Vitória, a rainha

Julia Baird · Capítulo 4 de 44

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Vitória, a rainha

2. A morte de um pai

 

Não me esqueça.

DUQUE DE KENT, 1820

 

A duquesa de Kent se encantou imediatamente com a filhinha. Insistiu em amamentá-la durante seis meses, embora as mulheres da aristocracia daquela época costumassem empregar amas de leite, muitas vezes porque

os apertadíssimos espartilhos afetavam sua capacidade de produzir leite.1 Enquanto a nobreza franzia o cenho em desaprovação, o empenho da duquesa em amamentar a filha caía no gosto do público, principalmente da burguesia, que passou a adotar essa prática. A decisão de Victoire foi mais importante do que ela imaginava: como a amamentação ao peito é um bom anticoncepcional, ainda que não infalível, isso significou que a duquesa dificilmente engravidaria outra vez no curto prazo. Se tivesse engravidado e gerado um irmãozinho para Vitória, ele é que teria ocupado o trono.

A decepção do duque em não ter tido um menino durou pouco tempo. Afinal, segundo a Lei de Regulamentação de 1701, sua filha, se não tivesse irmãos, poderia herdar a coroa. Em caráter reservado, embora reconhecendo que as chances da menina eram pequenas, mesmo assim ele se gabava:

“Olhem bem para ela, pois será a rainha da Inglaterra”. 2 O pai de Vitória sempre considerou aquele bebê forte e bonito um milagre. Afinal, nascer no século XIX era coisa perigosa. Em mil nascimentos, cerca de 150 bebês morriam ao nascer. Além disso, com a grande incidência de sarampo, coqueluche, escarlatina e cólera, a probabilidade de sobreviver até os cinco anos de idade era pouco acima de 70%. As chances dos filhos das famílias urbanas pobres que não eram amamentados ao peito ou eram desmamados cedo demais eram ainda menores.

Havia também a prática corrente de dar ópio aos bebês para pararem de

chorar e, com isso, muitos perdiam o apetite e morriam de desnutrição.3 Como era de se esperar, quem levava a culpa eram as mães que, por causa das longas jornadas de trabalho nas fábricas, deixavam os filhos com estranhos. Um artigo publicado em 1850 no Household Words, jornal editado por Charles Dickens, atribuía essa prática a alguma “babá

mercenária ignorante”4 que cuidava de oito ou nove bebês ao mesmo tempo, mantendo-os drogados. Misturas intituladas de “xarope calmante” ou “tranquilidade materna” e uma poção à base de láudano chamada “cordial de Godfrey” garantiam “lares pobres em silêncio cheirando a narcóticos”. Karl Marx, na época em que escrevia O capital, em 1867, mencionou o “infanticídio disfarçado e o estupor de crianças com

opiáceos”, acrescentando que os próprios pais criavam essa dependência. * Era tão frequente a morte dos bebês que os pais faziam seguro sobre os recém-nascidos e costumavam receber cinco libras caso eles morressem, prática essa considerada um incentivo ao infanticídio. Em 1900, 80% dos bebês eram segurados.

Mas Vitória se desenvolveu com tanto vigor que o duque alardeava que

ela parecia “mais um pequeno Hércules do que uma pequena Vênus”.5 Era uma criança robusta, “um modelo de combinação entre força e beleza”, segundo o pai, que fiscalizava pessoalmente os horários e a atuação das

babás.6 Também era muito rechonchuda, com pernas gorduchas: o barão Stockmar, advogado do duque, dizia que era uma “linda princesinha, roliça

como uma perdiz”.7 8 Os tios de Vitória não ficaram muito contentes. O

regente, que logo se tornaria o rei Jorge IV, nutria por seu irmão, o duque de Kent, um ódio visceral de longa data.

