Baratas

Jo Nesbo · Capítulo 50 de 54

Páginas do PDF

Baratas

Capítulo 48

 

SEXTA-FEIRA, 24 de JANEIRO

 

— Jens Brekke? — Liz não conteve o espanto.

Harry assentiu.

— Impossível! E o álibi, aquela maldita gravação em que ele liga pra irmã às oito?

— Jens ligou, sim, pra ela, mas não do escritório dele. Perguntei por que diabos ele ligaria pra casa da irmã workaholic em horário comercial. Ele respondeu que não lembrou que horas eram na Noruega.

— E?

— Você já ouviu falar de um corretor de câmbio que não lembra que horas são em outro país?

— Não entendi.

— Tudo se encaixou quando vi que Klipra tinha um aparelho semelhante ao de Brekke. Depois de atirar em Klipra, Jens ligou do escritório dele pra irmã, sabendo que ninguém atenderia, e levou a fita. A gravação informa o horário da ligação, mas não de onde foi feita. Em nenhum momento consideramos a possibilidade de que era de outro gravador. Mas posso provar que uma fita foi roubada do escritório de Klipra.

— Como?

— Lembra que, no início da tarde do dia 7 de Janeiro, houve uma chamada pra Klipra do celular do embaixador? A gravação não aparece em nenhuma das fitas encontradas no escritório.

Liz riu.

— Aquele idiota fabricou um álibi impecável e ficou esperando na cadeia o momento certo de sacar seu trunfo da forma mais convincente possível?

— Será que ouço um tom de admiração em sua voz, inspetora?

— Puramente profissional. Você acha que ele tinha tudo isso planejado desde o início?

Harry deu uma olhada no relógio. Seu cérebro tinha começado a transmitir em código Morse a mensagem de que algo estava errado.

— Se há uma coisa de que tenho certeza nessa história é que Brekke planejou tudo. Nenhum detalhe foi deixado ao acaso.

— Como você tem tanta certeza?

— Ora — respondeu Harry, segurando um copo vazio diante do rosto —, porque ele me falou: Brekke odeia riscos. Só joga se souber que vai ganhar.

— Então imagino que você também saiba como ele matou o embaixador.

— Ele acompanhou Molnes até o estacionamento do subsolo. A recepcionista pode confirmar isso. Então pegou o elevador de volta, e a moça em quem ele passou uma cantada também pode atestar isso. Jens provavelmente matou o embaixador no estacionamento, quando Molnes entrava no carro, com uma punhalada da faca da Lapônia nas costas. Pegou as chaves e colocou o corpo no porta-malas. Em seguida, trancou o carro, foi até o elevador e esperou até que alguém apertasse o botão em outro andar e ele pudesse se certificar de ter uma testemunha de que havia retornado ao escritório.

— Inclusive passou uma cantada na mulher, pra garantir que ela se lembraria dele.

— Exato. Se aparecesse uma pessoa diferente, ele inventaria algum outro plano. Em seguida, bloqueou o recebimento de chamadas pra dar a impressão de que estava ocupado, desceu novamente de elevador, pegou o carro do embaixador e seguiu pra casa de Klipra.

— Mas as câmeras do circuito interno de tevê teriam flagrado o assassinato do embaixador no estacionamento.

— E por que você acha que aquela fita do circuito interno sumiu? Ninguém tentou sabotar o álibi de Brekke. Foi ele quem fez Jim Love entregar a fita. Na noite em que o encontramos na luta de boxe, ele estava com pressa de voltar ao escritório, não pra atender seus clientes americanos, mas porque queria encontrar Jim Love, ter acesso à cabine e gravar alguma coisa por cima da parte que mostrava o assassinato do embaixador. E depois reprogramar o timer, fazendo parecer que alguém estava tentando sabotar seu álibi.

— Por que ele simplesmente não sumiu com a fita original?

