Vitória, a rainha

Julia Baird · Capítulo 42 de 44 · parte 1/5

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Vitória, a rainha

Capítulo 4

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 5 partes.

4. “Protected Cradles”, p. 108.

5. Cecil Woodham-Smith, Queen Victoria, p. 33.

6. Alison Plowden, The Young Victoria, p. 35.

7. Christian Stockmar, Memoirs of Baron Stockmar, v. 1, p. 78.

8. Em junho, o duque disse a um amigo que seu irmão, o regente, não anunciara o nascimento de Vitória pelas cortes europeias, apesar da alta posição dela na linha sucessória: “A intenção é, evidentemente, me humilhar”. Três dias após o nascimento de Vitória, a duquesa de Cumberland deu à luz um filho, George, que era o próximo na linha sucessória. Viria a se tornar o rei cego de Hanôver.

9. Kellow Chesney, The Anti-Society, p. 14.

10. Sophia, a eleitora de Hanôver, era mãe de Jorge I e pentavó de Vitória. Todos os quatro avós de Vitória eram alemães.

11. Giles St. Aubyn, Queen Victoria, p. 11.

12. Cecil Woodham-Smith, Queen Victoria, p. 46; Elizabeth Longford, Victoria R.I., p. 20.

13. John Van der Kiste, George III’s Children, p. 121.

14. A princesa Caroline de Brunswick era mimada, grosseira e rebelde. Repugnava-a o estilo de vida permissivo do príncipe regente e dizia que ele e seus cortesãos viviam bêbados; volta e meia os encontrava roncando desmaiados, de botas, no sofá. A opinião pública concordaria com ela. O príncipe regente se casou porque sua amante insistiu que encontrasse alguém que não a suplantaria e o ajudaria a quitar algumas de suas enormes dívidas. Como o Parlamento normalmente aumentava a renda anual dos filhos da realeza quando estes se casavam oficialmente, isso era causa de muitas desilusões amorosas.

15. Virginia Berridge, Opium and the People, p. 31.

16. A Lei da Farmácia de 1868 restringia a venda de fármacos apenas a farmacêuticos profissionais, que eram reconhecidos desde idos de 1840.

17. Virginia Berridge, Opium and the People, p. 59.

18. Duff relata que, quando o duque estava em Woolbrook, uma cartomante fora a Sidmouth e lhe disse que “este ano dois membros da família real morrerão” (David Duff, Edward of Kent, p. 281). Outros afirmam que foi durante a revista de tropas em Hounslow Heath. Por exemplo: Dorothy Stuart, The Mother of Victoria, p. 87.

19. David Duff, Edward of Kent, p. 279. Uma boa explicação desse fato se encontra em Christopher Hibbert, Queen Victoria: A Personal History, p. 14.

20. Roger Fulford, Royal Dukes, p. 203.

21. Cecil Woodham-Smith, Queen Victoria, p. 43.

22. Ibid., p. 44.

23. Elizabeth Longford, Queen Victoria, p. 25.

24. O duque de Cumberland disse: “Nunca me senti tão abalado” como depois da notícia da morte do irmão mais velho. (Duque de Cumberland para o príncipe regente, 4 fev. 1820, Aspinall e Webster, Letters of George IV, v. 2, carta 790). A corte fora surpreendida pela morte do homem a quem Croker se referia como “o mais forte dos fortes”: “Nunca antes doente em toda a sua vida, e agora morto por um resfriado quando metade do reino tem resfriados impunemente. Foi um grande azar, de fato. Lembra-me a fábula do carvalho e do cálamo de Esopo”. Monica Charlot, Victoria the Young Queen, p. 34.

25. Dormer Creston, Youthful Queen Victoria, p. 85.

26. Em 4 de fevereiro de 1820, a princesa Augusta, no Castelo de Windsor, escreveu a Lady Harcourt contando como o duque de Clarence ficara angustiado após a morte de Edward, acrescentando: “Em todo o meu sofrimento, ainda é intolerável pensar naquela boa, excelente mulher, a duquesa de Kent, e todas as suas provações; são realmente muito penosas. Ela é a criaturinha mais devotada, bondosa e resignada que se pode imaginar”. William pedira à princesa Adelaide que fosse visitá-la todo dia — dissera-lhe que era um grande conforto para ela, já que as duas se davam bem —, e que “com isso se tornam amigas de verdade e servem de mútuo consolo”. Era lamentável que a duquesa fosse incapaz de corresponder ou estimular essas relações. Talvez o motivo para tanto fosse o ciúme: quando Adelaide deu à luz uma filha, Elizabeth, em 1820, John Conroy escreveu: “Estamos todos na expectativa. Nossa mulherzinha foi passada para trás e está ressentida”. (Monica Charlot, Victoria the Young Queen, p. 40.) Elizabeth morreu três anos depois.

27. Até a rainha Vitória, quando leu os diários de sua mãe após a morte dela, ficou surpresa com a devoção que tinha pelo marido: “Quanto, quanto ela e meu querido pai se amavam. De tal amor e afeto, eu ignorava essa magnitude”, escreveu ela. Arthur Benson e Visconde Esther, Letters of Queen Victoria, v. 3, p. 560.

28. Christopher Hibbert, Queen Victoria: A Personal History, p. 17.

 

3. A PRINCESA MALCRIADA E SOLITÀRIA

 

1. Sir Walter Scott, 19 maio 1828, Journal, v. 2, p. 184.

2. Christopher Hibbert, Queen Victoria: A Personal History, p. 18.

3. Jorge IV concedeu a Lehzen, que havia sido contratada inicialmente como governanta para Feodora, o título de baronesa em 1827.

4. Quatro desses livros ainda permanecem nos Arquivos Reais, conforme descobriu Lynne Vallone, e trazem registros de explosões de raiva completamente ausentes dos diários dela. No primeiro, que data de 31 de outubro de 1831 a 22 de março de 1832, há dezenas de referências a ter sido “deveras malcriada e teimosa”, “malcriada com mamãe” e “muito excessivamente malcriada”. Ela também era “muito malcomportada e impertinente com Lehzen” e “malcriada e vulgar”. Lynne Vallone, Becoming Victoria, p. 24.

5. Ibid., p. 22.

6. Ibid.

7. Ibid., p. 43.

8. Elizabeth Longford, Oxford Book of Royal Anecdotes, p. 358.

9. A própria Vitória admitiu que fora “excessivamente idolatrada em casa” e “demasiado perdoada por todos e bastante desafiadora”. Arthur Christopher Benson e Reginald Esher, Letters of Queen Victoria, v. 1, p. 19.