Vitória nasceu numa época gloriosa do Império Britânico. Quatro anos antes, em 1815, Napoleão fora derrotado na Batalha de Waterloo, que pôs fim a dezessete anos de guerra com a França. A Grã-Bretanha se rejubilara com a humilhação do homem e do país mais poderosos da Europa. Agora Napoleão estava confinado em segurança em Santa Helena, uma ilha tropical no Atlântico Sul, e, para o deleite dos ingleses, passara a se dedicar à jardinagem. A Batalha de Waterloo marcou o início da Pax Britannica — uma paz de 99 anos que se estenderia até a Primeira Guerra Mundial. O Império se expandia sem cessar, assinalando países da Ásia, África, Austrália, América do Norte e América do Sul com um vermelho imperial (como então os mapas mostravam o Império Britânico). Essa expansão foi acompanhada por um enorme desenvolvimento manufatureiro e pela disparada na produção de carvão e ferro. O crescimento veloz e aparentemente incontrolável do Império no século XIX fazia do trono britânico um prêmio altamente cobiçado. Com o fim das Guerras Napoleônicas, a Grã-Bretanha era a única economia industrializada do mundo e a maior potência naval do planeta. Mas Londres fervilhava de insatisfação.

Em 1821, metade da força de trabalho britânica tinha menos de vinte anos. Em 1819, ano em que Vitória nasceu, aprovou-se uma lei que limitava a jornada infantil nas fábricas e algodoarias a doze horas diárias, embora fosse raramente aplicada. Crianças de cinco anos trabalhavam da manhã à noite em fábricas de fósforos e pregos, em usinas de gás, estaleiros e construção civil. Em 1833, a Lei Fabril vetou o emprego de crianças com menos de nove anos em fábricas têxteis. Em 1834, tornou-se proibido utilizar meninos com menos de dez anos como limpadores de chaminés ou “tratar mal” os que fossem mais velhos — mas, também nesse caso, a lei foi ineficaz e não era aplicada. A limpeza de chaminés se tornou um grande símbolo da exploração infantil, com histórias em que acendiam fogo por baixo das crianças para obrigá-las a trabalhar mais depressa, ou de crianças que ficavam presas e morriam nas fendas tortuosas e escuras. Em 1840, apenas 20% das crianças em Londres frequentavam a escola.

A Revolução Industrial se acelerava rapidamente e a população se transferia do campo para a cidade. No começo do século, 20% da população britânica morava em cidades ou vilas; no final do século, era 75%. Espalhavam-se cortiços por toda a Londres, e às vezes, em casarões antigos,

viviam trinta ou mais pessoas no mesmo cômodo.9 Para a maioria dos moradores de cortiços e barracos, o saneamento consistia em usar um balde e despejá-lo num esgoto aberto. Quando Vitória nasceu, cozinhava-se em lareiras e fogo a céu aberto, usavam-se cavalos para levar as mensagens, metade da população era analfabeta e somente um pequeno setor de donos de propriedades tinha poder político. No final de sua vida, em 1901, as pessoas andavam de metrô, telégrafos disparavam mensagens transoceânicas, o ensino era obrigatório e as mulheres tinham alguns direitos fundamentais.

Na época do nascimento de Vitória, o indulgente príncipe regente vivia muito distante da realidade da maioria de seus súditos pobres. O governo aprovou as Leis do Trigo em 1815 para proteger o trigo inglês, impondo-lhe tarifas; em decorrência disso, o preço da alimentação aumentou, o que enfureceu a classe operária, já em situação muito difícil. As terras comunais, que muitos trabalhadores rurais usavam como pasto coletivo para os animais, foram cercadas e delimitadas em terrenos menores, encarecendo o arrendamento e criando grande miséria. A demanda internacional de produtos de exportação da Inglaterra caíra junto com os salários e o nível de emprego. Dias antes do nascimento de Vitória, houve tumultos por causa do preço do pão; mesmo em áreas abastadas em torno do Palácio de Kensington, eram visíveis os sinais de pobreza.

Embora nascida na Inglaterra, Vitória vivia cercada de alemães; até para acalmá-la quando chorava, embalavam-na com cantigas de ninar alemãs (embora ela só tenha começado a aprender a língua aos sete anos). Tinha sangue quase totalmente germânico. A mãe, a meia-irmã Feodora, o tio Leopoldo e a governanta eram todos alemães. Seus quatro avós também eram alemães e seu antepassado britânico mais próximo era do século

XVII.10 Entre 1714 e 1901, todos os hanoverianos que reinaram na Inglaterra se casaram com alemães — Vitória inclusive, bem como seis de seus nove filhos.

