A Cidadela

A. J. Cronin · Capítulo 32 de 55

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A Cidadela

Capítulo 2

Na manhã seguinte leu toda a papelada que

estava em cima da mesa, rubricou-a, e por volta das onze horas já estava passeando pela «jaula», sem nada para fazer. Mas a «jaula» era demasiadamente pequena para o conter. Impacientemente, saiu a explorar o edifício. Era tão interessante como um necrotério sem cadáveres. Mas, ao subir ao último andar, encontrou-se de repente num grande salão guarnecido de alguns aparelhos de laboratório. E ali, sentado sobre um caixote, via-se um rapaz metido numa bata branca, comprida e suja, que tratava desconsoladamente das unhas, enquanto o cigarro amarelava ainda mais a mancha de nicotina no canto do lábio.

- Olá! - disse Andrew.

Houve uma pausa. Depois o outro respondeu,

sem interromper a sua ocupação:

- Se se perdeu no caminho, o elevador é na

terceira porta à direita.

Andrew encostou-se à mesa de trabalho e

tirou um cigarro do bolso. Depois perguntou:

- O senhor não serve chá aqui? Pela primeira vez o rapaz levantou a cabeça.

(Os cabelos, negros e acamados à força de brilhantina formavam um contraste singular com a gola levantada da sua bata manchada).

- Apenas para ratos brancos - respondeu com

ar sisudo. As folhas de chá são muito nutritivas para eles.

Andrew riu, talvez porque o autor da graça

era um rapazola mais moço do que ele.

- Chamo-me Manson.

- Estava com esse receio. Veio, então, juntar-se

à legião dos esquecidos, hem? - Uma pausa. - Eu sou o Dr. Hope. Mas o meu nome nada quer dizer.

- De que se ocupa aqui?

- Só Deus sabe... é o tal do Billy aos Botões,

quero dizer Dewar! Sento-me aqui algumas vezes e fico a pensar. Mas geralmente fico apenas sentado. Uma vez por outra, mandam-me pedaços de minério despedaçados e perguntam-me a causa da explosão.

- E o senhor responde qual foi? - indagou

Andrew polidamente.

- Não - disse Hope, rudemente. - Dou palpites

ao acaso, por bambúrrio.

Sentiram-se mais à vontade depois da

vulgaridade da frase e foram almoçar juntos. No caminho Hope explicou que só graças ao bom tempo é que ainda estava com a cabeça em boas condições. Também explicou outras coisas a Manson. Era pesquisador nos laboratórios de Cambridge, onde se salientara - resmungou - pelas suas frequentes demonstrações de falta de tacto. Fora emprestado à Junta, em vista de insistentes pedidos do Prof. Dewar. Nada tinha que fazer além de simples trabalhos mecânicos, que qualquer prático de laboratório podia executar. Achava que acabaria «zuca» por causa da negligência e da inércia da junta, que ele apelidara sarcàsticamente de «Paraíso dos Maníacos». Era um exemplo bem típico da obra de pesquisas no país, orientada por um grupo de ilustres medalhões, tão inchados de vaidade com as suas próprias teorias e tão ocupados em se combaterem mutuamente que nada podia levar para a frente com um rumo determinado.

Hope era puxado daqui para acolá, tinha de

fazer o que lhe mandavam e não o que queria, e era tão interrompido no trabalho que nunca passou seis meses na mesma tarefa.

Traçou para Andrew um rápido esboço dos

maiorais do Paraíso dos Maníacos. A Sir William Dewar, o caduco mais indomável nonagenário que presidia à Junta, pusera a alcunha de Billy dos Botões, por causa da propensão de Sir William para deixar desabotoadas certas partes essenciais de seu vestuário. O velho Billy dos Botões era presidente de quase todas as comissões científicas da Inglaterra, conforme explicou Hope. Além disso fazia palestras pela rádio, no programa essencialmente popular: Ciência para Crianças.

Havia mais o Prof. Whinney, vulgarmente

conhecido entre a estudantada como o Cavalão; Challis, que não era mau sujeito quando lhe não dava para representar o papel dramático de Pasteur-Rabelais; e o Prof. Maurice Gadsby.