10. Christopher Hibbert, Queen Victoria: A Personal History, p. 19.

11. Roger Fulford, Dearest Child, pp. 111-2.

12. Monica Charlot, Victoria the Young Queen, p. 52.

13. Isso podia ser irritante, mas era bem melhor do que as golas metálicas de outras garotas. A sra. Sherwood, autora de The Fairchild Family [A família Farchild], conta que teve que usar uma dessas golas, presa a uma espécie de tábua atada sobre os ombros: “Fui submetida a isso do sexto ao 13º ano. Era colocada de manhã e raramente removida no final da tarde: geralmente eu fazia minhas lições ereta e com o plastrão… Nunca sentava quando minha mãe estava no recinto… Antes mesmo dos doze anos, eu tinha que traduzir cinquenta versos de Virgílio toda manhã, usando esse mesmo plastrão com a gola de metal comprimindo minha garganta”. Dormer Creston, Youthful Queen Victoria, p. 148.

14. O reverendo Davys tinha uma versão diferente da descoberta de Vitória, em que desempenhava um papel central. Ele lhe dissera, no dia anterior: “Princesa, amanhã eu quero que você me faça uma tabela com todos os reis e rainhas da Inglaterra”. Na manhã seguinte, ela lhe deu a tabela, que ele analisou atentamente. E disse: “Está bem-feita, mas incompleta. Você colocou o ‘tio rei’ como regente e o ‘tio William’ como herdeiro do trono, mas quem vem em seguida?”. Vitória, hesitante, teria respondido: ‘Não quis colocar a mim mesma’.”. Davys conta que então relatou o ocorrido à duquesa, que escreveu ao bispo de Londres informando que Vitória agora sabia de sua posição. Eva March Tappan, Days of Queen Victoria, p. 33.

15. Theodore Martin, The Prince Consort, v. 1, p. 13.

16. Duquesa de Kent para os bispos de Londres e Lincoln, 13 mar. 1830, Ibid., v. 1, p. 34.

17. Lynne Vallone, Becoming Victoria, p. 45.

18. Gillian Gill, Nightingales, p. 90.

19. Eliot era uma aluna de destaque e a melhor pianista na escola. Kathryn Hughes, George Eliot, pp. 24-5.

20. Christopher Hibbert, Queen Victoria: A Personal History, p. 21, e Lynne Vallone, Becoming Victoria, p. 208.

21. Baronesa Lehzen para a duquesa de Kent, 13 jun. 1837, RA M7/48, citado em Katherine Hudson, A Royal Conflict, p. 72.

22. Ibid., p. 19. Vitória também não era grande admiradora da rainha Anne. Aos catorze anos, ela censurou o tio Leopoldo por enviar uma passagem sobre a rainha Anne, dizendo: “Devo pedir, já que você me enviou um exemplo do que uma rainha não deve ser, que você me envie também daquilo que uma rainha deve ser”. Leopoldo descreveu essa carta como “muito sagaz e afiada” e respondeu que cumpriria a tarefa na próxima carta, em 2 de dezembro de 1834.

23. Ibid.

24. Monica Charlot, Victoria the Young Queen, p. 52.

25. Francis Bamford e duque de Wellington, The Journal of Mrs. Arburthnot, v. 2, p. 186, citado em Christopher Hibbert, Queen Victoria: A Personal History, p. 29.

26. Hannah Moore, Works of Hannah More, v. 2, pp. 376-7.

27. Ibid., v. 2, p. 568.

28. Princesa Vitória para o rei Leopoldo, 26 abr. 1836, Arthur Christopher Benson e Reginald Esher, Letters of Queen Victoria, v. 1, p. 60.

29. QVJ, 13 jul. 1833. Três anos mais tarde, em 1836, os outros primos dela, Ferdinand e Augustus, foram visitá-la, em parte para celebrar o casamento de Ferdinand com a rainha de Portugal.

30. Eliza morreu de tuberculose mais tarde, aos vinte anos.

31. Três anos depois, seus outros meios-sobrinhos, os filhos do irmão de Feodora, Charles de Leiningen, se hospedaram lá e ela voltou a ficar animada — o oposto do que era ao descrever suas aulas diárias etc. Quando eram meramente expansivos, ela vibrava: “Edward era acima de tudo engraçado. Ele me chama de Lisettche, além de outros nomes esquisitos. Desconfio que ele não tem respeito algum por mim”.

32. Citado em Lynne Vallone, Becoming Victoria, p. 187.

33. Karoline Bauer, Caroline Bauer and the Coburgs, p. 296.

34. Lynne Vallone, Becoming Victoria, p. 14.

35. Rei Leopoldo para a rainha Vitória, 22 maio 1832, citado em ibid., p. 102.

36. Rei Leopoldo para a rainha Vitória, 21 maio 1833, Arthur Christopher Benson e Reginald Esher, Letters of Queen Victoria, 1:46.

37. Princesa Vitória para o rei Leopoldo, 28 dez. 1834, ibid., v. 1, p. 52.

38. William Makepeace Thackeray, “George the Fourth”, p. 108.

39. Kate Williams, Becoming Queen, p. 173.

40. Dormer Creston, Youthful Queen Victoria, p. 117.

41. Christopher Hibbert, The Queen Victoria in Her Letters, p. 10.

42. Roger Fulford, Royal Dukes, p. 100.

43. John Conroy também conquistara a confiança de uma tia de Vitória, Sophia, mas anos de papelada sumiram quando ele passou a administrar os assuntos financeiros dessa princesa. Vitória estava convencida de que ele desviara centenas de libras para uso próprio (no comando da casa, Sophia lhe comprara Kensington em 1826 por 4 mil libras).

44. QVJ, 5 nov. 1835.

45. John Gardiner, The Victorians, p. 4.

 

4. UMA ESTRANHA E IMPOSSÍVEL LOUCURA

 

1. David Cecil, The Young Melbourne, p. 385.

2. QVJ, 26 fev. 1838.

3. 31 out. 1835, ibid.

4. Rei Leopoldo para a rainha Vitória, 9 mar. 1854, RAY79/35.

5. Elizabeth Longford, Victoria R.I., p. 55.

6. Dizia-se que Cumberland espalhara boatos de que a princesa tinha “problemas nos pés” e não conseguiria crescer normalmente (Vitória pôs a culpa desses boatos na filha de Conroy, Victoire). Quando as memórias de Greville foram publicadas, em 1875, Vitória disse que a alegação de que Conroy estava tentando protegê-la de Cumberland era falsa.

