Impulso
Capítulo 32
realidade, não queria perder a consciência, não podia deixar tão fácil.
Entrei totalm ente em pânico quando Rick, sorrindo, abriu o zíper da calça e tirou seu pênis
noj ento pra fora.
— Dessa vez, vadia, vai sentir m uita dor. Eu vou acabar com você!
Eu saí do corpo. Anestesiei-m e. Não queria sentir aquilo. Só podia pedir a Deus que saísse viva
de tudo. Ou quem sabe, m orrer de um a vez fosse m elhor?
CAPÍTULO 32
Lucas
Caram ba, não queria ter m e atrasado tanto. Era para estar de prontidão na porta da academ ia
quando Sabrina saísse, porque preparei todo um cronogram a. A levaria para um passeio e depois nos
am aríam os em casa até o am anhecer, m as um a cirurgia de em ergência m e segurou. Olhando para o
relógio, vi que não estava m uito atrasado, pois eram sete e cinco.
Meu celular tocou no banco do passageiro. Olhei para a tela e o rostinho da m inha princesa
sorria para m im . Peguei o celular e atendi sorrindo.
— Fala, princesa. Já estou chegando, m inha linda, acabei m e atrasando no hospital. — Escutei
um baque e um a voz m asculina ao fundo. — Sabrina? O que está acontecendo?
Ela não respondeu, m as um som abafado se infiltrou na linha:
— Achou que ia fugir de mim, vadia? Não, Sabrina. Acho que você tá querendo mais do que
eu te dei tempos atrás, né?
— O que você quer? Se encostar em mim vai ser preso!
Arregalei os olhos e senti m eu coração gelar. A porra do Rick estava atrás dela.
— Caralho! — Bati com a m ão aberta no volante em desespero.
Não queria desligar o telefone, m as precisava cham ar alguém . A prim eira pessoa que veio à
m inha cabeça foi o Bruno. Term inei a ligação com ela e apertei a discagem rápida para o m eu
cunhado. No segundo toque, ele atendeu.
— Bruno, o Rick tá com a sua irm ã. Eu estou a cam inho, cham e a polícia. Ela está na academ ia.
Nem esperei ele responder e j oguei o celular longe, que caiu em qualquer canto no chão.
Afundei o pé no acelerador, estava quase lá. Devo ter ultrapassado alguns sinais verm elhos, m as nem
m e im portei, pedia a Deus que protegesse m inha m enina e que eu não sofresse nenhum acidente por
conta da alta velocidade. Não podia deixá-la nas garras daquele otário.
— Estou chegando. Estou chegando... — repetia esse m antra a m im m esm o com o se assim
pudesse acalm á-la de algum a form a.
Graças a Deus não tinha trânsito, parecia até brincadeira, m as o cam inho estava livre.
Estacionei de qualquer j eito em frente à academ ia. Abri a porta do carro e saí sem fechá-la, porque,
se fosse necessário, estava preparado e pronto pra m atar aquele cara de cacete. A procurei sem fazer
barulho, ou ele poderia tentar algo contra Sabrina para im pedir que eu m e aproxim asse, até que ouvi um grito abafado e um a voz sinistra, que o acom panhou:
— Dessa vez, vadia, vai sentir muita dor. Eu vou acabar com você!
Segui aquele som e o que vi m e fez quase vom itar. Sabrina estava sem o short, enquanto um
pano cobria sua boca, e seus braços estavam presos atrás do corpo. O filho da puta tinha as calças
abaixadas e se preparava para m achucar a m inha princesa. Desgraçado!
Ela não esboçava m ais nenhum a reação. Parecia conform ada com o que iria lhe acontecer,
contudo as lágrim as podiam ser vistas descendo por seu rosto incontrolavelm ente. Eu nem pensei,
um a fúria m e invadiu e dei um urro de raiva. Nunca em m inha vida senti tanto ódio assim . Aquilo m e
invadiu e eu corri im pulsivam ente, derrubei aquele desgraçado no chão e enchi sua cara de socos.
Ele tentava m e segurar e ainda conseguiu m e acertar, m as eu estava anestesiado. Não sentia dor, só
cólera por aquele ser desprezível. Im aginei que, se não tivesse ninguém para m e interrom per eu faria
algum a besteira, pois não pensava em nada. O que m e cham ou a atenção foi um m urm úrio baixo da
Sabrina.
Com os olhos arregalados e inj etados de raiva, virei o rosto e vi sua expressão triste e
m agoada. Ela chorava tentando se levantar. Voltei m eu olhar para o filho da puta que se contorcia de
dor e m eu ser gritava para que acabasse com ele, m as Sabrina precisava de m im . Peguei em sua
cam isa fazendo-o m e encarar.