— Jens é um perfeccionista. Sabia que algum jovem e brilhante detetive cedo ou tarde perceberia que o horário da gravação não combina com as imagens.

— Sabia como?

— Ele usou a fita de outra noite pra gravar por cima das imagens comprometedoras. Em algum momento a polícia tomaria o depoimento das pessoas que trabalham no prédio, e alguém iria testemunhar que passou de carro pela câmera entre cinco e cinco e meia no dia 7 de Janeiro. A prova de que a fita foi adulterada, claro, é o fato dessa movimentação não aparecer nas imagens. Com a chuva e as marcas de pneu molhado, nos demos conta disso mais rápido do que o esperado.

— Então você não foi tão esperto quanto ele queria que você fosse?

Harry deu de ombros.

— Isso aí, mas vou sobreviver. Jim Love não teve a mesma sorte. Recebeu seu pagamento em ópio envenenado.

— Porque era uma testemunha?

— É como eu disse: Brekke não gosta de correr riscos.

— E quanto à motivação do crime?

Harry bufou. O som pareceu o de um rolo compressor freando.

— Lembra que nos perguntamos se o direito de usufruto de mais de cinquenta milhões de coroas durante seis anos era motivo suficiente pra matar o embaixador? Não era. Mas parece que essa quantia convenceu Jens Brekke a matar três pessoas. De acordo com o testamento, Runa herdaria o dinheiro quando se tornasse maior de idade, mas, como o documento é omisso quanto ao que aconteceria em caso de morte da beneficiária, o dinheiro segue, obviamente, a linhagem sucessória dos herdeiros. Ou seja, a fortuna vai pras mãos de Hilde Molnes. O testamento agora deixou de ser obstáculo.

— E como Brekke vai forçá-la a dar o dinheiro a ele?

— Ele não precisa fazer nada. Hilde Molnes tem seis meses de vida. Tempo suficiente pros dois se casarem e pra Brekke se mostrar o perfeito cavalheiro.

— Quer dizer que o cara se livrou do marido e da filha pra poder herdar a fortuna quando a mulher morresse?

— E não é só isso — continuou Harry. — Jens já gastou o dinheiro.

Liz franziu o cenho.

— Ele comprou uma empresa quase falida chamada Phuridell. Se as previsões do Barclays Tailândia se confirmarem, talvez ela chegue a valer vinte vezes o valor pelo qual Jens a comprou.

— Então por que alguém ia querer vendê-la?

— De acordo com George Walters, diretor da Phuridell, o “alguém” na história são uns acionistas minoritários que se recusaram a vender sua parte das ações a Ove Klipra quando ele se tornou o acionista majoritário, pois sabiam que alguma coisa grande estava a caminho. Mas, quando Klipra saiu de cena, foram informados de que a dívida em dólar poderia quebrar a empresa e, por isso, aceitaram agradecidos a oferta de Brekke. O mesmo aconteceu com o escritório de advocacia que administra o espólio de Klipra. O valor total da aquisição é de cerca de cem milhões de coroas.

— Mas Brekke não botou a mão no dinheiro ainda.

— Walters diz que metade do dinheiro deve ser entregue no momento da assinatura, e a outra metade, em seis meses. Como Jens vai conseguir honrar a primeira parte, não sei. Provavelmente deu algum jeito de juntar essa grana.

— E o que acontece se daqui a seis meses Hilde não tiver morrido?

— Por alguma razão, desconfio de que Brekke vai se assegurar de que isso aconteça. É ele quem prepara os drinques dela...

Liz fitou o nada, pensativa.

— Não passou pela cabeça dele que poderia parecer suspeito se tornar o novo dono da Phuridell justo agora?

— Sim, e é por isso que Jens comprou as ações em nome de uma empresa chamada Ellem Ltd.

— Mas alguém podia acabar descobrindo que é ele quem está por trás do negócio.