7. Katherine Hudson, A Royal Conflict, p. 208.

8. Leslie George Mitchell, Lord Melbourne, p. 182.

9. Porém, houve embargos. Os fazendeiros foram indenizados pelo governo com títulos que valiam 20 milhões de libras, cerca de 40% do orçamento nacional, e os escravos foram obrigados a trabalhar de graça durante um período de aprendizado. Não foram oficialmente libertos pelos próximos cinco anos, até 1 ago. 1838.

10. Dormer Creston, Youthful Queen Victoria, p. 147.

11. Philip Ziegler, King William IV, p. 278.

12. O rei estava furioso. De Greville, 4 jul. 1833: “O rei ficou enojado (não sem razão) com a caravana da duquesa de Kent para exibir a filha pelo reino, da qual faziam parte suas viagens de barco à Ilha de Wight, com direito a disparos contínuos para saudar Sua Alteza Real”. Tentaram convencer a duquesa a parar, pois “salvas militares são uma espécie de comando geral, tanto para o Exército quanto para a Marinha”. Ela se recusou e posteriormente foi decretado que o estandarte real só deveria ser saudado quando o rei ou a rainha estivessem a bordo. Henry Reeve, Greville Memoirs, 3:4.

13. Thomas Creevey, 2 nov. 1833, John Gore, Creevey, p. 345.

14. Vitória escreveu no diário um longo e solene registro sobre sua crisma, dizendo que estava arrependida de seu pecado e queria melhorar em obediência e dedicação à sua mãe irritadiça. Escreveu que fora à cerimônia “com a firme determinação de se tornar uma verdadeira cristã, de tentar confortar sua querida mãe de todas as suas dores, provações e angústias e de vir a ser uma filha zelosa e afetuosa. Além disso, ser obediente à querida Lehzen, que tanto tem feito por mim” (QVJ, 30 jul. 1835). A mãe lhe escreveu com sua habitual irascibilidade: “A providência divina a escolheu: — exige-se de você muito mais do que de qualquer outra menina de sua idade. — Ao tecer tais comparações, naturalmente fico ainda mais aflita por você, minha amada Vitória”. (Lynne Vallone, Becoming Victoria, p. 147). A duquesa avisou à filha que o que lhe traria felicidade não era uma alta posição, mas sim um “espírito bondoso, virtuoso e cultivado”.

15. Princesa Vitória para a princesa Feodora, 30 out. 1834, Lynne Vallone, Becoming Victoria, p. 221.

16. Elizabeth Longford, Victoria R.I., p. 30.

17. Joan Jacobs Brumberg, Body Project, xviii. Lynne Vallone também acreditava que a primeira menstruação ocorreu em torno dos quinze anos. Num relato sobre a juventude da rainha, Vallone registra que, na terceira semana de cada mês, Vitória ficava rabugenta, um pouco tristonha e perdia o apetite. Num registro que foi omitido da edição oficial de seus diários e cartas, ela reclamava, numa viagem pela Europa, da falta de sebes, do excesso de valas e da multidão que parecia meio bêbada. Lynne Vallone, Becoming Victoria, p. 157. Ver também Dulcie Ashdown, Queen Victoria’s Mother.

18. Citado em Elaine Showalter e English Showalter, “Victorian Women and Menstruation”, p. 85.

19. Kate Williams, Becoming Queen, p. 188.

20. Elizabeth Longford, Victoria R.I., p. 55; Cecil Woodham-Smith, Queen Victoria, p. 136.

21. Browning para o sr. e a sra. William Wentworth Story, 21 jun. 1861, citado em Stanley Weintraub, Victoria, p. 88.

22. No verbete Elphinstone do Dictionary of National Biography, lê-se: “Em 1837, Elphinstone deixou a guarda ao ser indicado por Lord Melbourne ao governo de Madras. Comentou-se na época que a indicação fora feita para abafar os rumores de que a jovem rainha Vitória estaria apaixonada por ele”. O episódio da igreja é mencionado por Elizabeth Longford, Victoria R.I., p. 62: “No início de fevereiro, o dr. Clark lhe permitira visitar o Palácio de St. James vestindo a capa de cetim cinza, bordada e rendada com rosas, que sua tia Louise enviara de Paris. Estava tão encantadora que o jovem Lord Elphinstone fez um desenho seu na igreja; a duquesa maquinou seu afastamento para Madras”.

23. Recentemente, esses rumores voltaram à tona com o escritor australiano Roland Perry. Num livro intitulado The Queen, Her Lover and the Most Notorious Spy in History (Sydney: Allen and Unwin, 2014), ele alega que Vitória teve um caso com Elphinstone quando estava com quinze anos e ele 27. Perry não fundamenta sua afirmação em nenhum registro documental, mas, em correspondência conosco, disse que “chegou à história via KGB”, que obtivera cópias não censuradas da correspondência entre Vitória e sua filha mais velha. Para compreender isso, afirmou ele, é “preciso ficar cara a cara com figurões em Moscou e São Petersburgo”. Nenhuma prova autêntica sobre a qual historiadores pudessem se debruçar foi detalhada.

24. O rei Guilherme IV tentou impedi-los, sem sucesso. Ele desejava casar Vitória com um dos filhos do príncipe protestante de Orange, ao invés de um católico de Coburgo, mas Vitória não simpatizou com eles.

25. Lynne Vallone, Becoming Victoria, p. 179.

26. Princesa Vitória para o rei Leopoldo, 26 maio 1836, Christopher Hibbert, Queen Victoria in Her Letters, p. 18.

27. Princesa Vitória para o rei Leopoldo, 7 jun. 1836, ibid.

28. QVJ, 21 jan. 1839.

29. Katherine Hudson, A Royal Conflict, p. 20.

30. Conroy Family Collection, Balliol College Archives and Manuscripts, Conroy 2C, John Conroy, 3º Barão, 3D9. Ver ibid, p. 33.

31. Ibid., pp. 33-4. A crença de Conroy de que sua esposa, Elizabeth Fisher, era a filha bastarda do duque foi revelada no diário do neto de Conroy e numa confissão de leito de morte de Edward, filho de John: “Sir J era orgulhoso e considerava uma indelicadeza contar à duquesa sobre o parentesco entre sua esposa e a princesa Vitória. Sir J expressou muitas vezes que seria uma desgraça à honra. Além disso, como Lady Conroy era muito afeiçoada ao general Fisher, nunca diriam a ela que ele não era seu pai — de maneira que o assunto nunca foi discutido, embora possa ser provado”. Conroy Family Collection, Conroy 6F papers, confissão no leito de morte de Edward Conroy. Mas as provas não são convincentes.

