Vitória, a rainha

Julia Baird · Capítulo 5 de 44

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Vitória, a rainha

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Tinha sido uma união feliz.27 Agora a duquesa estava sozinha e tomaria a proteção, a instrução e o controle de Vitória como a grande missão de sua vida. Mas primeiro precisava aprender a sobreviver.

Não foi fácil. O duque assinara um testamento confiando a filha à esposa. Deixou tudo a Victoire, embora, pelo costume, os homens deixassem seu patrimônio aos parentes do sexo masculino (as mulheres, geralmente, recebiam apenas os juros sobre suas propriedades). Mas, por causa das grandes dívidas do duque, a esposa teve que recorrer ao auxílio financeiro de seu irmão Leopoldo e à hospitalidade do regente, seu cunhado. O regente consentiu que permanecessem no Palácio de Kensington. O grupo tristonho voltou ao palácio no frio inverno londrino, com a pequena Vitória, de oito meses, incomodada com os sacolejos da carruagem. Ficava de pé, com as perninhas grossas nos joelhos da mãe, chorando e batendo as mãozinhas nas janelas fechadas do coche, recoberto de tecido preto. Com a morte do pai, surgia na vida da futura rainha uma dupla tensão — que se tornaria recorrente — entre perda e resistência.

Seis dias após o falecimento de Edward, seu pai, Jorge III, morreu no Castelo de Windsor. Assim, o príncipe regente se tornou rei Jorge IV. Em 29 de janeiro de 1820, Vitória passou do quinto para o terceiro lugar na linha de sucessão. Aumentando as chances, sua mãe, antes meiga e terna, se tornou cada vez mais ambiciosa e obcecada pelo poder. Vitória precisou aprender a resistir à mulher que acabara de desmamá-la quando o pai morreu. A duquesa disse que a filha, mesmo quando era bebê de colo, já

dava “sinais de querer fazer as coisas à sua maneira”. 28 Ao crescer, teria que se valer dessa teimosia. Pois foi aprendendo a desafiar a mulher que a trouxe ao mundo que Vitória aprendeu a ser rainha.

 

* Na época, tal como agora, o uso de drogas entre as classes trabalhadoras gerava mais preocupação do que o das classes médias e altas e desviava a atenção dos verdadeiros problemas: as longas jornadas e as duras condições a que os trabalhadores estavam submetidos, para não citar a falta de proteção às mulheres, como licença-maternidade ou creche para as crianças. As mulheres eram as bestas de carga do mundo vitoriano: geravam bebês, criavam os filhos, cuidavam da casa e, cada vez mais, trabalhavam em fábricas, mas tinham poucos direitos e quase nenhum reconhecimento. Até o final do século, eram propriedade legal dos homens com quem se casavam (Virginia Berridge, Opium and the People, p. 97).