A Alemanha, naquela época, era um conjunto de Estados que se haviam juntado numa unidade chamada Confederação Germânica em 1815, após a derrota de Napoleão. (O país só veio a existir como nação única em 1871.) Alguns desses Estados tinham se alinhado com a França durante as Guerras Napoleônicas, mas o maior e mais poderoso deles — a Prússia — era aliado da Inglaterra. Curiosamente, um pequeno Estado, Hanôver, era governado a partir de Londres pelos reis da Inglaterra, que eram hanoverianos por herança. Esse arranjo secular, iniciado em 1715 pelo rei Jorge, anglo-germânico, se interrompeu quando Vitória ascendeu ao trono. Somente homens podiam governar Hanôver.

 

Em 24 de junho de 1819, num majestoso aposento de pé-direito muito alto, no último pavimento do Palácio de Kensington, uma pequena multidão alvoroçada fitava a bebê Vitória e seus pais. Estavam todos ao redor de uma pia batismal dourada, trazida da Torre de Londres para a ocasião. Os nichos estavam forrados com veludo carmesim, ocultando uma fileira de bustos no alto da parede, que mostravam os perfis orgulhosos de uma série de imperadores e faraós: Nero, Calígula, Cleópatra. (O protocolo mandava ocultá-los para não ferir as suscetibilidades do arcebispo da Cantuária.)

O regente, enfurecido porque seu odiado irmão agora tinha um herdeiro, insistira que o batizado fosse uma cerimônia pequena e reservada, realizada no meio da tarde. Não queria que fosse um evento rebuscado nem nada que desse qualquer sinal de envolver uma futura monarca em potencial. Ninguém teve autorização de se arrumar para a ocasião nem de usar uniformes ou rendas douradas. Pior ainda, o regente não permitiu que o duque e a duquesa de Kent escolhessem o nome da própria filha. O casal queria chamá-la de Victoire Georgiana Alexandrina Charlotte Augusta, mas o regente lhes escreveu de antemão, avisando que não permitiria que dessem o nome de Georgiana à menina, pois não queria que um derivado de seu próprio nome, George, precedesse o do tsar da Rússia, Alexandre (que dera dinheiro ao duque de Kent para o casamento e era o padrinho da criança). O regente avisou que durante a cerimônia revelaria os outros nomes que poderiam usar.

Durante o batizado, o arcebispo da Cantuária segurou o bebê roliço com ar de expectativa e perguntou ao regente: “Por qual nome apraz a Vossa Alteza chamar esta criança?”. O regente anunciou com firmeza “Alexandrina” e se calou. O duque de Kent propôs Charlotte como segundo nome e depois Augusta, mas o regente balançou a cabeça. Também recusou o nome de Elizabeth. Não queria que a criança, rival do trono, herdasse nenhum dos nomes históricos e tradicionais da família real britânica. Quando a duquesa prorrompeu em lágrimas, o regente finalmente declarou: “Então dê-lhe o nome da mãe também, mas ele não pode vir antes do imperador”. Alexandrina Vitória não era uma escolha muito simpática, pois os dois nomes eram estrangeiros; até mais ou menos os quatro anos, chamavam-na de Drina. Depois, foi sempre Vitória. Em 1831, quando o Parlamento tentou alterá-lo para Charlotte ou Elizabeth, devido à impressão de que Alexandrina e Vitória não eram nomes então muito conhecidos na Inglaterra, Vitória insistiu em mantê-lo.

