Vitória, a rainha

Julia Baird · Capítulo 1 de 44

Páginas do PDF

Vitória, a rainha

Lista de personagens

 

 

A família de Vitória

 

PRÍNCIPE EDWARD , posteriormente DUQUE DE KENT (1767–1820). Quarto filho de Jorge III e pai da rainha Vitória. Vigoroso e justo, era um disciplinador implacável como oficial do Exército, mas afetuoso como marido e pai. Depois de um controverso período como governador de Gibraltar e marechal do Exército, Edward se dedicou a tentar deixar um herdeiro para o trono. Morreu de pneumonia apenas seis dias antes de seu pai, Jorge III, e menos de um ano após o nascimento de sua filha, de quem sentia imenso orgulho.

 

MARIE LOUISE VICTOIRE, DUQUESA DE KENT (1786–1861). Mãe da rainha Vitória e de Feodora, princesa de Hohenlohe-Langenburg. O duque de Kent convenceu a então viúva Victoire a se casar com ele e a se mudar da Alemanha para a Inglaterra. A relação entre mãe e filha era tempestuosa e doentia; os atritos, que começaram na adolescência de Vitória, vieram a público quando ela se tornou rainha. Mais tarde elas se reconciliaram. Quando a duquesa morreu, em 1861, Vitória ficou inconsolável.

 

JORGE III (1738–1820). Rei da Grã-Bretanha (e depois do Reino Unido) de 1760 a 1820 e avô de Vitória. Apesar de ter sido o terceiro monarca a reinar por mais tempo (depois de Isabel II e Vitória) e ter levado uma vida comedida e espartana, ficou mais conhecido pelos acessos imprevisíveis e incontroláveis de loucura e também pela perda de colônias na Revolução Americana. O fantasma de sua insanidade — assim como a sua possível herança — atormentaria Vitória (e daria munição a seus opositores) por décadas.

 

JORGE IV (1762–1830). Depois de ter sido príncipe regente quando Jorge III esteve doente, o príncipe George Augustus Frederick se tornou rei em 29 de janeiro de 1820. Sujeito extravagante e pançudo, Jorge IV desprezava e perseguia a esposa, Caroline de Brunswick, e vivia com a amante. Sua única filha, a princesa Charlotte, morreu dando à luz. A relação dele com a sobrinha Vitória era tensa, mas ele a agradou ao presenteá-la com um jumento e promover montagens da peça Punch e Judy para ela no jardim dele.

 

PRINCESA CHARLOTTE AUGUSTA DE GALES (1796–1817). Filha única de Jorge IV. Era muito amada e se esperava que se tornasse uma grande rainha, mas faleceu depois de um parto difícil, o que desencadeou uma disputa entre seus tios corpulentos e de meia-idade pela geração de um herdeiro legítimo do trono. Sua morte também deixou para trás um viúvo devastado — o impetuoso, ambicioso e amável Leopoldo, tio de Vitória.

 

GUILHERME IV (1765–1837). Terceiro filho de Jorge III e sucessor de seu irmão, Jorge IV. Aos 27 anos, aposentou-se da Marinha. Tornou-se rei quarenta anos depois. Nesse meio-tempo, teve dez filhos bastardos com a amante. Veio a se casar com a estimada princesa Adelaide de Saxe-Meiningen, mas nenhum de seus filhos sobreviveu à infância, o que significou a ascensão de Vitória ao trono após a morte dele.

 

ERNESTO AUGUSTO (1771–1851). Quinto filho de Jorge III, tornou-se rei de Hanôver porque a lei sálica impedia a sobrinha Vitória de ascender ao trono. Ernesto, um tory convicto — também conhecido como duque de Cumberland —, provocou muito medo e rumores devido às cicatrizes em seu rosto e a boatos infundados de atos incestuosos com a irmã, estupros de freiras e assassinato de um lacaio.