— Eu só não vou te m atar, desgraçado, porque quero ver você virar m ulherzinha na cadeia.
Filho da puta, você vai sofrer por cada m inuto de desespero que causou. — Joguei-o no chão e m e
afastei.
Aproxim ei-m e devagar a olhando nos olhos, então senti m eu rosto m olhado de lágrim as. Engoli
em seco e tentei ser forte. Procurei não olhar para suas pernas e seu quadril, pois ela estava nua da
cintura pra baixo. Tirei a m inha cam isa e cobri seu colo. Ela m e olhou agradecida, eu a sentei e
desam arrei seus braços e soltei o pano da sua boca.
Com as duas tiras em m ãos, olhei para o m onstro que estava tentando se levantar. Virei-m e para
a m inha princesa e pedi desculpas por deixá-la sozinha por um segundo. Andei até ele, pronto para
term inar o serviço, enquanto m e passava pela cabeça m ilhares de dores que podia lhe causar, m as o
bem -estar da m inha m ulher vinha em prim eiro lugar, por isso am arrei os seus braços e, em seguida,
as suas pernas. Ele m e olhou horrorizado.
— Puxa m inha calça, cara.
Por pouco não voei em cim a dele e term inei o que havia com eçado. Eu nem respondi, dei-lhe as
costas, pois estava totalm ente com a m inha atenção voltada na Sabrina. Vesti a cam isa nela, que ficou
no com prim ento das suas coxas, então avistei seu short j ogado no chão e aj udei-a colocá-lo, pois
assim se sentiria m ais confortável. Ao longe, eu j á ouvia a sirene da polícia.
Abracei-a forte e Sabrina desabou em m eu peito. Acabam os sentados no chão com ela no m eu
colo. Com calm a analisei seus ferim entos: a cabeça sangrava e seu rosto estava coberto de
hem atom as. Minha raiva e repulsa só cresciam .
Sabrina soluçava de tanto chorar. Eu sofria em silêncio, dando o am or que ela precisava.
— Achei que você não chegaria a tem po. Eu... estava m orrendo... de m edo.
— Shhh... m eu am or, estou aqui. Perdoe-m e, fiquei preso no hospital, m as vim o m ais rápido
que pude quando atendi sua ligação.
— Oh, m eu Deus, que pesadelo. Aquele desgraçado! Lucas, ele iria m e estuprar de novo. Eu só
queria m orrer.
Afastei-a do m eu peito e olhei em seus olhos azuis tão lindos.
— Não diga isso, m eu am or. Você está viva e nada vai acontecer com você. Ok?
Ela assentiu e m e abraçou de novo. Logo os policiais chegaram j unto com um Bruno
desesperado. Quando ele viu a cena, eu pude perceber exatam ente a raiva que senti quando
presenciei tudo. Viu o Rick estirado no chão am arrado com a calça arriada. Achei que iria acabar
com o cara de vez, m as foi contido por dois policiais.
Meu cunhado estava descontrolado.
— Eu vou acabar com você, seu desgraçado. Me solta, porra, eu vou m atar ele. Me solta!
Sabrina se desvencilhou dos m eus braços e correu para o irm ão tentando contê-lo. Ela o
abraçou e, então, Bruno se acalm ou envolvendo o corpo pequeno dela em seu abraço protetor.
Am bos caíram aj oelhados no chão, enquanto Bruno chorava e acariciava os seus cabelos.
Enquanto isso, dois policiais pegaram o cara e o levaram para o cam burão. Ele foi j ogado lá de
qualquer m aneira e trancafiado. Outro policial se aproxim ou de m im .
— Já pedim os um a am bulância pra ela. Você chegou a tem po? Ela foi abusada?
Suspirei e agradeci a Deus por não ter m e dem orado.
— Ele não a tocou sexualm ente, provavelm ente estava se vangloriando antes do ato. Mas bateu
m uito nela... — falei com o coração apertado.
O policial assentiu e olhou para trás.
— Ele tá fodido, com a denúncia j á form alizada e esse flagrante vai ficar trancafiado até o
j ulgam ento.
— Que m orra na cadeia!
— Bom , eu vou aguardar a am bulância chegar e vou ao hospital pegar seus depoim entos. Tudo
bem ?
Fiz um a careta e assenti, por m ais que não quisesse fazer Sabrina passar por isso, era
necessário para que tudo corresse de acordo com a lei. Vi a am bulância estacionar e dois
param édicos se aproxim arem dela. Eu cheguei ao seu lado e a abracei. Sabrina m e olhou com a
cabeça apoiada em m eu peito.
— Vem com igo? Não quero ir sozinha. — Assenti e nos afastam os.
Olhei para trás e vi que Bruno estava desolado, voltei e toquei seu braço. Parecia desabar a
qualquer m inuto.
