Impulso
Capítulo 39
em bora. Aproxim ei-m e.
— Vam os, cara. Já está m uito tem po de pé, forçando essa perna.
Ele assentiu e cam inham os até a porta do hospital. Alberto andava de cabeça baixa, devia estar
chateado por não poder fazer tudo que estava acostum ado.
Quando chegam os à saída percebi o m otivo de Sabrina ter m e ligado. Ana estava encostada no
carro. Mesm o sendo m inha cunhada, eu sem pre a achei linda, aliás, as m eninas Petri eram
m aravilhosas, sem exceção. Tinha os braços cruzados, vestia um a calça preta e um a blusa azul de
botão, e usava óculos escuros que escondiam seus olhos castanhos. Em seu rosto, com o sem pre,
havia um sorrisinho doce e sarcástico.
Notei exatam ente a hora que Alberto notou sua presença. Várias reações passaram pelos olhos
do m eu am igo: felicidade, saudade, tristeza e, por fim , raiva. Fiquei olhando de um para o outro
prevendo briga de cachorro grande, com o disse Sabrina.
— Que porra você tá fazendo aqui, Ana Luiza? — vociferou Alberto.
Ela descruzou os braços e desencostou do carro, andou sensualm ente até parar na frente dele,
retirou os óculos, e vi que tinha um brilho desafiador em seus olhos. Vixi, ia dar m erda!
— Vim te buscar. Eu vou cuidar de você.
CAPÍTULO 39
Ana Luiza
Dizem que você vê sua vida passar diante dos seus olhos à beira da m orte. Eu vi tudo que
vivem os e perdem os, passando com o um film e na m inha frente. Tudo o que fiz e disse voltava para
m e assom brar naquele m om ento aterrorizante, quando achei que nunca m ais iria vê-lo novam ente.
Desesperei-m e e tenho certeza que, em m eu ataque de rem orso, disse coisas que não devia. Eu e
Alberto passam os por tanta coisa, só que ninguém sabia. E depois que m inha m ãe m e falou tudo o que
eu j á sabia, m e fez refletir. Fiquei em casa os quatorze dias em que ele perm aneceu internado,
enquanto vários flashbacks invadiram m inha m ente fazendo-m e quase sufocar em tantas lem branças,
m as o que m ais m e incom odou foi o nosso últim o encontro.
Depois de passar o dia com Sabrina conversando e adm itindo a m im m esm a o quanto m eu
coração pertencia a ele, tom ei um a decisão. Não seria o que ele estava esperando, claro que em parte
sim , m as decidi levar adiante essa ideia m aluca. Arrum ei-m e m inuciosam ente para m exer com ele,
vesti um a calça branca colada no corpo e um top tom ara que caia preto, que deixava m eu colo à
m ostra. Alberto sem pre dissera que m inha pele branquinha era um a delícia de se apreciar.
Assim que desci do carro, fiquei nervosa e quase desisti, m as não aguentava m ais, de quatro
anos pra cá estava sendo insuportável resistir. Suas investidas estavam cada vez m ais ousadas, e
m inha vontade de senti-lo novam ente chegava a doer. Em todo esse tem po separados eu nunca tive
um am ante com o ele, era vergonhoso adm itir que para ter um orgasm o verdadeiro eu fechava os
olhos e im aginava que era seu corpo quente e forte em cim a de m im , sua boca m acia que m e beij ava,
seus olhos azuis que m e enlouqueciam . Só assim eu tinha prazer.
Às vezes, parece que as coisas se encam inham a nosso favor, assim que entrei vi que ele estava
parado no m eio do bar, rindo por algo que Lucas lhe dizia, m as quando se virou e m e viu ficou
em basbacado. Exatam ente a reação que eu esperava, então coloquei m eu plano em prática. Cam inhei
em sua direção o m ais sensual possível, olhei seu corpo gostoso de cim a a baixo. Sorri com a
perspectiva de que poderia colocar as m ãos nele novam ente. Ignorei m eu irm ão falando, pois poderia
m e fazer desistir.
Aproxim ei-m e e o puxei pelo pescoço, m inha intenção era tom ar aquela boca, m as não tinha
coragem de m e expor com tanta gente olhando. Mesm o não sabendo do nosso passado, eu tinha m edo
que alguém caçoasse de m im ; e que as lem branças, que eu preferia esquecer, viessem m e assom brar
novam ente.
Senti seu perfum e, cheirei m esm o, passei o nariz por sua pele causando um arrepio nele e em
m im . Mordisquei o lóbulo da sua orelha e sussurrei:
— Tenho um a proposta pra você, te espero no banheiro fem inino. Não se atrase, Beto.