— À primeira vista ele não está. A empresa foi registrada no nome de Hilde. Só que, claro, ele será o herdeiro quando ela morrer.

Os lábios de Liz formaram um “O” silencioso.

— Como você descobriu tudo isso?

— Com a ajuda de Walters. Mas comecei a suspeitar quando vi a lista dos acionistas da Phuridell na casa de Klipra.

— Sério?

— Ellem. — Harry sorriu. — De início pensei em Ivar Løken. No apelido dele na Guerra do Vietnã, LM. Mas a resposta era ainda mais banal.

— Desisto.

— De trás pra frente, Ellem vira Melle. O nome de solteira de Hilde Molnes.

Liz olhou para Harry como se ele fosse uma atração de zoológico.

— Você não existe — balbuciou.

Jens olhou para o mamão papaia que estava segurando.

— Sabe de uma coisa, Løken? A primeira mordida em um mamão papaia tem gosto de vômito. Já reparou?

Ele afundou os dentes na fruta. O suco escorreu pelo rosto.

— Na segunda mordida, o gosto é de xoxota.

Reclinou-se para trás e riu.

— Sabe, um mamão desses custa cinco baht aqui em Chinatown. Ou seja, nada. Qualquer um pode comprar. É um dos simples prazeres da vida. E, como acontece com outros simples prazeres da vida, a gente não dá valor até perdê-los. É como... — Jens gesticulou como se estivesse à procura de uma analogia adequada. — Como ser capaz de limpar a própria bunda. Ou bater uma punheta. Tudo que o cara precisa pra isso é ter pelo menos uma das mãos.

Suspendeu no ar a mão decepada, segurando-a pelo dedo médio, e a manteve à frente do rosto de Løken.

— Você ainda tem uma. Pense nisso. E pense em todas as coisas que não pode fazer sem as mãos. Eu mesmo já refleti sobre isso, então deixe eu ajudá-lo. Você não pode descascar uma laranja, não pode colocar a isca em um anzol, não pode acariciar o corpo de uma mulher nem abotoar as próprias calças. Pois é, nem mesmo dar um tiro na cabeça você pode, caso se sinta tentado a fazer isso. Vai sempre precisar de alguém pra ajudá-lo. Em tudo. Pensa só.

O sangue gotejava da mão, batia na beirada da mesa e respingava na camisa de Løken, sujando-a com pontinhos vermelhos. Jens pousou-a em cima da mesa. Os dedos apontavam para o teto.

— Por outro lado, com as duas mãos, não há limites para o que somos capazes de fazer. Dá pra estrangular uma pessoa, enrolar um baseado e segurar um taco de golfe. Sabe que a ciência médica tem avançado muitíssimo atualmente, né?

Jens esperou até ter certeza de que Løken não ia responder.

— Os caras conseguem costurar a mão de volta praticamente sem perder um nervo sequer. Vão puxando os nervos feito elásticos. Seis meses depois, mal dá pra saber que algum dia a mão foi amputada. Isso, claro, dependendo da rapidez com que a pessoa encontra um médico, e desde que não se esqueça de levar a mão.

Passando por trás da cadeira, Jens pousou o queixo no ombro de Løken e sussurrou em seu ouvido:

— Olha que bela mão. Linda, né? Quase igual à da pintura de Michelangelo. Qual era o nome mesmo?

Løken não respondeu.

— Você sabe, aquela que usaram na propaganda da Levi’s.

Løken mantinha o olhar voltado para cima, fixo em um ponto qualquer do espaço. Jens soltou um suspiro.

— Está na cara que nenhum de nós dois entende de arte, né? Bom, quem sabe eu não compro uns quadros famosos quando tudo isso acabar? De repente isso pode despertar meu interesse. Aliás, quanto tempo você acha que temos antes que seja tarde demais pra reimplantar sua mão? Meia hora? Uma? Talvez um pouco mais, se a gente colocar ela no gelo, mas parece que não temos nenhum aqui hoje. Sorte sua que daqui até o Answut Hospital são só quinze minutos de carro.