- Conhece Gadsby? - perguntou Hope. - Já me encontrei com esse cavalheiro. - E

Andrew contou a história do exame.

- O nosso Maurice é assim mesmo - comentou

Hope amargamente. - É um autêntico furão. Mete-se em tudo. Qualquer dia entrará para a Royal Apothecaries9. Não resta dúvida de que o cavalheiro é inteligente. Mas não se interessa pelas pesquisas científicas. Só se preocupa com a própria pessoa. - Hope riu-se subitamente. - Robert Abbey conta uma boa a respeito dele. Gadsby queria entrar para o Rumpsteak Club. É um desses clubes para dar jantares que existem em Londres. É só de gente bem como se supõe. Pois bem, Abbey, que é um cidadão prestável, prometeu fazer o que lhe fosse possível pelo Gadsby só Deus sabe porquê. Dias depois Gadsby encontrou-se com Abbey. «Então? Entrei?» perguntou ele. «Não», disse Abbey «Não entrou». «Deus do Céu!», exclamou Gadsby. «Não me diga que fui reprovado?!», «Foi reprovado», disse Abbey. «Escute, Gadsby! Já viu alguma vez na sua vida um prato de caviar?».

Hope inclinou o corpo, explodindo numa

gargalhada.

Um momento depois acrescentava: - Abbey também faz parte da Junta. É um

homem decente. Mas é demasiadamente sabido para vir aqui muitas vezes.

Aquele foi o primeiro dos muitos almoços que

Andrew e Hope comeram juntos. Apesar das suas graças de estudante e da inclinação natural para nada tomar a sério, Hope era um rapaz de valor. A sua irreverência era saudável.

Andrew compreendeu que ele ainda havia de

triunfar na vida. E, com efeito, nos momentos de seriedade, Hope confessou muitas vezes o ansioso desejo de retomar o trabalho da sua inclinação, que

9 A Royal Society of Apothecaries é a instituição médica mais tradicional e prestigiosa da Inglaterra. (N. do T.) a si mesmo impusera, sobre o isolamento dos fermentos gástricos.

De vez em quando, Gill acompanhava-os ao

almoço.

Hope definia-o com uma frase bem

característica: «É um pobre diabo!». Embora envernizado por trinta anos de funcionalismo, Gill era de baixa condição social. Trabalhava na repartição como uma pequenina máquina bem lubrificada, que girava com facilidade. Chegava de Sunbury todas as manhãs, sempre pelo mesmo comboio, e, quando o serviço na repartição não o impedia, tomava sempre o mesmo comboio de volta. Tinha em Sunbury esposa, três filhas e um jardinzinho onde cultivava rosas. Parecia uma legítima encarnação do perfeito saloio. No entanto debaixo dessa aparência existia um Gill autêntico, que amava o Inverno de Yarmouth e passava lá sempre as suas férias de Dezembro, que sabia quase de cor um livro chamado Hadji Baba,- uma verdadeira Bíblia para ele e que, membro havia quinze anos da Sociedade Protectora dos Animais, se dedicava com certo orgulho a tratar dos pinguins do Jardim Zoológico.

Uma vez por outra Christine também

comparecia ao almoço. Gill desdobrava-se em amabilidades para manter a aura de cortesia do funcionalismo. O próprio Hope procedia com admirável gentileza. Confessou a Andrew o abalo que sofrera nas suas convicções de celibatário desde que encontrara a Sr.a Manson.

Os dias passaram. Enquanto Andrew

esperava a reunião da Junta, o casal ia descobrindo Londres. Fizeram uma viagem de barco a Richmond. Foram a um teatro chamado «Old Vic». Travaram relações com as gatas de Hampstead Heath, conheceram o encanto de um cafézinho, servido num quiosque, à meia-noite. Passearam pela zona operária.

Foram remar na Serpentine. Perderam as

ilusões sobre o Sono... Quando já não precisavam de consultar os mapas da cidade antes de tomarem o metropolitano, começaram a sentir-se londrinos de facto.