32. Yvonne M. Ward, “Editing Queen Victoria”, p. 202. Em março de 1904, Benson se deparou com um memorando e correspondência da filha de Conroy para Vitória. Vitória havia eliminado tudo do memorando. Benson escreveu em seu diário: “Sir John era realmente um sujeito maldoso, inescrupuloso e intrigante. Ele exerceu tamanha influência sobre a duquesa de Kent que chegou a ser considerado seu amante… a rainha tinha verdadeira ojeriza a ele. Esse pavor dele parece (embora seja bem misterioso) remontar ao período em que o duque de Cumberland, com sua costumeira aspereza, lhe dissera, quando era apenas uma menina, que Conroy era amante de sua mãe”.

33. Cecil Woodham-Smith, Queen Victoria, p. 55.

34. Katherine Hudson, A Royal Conflict, p. 51.

35. Dentre os partidários do sistema Kensington estavam Leopoldo, Lady Flora Hastings, a princesa Sophia, o príncipe Charles de Leiningen e o duque de Sussex. Os poderosos amigos de Conroy ignoravam sua inabilidade em administrar finanças; milhares de libras se perderam sob os cuidados dele e há fortes indícios de improbidade (Vitória decidiu que ele era um vigarista quando registros financeiros duvidosos de sua mãe e de sua tia Sophia foram liberados).

 

5. “CENAS PAVOROSAS NA CASA”

 

1. Kate Williams, Becoming Queen, p. 281.

2. John Hollingshead, Underground London, p. 71.

3. Ibid., p. 367.

4. Antes de partir, Stockmar disse a Charles para não enxergar “traição, mentiras e fraude como ferramentas para obter sucesso”. Disse ainda, franca e cuidadosamente, que, embora quase sempre concordasse com Conroy, seu mau humor e sua falta de tato eram tão exagerados que, ainda que conseguissem fazer dele secretário particular, ele iria pôr tudo a perder a qualquer momento”. Cecil Woodham-Smith, Queen Victoria, p. 30.

5. Harold A. Albert, Queen Victoria’s Sister, p. 86.

6. Katherine Hudson, A Royal Conflict, p. 102.

7. Kate Williams, Becoming Queen, p. 281.

8. No 18º aniversário de Vitória, a duquesa de Kent fez um pronunciamento público sobre seu martírio, dizendo: “Abri mão de meu lar, de meus laços familiares e de minhas outras obrigações para me dedicar ao dever que seria o único de minha vida futura”. Atas dos processos da Câmara do Conselho dos Comuns, citado em Katherine Hudson, A Royal Conflict, p. 127.

9. QVJ, 19 maio 1837.

10. Primeiramente, ela pediu à mãe que o decano de Chester fosse seu vedor da casa, e o pedido foi negado. Então, Vitória pediu que se reunisse com Lord Melbourne a sós — e mais uma vez seu pedido foi recusado. Sua mãe nem sequer lhe disse que Lord Melbourne, que não fazia ideia dos tormentos de Vitória, propusera um trato segundo o qual eles aceitariam a oferta do rei, mas a duquesa receberia dois terços do dinheiro destinado a Vitória.

11. Kate Williams, Becoming Queen, p. 252. Em 6 de junho, Vitória ditou um memorando a Lehzen, no qual esboçava os acontecimentos recentes. Escreveu: “Eu me opus em 19 de maio [quando o rei lhe ofertara 10 mil libras a mais por ano], assim como em todas as ocasiões anteriores, a qualquer interferência da parte de John Conroy em meus assuntos. O que quer que ele tenha feito, foi por ordem de minha mãe, solicitado em seu nome, sem responsabilidade de minha parte por quaisquer de suas ações, pois Sir John é secretário dela e não meu criado, tampouco conselheiro, nem jamais foi”.

12. Morning Post, 25 maio 1837.

13. Michael Paterson, Voices from Dicken’s London, p. 45.

14. O memorando é guardado nos Arquivos Reais. Ver Elizabeth Longford, Victoria R.I., p. 59.

15. George K. Behlmer, “The Gypsy Problem”, p. 231.

16. Na década de 1830, havia um longo debate público sobre a pobreza em razão do crescimento demográfico e também do número de sem-teto. Em 1834, o primeiro-ministro Lord Melbourne aprovou a “lei da pobreza”, que codificava o outrora desorganizado sistema de redução da pobreza em um sistema formal de reformatórios. Concebidas para baixar os custos com cuidados relegados à população carente durante perídos de recessão — proprietários de terra eram taxados pessoalmente em razão dos assistidos em seus domínios —, as leis também foram idealizadas para reduzir o número de miseráveis e tornar as condições nos reformatórios tão terríveis que ninguém permaneceria lá por muito tempo. Esses lugares pareciam prisões e o propósito deles era acabar com a pobreza, e não com a criminalidade. Charles Dickens, que vivia perto de um, e cujo próprio pai fora encarcerado por dívidas, escreveu em 1839, em Oliver Twist, que os administradores de reformatórios “regulamentaram que os pobres teriam a opção (pois jamais obrigariam ninguém) de morrer de fome lentamente na prisão, ou rapidamente em liberdade… Eles… gentilmente se encarregaram do divórcio dos mais pobres… e, ao invés de encorajar um homem a sustentar sua família, como fizeram antes, separavam-no dela e transformavam-no num solteirão!”. Ver também Ruth Richardson, Dickens and the Workhouse.

O historiador Philip Ziegler descreveu essa lei como “um bem-intencionado exemplo de legislação que mais contribuiu para a miséria humana que qualquer outra medida do mesmo período” (Philip Ziegler, Melbourne, p. 163). Uma série de escândalos envolvendo tratamento desumano e desnutrição conduziu a uma revisão dessa lei uma década mais tarde.

17. QVJ, 19 jan. 1837.

18. 19 jun. 1837, ibid.

19. Stockmar escreveu: “O conflito entre mãe e filha continua. Ela [a duquesa] é pressionada por Conroy ao limite de forçar a filha a fazer sua vontade através de grosseria e severidade”. Se a verdade viesse à tona, “a princesa apareceria como aquilo que é, uma Pessoa oprimida, e todos viriam correndo em seu auxílio”. Cecil Woodham-Smith, Queen Victoria, p. 137.

20. Kate Williams, Becoming Queen, p. 281.

21. Princesa Feodora para a duquesa de Northumberland, 5 mar. 1835. RA, VIC Addl. Mss U/72/15; Lynne Vallone, Becoming Victoria, p. 160.