 

PRÍNCIPE AUGUSTUS FREDERICK , posteriormente DUQUE DE SUSSEX (1773– 1843). Sexto filho de Jorge III. Inabilitou-se para o trono ao se casar duas vezes com mulheres que o pai desaprovava e, portanto, infringir o Decreto dos Casamentos Reais.

 

PRÍNCIPE ADOLPHUS, posteriormente DUQUE DE CAMBRIDGE (1774–1850). Sétimo filho do rei Jorge III. Também era avô de Maria de Teck (esposa e rainha consorte de Jorge IV) e tataravô de Elizabeth II.

 

Marido e filhos de Vitória

 

ALBERT DE SAXE-COBURGO-GOTA (1819–61). Príncipe consorte da rainha Vitória. Nascido três meses depois de Vitória, no Castelo Rosenau, perto de Coburgo, Albert teve a infância marcada pelo fim violento do casamento dos pais. Indivíduo culto e disciplinado, Albert aspirava à grandeza e à virtude e era adorado por Vitória. Indubitavelmente hábil, também era uma figura controversa: alguns o chamavam de “Albert, o Bondoso”, outros de “Albert, das Rei” — o intruso alemão. Foi celebrado pelo mundo todo por encabeçar a Exposição Universal, em 1851. A saúde frágil e o trabalho árduo e ininterrupto o levaram à morte, em dezembro de 1861, aos 42 anos.

 

PRINCESA VICTORIA ADELAIDE MARY LOUISE (1841–1901). Primogênita do casal Vitória e Albert. Embora fosse uma criança precoce e inteligente, não poderia herdar o trono se um irmão do sexo masculino nascesse. Aos dezessete, casou-se com o futuro imperador Frederico da Prússia. A união feliz contrastava com o resto de sua sofrida vida na Alemanha: sentia-se estrangeira, incompreendida e sozinha. Dois de seus filhos morreram ainda crianças e o terceiro, Guilherme, era deliberadamente cruel. Vicky e a mãe trocaram confidências em cartas por décadas e morreram com apenas seis meses de intervalo.

ALBERT EDWARD, PRÍNCIPE DE GALES , futuro EDUARDO VII (1841–1910). Segundo filho de Vitória e primeiro na linha sucessória. O temperamental e sociável “Bertie” não era tão sagaz quanto sua irmã mais velha e os pais o julgavam severamente por isso. Vitória atribuía a morte do marido às aventuras sexuais do filho e, enquanto viveu, negou-lhe quaisquer incumbências oficiais mais sérias. Apesar das reservas de seus progenitores, Bertie viria a ser um monarca bem-sucedido e querido durante seu curto reinado. O filho, Jorge V, o sucedeu.

 

PRINCESA ALICE MAUD MARY (1843–78). Terceira filha de Vitória e segunda entre as filhas mulheres. Rebelde e muito próxima do irmão mais velho, Bertie, quando criança, teve seu caráter afetuoso posto em evidência quando devotou seus cuidados ao pai agonizante e, logo depois, à devastada mãe. Seu casamento com o príncipe Louis, seis meses depois, foi um evento austero, espécie de prenúncio da união infeliz. Quando vivia em Darmstadt, dedicou-se de corpo e alma à enfermagem, especialmente durante a Guerra Franco-Prussiana. Tinha apenas 36 anos quando morreu de difteria, em 14 de dezembro de 1878. Herdou o gene hemofílico da mãe e o transmitiu a vários de seus filhos, dentre os quais Alexandra, esposa do tsar Nicolau II, que posteriormente encarregaria Raspútin da cura do filho hemofílico.

 

PRÍNCIPE ALFRED ERNEST ALBERT (1844–1900). Segundo filho de Vitória e Albert, “Affie” se tornaria o governante da pequena província de Saxe-Coburgo-Gota na Alemanha. Habilidoso oficial da Marinha (embora os períodos de ausência no mar deprimissem a rainha), Affie teve que abrir mão da carreira naval quando se tornou duque de Coburgo. Era um monarca escrupuloso, mas o casamento infeliz e o suicídio do filho o levaram a afundar no alcoolismo. Morreu em julho de 1900, seis meses depois da morte da mãe.

