento que m e lem brava dos dois

sentia calafrios. Mas não m e m anifestei, não queria assustar ninguém com m inha neurose.

Tivem os um a tarde ótim a regada a risadas e brincadeiras. E, claro, m úsica. Lay la e Lucas j untos

com um violão era sucesso na certa. Voltam os pra casa e dorm im os nos braços um do outro.

O dom ingo tam bém foi divertido. Eu e Lucas nos enfurnam os em casa, vim os film es e seriados

na televisão, sem pre com um balde de pipoca entre nós. À noite, ele teve plantão de 24h e sairia só

na segunda às sete da noite. Com binam os de ele m e buscar na academ ia, porque precisava deixar

m eu carro na oficina para revisão e seria o m om ento perfeito.

Passar a noite sem o calor do seu corpo foi m ais difícil do que im aginei, rolava na cam a à

procura do seu abraço e não encontrava. Cheguei a cogitar de ligar para ele de m adrugada, apenas

para ouvir sua voz, m as não quis atrapalhar. Acabei pegando no sono às quatro da m adrugada para

levantar às sete da m anhã.

Nem preciso dizer que passei o dia de segunda com o um zum bi, o pior foi aguentar m eu chefe

buzinando na m inha cabeça. Pelo m enos o Felipe m e deu trégua, parou de m e procurar. Deve ter

caído na real.

O dia todo sem receber notícia do Lucas estava m e deixando louca, até que chegou um a

m ensagem . Felicidade era ver o seu nom e piscando no celular.

Oi, princesa. Estou morrendo de saudades, não vejo a hora de te ver, pego você no estacionamento

às sete em ponto. Não se atrase. Beijos.

E esse tem po que se arrastava era enlouquecedor! Então, enfim , deu cinco da tarde e fui para a

academ ia. Alex estava pegando pesado, não sei se foi a falta de sono, m as senti m eu corpo todo

doendo. No final não tive coragem nem de trocar de roupa, fui de top e berm uda esperar o Lucas no

estacionam ento.

Faltavam cinco m inutos e queria que quando chegasse eu estivesse à sua espera. Parei no

estacionam ento e percebi que estava deserto. Não gostava de ficar em lugares assim , m as ali era bem

tranquilo. Então nem dei m uita atenção.

Já tinha se passado dez m inutos e nada do Lucas. Peguei o celular e resolvi ligar. Quando

term inei de discar percebi um vulto parado à m inha frente. Levantei os olhos e, se eu tivesse coração

fraco, teria m orrido de susto ali m esm o.

Rick estava com o rosto contorcido em um a m áscara de fúria. Os punhos fechados ao lado do

corpo traduziam toda sua tensão. Instintivam ente dei um passo atrás, m as não conseguia desviar o

olhar.

— Achou que ia fugir de m im , vadia? Não, Sabrina. Acho que você tá querendo m ais do que eu

te dei tem pos atrás, né? — Sorriu com o um louco.

Engoli em seco e fui m e afastando.

— O que você quer? Se encostar em m im vai ser preso!

— Por isso estou aqui, sua filha da puta. Quem m andou m e denunciar? Eu te disse que você iria

pagar caro por isso.

Nem pude dizer m ais nada porque ele avançou em m inha direção fazendo-m e derrubar a bolsa e

o celular no chão. Tentei gritar, m as m inha boca estava coberta por sua m ão, ele apertava m inha

bochecha com força, dolorosam ente eu tentava m e desvencilhar. Mas o pânico m e dom inou,

deixando-m e indefesa e sem saída.

Levou-m e para um canto m ais afastado da rua e m e j ogou no chão. Bati a cabeça com força,

contudo, m esm o assim , tentei gritar. Ele tirou um pano, não sei de onde, e am arrou em volta da m inha

boca. Com o coração acelerado percebi sua intenção, ele queria m e estuprar de novo. As lágrim as

caíam furiosam ente no m eu rosto.

Rick tirou outra tira de pano do bolso e am arrou m eus pulsos atrás do corpo. O cascalho

m achucava os m eus braços e as m inhas costas. Eu só pedia a Deus por algo que m e salvasse daquele

pesadelo.

— Agora, eu vou te pegar de novo. E você vai gritar com o um a louca. — Se levantou puxando o

m eu short e a m inha calcinha.

Gritei sem sair nenhum som . Chutei seus braços e, então, ele m e deu um soco deixando-m e tonta

por um m inuto, e senti algum a coisa quente escorrendo por m eus cabelos. Pisquei tentando voltar à