O regente saiu do batizado sem falar com o irmão. Sua animosidade não diminuiu: quando o duque de Kent levou a pequena Drina, com três meses de idade, a uma revista de tropas em Hounslow Heath, o regente gritou: “O

que esse bebê está fazendo aqui?”.11 Os tios reais também não tinham nenhum apreço especial pela mãe da criança. A duquesa de Kent tinha um sotaque alemão carregado e pouco se esforçava em aprender inglês — embora depois Lord Melbourne viesse a concluir que ela conhecia bem o idioma e, por conveniência própria, apenas fingia o contrário. Seus discursos eram escritos foneticamente: “Ei hoeve to regret, biing aes yiett so little cônversent in thie Inglisch” [“I have to regret, being as yet so little conversant in the English” — Lamento por ser ainda tão pouco

familiarizada com o inglês].12 Os membros da família real tinham depositado todas as suas esperanças no duque de Clarence, irmão mais velho do duque de Kent, e em sua esposa para gerar um herdeiro, em vez do detestado Edward: a pequena Vitória era “um verdadeiro espinho no

flanco”.13

O impopular regente era um infeliz. Perdera a filha Charlotte e seu único

neto no mesmo dia, e odiava a esposa.14 Era bastante gordo e dependente do láudano, que usava para diminuir a dor nas pernas inchadas. A aspirina só veio a ser patenteada como medicamento em 1899, e não havia muitas alternativas de analgésicos. O láudano — também conhecido como tintura de ópio — era legal na época vitoriana. Consistia num preparado de ervas, ópio, água destilada e álcool, usado como medicação para ajudar o sono, diminuir a dor, controlar a diarreia (comumente provocada pelo cólera ou por disenteria), reduzir as cólicas menstruais e a flatulência, amortecer as dores do parto e aliviar dores de dente, de ouvido e de garganta. Também era empregado para tratar histeria e insanidade e para ajudar no “cansaço e

depressão”, bem comuns nas classes trabalhadoras.15 Era um componente fundamental na maioria dos medicamentos patenteados, de altíssima

potência e extremamente propenso a criar dependência. 16 Entre os dependentes de seus efeitos soporíferos e extasiantes estavam Mary Todd Lincoln, Samuel Taylor Coleridge, Charles Dickens e Elizabeth Barrett Browning. Florence Nightingale passou a consumir ópio depois de voltar da Guerra da Crimeia, alegando que ajudava a diminuir a dor. Escreveu em 1866: “Nada me fazia bem, a não ser uma curiosa e pequena prática recente de introduzir ópio sob a pele. Isso traz alívio por 24 horas, mas não melhora

a vivacidade nem a serenidade do intelecto”.17 A mulher de Dante Gabriel Rossetti morreu de uma dose excessiva de láudano. Muitos membros da família real recorriam a ele, principalmente os que tinham problemas crônicos, como gota.

 

O duque de Kent considerava o oceano um tônico muito melhor do que o ópio. Enquanto a maioria das pessoas ia ao litoral no verão, ele optou pelo inverno rigoroso em 1819, para que Victoire, que sofria de reumatismo, pudesse repousar. Os médicos haviam descoberto pouco tempo antes o que julgavam ser as qualidades terapêuticas do mar — afirmava-se que a água do mar curava problemas pulmonares, apoplexia e mesmo depressão ou, como se dizia, esgotamento pós-parto. Banhos de água salgada eram altamente recomendados para mães amamentando. Assim, o duque foi antes, para examinar a costa de Devonshire e encontrar um local onde todos pudessem ficar. Estando lá, foi visitar uma cartomante. Ela disse que dois membros da família real morreriam no ano seguinte. “Curioso”, refletiu ele,

“pergunto-me quais serão.”18 Um deles seria seu pai louco, o rei Jorge III; o outro, não teve como adivinhar.