 

PRINCESA HELENA AUGUSTA VICTORIA (1846–1923). Quinta filha de Vitória e terceira entre as mulheres, “Lenchen” se casou com o desprezível príncipe Frederick Christian de Schleswig-Holstein-Sonderburg-Augustenburg e teve com ele quatro filhos. Admiradora de Florence Nightingale, Helena se tornaria presidenta da Associação das Enfermeiras Britânicas, em 1889. Embora morasse perto de Vitória, conseguia escapar do controle materno trabalhando como secretária da rainha e promovendo ações beneficentes.

 

PRINCESA LOUISE CAROLINE ALBERTA (1848–1939). Nascida num ano de revolução, Louise seria conhecida como indomável e caprichosa pelo resto da vida. Tornou-se uma escultora talentosa e se envolveu em escândalos, sendo o mais notável o caso com seu mestre, Joseph Edgar Boehm. A bela Louise se casou com o marquês de Lorne, que se revelou, ainda que leal, um marido insatisfatório. Apesar da desaprovação de Vitória, que estava surpresa com a guinada intelectual de algumas das filhas, Louise apoiou a criação da União Nacional pelo Ensino Superior de Mulheres e foi a primeira presidenta da entidade. Morreu durante a eclosão da Segunda Guerra, aos 91 anos.

 

PRÍNCIPE ARTHUR WILLIAM PATRICK ALBERT (1850–1942). Sétimo filho de Vitória e terceiro varão. Arthur foi comandante-chefe de vários exércitos em quatro décadas de serviço militar. Aquiesceu, talvez com razão, à escolha que a mãe fez de sua noiva, uma princesa prussiana, e foi recompensado com uma união feliz (pelo menos dentro dos parâmetros reais). Após a morte de seu irmão mais velho, Affie, tornou-se herdeiro do ducado de Saxe-Coburgo-Gota, mas seu propósito de governar à distância, da Grã-Bretanha, levou o imperador alemão a escolher outro candidato. Assim, de certo modo, ele evitou guerrear contra a própria família durante a Primeira Guerra.

 

PRÍNCIPE LEOPOLDO GEORGE DUNCAN ALBERT (1853–84). Oitavo filho de Vitória, quarto varão e primeiro em cujo parto se utilizou clorofórmio como sedativo. Intelectual de visões políticas conservadoras acentuadas, teve a vida arruinada pela hemofilia. A mãe protetora e os médicos o impediam de fazer atividades comuns. Ainda assim, ele frequentou Oxford, teve assento na Câmara dos Lordes como duque de Albany, casou-se com a princesa Helena de Waldeck e Pyrmont e foi pai de uma menina. Morreu poucos dias antes de seu 31º aniversário e do nascimento de seu único filho homem, em 1884.

 

PRINCESA BEATRICE MARY VICTORIA FEODORE (1857–1944). A nona e última filha de Vitória era também a favorita. Betrice seria a companheira mais presente na vida de Vitória após a morte de Albert, embora tenha tido um pequeno alívio dessa condição muitas vezes sufocante quando se casou com o príncipe Henry de Battenberg. Apesar das ressalvas de Vitória, “Liko” se mostraria um genro exemplar até a sua morte, em 1895. No papel de executora do testamento de Vitória, Beatrice passaria anos reescrevendo e editando os diários da mãe e queimando muitas de suas cartas, numa prática atroz de censura.

 

Netos de Vitória

 

GUILHERME II (1859–1941). Imperador da Alemanha, filho da princesa Vicky e primeiro neto de Vitória. O parto de Guilherme foi pélvico e traumático. Como consequência, um de seus braços nasceu torcido e comprometido. Ele passaria o resto da vida o escondendo e tentando compensar essa deficiência. Detestava a mãe e era grosseiro com ela. Não escondia a adoração que tinha pela avó, mas sua ambição violenta pelo próprio país tornou as relações com a família competitivas e depois hostis. Como imperador, declararia guerra contra seu primo britânico, Jorge V.