Jens respirou fundo, aproximou a boca do ouvido de Løken e berrou:

— CADÊ HOLE E A POLICIAL?!

Løken teve um sobressalto e mostrou os dentes em um sorriso repleto de dor e ironia.

— Desculpe — disse Jens, limpando um pedacinho de mamão do rosto do outro. — É bem importante pra mim encontrar aqueles dois.

Os lábios de Løken se moveram em um sussurro rouco:

— Você tem razão...

— Oi? — disse Jens, inclinando-se para se aproximar da boca de Løken. — O que você disse? Fala alto!

— Você tem razão sobre mamão papaia. Tem mesmo cheiro de vômito.

Liz cruzou as mãos no topo da cabeça.

— A história do Jim Love. Não consigo imaginar Brekke na cozinha fazendo uma mistura de ácido cianídrico com ópio.

Harry sorriu.

— Brekke disse a mesma coisa sobre Klipra. Você está certa. Ele teve ajuda de alguém, de um profissional.

— Mas não dá exatamente pro cara colocar um anúncio procurando gente que faça esse tipo de serviço, né?

— Não mesmo.

— Quem sabe alguém que ele já conhecesse? Brekke costuma frequentar uns lugares suspeitos. Ou... — Liz se interrompeu ao perceber que Harry estava olhando para ela. — E agora, o que foi?

— Não é óbvio? Nosso velho amigo Woo. Ele e Jens estiveram juntos nessa o tempo todo. Foi Jens quem mandou o chinês colocar o grampo no meu telefone.

— Parece muita coincidência que o mesmo sujeito que trabalhava pros agiotas também trabalhasse pra Brekke.

— Justamente porque não é coincidência. Hilde Molnes me contou que os agiotas tinham ligado algumas vezes depois da morte do embaixador, mas não a importunaram mais depois que ela falou a respeito disso com Brekke. Duvido que Brekke metesse medo nos caras. Quando fomos à Thai Indo Travellers, o sr. Sorensen falou que Molnes não tinha nenhuma pendência ali. Talvez tenha dito a verdade. Meu palpite é de que Brekke pagou as dívidas do embaixador. Em troca de outros serviços, naturalmente.

— Os serviços de Woo.

— Exato. — Harry deu uma olhada no relógio. — Caramba, o que aconteceu com Løken?

Liz ficou de pé e suspirou.

— Vamos ligar pra ele. Quem sabe não tirou um cochilo e perdeu a hora?

Harry coçou o queixo, distraído.

— É, quem sabe.

Løken sentiu uma dor no peito. Nunca teve problemas de coração, mas conhecia os sintomas. Se fosse um ataque cardíaco, tinha a esperança de que fosse fatal. Ia morrer de qualquer jeito, mas seria ótimo poder privar Brekke do prazer de matá-lo. Embora talvez Brekke não sentisse prazer em estar ali. Talvez visse aquilo da mesma forma que ele — uma tarefa a cumprir. Um tiro, um homem tombando e pronto. Olhou para o corretor. Viu que a boca dele se mexia e se deu conta, para sua surpresa, de que não conseguia ouvir nada.

— Então, quando Ove Klipra me pediu que saldasse a dívida em dólares da Phuridell durante um almoço e não pelo telefone, eu não pude acreditar no que estava ouvindo. Uma operação de cerca de meio bilhão e ele me dá a instrução assim, de boca, sem qualquer registro que pudesse ser rastreado! É o tipo de oportunidade pela qual uma pessoa pode passar a vida inteira esperando.

Jens limpou a boca com um guardanapo.