Afastei-m e e sorri, dei as costas para ele e m e sentei com o se nada tivesse acontecido. Tentei
ignorar os olhares à m inha volta, coisa que era um pouco im possível de se fazer j á que todos estavam
em silêncio. Quando Alberto voltou à m esa, não m e olhava e tinha o rosto confuso e retraído. Não sei
o que ele esperava, talvez que eu m e declarasse publicam ente? Não, ainda m ais depois de tudo que
ele m e fez no passado.
Aguardei ansiosa, tentei parecer norm al enquanto ele estava com aquela cara de tacho. Acho
que desconfiava do que eu tinha para falar. Levantei-m e subitam ente e fui em direção ao banheiro,
m as, antes de m e virar para o corredor, olhei para trás e o peguei m e observando intensam ente. Meus
j oelhos fraquej aram , quase perdi o rebolado. Mas iria ser forte.
Entrei no banheiro e aguardei, tinha que ficar calm a para não estragar tudo. Encostei-m e à
beirada da pia e cruzei os braços. A porta se abriu e Alberto entrou sem m e olhar. Passou a chave, a
trancando e só assim se virou.
Seus olhos azuis elétricos m e encaravam , tinha um a m istura de sentim entos em seu olhar que m e
deixou apreensiva. Não entendi aquela frieza toda. Afinal, ele não m e quis por quatro anos? E, segundo ele, se m anteve fiel ao que seu corpo e alm a pediam .
— Eu não sei por que, m as desconfio que não vou gostar dessa conversa. — Encostou-se à
porta m antendo distância.
Acho que se ele estivesse m uito perto eu não conseguiria falar. Era m uito difícil conseguir
atingi-lo, ainda m ais com a proxim idade do calor daquele corpo que estava gravado em m inha m ente
a ferro e fogo.
— Hum ... não sei. Mas eu estou m uito anim ada — falei olhando seu corpo sugestivam ente.
— Fala logo que estou perdendo a paciência, daqui a pouco vou pegar estrada.
Engoli em seco, e tom ei coragem . Não era fácil com aqueles olhos de aço entrando na m inha
alm a com o se assim desvendasse o que guardava dentro de m im . Mas não deixaria. Nunca m ais m e
entregaria por inteira novam ente.
— Eu quero fazer um a proposta a você, j á que disse querer ficar com igo. Quero ser seu
encontro casual, quando eu quiser transar eu te ligo e nos encontram os. Eu tenho o controle de toda a
relação, não quero que ninguém saiba desse acordo. Não quero ser vista em público contigo. Sim ples
assim , a gente fode e continuam os nos odiando norm alm ente.
Disse toda essa palhaçada olhando para os lados, quando m e arrisquei olhar para ele tive
vontade de sair correndo. Um a raiva que nunca havia visto estava direcionada a m im . Em doze anos o desprezando e m altratando, ele nunca tinha tido essa reação. Tem i por m inha integridade, sabia que
nunca m e agrediria, m as a indiferença m achucava m ais.
— É sério isso, Ana Luiza? Você quer foder e nada m ais? Está preparada para as
consequências? E quanto à exclusividade? — Alberto praticam ente cuspia as palavras.
Não tinha pensado nessa parte, m as eu não aguentaria vê-lo com ninguém .
— Enquanto estiverm os nos vendo não podem os ter m ais ninguém .
Ele sem icerrou os olhos e assentiu, m eu coração batia descontroladam ente, m as enlouqueceu
quando Alberto desencostou da porta e cam inhou até m im com passos decididos. Ele apoiou as m ãos
na pia, se inclinando e m antendo o rosto na altura do m eu. Sua respiração pesada soprou em m inha
boca, e autom aticam ente a abri esperando o que viria.
— Que porra de hom em você acha que eu sou pra aceitar essa m erda de proposta? Acha que eu
não tenho sentim entos, Ana? Acha que eu quero ficar com você assim ? — Meu coração pararia de
bater a qualquer m inuto, m inha barriga parecia ter m il borboletas. Deus, esse hom em iria m e
enlouquecer! — Quero ficar com você direito, poder te beij ar quando eu quiser, transar com você de
noite e de dia, m as algo gostoso e natural. Não com horário m arcado!
No final ele estava sem fôlego e seus olhos estavam pegando fogo. Engoli o nó que se form ou
em m inha garganta e tentei m anter m inha voz firm e.