 

JORGE V (1865–1936). Segundo filho de Bertie e neto de Vitória, Jorge V reinou de 1910 a 1936. Seu irmão mais velho, Eddy, morreu inesperadamente em 1892. (George se casou com a futura noiva do irmão falecido, Maria de Teck.)

 

Membros da criadagem real

 

BARONESA LOUISE LEHZEN (1784–1870). Governanta de Vitória e posteriormente dama camarista. Durante a infância de Vitória, Lehzen era sua firme apoiadora, educando-a para ser forte e a defendendo de críticas e maus-tratos. A rainha desenvolveu uma forte dependência dos conselhos de Lehzen, situação que Albert consideraria intolerável. Depois de intenso conflito, Albert disse à baronesa que se retirasse discretamente para a Alemanha; ela fez as malas e partiu enquanto Vitória ainda dormia.

 

SIR JOHN CONROY (1786–1854). Conroy abriu caminho até o centro da família de Vitória, primeiramente como cavalariço do duque de Kent e depois como conselheiro da viúva dele. Estava determinado a ganhar poder e tentou forçar Vitória a torná-lo seu secretário particular quando se tornasse rainha. Vitória o desprezava e nunca o perdoaria pelo modo severo como a tratava; baniu-o assim que ascendeu ao trono.

 

LADY FLORA HASTINGS (1806–54). Dama camarista e posteriormente dama de companhia da duquesa de Kent. Quando Lady Flora teve um inchaço na barriga, cortesãs rivais espalharam o boato de que ela estava grávida de John Conroy. Inclinada a crer no pior e estimulada pela incompetência médica de Sir James Clark, Vitória nada fez para que os rumores cessassem. Quando Lady Flora morreu, depois de um longo e doloroso padecimento, a jovem rainha foi hostilizada em público e atacada abertamente pela imprensa.

 

SIR JAMES CLARK (1788–1870). Médico particular da rainha de 1837 a 1860. Sua longa carreira na corte se deu mais por diplomacia do que por talento profissional. Sua inépcia em diagnosticar e o desejo de agradar à rainha levaram a corte ao espetacular e escandaloso caso de Lady Flora Hastings.

 

BARÃO VON STOCKMAR (1787–1863). Embora tenha estudado medicina, tornou-se político e diplomata extraoficial da corte real como secretário do tio Leopoldo, conselheiro próximo do príncipe Albert e carrasco da baronesa Lehzen.

 

LADY LYTTLETON (1787–1870). Uma das damas camaristas de Vitória e futura dama inspetora — ou gerente — do berçário real. Astuta observadora da vida na corte que se maravilhava com a “vontade de ferro” inata da rainha.

 

LADY JANE CHURCHILL (1826–1900). Dama camarista de 1854 até sua morte, em 1900, Lady Churchill geralmente atuava como intermediária da rainha. Informava sobre o desagrado da rainha com desobediências à etiqueta — atrasos em cerimônias, por exemplo, ou risadas muito altas durante o jantar. Também lia para a rainha romances de escritoras como Jane Austen, ou George Eliot. Serviu lealmente a Vitória por quase meio século, morrendo apenas um mês antes da rainha. Como não deixou diários ou reminiscências, sua discrição permanece impecável.

 

GEORGE EDWARD ANSON (1812–49). Secretário particular do príncipe Albert e um de seus mais confiáveis conselheiros. Anson demonstrou ser essencial e normalmente atuava como mediador depois das constantes rusgas do casal real. Albert ficou desolado após a sua repentina e precoce morte.