22. Katherine Hudson, A Royal Conflict, p. 219.

23. Princesa Vitória para o rei Leopoldo, junho de 1837, Arthur Christopher Benson e Reginald Esher, Letters of Queen Victoria, v. 1, p. 95.

 

6. TORNANDO-SE RAINHA: “SOU MUITO JOVEM”

 

1. Kate Williams, Becoming Queen, p. 288.

2. Arthur Ponsonby, Queen Victoria, p. 13.

3. Andrew Tuer e Charles E. Fagan, First Year, pp. 6-7.

4. Charles Greville, The Great World, p. 113.

5. Kate Williams, Becoming Queen, p. 265.

6. Charles Greville, The Great World, p. 113; Walter L. Arnstein, Queen Victoria: A Personal History, p. 53.

7. Christopher Hibbert, Queen Victoria: A Personal History, p. 53.

8. Kate Williams, Becoming Queen, p. 292.

9. Ibid., p. 296; Sallie Stevenson para suas irmãs, 12 jul. 1837; Edward Boykin, Victoria, Albert and Mrs. Stevenson, p. 74.

10. Cecil Woodham-Smith, Queen Victoria, p. 140.

11. Creevey não foi o único a tecer comentários cruéis sobre os dentes da rainha. Ao passo que elogiou a voz, o busto “muito bom” e os grandes olhos azuis, Sallie Stevenson também disse que a boca era o que “ela tinha de pior”. Estava “quase sempre um pouco aberta; os dentes eram pequenos e curtos e quando sorria as gengivas se pronunciavam, o que era um tanto desagradável”. Edward Boykin, Victoria, Albert and Mrs. Stevenson, pp. 107-8. Feodora aconselhou Vitória a fechar a boca quando posasse para retratos, mas a duquesa de Kent retrucou: “Não, minha querida; deixe-a posar naturalmente”. Stanley Weintraub, Victoria, p. 111.

12. 25 set. 1837, John Gore, Creevey, p. 379.

13. Harriet Martineau, The Collected Letters, p. 3.

14. Vitória notava muitas vezes as lágrimas de Melbourne. Ele chorava facilmente e em muitas ocasiões, incluindo a coroação, a primeira aparição dela no Parlamento, quando falava sobre o futuro e durante a sessão parlamentar na qual se votaria o aumento da renda anual da duquesa de Kent, as “glórias” da Inglaterra e a honra do duque de Wellington.

15. “A faixa vermelha” era uma referência idiomática a um título de cavalheiro da Honorabilíssima Ordem do Banho. Giles St. Aubyn, Queen Victoria, p. 68.

16. Christopher Hibbert, Queen Victoria: A Personal History, p. 90.

17. A família alimentou o senso de injustiça cometida contra John Conroy por sucessivas gerações e tornou-se abertamente vingativa. Na capa de um dos álbuns da família, com recortes de Lady Flora Hastings e críticas muito difundidas direcionadas à rainha, alguns versos de Byron estavam rabiscados. Eles diziam:

 

… e se não fizermos nada exceto ver o tempo passar

Poder humano nunca existirá

Que possa resistir — se imperdoável

À busca paciente e ao longo cuidado

Dele que guarda um injustiçado.

 

Conroy Family Collection, Balliol College Archives, Conroy Papers, 2C Residue C.

18. Agnes Strickland, Queen Victoria, pp. 220-1.

19. John Ashton, Gossip in the First Decade, p. 4.

20. Stanley Weintraub, Victoria, p. 111.

21. Kate Williams, Becoming Queen, p. 291.

22. Rei Leopoldo para a rainha Vitória, 27 jun. 1837, Arthur Christopher Benson e Reginald Esher, The Letters of Queen Victoria, v. 1, p. 104.

23. Greville anotou em seu diário, em 30 de agosto de 1837, que a rainha “raramente ou nunca” dava respostas imediatas e culpava Melbourne por isso. Mas Melbourne acreditava se tratar de algo inerente, dizendo a Greville: “É hábito dela até mesmo com ele, e, quando discutem qualquer assunto sobre o qual se espera que ela opine, ela responde que refletirá e dará um veredito apenas no dia seguinte”. Lytton Strachey e Roger Fulford, The Greville Memoirs, v. 3, p. 394; Charles Greville, The Great World, p. 133.

24. Kate Williams, Becoming Queen, p. 291.

25. Thomas Creevey escreveu em 29 jul. 1837: “Certo dia, durante um jantar, Lady Georgiana Grey se sentou perto de madame Lützen, uma alemã que era governanta de Vic e de acordo com a qual não havia criatura mais perfeita. Ela disse que agora Vic trabalhava noite adentro; e que, enquanto a criada penteava seu cabelo, estava cercada de caixas de papelada oficial e lendo documentos”. Observe-se que ele antecedeu essas observações com o relato de que, ao passo que Vitória era “idolatrada”, a duquesa de Sutherland não ficara tão magoada com a rainha depois de ser censurada por seu atraso de meia hora para o jantar. Herbert Maxwell, The Creevey Papers, p. 665.

26. Charles Greville, 30 jul. 1837; Lytton Strachey e Roger Fulford, The Greville Memoirs, v. 3, p. 390. Ele continuou: “É impossível não suspeitar que, ao ganhar confiança e desenvolver sua personalidade, ela demonstrará muita força de vontade. No que tange aos assuntos mais triviais de sua corte e seu palácio, ela já representa o papel da rainha e da autoridade como se lhe fossem há muito tempo familiares”.

27. Stanley Weintraub, Victoria, p. 110.

28. Arthur Ponsonby, Queen Victoria, p. 10.

29. QVJ, 22 ago. 1837.

30. Yvonne Ward, “Editing Queen Victoria”, pp. 269-71.

31. Edna Healey, The Queen’s House, p. 136.

32. Cecil Woodham-Smit, Queen Victoria, p. 144.

33. Charles Greville, The Great World, p. 133.

34. Edward Boykin, Victoria, Albert and Mrs. Stevenson, p. 76.

35. Kate Williams, Becoming Queen, p. 292; Lynne Vallone, Becoming Victoria, p. 199.

36. QVJ, 28 set. 1837.

37. Kate Williams, Becoming Queen, p. 297.

38. Barão Stockmar para o rei Leopoldo, 24 jun. 1837, RA Add. A 11/26.

39. Elizabeth Longford, Queen Victoria, p. 72.

40. QVJ, 15 jan. 1838.

41. QVJ, 16 jan. 1838.

42. De acordo com Yvonne Ward, quando Benson enviou a primeira leva de manuscritos, Murray não resistiu e passou a noite lendo os escritos selecionados. Murray escreveu: “Muitas das missivas são da maior importância. Estou atônito com algumas das enviadas pela rainha à sua mãe. A situação dela era bem delicada tanto antes quanto depois da coroação e essas cartas são uma demonstração de grande firmeza de caráter e senso de justiça” (Murray para Benson, 22 mar. 1904, John Murray Archives). Mas, Ward escreve, “dentro de dois meses, Benson pediu a Murray que devolvesse aqueles manuscritos, pois fora incumbido por Esher da eliminação de ‘certos assuntos’” (Benson para Murray, 17 maio 1904, ibid.). As missivas trocadas por Vitória e a duquesa em 1837 não foram mais mencionadas nem publicadas. Yvonne Ward, “Editing Queen Victoria”, p. 244.