— Por que esse dedo todo, Alberto? Nunca escolheu dem ais suas com panhias e não passou
tanto tem po com alguém . Eu quero você, m as tem que ser dessa m aneira. — Dei de om bros, tentando
parecer indiferente.
Alberto fechou os olhos parecendo derrotado, eu estava quase desistindo dessa ideia m aluca
quando ele falou com a voz em bargada:
— Porque nenhum a delas era você.
Tom ou m inha boca com a sua, feroz e esfom eado. Nossa, com o senti falta disso! Cada m inuto do
m eu dia, as lem branças dos nossos m om entos j untos m e tirava a vontade de continuar negando e
evitando. Naquele m om ento, eu m e entreguei.
Enlacei seu pescoço, gem endo e percebendo o quanto era bom estar em seus braços novam ente.
Ele m e apertou entre a pia e o seu corpo forte e quente. Nossas línguas brigavam gulosas. Nossa
respiração forte e nosso batim ento cardíaco estavam sincronizados. Meu sangue virou lava nas veias.
Um fogo e um a vontade que há m uito tem po não sentia, m e consum ia.
Mas, quando m e dei conta, ele estava se afastando com o se tivesse sido queim ado. Olhava-m e
friam ente e, de repente, m e senti a pior pessoa do m undo.
— Eu vou pensar nessa sua proposta, m as não se aproxim e de m im até eu procurar você.
Saiu batendo a porta sem m e deixar questionar nada. Ele m e ignorou o resto da noite. Eu m e
senti um lixo, quando na verdade foi ele que causou tudo isso. Se eu era a rainha do gelo agora, a
culpa era exclusivam ente dele. Quando partiu de viagem eu tentei m e aproxim ar, m as ele apenas
balançou a cabeça. E eu fui em bora, j á desistindo da loucura toda. Quando veio a notícia do acidente
quase enlouqueci pensando que perdi a oportunidade de tê-lo novam ente, porém , graças a Deus, não
tinha lhe acontecido nada m uito grave.
E agora eu estava na porta do hospital pronta a fim de levá-lo para casa e cuidar dele até que
m elhorasse e pudéssem os seguir com nossas vidas. Não sei se conseguiria ter aquele tipo de
relacionam ento que propus. Eu não sabia separar as coisas. Na verdade, m e senti um a farsa por ter
escondido todos esses anos o que sentia, quando tinha vontade de j ogar tudo para o alto e m e entregar
a ele. Mas m eu orgulho era grande dem ais. Não conseguia sim plesm ente esquecer.
Ainda m ais pelo fato que m inha dor era m aior do que Alberto im aginava, porque o próprio não
sabia de certa parte do que aconteceu. E nunca saberia se dependesse de m im .
Ele apareceu na porta com as m uletas debaixo do braço e com Lucas ao seu lado, que foi o
prim eiro a m e notar. Coloquei m eu sorriso sarcástico no lugar e aguardei que ele m e visse. E quando
aconteceu eu sabia que viria ofensa, m as não estava preparada para a raiva em sua voz.
— Que porra você tá fazendo aqui, Ana Luiza? — disse com a voz grossa e a cara fechada.
Desencostei do carro e andei até ele com m eu olhar m ais sensual. Mas por dentro estava
m orrendo de nervoso.
— Vim te buscar. Eu vou cuidar de você.
Ele estreitou os olhos azuis deixando apenas um a fenda.
— O caralho que você vai. Eu vou de táxi se o Bruno não veio, aquele traidor! Não quero você
perto de m im .
Senti com o se um a faca tivesse se enterrado no m eu peito. Mas não ia deixá-lo ter esse gostinho.
— Deixa de ser teim oso! Eu sou enferm eira e vou cuidar de você, precisa de alguém pra te
aj udar. E fora, querido, que sua virgindade não está em risco com igo, fica tranquilo porque não abuso
dos m eus pacientes.
Ouvi Lucas rindo e direcionei um olhar do m al pra ele, que parou na hora desviando os olhos
para o outro lado.
— Merda! Eu vou m atar o Bruno. Ok, você pode m e levar pra casa. Mas de lá, eu m e viro.
Arqueei as sobrancelhas e sorri vitoriosa. Olhei para o Lucas e pisquei m andando um beij inho
no ar.
— Tá vendo Luquinha, a Cinderela tá com m edo de m im . Isso m e torna o dragão da torre?
Lucas não aguentou e caiu na gargalhada. Eu sorri e dei as costas para eles. Assim que m e virei,
fiquei séria. Estava m orrendo de m edo do que essa decisão de aj udá-lo m e traria. Abri a porta do