 

SIR HOWARD ELPHINSTONE (1829–90). Veterano da Guerra da Crimeia e condecorado com a Cruz Vitória, Elphinstone foi nomeado tutor do príncipe Arthur, em 1859, e também do príncipe Leopoldo, mais tarde.

 

SIR CHARLES PHIPPS (1801–66). Guardião do vedor da casa e tesoureiro do príncipe de Gales. Foi nomeado cavaleiro em 1858 e era membro do círculo privado de confiança que estava presente no leito de morte de Albert.

 

GENERAL CHARLES GREY (1804–70). Oficial militar, político e secretário particular da rainha nos anos ulteriores à morte de Albert. Passava boa parte do tempo inventando desculpas para justificar a reclusão de Vitória.

 

SIR HENRY PONSONBY (1825–95). Leal, perspicaz e irônico secretário particular da rainha. Serviu por 38 anos e foi nomeado cavaleiro em 1879.

 

SIR ARTHUR BIGGE (1849–1931). Tornou-se secretário particular da rainha e cavaleiro no mesmo ano, 1895. Depois da morte de Vitória, ainda serviu a Eduardo VII e Jorge V, e foi membro da Câmara dos Lordes em 1911. JOHN BROWN (1826–83). Escocês contratado como ajudante de caça ou criado para serviço externo de Albert em Balmoral. Foi convocado à Inglaterra para ajudar Vitória quando ela estava de luto pela morte do marido. Rapidamente ele ganhou a confiança dela e uma intensa relação surgiu, relacionamento que seria motivo de escândalo. Os filhos de Vitória o abominavam e o apelidaram de “o garanhão da rainha”. Quando Vitória foi enterrada, a aliança da mãe de Brown estava em sua mão. Depois da morte da mãe, Eduardo VII queimou todas as cartas potencialmente comprometedoras.

 

ABDUL KARIM (1862 ou 1863–1909). Secretário indiano da rainha e munshi, ou escriturário. A rápida ascensão de Karim na criadagem real, de servente a conselheiro de confiança, causou grande ressentimento por parte de membros e criados da corte, particularmente entre os filhos da rainha, embora Vitória estivesse cega para a vaidade e o caráter embusteiro do indiano. Depois da morte da rainha, Eduardo ordenou que a papelada do munshi fosse queimada, de modo que só é possível especular sobre o real alcance de sua influência.

 

SIR JAMES REID (1849–1923). Médico pessoal predileto da rainha. Cuidou de John Brown quando este esteve fatalmente doente em 1883 e assistiu o parto dos quatro filhos de Beatrice. A discrição, a habilidade e o talento de Reid o tornaram essencial à rainha. Reid foi o incumbido de atender às exigências da rainha relativas a seu funeral. Ela morreu nos braços dele.

 

Outros membros da realeza

 

FEODORA, PRINCESA DE HOHENLOHE-LANGENBURG (1807–72). A muito amada meia-irmã de Vitória era filha do primeiro casamento da duquesa de Kent. Quando Vitória tinha apenas oito anos, a atraente Feodora se casou e foi para a Alemanha. As meias-irmãs se corresponderam religiosamente por décadas; Vitória ficou devastada com a morte dela, em 1872.

LEOPOLDO I DA BÉLGICA (1790–1865). Tio muito amado de Vitória e viúvo da princesa Charlotte. Decidido a casar Vitória e Albert desde que eram crianças, Leopoldo era como um pai para ela; aconselhava-a e acompanhava com interesse a educação, a saúde, a evolução espiritual e o casamento de Vitória.

 

LEOPOLDO II DA BÉLGICA (1835–1909). Filho de Leopoldo I. Seu domínio sobre o Congo foi marcado pela crueldade, pela exploração atroz e pelo genocídio.

 

LUÍS FILIPE I DA FRANÇA (1773–1850). Forçado a abdicar depois da revolução de 1848, exilou-se na Grã-Bretanha e viveu na residência de Claremont, em Surrey. Sua filha, a princesa Louise-Marie, foi a segunda mulher de Leopoldo, tio de Vitória.