43. Edward Pearce e Denna Pearce, The Diaries of Charles Greviller, p. 162 (28 de julho).

44. Katherine Hudson, A Royal Conflict, p. 170.

45. Cecil Woodham-Smith, Queen Victoria, p. 149.

46. 13 nov. 1837, Dorothy Wise, Diary of William Tayler, p. 57.

 

7. A COROAÇÃO: “UM SONHO DAS MIL E UMA NOITES”

 

1. QVJ, 28 jun. 1838.

2. Elizabeth Longford, Victoria R.I., p. 83; Giles St. Aubyn, Queen Victoria, p. 63.

3. The Champion and Weekly Herald, 1 jul. 1838.

4. QVJ, 27 jun. 1838; Kate Williams, Becoming Queen, p. 274.

5. No dia da coroação, houve salvas de 21 tiros ao amanhecer, outra quando a rainha deixou o Palácio de Buckingham, mais uma ao chegar à Abadia de Westminster, e uma de 41 tiros ao ser coroada. Depois, mais uma de 21 ao deixar a abadia e outra ao retornar ao Palácio de Buckingham.

6. QVJ, 28 jun. 1838.

7. “The Queen’s Coronation”, Examiner, 1 jul. 1838, p. 403. Atribuído a Charles Dickens pelos editores da Pilgrim, Letters of Charles Dickens, v. 1, p. 408.

8. Lytton Strachey e Roger Fulford, The Greville Memoirs, 27 jun. 1838, v. 4, p. 69.

9. Thomas Frost, The Old Showmen, pp. 327-8.

10. Arthur Christopher Benson e Reginald Esher, Letters of Queen Victoria, jun. 1838.

11. Agnes Strickland, Queen Victoria, p. 320.

12. Ibid., pp. 320-1.

13. Sebastian Hensel, The Mendelssohn Family, v. 2, p. 41. “Uma mulher bêbada de ombros à mostra e cabelos soltos tentava dançar e, quando a policia fazia menção de detê-la, apenas gritava ‘coroação’; alguém da multidão conseguiu pará-la dando-lhe um tapa no ouvido. Aqui os bêbados são mais mulheres do que homens: é incrível a quantidade de uísque que conseguem emborcar.”

14. Charles Dickens, “The Queen’s Coronation”, Examiner, 1 jul. 1838, p. 403.

15. Sebastian Hensel, The Mendelssohn Family, v. 2, p. 42.

16. Harriet Martineau, Harriet Martineau’s Autobiography, p. 421.

17. Ibid., p. 421.

18. QVJ, 28 jun. 1838.

19. Disraeli para Sarah Disraeli, 28 jun. 1838, M. G. Wiebe et al. (Org.), Letters of Benjamin Disraeli 1860-1864, v. 7, p. 466.

20. The Illustrated London News, Illustrated London News and Sketch Limited, 1887, v. 90, p. 704.

21. Charles Greville, The Greville Memoirs, 29 jun. 1838, v. 4, p. 111.

22. QVJ, 28 jun. 1838.

23. Harriet Martineau, Harriet Martineau’s Autobiography, p. 125.

24. A coroa era cravejada com uma enorma espinela em forma de coração que fora usada por Eduardo de Woodstock, o Príncipe Negro, antes de ser colocada no elmo de Henrique V na Batalha de Agincourt, em 1415. Também tinha uma safira encontrada no cadáver de Eduardo, o Confessor, quando sua tumba foi violada, em 1163 (acredita-se que essa seja a joia mais antiga da família real). Além disso, outras dezesseis safiras, onze esmeraldas, quatro rubis, 1363 brilhantes, 1273 diamantes-rosa, 147 diamantes retangulares, quatro pérolas em forma de gota e 273 pérolas esféricas completavam a coroa. Pesava quase um quilo.

25. John Rusk, Reign of Queen Victoria, p. 105.

26. The Times, 29 jun. 1838, p. 8.

27. Morning Chronicle, citado em John Ashton, Gossip in the First Decade, p. 59.

28. Thomas Frost, The Old Showmen, p. 328.

29. George Sanger, Seventy Years a Showman, p. 74.

30. Charles Dickens, “The Queen’s Coronation”, Examiner, 1 jul. 1838, p. 403.

31. Edward Pearce e Denna Pearce, The Diaries of Charles Greville, 29 jun. 1838, p. 174.

32. QVJ, 28 jun. 1838.

33. 4 jul. 1838, ibid.

34. Stanley Weintraub, Victoria, p. 114.

35. The Champion and Weekly Herald, 1 jul. 1838.

 

8. APRENDENDO A GOVERNAR

 

1. David Cecil, Young Melbourne, p. 469.

2. QVJ, 4 set. 1838.

3. The Diaries of Charles Greville, v. 4, p. 93. Em setembro, a princesa Lieven escreveu para Lord Grey que “Lord Melbourne é tão assíduo no acompanhamento da rainha. Parece estar constantemente com ela. Não consigo evitar imaginar que devam se casar. No entanto, tudo ocorre de modo protocolar e creio que é adequado e de interesse dele que mantenha domínio absoluto da situação. Ele será visto pelo novo Parlamento como alguém que goza de grande prestígio na corte; mas será o bastante para mantê-lo no cargo?”. Guy Le Strange, Correspondence of Princess Lieven, v. 3, p. 244.

4. Condessa Grey para Creevey, 10 out. 1837, Herbert Maxwell, The Creevey Papers, p. 327. Disponível em: <lordbyron.cath.lib.vt.edu/monograph.php?

doc=ThCreev.1903&select=vol2.toc>. Acesso em: 2 ago. 2018.

5. Na opinião de Melbourne, a promulgação de uma lei por ano era suficiente: a Lei Municipal Inglesa em 1835, o dízimo irlandês em 1837 e a Lei do Irlandês Pobre. Ver Leslie George Mitchell, Lord Melbourne, p. 162.