Na tarde de 18 de Setembro reuniu-se afinal,

com a presença de Andrew, o conselho director da J. M. M.

Ao lado de Gill e de Hope, compreendendo os

sorrisos zombeteiros que o último lhe dirigia, Andrew observava a entrada dos figurões no salão de cornijas douradas:

Whinney, o Dr. Lancelot Dodd-Canterbury,

Challis, Sir Robert Abbey, Gadsby e o próprio Billy dos Botões, William Dewar.

Antes de entrar, Abbey e Challis conversaram

com Andrew. Abbey pronunciou duas ou três palavras muito simples, o professor um jorro abundante de frases gentis e congratulatórias pela sua nomeação. Ao passar, Dewar voltou-se para Gill, exclamando na vozinha estridente que lhe era tão peculiar:

- Onde está o nosso novo médico, Sr. Gill?

Onde está o Dr. Manson?

Andrew levantou-se, espantado com o tipo de

Dewar, que deixava mesmo a perder de vista a descrição de Hope.

Billy era pequenino, curvado e cabeludo.

Usava fato velho, o colete cheio de nódoas, os bolsos do sobretudo esverdeado atulhados de papéis, panfletos e memorandos de uma dúzia de sociedades diferentes. Billy não tinha desculpa, pois possuía muito dinheiro e filhas, uma delas casada com um par da Câmara milionário. Mas a verdade é que parecia então, como sempre, um macaco velho e mal tratado.

- Havia um Manson comigo na universidade,

em 1880 - guinchou com ar benevolente, à guisa de cumprimento.

- Era este aqui - murmurou Hope que não

resistiu à tentação de gracejar.

Billy ouviu.

- Como pode o senhor saber, Dr. Hope? -

perguntou, fixando-o por cima das lunetas de aros de metal, penduradas na ponta do nariz. Nesse tempo nem o senhor estava ainda nos cueiros. Hi! Hi! Hi! Hi!

Afastou-se, dando risadinhas, para o seu lugar

à cabeceira da mesa. Nenhum dos colegas já sentados deu pela sua presença. Ignorar orgulhosamente a presença dos companheiros fazia parte da estratégia dos membros deste conselho. Isso, porém, não perturbou Billy. Tirando do bolso um maço de papéis, bebeu um copo de água da garrafa, tomou um martelinho que estava na sua frente e bateu uma pancada estrondosa na mesa.

- Senhores, meus senhores! O Sr. Gill vai

proceder à leitura da acta.

Gill, que agia como secretário do conselho, leu

rapidamente a acta da sessão anterior, enquanto Billy sem prestar a menor atenção a essa cantilena, ora folheava os papéis, ora piscava o olho com simpatia para Andrew, a quem vagamente associava ao Manson de 1880 da universidade.

Quando Gill terminou, Billy empunhou logo o

martelo.

- Senhores! É com especial satisfação que

vemos hoje aqui o nosso novo médico. Recordo-me de que, ainda por volta de 1904, salientei a necessidade de a Junta dispor dos serviços de um clínico permanente como valioso assistente para os patologistas que de vez em quando conseguimos «pescar», senhores, hi! hi!, que de vez em quando conseguimos pescar no Instituto de Pesquisas. E digo isto com a maior consideração pelo nosso jovem amigo Hope, de cuja bondade, hi! hi!, de cuja bondade temos abusado tanto. Lembro-me agora muito bem de que ainda em 1889...

Sir Robert Abbey interveio: - Tenho a certeza, senhores, de que interpreto

o sentir de todos os membros da Junta ao felicitar o Dr. Manson, de todo o coração, pelo seu trabalho sobre a silicose. Se assim me posso expressar, considero-o um trabalho muito paciente e original de investigação clínica e que, como a Junta se dá conta, pode ter efeito decisivo sobre a nossa legislação industrial.

- Muito bem! Muito bem! - trovejou Challis,

apadrinhando o seu protegido.