 

Contemporâneos ilustres de Vitória

 

THOMAS CARLYLE (1795–1881). Rabugento, porém celebrado escritor e historiador escocês, Carlyle deixou muitos vívidos depoimentos sobre eventos ocorridos no reinado de Vitória.

 

CHARLES DICKENS (1812–70). Não tinha grande apreço pela monarquia; considerava a si mesmo mais ilustre que a rainha e tentava evitá-la. Era Vitória quem o admirava imensamente e devorava suas narrativas sobre o submundo londrino. Não se encontraram até 1870, apenas três meses antes da morte dele. Ela o descreveu como “muito agradável, com voz e modos aprazíveis”.

 

FLORENCE NIGHTINGALE (1820–1910). Enfermeira brilhante que revolucionou os cuidados médicos em campos de batalha, especialmente durante a Guerra da Crimeia. Inspirou sucessivas gerações de mulheres, incluindo a rainha e suas filhas Alice, Vicky e Helena. Apesar de sua saúde precária, continuou a fazer campanha por mudanças estruturais e culturais na área de saúde. Foi a primeira mulher condecorada com a Ordem do Império Britânico, em 1907.

 

ALFRED, LORD TENNYSON (1809–92). Poeta laureado brilhante que viveu perto da rainha, na Ilha de Wight, e se tornou confidente de Vitória durante o luto pela morte de Albert, período no qual seus poemas foram fonte de enorme consolo para ela. Recebeu um título de nobreza em 1833.

 

Primeiros-ministros

 

LORD MELBOURNE (1779–1848). Primeiro premiê da jovem rainha e em quem ela mais confiava. Após experiências tumultuadas e dolorosas em sua vida pessoal, Melbourne se apegou à rainha tanto quanto ela se apegou a ele. Quando seu mandato finalmente acabou, Vitória ficou muito abalada. Mais tarde, ela veio a se sentir envergonhada pela intensidade dos sentimentos que nutria pelo primeiro-ministro.

 

SIR ROBERT PEEL (1788–1850). Sucessor de Lord Melbourne. No início, Vitória se ressentia pelo fato de ter destituído Melbourne e também por sua reserva no trato social. Mas ela veio a respeitá-lo quando percebeu sua competência e determinação na luta por seus ideais, ainda que a muito custo pessoal. Embora fosse um tory conservador, Peel era favorável a reformas e revogou com sucesso as impopulares e protecionistas Leis dos Cereais, o que o tornou persona non grata entre seus correligionários. Albert viria a considerá-lo como um pai.

 

LORD RUSSEL (1792–1878). Reformista liberal e duas vezes primeiro-ministro. Foi quem arquitetou a Lei de Reforma em 1832, evento ao qual muitos se referem como o início do declínio dos amplos poderes da monarquia. Sua incapacidade de socorrer os irlandeses durante a terrível fome dos anos 1840 foi o grande fracasso que agravou as relações com o país empobrecido ao longo das décadas subsequentes.

LORD PALMERSTON (1748–1865). Ministro das Relações Exteriores e premiê. Inicialmente benquisto por Vitória e Albert, sua relação com o casal real se deteriorou devido às suas ações liberais e intervencionistas em política externa e à sua acintosa recusa em consultá-los. Vitória considerou várias vezes a possibilidade de sua exoneração.

 

LORD DERBY (1799–1869). Três vezes primeiro-ministro, embora em curtos mandatos minoritários, e líder do partido conservador pelo tempo recorde de 22 anos. Talvez seu maior feito tenha sido a aprovação da Segunda Lei da Reforma, em 1867, a partir da qual o eleitorado duplicou, incluindo grande parcela da classe média.