6. Isabel C. Clarke, Shelley and Byron, p. 51.

7. Caroline não aceitou o rompimento e foi à casa de Byron sem avisar, disfarçada de pajem e envolta num enorme casaco. Ela se esgueirava pelos aposentos para flagrá-lo com outra pessoa ou simplesmente escrevia “Lembre-se de mim” em algum livro que ele tivesse deixado aberto. O livro era Vathek, de Beckford. Ele escreveu uma réplica:

 

Lembra-te de ti! Lembra-te de ti!

Até o Lete apagar o fogo juvenil

Remorso e vergonha se unirão a ti

E assombrar-te-ão como sonho febril

Lembra-te! E não duvides

Teu esposo também pensará em ti

És inesquecível, acredita

Pérfida para ele, vil para mim!

 

Byron então passara a detestá-la e a declarar que era um caso perdido. Ela era, segundo a dramática descrição dele, uma “víbora em meu caminho”. O último incidente dramático ocorreu em um baile dado por Lady Heathcote em julho de 1813. Enciumada ao ver Byron conversar com outra mulher, Caroline promoveu um escarcéu: depois de empunhar uma faca, houve grande alvoroço até ela se cortar com vidro e ser arrastada para fora.

8. Philip Ziegler, Melbourne, p. 16.

9. Leslie George Mitchell, Lord Melbourne, p. 5.

10. David Cecil, The Young Melbourne, p. 9.

11. Leslie George Mitchell , Lord Melbourne, p. 74.

12. Depois da morte de Melbourne, o pagamento ficou a cargo de seu estado, segundo Leslie George Mitchell, Lord Melbourne, p. 217. O marido de Lady Branden alegou que Melbourne seduzira sua esposa, embora as provas fossem fracas e o caso tenha sido rejeitado; aparentemente, Lord Melbourne cedeu uma quantia decente de dinheiro a Lord Branden. Depois disso esfriaram seus sentimentos por Lady Branden, que perdera o marido, a honra, o amante poderoso e estava reduzida ao apelo e à lembrança das cartas para Lord Melbourne, que disse friamente que nunca se casaria com ela. Os homens continuavam gozando do convívio social depois de escândalos envolvendo adultério e conduta imoral; as mulheres eram banidas e impedidas de ver seus filhos.

13. QVJ, 19 jul. 1839.

14. Melbourne disse a Vitória: “Não acho que ele me açoitou o bastante, teria sido melhor se tivesse me açoitado mais”. Reginald Esher, Girlhood of Queen Victoria, v. 2, p. 30.

15. QVJ, 15 out. 1838.

16. Quando teve seus próprios filhos, Churchill escreveu para Lord Melbourne jocosamente sobre o que ele tinha feito a ela, dizendo como a fizera rir e perguntando se seu bebê de dez meses era novo demais para o chicote. Ela escreveu: “E por falar em crianças, não esqueci de suas aulas práticas sobre açoite e aplico os ensinamentos com êxito somente em Caroline, pois William ainda é pequeno demais, concorda? Só tem dez meses. Parece que foi ontem a execução seguida de um empurrão no canto de um sofá que você usava em Brocket, daí você saía e me lembro de um dia quando voltou, dizendo ‘e então, mocinha, ainda se acha muito esperta?’, ao que, é óbvio, eu respondi morrendo de rir ao invés de chorar. Eu adoraria saber se a rainha açoita a princesa”. Do manuscrito de Pachanger, citado em Leslie George Mitchell, Lord Melbourne, p. 214.

17. Edward Pearce e Denna Pearce, The Diaries of Lord Greville, p. 131.

18. Philip Ziegler, Melbourne, p. 203: Melbourne disse a Vitória que “tudo o que o governo precisa fazer é prevenir e punir crimes e garantir os contratos”. Ziegler escreve: “A ideia segundo a qual cada governo chegaria ao posto brandindo e impondo uma porção de novas leis foi se delineando aos poucos ao longo do século XIX. No século anterior, o conceito de governo era mais atrelado a defesa, política externa e administração da nação. Novas leis só eram elaboradas para solucionar problemas específicos. Ao aderir a essa visão, Melbourne era porta-voz da maioria dos líderes políticos, fossem whigs ou tories. Russell e Peel seriam os homens do futuro: Melbourne, Holland, Lansdowne, Palmerston, para os whigs; Wellington, Aberdeen, Lyndhurst para os Tories; refletiam a sabedoria do passado”.

19. David Cecil, The Young Melbourne, p. 216.

20. Philip Ziegler, Melbourne, p. 72.

21. QVJ, 18 jul. 1837. De maneira semelhante, em 8 de agosto: “Conversamos sobre muitas coisas de grande e doloroso interesse para mim; coisas findas e passadas, digo. Lord Melbourne é tão gentil, tão sensível e compreensivo”. Em 17 de julho, ela escrevera que ele era seu amigo: “Sinto isso”.

22. Elizabeth Longford, Victoria R.I., p. 66.

23. QVJ, 6 fev. 1839.

24. David Cecil, The Young Melbourne, p. 413.

25. Citado em ibid., p. 394.

26. QVJ, 23 dez. 1837.

27. Lord Melbourne para John Russell, 24 out. 1837, de Leslie George Mitchell, Lord Melbourne, p. 282n.

28. QVJ, 25 maio 1838.

29. Muitas das opiniões de Melbourne eram conservadoras e ele muitas vezes estava do lado dos tories. Vitória era ferozmente leal ao partido whig, sem perceber quem os whigs realmente eram. A ortodoxia whig de então se resumia a liberdade, redução de impostos, anexação de terras, antidespotismo e democracia. David Cecil, The Young Melbourne, p. 7.

30. QVJ, 27 jan. 1840; David Cecil, The Young Melbourne, p. 336.

31. Elizabeth Longford, Victoria R.I., p. 70.

32. Leslie George Mitchell, Lord Melbourne, p. 240.

33. QVJ, 15 dez. 1838.

34. 19 fev. 1840, Charles Greville, The Great World, 180.

35. Cecil Woodham-Smith, Queen Victoria, p. 163.

36. Elizabeth Longford, Queen Victoria, p. 88.

37. Cecil Woodham-Smith, Queen Victoria, p. 162.

38. David Cecil, The Young Melbourne, p. 424.

39. Robert Rhodes James, Albert, Prince Consort, p. 64.

 

9. UM ESCÂNDALO NO PALÀCIO

 

1. 16 set. 1838, Parry, Correspondence of Lord Aberdeen, v. 1, p. 113.