- Era isso mesmo que eu ia dizer, Robert -

resmungou Billy, com rabujice. - Para ele, Abbey era ainda um rapaz, quase um estudante, cujas interrupções deviam ser contrariadas docemente. Quando decidimos na última reunião que essas pesquisas deviam ser continuadas, o nome do Dr. Manson imediatamente se impôs por si mesmo. Foi ele quem levantou essa questão e a ele se devem dar todas as oportunidades para o prosseguimento do seu trabalho. Senhores, entendemos que tratando-se de uma coisa em favor de Andrew - piscou-lhe o olho intencionalmente - que ele deve visitar todas as minas de antracite do país e mais tarde, se for possível, estender a sua visita a todas as minas de carvão. Também desejamos que ele disponha de todos os elementos para o exame clínico dos trabalhadores das indústrias mineiras. Nós conceder-lhe-emos todas as facilidades, inclusive os apreciáveis serviços bacteriológicos do nosso amigo Dr. Hope. Em suma, senhores, nada há que não desejemos fazer para que o nosso novo inspector clínico conduza esse assunto importantíssimo de inalação de poeira até às últimas conclusões científicas e sociais.

Andrew respirou fundo e furtivamente. Era

esplêndido muito melhor do que poderia esperar. Iam dar-lhe carta branca, apoiá-lo com a imensa autoridade da Junta, deixá-lo entregue às investigações clínicas. Eram uns anjos, todos eles. E Billy era o próprio arcanjo Gabriel.

- Mas, senhores - cacarejou Billy subitamente,

tirando dos bolsos nova papelada. - Antes que o Dr. Manson se dedique a este problema, antes que possamos sentir-nos à vontade para lhe permitir que concentre os seus esforços nesse ponto, julgo que ele deve tratar de outra questão mais instante.

Uma pausa. Andrew sentiu o coração apertar-

se-lhe, sentindo-se desanimado quando Billy continuou:

- O Dr. Bigsby, do Ministério do Comércio,

chamou-me a atenção para a alarmante discrepância que existe nas especificações dos equipamentos industriais de pronto-socorro. Há, na verdade, uma definição da lei vigente, mas é vaga, pouco satisfatória. Não existem, por exemplo, padrões exactos quanto ao tamanho e peso das ligaduras e quanto ao comprimento, o material e o tipo das talas. Ora, senhores, isso é um assunto importante e que respeita directamente ao Conselho. Lamento profundamente que o nosso médico se veja obrigado a proceder a uma investigação completa e apresentar um relatório sobre a matéria antes de dedicar-se ao problema da inalação.

Silêncio. Andrew correu os olhos

desesperadamente em torno da mesa. Dodd-Canterbury estirava as pernas e fitava o tecto. Gadsby desenhava diagramas no bloco de papel. Whinney franzia a testa. Challis inchava o peito, para tomar a palavra. Mas foi Abbey quem disse:

- Mas, Sir William, isso é um assunto que diz

respeito ao Ministério do Comércio ou ao departamento de Minas.

- Nós temos de estar à disposição de qualquer

dessas entidades - guinchou Billy. - Nós somos... Hi! Hi! O órgão que elas tutelam.

- Sim, eu sei. Mas, afinal de contas, isso... essa

questão de ligaduras é uma coisa de certo modo trivial e o Dr. Manson...

- Afirmo-lhe, Robert, que está muito longe de

ser trivial. Será discutida no Parlamento por estes dias. Ainda ontem Lord Ungar me tocou no assunto.

- Ah! - exclamou Gabdsby, levantando a

cabeça. - Se Ungar se interessa, temos de o atender.

Gadsby estava sempre pronto para adular

pessoas como Ungar, cuja simpatia desejava obter.

Andrew foi forçado a intervir. - Desculpe-me, Sir William - disse um pouco

desorientado. Eu... eu imaginei que o meu trabalho aqui seria clínico. Há um mês que estou inactivo, à espera de começar e agora, se o que eu tenho a fazer...

Estacou circunvagando um olhar pelos

membros da Junta. Foi Abbey quem o ajudou.

- É muito justo o ponto de vista do Dr.

Manson. Há Quatro anos que ele investiga pacientemente o seu assunto e agora, quando se lhe proporcionavam todas as facilidades para o desenvolver, não está certo que ele vá calcular dimensões de ligaduras.