— Ele não conseguiu, Bruno. Eu cheguei a tem po. — Ele suspirou soltando soluços sofridos.
— Levanta e se acalm a. Te vej o no hospital. Ok? Vai ficar bem ?
Ele passou a m ão pelo rosto enxugando as lágrim as que desciam .
— Vou sim , preciso de um tem po para m e acalm ar antes de dirigir.
— Beleza. Tranca m eu carro, por favor. Depois eu pego.
Bruno balançou a cabeça e se afastou, ficando de costas para nós com as m ãos na cintura.
Olhava para o céu e quase pude ouvir sua prece de agradecim ento por nada de m al ter acontecido à
irm ã.
Quando voltei, Sabrina estava deitada na m aca e os param édicos faziam perguntas a ela. Sentei-
m e ao seu lado e peguei sua m ão frágil, que trem ia descontroladam ente, sabia que devia estar à beira
de um ataque. Tentei acalm á-la para que não tivesse de ser sedada.
Chegam os ao hospital rapidam ente e Sabrina foi levada para longe de m im . Mesm o eu sendo
m édico não pude acom panhá-la, pois sabia o procedim ento. Ali, naquele m om ento eu era m em bro da
fam ília, não um da equipe.
Entrei em desespero por estar tão longe dela. Queria abraçá-la até sua angústia ser retirada do
peito. Queria m im á-la, beij á-la até que toda a dor desaparecesse. Enfim , trocar m ágoa por carinho,
porque m eu coração queim ava na necessidade de acalentá-la.
— Lucas, Lucas. — Olhei para a porta do hospital.
Ainda estava parado no m eio do cam inho olhando para a porta onde ela tinha sum ido. Minha
irm ã vinha em m inha direção, com o sem blante preocupado. Senti-m e um garotinho de novo. A
abracei e ela m e levou até os bancos que tinha no canto.
Lay la não disse nada. Acariciou m eu rosto dizendo para m e acalm ar que tudo daria certo. O
pior tinha passado. Que eu a tinha salvado.
— Lala, tira essa dor do m eu peito. Não aguento. Por favor, faz passar. — Sei que pedia
dem ais, m as era algo incontrolável. Sentia-m e im potente e inútil.
— Oh, m eu m enininho... chore, eu estou aqui. — Sua voz em ocionada m e acalm ou e eu m e
deixei levar.
Minha raiva pelo que aconteceu se transform ou em am or por m inha m enina. Podia chorar aqui,
m as teria que ser forte por ela depois. Quando dei por m im , Bruno entrava na sala com as irm ãs e a
m ãe. Estavam todos desolados.
Não via a hora de poder vê-la e abraçá-la.
— Vem , Lucas. Vam os atrás de inform ações. Isso está dem orando dem ais — disse m uito sério.
Levantei-m e, enxuguei m eu rosto com o dorso da m ão e sorri levem ente para as m eninas.
Entram os no corredor da em ergência e fom os à procura do m édico responsável.
Encontram os com Priscilla, a plantonista da em ergência, que nos encam inhou onde Sabrina
estava sendo acom odada.
— Ela tá com a cabeça e as costas m uito feridas, além de vários m achucados no rosto. Fizem os
exam es de sangue padrão e tam bém ginecológico. Ela não sofreu abuso de qualquer tipo, m as está
m uito abalada em ocionalm ente, por isso eu encam inhei um pedido para a psicóloga. Am anhã a Jeny
estará aqui.
Bruno assentiu e olhou para Priscilla.
— E quando ela vai ter alta?
— Creio que depois da avaliação psicológica, ela ficará m ais um dia. Querem os Sabrina em
observação para evitar qualquer ataque de ansiedade ou pânico.
— E se eu cuidar dela? Acho que ficará m ais confortável com suas coisas em casa.
Ela franziu a testa e suspirou.
— Trabalhar com m édicos é um problem a. Vam os ver o que a Jeny vai falar depois da
avaliação. Se ela liberar am anhã, Sabrina poderá ter alta.
Assenti. E observei-a se afastando. Olhei para o Bruno, que estava pálido e com olheiras nos
olhos.
— Vai pra casa. Eu vou passar a noite aqui, Lay la não pode ficar. E você sabe que ela só vai
em bora se você for, deve estar preocupada.
Ele engoliu em seco e assentiu.
— Lucas, não sei com o te agradecer por ter salvado m inha irm ã. Não sei o que teria feito se
aquele desgraçado tivesse m achucado ela de novo. — Ele m e abraçou em ocionado e se afastou
olhando em m eus olhos. — Agradeço a Deus por ter colocado você e a Lay la em nossos cam inhos.
Serei eternam ente grato por tudo.