2. 10 maio 1839, Edward Pearce e Denna Pearce, The Diaries of Charles Greville, p. 181.

3. QVJ, 21 jun. 1839.

4. 5 abr. 1838, ibid.

5. 2 fev. 1839, ibid.

6. 18 jan. 1839, ibid.

7. 2 fev. 1839, ibid.

8. Ronald Pearsall, The Worm in Bud, p. 5.

9. Em The Court Doctor Dissected, de 1839, John Fisher, doutor em medicina, condenou vigorosamente a falta de percepção de James Clark, listando uma dúzia de outras condições que produziriam sintomas similares aos da gravidez, como tumores abdominais, doenças hepáticas, problemas digestivos, alterações no baço, aneurisma da artéria mesentérica abdominal, retenção de líquido ou hérnia umbilical.

10. Em 13 de março, Lady Flora disse à mãe que James Clark ficara irritado com sua recusa e “tornou-se violento e rude e até tentou me intimidar”. The Times, 16 set. 1839, p. 3.

11. Ibid.

12. Ibid.

13. Robert Bernard Martin, Enter Rumour, p. 41.

14. Vitória escreveu para a mãe: “Sir C. Clark dissera que, embora ela ainda seja virgem, ainda existe essa possibilidade e não dá para saber como isso ocorre. Que havia um crescimento do ventre como se houvesse uma criança”, Elizabeth Longford, Victoria R.I., p. 99.

15. Robert Bernard Martin, Enter Rumours, pp. 48-9: Lady Sophia escreveu para a família que pelo menos um dos nobres pacientes dele o demitira em razão de sua conduta e que “muitos médicos se recusaram a encontrá-lo em consultas, dentre eles Sir Henry Halford, por ter ele alimentado um ódio contra a profissão”. Em QVJ, 8 abr. 1839, Vitória registrou que Clark sofrera um bocado com todo o caso, perdera muitos pacientes “e fora difamado pelos jornais do país”.

16. Cecil Woodham-Smith, Queen Victoria, p. 167.

17. QVJ, 18 mar. 1839.

18. 14 jan. 1839, ibid.

19. The Times, 16 set. 1839, p. 3.

20. Melbourne respondeu à carta e foi bastante ríspido. Criticava o “tom e conteúdo” da missiva, mas assegurou à rainha que faria o possível para “acalmar” Lady Flora e a família dela.

21. The Times, 16 set. 1839, p. 3. Em junho, o marquês de Hastings escreveu para Lord Melbourne exigindo um pedido de desculpas pelo tom que o primeiro-ministro adotara em sua carta à mãe dele.

22. The Times, 12 ago. 1839, p. 5.

23. QVJ, 16 abr. 1839.

24. 7 maio 1839, ibid.

25. Ibid.

26. Christopher Hibbert, Queen Victoria: A Personal History, p. 93.

27. Arthur Christopher Benson e Reginald Esher, The Letters of Queen Victoria, v. 1, p. 200.

28. Ibid., v. 1, p. 208.

29. Robert Bernard Martin, Enter Rumour, p. 62. Lady Harriet Clive era a única tory entre as damas da rainha.

30. QVJ, 9 maio 1839.

31. Cecil Woodham-Smitth, Queen Victoria, p. 174.

32. Peel Papers, v. 123, carta datada de 10 maio 1839, British Library Archives, Add.40, 303, Passagem: 40303.

33. QVJ, 30 maio 1839.

34. Philip Ziegler, Melbourne, p. 299.

35. 30 out. 1897, Sir Arthur Bigge, in Elizabeth Longford, Victoria R.I., p. 114.

36. QVJ, 9 jun. 1839.

37. 5 abr. 1839, ibid.

38. Lady Flora nunca acusou Vitória de malícia, mas escreveu à mãe que a rainha era “às vezes capaz de sentimentos de benevolência, mas… tem sido tão insidiosamente seduzida no último ano e meio que não lhe ocorre se colocar no lugar do outro — no presente momento, seja por imaturidade ou por falta daquele senso vivo de honra feminina que desejamos ver, não creio que compreenda a desonra a que fui exposta por um boato que se mostrou infundado”. Robert Bernard Martin, Enter Rumour, p. 50.

39. QVJ, 27 jun. 1839. Em um relato desse encontro, a irmã de Lady Flora, Lady Sophia, escreveu para a mãe: “Começo a achar que [Vitória] é uma rematada tola simplória. Creio que ela começa a se preocupar depois das explícitas manifestações de interesse e indignação dos súditos londrinos pelo caso e por temer as consequências que descaso e desrespeito, da parte dela, gerariam”. Robert Bernard Martin, Enter Rumour, p. 67.

40. QVJ, 6 jul. 1839: Lord Melbourne foi injusto até o fim. Informado em 29 de junho de que uma estática Lady Flora estava em um “estado de espírito absolutamente cristão”, ele replicou: “É fácil alegar isso. Ouso dizer que ela gostaria de errar de novo”. Vitória respondeu: “Se ela se recuperasse, creio que sim; mas eu disse a Lord M. que penso que as pessoas devam se arrepender nos momentos derradeiros”. Vitória acreditava no arrependimento dela, mas isso não a impedia de vê-la como um estorvo (QVJ, 1 jul. 1839). Conforme disse a Lord M. durante um jantar, era esquisito ter uma moribunda em casa, pois não tinha como sair nem convidar pessoas para jantar (QVJ, 3 jul. 1839).

41. 5 jul. 1839, ibid.

42. Robert Bernard Martin, Enter Rumour, p. 69.

43. The Champion and Weekly Herald, 14 jul. 1839.

44. “O laudo da autópsia de Lady Flora Hastings” foi publicado integralmente no Morning Post, 9 jul. 1839, p. 5. Assinado por cinco médicos, nele se lia:

 

A pessoa em questão estava muito definhada.

No peito: coração e pulmões estavam em perfeito estado; mas havia vastas aderências da pleura

(ou membrana) cobrindo o pulmão direito até a parte que circunda as costelas — provavelmente de

longa data.

No abdome: aderência generalizada do peritônio (ou membrana que circunda e cobre as

vísceras), de modo que a superfície de nenhum órgão estava minimamente descoberta. O fígado

estava inchado, a parte inferior chegando à pélvis e a superior ocupando considerável espaço da

cavidade direita do peito. A vesícula biliar continha pequena quantidade de bile. O fígado estava

bastante pálido, embora a estrutura não diferisse da matéria de um saudável. O estômago e o

Continuar: parte 2 de 5