- Se o Dr. Manson tem sido tão paciente

durante quatro anos, Robert - apitou Billy - pode ter ainda mais um pouco de paciência. Hi! Hi!

- De facto - trovejou Challis. - Talvez possa

tratar de Silicose nas horas vagas.

Whinney preparou-se para falar. - Agora - cochichou Hope a Andrew - o

Cavalão vai relinchar.

- Senhores - disse Whinney. - Há muito tempo

que ando a pedir à Junta que investigue o problema da fadiga muscular relacionada com o calor das fornalhas. Como sabem, é um assunto que me interessa profundamente e que, para falar francamente, não tem merecido dos senhores a devida atenção, apesar da sua importância. Agora já que o Dr. Manson vai ser afastado do caso da inalação, parece-me admirável a oportunidade para se levar a efeito esse relevante problema da fadiga muscular...

Gadsby olhou para o relógio. - Tenho um encontro marcado em Harley

Street dentro de trinta e cinco minutos.

Whinney voltou-se, irritado, para Gadsby. O

Prof. Challis, seu colega, apoiou-o com um estrondoso:

- Que impertinência intolerável! Parecia iminente um conflito. Mas por trás das suíças, a cara amarelada e

conciliadora de Billy vigiava a reunião. Não estava perturbado. Havia quarenta anos que presidia a sessões idênticas. Bem sabia que todos o detestavam e queriam vê-lo pelas costas. Mas não se ia embora, nunca se retirava. O seu vasto crânio estava recheado de problemas, dados, notas, fórmulas obscuras, equações; cheio de fisiologia e química, de factos e hipóteses um imenso sepulcro cavernoso, povoado de fantasmas de gatos arrebentados, iluminado por luz polarizada, e todo revestido de cor-de-rosa pela grata lembrança de que, quando menino, Lister lhe dera palmadinhas na cabeça. Disse com toda a candura:

- Devo declarar à assembleia que já tomei a

iniciativa de prometer a Lord Ungar e ao Dr. Bigsby que os auxiliaríamos nas suas dificuldades. Seis meses devem bastar, Dr. Manson. Talvez um pouco mais. E não será destituído de interesse. Contactará com muitas pessoas e coisas, meu caro. Lembre-se do que disse Lavoisier sobre a gota de água. Hi! Hi! E agora, quanto ao exame patológico dos espécimes de Wendower, feito em Julho último pelo Dr. Hopes...

Quatro horas a sessão estava terminada.

Andrew ficou a discutir o caso com Gill e Hope no gabinete do primeiro. A impressão que a Junta lhe causou começava a inspirar-lhe certa discrição pessoal. E talvez contribuíssem para isso os dias que iam passando. Não barafustou nem explodiu em comentários irritados. Contentou-se simplesmente em espetar com uma pena do governo uma folha de papel do governo numa mesa do governo.

- Isto não é tão mau como parece - animava-o

Gill. - Bem sei que terá de viajar por todo o país, mas isso até pode ser agradável. Deve levar a sua esposa. Para Buxton, por exemplo. Fica no centro de toda a zona carbonífera de Derbyshire. E ao fim de seis meses o senhor poderá dar início ao seu trabalho sobre antracite.

- Nunca mais se lhe poderá dedicar - Hope

arreganhou os dentes. - Será medidor de ligaduras para o resto da vida!

Andrew tomou o chapéu.

- O defeito que o senhor tem, Hope, é... ser

demasiadamente moço.

Foi para casa encontrar-se com Christine. Esta

resolvera tirar o melhor partido da situação. Compraram por sessenta libras um automóvel Morris em segunda mão e partiram na segunda-feira seguinte para a grande investigação sobre socorros de emergência. Estavam radiantes quando o carro atingiu a estrada para o Norte. Depois de caricaturar o Billy dos Botões na direcção do volante, Andrew observou:

- Ora espiga! Quero lá saber do que disse

Lavoisier a respeito da gota de água. Estamos juntos, Chris! Isso é o que importa.