 

BENJAMIN DISRAELI (1804–81). Primeiro conde de Beaconsfield, romancista extravagante, político conservador e quatro vezes primeiro-ministro. Embora convertido à Igreja Anglicana, foi o único premiê britânico de origem judaica. Suas bajulações respeitosas, eloquência e anedotas divertidas cativaram Vitória. Diplomata habilidoso, também levou a cabo uma política externa violenta e implementou legislação progressista no Parlamento.

 

SIR WILLIAM GLADSTONE (1809–98). Líder liberal e quatro vezes premiê, ficou conhecido como o Grand Old Man da política britânica. Sujeito fervorosamente religioso que se recolhia em sua propriedade rural para cortar árvores meses a fio, tinha uma estranha obsessão em resgatar “damas da noite” das garras da prostituição. Apesar de sua seriedade no âmbito da política, nunca foi respeitado por Vitória. A rainha despendeu força considerável em tentativas de evitar que ele se tornasse premiê.

 

CONDE DE ROSEBERY (1847–1929). Premiê liberal hesitante coagido por Vitória a assumir o cargo em vez de Gladstone. Seu mandato durou menos de um ano.

 

LORD SALISBURY (1830–1903). Último primeiro-ministro de Vitória, teve três mandatos e se uniu a ela em oposição feroz contra a autonomia local da Irlanda e seu principal proponente, Gladstone. Ela se encantaria por suas maneiras gentis e respeitosas. Imperialista implacável, Salisbury defendia uma política de “isolamento esplêndido”, descartando a ideia de forjar alianças com outras potências.

 

Outras personalidades

MADAME ALPHONSINE THÉRèSE BERNARDINE JULIE DE MONTGENÊT DE SAINT LAURENT (1760–1830). Muitas vezes chamada de “Julie”, foi amante do duque de Kent nas três décadas que antecederam o casamento do duque com a mãe de Vitória.

 

ALEXANDRA DA DINAMARCA, PRINCESA DE GALES, posteriormente RAINHA ALEXANDRA DA GRÃ-BRETANHA (1844–1925). Esposa de Bertie, “Alix” era elegante, gentil e discreta. Embora a herança dinamarquesa de Alix fosse um tanto inconveniente, em razão da intrincada e difícil questão Schleswig-Holstein, Vitória frequentemente dizia que preferia sua nora a suas filhas. O povo britânico também adorava Alix — ao passo que desprezava o marido lascivo.

 

SIR JOSEPH PAXTON (1803–64). Jardineiro paisagista e arquiteto responsável pelo projeto do Palácio de Cristal da Exposição Universal de 1851.

 

SIR JOSEPH EDGAR BOEHM (1834–90). Escultor vienense renomado a quem Vitória fez mais de quarenta encomendas reais. Era muito próximo da princesa Louise, a quem ensinou a arte da escultura. Ela estava presente à morte súbita de Boehm em seu estúdio; especulou-se que ele teria sucumbido à vigorosa intensidade do ato sexual, conjetura alimentada pela posterior destruição de seus papéis.

 

GENERAL CHARLES GORDON (1833–85). Herói militar excêntrico muito admirado pela rainha Vitória. Em 1883, foi enviado em missão para a retirada das tropas britânicas e egípcias do Sudão após um golpe de Estado local. No entanto, ele se entrincheirou e o cerco teve início. A relutância de Gladstone em enviar reforços enfureceu Vitória e incitou insatisfação popular. O subsequente assassinato de Gordon foi atribuído à indecisão de Gladstone. A rainha nunca o perdoou por isso.

 

ARTHUR BENSON (1862–1925) e LORD ESHER (1852–1930). Veteranos de Eton encarregados da tarefa colossal de editar as cartas da rainha Vitória, que, reunidas, somavam mais de 460 tomos de documentos. Embora não tenham hesitado em publicar muitos escritos secretos e arquivos confidenciais, omitiram episódios comprometedores e qualquer assunto considerado maçante ou trivial, como a maternidade, o que distorceu a imagem de Vitória durante décadas.

 

Compilada com a ajuda de Catherine Pope