— Voltei pro escritório, fiz as transações em dólar no meu nome. Se a moeda se desvalorizasse, podia simplesmente transferir o negócio pra Phuridell e dizer que estava fixando o valor da dívida em dólares, como tínhamos discutido. Se o câmbio subisse, embolsava os lucros e negava que Klipra tivesse me pedido que saldasse dívida em dólares. Ele não tinha como provar nada. Adivinha o que aconteceu, Ivar. Tudo bem se eu chamá-lo de Ivar?

Ele amassou o guardanapo e o atirou em uma lixeira perto da porta.

— Claro, Klipra ameaçou levar o caso à diretoria do Barclays Tailândia. Expliquei que, pra acolher a queixa, o banco teria que ressarcir o prejuízo dele. Além disso, estaria perdendo seu melhor corretor. Em suma: não restava opção pros chefes senão me apoiar. Aí Klipra ameaçou usar seus contatos políticos. E sabe o que aconteceu? Ele nunca fez nada. Percebi que eu podia me livrar de um problema, Ove Klipra, e ao mesmo tempo assumir a empresa dele, Phuridell, que não demoraria a decolar no mercado como um foguete. E, quando falo isso, não é que eu espero ou acredito que isso vá acontecer, como esses patéticos especuladores da bolsa. Eu sei que vai acontecer. Vou garantir que aconteça. — Os olhos de Jens brilharam. — Do mesmo modo que tenho certeza de que esse Harry Hole e a mulher careca vão morrer hoje à noite. Vai acontecer. — Conferiu o relógio. — Peço desculpas pelo melodrama, mas tempus fugit, Ivar. O tempo urge, e já é hora de você pensar no que é melhor pra você, certo?

Løken o encarou com o olhar vazio.

— Nem está com medo, né? Faz o tipo durão? — Admirado, Brekke arrancou um fio solto de um buraco de botão na camisa. — Devo contar como eles vão ser encontrados, Ivar? Em algum ponto do rio, cada um deles amarrado a um poste com uma bala no corpo e o rosto todo em carne viva. Já tinha ouvido falar disso, Ivar? Não? Talvez o método ainda não existisse quando você era jovem. Eu mesmo nunca teria sido capaz de imaginar um negócio desses. Até que meu amigo Woo aqui me contou: a hélice de um barco pode esfolar uma pessoa, deixando só a carne à mostra. Está entendendo? É um truque que Woo aprendeu com a máfia local. Claro que as pessoas talvez fiquem se perguntando o que os dois teriam feito pra enfurecer a máfia desse jeito, mas nunca vão descobrir. Pelo menos não por você, depois de uma cirurgia gratuita e dos cinco milhões de dólares que vai ganhar pra me dizer onde eles estão. Afinal, você já tem tanta prática nesse negócio de desaparecer, assumir uma nova identidade e tudo mais, né?

Ivar Løken via os lábios de Jens se movendo e ouvia o eco de uma voz ao longe. Palavras como hélice de barco, cinco milhões e nova identidade flutuavam ao seu redor. Løken nunca havia se considerado um herói nem tinha desejado morrer como um. Mas sabia a diferença entre certo e errado e, mantendo-se dentro dos limites razoáveis, havia se esforçado para fazer o certo. Ninguém além de Brekke e Woo saberia se ele tinha encarado a morte de cabeça erguida ou não, nenhum veterano do serviço de inteligência ou do Ministério das Relações Exteriores se lembraria, entre uma cerveja e outra com os colegas, do bom e velho Løken, e de qualquer forma ele não se importava com isso. Não precisava manter uma reputação depois da morte. Sua vida tinha sido um segredo bem-guardado e, portanto, era provavelmente natural que sua morte também fosse assim. Ali não era o lugar para um gesto de grandeza, e Løken sabia que, caso entregasse a Brekke o que ele queria, só ganharia em troca uma morte mais rápida. E já não sentia mais nenhuma dor. De modo que aquilo não valia a pena. Ouvir os detalhes da proposta de Brekke não teria feito diferença alguma. Nada teria feito diferença. Pois, naquele momento, o celular no cinto de Løken começou a tocar.