Algumas semanas depois, ele levou a família para um chalé aninhado num pequeno vale não distante da costa. (Quando estavam a caminho, hospedaram-se na casa do bispo Fisher, antigo preceptor do duque. A pequena Vitória lhe arrancou a peruca — sinal precoce de sua irreverência diante da autoridade episcopal, característica que manteria pelo resto da vida.) Chegaram ao chalé durante uma nevasca no dia de Natal. Estava sendo um inverno muito rigoroso e a casa era exposta a ventos cortantes, mas o duque se sentia muito contente. Escreveu uma carta a um amigo comentando como a filhinha era forte: “Saudável demais, receio eu, na

opinião de alguns membros de minha família, que a veem como intrusa”.19 Vitória tinha apenas oito meses, mas, pelo tamanho, parecia já ter um ano — e seu pai estava convicto de que ela herdara seu espírito de aço. Os dois primeiros dentes romperam a gengiva “sem o menor problema”; ela mal se queixou. Um dia, quando a menina dormia em seu quarto no chalé, um garoto local, caçando passarinhos, deu um disparo acidental que atravessou a janela. O duque disse que ela enfrentou o tiro como uma verdadeira filha

de soldado. 20

Em 7 de janeiro, durante uma ventania, o duque de Kent saiu para uma longa caminhada pelos despenhadeiros com seu camareiro, John Conroy. Voltou reclamando que seus ossos doíam devido ao frio. Desenvolvendo febre, foi transferido para um quarto mais aquecido e lhe aplicaram duas sangrias, mas sem resultado. O único médico que conseguiram chamar de imediato, William Maton, não falava alemão. Dr. Maton fez mais uma sangria, depois aplicou ventosas e sanguessugas no duque. Naquela época, era comum usar ventosas: fazia-se um corte na pele e em cima se colocava um copo aquecido de boca para baixo. Enquanto o copo esfriava, o sangue era sugado pelo vácuo. Ao final do tratamento, o duque perdera cerca de três litros de sangue. A duquesa ficou enfurecida e mortificada. Mesmo assim, não questionou a sabedoria do médico. Ela escreveu dizendo que não restou “praticamente nenhum local em seu corpo querido que não [tivesse] sido afetado por ventosas, vesicatórios ou sangrias… Ele foi tremendamente

exaurido… por aqueles médicos cruéis”.21 À noite, quando lhe disseram que o médico queria aplicar mais uma sangria, o duque chorou.

A duquesa andava de um lado para o outro enquanto o marido jazia com dores na cama, entre tosses e soluços. Ela não quis ir descansar. Logo começaram a chegar alguns amigos ao chalé, entre eles o príncipe Leopoldo, irmão da duquesa, trazendo em sua companhia o médico e advogado Christian Stockmar, que em anos posteriores viria a ter um papel fundamental na corte. Enquanto a duquesa aguardava, Stockmar tomou o pulso do duque. Virou-se e disse em voz baixa: “Não há mais o que se possa

fazer”.22 A duquesa o fitou, voltou para o lado do marido e lhe tomou a mão. Fazia dias que ela não dormia nem trocava de roupa. A bebê Vitória — a quem chamava pelo diminutivo “Vickelchen” — dormia no berço, enquanto Feodora, filha mais velha da duquesa de Kent, rezava de joelhos. Amanheceu, e o duque estava febril e agitado. Apertou a mão da esposa,

puxou-a para junto de si e sussurrou: “Não me esqueça”. 23

O duque de Kent morreu às dez da manhã do domingo, dia 23 de janeiro de 1820. Sua morte foi um grande choque, em vista de sua vigorosa saúde

habitual.24 “Aquele verdadeiro Hércules não existe mais”, escreveu a

princesa Lieven, esposa do diplomata russo em Londres. 25 A pobre Victoire enviuvava pela segunda vez. Não era uma pessoa muito querida entre o público em geral, não tinha quase nenhum tostão e contava com poucos aliados. Não entendia a língua, os costumes e o povo do país cuja filha e talvez futura soberana trazia ao colo. Havia certo apreço por ela na família real, sobretudo entre as mulheres, mas este logo se desfez devido à sua falta de tato e competitividade diante dos que poderiam gerar rivais para

Vitória.26

 

Mesmo na morte, o duque de Kent era imponente. O caixão pesava mais de uma tonelada e tinha 2,10 metros de comprimento — seus carregadores tiveram dificuldade em atravessar as portas. Ele foi sepultado à noite na cripta da família em Windsor, em 12 de fevereiro, enquanto a esposa chorava em seus aposentos (não era permitida a presença de mulheres nos funerais, porque supostamente perderiam o controle de suas emoções).